05 novembro, 2017

Caixa de Música

A Madame Theodore von Schwartzenhoffen vai a uma loja de instrumentos musicais e compra uma pianola para o marido, como presente-surpresa de aniversário. Laurel e Hardy ficam encarregados de entregarem a pesada caixa no endereço indicado, que para desgosto de ambos fica numa casa no alto de uma gigantesca escadaria.
Diligentemente, a dupla faz um tremendo esforço para empurrar a caixa pelos inúmeros degraus, mas são atrapalhados por uma babá e seu carrinho de bebê e pelo próprio professor Theodore que ignora que a entrega é para ele. E, em meio às discussões, a caixa escalpa e volta ao ponto de partida várias vezes, tendo a dupla que recomeçar tudo de novo. Até que um carteiro avisa que há uma entrada ao nível da rua por outro lado e eles finalmente chegam ao endereço, mas sem encontrar ninguém em casa. Novamente é despendido um enorme esforço para transportar a caixa pela janela mas tudo parece em vão quando o professor chega e diz que não quer o piano e que deve ter havido algum engano.
Stan Laurel e Oliver Hardy filmaram "The Music Box" ("Caixa de Música"/ "Entrega a Domicílio") durante um período de 11 dias, de 7 de dezembro a 17 de dezembro, em 1931. Embora eles não tenham previsto isso, eles estavam filmando naqueles dias não apenas sua comédia cinematográfica mais duradoura e mais amada, mas também seu único filme (dos mais de 100 que trabalhavam juntos) pelo qual receberam um Oscar.
Como em qualquer filme de Laurel e Hardy, seus dois personagens são ineptos e incompetentes devido a três fatores principais: a interferência de outros, as leis da natureza, mas sobretudo a própria estupidez.


Numa versão dublada: https://youtu.be/bNQ40DEvjx8

A pianola

04 novembro, 2017

Erros na previsão do futuro da inteligência artificial


por Rodney Brooks
A crença de que máquinas inteligentes virão a dominar a humanidade baseia-se em extrapolações erradas, imaginação ilimitada, argumentos de fé e outros erros comuns que nos distraem dos modos mais produtivos de pensar a respeito do futuro da inteligência artificial (IA).
Estamos inundados da histeria sobre o futuro da inteligência artificial e da robótica. Uma histeria para o poder que elas alcançarão, a velocidade com que elas farão isso e suas consequências no mercado de trabalho.
Recentemente, vi uma história que dizia que, entre 10 e 20 anos, os robôs teriam ficado com a metade dos empregos que existem hoje. Havia até um gráfico para provar os cálculos. Esta afirmação é absurda (eu tento manter uma linguagem profissional, mas às vezes custa). Por exemplo, o texto parece dizer que, nos EUA, de um milhão de trabalhadores da manutenção de edifícios e terrenos restarão apenas 50 mil nesse prazo, porque os robôs assumirão seus empregos. Quantos robôs estão atualmente operando nesses empregos? Zero. Quantas demonstrações realistas de robôs que trabalham neste campo existem? Zero.
Histórias semelhantes aplicam-se a todas as outras categorias onde é sugerido que veremos o fim de mais de 90% dos empregos que atualmente exigem a presença (física) de pessoas em alguma etapa em particular.
As previsões errôneas geram medos sobre coisas que não acontecerão, seja a destruição em larga escala de empregos, a singularidade ou o advento de uma IA com valores diferentes dos nossos que poderiam tentar nos destruir. Precisamos lutar contra esses erros. Onde nascem essas falhas? Eu vejo sete razões comuns.

Prossiga lendo em: Los siete grandes errores de quienes predicen el futuro de la inteligencia artificial

O bêbado e o juiz

Cidade do interior, final de semana, boteco da esquina cheio, cadeiras até no meio da calçada e nenhuma mesa vazia. Havia só uma cadeira na mesa perto do balcão, onde uns amigos conversam e xingavam entre si. De repente, entra um senhor, acerca-se do balcão e pede um maço de cigarros e um refrigerante grande para levar. Como estava perto da mesa onde ainda havia uma cadeira um dos bebuns gritou:
– Aí, ó, baitola, senta aí mesmo!
– O senhor me chamou de quê, mesmo?, replicou o senhor, muito sério e visivelmente ofendido.
– Liga, não, meu irmãozinho, o Claudicleydson quando bebe, fala assim mas não é pra ofender, não. Senta aí, vai. Toma uma com a gente.
– Olha aqui, vocês todos...
E passou a apontar o dedo em riste para o bebum que o chamou de "baitola":
– Se der mais um pio vou mandar prendê-lo!
Silêncio geral.
Quando o senhor já ia virando as costas para o balcão, o tal bebum perguntou:
– Desculpe a ignorância, pois eu nunca vi o amigo na cidade, quem é o senhor pra mandar me prender?
– Sou o novo juiz da cidade. E, desculpe-me, mas não sou seu amigo.
– Tá bem. O senhor pode até mandar me prender, mas daqui uns dias tou solto, até porque sou amigo do delegado, e...
– O delegado é meu irmão, atalhou o senhor.
- De qualquer forma, logo, logo, estou soltinho, na rua, mas quando o senhor cair em minhas mãos, nunca mais - repito: nunca mais - o senhor vai ser solto. Por ninguém!!!
Ao que o senhor, intrigado, perguntou:
– E o senhor é o quê, posso saber?
– Sou o coveiro da cidade.
Riso geral. Mas o bebum foi preso assim mesmo, sob o protesto do bar inteiro.
Fernando Gurgel Filho
As mulheres e Nelson Rodrigues
c/ a banda "Velhas Virgens"
O rico e o pobre são duas pessoas
O soldado protege os dois
O operário trabalha pelos três
O cidadão paga pelos quatro
O vagabundo come pelos cinco
O advogado rouba os seis
O juiz condena os sete
O médico mata os oito
O coveiro enterra os nove
E o diabo leva os dez
Mas a mulher, a mulher engana os onze
A mulher engana os onze de uma vez.
https://www.vagalume.com.br/velhas-virgens/as-mulheres-e-nelson-rodrigues.html

Fernando,
Nem no dia que morre o coveiro falta no cemitério.

03 novembro, 2017

Uma avalanche de papel

É uma bagunça épica, e os concludentes da Basha High School, uma escola secundária em Chandler, Arizona, preparam-se para ela durante o ano letivo.
No último dia de aulas, todos os anos, os veteranos se reúnem para lançar restos de papel - todo o papel que podem encontrar - em uma escada da escola. E depois deslizam sobre a rampa de papel que acabaram de criar.
A coisa toda é barulhenta e fora de controle, mas os concludentes não são repreendidos pelas autoridades da escola: essa é uma tradição escolar muito apreciada.
É uma avalanche que continua descendo e descendo até que todo o papel esteja no chão.
O pessoal da limpeza não precisa se preocupar com as consequências da brincadeira. Sempre foi de responsabilidade dos estudantes novatos deixar tudo limpo.
Fonte; RNN

O lipograma

Inicialmente, não confundi-lo com o lipidograma que é o conjunto de exames das gorduras existentes no sangue.
Em Prazeres singulares, citei o lipograma ao falar brevemente das formas de escrever que se utilizam de técnicas restritivas. Estas restrições – que incluem o "S+7" (todo substantivo substituído pelo sétimo substantivo seguinte de um dicionário), a "bola de neve" (poema em que cada verso é uma palavra e que cada palavra é uma letra mais longa do que a anterior), o "univocalismo" (poema com uma só vogal), os palíndromos e o "lipograma" (escrita que exclui uma ou mais letras) - todas elas são consideradas meios de desencadear ideias e inspirações.
Para quem tiver interesse em ver um exemplo de lipograma, segue o link de um trecho do livro "O sonho de ser escritor", de Elder Prates, que foi escrito sem a letra "A".
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Unapologetic é um site onde os autores podem contar mini histórias que tratam de relacionamentos fracassados. Mas cada história pode empregar apenas uma vogal e a narrativa tem que fazer sentido.

02 novembro, 2017

Sempre juntos

O primeiro verme da informática

Às 18 horas do dia 2 de novembro de 1988, Robert Tappan Morris Jr, estudante da Universidade Cornell, estava no MIT (Instituto Tecnológico de Massachusetts) distribuindo o que seria considerado o primeiro código malicioso a se espalhar pela internet.
Ele escolheu liberá-lo do MIT, para disfarçar o fato de que a praga fora criada em Cornell.
O "Morris worm" (verme de Morris), como ficou conhecido, alastrou-se rapidamente e deixou computadores "catatônicos" em muitos locais, incluindo universidades, instalações militares e instalações de pesquisa médica. Estimativas sugerem que a praga infectou 10 por cento dos 60 mil computadores que formavam a rede mundial da época.
O worm pegou de surpresa os administradores e usuários da internet naquele ano, que nunca tinham visto um ataque parecido. Para se espalhar, a praga tirava proveito de brechas de segurança existentes em softwares como o "sendmail" – responsável pelo envio de correio eletrônico – e o "fingerd" – um fornecedor de informações de usuários.
Além de dar início à valorização da segurança em softwares, a mais notável consequência do episódio foi a criação do CERT (http://www.cert.org), um time de especialistas responsável pela comunicação e tratamento de incidentes de segurança. Muitos países e mesmo empresas hoje possuem equipes com o mesmo objetivo. Quem realiza estas funções na rede brasileira é o CERT.br (http://www.cert.br).
Robert Tappan Morris, criador da praga, foi condenado por fraude em computadores em 1990. Não foi para a cadeia, mas teve que pagar uma multa de 10 mil dólares e prestar 400 horas de serviços comunitários.
Quando Robert Morris Jr disseminou seu worm, seu pai, Robert Morris, trabalhava na Agência Nacional de Segurança dos EUA. Hoje, o "criador do primeiro verme da informática" é professor no MIT – a mesma instituição em que ele iniciou a propagação de seu worm.

Um worm (termo da língua inglesa que significa, literalmente, "verme") é um programa autorreplicante, diferente de um vírus. Enquanto o vírus infecta um programa e necessita deste programa hospedeiro para se alastrar, o worm é um programa completo e não precisa de outro para se propagar. Um worm pode ser projetado para tomar ações maliciosas após infestar um sistema. Além disso, pode deletar arquivos em um sistema, enviar documentos por e-mail e, pelo aumento de tráfego gerado por sua reprodução, pode causar lentidão numa rede de computadores.

01 novembro, 2017

É esperar para ver

Coisas estranhas acontecem a partir de 1:31:



Este vídeo melhorou muito meu humor. Estava péssimo desde que eu vi o que um pica-pau zumbi faz com os filhotes dos outros pássaros.

O quadrado mágico de Macau

A origem do Luo Shu (洛書) ou "Livro do Luo", ou "Pergaminho do Rio Luo", é desconhecida.
Trata-se de um diagrama gravado em uma superfície oval, possivelmente um casco de tartaruga que foi encontrado às margens do Rio Luo pelo rei Da Yü por volta de 2.200 a.C.
O diagrama original é formado por 9 conjuntos de círculos brancos (Yang) ou pretos (Yin) dispostos em arranjos que representam geometricamente os números de 1 a 9, e que ocupam posições determinadas entre si: os números pares e ímpares se alternam na periferia do Luo Shu, sendo que os pares ocupam os quatro cantos, e os ímpares se localizam de modo a formar uma cruz nas partes centrais das laterais do diagrama.
Mais tarde, a forma de representar o Luo Shu evoluiu para um quadrado subdividido em nove pequenos quadrados, denominados Nove Palácios, cada um deles ocupado por um número. Atualmente o diagrama é conhecido como Quadrado Mágico de 3 x 3, nome este relacionado ao fato de que a soma de qualquer uma das linhas, colunas e diagonais é sempre 15.
A partir dos ensinamentos do Luo Shu, o rei Da Yü instituiu um sistema de produção agrícola em que as áreas de plantio eram divididas em nove partes iguais e colocadas sob os cuidados de oito famílias que, em mutirão, cultivavam e colhiam coletivamente essas nove áreas, sendo que o produto da área central pertencia ao governo, a título de imposto, e o resto era dividido pelas oito famílias.
De maneira análoga, Da Yü dividiu seu reino em nove estados, que se relacionavam de forma federativa, cada um deles com um governador, sendo que o governo real ocupava o estado do centro e administrava o conjunto dos estados através de nove ministérios.


A configuração matemática hoje conhecida por Luo Shu deu o mote a uma série filatélica que já valeu aos Correios da RAEM (Região Administrativa Especial de Macau) reconhecimento internacional. Louvada pelo diário britânico The Guardian pela originalidade, a emissão é composta por nove selos, cada um apetrechado com um quebra-cabeças distinto e um convite à reflexão.
Fontes
https://artesdotao.com/2013/12/05/luo-shu-diagrama-do-padrao-de-mudanca-energetica-no-espaco-tempo/
http://www.revistamacau.com/2015/04/13/quadrado-magico-filatelia-para-genios/


Notar que o selo de 12 patacas(em que Luo Shu foi o destaque), além da tartaruga ao fundo, tem palavras em português. Macau é uma das regiões administrativas especiais da República Popular da China, desde 20 de dezembro de 1999, sendo a outra Hong Kong. Antes desta data, Macau foi colonizada e administrada por Portugal durante mais de 400 anos e é considerada o primeiro entreposto, bem como a última colônia europeia na Ásia.

31 outubro, 2017

Não confunda (2)

Tratado de Tordesilhas com... tarado atrás das ilhas.
Papelada em cima da mesa com... pai pelado em cima da Teresa.
Centavos novos com... sentar nos ovos.
Alça da barra funda com... calça rasgada na bunda.
Bife à milanesa com... bife ali na mesa.
Idiossincrasia com... índio sem casinha. (achei que era sem calcinha, mas tudo bem).
Rifle de caçar rolinha com... bife de caçarolinha.
Abóboda celeste com... a boba da Celeste.
A banda dos fuzileiros com... a bunda do funileiro.
Melancolia profunda com... melancia na bunda.
Cocô de grilo com... crocodilo.
Comando da madrugada com... comendo a mãe do guarda.
Gentileza com... gente lesa.
Colinas de Golan com... gorilas de colante..
A moribunda na cama com... amor e bunda na cama.
Paulo Gurgel com... Paulo Coelho.

http://blogdopg.blogspot.com.br/2014/05/nao-confunda.html

O homem que sumiu com a taça



Vamos aos bastidores do espetáculo: ilusões anamórficas.

30 outubro, 2017

Um olhar sobre a comida


Pobre e ingênua víscera! Nem sabe que existe o tal estômago da sobremesa.

As Ilhas do Lixo no Pacífico

Em um exercício de conscientização sobre o problema das Ilhas do Lixo no Oceano Pacífico, a Plastic Oceans Foundation lançou uma campanha para solicitar que todo esse lixo seja oficialmente reconhecido como um país, The Trash Isles.
A campanha afirma que, de acordo com o artigo 1 da Convenção de Montevidéu de 1993 sobre os Direitos e Deveres dos Estados, um país deve ser capaz de:
  • ter um território definido,
  • formar um governo,
  • interagir com outros estados,
  • ter uma população permanente.
As Ilhas do Lixo têm fronteiras (mais ou menos), condições para criar um governo e instituições que sejam capazes de interagir com outros estados. Agora, com o ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore, inscrevendo-se como o primeiro cidadão da nação e com mais de 100 mil pessoas assinando a petição para obter a cidadania, a campanha pôde apresentar a candidatura das Ilhas, às Nações Unidas, para obter seu reconhecimento como o 196º país do mundo.
Como a LadBible diz: "Se você acha que isso é ridículo, considere a ideia de que existe uma área do tamanho da França inteiramente composta por resíduos de plástico no mar"".
Com cerca de 700.000 km², The Trash Isles serão o 40º país do mundo em tamanho.

Could a pile of trash become an official nation, QUARTZ






"É desagradável e triste": a imagem de um cavalo-marinho agarrado a um cotonete.
Com esta foto, Justin Hofman é finalista no concurso de melhor fotógrafo da vida selvagem, organizado pelo Museu de História Natural, de Londres.

BBC World

29 outubro, 2017

Oração da Serenidade

Em versão Web
Concedei-nos Senhor:
Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar (408 REQUEST TIMEOUT), coragem para modificar aquelas que podemos (403 ACCESS FORBIDDEN) e sabedoria para distinguirmos umas das outras (404 PAGE NOT FOUND).
(Dave Pacheco)

Códigos explicados
A classe 4xx de códigos de status HTTP é destinado para os casos em que o cliente parece ter cometido um erro.
408 Tempo Esgotado de Solicitação
403 Acesso Proibido
404 Página Não Encontrada
(https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_c%C3%B3digos_de_estado_HTTP)

Pompa e Circunstância

Uma das cinco marchas militares de Sir Edward William Elgar, "Pompa e Circunstância" foi composta no período da Guerra dos Bôeres, um conflito que colocou em campos opostos o Império Britânico e os colonos holandeses na África do Sul.
Para ser executada na coroação de Eduardo VII, a música precisou receber uma letra em que exalta o Império Britânico.  Nesta versão (com letra), é conhecida como "Land of Hope and Glory" (Terra de Esperança e Glória).
Em 1905, Elgar foi receber um diploma honorário na Universidade de Yale, e sua música foi tocada na ocasião. As pessoas simplesmente se apaixonaram por ela. Daí em diante, "Pompa e Circunstância" rapidamente se espalhou e se tornou a "trilha sonora da graduação nos Estados Unidos". Além de continuar sendo (não oficialmente) o hino nacional do Reino Unido.


28 outubro, 2017

Cavalgando – e também enquadrando


- Avante! A passo de jacaré!
- Mas eu sou um crocodilo.
- Silêncio, cavalo-marinho!

As diferenças entre jacaré e crocodilo
Para começar, eles pertencem a famílias diferentes. Os crocodilos são da família Crocodilidae e os jacarés, da Alligatoridae. Enquanto a primeira possui 14 espécies diferentes, a segunda se divide em oito espécies - entre elas, estão as dos gêneros Caiman e Paleosuchus, aos quais pertencem os jacarés brasileiros (não há crocodilos em nosso país!). Essas classificações, porém, são rótulos científicos que pouco dizem para nós, leigos. Na prática, é mais importante perceber como essas diferenças biológicas se manifestam na anatomia do animal. Os jacarés têm focinho largo e arredondado, enquanto os crocodilos têm a cabeça mais afilada. Além disso, os crocodilos possuem, nas escamas do ventre, os chamados poros glandulares - característica ausente nos primos jacarés. A diferença mais visível, porém, está nos dentes. "Todos os crocodilos apresentam o quarto dente do maxilar inferior hipertrofiado e encaixado numa cavidade lateral na parte externa da boca. Esse dente fica exposto mesmo com a boca fechada, ao passo que, nos jacarés, ele fica escondido dentro da boca", diz o biólogo Hussam Zaher, da USP. Tem mais: os dentes superiores dos crocodilos são alinhados com os inferiores - os dos jacarés, não.

Bônus
Como é um jacaré bonito?

O desafio propriamente dito

"Portanto, nenhuma força, por maior que seja,
poderá esticar um fio, por mais fino que seja,
em uma linha horizontal que seja exatamente reta:
sempre haverá uma flexão para baixo."
~ William Whewell (1794 - 1866), padre anglicano e polímata

William é conhecido por ter criado o termo "cientista", um neologismo para se referir aos que antes eram chamados de "filósofos naturais".
Ainda hoje se utiliza o termo inglês Ph.D. Doctor of Philosophy. (que o vulgo traduz como: "passa as horas dormindo"), rsrsrs.

27 outubro, 2017

Direitos sobre a obra de Monteiro Lobato

"Um País se faz de homens e livros." – ML (Taubaté, 18 de abril de 1882 – São Paulo, 4 de julho de 1948)

Em 2007, por meio de acordo com os herdeiros, o STJ concedeu à Editora Globo os direitos exclusivos sobre a obra de Monteiro Lobato, até 2018, ano em que o legado do autor deverá entrar em domínio público, pois terão se passado 70 anos de sua morte.

A propósito
"O homem que não lê bons livros não tem nenhuma vantagem sobre o homem que não pode lê-los." – Mark Twain

O anúncio

Certa vez, um amigo de Olavo Bilac queria vender uma propriedade e pediu para o poeta redigir um anúncio para o jornal. Olavo Bilac pegou um lápis e um pedaço de papel, e escreveu:
"Vende-se propriedade encantadora, onde os pássaros cantam ao amanhecer, nos extensos arvoredos, rodeada pelas águas cristalinas. A casa, banhada pelo sol nascente, oferece a sombra tranquila das tardes, na varanda. O anoitecer nos traz o encantamento da lua prateada e das estrelas cadentes cintilantes."
Alguns meses depois, Olavo Bilac se encontrou com o amigo e perguntou se já tinha conseguido vender a propriedade. O homem respondeu:
"Desisti de fazer o negócio, depois que li o seu anúncio e reparei a maravilha do que eu tinha."

Bon Mot
Algumas vezes, só conseguimos ver bem o que possuímos quando pegamos emprestados os olhos alheios.

Ler também: Um cego em Paris

26 outubro, 2017

O homem dos flocos de neve

A primeira foto de um floco de neve foi tomada em 1885 por Wilson Alwyn Bentley, um agricultor de 20 anos. Bentley, que viveria toda a sua vida na pequena cidade de Jericho (Jericó), em Vermont, deu ao mundo a primeira fotografia de um floco de neve.
Ao longo dos seguintes invernos, até sua morte em 1931, Bentley passaria a capturar as imagens de mais de cinco mil flocos de neve, ou mais corretamente, cristais de neve, em suas fotografias. Apesar do fato de que ele raramente saía de Jericho, milhares de americanos o conheciam como o homem dos flocos de neve.
Nossa crença de que "dois flocos de neve não são iguais" decorre de uma linha de seu relatório de 1925, no qual ele observou: "Cada cristal é uma obra-prima de design e nenhum desenho jamais foi repetido. Quando um floco de neve se derreteu, esse projeto foi perdido para sempre."

The Public Domain Review (citado por Pat Ballew, in Pat's Blog, acessado em 15/01/2017)

Bônus
A Valsa dos Flocos de Neve, de Tchaikovsy

Com os dentes da vítima

O caçador Francis Wharton, residente na Colúmbia Britânica, estava longe da civilização quando se viu precisando de uma prótese dentária.
No final dos anos 60, Wharton matou um veado mas não tinha dentes úteis para comê-lo. Então, extraiu os dentes do veado e afixou-os com cimento doméstico em uma base de plástico que ele fez para a sua gengiva.
E sentou-se para uma refeição em que foram usados os dentes da própria vítima.


 "Ele fez uma dentadura superior completa", disse Kathy Karkut, gerente de coleções do Museu de Saúde de Kingston, que agora tem os dentes de Wharton em exposição."Eu acho que ele era apenas um homem incomum, que estava muito orgulhoso de sua engenhosidade, e que não queria pagar por uma prótese como todo mundo."
Um artigo numa revista contemporânea sobre ele relatou que ele usou aqueles dentes, por pelo menos três anos, apesar de Karkut descrevê-los como "escuros e sujos". "Ele deve ter usado um monte de Polident", disse ela.
De acordo com número de 1960 da revista "Guns", Wharton sobreviveu a um ataque de urso assustando o animal com um tiro de seu rifle calibre 22. O urso ainda conseguiu golpeá-lo com suas garras. A experiência o inspirou a projetar suas próprias armas e balas, que eram enormes, verdadeiros canhões de mão para combater com raiva todos os animais que ele encontrasse.
E lutar contra eles, ele sabia. "Guns" relatou que Wharton, em um caso, matou oito ursos como "vingança", depois que um matou seu carneiro de estimação. Em uma bizarra inversão de papel, ele comeu a carne do urso com seus dentes de veado.
Não recomendado
Mas, no caso de você ser forte, o conselho de profissionais não é tentar isso em casa.
O porta-voz da BC Dental Association, Dr. Bruce Ward, diz que ele não pode sequer contar o número de coisas erradas com a história de Francis Wharton, mas diz que mesmo assim há algo impressionante sobre ele.
"Para se obter uma prótese que se ajuste à boca é difícil, em primeiro lugar, Eu não posso sequer imaginar uma... com dentes de veado. Este cara deve ter sido brilhante", disse ele.
Ele disse que alguém fazendo sua própria prótese precisaria certificar-se de que ela se encaixa bem, para evitar úlceras e feridas dolorosas, e também teria que se preocupar se os seus materiais são de fato estéreis.
Dr. Ward disse ainda que se você ou alguém que você conhece necessita de dentaduras e está tendo problemas para adquiri-las, deve procurar uma faculdade de odontologia, ou um dentista que ofereça planos módicos de pagamento.
"Eu não acho que sair para matar um cervo e fazer sua própria prótese seja uma opção realmente viável nestes dias", disse ele. "Eu não recomendaria."

http://www.cbc.ca/news/canada/british-columbia/francis-wharton-killed-deer-dentures-teeth-1.3211739

25 outubro, 2017

Cão policial - 2


Cão policial - 1

Quatro Antonios

Um bate-papo entre 4 Antonios: Jobim, Houaiss, Callado e Candido.



Candido, o que ainda estava entre nós, foi ao encontro dos outros.
Estamos ficando sem reposição

Foi pinçado...
- Você gosta de mulher?
- Gosto, gosto muito.
- E de farinha?
- Vixe!

24 outubro, 2017

Sandálias de cacto

Tudo muito natural.


Mas não são recomendáveis a quem é portador de esporão do calcanhar.

Ver também: As sandálias do pescador

Mapas da gravidade



A força que nos prende à Terra não é igual em todos os pontos do planeta.
O mapa abaixo mostra a força da gravidade na América do Sul, se a pudéssemos ver. As regiões azuis têm menor gravidade, enquanto as regiões vermelhas têm maior gravidade.


Para ver os mapas dos outros continentes clique no link abaixo.

These colorful maps reveal how Earth would look if you could see gravity, Business Insider

23 outubro, 2017

Competição no clube campestre

Nado sincronizado
-----Disputa por equipe
----------Etapa preliminar
---------------Movimento de borda:

(http://bitsandpieces.us/2017/04/9-out-of-10-isnt-bad/)

Índice de acertos: 7 em 8

O soro da verdade digital

Na verdade, passei os últimos cinco anos olhando as entranhas das pessoas. É que estive estudando os dados agregados de pesquisas no Google. As pessoas costumam dizer coisas ao Google que não revelam às mídias sociais. Eles até dizem ao "gigante das buscas" aquelas coisas que não contam a ninguém. O Google oferece o soro da verdade digital. As palavras que escrevemos no Google são mais honestas do que as fotos que publicamos no Facebook ou Instagram.
Às vezes, os contrastes entre as diferentes fontes de dados são divertidos. Considere como as esposas falam sobre seus maridos.
Nas redes sociais, os principais descritores para completar a frase "Meu marido é ..." são: "o melhor", "meu melhor amigo", "incrível", "o maior" e "tão fofo". No Google, uma das cinco maneiras de completar esta frase também é "incrível". Mas as outros quatro são: "um idiota", "irritante", "gay" e "pão-duro".
Com o que aprendi com os pensamentos mais estranhos e sombrios dos seres humanos, fiquei por um bom tempo arredio à maioria das pessoas. Mas encontrei também dados honestos, surpreendentemente reconfortantes. Que hoje me deixam menos sozinho em minhas inseguranças, ansiedades, lutas e desejos.
Uma vez que você tenha analisado suficientes dados agregados de pesquisa, torna-se difícil compreender seriamente os seres que vemos nas mídias sociais. Ou, como eu gostaria de resumir o que os dados do Google me ensinaram: estamos todos uma bagunça.
Bem, você pode não ser um cientista de dados. Você pode não saber como codificar em R ou calcular um intervalo de confiança. Mas você ainda pode aproveitar os grandes dados e o soro da verdade digital para pôr fim à inveja - ou, pelo menos, aliviar um pouco da mordida.
Toda vez que você está se sentindo um lixo depois de espiar o Facebook, vá para o Google e comece a digitar coisas na caixa de pesquisa. O autocompletamento do Google irá dizer-lhe as pesquisas que as outras pessoas estão fazendo. Digite "Eu sempre ..." e você pode ver as sugestões, com base nas pesquisas de outras pessoas, "Eu sempre me sinto cansado" ou "Eu sempre tenho diarreia". Isso pode oferecer um forte contraste com as mídias sociais, onde todos "sempre" parecem estar em férias no Caribe.
À medida que nossas vidas se tornam cada vez mais online, proponho um novo mantra de auto-ajuda para o século XXI, uma cortesia dos grandes dados: Não compare suas buscas do Google com as postagens do Facebook de outras pessoas.

Extraído de: Don’t Let Facebook Make You Miserable, NYtimes

22 outubro, 2017

Diálogos imbecis

À la Seu Lunga
Pergunta idiota, tolerância zero


No restaurante
- Vou querer paçoca.
- É pra comer?
- Não, é "paçocar" na tua cara.

No supermercado
- Vai querer sacola?
- Não, obrigado. Vou jogar as compras no chão e sair chutando todas elas até minha casa.

Na loja
- Vai comprar isso tudo?
- Não, vou roubar. Eu só queria lhe mostrar antes...

Em casa
- Vai sair com este sol?
- Não. Vou esperar o segundo sol chegar para realinhar as órbitas dos planetas.

Em qualquer lugar
- Que filme vai ver?
- Tubarão.
- É sobre o quê?

Blog EM: [0] dias sem sarcasmo

O poder dos beijos

Surpreenda sua parceira com um longo, intenso e apaixonado beijo francês.



Por movimentar 29 músculos do rosto (e, eventualmente, uma tromba), o beijo em questão tem o poder de queimar até 12 calorias em 10 segundos.

21 outubro, 2017

Vida de florista

Porque as flores murcham e morrem, os floristas estão sempre em uma corrida perpétua contra o relógio. Eles devem avaliar devidamente o tempo entre as compras e as entregas, calculando que os botões floresçam no momento em que elas chegam à porta de um cliente.
Para acelerar ou retardar o processo de floração, os floristas usam uma variedade de truques. Eles podem condicionar as flores (prepará-las para exibição), cortando ou dividindo as hastes (aparando-as em um ângulo de 45 graus, que aumenta a área de superfície para a absorção de água), ou mergulhando as flores em água fria.
Armazenar as flores onde não há luz solar direta também é importante.
Para garantir que as flores para casamentos estejam frescas e abertas, deixá-las em um ambiente refrigerado e fazer as peças centrais um dia antes do evento são outras normas preconizadas.

Florilégio
Começo e fim, Pra não dizer que não falei de flores, Caetano x Cartola, Flores, flores, flores e Sobre funerais

Quantas constelações existem?

E com bilhões de estrelas no céu, você já se perguntou quantas constelações existem?
Bem, de acordo com a International Astronomical Union, existem 88.
Os gregos antigos foram os primeiros a descrever a metade destas constelações. Quarenta e oito das constelações que hoje conhecemos foram registradas no sétimo e oitavo livros do Almagesto de Claudius Ptolomeu, embora a origem exata destas constelações ainda permaneça incerta. As descrições de Ptolomeu são provavelmente influenciadas pelo trabalho de Eudoxo de Knidos que viveu em torno de 350 a.C.
Fragmento do globo celestial
de Mercator (1551),
mostrando Coma Berenices
Entre os séculos XVI e XVII, os astrônomos e cartógrafos celestes acrescentaram novas constelações às 48 anteriormente descritas por Ptolomeu. Estas novas constelações foram principalmente "novas descobertas" feitas pelos europeus que primeiro exploraram o hemisfério sul.
Atualmente, 14 homens e mulheres, 9 aves, dois insetos, 19 animais terrestres, 10 criaturas da água, dois centauros, uma serpente, um dragão, um cavalo voador, um rio, 29 objetos inanimados e o cabelo de Berenice (Coma Berenices) estão representados no céu noturno (o total resulta um número acima de 88 porque algumas constelações incluem mais de uma criatura).
Ser oficialmente designada uma constelação pela UAI, isso não significa que as estrelas dessa constelação estejam necessariamente agrupadas no espaço. Às vezes, as estrelas estão fisicamente próximas umas das outras, como as Plêiades, mas as constelações geralmente não passam de uma questão de perspectiva. São simplesmente a nossa interpretação baseada na Terra de padrões bidimensionais de estrelas no céu composto de estrelas de muitos diferentes brilhos e distâncias da Terra.

As constelações não existem |  A reforma das constelações

20 outubro, 2017

Preparação Z

Em vez de estimular o seu cabelo a crescer, o que é um negócio complicado, a Preparação Z age de um modo completamente diferente.
O produto encolhe a cabeça. De maneira que o pouco cabelo que você tem é suficiente para cobrir o menor tamanho da cabeça.
É a cura definitiva da calvície masculina.
E os efeitos do xampu já são observados após o uso do primeiro saché do produto.

Preparation Z (YouTube)

Os que mudam

Há aqueles que querem mudar o mundo; são os bons;
Há aqueles que querem mudar seu país; são os muitos bons;
Há aqueles que querem mudar sua cidade; são melhores ainda;
Porém, há aqueles que querem mudar a si mesmos: são os imprescindíveis.
(paródia de "Os que lutam", de Bertold Brecht)

Era um servidor público padrão e exemplar.
Muito eficiente, e sua inteligência acima da média de um barnabé permitira-lhe descobrir em pouco tempo que as embalagens não abrem onde está escrito "abra aqui", que a frase "vou estar passando para fulano" - principalmente quando ditas por telefonistas - queria dizer apenas "esquece" e que o chefe era o ser supremo em seu universo.
Como todo ser que se considera superior, tinha absoluta certeza dos desígnios emanados dos patrões e tinha fé inquebrantável nas hostes celestes. Somente uma coisa abalava seus conceitos sobre os céus, a terra e o universo: não saber, desde que nascera no interior, porque as cabras, cabritos, cabritas e assemelhados cagavam em bolinhas.
Isto não o impedia, por exemplo, de ficar entre chateado e alegre quando era preterido em alguma promoção.
Alegre pelo respeito que o chefe lhe tinha de comunicar pesaroso, mais uma vez nos últimos 30 anos: "Queria que você, pessoa de minha confiança, tivesse um pouco de compreensão, mas o cargo que reservei para você foi preenchido pelo Diretor de Pesquisas em Qualidade dos Parentes – Di-PQP".
Triste pela espera. "E o cargo abaixo, que está vago? Pode ser aquele mesmo", ainda tentava argumentar. E o "chefinho", com cara desolada, coitado, respondia: "Está reservado para uma estagiária que termina o curso no fim do ano. Não posso nem tocar nesse assunto na diretoria! Mas você merece coisa melhor!"
Como não há mal que sempre dure - e não volte – e bem que nunca acabe – e nunca mais volte -, ele um dia leu uma história cretina na rede sobre uns macacos africanos que eram capturados porque os nativos colocavam bananas dentro de uma cumbuca de boca pequena e, quando um macaco metia a mão e pegava uma banana, era capturado, morto e assado. Isto porque, com a banana na mão, não podia largar o cesto e fugir. E nunca aconteceu de algum largar a banana. E morriam.
O barnabé, único animal que aprende com o erro dos outros – nunca com os dele mesmo -, viu que estava na mesma situação do macaco. Resolveu fazer uma mudança radical em sua vida. Largou a banana que segurava há anos, procurou outra mais apetitosa, segurou-a com firmeza... E morreu.

i-Moral da história: enquanto houver banana...

Fernando Gurgel Filho

19 outubro, 2017

O peixinho de direita


O teste de Marsh

Arsênico é talvez o veneno mais prolífico da história, e por várias razões: tem sido historicamente fácil de obter, é inodoro e insípido, pode ser introduzido calmamente, ao longo do tempo, em pequenas doses despretensiosas e, no final, os sintomas do envenenamento por ele imitam aqueles de algumas doenças comuns. Durante a maior parte da história, não havia maneira confiável de detectá-lo, e assim o arsênico era uma ameaça à espreita, com mortes comuns e sub-relatadas.
Sabia-se, a partir de processos químicos documentados do século XVIII, que o ácido arsênico reagia com o zinco para produzir o gás arsino e, em 1836, descobriu-se que o gás, quando aquecido a uma determinada faixa de temperatura, deixava uma película estável de arsênico metálico em um pedaço vidro ou porcelana - um indicador que veio a ser chamado de "espelho de arsênico". Era este o princípio do teste de James Marsh (1794 - 1846), que podia detectar com precisão pequenas quantidades de veneno no corpo humano e, para deleite dos promotores, era aplicável em cadáveres antigos.
Além disso, o "espelho revelador" fazia uma apresentação convenientemente clara e dramática na sala do tribunal.
Talvez o uso mais famoso do teste de Marsh tenha sido no julgamento de Marie Lafarge, em 1840, no qual esta foi acusada de envenenar seu marido. A jovem Marie tinha entrado em um casamento arranjado com Charles Lafarge acreditando que ele era um rico e culto empresário, mas, quando ela descobriu que ele, na verdade, era um "lascado", com hábitos sexuais ásperos e dívida substancial, passou a colocar arsênico na comida dele.
Os amigos mencionaram que a ouviram perguntar, casualmente, sobre as obrigações com o luto (Quanto tempo você teve que se vestir de preto?). Daí, quando Charles percebeu que a devoção de sua esposa para cozinhar em casa não era um gesto de amor, já ser tarde demais.
A análise preliminar do estômago de Charles, com o procedimento de Marsh, não encontrou qualquer sinal de arsênico, mas agora era a vez da promotoria chamar Mateu Orfila, reitor da Faculdade de Medicina de Paris e principal toxicólogo da época, para seu lado. Citando uma pesquisa do cientista que afirmava que o estômago podia ser capaz de expelir o veneno, eles disseram que os testes teriam de ser feitos em outros órgãos e tecidos de Lafarge para se obter um resultado verdadeiramente definitivo.
A acusação levantou também o espectro de erro do usuário: era a primeira vez que os cientistas locais haviam realizado o notoriamente difícil teste de Marsh, em que precisavam de muita habilidade e familiaridade para acertar.
Neste ponto, nada mais restava do pobre Charles Lafarge, cujo corpo quando exumado se dizia semelhante a uma "espécie de pasta, em vez de carne". E, para superar o ônus da prova, foi o próprio Orfila que fez a análise final. Ele detectou com facilidade arsênico naquela pasta de órgãos, e Marie Lafarge foi condenada a trabalhos forçados.
Extraído de The Dramatic Courtroom Demo Designed to Expose Arsenic Murders, in Atlas Obscura.

Ilustração: Dois cientistas fazendo o teste de Marsh, 1856.SCIENCE HISTORY IMAGES/ALAMY

Ver também: 495 - O trono do conhecimento