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11 julho, 2025

Ímãs de citações

São pessoas que atraem citações incorretas com a mesma força gravitacional com que um sol coleta satélites. Essas estrelas das citações incluem figuras ilustres como Mark Twain, Oscar Wilde, Winston Churchill, Dorothy Parker e Benjamin Franklin.
O domínio das citações é altamente competitivo. Poranto, há uma pressão evolucionária que opera no processo de seleção e replicação.
Pesquisando as origens das citações atribuídas incorreamente e de como elas sofrem mutações ao longo do tempo, Garson O'Toole, do Quote Investigator, chegou a esta conclusão:
"Quando uma declaração astuta atribuída a uma figura menor é reatribuída a um nome importante, ela instantaneamente se torna mais fascinante, mais memorável e mais transmissível. A nova combinação é selecionada e replicada em uma taxa muito maior."
"Insanidade é digitar as mesmas palavras repetidamente no Google e esperar resultados  diferentes". Não, não foi Einstein que citou isto.

07 julho, 2022

Elon e os erros

Eu não aprendo com os erros.

Eu aprendo com meus erros.

Eu aprendo com os erros das outras pessoas.

Eu aprendo com os erros das pessoas que tomaram meus conselhos.

Eu não aprendo com meus erros; os erros aprendem comigo.

Elon Musk

30 maio, 2022

Vislumbres do futuro

Hoje quero falar sobre esses momentos em que o futuro cai em nosso colo, sem avisar ou pensar se estamos prontos para enfrentá-lo. Trabalhando com tecnologia, todos nós temos momentos em que parece que o véu foi levantado e temos um vislumbre do que está por vir. Esses momentos são pessoais, mas tenho certeza de que todos vocês podem pensar em alguns por experiência própria. Um exemplo da minha vida é a primeira vez que experimentei wi-fi. Não parecia grande coisa no início - por que eu não poderia simplesmente usar um cabo Ethernet de dez metros e aproveitar a velocidade de conexão mais rápida?
Mas da primeira vez que verifiquei meu e-mail do sofá, sem fios entrando no computador, entendi. De agora em diante, a Internet não seria algo que eu usasse em algum lugar. Estaria ao nosso redor, como o éter, preenchendo todos os espaços (exceto esta sala). Eu sabia que isso não aconteceria imediatamente, mas iria acontecer. E adorei essa sensação de saber o que aconteceria a seguir. Esses vislumbres podem ser viciantes. Para alguns de nós, a sensação de ter um pé no futuro foi o que primeiro nos atraiu para a tecnologia, ou ficção científica. Vocês, pessoas da Nova Zelândia, são especialmente sortudos por estarem mais perto do amanhã do que qualquer outra pessoa.
Mas esses vislumbres também enganam. Se você não tomar cuidado, você acaba como esse pobre coitado, o profeta digital da AOL. Sempre que tentamos prever como realmente será viver naquele futuro, qual será o sabor do futuro, invariavelmente falhamos, e das maneiras mais ridículas. É como uma estranha lei da natureza. Podemos ver as tecnologias chegando, mas esse conhecimento de alguma forma torna o futuro menos previsível.


Talvez possamos prever o Roomba com cem anos de antecedência, mas o colocamos em um mundo onde as mulheres ainda usam espartilhos de crinolina e osso de baleia. Ou então predizemos corretamente que a Enciclopédia Britânica um dia caberá na cabeça de um alfinete, nunca imaginando que a própria Britannica se tornará uma relíquia, substituída por algo livre, colaborativo e extenso chamado Wikipedia. Essas previsões não estão erradas, "nem mesmo estão erradas", elas erram o ponto básico. O futuro torna todos nós tolos.

OUR COMRADE THE ELECTRON (NOSSO CAMARADA, O ELÉTRON) - 2.ª parte desta palestra, que Maciej Ceglowski proferiu em 14/02/2014, na Webstock, em Wellington, Nova Zelândia.

12 dezembro, 2021

Errorex

O corretivo Errorex foi inventado por Bette Nesmith Graham em 1951. Trabalhando como datilógrafa, ela frequentemente cometia erros e, usando sua cozinha e garagem como laboratório, desenvolveu uma tinta de têmpera branca.


https://www.tudoporemail.com.br/content.aspx?emailid=16627

Dura lex, sed...
Latex, para significar que a lei apesar de dura pode ser esticada para alguns;
Jontex, para significar que a lei mesmo rígida não deve suprimir o gozo sem culpa;
Denorex, para significar que o rigor da lei vai depender da cabeça de quem a aplica;
Errorex, para significar que lei pode ser corrigida em sua dureza pelas instâncias superiores.

26 setembro, 2019

Atitudes políticas antivacinais

O efeito Dunning-Kruger é o fenômeno pelo qual indivíduos que possuem pouco conhecimento sobre um assunto acreditam saber mais que outros mais bem preparados, o que faz com que esses indivíduos tomem decisões erradas e cheguem a resultados indevidos, sendo tudo agravado pela incompetência que os restringe na habilidade de reconhecer os erros. Estas pessoas sofrem de superioridade ilusória.

Sabendo menos, presumindo mais: o efeito Dunning-Kruger e o endosso de atitudes políticas antivacinais
Destaques:
• O baixo conhecimento sobre o autismo está associado ao pensamento de que se conhece mais do que os especialistas.
• O excesso de confiança está associado a atitudes políticas antivacinas.
• O excesso de confiança também está associado com o apoio ao papel de não-especialistas na elaboração de políticas.
https://doi.org/10.1016/j.socscimed.2018.06.032

O pequeno carro azul: 1 e 2

01 abril, 2019

Ajustes na equação de Einstein

Em 1960, o New York Times comentou uma reportagem da Associated Press sobre uma igreja católica perto de Colônia, na Alemanha, que decidiu dar um toque moderno ao novo sino da igreja. Então, eles solicitaram que a famosa equação de Einstein fosse gravada no sino.
Infelizmente, alguém errou ao gravar a equação, substituindo o C pelo R.
Quando a história foi publicada no NYT, outro ajuste na famosa equação do Professor ocorreu.
Leia você.

26 outubro, 2018

O corretor automático de texto

O corretor automático tem seus pontos fracos bem documentados, mas ele é muito bom para transformar os termos sem sentido que você digita no computador em algo compreensível. E, por isso, temos que agradecer a um homem chamado Bill Vignola.
O corretor automático, no início, tinha problemas com os palavrões. E a Microsoft não podia sugerir ao usuário a palavra "motherfucker", por exemplo! Então, a tarefa de extirpar as palavras vulgares do dicionário esteve nas mãos de Christopher Thorpe, na época um estagiário de 19 anos.
1
Como Thorpe diz à Wired, tudo foi inspirado por um cara que enviou um e-mail a Bill Gates reclamando que seu sobrenome era corrigido para algo, digamos, anatômico. Sempre que Bill Vignola digitava seu próprio nome no MS Word, explicava o e-mail para Gates, ele era automaticamente alterado para Bill Vaginal. Acredita-se que Vignola notou isso às vezes, mas não sempre… Seu e-mail passou pela cadeia de comando até chegar a Thorpe. E Bill Vaginal não foi o único a reclamar: Thorpe lembra que o banco Goldman Sachs estava irritado, pois o Word alterava o nome para "Goddamn Sachs" (Maldito Sachs).
[https://gizmodo.uol.com.br/criador-corretor-automatico/]
2
Dizem que eu não gosto dos computadores, mas são os computadores que não gostam de mim. Um dia uma moça foi me ajudar com um trabalho e levou um computador. Agora eles têm um recurso que corrige palavras. Então a moça foi digitar meu nome. Meu nome completo é Ariano Vilar Suassuna. "Ariano" passou sem problemas. Aí, quando a moça digitou "Vilar", o computador sugeriu "Vilão". E "Suassuna", talvez pelo número de "esses", virou "Assassino"! "Ariano Vilão Assassino"! É por isso que eu digo, são os computadores que não gostam de mim...
– Ariano Suassuna, em uma entrevista no "Programa do Jô".
[https://blogdopg.blogspot.com/2007/06/ariano-e-os-computadores.html]
3
Escrevia-se a autobiografia de um modo absolutamente solitário - sem a "peruação" de estranhos. Os originais eram escritos à pena (molhando o bico na tinta frequentemente), com a caneta ou numa máquina de escrever.
Mas isso, antigamente.
Hoje, sabe o que acontece quando alguém mal começa a digitar a autobiografia?
 O Clippy aparece!
[http://blogdopg.blogspot.com/2011/11/autobiografia.html]
4
Lembrando Clippy...
"Como é que eu não sei sobre isso? Eu perdi Clippy (por razões óbvias), e nunca entendi o ódio que algumas pessoas tinham por ele (ela? Eu não sou muito bom em sexagem de clipes)." ~ Linus Torvalds
Os nostálgicos podem agora adicionar Clippy (ou qualquer um de seus amigos) em suas páginas na internet. Clippy me passou seu endereço, o do "retiro dos artistas" em que ele curte seu ócio com dignidade.
[https://www.smore.com/clippy-js]

19 agosto, 2018

O experimento da Prisão de Stanford

por Juliana Blume, em 18/06/2018
Cinquenta anos depois da realização do estudo psicológico mais famoso do mundo, da Prisão de Stanford, os participantes e o organizador Philip Zimbardo (em 1971, o professor de psicologia Phil Zimbardo torturou 11 alunos voluntários em nome da ciência) ainda recebem pedidos frequentes de entrevistas. O experimento durou apenas seis dias, e ainda assombra os envolvidos nele e faz parte do imaginário social do mundo todo.
Inicialmente, o estudo foi aclamado nos EUA como uma justificativa perfeita para a falta de eficácia na reabilitação de prisioneiros das cadeias americanas. Já na Europa, foi visto como uma explicação para o comportamento sanguinário de nazistas durante o holocausto. Mas desde a virada o século psicólogos e pesquisadores do mundo inteiro têm encarado o estudo com outros olhos.
Ele contém falhas importantes de metodologia, e tentativas de replicação do experimento por outros pesquisadores não encontraram o mesmos resultados. Agora, novos documentos sobre o experimento foram colocados à disposição do público, e um escritor dos EUA realizou novas entrevistas com o organizador e participantes para escrever um livro sobre um julgamento de um criminoso que recebeu uma pena bastante branda ao usar o estudo de Stanford em sua defesa.
Este escritor se chama Ben Blum, e escreveu um livro sobre seu próprio primo, Alex Blum, um soldado do exército americano de 19 anos que em 2006 assaltou um banco com seu superior do exército, e defendeu-se dizendo que só fez o que fez porque acreditava se tratar de um treinamento. Sua defesa utilizou o estudo de Stanford para argumentar que o jovem não tinha consciência do que fazia por conta de seu contexto no exército e por estar seguindo ordens de seu superior.
Anos depois, porém, Alex admitiu para Ben que sabia exatamente o que estava fazendo, e que assumir responsabilidade por sua ação tinha sido muito benéfico para ele. Intrigado com o caso, Ben começou sua extensa pesquisa sobre o experimento, e entrevistou Zimbardo duas vezes, assim como voluntários que nos anos 1970 cumpriram papéis de guardas ou prisioneiros no estudo.
Siga lendo em Hypescience.
(Grato a Jaime Nogueira pela remessa do artigo.) 

04 novembro, 2017

Erros na previsão do futuro da inteligência artificial


por Rodney Brooks
A crença de que máquinas inteligentes virão a dominar a humanidade baseia-se em extrapolações erradas, imaginação ilimitada, argumentos de fé e outros erros comuns que nos distraem dos modos mais produtivos de pensar a respeito do futuro da inteligência artificial (IA).
Estamos inundados da histeria sobre o futuro da inteligência artificial e da robótica. Uma histeria para o poder que elas alcançarão, a velocidade com que elas farão isso e suas consequências no mercado de trabalho.
Recentemente, vi uma história que dizia que, entre 10 e 20 anos, os robôs teriam ficado com a metade dos empregos que existem hoje. Havia até um gráfico para provar os cálculos. Esta afirmação é absurda (eu tento manter uma linguagem profissional, mas às vezes custa). Por exemplo, o texto parece dizer que, nos EUA, de um milhão de trabalhadores da manutenção de edifícios e terrenos restarão apenas 50 mil nesse prazo, porque os robôs assumirão seus empregos. Quantos robôs estão atualmente operando nesses empregos? Zero. Quantas demonstrações realistas de robôs que trabalham neste campo existem? Zero.
Histórias semelhantes aplicam-se a todas as outras categorias onde é sugerido que veremos o fim de mais de 90% dos empregos que atualmente exigem a presença (física) de pessoas em alguma etapa em particular.
As previsões errôneas geram medos sobre coisas que não acontecerão, seja a destruição em larga escala de empregos, a singularidade ou o advento de uma IA com valores diferentes dos nossos que poderiam tentar nos destruir. Precisamos lutar contra esses erros. Onde nascem essas falhas? Eu vejo sete razões comuns.

Prossiga lendo em: Los siete grandes errores de quienes predicen el futuro de la inteligencia artificial

29 outubro, 2017

Oração da Serenidade

Em versão Web
Concedei-nos Senhor:
Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar (408 REQUEST TIMEOUT), coragem para modificar aquelas que podemos (403 ACCESS FORBIDDEN) e sabedoria para distinguirmos umas das outras (404 PAGE NOT FOUND).
(Dave Pacheco)

Códigos explicados
A classe 4xx de códigos de status HTTP é destinado para os casos em que o cliente parece ter cometido um erro.
408 Tempo Esgotado de Solicitação
403 Acesso Proibido
404 Página Não Encontrada
(https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_c%C3%B3digos_de_estado_HTTP)

02 julho, 2015

Errar é humano

Botar a culpa nos outros é mais humano ainda.
Culpar o computador, idem.
Reparar os erros é um ato de coragem.
Persistir no erro é desumano.
Disfarçar o erro é ser político.
Aprender com o erro é ser sábio.
Aprender com os erros dos outros é ser mais sábio ainda.
Perdoar é divino.
Acertar não é sua praia.
Acertar é muçulmano.
Quem nunca errou nesta vida é porque só atira de perto.
Só que o problema é que eu erro sempre.
Mas, quando a borracha se gasta mais do que o lápis, é que você está mesmo exagerando.

07 janeiro, 2015

Febrilidade

Uma reunião da Associação de Médicos Americanos, em 1985, apreciou um relatório preocupante do Dr. Abraham Jacobi, que apresentou o caso de um jovem cuja temperatura tinha chegado a 65 graus Celsius.
"Bobagem", objetou Dr. William Henry Welch. "Tal observação era impossível". E lembrou um relatório semelhante, publicado no Jornal da Associação Médica Americana, de 31 de março de 1891, em que o Dr. Galbraith, de Omaha tinha medido uma temperatura de 77 graus Celsius em uma mulher jovem.
"Eu não me atrevo a explicar como os erros foram praticados, mas não há nenhuma dúvida em minha mente de que aconteceram", disse ele. "Tais temperaturas, como as registradas nos casos do Dr. Jacobi  e do Dr. Galbraith, estão muito acima da temperatura normal para os mamíferos, e são destrutivas para as células animais."
Jacobi se defendeu: "Talvez a medicina simplesmente não tenha desenvolvido uma teoria para explicar essas coisas".
Mas outro médico comentou para Welch que, pelo menos no caso de Galbraith, existiria uma explicação perfeitamente satisfatória: "Galbraith havia caído no antigo truque do aquecimento do termômetro por uma bolsa de água quente na cama".
N. do E.
Em língua portuguesa febrilidade é sinônimo de entusiasmo.
Valores normais para a temperatura axilar: de 35,5 a 37 °C, com média de 36 a 36,5 °C.
Ver no Acta
107 - A maior temperatura suportável, 177 - Um termograma explicado, Corpo humano. A temperatura ideal e 437 - A termometria clínica

07 dezembro, 2014

A história de Tortora

por Miguel do Rosário, O Cafezinho
A história de Claudio Marcello Enzo Tortora (1928 – 1988) oferece um alerta fundamental para os riscos da instituição da delação premiada, sobretudo em países onde a comoção pública parece se converter em linchamento, pressionando promotores e juízes a condenarem mesmo sem provas.
Aconteceu o seguinte.
Às quatro e quinze da manhã, do dia 17 de junho de 1983, o famoso apresentador de TV, Enzo Tortora, acordou ao som de fortes batidas em sua porta, no hotel em que vivia em Roma.
Eram "carabineri", a polícia italiana, que vinham lhe prender.
Tortora havia sido acusado de envolvimento com a Nova Camorra, uma das máfias mais poderosas do crime organizado italiano.
Em maio de 1982, o parlamento italiano havia aprovado a chamada "legge sui pentiti", a lei dos arrependidos, que previa redução da pena a quem se dispunha a colaborar com o Estado na luta contra o terrorismo e a criminalidade organizada.
Então, um presidiário ligado à máfia acusa Enzo Tortora de fazer parte do grupo, operando no tráfico de cocaína.
Tortora apresentava um programa do tipo bem comercial, em que os telespectadores enviavam produtos excêntricos, para que fossem leiloados ao vivo.
Um presidiário, ligado a Camorra, enviou um jogo de bordados que ele mesmo tinha feito, para o programa. Passado vários meses, o presidiário começou a escrever cartas perguntando o que tinha sido feito de seus bordados. A produção do programa pediu que o depósito fosse vistoriado, mas eles não foram encontrados.
Tortora, então, escreve uma carta ao camorrista, relatando o extravio do material e propondo uma indenização pecuniária.
O camorrista irá, em seguida, usar esta carta para incriminar Tortora, dizendo que ela vinha escrita em linguagem cifrada, e que o bordado significava drogas, e que a oferta de dinheiro relacionava-se à quantia a ser paga.
Quando Tortora se defende perante o juiz e imprensa, que acompanha o caso em tom sensacionalista, jurando que não conhecia o delator, o presidiário mostra a carta, como prova que eles mantinham contato.
Uma sequência de fatos se desencadeia em desfavor de Enzo Tortora.
Outros mafiosos, que ouviram a história na TV e a leram nos jornais, resolvem também delatar Enzo Tortora.
No apartamento de um dos delatores, a polícia encontra uma agenda onde se lia o nome "Tortora", ao lado de um número telefônico (em seguida, seria comprovado que o nome certo era Tortona, não Tortora, e que o número de telefone não era do apresentador).
Os jornais caem em cima de Tortora, sem piedade. Longos editoriais, artigos, crônicas, charges, são publicadas contra o pobre apresentador, que esbravejava inutilmente sua inocência. Raríssimos intelectuais saíram em sua defesa. Certamente, os que entendiam ética também como respeito absoluto as direitos individuais, onde se inclui o direito à dignidade, contra o Estado, a mídia e as massas.
Sua única defesa, perante tantos delatores lhe acusando, era que todos eram bandidos, e sua palavra não merecia fé.
Aí aparece um pintor, sem ligação com a máfia, afirmando que tinha visto Enzo Tortora vendendo cocaína num banheiro de uma festa VIP.
O tal pintor vai a todos os programas de TV possíveis.
A casa caiu para Enzo Tortora.
Ele não tinha mais como se defender.
Juízes e procuradores também usaram o caso para se promoverem.
Enzo Tortora, já visto por uma parcela da opinião pública como uma vítima de um judiciário negligente, mas ainda não absolvido pela Justiça, foi eleito deputado do parlamento europeu por um partido da nova esquerda italiana, o Partido Radical.
Mesmo eleito deputado, Tortora perdeu os últimos recursos a que tinha direito, e foi condenado a tantos anos de reclusão, logo convertida para prisão domiciliar. Ele renuncia ao parlamento europeu para cumprir a pena.
Anos depois, tudo começou a ruir.
Era tudo mentira. O pintor apenas queria aparecer. Descobriu-se que ele já tinha sido condenado, em outras ocasiões, por fazer acusações falsas.
Os mafiosos queriam apenas se beneficiar da delação premiada, e escolheram Enzo Tortora como um alvo perfeito. Era um cara importante o suficiente para fazer bonito junto à promotoria. E era inocente, ou seja, eles não denunciavam nenhum perigoso figurão da máfia, que naturalmente não ficaria satisfeito em ser delatado.
Ao cabo, um novo julgamento é realizado, e Tortora é totalmente absolvido.
No documentário, é comovente a cena do advogado de Tortora chorando copiosamente com o fim de um pesadelo de oito anos.
A delação premiada é o pesadelo dos advogados, que vê seu cliente ser acusado sem que seja apresentada nenhuma prova.
No Brasil, a instituição da delação premiada, que pode ser importante em alguns casos, está se tornando uma verdadeira panaceia, e a comunidade jurídica e política devem se insurgir contra a tentativa de torná-la em instrumento do arbítrio, sobretudo se manipulada inescrupulosamente pela mídia.
N. do E.
  • A comoção na Itália e a vergonha na opinião pública foram tão grandes, quando se deu conta do erro, que foi realizado um plebiscito para aprovar uma lei, impondo penalidades a juízes e promotores que cometessem arbítrios contra cidadãos italianos, como cercear o direito à defesa ou agir deliberadamente, sem a devida imparcialidade, para culpabilizar o réu. O plebiscito teve mais de 80% de aprovação.
  • Uma biblioteca em Roma, uma praça em San Benedetto del Tronto, um largo em Milão, uma galeria em Gênova, uma rua em Nápoles e outra em Mondovi e o foyer de um teatro na Itália receberam o nome Enzo Tortora, em homenagem a ele.
  • A história desta vítima da malagiustizia foi transformada várias vezes em filmes para o cinema e a televisão.

06 agosto, 2014

Correlações espúrias

A correlação espúria é uma relação matemática em que dois eventos ou variáveis ​​não têm nenhuma conexão causal direta. No entanto, pode erroneamente se inferir que eles estão relacionados, devido a uma coincidência ou à presença de um terceiro fator, os quais não são identificados.
Aqui estão algumas correlações espúrias coletadas por Tyler Vigen:
  • Número de pessoas que se afogam ao cair numa piscina x Número de filmes em que Nicolas Cage aparece
  • Idade da Miss América x Número de assassinatos através de objetos quentes e de vapores
  • Importações de petróleo bruto da Noruega x Motoristas mortos em colisões com comboios ferroviários
  • Mel produzido por colônias de abelhas x Prisões juvenis por posse de maconha
  • Gastos com ciência, tecnologia e pesquisa social x Suicídios por enforcamento, estrangulamento e sufocação

VÍDEO-AULA
O desafio das correlações espúrias

28 maio, 2014

A pensar

O melhor tempo para você pensar sobre os erros cometidos é... quando você está deitado há três horas, naquela noite em que você não consegue dormir.


Aquela resposta que você deu a seu chefe (e ele a interpretou da pior forma possível).
Aquele relatório cheio de erros que você deu encaminhamento.
Aquele papel de bobo que você fez na sala de aula.
Etc.
É definitivamente o melhor tempo para você pensar sobre coisas assim, embora não seja o mais conveniente. Se o que você realmente quer é... dormir.

22 fevereiro, 2013

O julgamento dos 7 erros

Erro 1: Considerar que o dinheiro do Fundo Visanet era público.
O dinheiro não era público; não pertencia ao Banco do Brasil (BB). Pertencia à empresa privada Visanet, controlada pela multinacional Visa Internacional, como comprovam os documentos.
Erro 2: Considerar que o Banco do Brasil colocava dinheiro na Visanet.
O BB nunca colocou dinheiro na Visanet. A multinacional Visa Internacional pagava pelas campanhas publicitárias realizadas por bancos brasileiros que vendessem a marca VISA.
Erro 3: Considerar que houve desvio de dinheiro e que as campanhas publicitárias não existiram.
Não houve desvio algum. Todas as campanhas publicitárias, com a marca VISA foram realizadas pelo BB, fiscalizadas e pagas pela Visanet. Toda a documentação pertinente encontra-se arquivada na Visanet e o STF teve acesso a ela.
Erro 4: Omitir, distorcer e falsear informações contidas em documentos.
A Procuradoria Geral da Republica falseou e omitiu informações de documentos produzidos na fase do inquérito para acusar pessoas injustamente. Exemplo: somente representantes autorizados expressamente pelo Banco do Brasil tinham acesso ao Fundo Visanet.
Erro 5: Desconsiderar e ocultar provas e documentos.
Documentos e provas produzidos na fase da ampla defesa, tais como regulamentos/contratos, pareceres jurídicos, auditorias, depoimentos prestados em juízo, foram desconsiderados e ocultados. Indícios, reportagens (em jornais, revistas, tvs), falsos testemunhos, relatórios preliminares da fase do inquérito foi o que prevaleceu para condenar.
Erro 6: Utilizar a “Teoria do Domínio Funcional do Fato” para condenar sem provas.
Bastaria ser “chefe” para ser acusado de “saber”. O próprio autor da Teoria desautorizou essa abordagem: “A posição hierárquica não fundamenta, sob nenhuma circunstância, o domínio do fato. O mero ter que saber não basta”.
Erro 7: Criar a falsa tese de que parlamentares foram pagos para aprovar leis.
Não existe prova alguma para sustentar esta tese. De qualquer forma, não faria sentido comprar votos de sete deputados, que já eram da base aliada, dentre 513 integrantes da Câmara Federal, quando 257 votos eram necessários para haver maioria simples.
"Réus foram julgados apenas em uma instância, descumprindo exigências da Constituição Federal, do Código de Processo Penal brasileiro e da Corte Interamericana de Direitos Humanos. O Supremo Tribunal Federal, ao negar o direito ao ‘duplo grau de jurisdição’, violou o Pacto de São José da Costa Rica do qual o Brasil é signatário. Houve magistrado que desempenhou duplo papel: de investigador e de juiz. Presidiu a fase de investigação e agiu como promotor de acusação sem a necessária isenção a um juiz cônscio de suas responsabilidades durante um julgamento." - Adriano Pilatti, advogado e docente na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro
“Ingenuamente alguns vibram com a ideia de um messianismo moral advindo deste processo como se a corrupção e a correlata impunidade de cinco séculos no Brasil fosse assim redimida, como num passe de mágica. No lugar da sonhada redenção, periga-se alargar a sombra do Estado sobre o pátio da liberdade, com prejuízo muito maior do que seria a própria frustração que a impunidade carreia, pois mais importante do que a expiação dos culpados é a preservação dos valores e normas que escudam a inocência e sem os quais vive-se perenemente sob o signo da ameaça.” - Félix Soilbelman, advogado.
(texto em circulação na internet)

04 fevereiro, 2013

Os erros dos especialistas

A estatística não mente: quanto maior a fama, maiores são os erros dos especialistas
Por Alceu Nader
Deve ter sido um trabalho insano, que requereu paciência chinesa, mas o sacrifício valeu a pena. Seu resumo está na edição da revista norte-americana Fortune, edição de 14 de fevereiro, p. 24, na página que fala do livro Expert Political Judgment: How Good Is It? How Can We Know?, que pode ser livremente traduzido para Julgamento Político do Especialista. Ele É Bom Mesmo? Como Nós Podemos Saber?.
O artigo da revista apresenta a obra do professor da Universidade da Califórnia em Berkeley, Philip E. Tetlock, que colheu vaticínios dos chamados especialistas publicados na imprensa, e deu-se ao trabalho, posteriormente, de conferir se as projeções corresponderam aos fatos. No total, foram esquadrinhadas 82.361 opiniões que continham números ou quantias, que, passado o tempo hábil, foram comparadas com as estatísticas reais. A conclusão do estudo do professor Tetlock é fantasmagórica: os especialistas, na realidade, não existem.
Em resumo, o estudo revela que os especialistas são tão aptos para prever o futuro quanto os leigos na matéria. "Isso não quer dizer que os especialistas não sejam diferentes de você e eu", escreve o jornalista da Fortune, Geoffrey Colvin. "Eles são diferentes. Eles são, por exemplo, muito mais confiáveis do que os que não são especialistas, embora não haja alguma razão de ser".
Mas se eles são absolutamente normais e com a mesma capacidade de antever o futuro dos seres humanos normais, por que eles existem?, pergunta a Fortune. A revista responde que essa crença deve-se à própria natureza humana. "Nós precisamos acreditar desesperadamente que o mundo não se resume a um grande jogo de dados, que todo fato tem sua razão de ser e que, portanto, pessoas mais esclarecidas podem apontar o que irá acontecer".
A segunda resposta à pergunta, continua a Fortune, afeta principalmente os meios de comunicação. "A desgraça que cai sobre os experts analisados por Tetlock é mais ou menos a mesma, sejam eles doutores ou bacharéis, não importando se têm pouca ou muita experiência ou acesso a informações privilegiadas. Há apenas uma visível diferença entre eles – a fama. Quanto mais eles são conhecidos, mais furadas são as suas previsões. E, naturalmente", reconhece o autor do artigo, "somos nós da TV, rádio, jornais, revistas e da internet que lhes concedemos a fama".
O artigo completo está aqui.

11 agosto, 2012

Erro(r)

Paulo,
Manda corrigir aí: tirar a crase do "A" e o "L" do WELCOME.
Nelson Cunha, via iPad


- Sei não. Um erro bilíngue não é todo dia que a gente encontra.

16 julho, 2012

A moça do fundo

Uma cena comum de um quarto de moças. Se não fosse um certo detalhe...
Veja a foto:


Então, deu conta da situação vexatória em que se encontra a moça do fundo? Ela aparece de costas, com a bunda à mostra.
Pois bem, agora veja a fotografia outra vez, cuidadosamente.
O que você pensou ter visto é na verdade o ombro da segunda moça (a que está tirando fotografia). E tudo não passou do resultado de uma combinação de mente suja com desatenção.
O erro que eu também cometi ao fazer o slideshow PHOTOBOMBERS.

17 abril, 2011

Sem zelo com o selo

Os Correios dos Estados Unidos imprimiram três bilhões de unidades de um selo comemorativo (imagem ao lado) da famosa Estátua da Liberdade. Mas, conforme foi revelado inicialmente pelo Linn’s Stamp News, um site dedicado à filatelia, os Correios cometeram um erro crasso.
A imagem no selo não é a da estátua original, que foi um presente da França, em 1886, e que desde então se encontra no porto de Nova York. É a de uma réplica da mesma, erguida há 14 anos, à frente de um hotel-cassino em Las Vegas.
Os Correios admitiram o engano cometido, porém vão continuar utilizando o selo em suas postagens. E nós no Blog, a divulgar a notícia sobre o tal selo, mas só nesta postagem.