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25 dezembro, 2025

"O Beijo da Vida"

A cópia desta foto ("The Kiss of Life"), tirada em 1967 por Rocco Morabito, do Jacksonville Journal, mostra o eletricista J.D. Thompson realizando respiração boca a boca em seu colega Randall G. Champion.
O colega havia sofrido uma eletrocussão e estava inconsciente, pendurado em um poste de eletricidade.
Thompson, treinado em procedimentos de emergência, manteve Champion vivo até a chegada de ajuda.
Sobrevivendo ao acidente, Randall G. Champion viveu até 2002.
Quanto a esta fotografia, além de seu valor jornalístico (que conferiu na categoria o Prêmio Pulitzer de 1968 ao fotógrafo Morabito), imortalizou o ato de heroismo do eletricista Thompson.

06 dezembro, 2019

João Cândido, o Almirante Negro

"Salve o navegante negro / que tem por monumento / as pedras pisadas do cais."
João Bosco e Aldir Blanc

Nascido em Encruzilhada do Sul (RS), João Cândido (24/07/1880 - 06/12/1969) entrou aos 14 anos para a Marinha do Brasil. Filho de ex-escravos, ao presenciar o uso de chibatadas como penalidade para os marinheiros, ele reivindicou melhores condições de trabalho nos navios brasileiros. Em 1910, ele liderou a chamada Revolta da Chibata.
Embora o movimento tenha terminado com o compromisso de o Governo Federal acabar com os castigos corporais e de conceder anistia aos revoltosos, João Cândido e os outros líderes foram detidos. Banido da Marinha, o Almirante Negro, como ficou conhecido, sofreu grandes privações, vivendo precariamente, trabalhando como estivador e descarregando peixes na Praça XV, no centro do Rio de Janeiro.
Faleceu em decorrência de um câncer, pobre e esquecido, em 1969, aos 89 anos.

"O Mestre-sala dos Mares", de João Bosco e Aldir Blanc (vídeo)



GLOSSÁRIO (pela ordem de entrada)
dragão do mar, referência ao dragão do mar cearense, Francisco José do Nascimento, o jangadeiro Chico da Matilde, herói na luta por libertar os escravos no Estado do Ceará.
feiticeiro, marinheiro
navegante, almirante
acenar, navegar
alegria das regatas, bloco das fragatas
multidões, batalhões
santos, negros
cantos e chibatas, pontas das chibatas
pessoal do porão, tripulação

Arquivo: O marinheiro e o metalúrgico

27 junho, 2017

Sem aspas, por favor

Como você se imagina morrendo?
Imagino-me que seja por inalação de fumaça. Após entrar em um prédio em chamas para salvar um desgraçado que escapou do incêndio por si próprio e que agora dá entrevistas do lado de fora.
Uma morte heroica? Sim, mas inútil, desnecessária e meio estúpida.
Uma despedida com pessoas, ao redor do entrevistado, que certamente vão usar palavras como "herói" e "sacrifício" para me elogiar. Mas mesmo que elas realmente não façam aspas no ar... todo mundo vai ter a impressão de que estas aspas estão presentes.
Um feliz dia para todos!

26 setembro, 2015

O homem que salvou o mundo

Na noite de 26 de Setembro de 1983 – há exatamente trinta e dois anos, portanto – era o tenente-coronel Stanislav Petrov (foto) o responsável pelo serviço no centro de comando Serpukhov 15. Este centro vigiava, através de satélites-espião, eventuais lançamentos termo-nucleares americanos: era o equivalente soviético ao NORAD dos EUA.
Perturbando a calma noturna, o alarme estridente soou. Olhando para o enorme écran de radar à sua frente, Petrov terá sentido um arrepio na espinha: quatro pontinhos brilhantes moviam-se dos Estados Unidos em direção ao território soviético. Aparentemente, tinha começado a Terceira Guerra Mundial.
O tenente-coronel sabia exatamente o que fazer. Tinha à sua frente a chave que deveria rodar, fazendo soar o alarme em todas as instalações nucleares soviéticas. O Presidium do Soviete Supremo ainda teria que autorizar e fornecer os códigos de lançamento, claro; mas devido à política de lançamento ao primeiro aviso ("use them or loose them"), o mais provável seria haver, nos trinta minutos seguintes, seis ou sete mil ICBMs e dois ou três mil super-bombardeiros estratégicos cruzando os céus em direcção aos seus alvos nos Estados Unidos.
No último segundo, uma centelha de razão iluminou-se no espírito do tenente-coronel. Seria o inimigo americano estúpido ao ponto de atacar com quatro, apenas quatro mísseis? Se aquilo fosse efetivamente o princípio de uma guerra, não deveria ele estar a ver centenas, talvez milhares de pontinhos brilhantes no radar?
Há exatamente trinta e um anos, Stanislav Petrov decidiu esperar. Aqueles quatro pontinhos brilhantes poderiam ser apenas um erro de leitura… e não lhe apetecia matar dois ou três bilhões de pessoas só porque um computador soviético tinha se avariado.
Veio a saber-se mais tarde que os satélites de vigilância soviéticos foram iludidos por um raro alinhamento de nuvens de grande altitude, sobre as quais a luz solar incidiu com uma orientação muito específica. A história de Stanislav Petrov e dessa terrível noite de há trinta anos está contada em um documentário televisivo.
Antonio Pedro Neves, via Google+

Onde ler mais:
Stanislav Petrov – o homem que salvou nossas vidas, por André. In: www.ceticismo.net

Promo Trailer:
Kevin Costner – Robert De Niro – Matt Damon


War Games:
Lembra-se do filme "War Games"? Este filme é sobre um jogo de computador com o potencial para iniciar uma guerra termonuclear. Mas, estranhamente, este cenário criado em 1983 era mais verdade do que ficção. Em 1979, programadores quase começaram a III Guerra Mundial, quando eles acidentalmente rodaram uma simulação de um ataque soviético nos computadores do NORAD.
A simulação de computador que quase começou a III Guerra Mundial, GIZMODO

17/09/2017 - Atualizando ...
Sputinik - Morre Stanislav Petrov, o oficial soviético que impediu uma crise nuclear entre os EUA e a URSS e a possível Terceira Guerra Mundial na década de 1980. Ele faleceu silenciosamente, tinha 77 anos e nunca se considerou um herói, embora tenha contribuído decisivamente para impedir uma catástrofe.

25 novembro, 2013

O lobo solitário de Saipan

O marine Guy Louis Gabaldon tinha 18 anos quando participou da invasão de Saipan, nas Ilhas Marianas, em junho de 1944. A fim de garantir a posse da ilha, Gabaldon começou a agir como um "lobo solitário", em missões de "convencimento" aos civis e às tropas inimigas - para que se entregassem!
"Imediatamente após o desembarque em Saipan, eu decidi que iria entrar em território inimigo para lutar na guerra, como eu bem entendesse", escreveu ele em seu livro de memórias, "Saipan: Suicide Island". "Eu sempre trabalhei sozinho, geralmente à noite no mato. Eu devo ter visto muitos filmes de John Wayne, porque o que eu estava fazendo era suicídio."
Gabaldon usava seus conhecimentos da língua japonesa.
"Meu plano, que parecia impossível, era chegar perto dos japoneses em bunkers ou cavernas, dizer-lhes que havia muitos marines comigo e que estávamos prontos para matá-los se eles não se rendessem. Prometia-lhes ainda que seriam tratados com dignidade e levados de volta ao Japão após a guerra."
Ele deve ter sido estupendamente persuasivo, porque capturou 1.500 japonês sozinho - incluindo 800 em um único dia em julho.
"Quando eu comecei a fazer prisioneiros, isso se tornou um vício", escreveu ele. "Descobri que eu não podia parar - eu estava viciado."
Ele foi homenageado com a Cruz de Marinha por seus esforços e sua história foi transportada para as telas do cinema ("Hell to Eternity", um filme de 1960).

II Guerra Mundial, Saipan
Gabaldon - com alguns de seus prisioneiros

19 outubro, 2012

TIRADENTES. Sentença e legado

JUSTIÇA que a Rainha Nossa Senhora manda fazer a este infame Réu Joaquim José da Silva Xavier pelo horroroso crime de rebelião e alta traição de que se constituiu chefe, e cabeça na Capitania de Minas Gerais, com a mais escandalosa temeridade contra a Real Soberana e Suprema Autoridade da mesma Senhora, que Deus guarde.
MANDA que com baraço e pregão seja levado pelas ruas públicas desta Cidade ao lugar da forca e nela morra morte natural para sempre e que separada a cabeça do corpo seja levada a Vila Rica, donde será conservada em poste alto junto ao lugar da sua habitação, até que o tempo a consuma; que seu corpo seja dividido em quartos e pregados em iguais postes pela estrada de Minas nos lugares mais públicos, principalmente no da Varginha e Sebollas; que a casa da sua habitação seja arrasada, e salgada e no meio de suas ruínas levantado um padrão em que se conserve para a posteridade a memória de tão abominável Réu, e delito e que ficando infame para seus filhos, e netos lhe sejam confiscados seus bens para a Coroa e Câmara Real.
Rio de Janeiro, 21 de abril de 1792, Eu, o desembargador Francisco Luiz Álvares da Rocha, Escrivão da Comissão que o escrevi.
A leitura da sentença de Tiradentes
(óleo sobre tela de Leopoldino Faria)

O legado de Joaquim José
Tiradentes permaneceu, após a Independência do Brasil, uma personalidade histórica relativamente obscura, dado o fato de que o Brasil continuou sendo uma monarquia após a independência do Brasil, e, durante o Império, os dois monarcas, D. Pedro I e D. Pedro II, pertenciam à casa de Bragança, sendo, respectivamente, neto e bisneto de D. Maria I, contra a qual Tiradentes conspirara, e, que havia emitido a sentença de morte de Tiradentes e comutado as penas dos demais inconfidentes. Durante a fase imperial do Brasil, Tiradentes também não era aceito pelo fato de ele ser republicano. O "Código Criminal do Império do Brasil", sancionado em 16 de dezembro de 1830, também previa penas graves para quem conspirasse contra o imperador e contra a monarquia:
Art. 87. Tentar diretamente, e por fatos, destronizar o Imperador; privá-lo em todo, ou em parte da sua autoridade constitucional; ou alterar a ordem legítima da sucessão. Penas de prisão com trabalho por cinco a quinze anos. Se o crime se consumar: Penas de prisão perpétua com trabalho no grau máximo; prisão com trabalho por vinte anos no médio; e por dez anos no mínimo. Código Criminal de 1830
Foi a República – ou, mais precisamente, os ideólogos positivistas que presidiram sua fundação – que buscaram na figura de Tiradentes uma personificação da identidade republicana do Brasil, mitificando a sua biografia. Daí a sua iconografia tradicional, de barba e camisolão, à beira do cadafalso, vagamente assemelhada a Jesus Cristo e, obviamente, desprovida de verossimilhança. Como militar, o máximo que Tiradentes poder-se-ia permitir era um discreto bigode. Na prisão, onde passou os últimos três anos de sua vida, os detentos eram obrigados a raspar barba e cabelo a fim de evitar piolhos. Também, o nome do movimento, "Inconfidência Mineira", e de seus participantes, os "inconfidentes", foi cunhado posteriormente, denotando o caráter negativo da sublevação – inconfidente é aquele que trai a confiança. Outra versão diz que por inconfidência era termo usado na legislação portuguesa na época colonial e que "entendia-se por inconfidência a quebra da fidelidade devida ao rei, envolvendo, principalmente, os crimes de traição e conspiração contra a Coroa", e, que para julgar estes crimes eram criadas "juntas de inconfidência".
Tiradentes é o Patrono Cívico do Brasil, sendo a data de sua morte, 21 de abril, feriado nacional. E seu nome consta no Livro de Aço do Panteão da Pátria e da Liberdade por ser considerado Herói Nacional.
Fonte

O GURGEL INCONFIDENTE

10/11/2012 - Atualizando...
Já dizia o velho deitado, só existem dois partidos no Brasil: o partido de Tiradentes e o partido do Joaquim (Silvério dos Reis).