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27 agosto, 2026

"Dom Pedro pichador"

O termo 
Refere-se a uma curiosidade histórica bem-humorada sobre Dom Pedro II, o último imperador do Brasil, que tinha o hábito de assinar e escrever seu próprio nome em monumentos históricos durante suas viagens internacionais. Assim como outros viajantes da época, Dom Pedro II tinha a mania de grafitar o próprio nome pelos locais onde passava
No século XIX, esse tipo de marcação era comum entre viajantes e exploradores da elite para registrar sua passagem, diferindo do conceito moderno de pichação urbana e vandalismo. No Egito, Dom Pedro II escreveu o nome nas pedras externas da Pirâmide de Quéops, no sarcófago da mesma pirâmide e em uma ruína próxima de onde ele acampou. Além dessa, deixou uma inscrição numa rocha em Imatra, na Finlândia, em agosto de 1876.

(Tuomas Vitikainen)

No Ano-Novo de 1877, ele estava desbravando as cataratas do rio Nilo quando anotou em seu diário, no dia 1º:
"No ponto mais alto do rochedo de Abousihr deixei a seguinte inscrição: 1º de jan. 1877, D. Pedro d’Alcântara, V. de Bom-Retiro, Artur T. de Macedo Brésiliens."
Repercussão atual 
O tema frequentemente vira meme e debates na internet sobre o monarca ser "o primeiro pichador brasileiro".
Fontes: Veja, Aventuras da História e Instagram

18 novembro, 2017

"Cão Fila Km 26"

Imagem: veio daqui
Há bordões que por uma razão, ou outra, marcam definitivamente. "Ponha um tigre no seu carro" se referindo à gasolina dos postos Esso. "Maria sai da lata" se referindo ao óleo "Maria", (*) do avô do meu amigo Laodse de Abreu Duarte. Ou a famosa pichação, dos anos 60 e 70 nos muros e nas estradas paulistas: "Cão Fila Km 26" feitas pelo lendário criador de cachorros desta raça, Antenor Lara Campos, o Tozinho, que morreu com 87 anos, em 2012. Contava, em meio a muitos palavrões, achando graça, suas aventuras com essas pichações. Chegou a ser preso pelo militares que imaginaram pudesse ser a sigla de algum comando comunista. Tozinho morava na Estrada do Alvarenga, em São Bernardo, num sítio de 30 mil m², banhado pela represa Billings. O Km 26, que aparecia na inscrição, segundo Tozinho, não existe. "A estrada termina no Km 25. Aumentei um por minha conta." Mas nada o impediu de pichar, pessoalmente, usando uma camionete fornida de tinta, de São Paulo a Manaus. Tanto sucesso só se compara às pichações das casas Pernambucanas. Era um tempo em que não havia ainda os grafiteiros, e foram essas suas primeiras pichações escritas em pedras, porteiras, tronco de árvores, casas abandonadas, carcaça de automóveis, nas cidades e ao longo das estradas, muito poucas pavimentadas, àquela época, que mostraram a força da propaganda. "Cão Fila Km 26" chegou a ganhar premio de uma associação de publicidade e marketing. Tozinho nunca foi receber o premio em dinheiro com medo de ser preso e obrigado a pagar multa maior do que o premio.
http://elunardelli.blogspot.com.br/2014/04/aqui-ha-otis.html

(*) No Ceará, corresponderia à Neguinha do Pajeú, estampada na lata do óleo de cozinha Pajeú, personagem de um produto da Siqueira Gurgel que se  transformou em uma expressão bastante usada pelos cearenses para designar uma pessoa sapeca e sem modos. N. do E.

16 abril, 2017

Grafite: se permite; pichação é predação

No Brasil 
Existe uma diferença entre o grafite e a pichação. Ambas tendem a alimentar discussões acerca dos limites da arte, sobre arte livre ou arte-mercadoria, liberdade de expressão, sobre Pollock, Rothko e Basquiat.
O grafite, em princípio, é bem mais elaborado e de maior interesse estético, sendo socialmente aceito como forma de expressão artística contemporânea, respeitado e mesmo estimulado pelo Poder Público. Já a pichação é considerada essencialmente transgressiva, predatória, visualmente agressiva, contribuindo para a degradação da paisagem, vandalismo desprovido de valor artístico ou comunicativo. Costumam ser enquadradas nessa categoria as inscrições repetitivas, bastante simplificadas e de execução rápida, basicamente símbolos ou caracteres um tanto hieroglíficos, de uma só cor, que recobrem os muros das cidades. A pichação é, por definição, feita em locais proibidos e à noite, em operações rápidas, sendo tratada como ataque ao patrimônio público ou privado, e portanto o seu autor está sujeito a prisão e multa (artigo 65 da Lei 9.605/98 - Lei dos Crimes Ambientais).
O grafite tende a ser feito em locais permitidos ou mesmo especialmente destinados à sua realização.
Sobre Pollock: [1] [2] [3] [4]

A placa que mantém um hospital livre de pichações
Todos os prédios da redondeza estão pichados, mas as paredes do Hospital Materno Infantil Presidente Vargas, na Avenida Independência, em Porto Alegre, permanecem limpas. Nem sempre, no entanto, foi assim – antigamente, o prédio era completamente pichado. A mudança aconteceu depois da instalação de uma pequena placa de metal na fachada, há 12 anos."Atenção, Sr. Pichador – Sua mãe, sua irmã, sua esposa ou até mesmo sua filha podem precisar de atendimento neste Hospital Público. Os recursos necessários para tal atendimento podem ter sido gastos para corrigir os estragos feitos pelo seu ato. Por favor, cooperar com a saúde pública", diz a mensagem. Segundo a equipe da instituição, é essa placa que garante a "imunidade" do hospital aos pichadores. E a ideia – veja só – foi de quem geralmente leva a culpa por tudo dentro de uma empresa – o estagiário. ;-)

Careri: apagar grafite é como queimar livros
Os romanos já faziam. Os gregos também. O grafite não foi invenção dos paulistanos, diz o arquiteto e escritor italiano Francesco Careri.
Professor de estudos urbanos da Universidade Roma Tre, onde também dirige o programa de pós-graduação "Artes, arquitetura, cidades", Careri afirma que os rabiscos nos muros são uma forma milenar de expressão.
Para ele as paredes ainda ocupam um espaço inalienável: dizer o que não é dito em nenhum outro meio, falar da vida da cidade para todos, até para quem não sabe ler.

Grafite: se permite; pichação é predação. ~ Paulo Gurgel