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30 junho, 2024

O samba de breque

É um tipo de samba caracterizado por interrupções repentinas durante as quais o cantor comenta humoristicamente o tema. O breque é uma designação abrasileirada do inglês break (freio) para as falas proferidas pelo intérprete. Enquanto a orquestra fica sem tocar ou apenas fazendo alguma marcação livre.
O breque está para o samba como o recitativo está para a cantata e a ópera, afirmou Arthur Moreira Lima.
Mesmo já presente em algumas canções de Noel, Sinhô e Mário Reis, credita-se ao cantor Luiz Barbosa (em "Risoleta", de 1937, samba de Wilson Batista e Haroldo Lobo) a introdução dessas pausas declamatórias no samba. Mas, de fato, quem popularizou e consagrou esse estilo (que confere graça e malandragem ao samba) foi o cantor Moreira da Silva.
Numa entrevista, o próprio Moreira reconheceu o pioneirismo de Luiz Barbosa, reservando para si o mérito de prolongar a duração dos breques. Além de enriquecê-lo com gírias dos morros cariocas (acrescento eu).
No Ceará, destacou-se  nesse estilo o compositor Luiz Sérgio Bezerra, autor dos sambas de breque "Noite Feliz" e "Saúde de ferro".
Até prova em contrário, o breque mais longo é o que está no samba "Na subida do morro", de Geraldo Pereira, Moreira da Silva e Ribeiro Cunha.
- Meto-lhe o aço no abdome e tiro fora o seu umbigo.
Aí meti-lhe o "aço", quando ele ia caindo me disse:
- Morengueira, você me feriu.
Eu então disse:
- É claro, você me desrespeitou, mexeu com a minha nega. Você sabe que em casa de vagabundo, malandro não pede emprego. Como é que você vem com "xavecada", está armado? Eu quero é ver sua gordura que a banha está cara!
Aí meti a mão lá na "duana", na "peixeira", é porque eu sou de Pernambuco, cidade pequena, porém decente, peguei o "vagulino" pelo abdome, desci pelo duodeno, vesícula biliar e fiz-lhe uma "tubagem"; ele caiu, bum!, todo ensanguentado.
E as senhoras, como sempre, nervosas:
- Meu Deus, esse homem morre, moço! Coitado, olha aí, está se esvaindo em sangue.
- Ora, minha senhora, dê-lhe óleo canforado, penicilina, estreptomicina, "crebiosa", "engrazida" e até vacina Salk.
Mas o homem já estava frio. Agora, o malandro que é malandro não denuncia o outro, espera para tirar a forra.

1:00 - 1:53. O breque dura 53 segundos

Dicionário malandrês - português
aço: lâmina de arma branca
xavecada: abordagem
duana: roupa bonita de homem
peixeira: faca inicialmente para cortar peixe
vagulino: vagabundo
tubagem: canalização
crebiosa: (...)
engrazida: hidrazida

Webgrafia
https://youtu.be/rktFJYWTSc8?si=oxuQEB5_523fPS6g
https://youtu.be/KDUu939hu0E?si=29hMXWzIYyRNQgeM
https://twitter.com/verdaotatico/status/1723097000244113903
https://botecodovalente.blogspot.com/2010/10/comparacao-entre-giria-de-moreira-da.html
https://gurgel-carlos.blogspot.com/2023/03/musicografia-de-luiz-sergio-bezerra.html

08 novembro, 2023

Nadica de nada

Significado: coisa nenhuma; absolutamente nada; necas de pitibiribas.
Exemplo: "Ele não comeu nadica de nada".
"Um mais um é dois / Nós dois sem um é nada / O amor soma e não separa / Por nadica de nada." (Day e Lara, cantoras)
Para alguns, a expressão correta seria: "Nanica de nada." Isso porque antigamente falavam para não  comer banana (nanica, especialmente) antes de ir dormir. O que, a meu ver, tem a cara de ser uma etimologia fantasiosa.
Nadica de Nádia é o nome de uma página no Face.

Bom para o DBF, o Dicionário Brasileiro de Frases.

01 agosto, 2023

What The *uck

The Borowitz Report — Uma semana depois de mudar o nome do Twitter para X, Elon Musk mudou seu próprio nome para WTF.
Explicando a decisão aos repórteres, ele disse:
"Elon Musk é um nome bom, mas WTF combina melhor comigo. Eu sei que as pessoas em todos os lugares têm associações extremamente calorosas e positivas com o nome Elon Musk", acrescentou. "Mas, como dizemos na SpaceX, às vezes você precisa explodir as coisas".
O magnata da tecnologia revelou que seu novo nome foi escolhido "em um concurso divertido" pelos funcionários da sede da X. "As pessoas podem ter ficado chateadas quando eu não as deixei trabalhar em casa, mas uma vantagem de vir para o escritório é que você pode fazer coisas legais como essa", observou ele.
Ele disse que o nome WTF venceu o concurso depois de derrotar um forte desafio do segundo nome favorito dos funcionários para ele, LMFAO.
Andy Borowitz é um autor best-seller do Times e um comediante que escreve para o The New Yorker desde 1998. Ele escreve The Borowitz Report, uma coluna satírica sobre notícias.

O que é WTF:
É a abreviação para a expressão em inglês "What the Fuck", muito utilizada como uma gíria quando alguém não compreende alguma coisa, por exemplo.
Esta expressão é considerada grosseira, tanto na língua inglesa, como a sua tradução para o português. Normalmente, para evitar censuras, esta frase sofre algumas alterações como "What The Duck" ou "What The *uck".
No Brasil, evitando o uso de palavrões, o WTF teria o significado semelhante a "Que diabos é isso?", por exemplo.
Este termo ainda pode ser a reação que alguém tem quando vê ou ouve uma coisa absurda.
O que é LMFAO:
LMFAO é a sigla de "Laughing My Fucking Ass Off", uma gíria americana que pode ser traduzida em português por "Rindo pra cacete". Nas redes sociais é comum encontrar siglas ou abreviaturas semelhantes, como por exemplo, LOL (Laughing Out Loud) que significa "Rindo alto".

27 março, 2021

Pseudonumerais

Trocentos/as (de quatrocentos?), um número grande e indeterminado; usa-se apenas no plural.
Milhento/a, um número grande e indeterminado.
Porrilhão, um número grande e indeterminado; sinônimo: caralhada.
Putilionésimo, um número enraivecedor, indeterminado e em desuso desde sempre.
Zilhão, pseudonumeral multiplicativo que descreve: um número muito grande e indeterminado de algo; uma quantidade excessiva de coisas ou pessoas; usa-se de preferência no plural (exemplos: "zilhões de pedidos", "zilhões de contas a pagar", "festa com zilhões de pessoas").
Gúgol (do inglês Googol), é um número enorme mas determinado. Representa 10 ^ 100, que é o 1 seguido de 100 zeros. [http://blogdopg.blogspot.com/2020/09/o-enormissimo-googol.html]
PGCS

27 dezembro, 2019

Gírias do Pasquim

para o jornalista JB Serra e Gurgel
autor de DICIONÁRIO DE GÍRIA
Famoso por seus textos debochados, irônicos e irreverentes, o Pasquim inventou modismos como "pô", "paca", "sifu", "duca", "putsgrila", "quiuspa", "podiscrer" e "cacilda". Levou as gírias ipanemenses para as páginas do tabloide e tirou o "paletó e a gravata do jornalismo", deixando os textos mais próximos da linguagem coloquial.
[https://blogdopg.blogspot.com/2017/11/falou-e-disse.html]

Anta, pessoa lerda, pesada. Neste período: Eu sou uma anta.Tenho DOIS pares de tênis. Dizem os "pasquinófilos" que a frase era uma alusão aos basbaques da época. Quando possuir UM par de tênis era coisa de rico, e eles estufavam o peito para proclamar:– EU tenho DOIS pares de tênis!
[https://blogdopg.blogspot.com/2019/01/a-anta-de-tenis-e-o-cidadao-de-bem.html]
Barato, momento, coisa ou pessoa capaz de inspirar prazer ou simpatia.
Bicha, pederasta.
Bicho, amigo, cara, um interlocutor do sexo masculino.
Bicho grilo, pessoa de aparência extravagante.
Bilouca, contração de "bicha louca".
Cacilda, variante de "caceta". Indica espanto.
Coisa de veado, moda ou comportamento de homossexual.
[https://blogdopg.blogspot.com/2009/05/coisa-de-veado.html]
Duca, contração de "do caralho", muito bom.
Falou e disse, concordo.
Hebdô, abreviatura de hebdomadário, uma publicação semanal.
Jáco, já comi.
Mocotó. Nesta frase: Eu quero mocotó!
[https://blogdopg.blogspot.com/2019/04/eu-quero-mocoto.html]
O Pasca, O Pasquim. Nem mesmo o jornal escapou de sua terminologia.
O virundum. Inspirado no primeiro verso (O VIRUNDUM Ipiranga) do Hino Nacional, cuja letra é hors-concours em matéria de "virunduns" (do que terra MARGARIDA, verás que um FILISTEU não foge à luta etc). Dizem que foi criado pelo jornalista Paulo Francis.
[https://blogdopg.blogspot.com/2008/09/o-virundum.html]
Paca, contração de "pra caralho", muito, demais.
Patota, turma.
Pô, abreviação de "porra".
Podiscrer, pode acreditar, usado para introduzir qualquer afirmação.
Putzgrila (ou putsgrila) é uma abreviação de "puta que pariu, isso grila". Muito usado pela juventude, nas décadas de 1960 e 70, para expressar susto ou admiração quando um assunto complexo era comentado numa roda.
[https://blogdopg.blogspot.com/2018/01/do-prefacio-ao-posfacio.html]
Quiuspa, abreviação de "puta que os pariu".
Sarro, gozação, "casquinha". Nesta expressão: Tirar um sarro.
Sifu, contração de "se fodeu", se deu mal. Havia as variações "mifu", "tifu" e "nosfu".
Vôco, vou comer.
Um órgão disseminador do humor e do estilo de vida cariocas, essencialmente provindos da elite intelectual do bairro de Ipanema, O Pasquim modificou a linguagem jornalística. Nele escrevia-se como se falava.

Artigos recomendados:
A breve história e a caracterização d'O Pasquim, por Bruno Brasil
O pingente que deu certo, por Sergio Augusto

14 novembro, 2017

Falou e disse

Famoso por seus textos debochados, irônicos e irreverentes, o Pasquim inventou modismos como "pô", "paca", "sifu", "duca", "putsgrila", "quiuspa", "podiscrer" e "cacilda". Levou as gírias ipanemense para as páginas do tabloide e tirou o "paletó e a gravata do jornalismo", deixando os textos mais próximos da linguagem coloquial.
Seus editores e colaboradores escreviam do jeito como falavam. Assim era "O Pasquim", digo, "o pasca".
Na ilustração: Sig (abreviatura de Sigmund, em honra a Sigmund Freud), o rato símbolo do hebdomadário.
Fontes
http://seretecer.blogspot.com.br/2007/06/chega-s-livrarias-segunda-antologia-do.html
http://balsamohistoria.blogspot.com.br/2014/10/girias-dos-anos-6070.html

06 novembro, 2017

De caralho a passaralho

Caralho é um termo da língua portuguesa usado para designar o membro viril masculino. O termo encontra correspondente no castelhano carajo, no galego carallo, e no catalão carall, sendo exclusivo das línguas românicas da Península Ibérica, não se encontrando em nenhuma outra.
Documenta-se o uso do termo desde pelo menos o século X, surgindo regularmente nas cantigas de escárnio e maldizer da poesia trovadoresca medieval, sendo também registado nalguma documentação, além de vários usos antroponímicos e nas toponímias da Península Ibérica, em particular da Catalunha, onde se destacam os vários carall bernat.
Este uso do termo como nome próprio para descrever o membro viril, presente inclusive na documentação oficial, termina com a contrarreforma, passando então a ser considerado como obsceno e impróprio, conotação que mantém até aos dias de hoje. Não obstante, o termo manteve uma incrível vitalidade nas línguas romances ibéricas, sendo usado atualmente com dezenas de sentidos diferentes e como meio de expressar as mais diversas emoções, como estranheza, emoção, lambança ou ameaça, embora em algumas regiões tenha perdido o seu sentido original de membro viril.
O caralho marca presença na poesia e literatura modernas, especialmente como disfemismo e elemento provocador, e por vezes como erotismo, tendo entrado no panteão da mitologia brasileira como caralho-de-asas, que por sua vez inspirou um personagem de banda desenhada, o passaralho.
Caralho-de-asas
No Brasil, o caralho, na qualidade de órgão genital masculino, foi transformado no mito do caralho-de-asas. O mito difere conforme o narrador. Deste modo, numa versão de narrativa masculina, o "caralho-de-asas" define-se como a entidade responsável por uma gravidez de paternidade não-identificada, enquanto que numa narrativa em grupo feminino, a referência ao caralho-de-asas toma a forma de advertência às moças, para que não tomem banho de rio e de açude, bem como não durmam "desprevenidas", ou seja, sem roupas íntimas.
O mito do caralho-de-asas parece reminiscente da lenda grega de Leda e o cisne, segundo a qual Júpiter, metamorfoseado em cisne, manteve relações sexuais com a ninfa Leda, concebendo os gémeos Castor e Pólux. O mito entrou para a iconografia urbana, já documentada em cidades como o Rio de Janeiro e o Recife, estando presente também como personagem de banda desenhada em revistas de palavras cruzadas e enigmas destinadas ao público masculino, tomando o nome de "passaralho".

Passaralho
O termo passaralho tornou-se também um jargão no mercado de trabalho, em especial para o jornalismo e o funcionalismo público (terceirizado), com o significado de época ou movimento de demissão em massa.
A propósito, leiam  este artigo: A revoada dos passaralhos, de Camila Rodrigues e outros.

07 janeiro, 2014

Pela blogosfera - 48

O Blog da Sobrames–CE reproduziu (ontem) o meu artigo O puxa-saco, aqui publicado em 20 de dezembro, que é quando se festeja o dia da nobre e vil criatura.
A republicação do artigo se deu por sugestão do Dr. William Moffitt Harris (foto), médico em Campinas–SP, que enriqueceu o texto com esta achega em que ele faz considerações sobre o puxa-saquismo na língua inglesa:
UM PEQUENO COROLÁRIO E ADENDO AO ARTIGO SOBRE PUXA-SAQUISMO DO DR. PAULO GURGEL
Em inglês vai-se diretamente ao conteúdo DON'T SCRATCH MY BALLS (não me encha o saco) e como contrário a nossa expressão "ele é um pé-no-saco" é vertido para HE IS A PAIN IN THE NECK. "Puxa-saco" em inglês é SERVILE FLATERER, porém considerado pejorativo e ofensivo; a atitude servil de um garçom, por exemplo, aqui considerada normal, entre os ingleses é DISGUSTING e depreciativo. (WH)