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15 fevereiro, 2026

"Cidade Maravilhosa"

No dia 4 de setembro de 1934, André Filho e Aurora Miranda, irmã mais nova de Carmen, entraram no estúdio da Odeon para gravar a música "Cidade Maravilhosa". 

"E se um dia você se perguntou por que Carmen teria deixado "Cidade Maravilhosa" para a irmã — quando ela própria, Carmen, poderia tê-la gravado —, não perca seu tempo", explica o jornalista e escritor Ruy Castro no livro "Carmen – Uma Biografia" (2005). "O compositor André Filho ofereceu a marchinha Cidade Maravilhosa diretamente à Aurora. Ela já gravara outras músicas dele, os dois eram amigos, e Aurora era uma cantora em fulminante ascensão".

Um ano depois de gravá-la, André Filho resolveu inscrevê-la em um concurso promovido pela prefeitura do Rio e realizado no Teatro João Caetano. Para espanto do público, tirou o segundo lugar: perdeu a primeira colocação para "Coração Ingrato", interpretada por Sílvio Caldas. Segundo os jornais da época, o público vaiou a campeã e, por pouco, não depredou o teatro. André Filho, em compensação, foi aplaudido de pé. "A maior manifestação da minha vida", escreveu o compositor no recorte do jornal "A Noite", de 11 de fevereiro de 1935.

O compositor André Filho eternizou a expressão "Cidade Maravilhosa". Até hoje, sua marchinha é tocada e cantada em cerimônias oficiais, bailes de carnaval e desfiles de rua. Mas, quem criou o epíteto?

Em artigo publicado na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, o escritor e tradutor Ivo Korytowski a Jane Catulle. Em 1913, ela publicou um livro de poemas, "A Cidade Maravilhosa" (La Ville Merveilleuse, no original), depois de conhecer o Rio de Janeiro, dois anos antes. No primeiro dos 33 poemas, ao descrever a chegada do seu navio à Baía de Guanabara, ela exaltou: "Jamais tantos esplendores deslumbraram os olhos! Aqui é a terra de todas as luzes!".

De setembro a dezembro de 1911, a poetisa francesa Jane Catulle Mendès, viúva do escritor e poeta Catulle Mendès, visitou o Rio de Janeiro, encontrando uma cidade recém-emergida de um "banho de loja" que foi a reforma urbanística de Pereira Passos. Encantada com a cidade, sobretudo pelas belezas naturais, escreveu uma série de poemas de "amor ao Rio" publicados em Paris no livro de 2013.

Se imaginarmos quão bem ela foi recebida, e a época realmente gloriosa para a cidade em que isso se passou, fica claro o motivo do encantamento que a inspirou a escrever e publicar, em 1913, em Paris, o livro de poemas, "La Ville Merveilleuse, Rio de Janeiro, poèmes". Extasiada com a beleza da cidade, os poemas, muitos deles dedicados a ilustres figuras da época faziam a apologia em regra da cidade e, graças ao título do livro, nascia o seu epíteto plenamente consagrado.

É óbvio que em textos anteriores, especialmente na imprensa, tal expressão já fora usada, como bem pesquisou Ivo Korytowski, o que deve ter acontecido com todas as cidades notáveis do mundo. Parece-nos, portanto, que a hoje totalmente esquecida Jane Catulle Mendes foi, senão a criadora, a oficializadora do epíteto do Rio de Janeiro.

Fontes
http://www.dw.com/pt-br/por-que-o-rio-%C3%A9-chamado-de-cidade-maravilhosa/a-75327797
http://literaturaeriodejaneiro.blogspot.com/2003/03/qual-origem-da-expressao-cidade.html
http://blogdopg.blogspot.com/2012/01/rio-de-janeiro-fevereiro-e-marco.html

27 agosto, 2022

Frescobol

Carioca da gema, o frescobol foi criado na Copacabana dos anos 1940, embalado pelas transformações por que passava o bairro da Zona Sul. Frequentadores da famosa praia iniciaram sua ressignificação, afastando-se do glamour noturno das boates e passando a ocupar a imensa área de lazer à beira-mar. Como muitos destes moradores tinham no tênis um hobby, a adaptação do esporte às areias seguiu um fluxo natural.
Uma das versões sobre a origem do frescobol credita sua criação ao arquiteto, morador de Copacabana e tenista nas horas vagas Caio Rubens Romero Lyra, que costumava levar raquetes e bolas de tênis para treinar na praia, entre os postos 4 e 5. Como os equipamentos sofriam os estragos causados pelo vento, areia e maresia, o tenista teve a ideia de desenhar raquetes de madeira resistentes à água salgada e bolas lisas, sem os pelos das usadas nas partidas de tênis.
Outra narrativa tem um protagonista diferente, mas os enredos se aproximam. Frequentador do trecho da praia entre o Hotel Copacabana Palace e a Rua Duvivier, Lian Pontes de Carvalho teria criado o esporte em 1945. Ele era dono de uma fábrica de pranchas, móveis para piscina e esquadrias de madeiras e começou a fabricar raquetes de frescobol para vender na Praia de Copacabana, com a ajuda dos salva-vidas. 
Há, ainda, uma terceira versão que assinala como pai e inventor da modalidade o escritor e cartunista carioca Millôr Fernandes. Ele é autor de um painel em homenagem ao frescobol na Praça Sarah Kubitschek, onde escreveu: "único esporte com espírito esportivo, sem disputa formal, vencidos ou vencedores".

MF jogando frescobol no Arpoador

O jogo, praticado com raquetes de madeira rebatendo uma pequena bola de borracha, é, por essência, dinâmico e sem pontuação. O objetivo é manter a bola em movimento o maior tempo possível entre os participantes. Em 2015, ao ser reconhecido como parte do estilo de vida do carioca e da paisagem cultural das praias da cidade, o frescobol foi declarado Patrimônio Cultural Carioca de Natureza Imaterial.
No mesmo ano, o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) também levantou dados sobre o jogo e mapeou os principais locais onde é praticado: Ilha do Governador (Praia da Bica), Praia do Flamengo, Praia de Copacabana (Santa Clara e Bolívar), Praia do Diabo (Arpoador), Barra da Tijuca (Pepê e Posto 7) e Recreio dos Bandeirantes (Posto 9).
Fontes
http://riomemorias.com.br/memoria/frescobol/
http://www.multirio.rj.gov.br/index.php/leia/reportagens-artigos/reportagens/1109-frescobol-das-praias-a-patrimonio-cultural