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03 março, 2026

Viaji pru nor-di-Minas

Você é magrelo e quer engordar? Vá a Montes Claros.
Bate e volta.
Vá sem pressa, parando e comendo.
Na volta, comendo e parando.
Pegue o desvio para Cordisburgo e compre lá as famosas fatias.
Guimarães Rosa ficou inteligente por causa delas.
Compre umas dez de uma vez.
Dê só a seus inimigos. Ficarão seus amigos.
Ô diabo de fatia boa!

Depois, de Curvelo para BH pare na Fazenda Jasdan, do Onofre Ribeiro, o maior criador de gado indiano do mundo.
Compre o creme de milho da Cida.
Nelson Cunha
Metáforas de vida
Desde a Antiguidade, pode-se dizer que a alimentação vem sendo objeto de atenção e conhecimento, devido à necessidade inescapável de ingerir alimentos para manter a vida (Ulpiano). Por conseguinte, os prazeres da mesa não poderiam ausentar-se da vida e obra de Guimarães Rosa, que, frequentemente,  usava elementos do cotidiano mineiro em suas frases. Uma citação popularmente atribuída ao mestre de Cordisburgo ("junto dos bão é que a gente fica mió") diz que "no viver cabem todas as fatias... que você desejar", porquanto une a filosofia de vida ao prazer das pequenas coisas.
Paulo Gurgel

21 maio, 2020

Flor-de-abril

Quando estive de passagem por Martins-RN, uma árvore no Hotel Chalé Lagoa dos Ingás me chamou a atenção. Não tinha visto nenhuma outra parecida com ela, até então, principalmente no aspecto bastante incomum de seus frutos.
Muitos frutos encontravam-se caídos no chão. Peguei um deles: parecia um pequeno coco, tinha uma casca entre o verde e o amarelo, muito rígida, e umas estrias que lembravam soldaduras.
No Lagoa dos Ingás, além da estrutura para a prática do arvorismo, há placas indicativas dos nomes das árvores. Mas aquela não tinha. Então, recorri aos possíveis conhecimentos botânicos de um funcionário do hotel.
Manuseando o exemplar apresentado, ele negou se tratar de um fruto. Por ser de uma árvore que apenas produzia umas flores brancas, conhecida como "flor-de-abril".
Estávamos em novembro. Se não era fruto tampouco era flor. E existe árvore que tem floração e depois não se carrega de frutos?
Foi o que tentei explicar a ele, aparentemente sem convencer.
De qualquer maneira, ele estava correto quanto ao nome que me forneceu. Como pude verificar em uma pesquisa que fiz no gigante de buscas da internet após a minha viagem.
ALTO OESTE POTIGUAR
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Flor-de-abril
Originária da Índia e cultivada no Brasil, a árvore flor-de-abril (Dillenia indica) é também conhecida pelos nomes dilênia, bolsa-de-pastor, árvore-do-dinheiro e como maçã-de-elefante, em países de língua inglesa. Trata-se de uma árvore que alcança até 40 metros de altura, formando uma copa muito abundante de forma piramidal. Suas folhas são verde-claras, com nervuras bem marcadas e medem de 15 a 20 centímetros de comprimento. As flores são solitárias, brancas e se parecem muito com as flores da magnólia-branca. Já os frutos têm formato globoso, alcançando até 20 centímetros de diâmetro, envoltos por gomos carnosos (como se fossem calotas) com cinco sementes. O florescimento da flor-de-abril ocorre de janeiro a outubro e a frutificação de abril a agosto.
Uma curiosidade a respeito desta árvore é que ela teria sido trazida para o Brasil por ordem de D. João VI e tornou-se costume as pessoas encaixarem moedas sob as calotas dos frutos da dilênia - teria vindo daí o nome popular "árvore-do-dinheiro".
Na Índia, os povos tribais de Orissa costumam plantá-las nos quintais para diversas finalidades. As folhas são usadas como lixa para polir madeira e também como copos ou pratos. A madeira é considerada muito boa para lenha. Além disso, por ser dura, resistente e de grande durabilidade, é utilizada em construção naval, rodas hidráulicas, obras imersas em água e carpintaria em geral. Os frutos verdes são cozidos para o preparo de picles. Os gomos, que são espessos, carnosos e côncavos, produzem um suco perfumado, ácido e agradável, que na Índia é usado como tempero e no preparo de bebidas refrigerantes, além de ser recomendado para a fabricação de xarope contra as anginas.
No Panamá, o fruto maduro é comido cru ou cozido e serve ainda para o preparo de doces. Já no Brasil, eles são considerados inconvenientes, sendo aproveitadas somente as folhas e as flores para ornamentação.
Fonte

26 janeiro, 2020

Que barbeiragem foi essa?

Fernando Gurgel
Uma historinha contada pelo meu irmão:
Meu amigo calhorda estava de malas prontas para uma viagem de sonhos à Roma. Iria à Capela Sistina, veria o Papa Francisco, depois Florença, Milão, Lago Como e mil outros lugares turísticos interessantes.
Antes da viagem, foi à barbearia onde cortava o cabelo há anos. O barbeiro, seu amigo, não gostava nada da Itália e, usando a intimidade que tinham, começou a desancar o passeio tão esperado do amigo:
- Fui duas vezes à Itália. Pura enganação. Filas enormes para ver pouca coisa, uma multidão de gente naquela praça São Pedro, povo mal humorado,
as pizzas daqui são muito melhores... Em suma, é muita ruína pra pouco tempo de ver tudo. Detestei.
Meu amigo calhorda, aborrecido com a conversa, não falou necas de pitibiribas.
Ao voltar da viagem, depois de algum tempo, voltou à barbearia para um novo corte de cabelo. O barbeiro fez a pergunta de praxe:
- E aí, compadre, como foi na Itália?
- Rapaz, nem te conto. Fui a uma missa rezada pelo Papa Francisco e ele passou assim bem pertinho de mim. Me olhou com um olhar de estranhamento, parou ao meu lado e cochichou no meu ouvido: "Meu irmão, que cabelinho mais mal cortado é esse? No Brasil não tem barbeiro, não?"
E caiu na gargalhada.



N. do E.
Tratar os clientes com gentileza e cortesia, evitando ceder à tentação da fofoca: este foi o conselho do Papa Francisco, ao receber em audiência (29/04/2019) os cabeleireiros, barbeiros e esteticistas pertencentes ao Comitê São Martinho de Porres. O santo peruano Martinho de Porres (retrato), que tem como atributos um cachorro, um gato, um pássaro e um rato comendo juntos no mesmo prato, foi proclamado em 1966 padroeiro destas categorias de trabalhadores.
Fonte: Vatican News

29 dezembro, 2019

A viagem através da Terra

Em 1966, o matemático Paul Cooper teorizou que a maneira mais rápida e eficiente de viajar através da Terra seria construir um tubo oco conectando regiões antípodas e do qual houvesse sido removido o ar. A primeira metade da jornada consistiria em uma aceleração de queda livre, enquanto a segunda metade em uma desaceleração exatamente igual. O tempo para essa jornada seria 42 minutos. A mesma ideia foi proposta, sem cálculo, por Lewis Carroll em 1893. Agora sabemos que isso não é verdade, pois levaria apenas 38 minutos.
Quanto tempo alguém levaria para, ao cair em um buraco na Terra, chegar ao outro lado do planeta? 
Ainda menos tempo do que se pensava anteriormente, revela Alexander Klotz, da Universidade McGill, em Montreal.
Um cenário frequentemente apresentado às aulas de física introdutória é o de um "túnel de gravidade" - um tubo perfurado de um lado da Terra para o outro, através do centro do planeta. A resposta ensinada, por quase meio século, de por quanto tempo uma queda por tal buraco levaria foi de 42 minutos e 12 segundos.
A solução para este problema depende da força da atração gravitacional da Terra que, por sua vez, é baseada em sua massa. Quando alguém atravessa o planeta, há menos massa abaixo de quem está fazendo a descida ao longo do tempo, então a força da gravidade experimentada diminuiria à medida que se aproximasse do centro da Terra.
Ainda assim, supondo que não houvesse resistência do ar, o momento da queda poderia se estender por todo o percurso até a superfície do outro lado. Qualquer um que sofresse a queda teria que se afastar do buraco de saída imediatamente, ou então ele poderia cair de novo, e ficar indo e voltando dentro do túnel de gravidade como se fosse um pêndulo.
Usando um modelo mais realista da Terra, Klotz calculou que a queda levaria apenas 38 minutos e 11 segundos, cerca de 4 minutos mais rápido do que se pensava.
Ele baseou seus cálculos na estrutura interna do planeta, determinada a partir de dados sísmicos. Enquanto a crosta terrestre tem uma densidade menor que 3 gramas por centímetro cúbico, o centro da Terra tem uma densidade de cerca de 13 gramas por centímetro cúbico.
O físico assumiu que não havia resistência do ar (atrito) no túnel gravitacional. "Na minha opinião, se você tem a tecnologia para cavar esse túnel, você tem a tecnologia para sugar o ar", disse Klotz.
Mas não espere que alguém teste esses cálculos com um túnel real pela Terra tão cedo."Os soviéticos tentaram cavar um buraco tão profundo quanto podiam de 1970 a 1989 e só alcançaram 12 quilômetros de profundidade, cerca de 0,1% do percurso através da Terra", disse o físico.
Klotz detalhou suas descobertas na edição de março de 2015 do American Journal of Physics.

How Long Would It Take to Fall Through the Earth?, LIVSCIENCE

06 fevereiro, 2019

A longa jornada de automóvel de Bertha Benz

Em agosto de 1888, Bertha Benz, 39 anos, dirigiu de Mannheim para Pforzheim com seus filhos Richard e Eugen, de treze e quinze anos, em um Modelo III, sem contar ao marido e sem permissão das autoridades, tornando-se a primeira pessoa a dirigir um automóvel a uma distância real. Antes desta viagem histórica, os veículos motorizados eram apenas unidades de testes muito curtos, retornando ao ponto de origem, feitos por assistentes mecânicos. Seguindo os trilhos do trem, esta excursão pioneira percorreu uma distância de cerca de 106 km em sentido único.
Embora o objetivo ostensivo da viagem fosse visitar sua mãe, Bertha Benz tinha outros motivos: provar a seu marido - que não havia considerado ser adequado divulgar sua invenção - que o automóvel em que ambos investiram seria um sucesso financeiro. uma vez que se mostrasse útil para o público em geral; e assim dar ao marido a confiança de que seus produtos tinham futuro.
Ela deixou Mannheim por volta do amanhecer e foi resolvendo inúmeros problemas ao longo do caminho. Bertha demonstrou suas capacidades técnicas nessa jornada. Sem tanque de combustível e com apenas 4,5 litros de gasolina no carburador, ela teve que encontrar ligroína, o solvente de petróleo necessário para o carro funcionar. Este só estava disponível em boticas, então ela parou em Wiesloch, na farmácia da cidade, para comprar o combustível. Na época, gasolina e outros combustíveis só podiam ser comprados de químicos, e foi assim que em Wiesloch funcionou o primeiro posto de combustíveis do mundo.
Ela limpou um ducto de combustível bloqueado com um alfinete de chapéu e usou sua liga como material de isolamento. Um ferreiro teve que ajudá-la a consertar uma corrente em determinado ponto. Quando os freios de madeira começaram a falhar, Benz visitou um sapateiro para instalar couro, fazendo o primeiro par de pastilhas de freio do mundo. Um sistema de resfriamento por evaporação foi empregado para resfriar o motor, tornando o abastecimento de água uma grande preocupação durante a viagem. O trio adicionou água ao veículo a cada vez que parava. As duas engrenagens do carro não foram suficientes para superar as subidas íngremes e, muitas vezes, Eugen e Richard tiveram que empurrar o veículo. Benz chegou a Pforzheim um pouco depois do anoitecer, notificando o marido de sua viagem de sucesso por telegrama. Ela voltou para Mannheim vários dias depois.
Ao longo do caminho, várias pessoas ficaram assustadas com o automóvel. Alguns até pensaram que dois rapazes e uma mulher numa carruagem sem cavalos, chiando e batendo, só podiam ser uma coisa do próprio Diabo. A viagem recebeu uma grande publicidade, como ela havia pensado, e o Modelo III foi um evento-chave no desenvolvimento técnico do automóvel. O casal pioneiro introduziu várias melhorias após as experiências de Bertha. Ela relatou tudo o que tinha acontecido ao longo do caminho e fez sugestões importantes, como a introdução de uma engrenagem adicional para subir colinas e lonas de freio para melhorar a frenagem. E sua viagem provou para a nascente indústria automotiva que os test drives eram essenciais para seus negócios.

Karl Benz é frequentemente creditado por inventar o automóvel.
Bem, ninguém inventou o automóvel. Veículos movidos a combustão interna precederam Benz. Mas boa parte da razão pela qual ele recebe o crédito foi sua esposa Bertha.
Uma heroína da indústria automobilística, Bertha Benz, morreu em 1944, aos 95 anos.

28 novembro, 2018

Viagem em volta do meu quarto

Em 1790, Xavier de Maistre escreveu sua "Voyage autour de ma chambre" ("Viagem em volta do meu quarto" ou "Viagem em torno do meu quarto", conforme a edição no Brasil), quando ele estava preso em Turim como conseqüência de um duelo.
Publicada na França em 1794, esta obra é uma paródia na tradição da narrativa das grandes viagens. É um relato autobiográfico de como um jovem funcionário, aprisionado em seu quarto por seis semanas, observa os móveis, gravuras, etc. como se fossem cenas de uma viagem em um terra estranha.
Ele elogia esta viagem porque não custa nada e, por isso, é fortemente recomendada aos pobres, aos enfermos e aos preguiçosos.
"Quando viajo por meu quarto", escreve ele, "raramente sigo uma linha reta: saio da mesa em direção a uma foto pendurada em um canto; de lá, me dirijo obliquamente para a porta; mas mesmo assim, quando ao começar é realmente minha intenção ir até lá, se por acaso eu encontrar minha poltrona a caminho, não penso duas vezes sobre isso e me sento nela sem mais delongas".
Continua:
"Ao lado da poltrona, ao ir para o norte minha cama aparece. Ela está colocado no final do meu quarto e fornece a perspectiva mais agradável. É muito agradavelmente situada, e os primeiros raios do sol brincam em minhas cortinas. Nos bons dias de verão eu os vejo rastejando, enquanto o sol nasce ao longo de toda a parede embranquecida.
Este trabalho é notável porque ele joga com a imaginação do leitor, ao longo de suas linhas  à la Laurence Sterne, a quem Xavier admirava. Xavier não acreditou muito em "Voyage...", mas seu irmão Joseph o publicou, e aqui estamos falando sobre isso 224 anos depois.

16 outubro, 2018

Olho Cósmico, versão 2018

Esta é a versão 2018 do Cosmic Eye, uma viagem cósmica deslumbrante entre o Universo e o elemento básico da matéria – com conexão em Louise, no Vale do Silício.
A versão de 2011 usou um vídeo vertical que foi devidamente corrigido nesta nova versão, a qual tem também uma qualidade de imagem muito melhor  algumas mudanças gráficas (incluindo mais elementos vetoriais) e me dá a impressão de que até mesmo uma nova trilha sonora.
É um vídeo ótimo e extremamente didático – com todos os valores de escala perfeitamente calculados.


20 setembro, 2017

Uma pesquisa na Internet sobre viajantes do tempo - 2

Em 2014, os físicos da Universidade Tecnológica de Michigan, Robert Nemiroff e Teresa Wilson, inventaram uma nova maneira de detectar viajantes no tempo: pesquisar na Internet.
Eles procuraram menções sobre o "Comet ISON", um cometa descoberto em setembro de 2012, e o "Pope Francis", cujo papado começou em março de 2013 e que é o primeiro de seu nome. Ambos os temas são historicamente importantes para que eles possam ser conhecidos por pessoas de um futuro distante. Se essas pessoas viajam para o nosso passado, então elas podem mencioná-los inadvertidamente em, digamos, 2011, antes que  nós mesmos pudéssemos plausivelmente ter feito isso.
"Dada a prevalência atual da Internet [...] esta pesquisa pode ser considerada ainda a pesquisa mais sensível e abrangente para a viagem no tempo do futuro”, eles relatam, reconhecendo que “tecnicamente, o que se procurou aqui não seria os viajantes do tempo no sentido físico, mas os traços informacionais deixados por eles".
E eles observam que o nosso fracasso em detectar viajantes não significa que eles não estivessem lá. "Em primeiro lugar, para eles pode ser fisicamente impossível deixar quaisquer vestígios duradouros de sua estadia no passado, incluindo até mesmo remanescentes informacionais na Internet. Em seguida, para nós pode ser fisicamente impossível encontrar tais informações porque violariam alguma lei ainda desconhecida da Física. [...] Além disso, viajantes do tempo podem não querer ser encontrados, e podem ser bambas em cobrir seus rastros."
https://www.futilitycloset.com/2017/04/15/history-search/

Uma pesquisa na Internet sobre viajantes do tempo - 1

24 agosto, 2016

Entre o macro e o micro infinitos

O vídeo de uma viagem deslumbrante entre o Universo e o elemento básico da matéria com conexão em Louise.


(inexplicavelmente em formato vertical)

28 novembro, 2015

O mundo do descobrimento dos exoplanetas

1
Vinte anos atrás, neste mês, os astrônomos confirmaram a descoberta do 51 Pegasi b, o primeiro planeta que orbita uma estrela semelhante ao Sol. Sofrendo um calor infernal, pelo fato de orbitar muito próximo da estrela-mãe, Belerofonte (nome informal do planeta) teve o mérito de abrir os olhos dos astrônomos para uma gama surpreendente de mundos alienígenas que existem por toda a Galáxia.
A contagem dos planetas extrassolares conhecidos está agora em 1.978, com cerca de 4.700 candidatos à espera da confirmação.
Em 29 de novembro, os pesquisadores de exoplanetas se reunirão no Havaí para rever estes sistemas solares extremos – e traçar um caminho para as próximas duas décadas.
2
No site TOPTENZ o internauta encontra uma relação de 10 planetas que poderiam sustentar a vida. Estes exoplanetas, que são planetas fora do nosso sistema solar, podem ser considerados oásis no Universo (para o caso de sermos forçados a deixar a Terra para sempre). Obviamente, não há nenhuma maneira de como poderíamos atualmente viajar para esses planetas, porque eles estão a anos-luz de distância e, com a tecnologia hoje disponível, para viajar apenas um ano-luz levaríamos cerca de 80.000 anos. Num futuro distante, quem sabe...

A caça aos exoplanetas, A tirania da equação do foguete e As características de um planeta gêmeo da Terra

03 outubro, 2015

Os problemas de saúde de Tintin

RESUMO
Introdução
Apesar do estilo de vida altamente perigoso dos personagens de histórias em quadrinhos, como Tintin, não temos conhecimento de qualquer descrição sistemática anterior dos desafios e dos problemas de saúde enfrentados por Tintin no curso de suas aventuras.
Métodos
Avaliamos o espectro dos problemas de saúde que Tintin sofreu em suas 23 aventuras, bem como as suas causas, consequências e relações com o ato de de viajar. Seus eventos foram classificados como traumáticos e não-traumáticas, e como intencionais (aqueles perpetrados por outros) e não intencionais.
Resultados
Encontramos 236 eventos que levaram a 244 problemas de saúde, 13 sequestros, seis hospitalizações e dois procedimentos cirúrgicos. Nos 244 problemas de saúde, houve 191 casos de trauma (78,3%) e 53 de casos não traumáticos (21,7%). A forma mais comum de trauma foi a concussão (62%), enquanto as formas mais comuns de não traumáticos foram problemas do sono (15,1%), depressão / ansiedade (13%) e o envenenamento por gás clorofórmio(13%). No geral, encontramos 46 perdas de consciência, incluindo 29 traumáticas e 17 não traumáticas. Dos 236 eventos, 69 (29%) foram perpetrados por outros contra Tintin (incluindo 55 tentativas de homicídio) e 167 (71%) foram por ações do próprio Tintin.
Conclusão
As qualidades quase sobre-humanas do personagem, um privilégio que o seu status ficcional lhe garante, tornam Tintin altamente resistente ao trauma. Ele também não é suscetível às doenças relacionadas com as viagens habituais, mas se mostra facilmente influenciado por seus amigos e Snowy, seu fiel cão.
Les problèmes de santé de Tintin: plus de traumatismes que de pathologies du voyageur, La Presse Médicale
Autores: Eric Caumes, Loïc Epelboin, France Leturcq, Phyllis Kozarsky e Peter Clarke
Poderá também gostar de ver
628 - O homem do fígado de ouro

22 setembro, 2015

Um pouco de filosofia sobre a viagem no tempo

Parece coerente supor que um viajante do tempo pode afetar o passado, mas não mudá-lo.
Talvez, eu possa inventar uma máquina do tempo amanhã e ir a 1865 para salvar Lincoln de John Wilkes Booth. Eu poderia chegar ao teatro Ford e correr em direção ao camarote de Lincoln. Eu poderia até lutar heroicamente com Booth no corredor. Mas, sei de antemão que não serei bem sucedido, porque a história nos diz que Booth disparou contra Lincoln naquela noite.
Essa maneira de olhar para a viagem no tempo não implica paradoxos, mas cria um problema. Se é possível viajar no tempo, então presumivelmente centenas de viajantes do tempo, bem intencionados, convergiram para o camarote de Lincoln naquela noite. Todos determinados a salvar o presidente e todos, de alguma maneira, a escorregar em cascas de banana.
A viagem não é impossível, mas parece terrivelmente improvável. E o próprio fato da morte de Lincoln no teatro parece confirmar que a viagem no tempo não é possível.

Nicholas J.J. Smith, "Bananas Enough for Time Travel?", The British Journal for the Philosophy of Science, setembro de 1997

23 junho, 2015

Um paradoxo da viagem no tempo

De Robin Le Poidevin, em "Travels in Four Dimensions", 2003:
Tim vai passar as férias de verão na casa de seu avô na zona rural de Sussex. Um dia, quando vagueia na biblioteca do avô, em uma das prateleiras mais afastadas, ele descobre um livro empoeirado sem título no dorso. Ao abri-lo, ele vê que é um diário, escrito por uma mão que lhe parece familiar. Com um crescente sentimento de admiração, ele percebe que uma das entradas fornece instruções detalhadas sobre como construir uma máquina do tempo. Ao longo dos próximos anos, seguindo as instruções, Tim constrói uma máquina desse tipo. Está finalmente concluída, e ele embarca e a aciona. Instantaneamente, ele é transportado para 50 anos atrás. Infelizmente, a máquina e o livro são destruídos no processo. Tim anota tudo o que ele consegue se lembrar em um diário. No entanto, ele não pode reconstruir a máquina porque isso exige uma tecnologia que ainda não está disponível. Conformado com essa situação, ele resolve deixar o tempo levá-lo de volta ao século XXI pelo método tradicional. Ele se casa e tem uma filha. A família se muda para uma mansão na zona rural de Sussex. O diário é deixado acumulando poeira na biblioteca. Anos mais tarde, o neto de Tim, passando suas férias de verão com o avô, descobre o diário.
A identidade de Tim será óbvia, o que, por si, já é um pouco estranho. Mas a questão que nos interessa é a seguinte: de onde veio a informação de como construir uma máquina do tempo? Do diário, é claro, que foi escrito por Tim. Mas de onde ele tirou a informação? Do mesmo diário! Assim, a informação apareceu do nada. A existência desta informação é, portanto, totalmente misteriosa.
Round Trip, Futility Closet

Viagem no tempo
Eu venho me interessando por este assunto desde 2035. (PGCS)

26 novembro, 2014

Nossa viagem de carro

Bons tempos aqueles em que mamãe sentava-se no banco de trás...
... e podia sobreviver a uma colisão frontal do veículo.

SLIDESHOWS DO PG - Apresentação 346

17 novembro, 2014

Uma pesquisa na Internet sobre viajantes do tempo

A viagem no tempo tem despertado a imaginação das pessoas em grande parte do século passado, mas pouco tem sido feito para realmente procurar os viajantes do tempo.
Embora menos conhecidos do que aqueles da ficção popular, alguns experimentos para descobrir viajantes do tempo já foram realizados. Em maio de 2005, um estudante de pós-graduação do MIT, A. Dorai, divulgou e realizou uma convenção para viajantes do tempo. Ninguém alegando vir do futuro apresentou-se. Em julho de 2012, S. Hawking fez também uma experiência semelhante: a organização de uma festa para viajantes do tempo, tendo anunciado o evento a posteriori. Ninguém afirmando ser um viajante do tempo compareceu.
Neste trabalho (arXiv: 1312.7128), Robert J. Nemiroff e Teresa Wilson relataram uma série de pesquisas sobre assinaturas digitais que viajantes do tempo pudessem ter deixado na Internet. Especificamente, buscas de conteúdo presciente (conteúdo não conhecido no momento em que a busca estava sendo feita). Levando-se em conta as preocupações práticas de verificabilidade, apenas os viajantes do tempo oriundos do futuro foram investigados. Nenhum destes foi descoberto. Embora estes resultados negativos não refutem a ideia da viagem no tempo, dado o grande alcance da Internet, esta pesquisa é, talvez, a mais abrangente até hoje.

10 junho, 2013

"Caminhante, não há caminho"

Fernando Gurgel Filho
Dizem que o inglês-brasileiro é um dialeto criado por brasileiros que se acham americanos e que não conseguem engatar duas frases mais ou menos lógicas em português. Dizem, também, que é muito comum ser ouvido em "maiame" e adjacências.
Mas, para a felicidade de todos e o bem geral da Nação, consegui superar tudo isso. Ao programar uma pequena viagem aos mais belos países europeus, passei um tempão estudando francês. Foram dias e noites estudando o idioma que, para mim, tem uma sonoridade ímpar, mas parece que nem um dialeto novo consegui emplacar. Ninguém entendia meu francês-cearense. Nem os belgas.
- Café au lait, s'il vous plaît, pedia angustiado.
- Excusez-moi, vous parlez anglais, espagnol? English, Spanish...? Español...?
Não queriam nem tentar entender o que eu tentava falar! E parece até que Portugal não faz parte da Comunidade Europeia. Um falante de português é meio raro naquelas paragens. Como a Europa está cheia de turco, japonês e chinês, não é difícil achar um falante de um destes idiomas.
Mas a minha angústia piorou bastante quando perguntaram:
- You speak German?
- Em inglês???
- Caffè latte?
- Sei não. No Brasil, só o choco... late, o café, não. Hehehehe.
- ???
- Espia só, se avexe não. Te agaranto que ôce nu Ciará ia intender tudim!
- Café au lait, s'il vous plaît.
- Café? Olé! Brasil! Ney Matogrosso!
Adoro o Ney Matogrosso, mas naquelas circunstâncias fiquei mais angustiado ainda.
E ainda bateram minha carteira em Paris.
No Brasil, nem no Pelourinho à noite, antes da revitalização, fui roubado. Nem na Praia do Futuro. Tinha que ser lá!
Meu consolo foi quando um amigo contou que um colega dele foi a "maiame", treinou arduamente o dialeto inglês-brasileiro e, lá chegando, falou apenas em português. Nem outra língua perguntaram se o pobre coitado falava. Tava na cara!

"Caminhante, não há caminho, / se faz o caminho ao andar. / Ao andar se faz o caminho..." (António Machado, poeta sevilhano)

Ilustração - Reprodução fotográfica de uma das esculturas de bronze da série LES VOYAGEURS, do artista francês Bruno Catalano. Ver mais.

12 abril, 2013

Ser tão náutico

por Fernando Gurgel Filho
Do porto, o navio parecia aquela imensidão. Ia da ponta da venta até lá na carraducarai. Arre égua, a viagem ia ser danada de bom.
Quando abriram a porteira pra marmotada entrar, bastou gritar "rumbora, negada!" que foi uma gritaria da mulestia:
- Avia, homi. Mininu, se avexe, pare de morder a Fióta.
- Peraí, mãinha!
- Ó u mei! Sai du mei!
- Se avexe não, baitola!
- Deixe de ser jumento!
- Diabéisso?
Quando os retirantes todos entraram, a tripulação em pânico não sabia o que fazer. A maioria dos tripulantes - asiáticos, caribenhos, porto-riquenhos - nem sabia o que era uma rapadura, tapioca, baião de dois...
- Psiu, ei, seu Zé! Tem sarrabuiu?
- Buchada de bode, minha senhora?
- Monsieur, temos foie gras e entrecôte com aspargos.
- No fuá grátis de quem, homi? Nas entrecoxa da tua, fiu de uma quenga! Rocê rai morrer! Eu ti aspargo premero, seu peroba arrombado!
A comunicação estava totalmente comprometida. O comandante perdeu o controle da situação, perdeu a razão... A bandeira do navio, tão linda, balouçando ao vento, foi arrancada para fazer um vestido pra Mãequinha. Botaram umas calcinhas marrons pra quarar no convés e a piscina virou uma grande tina onde o pessoal se ensaboava com raspa de juá.
O navio perdeu o prumo e o rumo. Foi parar nas Ilhas Malvinas. A confusão aumentou. Naquela gritaria, onde o dialeto cearense predominava, aquela horda babélica desembarcou na ilha.
- Bora, Tonha, aqui tem uns cabritim fi duma égua marromeno!
O governador da ilha, com toda a fleuma inglesa, gritou:
- Peço penico!
E prevendo uma catástrofe de grandes proporções hasteou uma bandeira azul e branco e passou uma mensagem para a Casa Rosada: "Venham urgente! A Inglaterra está abandonando a Ilha!"
Aquilo não agradou argentinos nem nordestinos! E a situação piorou muito quando, para comemorar a conquista da Ilha, o ditador da Coreia do Norte foi convidado para desfilar na Marquês de Sapucaí, cheio de chapinhas de garrafa, com uma tanga feita de renda de bilros.

18 dezembro, 2012

FinalMentes

A impressão que se tem é que Nova Iorque está cheia de brasileiros. É só afastar-se um pouco mais do centro de Manhattan que essa impressão desaparece. Há poucos turistas fora de Times Square e grandes magazines. O nosso turista precisa circular mais. A exploração dos arredores me rendeu algumas prazeres que passo adiante:
Não há local mais apropriado para se conhecer a alma de um lugar do que seu mercado. Dessa vez, o que me encantou foi um supermercado (http://www.fairwaymarket.com/store-upper-west-side/) especializado em comida de qualidade. São muitos no Estado de Nova Iorque, mas em Manhattan só há um (vide comentários). Está a oeste do Central Park, perto do "American Museum of Natural History".
Pode-se descer na estação de trem que fica dentro do museu e visitar a magnífica “Our Global Kitchen: Food, Nature, Culture” (é provisória, não sei quanto vai durar). Gostei muito da exposição de mesas de banquete com o que se comia no Egito dos Faraós, Império Romano , Idade Média etc. Concluí que a classe média de hoje come melhor do que Julio César e Cleópatra. Os imperadores eram frugais, imaginem os seu súditos.
Depois dessa visita, a fome vai levá-lo para o "Fairway Market" que está perto. Prove o suco de maça de lá - o natural - que vem refrigerado em garrafa de dois litros.
Para quem gosta de comida italiana, pasta, como dizem os americanos, a minha dica é o "Trattoria L'incontro" (http://www.trattorialincontro.com/Menu.html) que fica do outro lado do rio, em Astória. Ao lado, há outro restaurante de comida grega que também vale a pena.
(Comprove você mesmo só o setor de café em grãos do "Fairway Market". O aroma delicioso do local deixei lá. Não coube na mala.)

Paulo,
Aqui terminam os relatos do seu correspondente na terra do Obama. Veja que o EntreMentes está virando produto de exportação e o seu repórter já pode reivindicar pagamento em notas esverdeadas.
Nelson Cunha
Resposta
Numa lamentável confusão entre as pessoas física e jurídica, o controlador do blog EntreMentes cedeu suas poucas notas esverdeadas à esposa que foi gastá-las em Boca Raton. É como se defende de sua "facada", Nelson.

13 dezembro, 2012

Um padre brasileiro na capital do mundo

Nelson José Cunha
Nasci em Ouro Preto no dia de São Francisco, em frente à Igreja do santo que emprestou o nome ao meu pai: Francisco. Tantas coincidências me nomeariam um Chico a mais, mas fiquei sendo Nelson, nome do meu padrinho. Não tenho religião e acho que nunca tive. Minhas rezas e genuflexões na infância eram imitações do mundo dos adultos, só isso. Sempre achei a história da Branca de Neve mais plausível do que aqueles bichos amontoados na Arca de Noé. A história de Adão e Eva, nus e excitados, assistindo bacanais dos outros animais no paraíso é de um sadismo atroz. Viver dispensado do temor do castigo eterno é um alívio - Graças a Deus! Costumo dizer aos meus amigos que se Deus existisse não haveria ateus.
Tenho cacoetes de fala e solto sempre um Vai-com-Deus, Se-Deus-quiser ou Ai-meu Deus.
Deus-lhe-pague, não uso porque seria extrema ingratidão mandar uma conta para o além. Pensam que sou religioso e recebo convite para novenas e missas. Ganho medalhas e cromos de todos os santos e já ganhei a biografia de São Francisco. Levava o livro para o consultório e o lia entre as consultas. O jardineiro da Clínica, rapaz de 18 anos, ao me ver interessado no livro, pediu para lê-lo. Fez-se aí uma vocação. Cacau, devolveu-me o livro com um anúncio:
- Doutor Nelson, decidi pedir demissão do emprego porque vou ser franciscano.
Tentei demovê-lo, mas a influência da bela biografia do santo levou o rapaz para o convento. Ordenou-se capuchinho, fez votos de pobreza e castidade e foi mandado para Nova Iorque onde hoje dirige uma paróquia no bairro de Astória. É um quarteirão inteiro onde fica a Igreja, a creche e uma escola católica. Fui visitá-lo justamente na hora em que celebrava. Ele mandou que eu e Conchita (esposa) subíssemos ao altar de onde, a pedido dos funcionários, fiz um depoimento sobre a origem modesta do Padre José Carlos.
De microfone em punho, falei para os fieis da Saint Rita’s Church como um livro pode mudar o curso de uma vida.
Tem mais.

Interior da Saint Rita's Church. Celebração de uma missa por Padre José Carlos