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09 maio, 2019

O cigarro de palha


"Meu cigarro de palha 
Meu cavalo ligeiro
Minha rede de malha
Meu cachorro trigueiro."
(Luiz Gonzaga)

Todos os produtos do tabaco quando inalados são prejudiciais à saúde. Esta regra também se aplica ao cigarro de palha, o cigarro enrolado manualmente.
Um cigarro de palha equivale a 2-3 cigarros de papel. Como ele não tem filtro, maior quantidade de sua fumaça é tragada ao ser consumido.
A maioria das marcas do cigarro artesanalmente fabricado não segue padrões de qualidade nem de controle sanitário durante sua produção. Um levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial apontou que existem no Brasil pelo menos 18 fabricantes irregulares (12 só em Minas Gerais). Estes cigarros são geralmente feitos em locais improvisados, com equipamentos precários e sem registro na Anvisa.
Na lista da Anvisa, apenas 13 empresas no país possuem a devida autorização.

[https://globoplay.globo.com/v/7140767/programa/]
Imagem: http://guilkato.blogspot.com/2009/04/cigarro-de-palha.html

12 outubro, 2017

Colombo em Cubanakan

Sua 1ª expedição (de Cristóvão Colombo) a Cuba foi um exemplo do seu estado de espírito e de suas técnicas de exploração e, em outubro de 1492, as caravelas entraram na baía de Bariay em Cuba. Aí, os nativos que levara como intérpretes falaram com os índios locais que disseram haver muito ouro em Cubanakan (que significava média Cuba).
Colombo se convenceu de que eles disseram "El Gran Can" (o Grande Khan) e, imediatamente, mandou uma embaixada ao encontro desse oriental. Um sábio que falava árabe foi encarregado de chefiar a embaixada, acompanhado de um marinheiro que anos antes encontrara um rei africano na Guiné e, por isso, deveria saber lidar com a realeza exótica.
Levaram equipamento diplomático como passaporte latino, uma carta dos Reis Católicos para Sua Majestade Chinesa e um presente valioso para o Grande Khan, além de contas de vidro e bugigangas a fim de comprarem comida no caminho. Mas, encontraram apenas 50 cabanas com telhados de palmeiras, onde o cacique local banqueteou-os como a mensageiros do céu e as pessoas beijaram-lhes os pés. Mas não obtiveram notícia alguma do Grande Khan.
Regressando ao porto, os dois embaixadores de Colombo tiveram um encontro com um grupo de índios a pé com um tição na mão e ervas para fumarem. O comprido charuto era aceso a cada parada e, depois de passado de mão em mão, cada membro do grupo inalava a fumaça, constituindo-se no primeiro registro existente do encontro dos europeus com o tabaco.
Entretanto, no porto, Colombo estudava os números para confirmar sua convicção de que Cuba era a província referida por Marco Polo e, por isso, ocupava seus momentos livres colhendo espécimes botânicos que julgava só poderem ser encontrados na Ásia.

Leia mais em: www.webartigos.com/artigos/india-um-paraiso-achado-e-perdido-por-colombo

CUBANAKAN (COUBANAKAN), de Moisés Simon e Sauvat-Chamfleury
com Emilinha Borba (port.) e Ney Matogrosso (esp.)


12/10/1492 - Descobrimento da América
Doze de Outubro
O Ovo de Colombo
Colombo e o cristianismo: você sabia?

24 fevereiro, 2014

Lagartas usam a nicotina para repelir predadores

aranha x lagarta
Por que se preocupar em fazer o seu próprio veneno quando você pode simplesmente redirecionar o veneno do alimento que você come?
Essa é, pelo menos, a estratégia poupadora de energia que muitas lagartas usam de forma eficiente. As plantas contêm muitos tipos de defesas químicas desagradáveis, e as lagartas adaptadas para lidar com estes venenos prontamente os utiliza para manter as aves, as formigas a as aranhas afastadas.
A nicotina, também, é um desses produtos químicos potentes. Em animais não adaptados para lidar com ela, a nicotina causa estragos em um receptor que medeia o controle neuromuscular.
A lagarta do tabaco, no entanto, congratula-se com o referido veneno. Esta pequena lagarta verde faz a festa em folhas que contêm nicotina em níveis que matariam outros animais.

blogs.smithsonianmag.com/science

28 outubro, 2011

A nicotina vicia?


Para James Johnston, da R.J. Reynolds, Joseph Taddeo, da U.S. Tobacco, Andrew Tisch, da Lorillard, William Campbell, da Philip Morris, Edward A. Horrigan, do Liggett Group, Donald S. Johnston, da American Tobacco Company, Thomas E. Sandefur Jr., presidente da Brown and Williamson Tobacco Company, a nicotina não vicia.
Atestaram assim perante o Congresso dos EUA e, por suas inabaláveis convicções, tornaram-se os ganhadores do Prêmio Ig Nobel de Medicina de 1996.

26 maio, 2011

O uso do narguilé

Atendi recentemente uma senhora de 56 anos, professora, com queixas de febrícula, tosse, escarros claros e chiados no peito. Estes sintomas duravam há 10 dias e a paciente já tinha tomado um antibiótico (levofloxacina) por uma semana, oralmente, sem obter resposta satisfatória. Não fumava cigarros, mas vinha usando o narguilé nos últimos tempos. O exame físico do aparelho não mostrava alterações. Uma radiografia de tórax, feita no início da doença, mostrava um tênue infiltrado na base pulmonar direita. Orientada a não usar o narguilé, a paciente recebeu uma prescrição de corticoide oral (prednisona), por 5 dias, sequenciado por corticoide inalatório (miflasona), além de sessões de aerossolterapia com fenoterol associado a ipratrópio. Retornou ao ambulatório um mês após sem queixas respiratórias e com uma radiografia de tórax normal.
O relato deste caso isolado não é suficiente para afirmar que o consumo de narguilé tenha sido a causa do problema apresentado pela paciente. Mas não vou dar o "benefício da dúvida" a esta forma alternativa de tabagismo, posto que ele também ocasiona doenças. A propósito, transcrevo a seguir um trecho do artigo Formas não habituais do uso do tabaco, do Dr. Carlos Alberto de Assis Viegas, publicado em dezembro de 2008 no Jornal Brasileito de Pneumologia.


Ilustração
A Lagarta Azul fumando um narguilé.
A Lagarta Azul é uma personagem do livro Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, que trava um diálogo com Alice (nos capítulos 4 e 5 do livro), em sua trajetória por um mundo fantástico, e ajuda a menina a resolver um de seus problemas.

Narguilé
"O narguilé também é conhecido por diferentes nomes como cachimbo d'água, water pipe, argileh, goza, hookah, shisha etc. Existem sugestões de que o narguilé teve sua origem na Índia e que tem sido utilizado extensivamente por mais de 400 anos. Atualmente seu uso é mais comum na Península Arábica, Turquia, Índia, Bangladesh e Paquistão. Porém, nos últimos anos, tem-se observado um verdadeiro renascimento de seu uso, principalmente entre jovens, inclusive em países ocidentais. Acredita-se que, atualmente, no mundo mais de 100 milhões de pessoas usem narguilé diariamente, sendo inclusive mais prevalente que o uso de cigarros em algumas partes do mundo. A prevalência de seu uso é bastante variável nas diferentes regiões, como, por exemplo, no Líbano, onde 14,6% dos adultos, 25% das grávidas e de 32% dos jovens universitários o utilizam regularmente. Em um recente inquérito realizado na Síria, demonstrou-se que, entre universitários, 62,6% dos homens e 29,8% das mulheres já haviam fumado narguilé alguma vez na vida e que 25,5% dos homens e 4,9% das mulheres o faziam de forma habitual.
Em alguns países europeus, assim como no Brasil, também tem havido um ressurgimento do uso do narguilé. Nos Estados Unidos já existem diversos bares especializados em seu consumo, especialmente em Nova York e Los Angeles.
A composição do tabaco usado para esta modalidade de consumo não é padronizada e seu conteúdo de nicotina é estimado entre 2% e 4%, em comparação com 1-3% do tabaco usado para cigarros. De forma semelhante, o monóxido de carbono está presente em maior percentual na fumaça do narguilé do que na do cigarro, inclusive acrescido também pela queima do carvão usado naquela modalidade. Em uma análise da fumaça originária da corrente primaria do narguilé, encontraram-se quantidades significativas de nicotina, alcatrão e metais pesados, além de arsênio, benzopireno, níquel, cobalto, berílio, cromo e chumbo, em quantidades maiores do que na fumaça de cigarro.
Outro dado que deve ser lembrado é que uma sessão de narguilé expõe o fumante a mais fumaça por um período mais longo do que ocorre quando se fuma cigarros. Os fumantes de um cigarro habitualmente inalam entre 8 e 12 baforadas de fumaça com 40-75 mL cada, em 5-7 min, inalando de 0,5-0,6 L de fumaça por cigarro. Por outro lado, uma sessão de narguilé habitualmente dura 20-80 min ou mais, durante a qual o fumante inala 50-200 baforadas num total de 0,5-1,0 L de fumaça. Desta forma, o fumante de narguilé deve inalar, em uma sessão, a mesma quantidade de fumaça que um fumante de cigarros inalaria se consumisse 100 ou mais cigarros.
Salientamos que a água usada no narguilé absorve pouco da nicotina (cerca de 5%), fazendo com que os fumantes sejam expostos a quantidades suficientes para que a droga cause dependência. Como a quantidade de nicotina inalada é um importante regulador da quantidade de tabaco fumado, resulta que os fumantes precisam inalar maiores quantidades de fumaça, ficando assim expostos a maiores quantidades de substancias cancerígenas e gases nocivos. Isto faz com que os fumantes de narguilé e seus fumantes passivos estejam em risco para as mesmas doenças causadas pelo ato de fumar cigarros, como câncer, doenças cardíacas, doenças respiratórias e efeitos adversos durante a gravidez."

03 março, 2010

Não foi uma boa ideia - 2

A recente campanha publicitária promovida pela ONG francesa Droits de non-fumeurs (Direitos dos não-fumantes). Com o slogan Fumer c'est être l'esclave du tabac (Fumar é ser escravo do tabaco), cartazes de divulgação da campanha (imagem) insinuavam a prática de sexo oral por adolescentes em adultos. Criticada essa insinuação por diversas entidades e pela agência de autorregulamentação da publicidade na França, a ONG decidiu restringir a distribuição dos cartazes a pontos específicos como bares e discotecas.

23 julho, 2009

A fumigação em seres humanos

A fumigação, que é o ato de expor a fumaças um determinado ambiente com o propósito de desinfetá-lo, numa certa época foi também aplicada em seres humanos. A partir de 1745, quando o médico inglês Richard Mead passou a recomendar o uso de enemas à base de fumaças do tabaco no tratamento das vítimas de afogamento, até o ano de 1835, quando esses fumigatórios entraram em descrédito na medicina.
Richard Mead, que aprendera essa prática com os índios norte-americanos, e outros médicos de sua época acreditavam que a fumaça, ao ser aplicada por via retal, graças ao calor e à presença da nicotina (cujas propriedades estimulantes já eram conhecidas), tinha a capacidade de ressuscitar as pessoas afogadas do estado de morte aparente. A esta indicação, posteriormente, outras foram sendo acrescentadas, como as indicações de usá-la na constipação, no cólera e nas convulsões.
Também se empregava o enema de fumaça com o objetivo de determinar se um paciente ainda se encontrava vivo. Com a reação do paciente ao fumigatório sendo interpretada como sinal de vida.
Obviamente, não há qualquer evidência científica que, en qualquer ocasião, autorize o emprego da fumigação per anum. E nas vítimas de afogamento, a utilização dessa prática, ao tirar de foco as medidas de reanimação cardiorrespiratória (que são insubstituíveis), pode ainda se mostrar terrivelmente danosa.
E, como vestígios dessa prática bizarra, restou apenas a expressão to blow smoke up one's ass, ainda em voga na língua inglesa.

Exemplo de um dispositivo (dos mais simples) usado na fumigação

Texto dedicado ao jornalista Nonato Albuquerque que, após trazer à baila o assunto em Antena Paranóica, solicitou a opinião deste escriba. PGCS