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13 junho, 2026

Aversão estética

Esta imagem é uma ilustração histórica da revista britânica "Punch", publicada em 17 de fevereiro de 1877, satirizando as modas da época.
A cena retrata um diálogo social sobre "verdadeiro refinamento artístico", com foco nas cores vibrantes de roupas femininas.
O texto menciona a aversão de um personagem aos novos corantes sintéticos derivados do alcatrão de hulha, populares na época por produzirem cores intensas como malva e magenta.


Anfitrião:
"Vamos descer para a ceia, Sr. Mirabel. Permita-me apresentá-lo à Srta. Chalmers."
Sr. Mirabel:
"Sei. É a jovem alta ao lado de sua esposa!"
Anfitrião:
"Sim. Ela é a garota mais charmosa que conheço."
Sr. Mirabel:
"Eu não duvido. Mas... ah, como me afetam os corantes sintéticos, você não sabe! Eu realmente não poderia descer para a ceia com uma jovem que usa guarnições malva na saia e fitas magenta no cabelo!"
Anfitrião:
"Sim, ela é a garota mais charmosa..."

06 janeiro, 2020

Cabeça de Porco

Para os cariocas o termo "cabeça-de-porco" é sinônimo de "cortiço". O nome foi emprestado pela maior casa de cômodos de aluguel da capital. Construído pelo conde d'Eu, marido da princesa Isabel, seus enormes aposentos eram subdivididos por placas de madeira. Duas mil pessoas moravam ali! Sobre os portões em vez das habituais estátuas de leões, havia uma enorme cabeça de porco.
No início da noite de 26 de janeiro de 1893, por ordem do prefeito do Distrito Federal, Cândido Barata Ribeiro, a polícia ocupou o mais célebre dos cortiços cariocas da época, conhecido como Cabeça de Porco, no centro da cidade. A estalagem, conjunto de casinhas onde viviam de quatrocentas a 2 mil pessoas, conforme a fonte, foi em seguida desocupada, sem que se desse aos moradores o tempo necessário para recolher suas coisas — e, em poucas horas, demolida. A justificativa apresentada para a "decepação" — como escreveu o Jornal do Brasil — do Cabeça de Porco foi que se tratava de um "valhacouto de desordeiros".
Para o historiador Sidney Chalhoub, sua destruição "marcou o início do fim de uma era, pois dramatizou, como nenhum outro evento, o processo em andamento de erradicação dos cortiços cariocas" — do qual decorreria, imediatamente, o surgimento das primeiras favelas do Rio de Janeiro. Ilustração da mentalidade das elites, e não apenas as da época, para as quais classes pobres seriam sinônimo de classes perigosas, a brutal eliminação do Cabeça de Porco foi uma prefiguração do "bota-abaixo" que, dez anos depois, na gestão do prefeito Pereira Passos, mudaria a face do Rio de Janeiro.

03 maio, 2018

A vida brasileira no princípio do século 19

Livro: Malerische Reise in Brasilien
Data: 1835
Autor Moritz Rugendas
Rugendas veio em expedição ao Brasil no século XIX e visitou os principais estados do Norte ao Sul. O seu livro Malerische Reise in Brasilien foi publicado em 1835 e traz uma seleção de cem desenhos, entre inúmeros feitos in loco, litografados pela famosa prensa de Engelmann. Muitos dos textos presentes foram retirados de cartas e notas do próprio artista. As gravuras desta publicação trazem um autêntico valor documental, de máxima importância para o estudo da vida brasileira no princípio do século XIX.
Um exemplar deste livro de Rugendas encontra-se na Unifor, à entrada da biblioteca central, no interior de uma caixa de vidro. O código QR do objeto exposto possibilita, através do telefone celular, folheá-lo e baixá-lo do site Flickr. (11/09/2017)
https://www.flickr.com/photos/uniforcomunica/albums/72157680611577376

27 novembro, 2017

Os repugnantes anúncios relacionados a escravos

Abolida em 1888 e tendo contribuído para a queda do Império no ano seguinte, a escravidão foi o fato mais obscuro da história do Brasil em que índios e, principalmente, negros eram tratados como animais e sem qualquer direito civil. Pessoas vendiam, compravam e até alugavam escravos, em uma atividade que movimentava a economia brasileira no século 19.
Como se sabia quem vendia, quem comprava ou quem alugava? Como se reportava à fuga de escravos que, cansados de tanto sofrimento, fugiam de seus proprietários? Por meio de anúncios de jornal.
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Douglas Nascimento, do site São Paulo Antiga, fez uma seleção de 14 anúncios relacionados a escravos do jornal "Correio Paulistano", que foram veiculados entre os anos de 1857 e 1879. Considerados normais e corriqueiros naqueles tempos, os anúncios hoje causariam repulsa e indignação, confira-os.
Estes anúncios não podem ser esquecidos, pelo contrário. São provas documentais de um passado terrível da história do Brasil.

(matéria sugerida pelo colaborador Jaime Nogueira)

17 julho, 2017

O prognosticador da tempestade

Conhecido também como o barômetro da sanguessuga, o prognosticador da tempestade (tempest prognosticator) é um invento do século XIX que o mundo está a dever a George Merryweather.
Nesta invenção, doze sanguessugas são mantidas em pequenas garrafas abaixo de um sino. Quando as sanguessugas se agitam por uma tempestade que está se aproximando, elas tentam sair das garrafas para entrar em tubos de metal e, com isso, acabam acionando um pequeno martelo que bate no sino.
A sanguessuga teria dificuldade em entrar nos tubos, mas tentaria fazê-lo se fosse suficientemente motivada pela probabilidade de mau tempo. Ao tocar o sino significaria que aquela sanguessuga individual está indicando que uma tempestade se aproxima. Merryweather referia-se às sanguessugas como seu "júri de conselheiros filosóficos" e que, quanto mais delas tocassem o sino, mais provável seria uma tempestade.
Em seu ensaio, Merryweather também observou outras características do projeto, incluindo o fato de que as sanguessugas eram colocadas em garrafas de vidro dispostas em um círculo para evitar que eles sentissem "a aflição do isolamento".
O Dr. Merryweather, curador honorário do Museu da Sociedade Literária e Filosófica de Whitby, detalhou a sensibilidade que as sanguessugas medicinais exibiam em reação às condições elétricas na atmosfera. Ele se inspirou nestas duas linhas do poema "Sinais de Chuva", de Edward Jenner: "The leech disturbed is newly risen; Quite to the summit of his prison".
Merryweather gastou muito do seu tempo, em 1850/51, desenvolvendo suas ideias e criando seis projetos a respeito de seu dispositivo "eletromagnético-atmosférico conduzido pelo instinto animal". Estes variaram de uma versão barata, que ele previu seria usado pelo governo e as indústrias navais, até um projeto bem mais caro. O design caro, inspirado na arquitetura dos templos indianos, foi feito por artesãos locais e mostrado na Grande Exposição de 1851, no Crystal Palace, em Londres.

https://en.wikipedia.org/wiki/Tempest_prognosticator - c/ imagens