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21 fevereiro, 2026

O tangará, inteligência em um dedal

por Nelson José Cunha
A esperteza do tangará toca em um ponto que sempre me intrigou: a desproporção entre o tamanho do cérebro das aves e a inteligência efetiva de suas ações. Um cérebro diminuto, leve o bastante para voar, é capaz de produzir soluções que desafiam nossa intuição mais elementar sobre o que seja pensar.
O tangará não constrói seu ninho apenas para abrigar ovos. Ele o adorna. Não para agradar, mas para confundir. Suas estruturas visuais quebram padrões, criam ruído perceptivo, sabotam o olhar do predador. É camuflagem disruptiva - conceito que engenheiros e estrategistas humanos demoraram séculos para formular.
Ele usam fiapos de musgo e líquen, e funciona. Pesquisadores descobriram que tal estratégia reduz em 90% a pilhagem dos seus ninhos. O pássaro não sabe disso. Mas faz. E faz melhor do que muitos projetos conscientes.
Aqui reside o desconforto: chamamos isso de instinto, como se a palavra resolvesse o mistério. Não resolve. O instinto do tangará produz efeitos inteligentes, ajustados ao ambiente, eficientes e parcimoniosos. Não há desperdício cognitivo, nem exuberância inútil. Há inteligência brotando de um cérebro que cabe em um dedal.
Quando ampliamos o olhar, o espanto cresce. Corvos fabricam ferramentas, testam hipóteses, aprendem observando outros e transmitem soluções entre gerações. Papagaios reconhecem símbolos, quantidades e relações. Joões-de-barro erguem arquiteturas termicamente eficientes, orientadas ao sol, resistentes à chuva — sem engenheiro, sem cálculo formal, sem erro acumulado. Nenhuma dessas aves precisa de um cérebro grande. Precisa de um cérebro suficiente.
Essa constatação obriga a uma revisão incômoda de nossas certezas sobre nós mesmos. Há cérebros maiores do que o humano no mundo animal, e nem por isso há ciência, tecnologia ou história acumulada. O cérebro do homem primitivo não era menor nem menos complexo que o nosso; era, em essência, o mesmo cérebro, lançado em um mundo que ainda não havia aprendido a se lembrar de si. O salto humano não está no órgão, mas fora dele. Está na linguagem simbólica e em sua derivada decisiva: a escrita. Foi ela que criou algo radicalmente novo — memória fora do corpo, inteligência distribuída no tempo. Cada geração deixou de começar do zero e passou a herdar erros, acertos, técnicas e narrativas. O conhecimento deixou de morrer com quem o produziu. Somar tornou-se mais importante do que inventar. Sem isso, haveria inteligência, como há nas aves, mas não civilização.
A isso se somam as mãos. Não apenas como ferramentas anatômicas, mas como mediadoras entre símbolo e mundo. Ideias puderam virar gesto; gestos, artefatos; artefatos, tradição. Macacos têm mãos, mas não têm linguagem simbólica complexa. Papagaios vocalizam, mas não constroem cultura acumulada. O humano reuniu essas dimensões e, com isso, rompeu um limite que nenhuma outra espécie atravessou.
É nesse ponto que a comparação com a inteligência artificial se impõe. Para produzir resultados impressionantes, a IA depende de redes neurais gigantescas, consumo energético elevado, volumes colossais de dados e infraestrutura planetária. Ainda assim, o que ela faz é, em larga medida, imitação: recombina padrões já existentes. As aves, com alguns gramas de tecido neural, fazem algo mais radical — agem no mundo com economia, precisão e finalidade biológica. Um cérebro biológico tão pequeno faz, em termos proporcionais, muito mais do que nossas máquinas. Não porque seja “mais inteligente”, mas porque é inseparável da vida.
Ele não processa o mundo à distância; está imerso nele. Não calcula cenários abstratos; responde a pressões reais. Não simula consequências; sofre-as. Essa diferença ilumina algo essencial também sobre nós. Nos animais, a astúcia não se emancipa da natureza. Ela serve à sobrevivência, não ao poder.
O tangará não engana outros tangarás, não transforma sua habilidade em sistema, não cria narrativas para justificar desvios. Sua inteligência tem limite, e é justamente esse limite que a torna funcional. O humano, ao contrário, munido de linguagem, memória histórica e mãos capazes de transformar ideia em instrumento, passou a usar a astúcia não apenas para viver, mas para dominar, explorar, contornar responsabilidades. Quando a astúcia se separa da prudência, deixa de ser virtude e se torna risco sistêmico.
Nenhuma ave ameaça o ecossistema ao aprimorar sua técnica. Nós frequentemente o fazemos. Talvez, então, o espanto não devesse estar no quão inteligentes são os pássaros, mas no quão ineficientes nos tornamos ao confundir inteligência com volume — de dados, de neurônios, de discursos.
O tangará ensina, sem saber, que pensar não é acumular, mas ajustar. Não é impressionar, mas funcionar. A inteligência verdadeira não está no tamanho do cérebro nem na grandiosidade da máquina, mas na capacidade de agir sem destruir o chão que sustenta a ação.
Em um dedal de cérebro, o tangará constrói pontes invisíveis entre percepção e sobrevivência. Nós, com todo o nosso aparato simbólico e técnico, ainda insistimos em provar que sabemos mais — mesmo quando já esquecemos para quê.

10 março, 2021

Autoexame

Um garotinho de 3 anos de idade examina os testículos enquanto toma banho.
"Mamãe", ele pergunta, "isto aqui é o meu cérebro?"
"Ainda não", responde a mãe.
[http://www.tudoporemail.com.br/content.aspx?emailid=15267]

Garoto esperto
A produção de espermatozoides maduros requer uma interação complexa entre uma pequena glândula na base do cérebro chamada hipófise (glândula pituitária) e os testículos. Os hormônios folículo-estimulantes (FSH) e luteinizante (LH) desenvolvidos na hipófise atuam como uma mensagem para os testículos produzirem testosterona e realizarem a espermatogênese. A testosterona é extremamente importante no desenvolvimento e manutenção das características sexuais masculinas.

13 novembro, 2020

Cerebrina

O cérebro é o órgão mais notável. Ele funciona sem parar desde seu nascimento até você se apaixonar.

20 junho, 2020

Limites do cérebro

0 por cento
Se n pessoas estiverem em um elevador e n + 1 forem pressionados, haverá pelo menos um cérebro de pombo no elevador.

100 por cento

15 janeiro, 2019

Cérebro e computador: tudo a "bugar"

A gíria "bugar" e palavras derivadas têm sua origem em "bug", uma gíria americana que significa "defeito", "falha" etc.
"Bug", segundo alguns historiadores, foi usado pela primeira vez por Thomas Edison, quando alguns insetos causaram problemas de leitura em seu fonógrafo, no ano de 1878. Outra hipótese é que o termo tenha surgido em 1945, em face da atuação de uma mariposa que impediu o funcionamento do então supercomputador Harvard Mark II.
Mesmo sendo o mais esperto dos órgãos, o cérebro (já parou para pensar que ele foi o único órgão a escolher o próprio nome?) é o grande "bugado".
"Buga-se" o cérebro através de todos os sentidos, o da visão em primeiro lugar. Estão aí as ilusões ópticas e as pareidolias que não me deixam mentir.
O consolo é que não estamos sós no reino animal. Outras espécies também compartilham conosco esses momentos de desarranjo cerebral.
[PGCS]

Ver também: Um erro no cérebro

25 setembro, 2017

Meu cérebro é como um navegador da internet

12 abas estão abertas,
5 delas não respondem,
1 gif faz uma alça interminável,
todos aqueles malditos pop-ups
e de onde vem esta música chata?
Felizmente, a mensagem de erro 
não aparece com o Esquilo Dramático do YouTube.


23 fevereiro, 2017

O mapa da situação

O dr. Sten Grillner é pesquisador do Departamento de Neurociências do Instituto Karolinska, na Suécia. Estudando como o cérebro processa informações e controla os olhos, Grillner e outros pesquisadores confirmaram que uma área chamada quadrigemina corpora, que fica situada no mesencéfalo de todos nós, vertebrados, é a responsável por isso.
O estudo foi realizado em lampreias, um peixe pequeno pouco evoluído e que está próximo da forma dos primeiros vertebrados.


A quadrigemina corpora contém uma rede complexa de neurônios que controlam os movimentos da cabeça e dos olhos. Informações de diferentes partes chegam e são ali organizadas para criar um mapa do que está ocorrendo.
É o mapa da situação.
Fonte
Uråldrigt område i hjärnan styr ögonrörelser (Antiga área do cérebro controla os movimentos dos olhos). Publicado a 16 de setembro de 2016 em eLife online (doi: 10.7554/eLife.16472)

05 dezembro, 2016

Explicações reconfortantes

1
Um estudo, divulgado na publicação científica Journal of Topics in Cognitive Science, contradiz a opinião de que as conexões cerebrais são prejudicadas com o avanço da idade.
"O cérebro humano funciona mais devagar com a idade", afirma Michael Ramscar, responsável pelo estudo, "mas somente porque nós acumulamos mais informação com o passar do tempo."
O cérebro dos mais velhos funciona como se fosse um "disco rígido de computador" que, repleto de dados, demora mais tempo para acessar suas informações.
Portanto, essa lentidão não está associada a um declínio do processo cognitivo.
"Imagine alguém que saiba as datas de aniversário de duas pessoas diferentes e consiga lembrar-se delas de maneira quase perfeita.Você realmente diria que essa pessoa (que se lembra do aniversário de duas pessoas) tem memória melhor do que outra que sabe o aniversário de 2 mil pessoas, mas só consegue dizer a data certa uma vez a cada dez tentativas?", questiona Ramscar.
"Os cérebros das pessoas mais velhas não ficam mais fracos. Pelo contrário, eles simplesmente sabem mais.".
2
Sobre um conhecido teste de cognição que requer dos envolvidos lembrar-se de um par de palavras não relacionadas como, por exemplo: "gravata" e "biscoito":
Os jovens têm melhor desempenho nesse teste, mas pesquisadores acreditam que os mais velhos apresentam dificuldades em lembrar-se de pares de palavras não relacionados – como "gravata" e "biscoito" – porque eles aprenderam que essas palavras não estão associadas.
Para o professor Harald Baayen, que lidera o grupo de pesquisa Alexander von Humboldt Quantitative Linguistics, onde a pesquisa foi feita, "o fato de que os mais velhos acham difícil memorizar pares de palavras não relacionados do que jovens adultos demonstra simplesmente que os mais velhos têm um melhor entendimento da linguagem."
"Eles têm de fazer mais esforço para aprender pares de palavras não associados porque, diferentemente dos mais jovens, eles sabem muito mais sobre os critérios de associação entre palavras."
3
Mesmo quando as pessoas mais velhas se esquecem do que iam fazer em outra dependência da casa, esse esquecimento não é um problema de memória mas apenas uma forma que a Natureza encontrou para obrigá-las a fazer mais exercício físico. É isso!
Eu sei que tenho amigos a quem deveria mandar essas explicações reconfortantes mas, no momento, não consigo recordar os seus nomes. Por isso, agradeço a quem as envie a seus próprios amigos. Quem sabe eles também sejam os meus amigos.
Fonte: BBC Brasil, com modificação

15 julho, 2016

10% all

Você sabia que só usa 10 por cento do seu carro em um dado momento? Você pode aumentar esse desempenho pisando no acelerador e nos freios ao mesmo tempo, enquanto toca a buzina continuamente e liga os faróis altos e o pisca-pisca de alerta. Execute o A/C e o aquecedor durante a transmissão simultânea de todas as estações de rádio, e certifique-se de que o isqueiro do veículo seja mantido na posição de pressionado. O sinal de incandescência iluminado no painel significa que ele está funcionando.
Além disso, os cientistas provaram que um carro precisa de gasolina para rodar. Por isso, depois de encher o tanque, certifique-se de que aspergiram alguma no interior do carro.
(Isso parece com a história dos "10 por cento do seu cérebro" e com os artigos de que "você precisa dos suplementos que vendemos".)
Dave Pacheco, Google+

14 julho, 2016

Conversa ao pé do ouvido - 2

Que orelha capta melhor um sarcasmo?
Estudos recentes com voluntários, realizados em duas universidades americanas e uma canadense, revelaram que as frases sarcásticas, ao serem ditas na orelha esquerda, obtêm tempos de resposta mais rápidos do que quando elas são faladas na orelha direita.
Acham os autores do trabalho que o hemisfério cerebral direito (relacionado com o ouvido esquerdo) é o que tem maior aptidão para a resolução das mensagens conflitantes, o que inclui as situações em que há sarcasmo.
Detection of sarcastic speech: The role of the right hemisphere in ambiguity resolution, Laterality 
Arquivo
Conversa ao pé do ouvido - 1
N. do E.
Cuidado com o sarcasmo: se você não é fluente pode machucar alguém.

07 julho, 2016

Por que suspiramos?

No The Guardian, A sigh's not just a sigh – it's a fundamental life-sustaining reflex (Um suspiro não é apenas um suspiro – é um reflexo fundamental de sustentação da vida).
Dois pequenos grupos de células nervosas no tronco cerebral – a região que é responsável pela respiração, pelo sono e por controlar o ritmo cardíaco – são elas que orquestram os suspiros.
O suspiro é disparado como uma resposta inconsciente, sempre que é necessário inflar os alvéolos pulmonares que, frequentemente, entram em colapso, prejudicando as trocas gasosas nos locais em que o fenômeno acontece.
Suspiramos pelo menos uma dúzia de vezes por hora, em uma ação reflexa que tem por finalidade preservar o funcionamento normal dos pulmões. A maioria dos suspiros, portanto, não tem nada a ver com sentimentos como tristeza, paixão ou frustração, mas tem sim a ver com... não morrer.
Na revista Nature, os pesquisadores não têm respostas concretas sobre a relação entre os suspiros e os sentimentos, mas admitem que "alguns suspiros estão relacionados com o estado emocional. O fato é que quando se está estressado, suspira-se muito mais, e talvez porque algumas emoções liberem os neuropeptídeos do suspiro (a ser confirmado).
Mario Rigatto:
"O que pode o amor fazer ao coração?" perguntava-lhes eu. "Acelerar a freqüência de seus batimentos?". " Vejam em contraste, a riqueza das manifestações afetivas do pulmão: é com o pulmão que rimos, é com o pulmão que choramos, é com o pulmão que suspiramos; é do pulmão que saem todas as interjeições afetivas; e todos os ais de amor". E, completava: "O que pode uma discreta taquicardia sinusal, quando comparada à respiração arfante de uma mulher apaixonada?".

02 abril, 2016

Cérebro x músculo

Ilustração de Tang Yau Hoong (Malásia):


Tang Yau Hoong é um ilustrador e designer gráfico nascido em Kuala Lumpur. Com uma paixão pelo pensamento criativo, ele cria arte conceitual, surreal e divertida, de forma simplista e única. Trabalha com publicidade e outros projetos de design.
MEIA6

All these works are copyrighted to the owner.

27 junho, 2015

A soneca perfeita

Tirar uma soneca é como reiniciar o cérebro. O The Wall Street Journal oferece recomendações para o planejamento de uma soneca perfeita, tais como por quanto tempo e quando se deve tirar um cochilo.
Para pegar um impulso de alerta, dizem os especialistas, um cochilo de 10 a 20 minutos é suficiente. Ao voltar ao trabalho vai notar que o seu desempenho tornou-se melhor.
Mas, dependendo do que você deseja que o cochilo faça por você, outras durações podem ser mais adequadas.
Para o processamento da memória cognitiva, um cochilo de 60 minutos é mais recomendável, diz o Dr. Mednick. Pois inclui o sono de ondas lentas que ajuda você a lembrar-se de fatos, lugares e rostos. A desvantagem: alguma sonolência ao despertar.
Por fim, o cochilo de 90 minutos, que envolve um ciclo completo de sono, é o que ajuda na criatividade e memória emocional. Acordar após o sono REM geralmente significa uma quantidade mínima de inércia do sono, diz Mednick.
O cochilo, pois, tanto é uma arte quanto uma ciência.

15 junho, 2015

Dez por cento corrigidos




Não é que as pessoas usem apenas 
10 por cento de seus cérebros.
Apenas 10 por cento das pessoas 
é que usam seus cérebros.

Miolo de pote
Pare de fazer minha cabeça!

07 maio, 2015

Cérebro Gentil

É uma peça interativa sobre a natureza fugaz dos prazeres digitais.
Gentle Brain foi encomendado pelo Etterstudio para o Museu de Arte Digital (MUDA), que abriu em Zurique no final de 2014.


Clique aqui para ver a imagem acima ampliada - com movimento.

06 fevereiro, 2015

O alfabeto do cérebro


Cada letra (26) deste alfabeto é um close-up de giros e sulcos encontrados na superfície do cérebro humano. Alguns dos padrões foram mudados de posição ou alargados.
Este projeto foi inspirado no alfabeto da borboleta criado por Kjell B. Sandved.


Depois de mais de 25 anos de fotografias, vasculhando coleções em museus de insetos, Kjell Sandved conseguiu encontrar todos as letras do alfabeto ocidental nos belíssimos e variados padrões de desenhos de asas de borboletas e mariposas.

01 janeiro, 2015

Uma breve simulação do cérebro humano

A simulação mais precisa do cérebro humano foi a que realizaram em um supercomputador no Japão. Usando um computador K, o quarto mais poderoso do mundo, pesquisadores japoneses simularam a atividade de 1 por cento do cérebro humano durante 1 segundo.
O supercomputador, que possui 705.024 núcleos processadores e 1,4 milhão de GB de memória RAM, demorou 40 minutos para processar os dados referentes à atividade cerebral.
Ele usou a Tecnologia de Simulação Neural, uma ferramenta de código aberto, para replicar uma rede neuronal composta por 1.730 milhões de células conectadas através de 10,4 trilhões de sinapses.

16 outubro, 2014

A Sociedade de Autópsia


Alguns anos atrás, sábios de Paris organizaram uma sociedade de autópsia com o objetivo de aprofundar os conhecimentos sobre a estrutura e a fisiologia do cérebro, correlacionando as características intelectuais dos indivíduos necropsiadas com as aparências post mortem de seus cérebros.
A coisa toda foi considerada uma piada científica, mas a existência da sociedade foi um fato real para um de seus membros: M. Asseline, que, havendo falecido recentemente, teve o cérebro cuidadosamente examinado pelos companheiros sobreviventes, que fizeram um relatório completo dos resultados para a Sociedade de Antropologia de Paris.
O seguinte relato sobre o assunto encontra-se em Nature, de 14 de agosto de 1879, p. 377:
"M. Asseline morreu em 1878, com a idade de 49. Ele era um republicano e um materialista; possuía uma enorme capacidade de trabalho, grande faculdade de assimilação mental e uma memória extraordinariamente retentiva, e tinha uma disposição gentil, benevolente, gosto refinado e inteligência sutil. Como escritor, ele sempre demonstrou grande aprendizado, força incomum de estilo e elegância de dicção, e na sua relação com os outros era modesto, sensível e até mesmo tímido. No entanto, a autópsia mostrou circunvoluções espessas e grosseiras, que M. Broca diria serem características de um cérebro inferior. A fossa ou depressões, especialmente a parieto-occipital esquerda, estavam muito marcadas, que Gratiolet as consideraria de um personagem símio e um sinal de inferioridade cerebral frequentemente encontrados em mulheres (sic) e em alguns homens de inferioridade intelectual indiscutível. Os ossos cranianos eram, em alguns pontos, finos e translúcidos, a sutura frontal não era totalmente ossificada, e um grau de assimetria se manifestava, com destaque, na região frontal direita. Pesava o cérebro 1.468 gramas, ou seja, cerca de 60 gramas acima da média dada por M. Broca para a idade de M. Asseline. As aparentes contradições entre o peso do cérebro e o caráter marcado das depressões parieto-occipitais, atraíram muita atenção, e os membros da Société d'Anthropologie foram seriamente convidados por M. Hovelacque para, em prol da ciência, se juntarem à Société d'Autopsie, com a qual a antropologia já estava em dívida por muitas observações importantes."
Chicago Medical Journal and Examiner, citado em New Orleans Medical and Surgical Journal, de janeiro de 1880