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10 maio, 2024

Guiomar Novaes. Terceiro mo(vi)mento

A abonação de déu em déu aparece no diálogo da crônica resultante de uma visita que o escritor paulista Monteiro Lobato (1882-1948) fez à pianista paulista Guiomar Novais (1896-1979):
— E deu muitos concertos?
— Só em Paris toquei nuns trinta, em Londres nuns oito, em Berlim noutros tantos, em Lausanne não sei em quantos...
Persiste a hipótese de que déu seja variante de deu, do verbo dar, com o sentido de viajar, chegar, ir:
"Tomando tal caminho, deu ou bateu com os costados em tal lugar".

Guiomar Novaes. Dois mo(vi)mentos

17 outubro, 2023

Guiomar Novaes. Dois mo(vi)mentos

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Monteiro Lobato (1882 – 1948) era vizinho do pianista Luigi Chiaffarelli (1856 – 1923), um italiano radicado em São Paulo. Dentre os alunos do professor de piano Luigi, o escritor paulista teve a oportunidade de conhecer a talentosa menina Guiomar Novaes (1895 –1979), em quem ele se inspirou para criar a personagem Narizinho, do Sítio do Pica-Pau Amarelo. Na vida real, Guiomar seguiu a carreira de pianista de renome internacional.
2
Em 1972, Guiomar Novaes foi convidada para a comemoração dos 50 anos da Semana de Arte Moderna, no Teatro Municipal de São Paulo, onde tocaria o mesmo repertório da sua apresentação em 1922 - com exceção da "Grande Fantasia Triunfal sobre o Hino Nacional Brasileiro", de Louis Morreau Gottschalk, por ser uma obra mal vista pela ditadura militar. A pianista compareceu no evento, subiu ao palco e tocou apenas a obra em questão, deixando o teatro sob intensos aplausos.

01 outubro, 2023

Pirlimpimpim

É uma variante de "perlimpimpim", um pó mágico que, quando aspirado, serviria para transportar o usuário através de outras dimensões do tempo e do espaço. 
Este pó mágico é usado nas viagens das personagens do Sítio do Pica Pau Amarelo, escrito por Monteiro Lobato; um especial exibido pela Rede Globo em 1982 para comemorar o centenário da data de nascimento do escritor e para promover o LP "Pirlimpimpim", lançado pela Som Livre com os temas dos personagens da série Sítio do Pica-Pau Amarelo.


26 fevereiro, 2020

Sus!

Ao ouvirmos a palavra "sus", o que logo nos vem à mente? O Sistema Único de Saúde, cuja sigla é SUS, com todas as letras sendo maiúsculas. Mas "sus" é também uma interjeição, que vem do latim sus: "de baixo para cima"; que chama à motivação: erga-se!, ânimo!, coragem! Neste contexto é sinônimo de "em frente, avante".

No "Auto da Barca do Inferno", de Gil Vicente, temos o emprego de "sus" para exprimir incitação.
Diabo:
- Ora, sus!, que fazes tu?
Despeja todo esse leito!
Companheiro:
- Em boa hora! Feito, feito!
Diabo:
- Abaixa aramá esse cu!

A parte instrumental da introdução do Hino Nacional Brasileiro já teve uma letra (com "sus" no verso final), que acabou excluída da versão oficial do hino. Essa letra é atribuída a Américo de Moura, natural de Pindamonhangaba, presidente da província do Rio de Janeiro, nos anos de 1879 e 1880.
"À sombra da lei, à brisa gentil
O lábaro erguei do belo Brasil
Eia! Sus, oh, sus!"
http://blogdopg.blogspot.com.br/2015/04/a-letra-de-introducao-do-hino-nacional.html


A Casa das Interjeições parecia mesmo um viveiro de papagaios. Assim que entrou, Emília viu passarem correndo dois gemidinhos de DOR, as Interjeições Ai! e Ui! Logo em seguida viu, a dar pulos, três gritinhos de ALEGRIA: — Ah! Oh! Eh! Depois viu três de nariz comprido, as Interjeições de DESEJO: — Tomara! Oh! Oxalá! E viu três num entusiasmo doido — as Interjeições de ANIMAÇÃO: — Eia! Sus! Coragem! E viu quatro de APLAUSO, batendo palmas: — Viva! Bravo! Bem! Apoiado! E viu mais quatro com caras de horror e nojo, que eram as Interjeições de AVERSÃO: — Ih, Xi! Irra! Apre! E viu algumas de APELO, chamando desesperadamente alguém: — Olá! Psiu! Alô! E viu duas de SILÊNCIO, encolhidinhas, de dedo na boca: — Psiu! Caluda! E viu uma bem velhinha, de ADMIRAÇÃO — Cáspite!
"Emília, no País da Gramática", Monteiro Lobato

27 outubro, 2017

Direitos sobre a obra de Monteiro Lobato

"Um País se faz de homens e livros." – ML (Taubaté, 18 de abril de 1882 – São Paulo, 4 de julho de 1948)

Em 2007, por meio de acordo com os herdeiros, o STJ concedeu à Editora Globo os direitos exclusivos sobre a obra de Monteiro Lobato, até 2018, ano em que o legado do autor deverá entrar em domínio público, pois terão se passado 70 anos de sua morte.

A propósito
"O homem que não lê bons livros não tem nenhuma vantagem sobre o homem que não pode lê-los." – Mark Twain

30 outubro, 2015

O Saci-Pererê: Resultado de um inquérito

Em 1917, Monteiro Lobato (1882-1948) propôs aos leitores do "Estadinho", suplemento do jornal O Estado de São Paulo, do qual era colaborador, que enviassem cartas contando tudo o que soubessem ou tivessem ouvido falar sobre o mito do Saci-Pererê. Especificamente, pedia respostas a três perguntas:
  1. Qual a sua concepção pessoal do Saci; como o recebeu na sua infância; de quem recebeu; que papel representou tal crendice na sua vida etc.
  2. Qual a forma atual da crendice na região do país em que o leitor vivia.
  3. Que histórias e casos interessantes conhecia a respeito do Saci.
O inquérito recebeu dezenas de respostas, que apresentaram tons variados. Muitas traduziam uma nostalgia da infância passada em fazendas do interior de São Paulo e Minas Gerais, outras atribuíam a crença no Saci à ignorância da população rural.
Esses depoimentos foram reunidos em um livro que foi publicado em 1918.
É o primeiro livro a tratar da crença no Saci, um dos personagens mais conhecidos do folclore brasileiro. Lobato, porém, não assinou a obra como autor, considerando que o seu papel havia sido apenas de editar os textos que recebera.

http://pt.calameo.com/read/0021406452eb7430371b0

"Sou adepto do Saci. 100% nacional, não é chato, não toca campainha, não pede doces e não fala inglês. Nem precisa!
31 de outubro, Dia do Saci!" – Aldo Rebelo

02/11/2015 - Atualizando ...
Esta nota foi republicada ontem no Jornal GGN - hoje c/ 4 comentários.

12 junho, 2009

Gato, tijolo & família

Certa vez, atinou Monteiro Lobato com a grande quantidade de conceitos e definições que existiam para o humor. Uns pretensiosos, outros científicos, ao fim das contas, muitos. O que lembrava a superabundância de remédios para a tosse, com a mesma limitação de que nenhum realmente servia. Para Lobato, a tosse e o humor apresentavam circunstâncias causadoras vagamente compreendidas. Daí o duplo fracasso: dos xaropes "peitoraes" (para quem se fiava nos reclamos) e dos conceitos, definições e que tais sobre o humor.
No que se refere à tosse, registra-se, porém, a nítida melhora do quadro. A partir do muito que se tem investigado sobre as causações dela. E, assim, a medicina já mostra, nos últimos tempos, apreciáveis avanços no sentido de debelar o incômodo sintoma. Máxime, quando consegue curar a doença que ocasiona a tosse. Quem já teve, por exemplo, uma bronquite na qual o rir é substituído pelo tossir, é que sabe valorizar essa conquista da medicina. E pensar, ilustre passageiro, que tudo começou com o Rhum Creosotado...
Mas, voltemos ao escritor paulista. Inconformado com a existência de uma definição - realmente satisfatória - para a questão do humor, que fez ele? Formulou uma, inteiramente pessoal, valendo-se do chamado método peripatético. Trocando em miúdos, aliás, porque estava sem eles, Lobato dispensou o ônibus habitual. E pôs-se a andar, andar, andar... enquanto matutava. Assim foi que, ao cabo de 6.201 passos, chegou a esta genial (porque simples) noção. "Humor é a maneira imprevisível, certa e filosófica de ver as coisas." Repare que cada adjetivo qualificador custou 2.067 passos, o rendimento do método.
Ele, melhor que Taine, Bergson e Freud, autores de ensaios clássicos sobre o assunto, foi quem solveu o problema conceitual do humor. E fê-lo numa linguagem clara, objetiva e derradeira, dando quinau nos espíritos sedentários (adeptos já naquela época do vale-transporte). Acredito mesmo que a concepção lobateana para o humor possa ser ilustrada por uma velhíssima anedota. Aquela sobre a diferença entre o gato, o tijolo e a família, cuja resposta consiste em atirar os dois primeiros numa parede. Pois "o que miar será o gato".

Prossiga a leitura dessa crônica no Preblog.

01 abril, 2008

Sobre sobrancelhas

Há pessoas cujas sobrancelhas se fundem na linha média da testa. Conectadas (a causa é genética), deixam de formar um par. E viram uma única, grande e vistosa sobrancelha.
Diz-se, em inglês, que essas pessoas têm only one eyebrow.
No Brasil, como exemplo de alguém que foi do tipo, ocorre-me à lembrança Monteiro Lobato (imagem ao lado). Que era fisionomicamente descrito como portador de "sobrancelhas de taturana".

Existem sites dedicados a essas pessoas. Um deles é o www.monobrow.com.