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18 fevereiro, 2026

Os meninos na capa do "Clube da Esquina"

Os meninos na capa do álbum Clube da Esquina são Antônio Carlos Rosa de Oliveira (Cacau) e José Antônio Rimes (Tonho). Eles foram encontrados pelo jornal Estado de Minas em 2012, 40 anos após o lançamento do disco, e processaram Milton Nascimento (83), Lô Borges (73), a gravadora e a editora por uso indevido de imagem. Pediram na justiça uma indenização de R$ 500 mil por danos morais e uso indevido da imagem.
Em setembro de 2023, a justiça do Rio de Janeiro extinguiu a ação, alegando que o direito de ação, após 40 anos de ampla divulgação da obra, havia prescrito. Os advogados deles declararam que iriam recorrer.
A foto foi tirada em 1971, perto de Nova Friburgo (RJ), pelo fotógrafo Carlos da Silva Assunção Filho, o Cafi, que encontrou os meninos em uma estrada de terra.
(https://www.noticiasdechapada.com.br/noticia/206/meninos-da-capa-de-clube-da-esquina-processam-milton-nascimento-e-lo)
Pista. Milton tinha dez anos a mais de idade do que Lô quando os dois se conheceram. Não é o que Cacau e Tonho aparentavam na foto em que foram retratados.
(https://bardomuseuclubedaesquina.com.br/os-meninos-da-capa-do-disco-clube-da-esquina/)
"A gente nunca teve foto de quando era menino." (Tonho)

06 março, 2018

As capas de disco da Elenco

[...] A arte gráfica em capas se desenvolveu com os LPs que traziam mais faixas gravadas e maior espaço de ilustração. Lançado pela Columbia nos EUA em 1948, ainda com 10 polegadas de diâmetro – aumentado para 12 em 1952 –, esse formato possibilitou que artistas visuais traduzissem o som do disco em imagens que, como nas embalagens, facilitam a venda.
Aqui no Brasil, o LP foi lançado em 1952 e, no final da década, Cesar Gomes Villela (n. 1930, Rio de Janeiro - RJ) iniciava sua trajetória de ilustrador na Odeon. Ele buscou maneiras de eliminar as imagens tradicionais usadas – foto posada do cantor, paisagens bucólicas, mulheres bonitas etc. – e substituí-las por soluções visuais menos rebuscadas que produzissem comunicação rápida em compasso com a modernidade das artes gráficas.
A guinada inventiva aconteceu quando foi convidado por Aloysio de Oliveira (músico, que acompanhara Carmen Miranda aos EUA com o Bando da Lua, e produtor) que, em 1963, fundou o selo Elenco e começou a gravar o pessoal da bossa nova. Não apenas por falta de dinheiro para grandes gastos com capas, mas também por conta do projeto que Villela já testava, os discos da pequena gravadora, além de trazerem a nata da música brasileira da época, produziram uma verdadeira revolução gráfica.
Os trabalhos do designer, em parceria com o fotógrafo Chico Pereira, se caracterizavam pelo uso do preto e branco, fotos em alto contraste, elementos gráficos trabalhados nas letras (nome do artista, nome do disco etc.) e, quase sempre, quatro bolinhas vermelhas mescladas às imagens, sendo que uma era do logo criado para o selo. Segundo o próprio artista, o propósito era ter uma imagem limpa, econômica e de comunicação imediata.
Essa aventura inovadora não durou muito. Em 1964, Villela aproveitou a instabilidade política e os amigos de música que saiam do país e foi para os EUA. Aloysio não suportou a concorrência e vendeu a Elenco para a Philips em 1967. Mas, o revolucionário projeto gráfico tornou-se a grande marca visual não só desse selo, mas da bossa nova. Ficou ainda na história do disco, imitado por muitas gravadoras.
Extraído de: Cesar Villela e as capas de disco da Elenco, por Herom Vargas
N. do E.
Adquiri em minha juventude alguns destes discos da Elenco. Eram tocados à exaustão em minha casa. Um deles, foi o clássico LP VINICIUS - ODETE LARA, de 1963. Olha ele aí:
  1. Berimbau
  2. Só por amor
  3. Deixa
  4. Seja feliz
  5. Mulher carioca
  6. Samba em prelúdio
  7. Labareda
  8. É hoje só
  9. O astronauta
  10. Deve ser amor
  11. Samba da bênção;
  12. Além do amor
Em 2008, para homenagear os 50 anos da Bossa Nova, Época fez este vídeo com a identidade visual claramente inspirada no trabalho do artista Cesar Villela, em sua fase na gravadora Elenco (com as tais bolinhas vermelhas).
Pode também lhe interessar: LP CAYMMI VISITA TOM, de 1964