12 fevereiro, 2026

O distanciamento social no mundo das formigas

Após o início da pandemia de COVID-19, o mundo respondeu com medidas de saúde pública, incluindo confinamentos, medidas de distanciamento social e restrições de viagens. A ideia era evitar o contato próximo para reduzir a transmissão do vírus. Mas os humanos não são os únicos a modificar o ambiente em que vivem para reduzir o risco das epidemias.
As formigas também praticam o distanciamento social quando expostas a uma pandemia.
Um novo estudo publicado na revista Science revela que as formigas-pretas-de-jardim (Lasius niger) modificam a arquitetura de seus ninhos para retardar uma infestação – uma "versão inseto" de distanciamento social incorporada ao ambiente.


O autor principal, Luke Leckie, da Universidade de Bristol, explica que as formigas são conhecidas por alterarem seu comportamento de escavação dependendo da temperatura e da composição do solo. No entanto, segundo Leckie, "Esta é a primeira vez que se demonstra que um animal não humano modifica a estrutura do seu ambiente para reduzir a transmissão de doenças."
Expostas a esporos de fungos (Metarhizium brunneum), as formigas fizeram modificações significativas no layout do formigueiro. E as entradas acabaram ficando, em média, cerca de 6 mm mais distantes umas das outras. Com esse aumento no espaçamento entre as entradas, resultou em menos pontos de aglomeração na superfície. Elas também construíram câmaras com rotas mais longas e sinuosas em locais menos centrais. E chegaram a cavar múltiplos túneis, provavelmente rotas alternativas de circulação para evitar os contatos entre si.
A análise mostrou que os ninhos redesenhados reduziram com sucesso o risco de exposição dos indivíduos à infecção.

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