22 fevereiro, 2026

Metamorfose ambulante

Inspirado no livro "Metamorfoses", do poeta latino Ovídio, Raul Seixas criou este hit aos 12 anos. Ao ouvir a canção quase pronta, Paulo Coelho desdenhou dela, embora adiante tenha-se arrependido.
Seu verso mais emblemático é: "Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo". Que Raulzito colocou na letra "para questionar o problema das verdades absolutas".

21 fevereiro, 2026

O tangará, inteligência em um dedal

por Nelson José Cunha
A esperteza do tangará toca em um ponto que sempre me intrigou: a desproporção entre o tamanho do cérebro das aves e a inteligência efetiva de suas ações. Um cérebro diminuto, leve o bastante para voar, é capaz de produzir soluções que desafiam nossa intuição mais elementar sobre o que seja pensar.
O tangará não constrói seu ninho apenas para abrigar ovos. Ele o adorna. Não para agradar, mas para confundir. Suas estruturas visuais quebram padrões, criam ruído perceptivo, sabotam o olhar do predador. É camuflagem disruptiva - conceito que engenheiros e estrategistas humanos demoraram séculos para formular.
Ele usam fiapos de musgo e líquen, e funciona. Pesquisadores descobriram que tal estratégia reduz em 90% a pilhagem dos seus ninhos. O pássaro não sabe disso. Mas faz. E faz melhor do que muitos projetos conscientes.
Aqui reside o desconforto: chamamos isso de instinto, como se a palavra resolvesse o mistério. Não resolve. O instinto do tangará produz efeitos inteligentes, ajustados ao ambiente, eficientes e parcimoniosos. Não há desperdício cognitivo, nem exuberância inútil. Há inteligência brotando de um cérebro que cabe em um dedal.
Quando ampliamos o olhar, o espanto cresce. Corvos fabricam ferramentas, testam hipóteses, aprendem observando outros e transmitem soluções entre gerações. Papagaios reconhecem símbolos, quantidades e relações. Joões-de-barro erguem arquiteturas termicamente eficientes, orientadas ao sol, resistentes à chuva — sem engenheiro, sem cálculo formal, sem erro acumulado. Nenhuma dessas aves precisa de um cérebro grande. Precisa de um cérebro suficiente.
Essa constatação obriga a uma revisão incômoda de nossas certezas sobre nós mesmos. Há cérebros maiores do que o humano no mundo animal, e nem por isso há ciência, tecnologia ou história acumulada. O cérebro do homem primitivo não era menor nem menos complexo que o nosso; era, em essência, o mesmo cérebro, lançado em um mundo que ainda não havia aprendido a se lembrar de si. O salto humano não está no órgão, mas fora dele. Está na linguagem simbólica e em sua derivada decisiva: a escrita. Foi ela que criou algo radicalmente novo — memória fora do corpo, inteligência distribuída no tempo. Cada geração deixou de começar do zero e passou a herdar erros, acertos, técnicas e narrativas. O conhecimento deixou de morrer com quem o produziu. Somar tornou-se mais importante do que inventar. Sem isso, haveria inteligência, como há nas aves, mas não civilização.
A isso se somam as mãos. Não apenas como ferramentas anatômicas, mas como mediadoras entre símbolo e mundo. Ideias puderam virar gesto; gestos, artefatos; artefatos, tradição. Macacos têm mãos, mas não têm linguagem simbólica complexa. Papagaios vocalizam, mas não constroem cultura acumulada. O humano reuniu essas dimensões e, com isso, rompeu um limite que nenhuma outra espécie atravessou.
É nesse ponto que a comparação com a inteligência artificial se impõe. Para produzir resultados impressionantes, a IA depende de redes neurais gigantescas, consumo energético elevado, volumes colossais de dados e infraestrutura planetária. Ainda assim, o que ela faz é, em larga medida, imitação: recombina padrões já existentes. As aves, com alguns gramas de tecido neural, fazem algo mais radical — agem no mundo com economia, precisão e finalidade biológica. Um cérebro biológico tão pequeno faz, em termos proporcionais, muito mais do que nossas máquinas. Não porque seja “mais inteligente”, mas porque é inseparável da vida.
Ele não processa o mundo à distância; está imerso nele. Não calcula cenários abstratos; responde a pressões reais. Não simula consequências; sofre-as. Essa diferença ilumina algo essencial também sobre nós. Nos animais, a astúcia não se emancipa da natureza. Ela serve à sobrevivência, não ao poder.
O tangará não engana outros tangarás, não transforma sua habilidade em sistema, não cria narrativas para justificar desvios. Sua inteligência tem limite, e é justamente esse limite que a torna funcional. O humano, ao contrário, munido de linguagem, memória histórica e mãos capazes de transformar ideia em instrumento, passou a usar a astúcia não apenas para viver, mas para dominar, explorar, contornar responsabilidades. Quando a astúcia se separa da prudência, deixa de ser virtude e se torna risco sistêmico.
Nenhuma ave ameaça o ecossistema ao aprimorar sua técnica. Nós frequentemente o fazemos. Talvez, então, o espanto não devesse estar no quão inteligentes são os pássaros, mas no quão ineficientes nos tornamos ao confundir inteligência com volume — de dados, de neurônios, de discursos.
O tangará ensina, sem saber, que pensar não é acumular, mas ajustar. Não é impressionar, mas funcionar. A inteligência verdadeira não está no tamanho do cérebro nem na grandiosidade da máquina, mas na capacidade de agir sem destruir o chão que sustenta a ação.
Em um dedal de cérebro, o tangará constrói pontes invisíveis entre percepção e sobrevivência. Nós, com todo o nosso aparato simbólico e técnico, ainda insistimos em provar que sabemos mais — mesmo quando já esquecemos para quê.

20 fevereiro, 2026

Os Sete Samurais

Os cinéfilos dirão que os faroestes podem ser divididos em tudo o que veio antes de "Os Sete Samurais", de Akira Kurosawa (1954), e tudo o que veio depois. "Os Sete Samurais" nem sequer era um faroeste; a história se passava no Japão feudal, mas a autenticidade, a cinematografia e as sequências de ação influenciaram Hollywood a elevar o nível do gênero. Essa qualidade teve um preço: o filme levou um ano para ser rodado e o orçamento acabou sendo dez vezes maior do que o planejado inicialmente.
A trama, na qual uma vila contrata um grupo heterogêneo de mercenários, cada um com habilidades específicas, para combater os vilões, será familiar para você, já que muitos outros filmes utilizaram elementos dela, ou até mesmo a sua totalidade. A simplicidade da história deixa bastante espaço para o desenvolvimento da personalidade de cada personagem e para cenas de ação meticulosamente coreografadas. "Os Sete Samurais"  foi um grande sucesso e desde então se tornou um clássico, frequentemente considerado um dos melhores filmes de todos os tempos.
Com seus 207 minutos de duração, cenas extensas de esgrima e sequências de ação grandiosas, foi tão inovador quanto épico, recebendo elogios da crítica, apresentando o cinema japonês a uma geração e mudando a cultura popular para sempre. Sua história, personagens, filmagem com múltiplas câmeras e coreografia de ação reorientaram o cinema americano por gerações. Mesmo quem não viu o filme original provavelmente já viu alguma versão, seja em um remake direto, como "Os Sete Magníficos" (1960), ou em inúmeras homenagens, da comédia "Três Amigos!", com Steve Martin, à "Vida de Inseto", da Pixar. Hoje, 71 anos após seu lançamento, a obra "Os Sete Samurais" ainda ressoa.
O enredo do filme certamente lhe será familiar: no interior do Japão do século XVI, um grupo de aldeões descobre que um bando de bandidos está se preparando para atacar, justamente quando a colheita de cevada da aldeia está para acontecer. Com pouca experiência militar e praticamente nenhuma arma à disposição, esses agricultores recrutam um grupo de guerreiros para defendê-los. Vemos os aldeões recrutando samurais sucessivamente, cada um com um tipo distinto. Há o veterano sábio Kambei (Takashi Shimura); o severo mestre espadachim Kyuzo (Seiji Miyaguchi); e o espirituoso e beberrão Kikuchiyo (Toshiro Mifune) — meio Puck, meio Falstaff, e na verdade nem um samurai de verdade. Uma vez reunido, o grupo heterogêneo treina os aldeões nos fundamentos da guerra. Então chegam os bandidos, e os samurais lideram os corajosos agricultores em uma longa e emocionante defesa de sua aldeia e de seus abundantes estoques de cevada.
A Conexão Kurosawa 
Bacurau (dirigido por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles), que conta a história de uma pequena cidade fictícia que desaparece misteriosamente dos mapas e se torna alvo de um grupo de mercenários estrangeiros, inspira-se também em Os Sete Samurais. Ainda que inverta a estrutura narrativa da obra-prima de Akira Kurosawa, em que os aldeões vulneráveis buscam ajuda externa de guerreiros profissionais. Já em "Bacurau", no sertão brasileiro, ameaçada por invasores estrangeiros e nacionais, a comunidade conta com a própria força, a resiliência e as habilidades de seus moradores para se defender. (Paulo Gurgel)

19 fevereiro, 2026

Cascalho, cascalho, cascalho

Medalhista em Jogos Olímpicos tem direito a receber uma premiação em dinheiro (sin.: "cascalho") pela conquista. Aqui os valores são definidos pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB).
O repasse do COB é feito a todos os atletas brasileiros que subirem ao pódio. A premiação é de R$ 310 mil para os medalhistas de ouro, de R$ 210 mil para os de prata e de R$ 140 mil para os de bronze.
Em caso de mais de uma medalha, os atletas recebem por cada prova.
Para as modalidades em grupo (dois a seis atletas) ou coletivas (sete atletas ou mais), os valores são maiores, porém divididos entre todos os atletas do grupo ou equipe.
Grupo: Ouro - R$ 700 mil; Prata - R$ 420 mil; Bronze - R$ 280 mil.
Coletiva: Ouro - R$ 1,05 milhão; Prata - R$ 630 mil; Bronze - R$ 420 mil
Fonte: Notícias ao Minuto

18 fevereiro, 2026

Os meninos na capa do "Clube da Esquina"

Os meninos na capa do álbum Clube da Esquina são Antônio Carlos Rosa de Oliveira (Cacau) e José Antônio Rimes (Tonho). Eles foram encontrados pelo jornal Estado de Minas em 2012, 40 anos após o lançamento do disco, e processaram Milton Nascimento (83), Lô Borges (73), a gravadora e a editora por uso indevido de imagem. Pediram na justiça uma indenização de R$ 500 mil por danos morais e uso indevido da imagem.
Em setembro de 2023, a justiça do Rio de Janeiro extinguiu a ação, alegando que o direito de ação, após 40 anos de ampla divulgação da obra, havia prescrito. Os advogados deles declararam que iriam recorrer.
A foto foi tirada em 1971, perto de Nova Friburgo (RJ), pelo fotógrafo Carlos da Silva Assunção Filho, o Cafi, que encontrou os meninos em uma estrada de terra.
(https://www.noticiasdechapada.com.br/noticia/206/meninos-da-capa-de-clube-da-esquina-processam-milton-nascimento-e-lo)
Pista. Milton tinha dez anos a mais de idade do que Lô quando os dois se conheceram. Não é o que Cacau e Tonho aparentavam na foto em que foram retratados.
(https://bardomuseuclubedaesquina.com.br/os-meninos-da-capa-do-disco-clube-da-esquina/)
"A gente nunca teve foto de quando era menino." (Tonho)

17 fevereiro, 2026

Onde Está Wally? (4)

No Brasil e em Portugal, esta série é conhecida como "Onde Está Wally?", enquanto nos Estados Unidos e Canadá, o personagem se chama "Waldo". 
 A imagem ao lado é do quadrinista John McPherson. Ela mostra Wally olhando para um smartphone. Uma seta aponta para o celular, e a legenda sugere que o Google está pedindo permissão para usar sua localização.
O cartoon faz uma brincadeira com o conceito do livro "Onde Está Wally?", em que o objetivo é encontrar o referido personagem em meio a uma multidão.
A piada é que, com a tecnologia de geolocalização do Google, encontrar Wally seria fácil - o que tiraria a graça do jogo.

(1) (2) (3)

16 fevereiro, 2026

Omissão da Nova Zelândia nos mapas

A Nova Zelândia tem sido frequentemente omitida dos mapas do mundo. Considera-se que isso se deve ao uso generalizado da projeção de Mercator e à prática comum de mapeamento de colocar a Europa no centro, o que deixa a Nova Zelândia no canto inferior direito dos mapas, às vezes fazendo com que ela passe despercebida pelos cartógrafos, seja facilmente removida por um corte acidental ou simplesmente não adicionada por conveniência, ignorância ou preguiça.
Essa omissão recorrente se tornou um meme mundial. Há uma comunidade no Tumblr intitulada World Maps Without New Zealand e uma comunidade no Reddit, ou subreddit, conhecida como r/MapsWithoutNZ, ambas focadas nessa questão. No Reddit, há também comunidades semelhantes sobre a omissão da Flevolândia, nos Países Baixos; do Havaí, nos Estados Unidos; e da Tasmânia, na Austrália, nos mapas-múndi.
Finalmente, a justiça cartográfica.

15 fevereiro, 2026

"Cidade Maravilhosa"

No dia 4 de setembro de 1934, André Filho e Aurora Miranda, irmã mais nova de Carmen, entraram no estúdio da Odeon para gravar a música "Cidade Maravilhosa". 

"E se um dia você se perguntou por que Carmen teria deixado "Cidade Maravilhosa" para a irmã — quando ela própria, Carmen, poderia tê-la gravado —, não perca seu tempo", explica o jornalista e escritor Ruy Castro no livro "Carmen – Uma Biografia" (2005). "O compositor André Filho ofereceu a marchinha Cidade Maravilhosa diretamente à Aurora. Ela já gravara outras músicas dele, os dois eram amigos, e Aurora era uma cantora em fulminante ascensão".

Um ano depois de gravá-la, André Filho resolveu inscrevê-la em um concurso promovido pela prefeitura do Rio e realizado no Teatro João Caetano. Para espanto do público, tirou o segundo lugar: perdeu a primeira colocação para "Coração Ingrato", interpretada por Sílvio Caldas. Segundo os jornais da época, o público vaiou a campeã e, por pouco, não depredou o teatro. André Filho, em compensação, foi aplaudido de pé. "A maior manifestação da minha vida", escreveu o compositor no recorte do jornal "A Noite", de 11 de fevereiro de 1935.

O compositor André Filho eternizou a expressão "Cidade Maravilhosa". Até hoje, sua marchinha é tocada e cantada em cerimônias oficiais, bailes de carnaval e desfiles de rua. Mas, quem criou o epíteto?

Em artigo publicado na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, o escritor e tradutor Ivo Korytowski a Jane Catulle. Em 1913, ela publicou um livro de poemas, "A Cidade Maravilhosa" (La Ville Merveilleuse, no original), depois de conhecer o Rio de Janeiro, dois anos antes. No primeiro dos 33 poemas, ao descrever a chegada do seu navio à Baía de Guanabara, ela exaltou: "Jamais tantos esplendores deslumbraram os olhos! Aqui é a terra de todas as luzes!".

De setembro a dezembro de 1911, a poetisa francesa Jane Catulle Mendès, viúva do escritor e poeta Catulle Mendès, visitou o Rio de Janeiro, encontrando uma cidade recém-emergida de um "banho de loja" que foi a reforma urbanística de Pereira Passos. Encantada com a cidade, sobretudo pelas belezas naturais, escreveu uma série de poemas de "amor ao Rio" publicados em Paris no livro de 2013.

Se imaginarmos quão bem ela foi recebida, e a época realmente gloriosa para a cidade em que isso se passou, fica claro o motivo do encantamento que a inspirou a escrever e publicar, em 1913, em Paris, o livro de poemas, "La Ville Merveilleuse, Rio de Janeiro, poèmes". Extasiada com a beleza da cidade, os poemas, muitos deles dedicados a ilustres figuras da época faziam a apologia em regra da cidade e, graças ao título do livro, nascia o seu epíteto plenamente consagrado.

É óbvio que em textos anteriores, especialmente na imprensa, tal expressão já fora usada, como bem pesquisou Ivo Korytowski, o que deve ter acontecido com todas as cidades notáveis do mundo. Parece-nos, portanto, que a hoje totalmente esquecida Jane Catulle Mendes foi, senão a criadora, a oficializadora do epíteto do Rio de Janeiro.

Fontes
http://www.dw.com/pt-br/por-que-o-rio-%C3%A9-chamado-de-cidade-maravilhosa/a-75327797
http://literaturaeriodejaneiro.blogspot.com/2003/03/qual-origem-da-expressao-cidade.html
http://blogdopg.blogspot.com/2012/01/rio-de-janeiro-fevereiro-e-marco.html

14 fevereiro, 2026

Um gigante no slalom gigante

O esquiador Lucas Pinheiro Braathen fez história neste sábado (14) ao conquistar a primeira medalha para o Brasil em uma edição dos Jogos Olímpicos de Inverno. Ele liderou a prova do slalom gigante no esqui alpino, disputada no norte da Itália, faturando a medalha de ouro nas Olimpíadas de Milão-Cortina.
Nascido em Olso, o esquiador filho de pai norueguês e mãe brasileira começou a carreira competindo pela Noruega, quando chegou a se sagrar campeão da Copa do Mundo de esqui alpino, na categoria slalom - as principais diferenças em relação ao slalom gigante são a distância entre as portas que os atletas precisam passar ao longo do percurso e a velocidade que alcançam durante a descida.
Pela primeira vez, o Brasil (e toda a América do Sul) subiu ao pódio em uma edição olímpica de inverno. E a medalha conquistada por Lucas Pinheiro Braathen, no slalom gigante, entra para sempre na história do esporte.


Lucas volta a competir nos Jogos de Inverno na segunda-feira (16), a partir das 6h (horário de Brasília), na prova do slalom do esqui alpino.

No tempo das indelicadezas

Compartilho com vocês esta marchinha, "Não enche o saco do Chico" (autor: Vitor Velloso), do carnaval de 2017.
Com a Orquestra Royal.
A propósito de uma agressão verbal a Chico Buarque que aconteceu no "Brasil dos Coxinhas".
"Não vai passar / Intolerante nem por um segundo / Cálice, filhinho de papai / Vai trabalhar, vagabundo."

13 fevereiro, 2026

Mudando o foco

17/01/2020 — Embora muita gente não acredite ser realmente possível colonizar Marte e usá-lo com uma "segunda Terra", assim como os incrédulos cientistas Neil deGrasse Tyson e Bill Nye, o visionário Elon Musk continua sendo o maior entusiasta dessa ideia — e mais: em uma série de tweets que postou, o CEO da SpaceX detalhou seus planos de "povoar o Planeta Vermelho com nada menos do que 1 milhão de terráqueos até 2050".

10/02/2026 — Elon Musk afirma que construirá uma "cidade autossustentável" na Lua nos próximos 10 anos. Segundo ele, a SpaceX "mudou o foco", passando da colonização de Marte para a fundação de uma cidade lunar, porque o alinhamento planetário permite que a viagem de seis meses a Marte seja lançada apenas uma vez a cada 26 meses, enquanto uma viagem de dois dias à Lua pode partir a cada 10 dias.

12 fevereiro, 2026

O distanciamento social no mundo das formigas

Após o início da pandemia de COVID-19, o mundo respondeu com medidas de saúde pública, incluindo confinamentos, medidas de distanciamento social e restrições de viagens. A ideia era evitar o contato próximo para reduzir a transmissão do vírus. Mas os humanos não são os únicos a modificar o ambiente em que vivem para reduzir o risco das epidemias.
As formigas também praticam o distanciamento social quando expostas a uma pandemia.
Um novo estudo publicado na revista Science revela que as formigas-pretas-de-jardim (Lasius niger) modificam a arquitetura de seus ninhos para retardar uma infestação – uma "versão inseto" de distanciamento social incorporada ao ambiente.


O autor principal, Luke Leckie, da Universidade de Bristol, explica que as formigas são conhecidas por alterarem seu comportamento de escavação dependendo da temperatura e da composição do solo. No entanto, segundo Leckie, "Esta é a primeira vez que se demonstra que um animal não humano modifica a estrutura do seu ambiente para reduzir a transmissão de doenças."
Expostas a esporos de fungos (Metarhizium brunneum), as formigas fizeram modificações significativas no layout do formigueiro. E as entradas acabaram ficando, em média, cerca de 6 mm mais distantes umas das outras. Com esse aumento no espaçamento entre as entradas, resultou em menos pontos de aglomeração na superfície. Elas também construíram câmaras com rotas mais longas e sinuosas em locais menos centrais. E chegaram a cavar múltiplos túneis, provavelmente rotas alternativas de circulação para evitar os contatos entre si.
A análise mostrou que os ninhos redesenhados reduziram com sucesso o risco de exposição dos indivíduos à infecção.

11 fevereiro, 2026

O sapoti, onze anos depois

Postagem iniciadora da atual troca de mensagens:
Paulo, 
Onze anos depois, volto ao sapoti. Continuo seu defensor.
Onde moro hoje, a planta ainda é pequena, promessa mais do que colheita. (1) O pé em produção ficou na casa de Monlevade, já adulto, já sabendo cumprir o seu destino.
O que me surpreendeu, agora, foi o preço no Ceará. Estive aí em julho de 2025 e ele continuava girando em torno de dez reais.Uma espécie de congelamento histórico. Suprema humilhação para uma fruta não conseguir acompanhar sequer a inflação.
Enquanto isso, o mundo girou, o dinheiro perdeu valor, o salário encolheu e o sapoti permaneceu parado no tempo, como se não tivesse direito à correção monetária nem à mínima dignidade econômica. Não bastasse isso, perdeu espaço simbólico: saiu de cena para dar lugar ao kiwi, (2) fruta estrangeira, sem memória afetiva, mas com marketing, pedigree importado e status de vitrine.
O sapoti não apenas ficou mais barato. Ficou mais invisível. Tornou-se um fruto resistente, mas socialmente derrotado. (3) Não por falta de sabor, nem por deficiência nutricional, mas por abandono cultural. É a fruta que não frequentou academia, não fez intercâmbio, não aprendeu inglês.
Defendê-lo, hoje, é quase um ato político. Um gesto de memória e de teimosia. O sapoti segue ali, doce, íntegro, fiel a si mesmo — enquanto o mundo, esse sim, parece ter azedado. (4)
Nelson Cunha, Nova Lima - MG

Anotações do destinatário:
(1) Você que plantou? Se sim, meu elogio. Você está fazendo pelos sapotizeiros nas Gerais o que John Chapman fez pelas macieiras nos Estados Unidos.
(2) Os operadores de caixa dos supermercados estão confusos desde então, embora continuem hábeis em diferenciar as bananas dos abacaxis. Qualquer dia ainda vou aderir ao self-checkout.
(3) Invisível e socialmente derrotado são termos afins.
(4) Quanta doçura apesar do contraste!
Paulo Gurgel

10 fevereiro, 2026

Mensagem em frasco de loção

OMDC, San Diego, Califórnia, EUA
Fonte: https://lataco.com/captive-lotion-bottle-note

"Boa tarde. Meu nome é [informação omitida]. Minha esposa e eu estamos no Centro de Detenção de Otay Mesa (OMDC) desde 15 de abril de 2025", dizia um bilhete escrito à mão, enrolado em um frasco de loção que foi jogado por um homem mantido em cativeiro dentro do OMDC.

"Aqui faz frio o tempo todo e a comida é ruim", continua a carta. "Há 280 dias não comemos uma única fruta. Estamos todos em um grande cômodo sem portas nem janelas. Não conseguimos ver grama nem árvores. Estamos todos constantemente doentes."

A garrafa precisou ser arremessada com força suficiente para atravessar um muro de concreto, duas cercas de arame farpado, cada uma com cerca de quatro metros de altura e separadas por aproximadamente um metro e meio de cascalho, e mais três metros de estrada. Tudo isso para chegar às mãos dos participantes de uma vigília realizada em frente ao OMDC.

09 fevereiro, 2026

Localidades europeias com nomes de uma só letra


A imagem acima apresenta um mapa que destaca os Países Nórdicos e a França, com pontos marcados que indicam lugares com nomes de uma única letra, como "Å".
Os Países Nórdicos são uma região no norte da Europa e no Atlântico Norte, incluindo:
  • Dinamarca, com seus territórios autônomos da Groenlândia e das Ilhas Faroé.
  • Finlândia, com seu território autônomo de Aland.
  • Islândia.
  • Noruega.
  • Suécia.
A França, embora não faça parte dos Países Nórdicos, também é destacada no mapa, mostrando um local com nome de uma única letra.

Explicações
"Å não recebeu esse nome tão breve como um golpe publicitário; seu nome é uma palavra em nórdico antigo para " rio pequeno ".
Como resultado, há algumas vilas na Noruega , Suécia e Dinamarca chamadas Å, embora a das ilhas Lofoten seja a mais popular entre os turistas. A placa de trânsito "Å"” foi roubada com tanta frequência que a cidade a substituiu por uma que dizia "Å i Lofoten" mas após reclamações locais, a placa original de uma letra foi substituída.
Ö está localizada na Suécia, tem cerca de 90 habitantes e significa "ilha" em sueco.
Y recebeu seu nome abreviado devido ao traçado da rua principal, que é basicamente três ruas com o formato da letra "Y". Os habitantes se autodenominam Ypsilonien(ne)s."

Ånedota
«GPS, quero ir de Å para Å. Como devo proceder?»
«Para o carro, que eu quero descer».

08 fevereiro, 2026

O último violão Stradivarius do mundo

Antonio Stradivari (1644?-1737), de Cremona, no atual norte da Itália, aperfeiçoou a arte da fabricação de violinos, mas não se limitou a esse instrumento. Como mestre luthier, ele também fabricava violões. O violão Sabionari, que Stradivarius (nome latino de Stradivari) fabricou em 1679, é um dos cinco violões que sobreviveram até os dias atuais e o único que permanece tocável.
Neste vídeo, o músico norueguês Rolf Lislevand extrai a perfeição musical deste instrumento perfeito. Como especialista em instrumentos barrocos, ele é excepcionalmente qualificado para tocar o Sabionari. Aqui ele interpreta uma peça de Santiago de Múrcia (1673-1739), um compositor espanhol.

07 fevereiro, 2026

O Agente Secreto

06/02/2026
Kleber Mendonça Filho comemora a marca de 2 milhões de ingressos vendidos por "O Agente Secreto" no Brasil.

O filme segue a história de Marcelo, um fugitivo da ditadura militar brasileira, que foge para Recife em busca de paz, mas percebe que a cidade está longe da paz que deseja.

Lista de prêmios, honrarias, indicações e pendências de "O Agente Secreto"
(Fonte: Wikipédia
Prêmios: 58
Honrarias: 3
Indicações: 70
Pendências: 43

Que coincidência!

Um criador de galinhas entrou no bar da cidade. Ele sentou-se ao lado de uma mulher no balcão e pediu uma taça de champanhe.
A mulher disse: "Que estranho, eu também acabei de pedir uma taça de champanhe."
"Que coincidência", disse o homem, que acrescentou: "É um dia especial para mim. Estou comemorando."
"É um dia especial para mim também, eu também estou comemorando!", disse a mulher.
"Que coincidência!", disse o criador.
Enquanto brindavam, ele perguntou: "O que você está comemorando?"
"Meu marido e eu estamos há anos tentando ter um filho e, se você não sabe, minha champanhe é sem álcool - descobri hoje que estou grávida!", disse a mulher, cheia de alegria em seu rosto.
"Que coincidência", disse o homem. "Eu sou um criador de galinhas e há anos que todas as minhas galinhas são inférteis, mas agora elas estão todas botando ovos fertilizados."
"Isso é incrível!", disse a mulher. "O que você fez para as suas galinhas ficarem férteis?"
"Eu usei um galo diferente", disse ele.
A mulher sorriu e disse: "Que coincidência!"
(https://www.tudoporemail.com.br/content.aspx?emailid=8965 - c/ ilustração)

06 fevereiro, 2026

O burro no poço

Um dia, o burro de um fazendeiro caiu em um poço.
O animal chorou e chorou por horas, enquanto o fazendeiro tentava fazer algo para salvá-lo.
Por fim, o fazendeiro decidiu que o burro estava muito velho e que o poço estava seco há muito tempo, então não valia a pena tirar o burro do poço.
Ele chamou seus vizinhos, e cada um deles pegou uma pá e começou a jogar terra no poço.
O burro, percebendo o que estava acontecendo, começou a zurrar ainda mais alto.
Em certo momento, para surpresa de todos, o burro parou de reclamar depois de alguns arremessos de terra.
O fazendeiro olhou para dentro do poço e ficou surpreso com o que viu:
A cada lançamento de terra, o burro batia no chão com os cascos e dava um passo acima do solo.
E todos viram o burro chegar à boca do poço, pular a borda e sair trotando.

05 fevereiro, 2026

A etiqueta dos fótons

A razão pela qual um feixe de luz atravessa outro sem fazer um escândalo ou causar confusão é uma combinação da elegância natural da física e da etiqueta impecável dos fótons.
As ondas eletromagnéticas seguem o princípio da superposição, ou seja, uma espécie de encontro entre ondas bem civilizadas. Quando dois feixes de luz se encontram, eles não brigam nem tentam se empurrar para aparecer mais. Em vez disso, suas "vozes" (amplitudes) se misturam por um instante no ponto de encontro, criando um som único (o padrão de interferência). Depois dessa conversa rápida, cada feixe segue o seu caminho, sem guardar mágoas ou levar nada do outro.
Diferente de partículas com carga elétrica que interagem entre si, a luz não carrega carga elétrica, logo, os feixes não exercem forças diretamente um sobre o outro. Essa ausência de interação direta contribui para que os feixes atravessem sem interferência.
Peter Z. In Quora 

04 fevereiro, 2026

O biquíni de lacinho

O biquíni, esta peça do vestuário feminino que se originou do maiô, foi invenção de um estilista francês na década de 1940. Louis Réard, que ousou lançar uma coleção de roupas de banho em duas peças, em 1946, no desfile da streepteaser Micheline Bernardini. O nome biquíni foi em razão das explosões atômicas experimentais no Atol de Bikini, no Oceano Pacífico, imaginando Louis Réard que sua criação seria tão explosiva quanto uma bomba atômica.
Na década de 1980, os modelos asa-delta e fio dental apareceram nas areias brasileiras. Mas o fio dental só vingou no Brasil.
Quanto ao biquíni de lacinho, é também uma invenção brasileira. Do paraense David Azulay, o dono da Blue Man que sempre acreditou que a moda praia seria um dos meios mais importantes de identificação e divulgação da cultura brasileira.
Deixemos que a filha de David Azulay conte como foi a história desse "erro" que virou história.

03 fevereiro, 2026

Ratos na mala e outros afetos

Nelson José Cunha

Nas minhas idas a Nova Iorque, prefiro ficar do outro lado do rio, em Jersey City. Os hotéis custam metade do preço e são melhores. Manhattan, por valores semelhantes, oferece espeluncas com história. Minha filha, certa vez, hospedou-se em uma delas e foi surpreendida por ratos dentro da mala - um choque de realidade na cidade que nunca dorme, especialmente esses bichinhos.
Numa dessas viagens, meu pai foi conosco.
Francisco era sisudo por obrigação da farda. Em casa, porém, o uniforme ficava no cabide. Ele se desarmava. Tornava-se brincalhão, emotivo, um homem dado a afetos. Lembro-me de quando assistimos à Annie, na Broadway. Sentado ao seu lado, eu traduzia a história da menina órfã quando, de repente, vi uma lágrima escorrer por seu rosto. Aquele era o meu pai: um manteigão.
Herdei dele o gosto pela música e pela dança. Anos depois, em Nova Iorque, Annie voltou aos palcos. Não fui vê-lo. Por pura covardia. Temia reencontrar aquela lágrima - e a ausência dele, já morto. Preferi outros espetáculos. O melhor deles foi Jersey Boys.
O musical conta a história de uma banda de rapazes de New Jersey que, nos anos sessenta, rivalizou em popularidade com os Beatles. Os americanos sabem fazer esse tipo de espetáculo. Nada sobra, nada falta: som, luz, coreografia. Tudo funciona. E quem, na minha geração, nunca dançou colado ao som de Can’t Take My Eyes Off You?
No final, quando o próprio Frankie Valli surgiu em cena, a plateia explodiu. Aplaudimos de pé.
Lamento não ter assistido também a The Book of Mormon. Em seu lugar, tentamos ouvir jazz com a banda The Hot Sardines, no bar do hotel The Standard. Mas o porteiro barrou um amigo por causa da mochila e dos tênis. Ainda há lugares em que a roupa pesa mais do que a companhia.
Para não deixá-lo sozinho, desistimos. Fomos comer hambúrguer com feijão no Greenwich Village. Perdemos os espetáculos, mas ganhamos a noite: conversa solta, roupa confortável, amizade sem cerimônia.
No fim das contas, foi assim também com meu pai. Perdemos o musical que não vimos juntos, mas ficou a memória da lágrima, intacta, guardada como quem protege algo frágil na mala. Nova Iorque tem ratos, porteiros exigentes e palcos grandiosos. Mas o que realmente levamos - e o que nos acompanha de volta - são esses pequenos afetos: imperfeitos, clandestinos, e absolutamente nossos.

02 fevereiro, 2026

Bailes radiofônicos

Húngaro de nascimento, Arnold Gluckmann era maestro, arranjador e compositor. Em 1929, já o encontramos à frente de uma orquestra sinfônica no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, num concerto em que Radamés Gnatalli, então com 23 anos, brilhou como solista. Em 1934, assumiu a direção da Rádio Club do Brasil, tornando-se responsável pela entrada de diversos artistas para o broadcasting da emissora.

Nasceu aí o contato artístico de Gluckmann com o compositor Noel Rosa. O método e o formalismo musical de um, o autodidatismo e a bossa de outro. O ar sisudo e grave do maestro, em confronto com o espírito gozador e a malícia de Noel. E a opereta "A Noiva do Trocador" é fruto deste encontro de culturas.

Num tempo em que as programações das estações de rádio eram bem diferentes - aos sábados à noite, por exemplo, a Radio Club (PRA 3) transmitia a Noite de Baile Cafiaspirina, no qual uma orquestra tocava para os ouvintes dançarem em casa. E a ilustração abaixo é uma peça publicitária da Bayer, publicada em 1934 na revista Fon Fon.

01 fevereiro, 2026

A cajuína

A cajuína é uma bebida não alcoólica, feita a partir do suco do caju separado do seu tanino, por meio da adição de um agente precipitador (originalmente, a resina do cajueiro, durante muitas décadas a cola de sapateiro e atualmente, a gelatina em pó), após coado várias vezes em redes ou funis de pano, em um processo que recebe o nome de clarificação. O suco clarificado é então cozido em banho-maria em garrafas de vidro até que seus açúcares sejam caramelizados, tornando a bebida amarelada, e permitindo que possa ser armazenada por longos períodos.
Seu consumo é um ato de degustação, geralmente acompanhado de comentários e comparações sobre as qualidades daquela garrafa da bebida, ressaltando sua cor, doçura, cristalinidade, leveza ou densidade, qualidades que derivam tanto dos cajus escolhidos, quanto das técnicas de cada produtor. Essas referências revelam o sentimento de pertencimento do grupo ou família produtora e reforçam os laços entre os membros das redes familiares por onde a cajuína circula.
Atribui-se a invenção da cajuína (de acordo com Rachel de Queiroz) a Rodolfo Teófilo, um farmacêutico, escritor e pesquisador cearense (nascido na Bahia) que viveu entre 1853 e 1932. Em 2014, esta bebida típica do Piauí e do Ceará foi reconhecida pelo IPHAN como Patrimônio Cultural Brasileiro.
http://portal.iphan.gov.br/noticias/detalhes/286
A canção "Cajuína"
Nasceu de uma experiência pessoal (de luto) de Caetano Veloso, após a morte em 1972 do amigo e poeta Torquato Neto, importante figura da Tropicália. Ao visitar a família de Torquato em Teresina, Caetano foi acolhido pelo pai do poeta, Seu Eli, que lhe serviu cajuína e lhe presenteou com uma rosa. Essa experiência do acolhimento em Teresina, com a cajuína cristalina da cidade, inspiraram a composição desta música, que explora questões sobre a vida e a morte.
http://globoplay.globo.com/v/3119899/ 


Existirmos: a que será que se destina? (Dm) (Gm/6) 
Pois quando tu me deste a rosa pequenina (A7) (Dm) 
Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina (D7)  (Gm) 
Do menino infeliz não se nos ilumina (C7) (F) 
Tampouco turva-se a lágrima nordestina (D7) (Gm)
Apenas a matéria vida era tão fina (A7) (Dm)
E éramos olharmo-nos, intacta retina (D7) (Gm)  
A cajuína cristalina em Teresina. (A7) (Dm)