31 julho, 2009

Heróis à força?

Não sei de que fonte JV (Blog do Dentista) extraiu esta informação:
"O que a maior parte das pessoas não sabe é que o fixante Corega foi inventado no Japão em 1941. Na época, em plena Segunda Guerra Mundial, os japoneses desenvolveram o Corega para manter os pilotos kamikazes colados no assento do avião."
Comentário
Eu já sabia dessa prática entre os pilotos norte-americanos. Com chicletes, porém.

Comentário do comentário
"Os problemas causados pelos chicletes nos dentes dos pilotos americanos durante a Segunda Guerra ocasionaram posteriormente o maior desenvolvimento tecnológico que a Odontologia já viu." JV (Blog do Dentista)

No velório, só finório

"Onde estiver seu tesouro,
lá deverá estar seu coração."
E. H. Carr
Ilustração:"Fim e começo", de Segall
Eita velório para mortal nenhum botar defeito! Falo do velório pedra noventa que fizeram para o comendador Bonifrates, logo que ele bateu as velhas botas. O comendador morrera sem deixar mulher e filhos, mas parentes até do enésimo grau, criaturas dos desvãos do mundo, acorreram em grande número para chorar o seu passamento. Aqui, uma mulher gritava de cortar coração, ali, um homem todo compungido soluçava de dor e, acolá, outra mulher ensopava de lágrimas o ombro alheio. Conjuntivites à parte, as lágrimas rolavam aos borbotões no imperdível velório.
O falecido era o assunto de todas as rodas. E, para assanhar a cupidez geral, os papos iam bater na fortuna que ele presumivelmente deixara. Houve alguém que até estimou o montante de cobres economizados por Bonifrates, à custa de correr atrás dos bondes mas sem pegá-los. Fiu, dentro do espírito de tostão poupado, tostão ganho, só isso já dava uma dinheirama (imaginem o que ganhara de outros modos). Mas aí, surgiu um outro para assegurar que o salto quantitativo na fortuna do comendador se dera justamente quando ele abandonara aquela prática. Para então (epa!) se dedicar a correr na cola dos táxis da cidade, um hábito bem mais rentável.
Pois é, Bonifrates era um gigante da avareza, desses que a gente reconhece pelo dedo. Dedo com unha-de-fome. E, se já para o fim de uma vida de esganação, dele filaram um ou outro óbolo para as obras de Santa Engrácia, ora, isso não empanava quase a fama de pão-duro. Ah, o coração mole e dilatado, por vezes abrindo a guarda... Porém, o coração logo, logo se trancando a poder do endógeno digitálico da sovinice, que isso o tranca tinha lá de sobra. E daí, então, por muito tempo, daquela cornucópia não saía uma mísera moeda que não fosse sob a rubrica da agiotagem.

Termine de ler esse conto no Preblog.

30 julho, 2009

Meu reino por um pepino

Em 931, o Rei Theinhko da Birmânia comeu sem pedir licença um pepino da plantação de um aldeão local. Irritado, o agricultor assassinou Theinhko e, em seguida, assumiu o trono como Rei Nyanng-u Sawrahan. Num esforço para evitar a agitação política, a rainha viúva congratulou-se com ele. E Nyanng-u, que ficou conhecido como o Rei Pepino, reinou a Birmânia durante 33 anos. Um de seus atos foi transformar o local em que cultivava seus pepinos no Jardim Real.


No Schott's Almanac (não li ainda e gostei) é possível a gente se informar como, depois de Theinhko, alguns outros reis da Birmânia morreram:
  • Anawrahta: chifrado por um búfalo durante uma campanha militar (1077).
  • Uzana: pisado por um elefante (1254).
  • Narathihapate: forçado a tomar veneno num complô contra ele (1287).
  • Minerekyawswa: esmagado por um elefante (1417).
  • Razadarit: enlaçado na corda que prendia um elefante (1423).
  • Tabinshweti: decapitado por seus ministros sob a acusação de que perdia muito tempo a procurar um fictício elefante branco (1551).
  • Nandabayin: rindo até à morte após ter sido informado, por um comerciante italiano, que Veneza era um estado livre - e sem rei (1599).
A lição da História
Reis da Birmânia e elefantes não combinam. Depois que deixou de ser uma monarquia, os regicídios por elefantes obviamente pararam de acontecer na Birmânia.

29 julho, 2009

Nota de aborrecimento

Encontra-se em Fortaleza para proferir palestras o "dementador" Fernando Henrique Tinhoso (FHT).
Conhecido por seu incansável apostolado do tatcherismo na América Latina, ao lado de Fujimori (Peru), Menem (Argentina), Salinas (México) e outros borra-botas do neoliberalismo, FHT é o único deles que ainda sobrevive politicamente. Graças à fatuidade de suas opiniões, as quais são muito acatadas nos conciliábulos de que toma parte.
Eis alguns dos iluminados quotes deste redivivo "Farol da Alexandria":
"Esqueçam o que eu escrevi."
"Sou mulatinho. Tenho um pé na cozinha."
"Vida de rico é muito chata." Com este pensamento, ele ganhou lugar de destaque em uma obra de grande relevância, o “Livro das Maiores Besteiras Já Ditas” (“Book of All-Time Stupidest Top 10 Lists”), dos Ross e Kathryn Petras.
"São vagabundos (os aposentados do INSS)."
"Vou ser ongueiro."
"Nhenhenhém."

A decadência dos super-heróis

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COMO DEVERIAM SER OS SUPER-HERÓIS

28 julho, 2009

A vida é um buraco


Itapiúna - CE

Maçã x Pera

O Professor Jean Vague, da Universidade de Marselha, França, foi o primeiro a sugerir (em 1947) que as complicações da obesidade não dependiam apenas do excesso de gordura no corpo humano. Eram também uma consequência de como ela se distribuía no corpo das pessoas obesas. Assim, Vague cunhou os termo "andróide" para a forma de obesidade mais observada em homens (em maçã), na qual o diabetes e a doença cardiovascular são complicações comuns, e o termo "ginóide" para a forma de obesidade mais observada em mulheres (em pera), na qual a gordura se deposita nas partes inferiores do corpo e que tem caráter menos maléfico.


As observações feitas por Vague não receberam uma imediata atenção da comunidade médica. Foram necessários mais de 35 anos para que fossem avalizadas por estudos epidemiológicos prospectivos.

27 julho, 2009

Penso, logo cito - 16

Bob Thaves, psicólogo e cartunista norte-americano:
"Não me considero o chefe, considero-me um colega de trabalho que tem sempre razão."
Bob Thaves (1924-2006), nascido Robert Lee Thaves, foi o famoso criador das tiras "Frank & Ernest" que chegaram a ser distribuídas diariamente para 1300 jornais do mundo todo.
A tira reproduzida abaixo mostra a divertida dupla (cujos nomes fazem trocadilhos com franco e honesto) a discutir uma questão de epitáfio:


Pode-se dizer que Bob Thaves ainda está entre nós. Graças ao filho Toam (que já o ajudava em seu trabalho), o qual continua a criar as tiras"Frank & Ernest".

26 julho, 2009

Tico-tico em Berlim

Contam que o compositor Zequinha de Abreu, ao tocar este chorinho - ainda inacabado - num baile em Santa Rita do Passa Quatro, em 1917, ficou impressionado com o frenesi que a música provocou nas pessoas. E, para os músicos que com ele tocavam, exclamou: "Até parece tico-tico no farelo." Surgiu daí o título definitivo dessa música, "Tico-tico no fubá", que, mais tarde, seria divulgada mundialmente pela interpretação de Carmem Miranda.
Quase um século depois, o frenesi com a música de Zequinha de Abreu torna a se manifestar em outras pessoas. Desta vez entre os músicos da Filarmônica de Berlim.

Reparo
Nos créditos apresentados nesse vídeo a parceria da canção é atribuída a Aloysio de Oliveira. Aloysio, que fez as letras de várias músicas de Tom Jobim, como "Demais", "Dindi", "Inútil paisagem" e "Só tinha de ser com você", não deve ter sido o letrista de "Tico-tico no fubá". Cravo Albin, em seu Dicionário da MPB, registra ter sido Eurico Barreiros o coautor dessa música. Mas não descarto a possibilidade de que Aloysio tenha feito alguma versão para o inglês de "Tico-tico no fubá", já que ele era fluente nesse idioma e, como integrante do Bando da Lua, também acompanhava Carmem Miranda nos EUA.

25 julho, 2009

Peruação trivial

Eis uma pequena coletânea de frases para quem deseja "brilhar" numa reunião social:

As torres de cabras

Atualmente, existem apenas três torres de cabras no mundo (eu acho que vocês vão concordar comigo que esse número não é tão grande!). A primeira delas foi construída em 1981 por Charles Voltar, fazendeiro em Paarl, África do Sul. As outras duas são: uma que existe em Ekeby, Noruega, e esta (da fotografia ao lado) que fica em Findlay, Illinois, Ambas foram construídas conforme o modelo da primeira torre.

Aqui está um trecho da entrevista com David Johnson, que construiu a de Illinois:
"Esta torre, que tem 9,5 metros de altura e 2,1 metros de diâmetro, foi construída com 5.000 tijolos feitos à mão. Contei com a ajuda do falecido Jack Cloe. Ela tem externamente uma rampa em espiral, que serve de passarela para as cabras. Caprinos são os animais mais curiosos do mundo. Tenho 34 cabras que usam a torre. Elas sobem e descem pela rampa a todo momento. Adoram esta torre."
Boing Boing

24 julho, 2009

Sem gravar pode

Suponha a seguinte conversa entre FHC e Heráclito Fortes (que nomeou funcionária-fantasma a filha de FHC):

FHC - Caro Heraclito, preciso de um favor seu.
HF - Diga, meu presidente.
FHC - Minha filha quer ficar em Brasília e precisa de algum lugar aí para garantir seu salário. Poderia arranjar uma vaga para ela?
HF - Algum lugar específico?
FHC - Não. Pode ser até como sua assessora pessoal, sem o compromisso de vir diariamente ao Senado para não expô-la.
HF - Pois não, senhor presidente, aqui o senhor manda.

É um diálogo imaginário, porém verossímil. Se a conversa não foi assim, foi parecida. A diferença da que aconteceu com Sarney é que não foi gravada. E a mídia quer o pescoço do Sarney, não a moralização dos costumes.

Transcrito do blog de Luis Nassif.

Como escapar da prisão

Tempo é o que não falta aos prisioneiros. E, para preenchê-lo, encontram eles algo mais interessante do que fazer artesanato?
Não, principalmente quando os produtos do "artesanato de prisão" lhes podem ser úteis para as fugas.
Abaixo, eis alguns exemplos desse acendrado amor que o ser humano tem pela liberdade. São imagens de objetos recolhidos nas prisões alemãs, registradas pelas lentes do fotógrafo profissional Marc Steinmetz para a divulgação em seu website.
Cada imagem está acompanhada da "ficha técnica" do objeto.

Nota escrita a partir de uma dica que me foi passada pelo oftalmologista Nelson Cunha, de João Monlevade - MG.

23 julho, 2009

Infância perdida

Ele apanha o cigarro da orelha e o põe na boca. Pega o isqueiro, clica-o e acende o cigarro. Começa a fumar. No meio das baforadas, recebe o incentivo dos adultos que o cercam. Inclusive sob a forma de dinheiro.



Ele é um chinesinho de 2 anos de idade. Começou a fumar aos 18 meses. Inicialmente, fumava as baganas que o pai lhe dava "para aliviar a dor de uma hérnia". Agora, já consome um maço inteiro de cigarros diariamente. E ostenta o título de...
O MAIS JOVEM FUMANTE DO MUNDO.
:-(

A fumigação em seres humanos

A fumigação, que é o ato de expor a fumaças um determinado ambiente com o propósito de desinfetá-lo, numa certa época foi também aplicada em seres humanos. A partir de 1745, quando o médico inglês Richard Mead passou a recomendar o uso de enemas à base de fumaças do tabaco no tratamento das vítimas de afogamento, até o ano de 1835, quando esses fumigatórios entraram em descrédito na medicina.
Richard Mead, que aprendera essa prática com os índios norte-americanos, e outros médicos de sua época acreditavam que a fumaça, ao ser aplicada por via retal, graças ao calor e à presença da nicotina (cujas propriedades estimulantes já eram conhecidas), tinha a capacidade de ressuscitar as pessoas afogadas do estado de morte aparente. A esta indicação, posteriormente, outras foram sendo acrescentadas, como as indicações de usá-la na constipação, no cólera e nas convulsões.
Também se empregava o enema de fumaça com o objetivo de determinar se um paciente ainda se encontrava vivo. Com a reação do paciente ao fumigatório sendo interpretada como sinal de vida.
Obviamente, não há qualquer evidência científica que, en qualquer ocasião, autorize o emprego da fumigação per anum. E nas vítimas de afogamento, a utilização dessa prática, ao tirar de foco as medidas de reanimação cardiorrespiratória (que são insubstituíveis), pode ainda se mostrar terrivelmente danosa.
E, como vestígios dessa prática bizarra, restou apenas a expressão to blow smoke up one's ass, ainda em voga na língua inglesa.

Exemplo de um dispositivo (dos mais simples) usado na fumigação

Texto dedicado ao jornalista Nonato Albuquerque que, após trazer à baila o assunto em Antena Paranóica, solicitou a opinião deste escriba. PGCS

21 julho, 2009

Mensagem ao astronauta

O blog se solidariza com o astronauta norte-americano Michael Collins, herói e membro da tripulação da nave Apolo 11. Imaginem o que é ser alguém que passou os seus últimos 40 anos a se justificar por que não desceu na Lua.

Religião, sexo e mistério

O dever de casa que foi passado para uma turma de uma escola norte-americana. Cada aluno devia escrever uma história que fosse curta e que abordasse os seguintes assuntos:
  • religião
  • sexo
  • mistério
Dentre as histórias apresentadas, abaixo está a que mostrou o maior poder de síntese:

Meu Deus, estou grávida sem saber de quem.

Em outro escola, a prova de biologia incluía a seguinte questão:

Uma mulher deve se submeter periodicamente ao teste de Papanicolau para a detecção do câncer cervical. Que letra indica a cérvice no diagrama abaixo?


Um dos alunos respondeu a questão com um desenho que ele fez a partir do próprio diagrama. O de uma cabeça de um felino, o que era, aliás, pertinente já que se tratava de uma prova de biologia.

20 julho, 2009

Desenvolvimento (in)sustentável

"Eram 169 pulgas, 38 carrapatos e 75 piolhos. Todos moravam num cão de rua. Naquele “planeta”, os carrapatos preferiam o interior das orelhas, os dedos, a cernelha e as axilas. No dorso, lombo e abdômen viviam as pulgas. Os piolhos no restante. O cão era uma coceira só. Sugavam o sangue inoculando-lhe uma saliva irritante. Dia e noite, domingos e feriados.
Um dia, alguém percebeu que o alimento estava caindo de qualidade - um sangue ralo e cada vez mais cor-de-rosa. Seria necessária uma assembléia de todos os moradores.
Na semana seguinte, teve início a I Conferência Planetária do Meio Ambiente. O fórum escolhido foi o dorso do animal. Compareceram 292 pulgas, 94 carrapatos e 101 piolhos. Após a aprovação do regimento da Conferência, uma pulga fez uso da palavra:
- Senhoras e senhores, tenho notado uma drástica diminuição dos nossos recursos naturais. O planeta está anêmico!
- As culpadas são vocês mesmas suas pulgas imediatistas, atacou uma fêmea de carrapato entumescida de sangue.
- Que nada, nós até sabemos reciclar.
- Não entendi, interpelou um piolho.
- Nossas larvas, futuras pulgas, são alimentadas com nossos próprios dejetos… Isto é ou não é reciclagem?
- Acho que tudo é uma questão política, completou outro carrapato.
E a reunião prosseguiu acalorada.
De repente o “planeta” começou a balançar. Efeito estufa? Aumento da temperatura global? Queimadas? Terremotos? Ou efeito do buraco na camada de ozônio? Na verdade, era o cão que se coçava desesperadamente num solitário jequitibá.
Ouvindo toda a discussão a árvore tentou ajudar:
- Gente! Vocês já ouviram falar em “desenvolvimento sustentável”?
Todos silenciaram para escutar.
- Antigamente essa praça era uma floresta. Inúmeras árvores de variadas espécies. Produzíamos flores, frutos, abrigos, sombra e madeira. As folhas mortas e os restos dos animais se decompunham rapidamente pela ação do calor e da umidade. Assim todos os nutrientes eram devolvidos à Terra-Mãe, alimentando-nos e possibilitando o nascimento de novas plantas. Tudo aqui era biodiversidade. Existiam orquídeas, bromélias, cipós e toda a vida animal. As copas amenizavam a queda da chuva que suavemente deslizava entre os galhos. Não havia erosão. De vez em quando cortavam algumas árvores. Nem precisavam reflorestar. Nós mesmas fazíamos o replantio com a ajuda dos morcegos frugívoros, cutias, gralhas, borboletas, beija-flores e até do vento. Assim a floresta se autosustentava. Mas um dia começaram a nos desmatar além da conta. Logo fiquei sozinha. Hoje virei mictório de cães e de gente. As minhas folhas são impiedosamente varridas. Não têm mais o direito de apodrecer ao pé da árvore-mãe…
- Mas afinal o que é desenvolvimento sustentável? - perguntou um piolho aflito.
- É cada um sugar sem exageros o alimento e dar tempo ao “planeta” de se recuperar.
- Vamos ter que produzir economizando, lembrou um carrapato demonstrando preocupação. Afinal todos nós podemos jejuar mais de um mês.
E a plenária efervesceu. Foram criados manifestos e leis ambientais. Publicaram a “Carta dos Ectoparasitos”. Elegeram-se delegados. Todos se comprometeram.
Ao final dos debates, já havia 3.090 pulgas, 2.348 carrapatos e 2.251 piolhos. No dia seguinte, o cão morreu."

Texto do médico veterinário Lélio Costa e Silva, via blog Pronunciado.

19 julho, 2009

O idiota do WC


Estava sentado no vaso, fazendo minhas necessidades, quando ouço:
"Oi, tudo bem?"
Não gosto muito de conversa nesse momento. Muito menos com alguém que, estando do outro lado, eu não sei de quem se trata. Mas... para não ser indelicado, respondi:
"Estou ótimo!"
E o outro perguntou:
"O que é que está fazendo?"
Mas que pergunta mais sem lógica. Apesar disso, respondi:
"Acho que o mesmo que você."
Então, quando estava já chegando ao ponto alto da situação, ouço:
"Posso ir aí?"
Epa! Essa passou da conta... Mas, não querendo ser mal educado, respondi:
"Não, neste momento eu estou muito ocupado."
Nisso, escutei:
"Tchau. Eu ligo mais tarde porque tem um idiota sentado aqui ao lado... A cada vez que eu falo, ele responde."

Fonte: internet (reescrita)

A cigarra e a formiga

As duas personagens da clássica fábula de La Fontaine, que estão sendo aqui representadas, foram feitas de...

laranjas.
Assim como todas as outras esculturas (+10) que estão numa galeria de imagens do Crooked Brains. Aqui.

+ laranjas
O artista brasileiro Breno Pineschi, do Hardcuore, foi quem preparou este Suco de Laranja 100%. Um videoclip publicitário em que ele "comanda" a música (eletrônica funky) numa divertida mesa de som feita por torradas, metades de uma laranja e a tampa de um espremedor de frutas, tudo numa bandeja.


18 julho, 2009

Querida, encolhi os miolos

(exibido com cortes)

O pintor do sonho norte-americano


É cativante esta imagem, não?
É a reprodução de "Doctor and the Doll", um Rockwell que a gente identifica sem pestanejar.

Norman Rockwell (1894-1978) foi um pintor e ilustrador muito popular em seu país, os Estados Unidos da América. Em virtude das centenas de capas que ele fez, durante mais de quatro décadas, para a revista The Saturday Evening Post e das pinturas em que ele registrou as cenas da vida estadunidense nas pequenas cidades.
Nenhum outro desenhista ilustrou de forma tão soberba o american way of life.
Seus desenhos e pinturas são famosos pela meticulosidade e pela exatidão das cores e traços. Ele gostava de dar especial atenção às expressões faciais, as quais eram por ele capturadas de um modo algo caricatural.
Uma pequena história que serve para mostrar a importância de Norman Rockwell. Certa vez, o curador do Museu Metropolitano de Nova Iorque, Robert Halen, pediu um de seus quadros para o acervo da instituição, acrescentando que "qualquer um servia". Ao ser perguntado porque aceitava qualquer dos quadros de Rockwell, Robert Halen respondeu candidamente:
"Daqui a mil anos as pessoas talvez desejem saber como era a aparência dos norte-americanos do século XX. Por isso achamos que seria conveniente ter um Rockwell".

17 julho, 2009

O Juramento de Hipócrates

Hipócrates (Cós, 460 - Tessália, 377 a.C.) foi um observador de raro talento que, fugindo das explicações sobrenaturais, deixou-nos acuradas descrições para enfermidades à época desconhecidas e, com isso, abriu caminho para uma medicina baseada em evidências. Além disso legou a nós, médicos, um juramento (texto original em grego, ao lado) que contém princípios éticos louváveis a serem seguidos em nosso relacionamento profissional com os pacientes.
Esse juramento, porém, tem visão corporativista e submete aos que atualmente o proferem a idéias antiquadas e inaceitáveis. É supérfluo em vários aspectos; lacunoso, em outros.
Ei-lo (com algumas emendas supressivas por mim colocadas):

"Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higéia e Panacéia, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue: estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes.
Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva.
Conservarei imaculada minha vida e minha arte.
Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam.
Em toda a casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário
e de toda a sedução sobretudo longe dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados.
Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.
Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça."

Leituras sugeridas
O juramento de Hipócrates, do Dr. Drauzio Varella
Juramento de Hipócrates - Caminhos da Medicina, do Dr. Celso, no site www.clinicaclim.com

16 julho, 2009

Lançamento de MAQUIS

Convite
O Centro Cultural Oboé, a Secretaria da Cultura do Estado do Ceará e a Aliança Francesa de Fortaleza têm a satisfação de convidar a todos para a festa de autógrafos de MAQUIS: Redenção da França Ocupada, novo livro de Marcelo Gurgel, a ser realizada hoje (quinta-feira) à noite.
O autor e o livro serão apresentados pelo professor da UFC e membro da Academia Cearense de Letras, Prof. Dr. Linhares Filho.
O romance MAQUIS, que foi editado sob os auspícios da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará, integra a programação oficial do "Ano da França no Brasil". Uma parte da renda de seu lançamento será revertida para as ações sociais da "Casa Vida", a qual é mantida pela Rede Feminina do Instituto do Câncer do Ceará.
Sobre a obra
Ler a nota postada neste blog em 13/07.
Sobre o autor
O médico e professor Marcelo Gurgel (foto) é um conhecido polígrafo, tendo mais de cinquenta livros publicados e que versam notadamente sobre Saúde Pública. Nos últimos tempos, tem incursionado no mundo literário, com atuação nos seguintes gêneros: crônica, conto, discurso, ensaio, memórias e romance. É membro titular da Academia Cearense de Medicina e sócio da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores - Regional do Ceará.
Serviço
Dia: 16 de julho de 2009
Hora: 19h30
Local: Centro Cultural Oboé, rua Maria Tomásia, 531, Aldeota, em Fortaleza (CE). Fone: 3264 7038

Pela blogosfera - 33

No comentário que fez a uma nota aqui publicada sobre os Índios Tabajaras, Wilson Hiroshi Matsumoto enviou-me a reprodução de um quadro em que esses índios violonistas aparecem esplêndida e fielmente desenhados.
Confiram isso:


Wilson, que trabalha como ilustrador e designer, busca o nome do autor do quadro. Quem o souber, por favor informe para seu blog.

15 julho, 2009

Ó de fora!

Numa parede externa de um casarão (esquina da rua Gonçalves Ledo com a Luiz de Camões), no centro do Rio, os irmãos Gabriel e Tiago Primo fizeram uma "casa" para eles.
A nova "casa" dos Primo, que conta só com uma parede (o resto é a mobília), encontra-se aberta à visitação pública até o próximo mês.
A escalada do paredão é grátis.

Caronas perigosas

São caronas que podem trazer riscos: para quem dá ou para quem pega.

14 julho, 2009

Sem Paciência

Comenta-se que a Microsoft cogita em retirar o jogo Paciência da próxima versão do Windows. Por não ter como evitar a proliferação de cópias piratas (ver abaixo) do referido jogo.

Itapiúna - CE

Paciência, Sem

Ao completar os 90 anos de idade, o aniversariante Sem recebe os parabéns de Matusalém.


O bisneto de Matusalém está visivelmente preocupado com o tempo que essa história vai levar para ser contada.

13 julho, 2009

MAQUIS: Redenção na França Ocupada

Trata-se do último livro escrito por Marcelo Gurgel, um romance de caráter epistolar que apresenta como pano de fundo, em grande parte do enredo, a França sob a ocupação germânica durante a II Guerra Mundial. Entretanto, não é uma obra totalmente ficcional, posto que muitas de suas passagens realmente aconteceram. Assim é que vemos, no desenrolar da trama de MAQUIS, personagens reais a interagirem com personagens fictícios, à conta da inventividade do romancista.
Esta obra, que foi editada sob os auspícios da Secult - CE, integra a programação oficial do "Ano da França no Brasil".
A noite de autógrafos deste romance será no dia 16 de julho (quinta-feira), às 19h30, no Centro Cultural Oboé, em Fortaleza.

12 julho, 2009

Conforme a circunstância

Conta-se que, em certa ocasião, alguém perguntou a Quintino Cunha se era possível mencionar uma palavra que contivesse três erros, tendo ele respondido:
- Conforme a "cerconstança"...

José Quintino da Cunha (1875-1943) - Uma figura lendária no Ceará. Foi advogado, orador, escritor, repentista, boêmio e mestre na arte de divertir.

Nosso Jackson

Passadas as exéquias de Mr. Jackson, veio-me fortemente à lembrança de que, cá por estas bandas, já viveu outro Jackson. O paraibano José Gomes Filho (1919-1982) que, sob o nome artístico de Jackson do Pandeiro, muito contribuiu para consolidar os ritmos nordestinos (xote, xaxado, baião, coco, frevo) e para tornar ainda mais sincopado o nosso samba.
Ele foi reverenciado por Jacob do Bandolim como "o que cantava com maior sentido rítmico no Brasil". Giberto Gil, João Bosco e Alceu Valença, entre outros, são seus herdeiros artísticos.
É de Alceu Valença esta declaração:
"Costumo sempre dizer que o Gonzagão é o Pelé da música e o Jackson, o Garrincha."


Vídeo de um encontro histórico de Jackson do Pandeiro com o maranhense João do Vale, o criador de "Carcará". Nesta gravação, feita em 1982, os dois cantam "O Canto da Ema" (de João do Vale e outros), acompanhados por um regional (com o sambista Bezerra da Silva na zabumba), durante uma travessia da barca Rio-Niterói.

11 julho, 2009

O aspirador USB

Poeira na mesa do computador?

Bem, isso não é mais um problema desde que surgiu no mercado o aspirador USB. Que só precisa ser conectado, como o nome já indica, numa porta USB do computador para que possa aspirar a poeira por perto acumulada.
E deixar para o aspirador convencional (a cargo do pessoal da faxina) tudo o que estiver fora do raio de ação do aspirador USB.

Preço: 20 dólares. Aqui.

O balde

Fonte: web, reescrita
Um velho fazendeiro tinha um grande e bonito lago em sua fazenda.
Um dia decidiu ir a esse local dar uma olhada. Para ver se estava tudo em ordem.
E pegou num balde para que, aproveitando a sua caminhada, pudesse trazer algumas frutas que existiam pelo caminho.
Ao aproximar-se do lago, escutou vozes femininas, animadas, divertindo-se.
Chegando mais perto, avistou um grupo de jovens mulheres que se banhavam completamente nuas.
Elas, assim que perceberam a sua aproximação, fugiram todas para a parte mais funda do lago. Ficando por lá somente com as cabeças fora da água.
Uma delas gritou:
- Não sairemos daqui enquanto o senhor não for embora!
O velho respondeu:
- Eu não estou aqui para ver vocês!
E (levantando o balde) deu a "explicação":
- Eu só vim para dar comida ao jacaré...

Moral da história: A experiência da idade triunfa sobre o entusiasmo da juventude.

Ilustra essa postagem o Monumento à Lavadeira Desconhecida, do artista búlgaro desconhecido Pravoliub Ivanov. Uma obra erigida erguida com onze metros de baldes.

10 julho, 2009

"The book is on the table"

É um curso que que traz uma proposta interessante: ensinar por um método rápido o inglês para que, na Copa do Mundo de 2014, o brasileiro don't stay in the hand (não fique na mão).

Is we in the tape! = É nóis na fita.
Tea with me that I book your face = Chá comigo que eu livro sua cara.
I am more I = Eu sou mais eu.
Do you want a good-good? = Você quer um bom-bom?
Not even come that it doesn't have! = Nem vem que não tem!
She is full of nine o'clock = Ela é cheia de nove horas.
I am completely bald of knowing it = Tô careca de saber.
Ooh! I burned my movie! = Oh! Queimei meu filme!
I will wash the mare = Vou lavar a égua.
Go catch little coconuts! = Vai catar coquinho!
If you run, the beast catches, if you stay the beast eats! = Se correr, o bicho pega, se ficar o bicho come!
Before afternoon than never = Antes tarde do que nunca.
Take out the little horse from the rain = Tire o cavalinho da chuva.
The cow went to the swamp = A vaca foi pro brejo!
To give one of John the Armless = Dar uma de João-sem-Braço.

Enviado pelo colega Winston Graça, do blog Saco de Gato.

Pirâmides

O brasileiro, talvez por já se achar acostumado a uma pirâmide social adversa, não estranhou mais uma. Ao contrário, recebeu-a com o maior agrado possível, uma vez que esta última atendia pelo atraente nome de pirâmide... da fortuna. Aí, na qualidade de piloto, co-piloto, tripulante ou passageiro (nessa ordem de entrada), nela embarcou. Para uma viagem de alegria que se transfez em tristeza. Pois, fora o piloto que a tempo oportuno saltou de paraquedas, os demais quebraram a cara. Alguns, mais: a pirâmide nasal.
Que coisa! É pirâmide, mas tem piloto, co-piloto, tripulante e passageiro - como um avião de carreira. Isto, aliás, demonstra um certo hibridismo como o que se vê na Esfinge. Aquele ser fantástico, meio-leão e meio-homem, que os egípcios esculpiram na rocha, em Gizé. Ali, ali, perto das Grandes Pirâmides, que serviram de cenário para uma frase célebre de Napoleão. Ao proferi-la estaria o general eufórico com alguma posição de piloto recém-conquistada? Além de algum feito militar, bem entendido.
À la fé que Napoleão tinha ganho algum, embora os livros de História digam coisas diferentes. "A História é algo que não aconteceu, escrito por quem não estava lá." Que me perdoe o pessoal do ramo. Mas, voltando à pirâmide: nos dias atuais, ela não mais transmite a impressão de ser um poliedro estável; anda ruindo fácil, fácil por aí... a julgar pela quantidade de piramideiros soterrados. Por isso, já tem gente pensando em ressuscitar o "ai da base", uma gíria arcaica.
(...)
Em 1988, as pirâmides da fortuna (aviões, correntes da felicidade) estavam no auge. Foram o tema dessa crônica que, em 21/02/88, publiquei no DN - Cultura. Prossiga a leitura dela no Preblog, onde a crônica foi colocada na íntegra.

09 julho, 2009

O papel do granuloma na tuberculose

Amigo ou inimigo?
Granulomas são aglomerados celulares que se formam em tecidos do corpo humano como defesa a alguns tipos de infecção. Por muito tempo, aceitou-se a idéia de que o granuloma foi a forma que, com relação a essas infecções, o hospedeiro encontrou para contê-las. Como supostamente acontece na tuberculose, cuja lesão básica é também o granuloma (que tem características próprias que permitem identificar a infecção tuberculosa nos tecidos), por exemplo.
A grande maioria das pessoas infectadas pelo M. tuberculosis, o agente da tuberculose, não apresentará os sintomas da enfermidade. E cerca de 90% delas jamais adoecerão de tuberculose. Porque os granulomas (que não se formam nas pessoas com graves problemas imunitários) circunscreverão a doença localmente, evitando que ela se dissemine no corpo.
Entretanto, um trabalho de pesquisa de Davis e Ramakrishnan, publicado em "The New England Journal of Medicine" (06/06/2009), deixa sob controvérsias o aspecto "amigo" do granuloma. Por atribuirem a macrófagos (células de defesa presentes no granuloma), quando infectados pelo germe da tuberculose, o papel de nicho que responde pela continuidade da doença.
As pesquisas desses autores foram realizadas com o M. marinum em embriões do peixe-zebra (imagem). Se, por um lado, o modelo pode guardar diferenças (agente e hospedeiro são outros) com relação ao da tuberculose no ser humano, por outro, possibilitou aos pesquisadores o acompanhamento - "em tempo real" - dos vários momentos do processo infeccioso. É que os embriões do peixe-zebra são transparentes (PGCS).

Referências (em inglês)
www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed

08 julho, 2009

Fototrova # 7



Um cidadão descontente
Por ter o membro compacto
Ilude a si, atrozmente,
Sentando-se atrás de um cacto.

PGCS



Após preencher com a palavra "fototrova", clique no PESQUISAR BLOG de EntreMentes para ver as outras da série.

O ciclo de vida de um projeto

:-)

07 julho, 2009

Sem gravidade

Graciela Asturias, 27, uma arquiteta de Manhattan, recebeu um pedido de casamento no interior de um Boeing 727, no momento em que passava por uma experiência de gravidade quase zero. Essas situações de microgravidade podem ser criadas, por alguns minutos, dentro de um avião que sobe a grande altura e a seguir desce velozmente.
Naqueles poucos minutos, Graciela ouviu de seu noivo Alex, enquanto ambos flutuavam, a proposta de casamento (will you marry me?) e respondeu que yes.
Houve alguma dificuldade transitória para se controlar as alianças, que flutuavam pela cabine do avião, mas, ao final, tudo bem.

Lições de paródia













À esquerda, uma reprodução da tela "Lição de Anatomia do Dr. Nicolas Tulp", pintada pelo holandês Rembrandt, em 1632.
Fonte: AS MAIS BELAS PINTURAS SOBRE TEMAS MÉDICOS, de Joffre M. de Rezende
À direita, a fotografia de uma das obras de Ju Duoqui, uma artista chinesa que recria com legumes e verduras as telas de artistas famosos.

06 julho, 2009

Louco de dar dó

Por Nelson José Cunha

Acabava de entrar pelo quarto ano do curso de medicina e tinha amigos comunistas enrustidos no meu bairro. A influência esquerdista me fez emplacar uma foto do Che na parede do quarto que covardemente escondia se batia alguém na porta. Era 1968. Comprometedor numa casa cuja cabeça era militar e amigo de generais. Papai via a foto, torcia o nariz e o resto do corpo em franca desaprovação. Minha aparência, à época, justificava sua apreensão: barbicha e cabelos desgrenhados escondendo as orelhas. Aparência de louco ou revolucionário. Num desses domingos de preguiça, papai entrou no meu quarto, evitando como de hábito olhar a literatura vermelha ao pé da cama. Foi logo anunciando que havia conseguido minha nomeação para plantonista do Asilo de Parangaba(1), meu primeiro emprego. Ele sabia e apoiava meu interesse pelos assuntos ligados ao psiquismo humano. Poucos meses antes havia me presenteado com as obras completas de Freud, maravilhosa publicação em papel de seda, que passei a zelar como um amuleto.
O meu primeiro plantão no asilo foi de arrepiar os cabelos. Mesmo estando acompanhado de um colega mais experiente tive vontade de abandonar tudo e voltar para a deliciosa vida de estudante. O hospital era deprimente.
Grades e química numa combinação perversa encarceravam os impacientes mentais. Vivi por ali o resto daquele ano, cada vez mais dividido entre a psiquiatria e a oftalmologia(2), entre olhar pra dentro da alma e olhar pra o mundo lá fora. Aquilo tudo estava me fazendo mal. Os pesadelos passaram a me fazer companhia e no almoço era o apetite que se despedia. Comecei a sentir estranhas sensações. Estando a conciliar o sono, ouvia sons de carrilhão(3). Soavam como milhares de sinos solidários.
Acordava daquele quase sono, coração a galopar e ficava esperando um novo gran finale da orquestra invisível. Mas a audição era única e não se repetia numa mesma madrugada. Dia seguinte, punha-me a indagar se alguém de casa ouvira alguma coisa. Diante da negativa espantada de todos, comecei a duvidar da minha sanidade mental. Será que essa vida de aprendiz de psiquiatra estava a me fritar os miolos? Seria o anúncio de que algo grave estava para me acontecer? Passava então a buscar no meu comportamento elementos que indicassem alguma desordem mental.
Mas essa atitude em si já indicava um pensamento lógico, concatenado e distante de um afetado. Acalmava-me pelo menos até que a noite chegasse, quando novamente ao iniciar o sono, o maldito carrilhão comparecia real e debochado. Seria uma outra forma de loucura? Estaria construindo para mim um mundo particular com a clássica lógica esquizofrênica? Enredado nestas dúvidas comecei a perder o sono e apegar-me ao Freud da cabeceira. Numa dessas noites, já insone, ouvi o carrilhão novamente, mas dessa vez estava acordado. O som era verdadeiro e estava dentro do meu quarto, vinha de cima do armário. Levantei-me como um felino, acendi a luz e marchei contra o armário repetindo o gesto de Dom Quixote ao se lançar contra um moinho de vento para resgatar sua razão. Ali estava o meu velho violão, esquecido e empoeirado, presente de meu padrinho e a espera do Professor Cláudio(4) que nunca comparecia. Tremia quando retirei o violão para examiná-lo à lente. De repente, por entre as cordas, com o som de carrilhão, saiu assustado um maestro e meu carrasco. Uma enorme ratazana(5) que escolheu o violão calado para trazer à vida seus cinco ratinhos. Por pouco não me deixou louco de dar dó.
Dó maior! Dor menor.
Rodapost
(1) Nelson, no quarto ano de medicina eu também flertei com a psiquiatria no Asilo de Parangaba; no quinto ano, foi namoro com ela no Hospital Mira y Lopez.
(2) No internato, simpatizei (simpatia é quase amor) a neurologia; a seguir, estando já formado, desposei a pneumologia com a qual vivo até hoje. Em 1973 (mas foi só nesse ano), ainda dividi os meus afetos com a psiquiatria na Casa de Saúde Santa Mônica, em Petrópolis. Sacumé, quem foi casa sempre é tapera...
(3) Sem que pudesse comparar com o "Sons de carrilhões" do João Pernambuco, não é?
(4) Amigo Nelson, vou lhe pedir um favor / que só depende da sua boa vontade / é necessário anistiar o professor / que está vivendo etc. e tal.
(5) O tempo é mesmo um gelol para o trauma. Pois é agora uma ratazana (até simpática) que ilustra esse seu artigo.


Paulo Gurgel

05 julho, 2009

"O Relógio da Vovó"

Luis Nassif, em seu site, chama a atenção para esta música: "O Relógio da Vovó". É uma espécie de elo perdido da bossa nova, pois nela já existiam a batida e a forma de harmonizar que, a partir do histórico disco "Chega de Saudade"(1958), caracterizariam esse gênero musical brasileiro (que ganhou o mundo). Na segunda parte da música, há inclusive alguns compassos que lembram um trecho da melodia de "Desafinado", canção de Tom Jobim e Newton Mendonça.
A gravação de "O Relógio da Vovó", feita pelo Trio Surdina em 1953, não diminui os méritos do grande João Gilberto. Mas serve para demonstrar que a bossa nova não foi uma ruptura, porém uma enriquecedor processo de renovação dentro da música popular brasileira.
Mas quem foi o Trio Surdina? Um trio musical que, no período de 1951-55, teve em sua formação estas "feras": Fafá Lemos (violino), Chiquinho do Acordeom e o genialíssimo Garoto (violão). Os três também compuseram essa música.


O músico Jorge Mello, em seu blog (que descobri recentemente), traz um bem documentado artigo sobre o Trio Surdina. Aqui.

04 julho, 2009

A Lei da Selva


Sinopse
Produção anglo-angolana de 1983. K. Hey é o zarolho capitão de um barco que singra anarquicamente um rio d'África. A bordo, vão também John Stuller, detetive particular, e Linda, sua lânguida esposa. Em quantidade de crimes desvendados, John perde feio para a esposa. Até no caso do canivete suíço que Linda... Bem, assistam com outro ingresso. No meio da viagem, estabelece-se uma discussão sobre o destino a dar a uma cobra fluvial que o capitão apanhara. John tem a idéia de empalhá-la, Linda, de devolvê-la ao rio após aplicar na cobra um nó górdio. É que Linda cultiva o gênero sádico-ecológico. O capitão fica de dar o voto de minerva no dia seguinte. Mas não existirá o dia seguinte para John e e Linda. À noite, a alimária promove uma devastação a bordo, livrando apenas a cara caolha do capitão. K. Hey e a cobra são bons amigos, e despedem-se com um "até à vista". E subentende-se que os pertences do detetive e da mulher integrarão, daí para frente, o patrimônio do capitão. É a lei da selva.

Acidentes com arraias

No mês de julho, a combinação de um período de férias escolares com o aumento dos ventos que sopram em Fortaleza torna mais comum as brincadeiras com arraias (ou pipas) em nossa cidade. Essas brincadeiras, porém, não se mostram tão inocentes assim. Acompanham-se de certos riscos para os brincantes e também para aquelas pessoas que, inadvertidamente, passam pelos locais desses folguedos.
Senão, vejamos:
Há o risco de a linha da arraia, em contato com fios da rede elétrica, causar choques em quem está brincando.
Outro risco é o de a linha também poder conduzir, em dias de chuva, descargas elétricas (raios) a partir das nuvens.
Correr nas ruas, em busca das arraias cujas linhas foram cortadas, expõe quem o faz a quedas e atropelamento.
E, por fim, a questão do cerol, essa mistura de cola com pó de vidro que é passada na linha da arraia para que a mesma fique cortante. Já tem causado muitos acidentes, alguns deles fatais. E, destes últimos, as maiores vítimas têm sido os motoqueiros.
A propósito das arraias, ler aqui uma crônica de 21/07/08.
Recomendações
Empinar as arraias somente em espaços abertos (praias, campos).
Não brincar com elas sob a chuva.
Não aplicar o cerol na linha da arraias.
E (para os motoqueiros) instalar nas motocicletas antenas ou arcos protetores.

03 julho, 2009

Zé Pinto

Francisco Magalhães Barbosa (1925-2004), escultor cearense, conhecido como Zé Pinto.
Iniciou-se nas artes plásticas somente aos cinquenta anos de idade, em 1975, criando composições a partir da soldagem entre si de peças de sucata, resultando daí figuras humanas ou de animais de grande singularidade: palhaços, “Carlitos”, cangaceiros, dançarinos, ferreiros etc. Enfim, uma variedade de tipos humanos (como esta escultura "Padre Cícero", do acervo da Casa do Ceará em Brasília) e de animais mais diversos, representados sempre de forma criativa e bem humorada. Com essas criações, Zé Pinto realizou mostras individuais e participou de várias mostras coletivas em que obteve premiações. Várias de suas esculturas, de grandes dimensões, permaneceram expostas nas décadas de 80 e 90 em via pública, no canteiro central da Avenida Bezerra de Menezes, defronte ao ateliê do artista, em Fortaleza (CE).

"Zepintismo"
Explorando os trocadilhos, Zé Pinto também gostava de criar frases espirituosas. Algumas delas se tornariam populares no Ceará.
"O humilde não tem hum mil de jeito nenhum.
O martelo prega religião?
Quem tem pouca fé não bebe café.
A mulher quando pede biscoito ela está querendo de novo?
Quem anda na linha o trem pega?
Pegar devia ser com os pés e não com as mãos.
A agulha falou para a linha: ô coisa comprida!"
Fonte: Revista ARSENAL de Literatura, novembro de 1980

02 julho, 2009

Saguaros

Continuam chegando ao Awkward as fotos de famílias em situações constrangedoras. Uma das mais recentes apresenta uma delas com seus membros fantasiados de cactos.

Uma observadora mais atenta sugeriu que eles são certamente saguaros (Carnegiae gigantea). Uma espécie de cacto muito comum nos desertos norte-americanos e que chega a viver 200 anos. Apenas aos 75 anos é que esse tipo de cacto começa a desenvolver seus primeiros ramos.
Faz sentido: papai e mamãe têm dois "braços", os filhos mais velhos deles, apenas um, e o caçula, nenhum ainda.

O Jaques

No Brasil, o aposentado é muitas vezes tratado por Jaques. Um nome sem qualquer relação com o que ele tinha até se aposentar.
Entretanto, mesmo não gostando do apelido, o aposentado Jaques mostra a todos as utilidades que ele tem: ir ao banco pagar contas, acompanhar parente numa consulta médica, pegar o neto na escola, levar o cachorro para passear etc.
Parece que esse nome que dão ao aposentado tem a ver com o aumento de sua disponibilidade doméstica. Como nunca antes na história de sua vida.
Pois todos os que se dirigem a ele, começam sempre por estas palavras:
- Já que 'stá aí...
Esse prefixo, minha gente, é uma espécie de sinal. De que logo, logo virão de lá mais incumbências para o pobre Jaques.

01 julho, 2009

Como se vingam as mulheres desprezadas

O amigo Nelson José Cunha, médico em João Monlevade - MG, enviou-me através do e-mail umas curiosas fotografias. Que mostram cenas de vingança praticadas por mulheres que foram traídas por seus maridos, amantes ou namorados.
Pediam para ser reunidas num slideshow:



Foi quando me lembrei de uma frase de Shakespeare: "O inferno não conhece a ira igual a de uma mulher desprezada". Ao procurar como teria sido a frase shakespeareana em inglês, encontrei: "Hell hath no fury like a woman scorned." Mas encontrei também que essa frase, inserida por Shakespeare numa de suas peças, é uma simplificação de outra frase: "Heaven has no rage like love to hatred turned / Nor hell a fury like a woman scorned." E o autor desta última foi William Congreve que, em 1697, empregou-a em sua peça "The Mourning Bride".
Para outros exemplos de frases erroneamente atribuídas, recomendo ver a página Citações Equivocadas.

"Só pego essas coisas no EntreMentes"
Sob essa declaração, Vicente Adeodato postou em seu ótimo blog os dois slideshows de EntreMentes que versaram sobre "Alfabetos Criativos".
Obrigado pelo reconhecimento, Adeodato.