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18 janeiro, 2024

A toxina do baiacu

Baiacu ou peixe-balão são designações populares para diversos peixes da ordem dos Tetraodontiformes, comuns nas faunas marítima e fluvial da América do Sul e, mais especificamente, do Brasil. O termo é utilizado, na linguagem corrente, para designar, especificamente, as espécies dessa ordem com a propriedade de inchar o corpo quando se sentem ameaçados por um predador ou outro fator.
Como o baiacu contém uma glândula de veneno, o consumo de sua carne exige a retirada prévia da glândula. Uma vez retirada a glândula, a carne do baiacu torna-se um tradicional ingrediente para o sashimi.
O veneno, a tetrodotoxina, é um bloqueador dos canais de sódio, que paralisa o músculos enquanto a vítima permanece totalmente consciente. Sob o efeito dessa neurotoxina, a vítima não consegue respirar, e eventualmente morre por asfixia. O tratamento padrão é o de suporte ao sistemas respiratório e circulatório, administração de carvão ativado e aguardar até que o veneno seja metabolizado e excretado pelo corpo da vítima. Toxicologistas ainda trabalham no desenvolvimento de um antídoto para a tetrodotoxina.

Ver também: Um ninho de amor

24 março, 2023

Livros envenenados: fake e fato

Em "O nome da Rosa", romance de Umberto Eco, um manuscrito, escondido na impenetrável biblioteca da abadia onde a história se passa, é descrito como a única cópia ainda existente de uma obra de Aristóteles dedicada à comédia. Quem folheá-lo para lê-lo será envenenado com arsênico, espalhado na borda de cada página, onde passa o dedo molhado para virar. Tudo, porém, acabará por ser destruído em um incêndio desastroso.
Saindo da narrativa ficcional de Umberto Eco para os manuscritos reais de Marie Curie. Os papéis de Marie Curie (mesmo seu livro de receitas) são mantidos em caixas de chumbo, devido aos altos níveis de radiação.
Se você visitar a coleção de Pierre e Marie Curie, na Bibliothèque Nationale de France, verá que muitos de seus antigos pertences - de seus móveis a seu livro de receitas - requerem roupas de proteção para serem manipulados com segurança. Você também terá que assinar um termo de isenção de responsabilidade para vê-los.

12 novembro, 2020

Venenoso vs. Peçonhento

Título original: Poisonous vs. Venemous
http://www.bitsandpieces.us/2020/03/06/poisonous-vs-venomous-2/
Animais venenosos
Geralmente não atacam. Liberam suas toxinas como resultado de serem comidos, tocados ou perturbados. Um sapo de cana, que secreta toxinas das glândulas de cada ombro, é um animal venenoso.
Animais peçonhentos
Atacam e injetam suas toxinas através de uma mordida ou picada. Costumam ser agressivos como as cobras, as vespas, o escorpião e a água-viva.
Ocasionalmente, um animal pode ser peçonhento ou venenoso. O polvo de anel azul, por exemplo, é peçonhento quando morde com o bico, mas é venenoso se for comido.
Resumindo:
Se você o morde e você morre, é venenoso.
Se ele lhe morde e você morre, é peçonhento.


E se ele me morder e ele mesmo morrer?
Isso significa que você é venenoso. Jesus Cristo, aprenda a lição.
E se ele se morder e eu morrer?
É vodu.
E se ele me morder e outra pessoa morrer?
Isso é correlação, não causa.
E se nos mordermos e nenhum de nós morrer?
Isso é excêntrico.
Oh, meu Deus.

VÍDEO da quorista Natália Bongiovani

11 outubro, 2018

Veneno federal

VOCÊ SABIA?
EM 1926, O GOVERNO DOS EUA ENVENENOU O ÁLCOOL NUM ESFORÇO PARA CONTROLAR O SEU CONSUMO DURANTE A PROIBIÇÃO (LEI SECA). COMO RESULTADO DA MEDIDA ESTIMA-SE QUE, AO ACABAR A PROIBIÇÃO EM 1933, DEZ MIL PESSOAS HAVIAM MORRIDO NO PAÍS ENVENENADAS PELO PRÓPRIO GOVERNO.


Postagem 659 - A guerra dos químicos, Nova Acta

19 outubro, 2017

O teste de Marsh

Arsênico é talvez o veneno mais prolífico da história, e por várias razões: tem sido historicamente fácil de obter, é inodoro e insípido, pode ser introduzido calmamente, ao longo do tempo, em pequenas doses despretensiosas e, no final, os sintomas do envenenamento por ele imitam aqueles de algumas doenças comuns. Durante a maior parte da história, não havia maneira confiável de detectá-lo, e assim o arsênico era uma ameaça à espreita, com mortes comuns e sub-relatadas.
Sabia-se, a partir de processos químicos documentados do século XVIII, que o ácido arsênico reagia com o zinco para produzir o gás arsino e, em 1836, descobriu-se que o gás, quando aquecido a uma determinada faixa de temperatura, deixava uma película estável de arsênico metálico em um pedaço vidro ou porcelana - um indicador que veio a ser chamado de "espelho de arsênico". Era este o princípio do teste de James Marsh (1794 - 1846), que podia detectar com precisão pequenas quantidades de veneno no corpo humano e, para deleite dos promotores, era aplicável em cadáveres antigos.
Além disso, o "espelho revelador" fazia uma apresentação convenientemente clara e dramática na sala do tribunal.
Talvez o uso mais famoso do teste de Marsh tenha sido no julgamento de Marie Lafarge, em 1840, no qual esta foi acusada de envenenar seu marido. A jovem Marie tinha entrado em um casamento arranjado com Charles Lafarge acreditando que ele era um rico e culto empresário, mas, quando ela descobriu que ele, na verdade, era um "lascado", com hábitos sexuais ásperos e dívida substancial, passou a colocar arsênico na comida dele.
Os amigos mencionaram que a ouviram perguntar, casualmente, sobre as obrigações com o luto (Quanto tempo você teve que se vestir de preto?). Daí, quando Charles percebeu que a devoção de sua esposa para cozinhar em casa não era um gesto de amor, já ser tarde demais.
A análise preliminar do estômago de Charles, com o procedimento de Marsh, não encontrou qualquer sinal de arsênico, mas agora era a vez da promotoria chamar Mateu Orfila, reitor da Faculdade de Medicina de Paris e principal toxicólogo da época, para seu lado. Citando uma pesquisa do cientista que afirmava que o estômago podia ser capaz de expelir o veneno, eles disseram que os testes teriam de ser feitos em outros órgãos e tecidos de Lafarge para se obter um resultado verdadeiramente definitivo.
A acusação levantou também o espectro de erro do usuário: era a primeira vez que os cientistas locais haviam realizado o notoriamente difícil teste de Marsh, em que precisavam de muita habilidade e familiaridade para acertar.
Neste ponto, nada mais restava do pobre Charles Lafarge, cujo corpo quando exumado se dizia semelhante a uma "espécie de pasta, em vez de carne". E, para superar o ônus da prova, foi o próprio Orfila que fez a análise final. Ele detectou com facilidade arsênico naquela pasta de órgãos, e Marie Lafarge foi condenada a trabalhos forçados.
Extraído de The Dramatic Courtroom Demo Designed to Expose Arsenic Murders, in Atlas Obscura.

Ilustração: Dois cientistas fazendo o teste de Marsh, 1856.SCIENCE HISTORY IMAGES/ALAMY

Ver também: 495 - O trono do conhecimento

11 junho, 2017

O jardim das plantas venenosas

Trancadas por trás de portas de aço preto em Northumberland, Inglaterra, no jardim do Alnwick Castle, vicejam cerca de cem infames assassinos. Da beladona à cicuta, a única maneira de uma planta deitar raízes no local é se ela for venenosa para os seres humanos. Criado pela Duquesa de Northumberland, este é um jardim que você não vai querer visitar para cheirar as flores.

"ESTAS PLANTAS PODEM MATAR"


Algumas destas mesmíssimas plantas têm usos medicinais. Dosis sola facit venenum (só a dose faz o veneno), como dizia o médico e alquimista suíço Paracelso.

13 maio, 2014

Hutchinsonite

Se o inferno for constituído por uma rocha em particular, provavelmente será hutchinsonite.
Descoberto em 1904 por Arthur Hutchinson, professor de Mineralogia da Universidade de Cambridge, o hutchinsonite é uma mistura de enxofre, tálio, chumbo e arsênico. Três desses quatro minerais são letais para os seres humanos, e o quarto, enxofre, não é muito agradável também.
Imagem ►
Mindat, o maior banco de dados de minerais na internet, adverte enfaticamente: "Evitar a inalação de poeira durante o manuseio ou a fragmentação. Nunca lamber ou ingerir".
Fórmula química: TlPbAs5S9.

26 agosto, 2013

Um ninho de amor

Estudiosos da vida marinha mostram esta imagem. Retrata o que um pequeno baiacu (pufferfish), trabalhando incansavelmente, conseguiu esculpir no leito do mar.


Ele não fez isso apenas para deixar o seu habitat mais bonito. Estes sulcos e ranhuras na areia, que se juntam na parte central da escultura, indicam o local em que ele espera receber uma fêmea da espécie para o acasalamento.
Além disso, ele espalhou em sua obra pequenas conchas quebradas para que sirvam de alimento aos futuros recém-nascidos.
Cadeia alimentar
Mesmo sendo venenoso (por conta da tetrodotoxina que ele apresenta), o baiacu ou peixe-balão é uma iguaria apreciadíssima na Ásia.

Small fish makes undersea "crop circles", Boing Boing

Em tempo
O vídeo gravado no fundo do mar (costa sul do Japão, 2011) que desvendou o mistério acima.

06 novembro, 2012

Proibido o chumbinho

O aldicarbe, um agrotóxico utilizado de forma irregular como raticida doméstico (chumbinho), foi banido do mercado brasileiro, no mês de outubro. Estimativas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apontam que o produto é responsável por quase 60% dos oito mil casos de intoxicação relacionados a agrotóxicos do tipo chumbinho, no Brasil, todos os anos.
“Os motivos do banimento do aldicarbe do mercado nacional estão relacionados à alta incidência de intoxicações humanas e de envenenamento de animais, devido ao desvio de uso do referido agrotóxico”, explica o diretor de Controle e Monitoramento Sanitário da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Agenor Álvares. Além disso, o aldicarbe possui a mais elevada toxicidade aguda entre todos os ingredientes ativos de agrotóxicos, até então autorizados para uso no Brasil.
O único produto a base de aldicarbe que possuía autorização de uso, no país, era o Temik 150, da empresa Bayer S/A. Trata-se de um agrotóxico granulado, classificado como extremamente tóxico, que tinha aprovação para uso exclusivamente agrícola, como inseticida, acaricida e nematicida, para aplicação nas culturas de batata, café, citros e cana-de-açúcar.
Chumbinho


O uso do aldicarbe como raticida doméstico, sob a forma do popular chumbinho, não é autorizado pelas autoridades brasileiras. “O chumbinho é um produto ilegal e perigoso para a saúde da população, sendo o uso e comércio deste agrotóxico como raticida doméstico enquadrado como uma atividade ilícita e criminosa”, afirma Álvares.
Por se tratar de um produto clandestino, o chumbinho não possui rótulo com orientações quanto ao manuseio e segurança, informações médicas, telefones de emergência, descrição do ingrediente ativo e antídotos que devem ser utilizados em casos de envenenamento. “Sem essas informações os profissionais de saúde tem mais dificuldade de agir para salvar a vida das pessoas intoxicadas pelo chumbinho”, diz o diretor da Anvisa.
Os sintomas típicos de intoxicação por chumbinho ocorrem em menos de uma hora após a ingestão e os principais sinais clínicos são: náuseas, vômito, sudorese, salivação excessiva, visão borrada, contração da pupila, dor abdominal, diarreia, tremores, taquicardia, entre outros.
Em caso de intoxicação deve-se ligar, de forma gratuita, para o Disque-Intoxicação: 0800-722-6001. O serviço é disponível para todo país e conta com profissionais especializados na orientação do tratamento de casos de intoxicação.
Ineficaz como raticida
Além de possuir elevada toxicidade aguda, o chumbinho é ineficaz no combate doméstico de roedores. Normalmente, como o primeiro animal que ingere o veneno morre de imediato, os demais ratos observam e não consomem aquele alimento envenenado.
Já os raticidas legalizados, próprios para esse fim e com registro junto a Anvisa, agem como anticoagulantes, provocando envenenamento lento nos ratos. Dessa forma, a morte do animal não fica associada ao alimento ingerido, o que faz com que todos os ratos da colônia ingiram esse tipo de veneno.
Cancelamento
Com o cancelamento do registro, estão proibidos no Brasil a produção, a comercialização e o uso de qualquer agrotóxico à base de aldicarbe.
Clique aqui para saber mais sobre o chumbinho.

Fonte: Anvisa