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17 janeiro, 2026

A astrometeorologia

A meteorologia é tão comum hoje em dia que "falar sobre o tempo" é considerado a melhor maneira de preencher silêncios constrangedores e detectar quando uma conversa está travada. A história da previsão do tempo tem suas raízes na astrologia, e não na ciência. É extremamente curioso que a Lei da Bruxaria de 1735 tenha proibido todas as previsões baseadas em meios sobrenaturais, incluindo as previsões meteorológicas (Es una bruja!),* embora os próprios britânicos tenham fundado seu Met Office (equivalente a uma Agência Meteorológica Estatal) já em 1854, com base em métodos científicos.
Fonte: The Guardian * *


* Cena de um filme de 1974 com o grupo de comédia Monty Python https://www.youtube.com/watch?v=Ux6fBfXOIuo
* * new post (a publicar)

13 junho, 2025

Sexta-feira 13

Lawson, o magnata que espalhou a superstição da sexta-feira 13
Embora a superstição seja muito antiga, creditam a Thomas W. Lawson (foto) o feito de ter fixado a data na consciência moderna com seu romance "Friday the 13th" (Sexta-feira 13), que conta a história sombria de um corretor de Wall Street que manipula o valor das ações na bolsa para se vingar de seus inimigos, deixando-os na miséria.
Sexta-feira e o número 13 já eram associados ao azar por si mesmos, segundo Steve Roud, autor do guia da editora Penguin "Superstições da Grã-Bretanha e Irlanda".
"Porque sexta-feira foi o dia da crucificação (de Jesus Cristo), as sextas-feiras sempre foram vistas como um dia de penitência e abstinência", diz ele."E a crença religiosa virou uma aversão generalizada a começar algo ou fazer qualquer coisa importante em uma sexta-feira."
Por volta de 1690, começou a circular uma lenda urbana dizendo que ter 13 pessoas em um grupo ou em torno de uma mesa dava azar, explica Roud. As teorias por trás da associação de azar com o número 13 incluem o número de pessoas presentes na Última Ceia.
Até que esses dois elementos, a sexta-feira e o número 13, que já causavam receio isoladamente, acabaram se unindo - justamente com o livro de Thomas W. Lawson.
Mas a associação da data com Lawson não para por aí. Diz a lenda que alguns meses depois de publicar seu romance, mais precisamente na sexta-feira 13 de dezembro de 1907, um enorme barco que ele havia mandado construir e que levava o seu nome afundou.
O naufrágio aconteceu, na verdade, nas primeiras horas do sábado, dia 14, mas em Boston, onde Lawson vivia, ainda era sexta-feira 13.
O navio era o maior veleiro já construído sem uma máquina de propulsão. Ele transportava cerca de 60 mil barris de óleo leve quando afundou e o vazamento que causou é considerado o primeiro grande desastre ecológico do tipo.
A ligação de Lawson com a sexta-feira 13 foi apenas um dos motivos que o tornaram inesquecível. Outro é que ele nasceu e morreu na pobreza, depois de ter sido, no meio do caminho, um dos homens mais ricos dos Estados Unidos.

24 junho, 2022

De onde vem a expressão "outros quinhentos"?

Hoje utilizada para se referir a algo que se pretende tirar de alguma discussão, a expressão, como tantas outras do nosso idioma, vem de Portugal. A origem foi na Península Ibérica, no século XIII.
Quando qualquer fidalgo da época se sentia lesado por alguma injúria tinha o direito de pedir a condenação do agressor. Se fosse constatada de fato a agressão, o responsável teria de pagar 500 soldos (moedas de ouro na Roma antiga) para ser absolvido.
Se o condenado voltasse a cometer um delito semelhante, deveria pagar outros 500 soldos. “Compreende-se que outra qualquer vilta, vitupério sem razão, posterior à multa cobrada, não seria incluída na primeira. Matéria para novo julgamento. Outra culpa. Outro dever. Seriam, evidentemente, outros quinhentos”, escreveu Luis Câmara Cascudo em seu livro "Locuções Tradicionais no Brasil".
Vem daí a expressão: se cometer um delito, vão embora quinhentos soldos. Mas e se cometer uma nova injúria? Bom, aí são outros quinhentos…

No Dicionário de Humor Infantil, de Pedro Bloch:
"Eu acho mil reais. Aí eu devolvo ao dono quinhentos reais e fico com os outros quinhentos para pagar minha honestidade."
São outros quinhentos, não é?
Mas a origem da expressão segundo Câmara Cascudo é insuperável.

01 abril, 2020

A origem proximal do novo coronavírus

O novo coronavírus SARS-CoV-2 surgiu como resultado de uma evolução natural, segundo um artigo publicado na Nature Medicine. A análise de dados públicos da sequência do genoma do vírus causador da Covid-19 comprovou que o organismo não foi produzido em laboratório ou manipulado de outra forma.
"Ao comparar os dados disponíveis da sequência do genoma para cepas conhecidas de outros coronavírus, pudemos determinar firmemente que o SARS-CoV-2 se originou a partir de processos naturais", disse Kristian Andersen, um dos autores do estudo, em comunicado.


Ao Editor:
SARS-CoV-2 é o sétimo coronavírus conhecido por infectar seres humanos. SARS-CoV, MERS-CoV e SARS-CoV-2 podem causar doença grave, enquanto HKU1, NL63, OC43 e 229E estão associados a sintomas leves. Aqui, revisamos o que pode ser deduzido sobre a origem do SARS-CoV-2 a partir da análise comparativa de dados genômicos. Oferecemos uma perspectiva sobre os recursos notáveis ​​do genoma SARS-CoV-2 e discutimos cenários pelos quais eles poderiam ter surgido. Nossas análises mostram claramente que o SARS-CoV-2 não é uma construção de laboratório ou um vírus propositadamente manipulado.
The proximal origin of SARS-CoV-2. Nat Med (2020). https://doi.org/10.1038/s41591-020-0820-9
Autores: Kristian G. Andersen (EUA), Andrew Rambaut (Grã-Bretanha), W. Ian Lipkin (EUA), Edward C. Holmes (Austrália) e Robert F. Garry (EUA).

10 março, 2020

Origem do termo "meganha"

Matéria enviada por Jaime Nogueira:

👮 Em diversas partes do Brasil, meganha é um sinônimo informal (em geral com conotação depreciativa) para um policial. Originalmente, meganha designava especificamente os antigos "soldados de polícia", membros das guardas provinciais na época do Brasil Império, que ganhavam a metade dos soldos dos militares do Exército, de posição hierárquica equivalente – daí o nome de "meia-ganhas", que evoluiu para "meganha".
Com a extinção das antigas "forças públicas" e dos "soldados de polícia" e a criação da Polícia Militar nos Estados, o termo meganha teve seu sentido expandido até abranger todo e qualquer policial ou guarda (militar, civil, guarda municipal, agente de trânsito etc.).
Em São Paulo, é difundida a tese de que a palavra viria de "me ganha", do verbo “ganhar” – como numa frase supostamente dita por um delinquente: "me ganha" (no sentido de "me pega" (se conseguir).
No entanto, a palavra é muito anterior a esse sentido novo de “ganhar”, e muito mais espalhada geograficamente; "meganha", aplicada aos membros das antigas forças públicas, remonta aos tempos da Guerra do Paraguai (1864 a 1870), em que se permitiu aos membros dessas forças provinciais lutarem junto aos militares.
Ademais dos registros históricos que comprovam o uso de "meia ganha", já dois séculos atrás, nota-se, por fim, que o substantivo "meganha", com a pronúncia hoje observada no Brasil (em que o "e" tem som próprio, de "e", e não de "i") não poderia vir da expressão "me ganha", que obrigatoriamente teria entrado na língua informal dos brasileiras com a pronúncia "miganha", em consonância com a pronúncia geral do pronome "me" átono.

Extraído de: dicionarioegramatica.com.br

06 junho, 2019

Café x Cerveja

Entre as bebidas super populares há a cachaça, a cerveja e o café. Os gaúchos até abrem mão do vício matinal do café mas não deixam de tomar seu chimarrão. [...] E o chocolate? Este dispensa comentários.
Eicardo Mallet, em Tudo que vicia começa com "C"(vídeo)

Diz a lenda que, no século nove, um pastor de cabras etíope descobriu o café, por acaso, ao perceber o efeito dos grãos sobre o comportamento das cabras que os ingeriam.
O café é um psicoativo. Em doses elevadas, pode causar alucinações e apresenta risco de morte. A dose letal de cafeína para um adulto é a que existe em cerca de 100 xícaras de café.
Na antiga cultura árabe havia apenas uma maneira de uma mulher poder se divorciar legalmente: se o seu marido não providenciasse café suficiente.
[https://blogdopg.blogspot.com/2012/12/fatos-sobre-o-cafe.html]
Em 1992, a descoberta da evidência química de uma cerveja de 5000 anos, encontrada em Godin Tepe, nas montanhas Zagros, Irã, foi relatada na revista Nature. A cerveja era a bebida fermentada preferida dos antigos sumérios. A evidência química foi encontrada a partir de um resíduo orgânico dentro de um vaso de cerâmica que, aparentemente, foi usado para fermentação ou armazenamento de cerveja. Alguns sulcos foram encontrados dentro do frasco de dupla manipulação que continha um resíduo amarelado pálido que deu um teste positivo para o íon de oxalato. O oxalato de cálcio, apenas ligeiramente solúvel em água, é o componente principal do sedimento que se instala na cerveja de cevada.
[TIS, Today In Science]

"Por Deus, esta bebida de satanás é tão deliciosa que seria uma lástima deixá-la para o uso exclusivo dos hereges. Vamos burlar o diabo, batizando-a", teria dito o papa Clemente VIII (1536-1605), ao provar pela primeira vez o café, uma bebida que continha uma substância ainda questionável na época, a cafeína.
[https://blogdopg.blogspot.com/2015/05/cafe-com-humor.html]
Há uma hipótese de que as Pirâmides do Antigo Egito não foram construídas por escravos. Foram construídas por egípcios - pagos pela execução dos trabalhos. Os faraós sabiam que seus súditos tinham de estar ocupados e felizes para que não viessem com problemas. Então, criaram um programa de empregos para a construção das Pirâmides. Com o truque egípcio de como transportar as pedras para as Pirâmides e o trabalho pago em cerveja, a felicidade era geral.
[http://blogdopg.blogspot.com/2016/08/a-construcao-das-piramides-do-antigo.html]

É mais fácil transportar cerveja do que café
Usando câmeras de alta velocidade para gravar as ondas de movimento que se formam na superfície da cerveja escura Guiness, da cerveja âmbar Heineken e do café, pesquisadores descobriram os efeitos de isolamento da espuma.
[https://blogdopg.blogspot.com/2015/08/transporte-de-liquidos.html]

Café para gostar mais das pessoas pela manhã.
Cerveja para odiar menos as pessoas à noite.
Cerveja é bom para fazer surgir no cérebro grandes ideias.
Café é bom para executar essas ideias.


"Garçom, suspenda o cafezinho e me traga outra caneca de cerveja – com colarinho, por favor!"
"Se você vê um copo de cerveja nesta foto, você pode ter um problema."


Outra luta do século: Caipirinha x Cerveja

14 outubro, 2017

A origem da Coca-Cola

Em 1886, a Coca-Cola foi vendida ao público pela primeira vez na fonte de soda da Jacob's Pharmacy em Atlanta, Georgia. Este refrigerante foi inventado pelo farmacêutico John Stith Pemberton, que o preparava em uma grande chaleira de latão pendurada sobre um fogo no quintal.
Até 1905, a bebida, comercializada como um "tônico de cérebro e nervo", continha extratos de cocaína e da noz de cola, que é rica em cafeína. O produto era um xarope misturado com água carbonada e servido em copos de vidro (imagem).
O nome, usando os dois "Cs" de seus ingredientes, foi sugerido por seu contador Frank Robinson, cuja excelente caligrafia forneceu as primeiras letras de "Coca-Cola" para o seu famoso logo.
Originalmente concebida como um remédio, a Coca-Cola foi comprada pelo empresário Asa Griggs Candler, cujas táticas publicitárias levaram a bebida ao domínio do mercado de refrigerantes no mundo, ao longo do século XX.

(postagem não patrocinada)

20 fevereiro, 2016

A origem do atual esquema de cores para os semáforos

Este esquema de cores deriva de um sistema utilizado nas ferrovias inglesas a partir da década de 1830. Naquela época, as companhias ferroviárias adotaram um sistema de cores iluminadas que, representando ações diferentes, indicava aos condutores de trem quando deveriam parar ou ir adiante.
Escolheram o vermelho como a cor em que deviam parar porque o vermelho, por séculos, vinha sendo usado para indicar perigo. Para as outras ações, escolheram o branco como a cor para ir e o verde como a cor para esperar.
A escolha da cor branca para ir acabou por causar uma série de problemas. Como um incidente, em 1914, causado por uma lente vermelha que, ao cair de sua posição, deixou a luz branca atrás dela exposta. Disso resultando que um trem se chocasse com outro.
Então, a ferrovia decidiu que, daí em diante, a luz verde passaria a significar ir. A luz vermelha continuaria sinalizando como anteriormente. E, para a advertência, foi escolhida a luz amarela, principalmente por ser uma cor bem distinta das outras duas cores.

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