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06 fevereiro, 2026

O burro no poço

Um dia, o burro de um fazendeiro caiu em um poço.
O animal chorou e chorou por horas, enquanto o fazendeiro tentava fazer algo para salvá-lo.
Por fim, o fazendeiro decidiu que o burro estava muito velho e que o poço estava seco há muito tempo, então não valia a pena tirar o burro do poço.
Ele chamou seus vizinhos, e cada um deles pegou uma pá e começou a jogar terra no poço.
O burro, percebendo o que estava acontecendo, começou a zurrar ainda mais alto.
Em certo momento, para surpresa de todos, o burro parou de reclamar depois de alguns arremessos de terra.
O fazendeiro olhou para dentro do poço e ficou surpreso com o que viu:
A cada lançamento de terra, o burro batia no chão com os cascos e dava um passo acima do solo.
E todos viram o burro chegar à boca do poço, pular a borda e sair trotando.

27 maio, 2024

O Burro Juiz, por Monteiro Lobato

Disputava a gralha com o sabiá, afirmando que a sua voz valia a dele. Como as outras aves rissem daquela pretensão, a bulhenta matraca de penas, furiosa, disse:
- Nada de brincadeiras. Isto é uma questão muito séria, que deve ser decidida por um juiz. Canta o sabiá, canto eu, e a sentença do julgador decidirá quem é o melhor artista. Topam?
- Topamos! piaram as aves. Mas quem servirá de juiz ?
Estavam a debater este ponto, quando zurrou um burro.
- Nem de encomenda! exclamou a gralha. Está lá um juiz de primeiríssima para julgamento de música, pois nenhum animal possui maiores orelhas. Convidemo-lo.
Aceitou o burro o juizado e veio postar-se no centro da roda.
- Vamos lá, comecem! ordenou ele.
O sabiá deu um pulinho, abriu o bico e cantou. Cantou como só cantam sabiás, garganteando os trinos mais melodiosos e límpidos. Uma pura maravilha, que deixou mergulhado em êxtase o auditório em peso.
- Agora, eu! disse a gralha, dando um passo à frente.
E abrindo a bicanca matraqueou uma grita de romper os ouvidos aos próprios surdos.
Terminada a justa, o meritíssimo juiz deu a sentença:
- Dou ganho de causa à excelentíssima senhora dona Gralha, porque canta muito mais forte que mestre Sabiá.
Quem burro nasce, togado ou não, burro morre.

Link: https://www.migalhas.com.br/quentes/88683/um-nacionalista-preso-por-delito-contra-a-seguranca-nacional
A condenação de Monteiro Lobato pelo Tribunal de Segurança Nacional (1941), confirma a velha fábula. A sentença deu razão ao que cantava mais forte.

28 abril, 2016

Punição exemplar

Deu no Illustrated Police News:
Uma cena extraordinária teve lugar no sábado passado em uma pequena vila a três milhas de Middleton. Um companheiro imbecil chamado James Driscott, que havia maltratado cruelmente o seu jumento, foi trazido por vários aldeões perante o magistrado, e este lhe aplicou uma punição exemplar por sua conduta desumana.
Discott, de bom grado, aliás, para que o pior não lhe acontecesse, concordou com os termos propostos para a punição – que foram estes: o burro seria colocado sobre a carroça e o proprietário, com uma correia em volta do pescoço, seria obrigado a transportar o seu servo de quatro patas pela aldeia.
22 jan 1876

Sem abrir o bico

14 janeiro, 2016

Festum Asinorum

Hoje, 14 de janeiro, é um dia de festa católica, a Festum Asinorum, que comemora a fuga do menino Jesus para o Egito para escapar da chacina de bebês que fora ordenada por Herodes, rei da Judeia.
Segundo a tradição, Jesus e Maria fugiram montados em um burro. A CRUZ NAS COSTAS
Embora a festa tenha caído em desuso, houve um tempo na Europa Medieval que a comemoração era para valer.
Durante a missa, toda a congregação e o sacerdote que presidia a liturgia zurravam feito burros.
No final da missa, o sacerdote, em vez de dizer "Ite, missa est", zurrava três vezes. E as pessoas, em vez de responder "Deo Gratias", diziam: 'Hinham, hinham, hinham.'
"Hinham" é a expressão latina para o som que o burro faz.

http://www.newadvent.org/cathen/01798b.htm
http://vaviper.blogspot.com.br/2013/01/happy-feast-of-ass.html

06 outubro, 2007

As regras do discurso

-
1) Quando um burro fala os outros murcham as orelhas.
2) E não são concedidos apartes aos que assim permanecem.

20 janeiro, 2007

Micropoemas do infortúnio - 3

O homem desasnado
levanta-se, sacode a poeira e aprende
mais este princípio einsteiniano:
o burro quando alcança a velocidade da luz
transforma-se em cor.

(Serra de Martins, RN)