31 dezembro, 2025
Bolas do tempo
Você provavelmente já viu um punhado dessas bolas do tempo pessoalmente em prédios históricos, ou por meio de sua pesquisa olhando fotos e cartões postais antigos. Seja qual for o caso, você as notará o tempo todo agora!
A primeira bola de tempo do mundo foi testada em 1829 em Portsmouth, Inglaterra, pelo Almirantado Britânico, influenciado por um oficial chamado Robert Wauchope, que queria um sinal visual da costa para os marinheiros ajustarem seus cronômetros - em oposição à prática da época de dar a hora por sons de tiros (Kinns, Fuller e Bateman). Alguns anos depois, "uma das primeiras bolas de tempo, instalada em 1833 no Observatório Real de Greenwich, fora de Londres, Inglaterra, caía diariamente à 1 da tarde para que os capitães dos navios que passavam no Rio Tâmisa pudessem conferir a hora em seus cronômetros. Como normalmente apenas os ricos possuíam relógios pessoais, o resto da população contava com relógios de sol locais, e as bolas de tempo forneceram uma solução para padronizar o tempo real." (Matthias, Britannica ). Além disso, aqueles que tinham relógios podiam ajustá-los com precisão rastreando essas bolas de tempo.
Cada vez mais pessoas precisavam determinar a hora exata, especialmente com o crescimento das ferrovias e a necessidade de pegar trens, além da crescente força de trabalho industrial, com funcionários marcando ponto de entrada e saída de seus empregos.
"A primeira bola de tempo estabelecida nos Estados Unidos foi lançada da cúpula do Observatório Naval em Washington em 1855. A bola de tempo de Nova York, estabelecida em 1877, é lançada ao meio-dia de Nova York, por um sinal elétrico, enviado do Observatório Naval em Washington. Foi erguida e é mantida pela Western Union Telegraph Company, e é lançada de seu prédio na Broadway." (Pritchett). Curiosamente, isso foi antes do estabelecimento de fusos horários nos Estados Unidos, e o horário local em Washington era diferente do de Nova York.
No início do século XX, havia centenas, se não mais, dessas bolas de tempo, como este artigo de jornal de 1901 compartilha que "...para manter o país bem regulado no que diz respeito ao tempo, o observatório naval se compromete a corrigir os relógios do país. Quando a hora do meio-dia bate no observatório, sinais elétricos são enviados para todas as partes do país, e mais de 70.000 relógios são simultaneamente ajustados exatamente para a hora do meio-dia...Ao mesmo tempo, milhares de bolas de tempo ao longo da costa lançam seus sinais para indicar aos marinheiros e outros que a hora do meio-dia chegou" (Washington Standard, 1901).
http://www.startresearching.com/blog/why-do-we-drop-a-ball-in-times-square-on-nye
30 dezembro, 2025
Latindo para a árvore errada (2)
- HÁ UM ESQUILO!
- Por favor, acalme-se. Onde é que ele está?
- NA ÁRVORE DO OUTRO LADO DA RUA!
- Já tentaste ladrar para ele?
- SIM!
- Talvez o senhor esteve latindo para a árvore errada.
- EU NÃO SOU IDIOTA!!!
- Então, larga o telefone e tenta outra vez. Eu continuo na linha.
29 dezembro, 2025
Possibilidade de tsunami na costa do Ceará
28 dezembro, 2025
Nossos comerciais
"Minha palhoça", de J. Cascata
c/ Silvio Caldas (Odeon, 1935)
Tem jornal, lá tem revista / Uma Kodak para tirar nossa fotografia / Vai ter retrato todo dia.
http://discografiabrasileira.com.br/composicao/32718/minha-palhoca
"Desafinado", de Tom Jobim e Newton Mendonça
c/ João Gilberto e Tom Jobim
Fotografei você na minha Rolleiflex / Revelou-se a sua enorme ingratidão.
http://youtu.be/n81JA6xSbcs?si=cnj7ydqgYHBsB8re
"Alegria, Alegria", de Caetano Veloso
c/ Caetano (Philips, 1968)
Eu tomo uma Coca-Cola / Ela pensa em casamento / E uma canção me consola / Eu vou.
a Primeira Coca-Cola, Petrúcio e Fausto Nilo
http://youtu.be/Dy759_Y8E-c?si=OylgvRYwrcTDKeb0
"Mustang cor de sangue", de Marcos e Paulo Sérgio Valle
c/ Marcos Valle (EMI, 1969)
A questão social / Industrial / Não permite que eu / Ande a pé / Na vitrine um Mustang cor de sangue / Um Mustang! / [...] / Não permite que eu / Seja fiel / Na vitrine um Corcel cor de mel / Meu Corcel!
http://youtu.be/4yD_k1BgjaE?si=prLrqrG6UXCJEQNX
"Balada de Madame Frigidaire", de Belchior
c/ Belchior (Sony Music, 1999)
Ando pós-modernamente apaixonado pela nova geladeira / Primeira escrava branca que comprei.
http://youtu.be/GvRSoBIQYCc?si=V8zEVdHW-wXRs5hT
Miss Suéter, de João Bosco e Aldir Blanc
c/ Ângela Maria, João Bosco e Zimbo Trio (Vídeo)
Fascínio tenho eu por falsas louras / Ah, a negra lingerie / Com sardas, sobrancelha feita a lápis / E perfume da Coty.
27 dezembro, 2025
A sabedoria silenciosa do mangará
Olho minhas mãos, sujas e satisfeitas com os resíduos de terra roxa - a cor do mangará. Sei que ele já cumpriu sua missão e deve ser removido: a seiva precisa seguir apenas para as bananas que vingaram.
O que esconde essa criatura tão simples e bela?
A curiosidade me arrebata, e começo a exploração. O mangará tem camadas, como as cebolas. Uma capa, depois outra, e mais outra. Ao despir a planta, encontro logo abaixo da primeira capa uma penca de bananas pequenas e incompletas. Sigo adiante e descubro outras mais - bananinhas mal-nascidas, frágeis, todas aninhadas e protegidas.
Descubro então algo ainda mais admirável.
Nada ali é desperdício, tampouco engano. O excesso é contido para que o essencial sobreviva.
Entre nós, homens, costuma ser diferente. Produzimos mais do que podemos sustentar, prometemos além do que somos capazes de cumprir, iniciamos obras que não terminam, geramos vidas, projetos e ruínas sem medir o custo de mantê-los. Desperdiçamos recursos, afetos e futuros - não por necessidade, mas por vaidade, pressa ou descuido.
Ali, encontro uma virtude que nós, tantas vezes, esquecemos. Até as bananinhas que jamais chegariam à mesa foram tratadas como filhas. Sabiam-se condenadas ao apodrecimento, mas nem por isso lhes foi negado abrigo, nem retirada a ternura. A natureza cuida até do que não dará certo - e, ainda assim, sabe quando parar.
Talvez seja por isso que o chamem também de coração da bananeira.
O homem da cidade viveu o bastante para reconhecer a nobreza escondida num simples mangará. Por esse encantamento tardio, só me resta agradecer.
A quem?
26 dezembro, 2025
Desabafo: a tecnologia concentra poder
Mas esses dias acabaram. Centralizamos a internet ao máximo. Há um mecanismo de busca (além daquele que ninguém usa), uma rede social (além daquela que ninguém usa), um Twitter. Usamos uma rede de anúncios, um conjunto de ferramentas de análise. Para onde quer que você olhe online, uma ou duas gigantes americanas dominam completamente o setor.
E aí está a nuvem. Que nome brilhante! A nuvem é o futuro da computação online, uma abstração amigável e fofa à qual todos nós ascenderemos, envoltos em luz. Mas, na verdade, a nuvem é apenas um grande amontoado de servidores em algum lugar, propriedade de uma empresa americana (além das nuvens que ninguém usa).
Orwell imaginou um mundo com uma teletela em cada cômodo, sempre ligada, sempre conectada, sempre monitorada. Uma visão distópica do Xbox One.
Mas fizemos melhor. Quase todo mundo aqui carrega no bolso um dispositivo de rastreamento que sabe onde você está, com quem você fala, o que você olha, todos esses detalhes íntimos da sua vida, e os reporta meticulosamente a servidores privados onde os dados são armazenados para sempre.
Sei que pareço um fanático por conspirações ao colocar a questão dessa forma. Não estou dizendo que vivemos em um pesadelo orwelliano. Eu amo a Nova Zelândia! Mas nós temos a tecnologia.
Quando eu estava na escola primária, costumavam nos assustar com algo chamado registro permanente. Se você jogasse uma bolinha de cuspe em um amigo, ela entraria em seu registro permanente e o impediria de conseguir um bom emprego ou de se casar bem, até que, eventualmente, você morresse jovem e sem amigos, sendo enterrado do lado de fora do muro do cemitério.
Que alívio quando descobrimos que o registro permanente era uma ficção. Só que agora implementamos essa maldita coisa. Cada um de nós deixa um rastro indelével, como um cometa, pela internet, que não pode ser apagado e que nem sequer temos permissão para ver.
As coisas com as quais realmente nos importamos parecem desaparecer da Internet imediatamente, mas poste um comentário idiota no YouTube (agora vinculado à sua identidade real) e ele viverá para sempre.
E precisamos rastrear tudo isso, porque a base econômica da web atual é a publicidade, ou a promessa de publicidade futura. A única maneira de convencer os investidores a manter o fluxo de dinheiro é mantendo os registros mais detalhados possíveis, vinculados às identidades reais das pessoas. Com exceção de alguns pontos de anonimato, que não por acaso são as partes culturalmente mais vibrantes da internet, tudo é rastreado e precisa ser rastreado, ou o edifício ruirá.
O que me incomoda não é que criamos essa versão centralizada da Internet baseada em vigilância permanente.
O que me incomoda, o que realmente me irrita, é que fizemos isso porque era a coisa mais fácil de fazer. Não houve planejamento, previsão ou análise. Ninguém disse "ei, isso parece um mundo ótimo para se viver, vamos criá-lo". Aconteceu porque não nos importamos. Tornar as coisas efêmeras é difícil.
Distribuir as coisas é difícil.
Tornar as coisas anônimas é difícil.
Criar um modelo de negócio sensato é muito difícil. Fico cansado só de pensar nisso.
"Toca aqui, Chad!"
"Toca aqui, mano!"
Esse é o processo de design usado na construção da Internet de 2014.
E é claro que agora ficamos chocados — chocados! — quando, por exemplo, o governo ucraniano usa dados de torres de celular para enviar mensagens de texto assustadoras a manifestantes em Kiev, a fim de tentar mantê-los longe das ruas. Pessoas mal-intencionadas estão usando o sistema de vigilância global que construímos para fazer algo perverso! Puta merda! Quem poderia imaginar isso?
Ou quando descobrimos que o governo americano está lendo o e-mail que você envia sem criptografia para o serviço de e-mail com anúncios em outro país, onde ele fica arquivado para sempre. Inconcebível!
Não estou dizendo que esses abusos não sejam graves. Mas são o oposto de surpreendentes. As pessoas sempre abusarão do poder. Essa não é uma percepção nova. Há tábuas cuneiformes reclamando disso. No entanto, aqui estamos em 2014, assustados porque pessoas inescrupulosas começaram a usar as ferramentas poderosas que criamos para elas.
Dedicamos tanto cuidado para tornar a internet resiliente a falhas técnicas, mas não fazemos nenhum esforço para torná-la resiliente a falhas políticas. Tratamos a liberdade e o Estado de Direito como recursos naturais inesgotáveis, em vez dos tesouros frágeis e preciosos que são.
E agora, é claro, é hora de criar a Internet das Coisas, onde conectaremos tudo a todo o resto e criaremos aplicativos interessantes em cima disso, e nada poderá dar errado.
OUR COMRADE THE ELECTRON (NOSSO CAMARADA, O ELÉTRON) - 8.ª parte desta palestra, que Maciej Ceglowski proferiu em 14/02/2014, na Webstock, em Wellington, Nova Zelândia.
[http://idlewords.com/]
25 dezembro, 2025
"O Beijo da Vida"
Thompson, treinado em procedimentos de emergência, manteve Champion vivo até a chegada de ajuda.
Quanto a esta fotografia, além de seu valor jornalístico (que conferiu na categoria o Prêmio Pulitzer de 1968 ao fotógrafo Morabito), imortalizou o ato de heroismo do eletricista Thompson.
24 dezembro, 2025
Mr. Grinch
Ele apareceu em adaptações especiais. Em desenhos animados (narrado por Boris Karloff, em 1966, e com a voz de Benedict Cumberbatch, em 2018) e em "Ilumination", um filme com atores reais (estrelado por Jim Carrey, em 2000), tornando-se um ícone natalino amado, embora inicialmente vilão.
Arco narrativo
Irritado com as festas barulhentas dos Whos, especialmente com seus cânticos natalinos, Grinch planeja acabar com o Natal. E disfarça-se de Papai Noel para roubar todos os enfeites natalinos e as comidas de Whoville. Mas, ao ouvir os Whos cantando alegremente, apesar de não terem presentes, seu coração se enche de alegria, e ele retribui tudo, juntando-se aos Whos para o banquete.
23 dezembro, 2025
Abelhas realocadas
Sua recompensa?
Baldes de mel dourado. Um mel tão bom com o qual ela já ganhou prêmios!
22 dezembro, 2025
Continentes
Geralmente quando falamos de 4, 5, 6 ou 7 continentes nos referimos a:
- 4 continentes: África, Eurásia, América, Oceania
- 5 continentes: África, Ásia, Europa, América, Oceania
- 6 continentes: África, Ásia, Europa, América, Oceania, Antártida
- 7 continentes: África, Antártida, Ásia, Europa, América do Norte, América do Sul, Oceania
Tantos pedaços da Terra e uma classificação tão confusa! Geólogos e geógrafos certamente têm muito o que se entreter.
Extraído de: http://jonpauluritis.com/articles/why-are-there-still-7-continents/
21 dezembro, 2025
Mandinga
No contexto da capoeira, mandinga representa a habilidade do capoerista em surpreender (enganar) o oponente, como uma espécie de "malícia de jogo". Esta "esperteza" é muito apreciada e consta na letra de diversas canções.
Significados de "Mandinga" em canções:
1. Magia e fé. Canções podem descrever mandingas como feitiços, rezas ou simpatias, muitas vezes para conseguir amor ou resolver problemas, como em "Mandinga", de Ataulfo Alves e Carlos Imperial, gravada por Clara Nunes.
http://youtu.be/CAE4dgPl4ZA?si=4NmZ2whti7BOhjyO
2. Capoeira. Na capoeira, mandinga é a malícia, a ginga, a esperteza para enganar o adversário, presente em pontos (cantigas) de capoeira, como em músicas sobre a Pomba Gira Rosa Caveira.
3. Resistência e cultura. Em músicas como a de Murica em "Mandinga" é um símbolo de resistência contra a opressão, valorizando a sabedoria popular e a identidade étnica.
20 dezembro, 2025
po.li.te.a.ma
Anagrama: epitálamo
Com o nome arcaico de Polytheama, foi cine-teatro em várias cidades do Brasil (Fortaleza-CE, Jundiaí-SP, Rio de Janeiro-RJ e Vitória-ES).
Localizado na Praça do Ferreira, em Fortaleza, o Cine-Theatro Polytheama foi inaugurado em 1911 e demolido em 1938, para dar lugar ao Cine São Luiz, hoje Cineteatro São Luiz. https://www.secult.ce.gov.br/2019/09/13/cineteatro-sao-luiz-homenageia-o-antigo-cine-polytheama-com-nova-faixa-de-programacao-de-cinema/
Em Vitória, inaugurado em 1926 num barracão de zinco no Parque Moscoso, funcionou até 1935 o Cine Politeama. O calor local era insuportável. Quando chovia o barulho da chuva batendo no telhado de zinco atrapalhava a sonoridade da exibição do filme. Antigos espectadores relatam também que se alguém se levantasse para ir ao banheiro, quando voltava não mais encontrava seu lugar vazio.
O Politheama é também um time criado por Chico Buarque na década de 1970, primeiramente como uma equipe de futebol de botão e que, posteriormente, ganhou os gramados como uma equipe de pelada.
Hino completo
Politheama, Politheama
O povo clama por você
Politheama, Politheama
Cultiva a fama de não perder
O seu pavilhão
Tremula sempre de emoção
Ostenta o galhardão
De clube sempre campeão
Augusto e varonil
O nosso clube verde-anil
Nas glórias, nas glórias
Vitórias, vitórias
Na história do meu Brasil.
19 dezembro, 2025
Duas estórias de tolos e burros
1.
Certa manhã, o tolo acordou e pensou: "Tem uma coisa de que eu preciso, preciso de um burro."
Então ele saiu de casa e caminhou até chegar à cidade. Chegou à baia dos burros. Havia muitos burros. Alguns eram grandes e outros pequenos. Alguns tinham orelhas compridas e outros, muito curtas. Mas, entre eles, havia um burro com orelhas compridas, caídas e sedosas.
"Este é o burro certo para mim."
O tolo pagou ao dono da barraca de burros e levou o burro amarrado por uma corda pelas ruas da cidade, e lá estavam dois meninos.
"Nós podemos enganar aquele burro daquele tolo."
Um menino se aproximou, pegou a corda do pescoço do burro, colocou-a em volta do seu próprio pescoço e seguiu o tolo, que nem percebeu.
O outro menino levou o burro de volta à barraca para vendê-lo.
O tolo seguiu pelas ruas e, afastando-se da cidade, rumo à sua casa. E quando chegou lá, virou-se... "Uhhh! Quando o comprei, você era um burro. Mas agora virou um menino."
"É verdade, eu era um burro quando você me comprou. Mas, veja bem, antes disso eu era um menino. Eu era rude com minha mãe." E minha mãe dizia: "Se você for rude comigo de novo, que o diabo o transforme em um burro." E assim foi. "Mas agora que você me comprou, sou um menino novamente e pertenço a você."
"Você me pertence?", disse o tolo. "Eu não posso possuir um menino. Vá, vá, mas me prometa uma coisa: quando for para a casa da sua mãe, não seja rude com ela de novo."
O tolo dormiu naquela noite e, quando acordou de manhã, percebeu que ainda precisava de algo... Ainda precisava de um burro. Saiu de casa, pegou suas últimas moedas e caminhou até chegar à cidade. Andou pelas ruas até chegar à baia dos burros. E lá estavam todos aqueles burros, grandes e pequenos, alguns com orelhas maiores que outros. E, entre os burros, notou um com orelhas longas, caídas e sedosas. Ele conhecia aquele burro. Aproximou-se dele, levantou-lhe a orelha e disse: "Seu tolo, eu disse para nunca mais ser rude com sua mãe!"
2.
Um sábio, ao ver um tolo batendo em seu burro, disse:
"Abstenha-se, meu filho, abstenha-se, eu imploro. Aqueles que recorrem à violência sofrerão também com a violência."
"Isso", disse o tolo, castigando diligentemente o animal. "É o que estou tentando ensinar a esta fera — que me deu um coice."
"Sem dúvida', disse o sábio para si mesmo, enquanto se afastava. "A sabedoria dos tolos não é mais profunda nem mais verdadeira que a nossa, mas eles realmente parecem ter uma maneira mais impressionante de transmiti-la."
18 dezembro, 2025
A revolução do radiocarbono
Como funciona?
- Formação do Carbono-14: O carbono-14 é um isótopo radioativo produzido na atmosfera quando nêutrons cósmicos interagem com o nitrogênio-14 (¹⁴N).
- Absorção pelos seres vivos: Plantas absorvem ¹⁴C durante a fotossíntese, e animais o incorporam ao se alimentar dessas plantas. Enquanto o organismo está vivo, a proporção de ¹⁴C em seu corpo permanece constante.
- Decaimento radioativo após a morte: Quando o organismo morre, ele para de absorver ¹⁴C, e o isótopo começa a decair em nitrogênio-14, com uma meia-vida de 5.730 anos.
- Medição do ¹⁴C residual: Cientistas medem a quantidade restante de ¹⁴C em uma amostra e comparam com a quantidade original para calcular há quanto tempo o organismo morreu.
Em 1960, meses antes de Libby receber o Prêmio Nobel por seus estudos sobre o radiocarbono, o explorador norueguês Helge Ingstad e a arqueóloga Anne Stine Ingstad (que eram casados) descobriram os restos de construções nórdicas em Terra Nova — uma evidência surpreendente de que a civilização viking havia chegado aos limites da América do Norte, justificando o feito das sagas islandesas que os historiadores consideravam uma hipérbole mítica.
Quando examinaram três amostras de madeira que apresentavam as marcas de uma tempestade cósmica: um pico do isótopo carbono-14 de um evento solar ocorrido no ano 993. Eles contaram progressivamente a partir do pico nos anéis das árvores até a casca, o que lhes deu o número de anos entre a tempestade cósmica e o corte da árvore. Isso lhes indicou que as árvores haviam sido cortadas em 1021, dando-lhes o único ano seguro para o qual sabemos que os nórdicos categoricamente tinham que estar presentes na borda da América do Norte.
Atualmente, não há dúvidas sobre a chegada de viquingues (vikings) à América e o estabelecimento em ilhas da Groenlândia e Terra Nova (atual Canadá), onde se encontra o povoado de L'Anse aux Meadows, declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.
Eles exploraram e colonizaram diferentes áreas do Atlântico Norte, que incluíam a ilha da Groenlândia, o litoral do Canadá e possivelmente os Estados Unidos a partir do século X. A colonização viquingue da América não teve o efeito desestabilizador das seguintes vagas da colonização europeia da América, mas pode ser vista como um prelúdio à colonização em grande escala empreendida a partir da primeira viagem de Cristóvão Colombo.
17 dezembro, 2025
Compilando...
~ de Tony Johannot para "Le diable boiteux", de Alain-René Lesage, Paris: 1840
Compilar significa reunir ou organizar informações, textos ou dados de diversas fontes em um único documento ou obra.
16 dezembro, 2025
Oração da paciência
Deusa do Grande Lago Tranquilo.
Dê-me percepção para reconhecer a ignorância.
Empreste-me a calma para responder cada vez como se fosse a primeira.
Deixe-me ver o "não saber" como uma oportunidade de aprender.
Deixe-me nunca esquecer que eu também posso ser ignorante.
Que eu não esqueça de agradecer meus professores.
E de ensinar sem bater, gritar ou chorar.
(Não é uma oração tão boa, mas acho que é um começo.)
Fonte: Mastodon
(a ser incluída na próxima edição do Breviário)
15 dezembro, 2025
Oxigênio vs. Ozônio
Ozônio é essencialmente oxigênio. A diferença é que a molécula de oxigênio contém dois átomos do elemento, enquanto a molécula de ozônio contém três. O2 e O3, um átomo a mais ou um átomo a menos de oxigênio, isso deveria fazer uma grande diferença? Faz uma diferença muito grande: ozônio e oxigênio são substâncias completamente diferentes.
Sem oxigênio não há vida. Por outro lado, o ozônio em grandes concentrações mata todos os seres vivos. É um agente oxidante extremamente poderoso, perdendo apenas para o flúor. Ao se combinar com substâncias orgânicas, o ozônio as destrói imediatamente. Quando atacados pelo ozônio, todos os metais, exceto ouro e platina, se transformam rapidamente em seus óxidos.
É uma farsa! Assassino de todos os seres vivos, o ozônio também promove a vida na Terra de muitas maneiras. Esse paradoxo é fácil de explicar. As radiações solares não são uniformes. Elas contêm os chamados raios ultravioleta. Se todos eles atingissem a superfície da Terra, a vida na Terra seria impossível, pois esses raios carregam uma quantidade imensa de energia e são fatais para os organismos vivos.
Felizmente, apenas uma fração muito pequena dos raios ultravioleta do Sol atinge a superfície da Terra. A maioria deles perde sua força na atmosfera a uma altitude de 20 a 30 quilômetros. Nesse nível da camada de ar que envolve nosso planeta, há uma grande quantidade de ozônio, que absorve os raios ultravioleta.
A propósito, uma das teorias atuais sobre a origem da vida na Terra relaciona o surgimento dos primeiros organismos à época da formação da camada de ozônio na atmosfera. Mas as pessoas também precisam de ozônio na Terra, e em grandes quantidades. Elas, e principalmente os químicos, precisam desesperadamente de milhares e milhares de toneladas de ozônio.
A indústria química aproveitaria com prazer o impressionante poder oxidante do ozônio. Os trabalhadores da indústria petrolífera também se curvariam ao ozônio. O petróleo de muitos campos petrolíferos contém enxofre. Óleos ácidos, como são chamados, causam muitos problemas, por exemplo, por corroerem rapidamente equipamentos, como, por exemplo, fogões de caldeiras em usinas de energia. Com o ozônio, esses óleos poderiam ser facilmente liberados do enxofre, e o enxofre removido poderia ser utilizado para dobrar ou até triplicar a produção atual de ácido sulfúrico.
Bebemos água clorada. É inofensiva, mas seu sabor é inferior ao da água de nascente. A água potável tratada com ozônio é absolutamente livre de bactérias patogênicas e não tem sabor desagradável.
O ozônio pode renovar pneus velhos de automóveis e branquear tecidos, celulose e fios. Ele pode fazer muitas outras coisas. E é por isso que cientistas e engenheiros estão trabalhando no projeto de ozonizadores industriais de alta capacidade.
É isso que é o ozônio! O3 não é menos importante que O2. A filosofia formulou há muito tempo o princípio dialético da transição da quantidade para a qualidade. O exemplo do oxigênio e do ozônio é uma das manifestações mais vívidas da dialética na química.
Existe outra molécula conhecida pelos cientistas, composta por quatro átomos de oxigênio, o O4. No entanto, esse "quarteto" é muito instável e quase nada se sabe até agora sobre suas propriedades.
https://todayinsci.com/stories/story014.htm. Ver +
14 dezembro, 2025
Café para a estrada
Se a sua ideia de “café para a estrada” se limita a beber café quando você dirige um carro na estrada, este estudo de pesquisa pode expandir seu horizonte mental:
“Efeitos de reologia e microestrutura de resíduos de borra de café na modificação de ligante asfáltico”, Mingjun Xie, Linglin Xu, Kai Wu, Yutong Wen, Hongmi Jiang e Zhengwu Jiang, Materiais de baixo carbono e construção verde, vol. 1, n.º 1, 2023, artigo 3.
Nesse estudo, os autores relatam que a borra de café resultante de produtos da indústria cafeeira quando incorporada a ligantes asfálticos melhora o desempenho destes.
Bônus: "One more cup of coffe", uma canção de Bob Dylan a respeito do café na estrada.
One more cup of coffee 'fore I go
To the valley below.
Mais uma xícara de café antes que eu vá
Para o vale abaixo.
13 dezembro, 2025
O verde de Scheele
No processo de produção dessa substância, ele envenenou-se-se até a morte aos 43 anos.
Infelizmente, essa não foi a única vida que o verde de Scheele ceifaria. Na Europa, a cor era amplamente utilizada em decoração. De fato, um estudo realizado na Inglaterra no final do século XIX indicou que quatro em cada cinco papéis de parede continham verde de Scheele. Pesquisadores da época notaram que, quando o papel de parede ficava úmido, exalava um odor "semelhante ao de rato", que causava doenças e mortes.
E, na década de 1930, cientistas confirmaram que o cheiro era um gás letal produzido por um fungo presente no papel de parede.
Curiosamente, o verde de Scheele pode ter contribuído para a morte de Napoleão Bonaparte. Durante os últimos anos de sua vida, Napoleão viveu exilado em Santa Helena, uma ilha úmida na costa oeste da África. Seu quarto tinha papel de parede verde-brilhante, e o ar em Santa Helena era úmido o suficiente para o desenvolvimento de fungos. Em 2001, cientistas analisaram amostras do cabelo de Napoleão e descobriram níveis de arsênico até 38 vezes maiores que o normal.
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ARSÊNIO (o elemento químico) e ARSÊNICO (o nome popular de um composto dele) são a mesma coisa no uso comum, mas tecnicamente o termo "arsênico" refere-se mais especificamente ao trióxido de arsênio (As2O3), o famoso "veneno branco", que é o composto mais tóxico do elemento químico Arsênio (As).
12 dezembro, 2025
Cordel e cordelistas
A Literatura de Cordel é um gênero literário popular no Brasil, especialmente no Nordeste, caracterizado por sua forma rimada e sua apresentação em folhetos de papel.
Os poemas, escritos em versos, geralmente narram histórias, lendas, fatos históricos e acontecimentos do cotidiano.
Essas histórias são impressas em pequenos folhetos com xilogravuras, que eram tradicionalmente pendurados em cordas ou barbantes, daí o nome "cordel".
As ilustrações não apenas embelezam os folhetos, mas também ajudam a contar a história, sendo parte integral da experiência do cordel.
A origem da Literatura de Cordel remonta à tradição oral dos trovadores medievais na Europa, principalmente em Portugal e na Espanha.
Esses trovadores recitavam suas poesias em feiras e mercados, transmitindo histórias e notícias. Com a colonização essa tradição foi trazida para o Brasil, onde se adaptou e evoluiu.
O cordelistas, como são chamados os autores de cordel, eram frequentemente viajantes que levavam seus folhetos para vender em feiras, festas e outros eventos, disseminando assim suas histórias por todo o país.
Eles, muitas vezes, são também repentistas, capazes de criar e recitar versos improvisados.
A métrica mais comum usada nos cordéis é a sextilha, que consiste em estrofes de seis versos, geralmente com sete sílabas em cada verso, e rimas alternadas.
Ao registrar histórias e lendas transmitidas de geração em geração, o cordel contribui para a preservação da memória cultural de um povo.
Ao utilizar uma linguagem simples e temas acessíveis, o cordel estimula a leitura e a escrita, especialmente entre as camadas humildes da população.
As obras de cordel podem abordar uma grande variedade de temas, desde histórias de reis e rainhas até aventuras de cangaceiros, romances e críticas sociais.
Existem inúmeros cordelistas famosos, como o paraibano Leandro Gomes de Barros, considerado o "pai do cordel", e Patativa do Assaré, um dos maiores poetas populares brasileiros.
Ao longo do tempo, a Literatura de Cordel ganhou reconhecimento e valorização, sendo estudada em universidades e apreciada por um público mais amplo.
(Extraído de um material de divulgação da Secretaria de Cultura do Ceará)
Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido por Patativa do Assaré (1909 - 2002). Nasceu no município de Assaré, no Estado do Ceará. Ele começou a compor e a recitar poesias ainda jovem, inspirado pelas histórias e cantorias tradicionais do sertão nordestino. Seus versos frequentemente abordavam temas como a vida no sertão, as dificuldades enfrentadas pelos agricultores, as injustiças sociais e a luta por melhores condições de vida. Dentre suas obras mais conhecidas estão: "Triste Partida", que foi musicada por Luiz Gonzaga e se tornou um clássico da canção nordestina, e "Vaca Estrela e Boi Fubá", que Patativa apresentou em show no Theatro José de Alencar, em 1980, e que Fagner editou em LP pela CBS. https://youtu.be/mdYqWeR6ZuI?si=Q1u7suKWOaQq_03o
11 dezembro, 2025
Uma maneira chocante de lidar com os alunos travessos
De acordo com Opsahl, a cadeira foi originalmente concebida como um experimento científico, a qual, mais tarde, foi transformada num móvel de punição para alunos travessos . (Uma régua sobre os nós dos dedos foi considerada muito banal.)
Earl foi para casa e contou ao pai, Fred Tenneson, que seu professor o havia condenado à cadeira. E o pai, por sua vez, procurou a polícia para prender Opsahl sob a acusação de agressão.
Embora eletrocutar uma criança parecesse algo que resultaria numa suspensão para um professor, Opsahl ficou livre para retornar ao trabalho assim que pagasse uma fiança de US$ 2.000.
Opsahl tinha sua própria perspectiva: a cadeira apenas proporcionava uma "sensação de formigamento", disse ele. Se os braços do aluno se soltassem dos apoios, poderia haver faíscas, mas "o aluno não se machucaria". A voltagem não era maior do que a usada pelos médicos da época para tratar reumatismo.
Fred inclusive alegou que seu filho havia chegado em casa com queimaduras graves nas pernas, causadas pela cadeira. Mas, ao analisar o caso, o promotor WG Hammett não encontrou evidências de lesão corporal. Na audiência de Opsahl, este pediu ao juiz que rejeitasse as acusações. O juiz concordou.
Opsahl permaneceu em Barnesville, carregando entre os alunos a reputação de ser alguém cujas aulas de ciências exigiam decoro. Poucos anos depois, mudou-se para Fargo, Dakota do Norte, onde continuou a lecionar ciências — presumivelmente sem quaisquer experimentos adicionais com eletricidade.
10 dezembro, 2025
A economia (de uma forma econômica)
Economia é o único campo em que duas pessoas podem dividir um Prêmio Nobel por dizerem coisas opostas.Os prêmios de 1972 concedidos a Myrdal e Hayek vêm à mente, assim como os prêmios de 2013 a Fama e Shiller.
Um gráfico do Pixabay:
https://quoteinvestigator.com/2025/07/08/economics-opposite/
09 dezembro, 2025
Conteúdo sempre verde
Não está preso a uma data, tendência ou evento específico e sua utilidade não "expira". É continuamente relevante, pois responde a perguntas e necessidades que as pessoas terão hoje, no próximo ano e daqui a cinco anos. As pessoas sempre estarão procurando por aquele assunto em mecanismos de busca como o Google.
Exemplos práticos
É a "máquina de tráfego" de um blog. Um único "post evergreen" pode atrair visitantes todos os dias, durante anos, sem nenhum esforço adicional de divulgação. Os mecanismos de busca amam (e vasculham) o conteúdo sempre verde. Entendem que ele é perene e continuamente útil, o que pode ajudar a postagem a "rankear" bem nos resultados de pesquisa. E estabelecem autoridade. Conteúdos fundamentais e profundos posicionam você como uma referência no assunto.
Uma ressalva importante: a "podagem"
08 dezembro, 2025
Na Penitenciária Green Haven
Ele afirmou que teria cometido o crime para "ser alguém". Chapman contou que estava em um ponto muito baixo de sua vida naquela época e que encontrou "um propósito" no crime. Durante o depoimento, ele também se desculpou pelo sofrimento causado aos fãs e amigos do músico, mas o comitê não considerou suas palavras convincentes.
O pedido de liberdade condicional foi negado pelo comitê e Chapman segue cumprindo sua pena na Penitenciária Green Haven. Ele está com 70 anos.
Arquivo
O assassinato de John Lennon
A busca destrutiva da notoriedade
07 dezembro, 2025
Trapos e farrapos
(sinônimos que rimam)
Meu vício é você, de Adelino Moreira
c/ Nelson Gonçalves
Boneca de trapo, pedaço da vida / Que vive perdida no mundo a rolar / Pedaço de gente que inconsciente / Peca só por prazer e vive para pecar.
http://youtu.be/FhQBx2Y5VqM?si=_Ft9WJm3YpZIDIm0
Farrapo (1953), samba-canção de Paulo Borges
(mesmo autor de "Cabecinha no ombro")
Farrapo / Tua vida é um trapo / [...] / Farrapo / Tu que foste tão guapo.
http://youtu.be/svYtFt8uuvE?si=eW6t-7FMIkXMfQas
Trapo de gente, de Ary Barroso
c/ Roberto Luna
Saía comigo, bebia comigo / Depois se entregava a um amigo / Trapo de gente / Sem alma e sem coração.
http://youtu.be/SlOz9pTCMcg?si=M9QCm3MgQ5wlKjaf
Amor de trapo e farrapo, de Paulo Vanzolini
c/ Nelson Gonçalves
Amor de trapo e farrapo / Tudo errado mas tão gostoso / Que dá arrepio na espinha /Amor de galo de rinha.
http://youtu.be/VQ8lg4jIKCk?si=Vqu8ljeukGMQHIm_
Ponto de Maria Farrapo, de José Carlos Mello
c/ Juliana Passos
Quem foi que disse que meu trapo não é de lei / Trapo é trapo eu sou farrapo / Eu sou mulher de um grande rei
http://www.cifraclub.com.br/juliana-d-passos-e-a-macumbaria/ponto-de-maria-farrapo-trapo-de-lei/letra/
Maria Rosa, de Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves
c/ Paulinho da Viola
Vocês estão vendo aquela mulher de cabelos brancos / Vestindo farrapos, calçando tamancos / Pedindo nas portas pedaços de pão? / … / Os trapos de sua veste não é só necessidade / Cada um representa para ela uma saudade / De um vestido de baile ou de um presente, talvez / Que algum dos seus apaixonados lhe fez.
http://youtu.be/7yssgiJfN60?si=99ajniatuzrXfOCv
De conversa em conversa, de Lúcio Alves e Haroldo Barbosa
c/ Doris e Lúcio (vídeo)
Nosso viver não adianta / É melhor juntarmos nossos trapos / Arrume tudo que é seu / Que eu vou separando os meus farrapos.
06 dezembro, 2025
Coexistência ou contraste?
05 dezembro, 2025
Não é defeito beber
Décimas de autoria de um poeta popular desconhecido:
Bebe o chefe de polícia,
Particular, escondido,
Algum padre, por sabido
Bebe oculto a tal patrícia.
Também já tive notícia,
Ou por outra, ouvi dizer
(Foi tanto que pude crer
Um dito de certa gente)
Que bebe algum presidente.
Não é defeito beber.
No sítio bebe o major
Bebe em casa o coronel
O sargento e o furriel
Bebem no Estado Maior.
Quem quiser beber melhor
Vá na venda e mande encher,
Tome o que lhe parecer
Até matar o desejo.
Segundo o gosto que vejo,
Não é defeito beber.
Bebem os homens de estudo
Bebe o branco, o rico, o nobre
Bebe o negro, o cabra, o pobre
Bebe o cego, o mouco, o mudo
Os músicos bebem de tudo,
Sem em si nada temer:
De modo que pode haver
Alguém que não tenha falta:
Tudo sai nas rodas altas.
Não é defeito beber.
In: "Dicionário Folclórico da Cachaça"
04 dezembro, 2025
Prescrições culturais
Ir ao museu pode ser um remédio para combater o estresse e melhorar a qualidade de vida. Na Suíça, há médico dando prescrição para este tratamento (que não tem contra-indicação).
E melhor ainda: sai de graça. Se a pessoa tiver a receita nas mãos, o governo banca o ingresso.
Mesmo numa cidadezinha charmosa como NeuChâtel, em um país rico com a Suíça, os moradores podem precisar de "uma injeção de ânimo".
Como aconteceu com a paciente Benedict. A quem uma doutora local, em vez de lhe prescrever medicamentos, receitou-lhe umas visitas aos museus da cidade.
Arte faz bem a saúde, como concluiu um relatório da OMS publicado em 2019. Além de ajudar a distrair, minimizar os traumas e diminuir os declínios cognitivos, que o projeto ora descrito sirva de inspiração a outras cidades e países.
Apesar de sua população relativamente pequena (31 mil habitantes), Neuchâtel (antiga ilustração) tem vários e excelentes museus, especialmente o Latenium - um museu de arqueologia que retrata os tempos pré-históricos da região. Há, ainda, o "Homens" (museu etnográfico), um museu artístico e histórico, onde é possível ver um dos primeiros robôs feitos pelo homem, o "Jaquet-Droz" (datado de entre 1770 a 1774), o museu de História Natural e um teatro recente e muito ativo.
03 dezembro, 2025
Existe a combustão humana espontânea?
Casos famosos:
- Mary Reeser (1951), uma idosa que foi encontrada carbonizada, com apenas um pé intacto, enquanto sua poltrona estava pouco queimada. Investigadores atribuíram ao caso o Efeito Pavio. Quando uma fonte de chama (como uma vela ou um cigarro) incinera a roupa e a gordura corporal da vítima.
- Henry Thomas (1980), um homem que foi encontrado reduzido a cinzas em sua casa, mas o sofá onde estava quase não foi afetado.
Apesar dos relatos históricos e dos casos misteriosos, a maioria dos cientistas e especialistas em medicina forense considera a explicação como resultado de causas naturais, embora incomuns.
Existem certas semelhanças nos casos documentados que dão aos cientistas uma pista. E o patologista forense Roger Byard disse que a combustão espontânea não acontece em animais porque "eles NÃO se enrolam em cobertores, bebem uísque e fumam".
02 dezembro, 2025
O tocador de triângulo
Por algum motivo não existe a função de tocador de triângulo na Orquestra Sinfônica das Bermudas.
Já no Nordeste brasileiro...
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01 dezembro, 2025
Batidas na porta
"De jeito nenhum", diz o marido, "são 3 da manhã!"
Ele fecha a porta e volta para a cama.
"Quem era?" perguntou sua esposa.
"Só um cara bêbado pedindo um empurrãozinho", ele responde.
"Você o ajudou?" ela pergunta.
"Não. São 3 da manhã e está chovendo torrencialmente lá fora!"
"Bem, você tem memória curta", diz a esposa. "Não se lembra de uns três meses atrás, quando o carro quebrou e aqueles dois caras nos ajudaram? Acho que você deveria ajudá-lo, e deveria ter vergonha de si mesmo! Deus também ama os bêbados."
O homem retorna à chuva torrencial para fazer o que lhe foi dito.
Ele grita no escuro: "Olá, você ainda está aí?"
"Sim", responde ele.
"Você ainda precisa de um empurrão?", grita o marido.
"Sim, por favor!" vem a resposta da escuridão.
"Onde você está?" pergunta o marido.
"Aqui no balanço", respondeu o bêbado.
30 novembro, 2025
Estudante Cúmplice
Este curta de animação extremamente divertido, "Student Accomplice", foi criado por um grupo de estudantes da Universidade Brigham Young (BYU).
(https://www.kuriositas.com/2025/07/student-accomplice-driving-test.html)
29 novembro, 2025
A fina flor do abacaterol
Mulher para o marido:
"Quando for às compras, compre meio litro de leite e, se tiver abacates, compre seis."
O homem retorna com seis litros de leite. E ela pergunta "por quê?".
"Eles tinham abacates", ele responde.
O abacate, quem diria?
28 novembro, 2025
Cadeias de sinônimos
Em 1988, percorrendo os sinônimos no dicionário universitário Merriam-Webster, A. Ross Eckler encontrou o caminho entre VERDADEIRO e FALSO:
VERDADEIRO, JUSTO, BONITO, ARTÍSTICO, ARTIFICIAL, SIMULADO, FALSO
Em seguida, por sinônimos diferentes, encontrou o caminho de volta:
FALSO, INCONSCIENTE, TOLO, SIMPLES, INCONDICIONAL, ABSOLUTO, POSITIVO, REAL, GENUÍNO, VERDADEIRO
Cada palavra de uma relação é supostamente sinônima daquela que a precede e daquela que a segue imediatamente. Mas as palavras das extremidades apresentam significados opostos. Websterian Synonym Chains.
27 novembro, 2025
Dipendra do Nepal
Um tio que sobreviveu às más avenças do sobrinho, então se tornou o último rei do país. É que ter uma monarquia no Nepal já não andava muito bem.
26 novembro, 2025
Quem é você na fila do pão?
Em alguns contextos, a pergunta pode ser usada para questionar se alguém realmente "merece" estar na posição em que está. Afinal, está comprando pão como todo mundo. Em outros contextos (de desigualdade social, econômica ou política), a pergunta pode também ser usada para criticar a forma como algumas pessoas se beneficiam de privilégios e oportunidades, enquanto outras são negligenciadas.
"Quem é você na fila do pão?" faz par com o emblemático "Você sabe com quem está falando?".
25 novembro, 2025
Maravilhoso monograma
Monograma é a sobreposição, agrupamento ou combinação de duas ou mais letras ou outros elementos gráficos para formar um símbolo. Monogramas frequentemente são construídos combinando as letras iniciais do nome de uma pessoa ou empresa e podem ser usados como símbolos ou logos.
C. W. Hooper, de Keswick, enviou esta criação ao "Strand" em agosto de 1901:
"Contém todas as letras do alfabeto, vinte e seis no total. Elas podem ser rastreadas com paciência. A letra N é a menor (no centro) e a única indistinta."
24 novembro, 2025
O último navio de guerra dos Papas
A partir da década de 1840, a unificação gradual da Itália oprimiu os Estados Pontifícios e suas forças armadas. O último navio de guerra a servir na Marinha Pontifícia (Marina Pontifica) foi uma corveta a hélice construída pelos britânicos em 1859 e batizada de Immacolata Concezione. De acordo com um artigo de 1963 publicado nos Anais do Instituto Naval dos EUA, ela possuía 8 canhões de 18 libras e uma cabine muito confortável, construída com as viagens do Papa em mente. A tripulação de 46 pessoas, porém, tinha como principal missão proteger os direitos de pesca dos Estados Pontifícios.
Em 1870, o Reino da Itália invadiu os Estados Pontifícios e, digamos, convenceu o Papa Pio IX de que o poder temporal dos Bispos de Roma havia chegado ao fim. A Immacolata Concezione foi integrada à Marinha Real Italiana. Posteriormente, entrou em serviço na França. O destino exato da embarcação é incerto, mas foi definitivamente o último navio de guerra a navegar sob a bandeira papal.
23 novembro, 2025
Tenório Jr.
22 novembro, 2025
21 novembro, 2025
Uma pergunta fácil
A pergunta vem: "Qual é o pássaro que não faz ninho?"
A) um pardalZeca não sabe, então ele chama o amigo Juca.
B) uma andorinha
C) um sabiá
D) um cuco
Juca responde:
- Pôxa, Zeca, é um cuco - 100% de certeza!
Ele segue o conselho do amigo. A resposta está certa, e Zeca ganha um milhão de reais.
Depois, ele liga para Juca e pergunta:
- Com os diabos, como você sabia disso? Você não é um especialista em pássaros!
- Pô, Zeca, seu idiota! Todo o mundo sabe que ele vive dentro de um relógio, não é?
TudoPorEmail
20 novembro, 2025
O presidente negro do Brasil
De origem humilde, ele é considerado o primeiro e único presidente negro do Brasil.
Mas naquele início de século 20, com a preponderância de teorias racistas e uma ideia de embranquecimento da população, sua própria identidade racial se tornou objeto de controvérsia. "Rigorosamente, ele era um mestiço", define à BBC News Brasil o historiador Petrônio Domingues. Hoje, pelas categorias oficialmente utilizadas pelo IBGE, ele seria classificado como pardo.
Peçanha governou o país em um período profundamente marcado pelo racismo científico. Doutrinas como a frenologia e a eugenia ganhavam força no país, legitimando teorias que buscavam justificar a marginalização de pessoas negras e mestiças.
Na imprensa, era caricaturado em charges e anedotas que enfatizavam sua cor de pele de maneira depreciativa.
A conjuntura era do favorecimento da vinda de imigrantes estrangeiros para o Brasil, na ideia de que europeus brancos iriam, de certa forma, trazer o progresso para o Brasil. E de que a raça negra iria perdendo força, desaparecendo, a partir da miscigenação com a raça branca, também superior.
Nascido em Campos dos Goytacazes, no norte fluminense, teve uma infância pobre com seis irmãos em um sítio. A família se mudou para a cidade quando Peçanha chegou à idade escolar. Ele estudou Direito na Faculdade do Largo São Francisco, em São Paulo, mas acabou concluindo o curso na Faculdade do Recife.
Seu casamento chocou a sociedade da época: a noiva, Ana de Castro Belisário, a Anita, era de família rica de Campos dos Goytacazes, neta de um visconde e bisneta de dois barões. Anita chegou a fugir de casa para concretizar a união, um escândalo social que refletia as barreiras impostas pelas estruturas raciais e de classe da época.
Questões pessoais à parte, Peçanha trilhava uma sólida carreira política. Em 1890, reconhecido por seu engajamento nas lutas abolicionista e republicana, foi eleito para a Assembleia Constituinte que redigiu a primeira Carta Magna da República.
Foi deputado até 1902. No ano seguinte, tornou-se presidente do Rio de Janeiro — cargo equivalente ao atual governador. Em 1906 foi eleito vice-presidente da República. Apesar de circular em meios políticos dominados por brancos, parte da opinião pública o questionava, associando o fato de ele ser negro a eventuais dificuldades em sua capacidade de conduzir o país.
Em sua passagem pelo Palácio do Catete, deixou duas marcas importantes. Foi ele quem criou o Serviço de Proteção aos Índios, órgão que antecedeu a atual Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). E também quem fundou a Escola de Aprendizes Artífices, que é considerada a precursora do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet). E por causa disso em 2011 ele foi homenageado com uma lei federal que o tornou o patrono da educação profissional e tecnológica no Brasil.
Nilo Peçanha morreu em 1924, vítima de um problema cardíaco causado pela doença de Chagas. Há dois municípios brasileiros que o homenageiam com o nome: Nilo Peçanha, na Bahia, e Nilópolis, na região metropolitana do Rio.
Extraído de: VEIGA, Edison. Quem foi o 1.º e único presidente negro do Brasil. In: BBC News Brasil
19 novembro, 2025
Ilhas de guano (2)
Excrementos de pássaros, como os que adornam estas rochas ao longo da costa do Peru, têm sido historicamente uma mercadoria muito procurada. A demanda europeia e americana pelo guano peruano, rico em nitrogênio — um fertilizante natural — disparou em meados do século XIX. À medida que a oferta peruana diminuía, os Estados Unidos reivindicaram a propriedade de cerca de 100 ilhas de "guano" (10 das quais permanecem sob a propriedade do país até hoje).
A posse dessas ilhas pelos EUA tornou-se oficial em julho de 1856, com a aprovação pelo Congresso da Lei das Ilhas de Guano. Essa lei concedeu ao país "permissão" para reivindicar soberania sobre qualquer território supostamente desabitado ou não reivindicado, a fim de garantir acesso ao guano, um fertilizante valioso para as plantações de tabaco, algodão e trigo americanas.
http://www.sciencenews.org/article/us-empire-built-bird-dung, por Sujata Gupta😄
18 novembro, 2025
Vá plantar batatas!...
Um sujeito enfezado me mandou: fui.
A batata - doce, gorda e morena - parecia um pequeno gênio da garrafa: cabeça miúda, umas dobrinhas e aquele barrigão cheio de vontade de viver.
O método é prosaico. Pegue uma sacola de supermercado, molhe-a bem por dentro até pingar e coloque ali sua batata, também úmida, como quem pretende jogá-la na lixeira. Dê um nó firme - para não tentar fugir da nobre missão feminina. Depois, esqueça-a no escuro de uma gaveta por quinze dias: um repouso merecido, desses que o mundo não dá.
Então, quando se lembrar de desfazer o nó, verá brotos por todos os lados, ávidos por luz e terra. Corra com eles, os pequenos famintos de chão, para um pedaço de terra fofo: querem fincar raízes no mundo.
Não me pergunte o resto. Só sei que, passados uns quatro meses, sua batata voltará multiplicada.
E aí me pergunto: se a vida resiste e brota de otimismo até dentro de uma sacola esquecida, como é possível ainda haver fome - e tristeza - neste mundo?
Pós-escrito:
Paulo, o texto não é tutorial. Metáforas e alegorias.
Nelson José Cunha
17 novembro, 2025
Os alienígenas do mar
São algumas das criaturas mais estranhas da Terra. "Elas são os alienígenas do mar", disse Leonid Moroz, um neurocientista do Whitney Laboratory for Marine Bioscience em St. Augustine, Flórida.
Os ctenóforos pertencem ao ramo mais antigo da árvore genealógica animal. Eles se separaram dos ancestrais de todos os outros animais vivos há cerca de 700 milhões de anos e viajaram por seu próprio caminho evolutivo estranho desde então.
Um estudo publicado deixa claro que os cientistas mal começaram a entender a biologia bizarra destas criaturas. Pesquisadores descobriram que um par de águas-vivas-de-pente não relacionadas pode se fundir espontaneamente em um único corpo. Essa habilidade surpreendente não está apenas levantando mais perguntas sobre esses animais antigos, mas também dando pistas sobre a evolução do nosso próprio sistema imunológico.
Extraído de: When Two Sea Aliens Become One. in: The New York Times
16 novembro, 2025
Qual foi a primeira música brasileira gravada?
"Os padres gostam de moças / E os doutores também / Eu como rapaz solteiro / Gosto mais do que ninguém."E as estrofes eram intercaladas por este refrão:
"Isto é bom, isto é bom, isto é bom que dói." (bis)Diferentemente de como são feitos atualmente, os registros eram feitos de forma mecânica, diretamente em cilindros de cera ou discos rudimentares, e o somera captado por grandes bocais sem uso de eletricidade, o que tornava a qualidade sonora bastante limitada.
15 novembro, 2025
A história de Benedictus
Tais momentos de serendipidade revelam a natureza imprevisível da inovação. No entanto, mesmo em casos onde o acaso desempenha um papel, como na história de Benedictus, a questão mais ampla permanece: tais descobertas realmente nasceram da sorte, ou estavam de alguma forma "no ar", esperando que a pessoa certa as aproveitasse?
A descoberta é inevitável ou acidental? In: Nautilus
14 novembro, 2025
O Agente Secreto
Duração: 2 h 41 min
Roteiro e direção: Kleber Mendonça Filho (diretor de AQUARIUS e BACURAU)
Sinopse: Ambientado no Recife em 1977, durante o período da ditadura civil-militar no Brasil, "O Agente Secreto" acompanha a trajetória de Marcelo (Wagner Moura), um professor universitário e especialista em tecnologia que retorna à sua cidade natal, após anos de afastamento e fugindo de um passado misterioso e violento em São Paulo, possivelmente ligado a um conflito com um poderoso industrial e a uma patente ou invenção.
Com a vida em perigo e sob constante ameaça e vigilância, Marcelo busca encontrar um pouco de paz, proteger seu filho pequeno, Fernando, que vive com os avós maternos (o avô é projecionista no icônico Cinema São Luiz, de Recife), e, eventualmente, deixar o país com o filho (também interpretado na vida adulta por Wagner Moura). Para seus planos, ele encontra refúgio em uma casa segura com outros dissidentes e figuras marginalizadas, além da figura maternal de Dona Sebastiana (Tânia Maria).
Ao tentar se reaproximar da família e do cotidiano, ele percebe que a cidade está sob intensa vigilância e a corrupção do regime militar que ainda controla e persegue opositores. E Marcelo acaba envolvido em uma rede de espionagem e conspirações, enfrentando dilemas morais e pessoais enquanto luta para proteger a si, aqueles que ama e desvendar o próprio passado.
A narrativa explora temas como repressão política, corrupção policial, memórias interrompidas, poder empresarial, identidade, manipulação da verdade e resistência. O filme traça um retrato crítico e sensível da sociedade brasileira durante uma de suas fases mais difíceis, misturando suspense, drama e elementos de thriller, conduzidos pela direção criativa de Kleber Mendonça Filho, que reforça seu estilo de crítica social e política, com toques do imaginário popular (lenda da "perna cabeluda") e referências cinematográficas ("Tubarão", de Spielberg).
13 novembro, 2025
O espírito de gentileza
"...poderia salvar o mundo. O que nos falta é isto: espírito de gentileza." (Érico Veríssimo)
Não confunda com:
De pai para filho
Érico Veríssimo é um dos escritores mais importantes e influentes da literatura brasileira. Nascido em 1905, no município gaúcho de Cruz Alta, ele sempre teve interesse pelo universo das letras, tendo criado sua primeira revista com apenas 10 anos de idade. Publicou seu primeiro romance, "Clarissa", aos 28 anos, e a partir daí teve uma bem-sucedida carreira tanto como escritor como tradutor, e até criou sua própria editora. Quando aluno do ciclo colegial, li com indescritível prazer cerca de vinte livros de sua autoria, inclusive o monumental "O Tempo e o Vento", que se compõe de sete volumes. Eram-me emprestados, um a um, pelo colega José Ernesto Moura de Oliveira, que tinha a coleção completa das obras do escritor. Adiante, passei a ler os bem-humorados escritos de Luís Fernando Veríssimo, filho do grande mestre das letras nacionais.
12 novembro, 2025
A parábola do fazendeiro chinês
Era uma vez um fazendeiro chinês cujo cavalo fugiu. Naquela noite, todos os seus vizinhos vieram para lamentar. Eles disseram: "Sentimos muito que seu cavalo tenha fugido. Isso é uma pena." O fazendeiro disse: "Talvez." No dia seguinte, o cavalo voltou trazendo sete cavalos selvagens com ele, e à noite todos voltaram e disseram: "Oh, que sorte! Que grande reviravolta. Agora você tem oito cavalos!" O fazendeiro disse novamente: "Talvez." No dia seguinte, seu filho tentou domar um dos cavalos e, enquanto cavalgava, foi jogado e quebrou a perna. Os vizinhos então disseram: "Oh, céus, que pena!", e o fazendeiro respondeu: "Talvez." No dia seguinte, os oficiais de recrutamento vieram para recrutar pessoas para o exército, e rejeitaram seu filho porque ele tinha uma perna quebrada. Novamente todos os vizinhos vieram e disseram: "Isso não é ótimo?" Novamente, ele disse: "Talvez."
"O fazendeiro se absteve firmemente de pensar nas coisas em termos de ganho ou perda, vantagem ou desvantagem, porque nunca se sabe... Na verdade, nunca sabemos realmente se um evento é sorte ou infortúnio, só conhecemos nossas reações em constante mudança a eventos em constante mudança." ~ Alan Watts (1915 - 1973), filósofo e escritor britânico.
11 novembro, 2025
Envelhecer juntos é bom por isso
Faltando apenas seis quilômetros para Monlevade, uma carreta carregada com bobinas de aço (como as da imagem acima) veio em sentido contrário, virou na curva e lançou as bobinas na direção destes Cunhas.
Algumas rolaram ribanceira abaixo, mas uma delas - com o codinome sai-da-frente - resolveu seguir firme para o destinatário em São Paulo. Veio com boa pontaria na nossa direção, enquanto eu freiava para escapar do impacto. (A D20 era nova...)
A bobina, porém, não teve dó, nem respeito, nem nada: continuou rolando, implacável.
Conchita gritou:
-Vai bater!
Se batesse, viraríamos papel de jornal em tintas vermelhas.
Sem alternativa, virei o volante para o barranco - e caímos, confiados de que quatro anjos da guarda e oito asas seriam suficientes.
Que nada! Estavam socorrendo outros - afinal, a BR-381 é conhecida como rodovia da morte.
Os dois meninos nada sofreram; estavam no banco de trás. As portas não abriram com o capotamento. Conchita, ao final da queda, teve escoriações leves, e eu quebrei o mais improvável dos ossos: o dedo médio - justamente aquele que mostramos “a quem nos tem ofendido”.
O coitado estava agarrado ao volante, mas ainda assim se partiu.
Nos meus mais escusos pensamentos, confesso que imaginei: será que, no meio do reboliço, não estiquei a mão pra fora com o dedo em riste?
Enfim, salvaram-se todos - exceto um revólver que fora de meu pai.
Deve ter sido encontrado por algum amigo disposto a vingar o motorista da carreta; por essas bandas, a vingança ainda é costume - e, graças a Deus, tenho ótimos amigos.
Perdi também um microscópio cirúrgico, que a esta altura deve estar servindo para operar cataratas em algum lugar.
A camionete, que Deus a tenha em boa garagem no Céu, teve a piedade de se amassar toda para nos deixar quase inteiros.
Assim, tivemos a sorte de não morrer jovens, para sentir as dores da velhice - essas são teimosas e aparecidas.
Todo dia uma delas me acorda com uma fisgada: ora na perna, ora no braço, ora na testa.
Só não dói o ovário - mas a Conchita sente alguma fisgada por lá.
Envelhecer em casal é bom por isso.
















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