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05 outubro, 2020
Ouvido de tuberculoso
"Fulano tem ouvido de tuberculoso."
Ter ouvido de tuberculoso é um ditado popular muito comum no Brasil, (1) usado para se referir a alguém que escuta muito bem, ou seja, que tem uma audição bastante apurada.
Ao contrário do que muitos pensam, a tuberculose não aumenta a audição dos doentes, mas pode fazer o contrário. Em alguns casos, como a meningite tuberculosa, a pessoa corre o risco de perder a capacidade de ouvir. (2)
Origem da expressão "ouvido de tuberculoso"
Existem duas prováveis origens para a expressão ouvido de tuberculoso, sendo que ambas datam da primeira metade do século XX (por volta da década de 1940).
Pelo fato de a tuberculose ser uma doença letal e muito contagiosa, por vários anos os seus portadores buscavam o sigilo absoluto sobre o assunto. (3) Por receio de ouvir comentários suspeitos de pessoas próximas, criou-se a ideia de que os tuberculosos estão sempre atentos aos cochichos e conversas alheias.
Por este motivo é comum falar que os fofoqueiros - pessoas intrometidas e que ficam constantemente atentas às conversas das outras pessoas - têm ouvido de tuberculoso.
Outra explicação para a origem desta expressão popular é que antigamente, devido a pouca eficácia dos tratamentos para a doença, os tuberculosos eram isolados, seja em casa ou nos sanatórios. Por este motivo, acabavam por estar em locais mais silenciosos e sossegados, ou seja, sem muito barulho. Assim, estavam sempre atentos aos mais ínfimos ruídos.
N. do E.
(1) Estranho. Atuando como tisiopneumologista há 48 anos eu nunca testemunhei alguém utilizar-se desta expressão ou ditado.
(2) Além de ser uma das sequelas da meningite tuberculosa, a perda ou diminuição da audição poderia ser causada pelo uso prolongado da estreptomicina. Injeções diárias deste antibiótico (que pode ocasionar a surdez por seus efeitos ototóxicos) eram aplicadas por três meses em pacientes tuberculosos que seguiam o esquema SM+INH+PAS.
(3) A propósito, ler: O CHIQUINHO DA CADEIA NA VIDA DO COMPOSITOR LAURO MAIA.
Bom para o DBF.
17 janeiro, 2019
Luz, mais luz
Em 1993, uma manchete no National Enquior zombou da National Science Foundation (Fundação Nacional da Ciência) por financiar o professor Jonathon Copeland, da Geórgia do Sul, em seus estudos com os vagalumes (*) em Bornéu.
- Não é uma ideia brilhante.
O tabloide atribuía a frase acima a um representante republicano de Wisconsin.
Ironicamente, na mesma semana em que este artigo foi publicado, apareceu outro artigo na revista Time relatando que os médicos estavam usando a luciferase, a enzima responsável pela bioluminescência dos insetos lampirídeos, em testes de resistência a drogas por cepas do bacilo da tuberculose.
Vagalume ou vaga-lume?
Ler: https://dicionarioegramatica.com.br/tag/vagalume-ou-vaga-lume/
Os vagalumes, pela beleza e pelos fachos de luz que carregam proporcionando deslumbramento em locais mais escuros onde a natureza ainda impera, não deveriam ter hífen. Os vagalumes vagam acima da nova ortografia luso-brasileira. Comentário de um leitor do blog Nova Ortografia, de Gabriel Perissé.
(*) Numa edição revista e ampliada desta nota talvez eu escolha a opção "pirilampos". N. do E.
05 julho, 2018
O doente e a entrevista imaginários
O hipocondríaco Argan
Da biografia de Molière (1622-1673), um dos mais marcantes momentos foi sua morte, que se tornou lenda.
É dito que ele morreu em 17 de janeiro de 1673, aos cinquenta e um anos, durante a encenação de uma comédia de sua autoria, ironicamente intitulada, Malade Imaginaire (O doente imaginário), em que representava o papel principal. Na verdade, Molière apenas desmaiou no palco, ou melhor, tuberculoso, teve um ataque de hemoptise, expectoração sanguinolenta através da tosse, em cena aberta. Molière, porém, insistiu em terminar seu desempenho. Mas, em seguida, desabou de novo. O público imaginou tratar-se apenas de mais uma interpretação brilhante do grande ator e aplaudiu estrondosamente, enquanto Molière se curvava de sofrimento e perdia sangue pela boca. Depois de o pano cair, Molière foi levado agonizante para a sua casa de Paris, morrendo horas mais tarde, sem tomar os sacramentos já que dois padres se recusaram a dar-lhe a última visita, e o terceiro já chegou tarde. No momento de sua morte, Molière estava vestido de amarelo, o que gerou a superstição de que esta cor traz má sorte para os atores.
Para piorar as coisas, os atores (comediantes) da época não podiam, por lei, serem sepultados no solo sagrado de um cemitério, já que o clero considerava a profissão como mera "representação do falso". No entanto, a viúva de Molière, Armande, pede a Luís XIV que interceda em favor de seu cônjuge para que lhe seja permitido um funeral normal. O rei consegue obter do arcebispo a autorização para que o enterrem, durante a noite, na parte do cemitério reservado para crianças não batizadas.
Em 1792, os seus restos mortais são levados para o Museu dos Monumentos Franceses e, em 1817, transferidos para o cemitério do Père Lachaise, em Paris, ao lado da sepultura de La Fontaine.
Pensamentos mortais de Jean Molière
"A morte é o remédio para todos os males, mas só devemos utilizá-lo na última hora."
"Morre-se apenas uma vez, mas por tanto tempo!"
"Eu prefiro viver dois dias na terra do que mil anos na história."
"Morreu de quatro médicos e dois farmacêuticos."
"Aqui jaz o rei dos atores. Neste momento se faz de morto e o faz muito bem."
P — Em 1957, você atuou na peça "Perdoa-me por Me Traíres", de sua autoria. Não teve medo de passar vergonha por não ser um ator profissional?
Nelson Rodrigues — Absolutamente. E digo mais: só os imbecis têm medo do ridículo. Considero um soturno pobre-diabo o sujeito que não consegue ser ridículo de vez em quando. Além do mais, o ator possui uma técnica, uma tarimba, um charme, que o envaidecem. Ao morrer em cena, não conseguem esconder sua satisfação ilimitada de estar morrendo tão bem. Não lhe ocorre que o personagem morreria mal, morreria pessimamente.
Da biografia de Molière (1622-1673), um dos mais marcantes momentos foi sua morte, que se tornou lenda.
É dito que ele morreu em 17 de janeiro de 1673, aos cinquenta e um anos, durante a encenação de uma comédia de sua autoria, ironicamente intitulada, Malade Imaginaire (O doente imaginário), em que representava o papel principal. Na verdade, Molière apenas desmaiou no palco, ou melhor, tuberculoso, teve um ataque de hemoptise, expectoração sanguinolenta através da tosse, em cena aberta. Molière, porém, insistiu em terminar seu desempenho. Mas, em seguida, desabou de novo. O público imaginou tratar-se apenas de mais uma interpretação brilhante do grande ator e aplaudiu estrondosamente, enquanto Molière se curvava de sofrimento e perdia sangue pela boca. Depois de o pano cair, Molière foi levado agonizante para a sua casa de Paris, morrendo horas mais tarde, sem tomar os sacramentos já que dois padres se recusaram a dar-lhe a última visita, e o terceiro já chegou tarde. No momento de sua morte, Molière estava vestido de amarelo, o que gerou a superstição de que esta cor traz má sorte para os atores.
Para piorar as coisas, os atores (comediantes) da época não podiam, por lei, serem sepultados no solo sagrado de um cemitério, já que o clero considerava a profissão como mera "representação do falso". No entanto, a viúva de Molière, Armande, pede a Luís XIV que interceda em favor de seu cônjuge para que lhe seja permitido um funeral normal. O rei consegue obter do arcebispo a autorização para que o enterrem, durante a noite, na parte do cemitério reservado para crianças não batizadas.
Em 1792, os seus restos mortais são levados para o Museu dos Monumentos Franceses e, em 1817, transferidos para o cemitério do Père Lachaise, em Paris, ao lado da sepultura de La Fontaine.
MOLIÈRE: A MORTE NO PALCO
Crédito a Ricardo Sérgio, Recanto das Letras
Crédito a Ricardo Sérgio, Recanto das Letras
Pensamentos mortais de Jean Molière
"A morte é o remédio para todos os males, mas só devemos utilizá-lo na última hora."
"Morre-se apenas uma vez, mas por tanto tempo!"
"Eu prefiro viver dois dias na terra do que mil anos na história."
"Morreu de quatro médicos e dois farmacêuticos."
"Aqui jaz o rei dos atores. Neste momento se faz de morto e o faz muito bem."
Blog EM e outros sites
P — Em 1957, você atuou na peça "Perdoa-me por Me Traíres", de sua autoria. Não teve medo de passar vergonha por não ser um ator profissional?
Nelson Rodrigues — Absolutamente. E digo mais: só os imbecis têm medo do ridículo. Considero um soturno pobre-diabo o sujeito que não consegue ser ridículo de vez em quando. Além do mais, o ator possui uma técnica, uma tarimba, um charme, que o envaidecem. Ao morrer em cena, não conseguem esconder sua satisfação ilimitada de estar morrendo tão bem. Não lhe ocorre que o personagem morreria mal, morreria pessimamente.
OS CRETINOS FUNDAMENTAIS DESPREZAM O BRASIL
Crédito a Bruno Hoffmann, Mais Brasil
29 abril, 2017
Harry Clarke, artista do vitral e ilustrador
O artista do vitral e ilustrador Harry Clarke era prolífico, tendo produzido em sua curta vida mais de uma centena de vitrais. Suas ilustrações, para além da Irlanda, ganharam fama internacional, particularmente nos Estados Unidos, onde impressoras inundavam o mercado com edições piratas dos seis livros ilustrados que ele produziu entre 1915 e 1931.Sua edição ilustrada de Tales of Mystery and Imagination, de Edgar Allan Poe, uma exploração macabra da psique humana, publicada por George G. Harrap, Londres, em 1919 e reeditada em 1923, foi a sua obra mais popular.
Em vários de seus trabalhos, ele incluía o próprio rosto. Um de seus autorretratos mais marcantes foi Mephisto, de 1914 (produzido uma década antes de ilustrar o Fausto, de Goethe), em que Clarke aparece, como Mefistófeles, com um copo de absinto sedutoramente na mão.
Ele morreu de tuberculose em 1931. Seu último trabalho, Juízo Final, para a janela de uma igreja em Newport, County Mayo, foi concluído por operários qualificados em seu estúdio e que se orientaram por desenhos e esquema de cores deixados por Clarke.
http://publicdomainreview.org/2016/10/12/harry-clarkes-looking-glass/
Ver também: Absinto muito
03 outubro, 2013
Quando se tratava a tuberculose com a respiração das vacas
Em 1793, o cientista britânico Thomas Beddoes estava com a ideia fixa de que a inalação de diferentes gases, como o oxigênio, o dióxido de carbono e o hidrogênio, curaria a tuberculose e uma série de outras doenças, como a asma, a escrófula, o diabetes, a paralisia e o tifo.
Ele estava convencido de que a sua terapia revolucionária transformaria a vida humana e que, mais cedo ou mais tarde, cada residência teria um pequeno dispositivo para a produção desses gases necessários e benéficos para a saúde.
Em seus estudos, Beddoes encontrou que os açougueiros eram menos propensos à tuberculose, e concluiu que isso deveria ter algo a ver com as vacas, assim como com os vapores e os gases que existiam nos estábulos e matadouros.
Sua ideia era clara: Seria benéfico para os pacientes com tuberculose pulmonar as emanações de um estábulo.
Dito e feito. Transferiu vários pacientes de sua clínica em Bristol para um prédio ao lado de um estábulo, onde as vacas metiam as cabeças através de uma cortina nos quartos dos doentes, para que estes pudessem recebessem o alento delas.
Beddoes estava tão entusiasmado com o seu projeto, que o reforçou com a ideia de que, além de tudo, as vacas proporcionavam um maravilhoso e benéfico aquecimento central para as "enfermarias".
Nem é preciso dizer que os resultados não foram os esperados, e que o nosso excêntrico cientista virou alvo de todos os tipos de chacotas.
Extraído de Cuando se trataba la tuberculosis con el aliento de las vacas (1793), por Guillermo. In: La Aldea Irreductible
Ele estava convencido de que a sua terapia revolucionária transformaria a vida humana e que, mais cedo ou mais tarde, cada residência teria um pequeno dispositivo para a produção desses gases necessários e benéficos para a saúde.
Em seus estudos, Beddoes encontrou que os açougueiros eram menos propensos à tuberculose, e concluiu que isso deveria ter algo a ver com as vacas, assim como com os vapores e os gases que existiam nos estábulos e matadouros.
Sua ideia era clara: Seria benéfico para os pacientes com tuberculose pulmonar as emanações de um estábulo.
Dito e feito. Transferiu vários pacientes de sua clínica em Bristol para um prédio ao lado de um estábulo, onde as vacas metiam as cabeças através de uma cortina nos quartos dos doentes, para que estes pudessem recebessem o alento delas.
Beddoes estava tão entusiasmado com o seu projeto, que o reforçou com a ideia de que, além de tudo, as vacas proporcionavam um maravilhoso e benéfico aquecimento central para as "enfermarias".
Nem é preciso dizer que os resultados não foram os esperados, e que o nosso excêntrico cientista virou alvo de todos os tipos de chacotas.
Extraído de Cuando se trataba la tuberculosis con el aliento de las vacas (1793), por Guillermo. In: La Aldea Irreductible
20 outubro, 2010
O sanatório voador
No início do século XX, apesar de já ser conhecido o bacilo da tuberculose (Robert Koch, 1882), a luta contra a tuberculose ainda era uma obsessão da comunidade científica.
Naquela época, as medidas de tratamento da doença à disposição dos médicos eram insatisfatórias. E a internação dos enfermos em sanatórios, geralmente localizados em regiões de clima tido como favorável para a cura da doença, era a mais popular delas.
O objetivo desses sanatórios era isolar os doentes, para quebrar a cadeia de transmissão da doença, enquanto lhes oferecia um ambiente de repouso, dieta, ar fresco e luz solar.
Nesse contexto, em 1930, o renomado engenheiro Karl Arnstein, que já havia projetado mais de cem modelos de dirigíveis, idealizou este imenso sanatório voador (na imagem) destinado ao tratamento dos pacientes tuberculosos.

Naquela época, as medidas de tratamento da doença à disposição dos médicos eram insatisfatórias. E a internação dos enfermos em sanatórios, geralmente localizados em regiões de clima tido como favorável para a cura da doença, era a mais popular delas.
O objetivo desses sanatórios era isolar os doentes, para quebrar a cadeia de transmissão da doença, enquanto lhes oferecia um ambiente de repouso, dieta, ar fresco e luz solar.
Nesse contexto, em 1930, o renomado engenheiro Karl Arnstein, que já havia projetado mais de cem modelos de dirigíveis, idealizou este imenso sanatório voador (na imagem) destinado ao tratamento dos pacientes tuberculosos.

Ler a nota inteira no Acta Pulmonale (postagem 219).
29 julho, 2010
Abstrações
Nos campos de um microscópio, os germes da tuberculose apresentam-se, ao esfregaço do escarro corado pela técnica de Ziehl-Neelsen, como traços e vírgulas em meio a um emaranhado de trabéculas de fibrina e mucina. O que fez com que o pneumologista José Rosemberg comparasse uma cena microscópica do referido exame com uma tela abstrata (imagem abaixo) do pintor norte-americano Jackson Pollock.
09 julho, 2009
O papel do granuloma na tuberculose
Amigo ou inimigo?
Granulomas são aglomerados celulares que se formam em tecidos do corpo humano como defesa a alguns tipos de infecção. Por muito tempo, aceitou-se a idéia de que o granuloma foi a forma que, com relação a essas infecções, o hospedeiro encontrou para contê-las. Como supostamente acontece na tuberculose, cuja lesão básica é também o granuloma (que tem características próprias que permitem identificar a infecção tuberculosa nos tecidos), por exemplo.
A grande maioria das pessoas infectadas pelo M. tuberculosis, o agente da tuberculose, não apresentará os sintomas da enfermidade. E cerca de 90% delas jamais adoecerão de tuberculose. Porque os granulomas (que não se formam nas pessoas com graves problemas imunitários) circunscreverão a doença localmente, evitando que ela se dissemine no corpo.
Entretanto, um trabalho de pesquisa de Davis e Ramakrishnan, publicado em "The New England Journal of Medicine" (06/06/2009), deixa sob controvérsias o aspecto "amigo" do granuloma. Por atribuirem a macrófagos (células de defesa presentes no granuloma), quando infectados pelo germe da tuberculose, o papel de nicho que responde pela continuidade da doença.

As pesquisas desses autores foram realizadas com o M. marinum em embriões do peixe-zebra (imagem). Se, por um lado, o modelo pode guardar diferenças (agente e hospedeiro são outros) com relação ao da tuberculose no ser humano, por outro, possibilitou aos pesquisadores o acompanhamento - "em tempo real" - dos vários momentos do processo infeccioso. É que os embriões do peixe-zebra são transparentes (PGCS).
Referências (em inglês)
www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed
02 outubro, 2008
Ao ar livre
-
Este concerto que a lendária Sousa Orchestra deu para o entretenimento dos enfermos tuberculosos do Saskatoon San, um sanatório canadense.
A fotografia do evento (reproduzida acima) foi feita em setembro de 1927 e pertence ao www.lung.ca cujo acervo sobre a chamada Era dos Sanatórios é dos melhores.

Este concerto que a lendária Sousa Orchestra deu para o entretenimento dos enfermos tuberculosos do Saskatoon San, um sanatório canadense.
A fotografia do evento (reproduzida acima) foi feita em setembro de 1927 e pertence ao www.lung.ca cujo acervo sobre a chamada Era dos Sanatórios é dos melhores.
05 agosto, 2008
Tuberculose pulmonar inativa
Oi, Dr. Paulo: Tudo bom?
Estava pesquisando alguma informação sobre tuberculose na internet quando achei seu blog. Estou atualmente no Canadá passando uns meses com minha filha que já está morando aqui há um ano. A questão é que para permanecer mais tempo nesse país precisei me submeter ao raio X. Por causa de uma pequena cicatriz no pulmão os médicos canadenses estão achando que estou com tuberculose inativa e querem fazer acompanhamento médico comigo.
Estava pesquisando alguma informação sobre tuberculose na internet quando achei seu blog. Estou atualmente no Canadá passando uns meses com minha filha que já está morando aqui há um ano. A questão é que para permanecer mais tempo nesse país precisei me submeter ao raio X. Por causa de uma pequena cicatriz no pulmão os médicos canadenses estão achando que estou com tuberculose inativa e querem fazer acompanhamento médico comigo.
Esta é uma situação clínica muito observada no Brasil onde a tuberculose ainda é uma doença com importante prevalência.
Exemplifica-se pela pessoa que, ao fazer uma radiografia de tórax, descobre ser portadora de lesões sugestivas de tuberculose pulmonar. No entanto, ela não se queixa de sintomas.
Nos antecedentes clínicos desta pessoa, poderá constar a informação de uma tuberculose pulmonar que já foi tratada. Como poderá nada constar a respeito, já que a tuberculose pode haver cursado com poucos sintomas (confundindo-se com uma gripe) e pode também haver curado espontaneamente.
É bastante comum que esta doença, após a cura espontânea ou pelo tratamento, deixe lesões residuais permanentes no pulmão.
Encontrando-se a pessoa sem sintomas e sendo comparadas as lesões observadas na radiografia atual com aquelas que estão presentes nas radiografias anteriores (caso a pessoa disponha delas) é que poderá se falar em tuberculose pulmonar inativa. Na hipótese de que essas lesões, consideradas sugestivas de tuberculose, estejam se mostrando realmente estáveis ao longo do tempo.
Não havendo, porém, radiografias anteriores disponíveis, as lesões são a priori consideradas de origem recente. Outras causas possíveis para as lesões pulmonares, além da tuberculose, precisam ser investigadas através da tomografia computadorizada do tórax, broncoscopia e outros exames. Só então, após excluídas as demais causas, é que se tornará a falar em tuberculose - e de atividade a ser determinada. Pois aqui se necessitará de controles radiológicos periódicos até o médico assistente estar convencido da estabilidade das lesões pulmonares.
A qualquer tempo, se a pessoa passar a apresentar sintomas respiratórios, como tosse e expectoração, e mesmo sintomas gerais, deverá ser clinicamente reavaliada. Sendo indispensáveis, que se atualize a radiografia de tórax e que se coletem duas ou três amostras de escarro para as baciloscopias, inclusive para a cultura relacionada ao bacilo de Koch (BK).
Constatando-se a presença do BK em secreções respiratórias, a tuberculose passará a ser considerada ativa e a pessoa deverá se submeter ao tratamento específico. Sob o qual, muito antes de sua conclusão, a enfermidade perderá o poder infectante.
Mas, não se encontrando na condição atual de doente, esse tratamento torna-se desnecessário. Nem a pessoa, enquanto assim permanecer, representa um problema sanitário para a coletividade.
24 março, 2008
Dia Mundial de Luta contra a Tuberculose
Escolheu-se 24 de março para ser o Dia Mundial de Luta Contra a Tuberculose. Uma data a ser trabalhada, em escala mundial, na conscientização e mobilização das pessoas sobre a questão da tuberculose. Uma doença que permanece como um dos grandes problemas de saúde pública, principalmente nos países do terceiro mundo. 
Foi nessa data, em 1882, que Robert Koch anunciou para a comunidade científica a descoberta do bacilo da tuberculose. Na época, a doença era responsável por uma em cada sete mortes que aconteciam no continente europeu. E o cientista alemão Koch, ao identificar o bacilo da tuberculose, abriu o caminho para o diagnóstico e o tratamento efetivo da enfermidade.
Tuberculose no Brasil
Eis alguns de seus números no País:
- 60 milhões de pessoas infectadas.
- 90 mil casos notificados por ano (para uma estimativa de 116 mil casos por ano, o que pode inclusive estar a indicar falhas no diagnóstico e dificuldades de acesso da população ao sistema de saúde).
- 8 por cento de abandono de tratamento no País (há cidades em que esse abandono ultrapassa os 30 por cento).
- 6 mil mortes por ano.
Foi nessa data, em 1882, que Robert Koch anunciou para a comunidade científica a descoberta do bacilo da tuberculose. Na época, a doença era responsável por uma em cada sete mortes que aconteciam no continente europeu. E o cientista alemão Koch, ao identificar o bacilo da tuberculose, abriu o caminho para o diagnóstico e o tratamento efetivo da enfermidade.
Tuberculose no Brasil
Eis alguns de seus números no País:
- 60 milhões de pessoas infectadas.
- 90 mil casos notificados por ano (para uma estimativa de 116 mil casos por ano, o que pode inclusive estar a indicar falhas no diagnóstico e dificuldades de acesso da população ao sistema de saúde).
- 8 por cento de abandono de tratamento no País (há cidades em que esse abandono ultrapassa os 30 por cento).
- 6 mil mortes por ano.
14 janeiro, 2008
PPD e tuberculose
Tenho publicado no Scribd o material de apresentação de algumas de minhas palestras. Foi, no referido website, que uma leitora me formulou a seguinte pergunta:
“Meu primo de oito anos fez um exame de PPD que deu o resultado de 15 mm. Ele está com tuberculose?”
PPD são as iniciais de uma expressão inglesa que significa “derivado protéico purificado”. Referente a um material antigênico, obtido a partir de bacilos da tuberculose, o qual tem utilização em medicina para identificar os indivíduos que já foram ou estão sendo infectados por esta espécie de bacilo. Trata-se, portanto, de um teste.
Através de uma seringa, esse material é injetado na pele do indivíduo a ser testado, em nível intradérmico. Três dias após, é feita a medida do maior diâmetro alcançado na área de endurecimento que se forma na pele.
São estes os resultados possíveis para o teste:
0 a 4 milímetros = não reator
5 a 9 milímetros = reator fraco
10 ou mais milímetros = reator forte
E são estas as respectivas interpretações:
Não reator: o indivíduo é não infectado (ou é portador de um estado imunológico que impede de reagir ao teste como acontece em doentes de AIDS, por exemplo).
Reator fraco: o indivíduo foi infectado por outras micobactérias (que não causam a tuberculose) ou foi vacinado pelo BCG, não recentemente.
Reator forte: o indivíduo já foi infectado, podendo ou não estar doente de tuberculose, ou foi vacinado pelo BCG, recentemente.
Na situação de reator forte, ressalvando-se a influência do BCG tomado recentemente, interpreta-se que o indivíduo testado passou pela experiência da infecção tuberculosa. Como já tem acontecido a mais de 50 milhões de brasileiros da atual população do país, sem que isto signifique a ocorrência da doença. Em 95 por cento dos casos, a previsão é de que estes indivíduos já infectados não evoluam para a enfermidade (em crianças, este aspecto evolutivo “benigno” é menor).
No entanto, cerca de 100 mil brasileiros adoecem a cada ano de tuberculose. São aqueles que passam a apresentar os sintomas relacionados com esta doença: tosse, expectoração, febre, anorexia, emagrecimento etc. Nos quais, para a tuberculose ser confirmada, haverá a necessidade da realização de exames complementares, como baciloscopia e cultura de amostras de escarro e de lavado brônquico, histopatologia de tecidos biopsiados e outros exames. Em crianças, pela dificuldade na obtenção de material para tais exames, muitas vezes o diagnóstico será feito por história de contato com adulto tuberculoso, situação de reator forte (em não vacinado pelo BCG), quadro clínico compatível e imagens radiológicas sugestivas para tuberculose.
É recomendação do Ministério da Saúde do Brasil que se proceda a quimioprofilaxia pela isoniazida, durante 6 meses, na criança com idade inferior a 15 anos e que também se encontre em todas as seguintes condições:
- reatora forte ao PPD;
- não vacinada pelo BCG;
- contatante de paciente tuberculoso eliminador de bacilos;
- não doente.
Esta última exigência é muito importante que seja atendida, pois se a criança estiver doente a conduta correta será o tratamento pelo esquema padronizado.
PS >
As informações prestadas nesta nota não dispensam ser a criança consultada pelo médico.
“Meu primo de oito anos fez um exame de PPD que deu o resultado de 15 mm. Ele está com tuberculose?”
PPD são as iniciais de uma expressão inglesa que significa “derivado protéico purificado”. Referente a um material antigênico, obtido a partir de bacilos da tuberculose, o qual tem utilização em medicina para identificar os indivíduos que já foram ou estão sendo infectados por esta espécie de bacilo. Trata-se, portanto, de um teste.
Através de uma seringa, esse material é injetado na pele do indivíduo a ser testado, em nível intradérmico. Três dias após, é feita a medida do maior diâmetro alcançado na área de endurecimento que se forma na pele.
São estes os resultados possíveis para o teste:

0 a 4 milímetros = não reator
5 a 9 milímetros = reator fraco
10 ou mais milímetros = reator forte
E são estas as respectivas interpretações:
Não reator: o indivíduo é não infectado (ou é portador de um estado imunológico que impede de reagir ao teste como acontece em doentes de AIDS, por exemplo).
Reator fraco: o indivíduo foi infectado por outras micobactérias (que não causam a tuberculose) ou foi vacinado pelo BCG, não recentemente.
Reator forte: o indivíduo já foi infectado, podendo ou não estar doente de tuberculose, ou foi vacinado pelo BCG, recentemente.
Na situação de reator forte, ressalvando-se a influência do BCG tomado recentemente, interpreta-se que o indivíduo testado passou pela experiência da infecção tuberculosa. Como já tem acontecido a mais de 50 milhões de brasileiros da atual população do país, sem que isto signifique a ocorrência da doença. Em 95 por cento dos casos, a previsão é de que estes indivíduos já infectados não evoluam para a enfermidade (em crianças, este aspecto evolutivo “benigno” é menor).
No entanto, cerca de 100 mil brasileiros adoecem a cada ano de tuberculose. São aqueles que passam a apresentar os sintomas relacionados com esta doença: tosse, expectoração, febre, anorexia, emagrecimento etc. Nos quais, para a tuberculose ser confirmada, haverá a necessidade da realização de exames complementares, como baciloscopia e cultura de amostras de escarro e de lavado brônquico, histopatologia de tecidos biopsiados e outros exames. Em crianças, pela dificuldade na obtenção de material para tais exames, muitas vezes o diagnóstico será feito por história de contato com adulto tuberculoso, situação de reator forte (em não vacinado pelo BCG), quadro clínico compatível e imagens radiológicas sugestivas para tuberculose.
É recomendação do Ministério da Saúde do Brasil que se proceda a quimioprofilaxia pela isoniazida, durante 6 meses, na criança com idade inferior a 15 anos e que também se encontre em todas as seguintes condições:
- reatora forte ao PPD;
- não vacinada pelo BCG;
- contatante de paciente tuberculoso eliminador de bacilos;
- não doente.
Esta última exigência é muito importante que seja atendida, pois se a criança estiver doente a conduta correta será o tratamento pelo esquema padronizado.
PS >
As informações prestadas nesta nota não dispensam ser a criança consultada pelo médico.
12 outubro, 2007
Asma e derrame pleural
Um paciente do sexo masculino, 63 anos, motorista de táxi, ex-fumante, procurou um médico pneumologista de seu plano de saúde para o tratamento de uma asma crônica dependente de terapia corticóide oral.
Dois meses antes, havia apresentado febre e astenia ao longo de uma semana, durante a qual a dispnéia tinha se mostrado com menor grau de resposta aos medicamentos que ele habitualmente usava para a asma. Atendido no setor de emergência de um hospital, após o exame clínico e a realização de uma radiografia de tórax, foi constatado estar apresentando um derrame pleural de médio volume à esquerda.
---__TORACOCENTESE
Submeteu-se a um esvaziamento por agulha (toracocentese) do líquido pleural. Neste procedimento, foi coletada uma quantidade de cerca de meio litro de líquido pleural, com aspecto claro, que foi encaminhado para exames laboratoriais, juntamente com uma biópsia de pleura. O paciente recebeu alta da enfermaria de observação, sendo orientado a retornar duas semanas depois para saber os resultados dos exames.
Na data aprazada, os resultados dos exames foram recebidos pelo paciente. Mas não conseguiu mostrá-los ao médico solicitante do setor de emergência, por este se encontrar de férias. Contudo, nas semanas seguintes, o paciente também não compareceu no hospital para apresentá-los a outro profissional. Foram os motivos alegados: estar sem os sintomas da intercorrência e imaginar-se que ficara curado por meio da toracocentese (sic).
Até que, por ocasião de uma consulta a outro pneumologista, os resultados daqueles exames foram enfim apresentados. A citologia do líquido (com linfocitose) e a biópsia (com granuloma caseoso) eram conclusivas para tuberculose pleural. A toracocentese, além do alívio que lhe proporcionara, fora muito importante para a confirmação diagnóstica. Mas, ao paciente, ainda faltava a adoção de uma medida indispensável: iniciar o “tratamento específico”.
É feito este tratamento com medicamentos orais, ingeridos em horário único diário, durante seis meses. Não há necessidade de o paciente se afastar do trabalho. Embora se trate de uma forma "fechada" (não contagiante) da enfermidade, a história natural da tuberculose pleural mostra que ela costuma recrudescer, apresentando-se sob a forma pulmonar, meses ou anos após, quando não houve antes o tratamento medicamentoso. E ser idoso e/ou usar cronicamente corticóide (droga depressora da imunidade) estão entre os fatores que influem para que assim evolua.
O caso é de etiologia comum para o derrame pleural. Foi aqui descrito para chamar a atenção sobre a importância de o paciente sempre mostrar os resultados de seus exames ao médico que o assiste (PGCS).
Dois meses antes, havia apresentado febre e astenia ao longo de uma semana, durante a qual a dispnéia tinha se mostrado com menor grau de resposta aos medicamentos que ele habitualmente usava para a asma. Atendido no setor de emergência de um hospital, após o exame clínico e a realização de uma radiografia de tórax, foi constatado estar apresentando um derrame pleural de médio volume à esquerda.
---__TORACOCENTESE
Submeteu-se a um esvaziamento por agulha (toracocentese) do líquido pleural. Neste procedimento, foi coletada uma quantidade de cerca de meio litro de líquido pleural, com aspecto claro, que foi encaminhado para exames laboratoriais, juntamente com uma biópsia de pleura. O paciente recebeu alta da enfermaria de observação, sendo orientado a retornar duas semanas depois para saber os resultados dos exames.Na data aprazada, os resultados dos exames foram recebidos pelo paciente. Mas não conseguiu mostrá-los ao médico solicitante do setor de emergência, por este se encontrar de férias. Contudo, nas semanas seguintes, o paciente também não compareceu no hospital para apresentá-los a outro profissional. Foram os motivos alegados: estar sem os sintomas da intercorrência e imaginar-se que ficara curado por meio da toracocentese (sic).
Até que, por ocasião de uma consulta a outro pneumologista, os resultados daqueles exames foram enfim apresentados. A citologia do líquido (com linfocitose) e a biópsia (com granuloma caseoso) eram conclusivas para tuberculose pleural. A toracocentese, além do alívio que lhe proporcionara, fora muito importante para a confirmação diagnóstica. Mas, ao paciente, ainda faltava a adoção de uma medida indispensável: iniciar o “tratamento específico”.
É feito este tratamento com medicamentos orais, ingeridos em horário único diário, durante seis meses. Não há necessidade de o paciente se afastar do trabalho. Embora se trate de uma forma "fechada" (não contagiante) da enfermidade, a história natural da tuberculose pleural mostra que ela costuma recrudescer, apresentando-se sob a forma pulmonar, meses ou anos após, quando não houve antes o tratamento medicamentoso. E ser idoso e/ou usar cronicamente corticóide (droga depressora da imunidade) estão entre os fatores que influem para que assim evolua.
O caso é de etiologia comum para o derrame pleural. Foi aqui descrito para chamar a atenção sobre a importância de o paciente sempre mostrar os resultados de seus exames ao médico que o assiste (PGCS).
23 agosto, 2007
O bacilo que não desbota
Quando um paciente apresenta tosse acompanhada de eliminação de escarro se diz que é um sintomático respiratório. Encontrando-se nessa situação há três ou mais semanas, deverá ter amostras do seu escarro examinadas ao microscópio, em duas ou mais oportunidades, para a pesquisa de bacilos álcool-ácido resistentes (BAAR). A presença deste tipo de bacilo em dois exames de escarro (ou em apenas um, se o paciente também apresenta uma radiografia de tórax suspeita) é, na prática clínica, a confirmação do diagnóstico de tuberculose pulmonar.
Este fato de o bacilo da tuberculose ser álcool-ácido resistente é uma característica exclusivamente tintorial, relacionada com a composição lipídica de sua parede celular. Nada tem a ver, portanto, com alguma eventual resistência que o germe possa apresentar às drogas utilizadas no tratamento da tuberculose. Significa que o bacilo encontrado no esfregaço de escarro, com este material preparado pela técnica de Ziehl-Neelsen, foi corado pela fucsina; porém, em seu contato em seguida com uma solução álcool-ácida, não aconteceu de perder a coloração adquirida. O que, aliás, acontece com a maioria dos outros germes (os quais não pertencem ao gênero Mycobacterium).
Além do bacilo da tuberculose, outras micobactérias que causam as micobacterioses atípicas ou que são apenas saprófitas (existem na natureza, porém não ocasionam doenças nos seres humanos) também se apresentam como bacilos álcool-ácido resistentes. Isto acontecendo por ser a álcool-ácido resistência uma propriedade comum às várias espécies do gênero Mycobacterium, do qual faz parte o bacilo de Koch (BK). Nestes casos, a diferenciação deverá ser feita pela cultura do escarro, a qual evidenciará se o micróbio em questão é o Mycobacterium tuberculosis, que é o agente da tuberculose, ou não.
Bacilos álcool-ácido resistentes: retêm a cor vermelha do corante fucsina; em contraste com o fundo do esfregaço que é corado pelo azul de metileno.
Nota escrita em atenção a Priscila Novaes, que me solicitou por e-mail um esclarecimento sobre o assunto.
Este fato de o bacilo da tuberculose ser álcool-ácido resistente é uma característica exclusivamente tintorial, relacionada com a composição lipídica de sua parede celular. Nada tem a ver, portanto, com alguma eventual resistência que o germe possa apresentar às drogas utilizadas no tratamento da tuberculose. Significa que o bacilo encontrado no esfregaço de escarro, com este material preparado pela técnica de Ziehl-Neelsen, foi corado pela fucsina; porém, em seu contato em seguida com uma solução álcool-ácida, não aconteceu de perder a coloração adquirida. O que, aliás, acontece com a maioria dos outros germes (os quais não pertencem ao gênero Mycobacterium).
Além do bacilo da tuberculose, outras micobactérias que causam as micobacterioses atípicas ou que são apenas saprófitas (existem na natureza, porém não ocasionam doenças nos seres humanos) também se apresentam como bacilos álcool-ácido resistentes. Isto acontecendo por ser a álcool-ácido resistência uma propriedade comum às várias espécies do gênero Mycobacterium, do qual faz parte o bacilo de Koch (BK). Nestes casos, a diferenciação deverá ser feita pela cultura do escarro, a qual evidenciará se o micróbio em questão é o Mycobacterium tuberculosis, que é o agente da tuberculose, ou não.
Bacilos álcool-ácido resistentes: retêm a cor vermelha do corante fucsina; em contraste com o fundo do esfregaço que é corado pelo azul de metileno.Nota escrita em atenção a Priscila Novaes, que me solicitou por e-mail um esclarecimento sobre o assunto.
24 março, 2007
O Dia da Tuberculose
O dia 24 de março (hoje) foi escolhido pela Organização Mundial da Saúde para ser o Dia Mundial de Combate à Tuberculose. Por representar esta doença, que tem ocorrência milenar na espécie humana, um dos graves problemas de saúde pública no mundo, ainda na atualidade.Em 22 países concentram-se 80 por cento dos casos anuais da doença. Figurando o Brasil em 16º lugar neste ranking, com 85 mil casos novos e 6 mil óbitos, anualmente. Mas as estimativas são que o nosso país esteja a apresentar um número ainda maior de casos novos anuais.
Por isso, o Dia da Tuberculose foi instituído. A data se destina a divulgar a todos sobre o problema que a tuberculose ainda representa, a fim de que a população e os serviços de saúde estejam em alerta para as ações de controle da enfermidade.
Como medida de maior impacto, porque interrompe a cadeia de transmissão da doença, está o diagnóstico precoce. Realizado através de exames no escarro, que mostram a presença do agente infeccioso nas secreções respiratórias dos sintomáticos. A radiografia de tórax, nos locais em que este recurso é disponível, ao evidenciar as lesões pulmonares suspeitas também contribui para o diagnóstico.
Reconhecido o caso de tuberculose, este deve ser logo tratado com o esquema padronizado. Em caráter ambulatorial, pois só excepcionalmente o paciente necessitará de hospitalização. As doses, a combinação das drogas, a freqüência das administrações e a duração do tratamento deverão ser corretas para que a cura seja alcançada (o que acontece na grande maioria dos casos). E assim evitar as situações de persistência e resistência bacteriana em que os tratamentos posteriores serão menos efetivos.
Outra medida é a vacinação pelo BCG intradérmico, o qual protege na infância das formas graves da tuberculose (formas meníngea e disseminadas). No Brasil, esta vacina é obrigatória no primeiro ano de vida e prioritária abaixo dos 5 anos.
Existe ainda a quimioprofilaxia, que é feita com a isoniazida (uma das drogas para a tuberculose), isoladamente, durante seis meses, Utilizada no indivíduo não infectado (quimioprofilaxia primária) poderá protegê-lo da infecção tuberculosa; administrada no indivíduo já infectado (quimioprofilaxia secundária) reduzirá o seu risco de adoecimento por tuberculose. (PGCS)
Slogan da campanha da Sociedade Cearense de Pneumologia e Tisiologia: “A tuberculose tem cura e o tratamento começa com a informação.”
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