Mostrando postagens com marcador música. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador música. Mostrar todas as postagens

23 novembro, 2025

Tenório Jr.

Francisco Cerqueira Tenório Jr., pianista e arranjador Nascido em Laranjeiras, Rio de Janeiro, em 4 de julho de 1941. Cursou (mas não concluiu) a Faculdade Nacional de Medicina, enquanto se dedicava paralelamente ao estudo do piano. Em março de 1964, gravou o LP “Embalo” de 11 faixas, dentre as quais 5 eram autorais. Tocando nas sessões do "Little Club", Tenorinho, como era conhecido na época, foi um dos nomes catapultados pelo "Beco das Garrafas" (verdadeiro laboratório de experimentações instrumentais) para se tornar, nos anos 1970, um dos profissionais mais requisitados pelos artistas brasileiros (Leny Andrade, Wanda Sá, Chico Buarque, Edu Lobo, Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes, Gal Costa, Joyce, entre outros). Na noite de 18 de março de 1976, quando acompanhava numa turnê os artistas Vinicius de Moraes e Toquinho, o pianista desapareceu misteriosamente em Buenos Aires. Tinha sido sequestrado por agentes da repressão daquele país com o aval do Estado brasileiro (Operação Condor). Durante muitos anos, sua história foi envolta em incerteza, até que, 49 anos depois, a Polícia Técnica da Argentina relacionou suas impressões digitais com as de alguém que foi executado naquele período. Esta descoberta trouxe um alívio para os familiares de Tenório, que, finalmente, souberam o que realmente aconteceu com ele. Apesar de não ter qualquer envolvimento com movimentos políticos, confundido com outra pessoa, Tenório foi sequestrado, supliciado e morto. Ao morrer, deixou quatro filhos e a esposa Carmen Cerqueira, então grávida de oito meses. Na época, ele tinha 35 anos, e a quinta criança nasceu um mês depois. Logo após o sumiço de Tenório Jr. o cineasta Rogério Lima produziu o curta-metragem de 16 mm, "Balada para Tenório", em que relata o desaparecimento de Tenório Jr. e entrevista seus familiares e amigos. Toquinho dedicou-lhe a música “Lembranças” e Elis, em 1979, dedicou à ausência de Tenório seu LP “Essa mulher”. Em 2023, o cineasta espanhol Fernando Trueba lançou uma animação em longa-metragem intitulada “Dispararon al pianista” (Atiraram no pianista). Em 1.º de outubro de 2025, foi realizado um evento no Teatro do BNDES, que contou com apresentações de Gil, Caetano, Joyce e de músicos considerados expoentes do samba-jazz para celebrar a memória de Tenório Jr.

“A memória, quando bem guardada, não desaparece." (Ruy Castro)
Brasil247.com

31 julho, 2025

Termen de volta à União Soviética

Termen nunca teve cabeça para negócios, embora tenha se lançado com entusiasmo nos loucos anos 20, registrando patentes, criando uma empresa de fachada atrás da outra e, em geral, conseguindo organizar suas finanças de uma forma bem americana.
Ele estava mais interessado em saber para onde essa nova música etérea estava indo.
Houve uma grande corrida naqueles dias em direção a formas sintéticas de arte que combinassem visão, movimento e todos os sentidos juntos. Termen era um entusiasta. Além do Illumivox, ele começou a experimentar outras melhorias para seu show itinerante: apoios de mão nos assentos que mudavam a textura com a música, uma luva com feedback de força, até mesmo (inevitavelmente) odores e aromas que enchiam a sala de concertos no ritmo da música.
Ele colaborou com o magnífico louco Joseph Schillinger, que buscava automatizar todo o processo de composição musical, e acreditava ter criado leis matemáticas da arte. Ele fazia truques como pegar os preços das ações do dia e convertê-los em uma música de sucesso. Gershwin e Glenn Miller, entre outros, ficaram fascinados por seu sistema. E Termen fez a primeira bateria eletrônica do mundo, chamada Rhythmicon, onde o ritmo era determinado pelo tom da nota.
Termen também criou o instrumento elétrico definitivo, um tão intuitivo que ninguém conseguia tocá-lo. Chamado de Terpsitone (foto ao lado), este era basicamente uma pista de dança sensível ao movimento. Não havia mais necessidade de os dançarinos sincronizarem seus movimentos com um acompanhamento estranho. Em vez disso, eles criariam sua própria música simplesmente movendo seus corpos! A única pessoa capaz de tirar uma melodia da coisa foi sua aluna mais capaz, Clara Rockmore, que gostava de tocar com ele em particular, mas se recusava a dar recitais públicos.
Perto do fim de seu tempo nos EUA, Termen estava explorando o que hoje chamamos de detecção de olhar, tornando possível tocar música apenas olhando em direções diferentes. Ele também era fascinado pelo controle direto do pensamento e estava investigando como usar os campos tênues gerados pela atividade cerebral como uma interface musical. Ambas as tecnologias, é claro, estão na vanguarda da pesquisa atual.
Mas Termen não tinha mais tempo.
Em 1938, Termen retornou à União Soviética. Há debate sobre se ele fez isso voluntariamente.
Era o pior momento possível para voltar. O programa de eletrificação de Lenin tinha tido sucesso, e a União Soviética era agora uma potência industrial. E o poder soviético certamente estava forte. Mas em vez de se somarem para nos dar o comunismo, os dois fatores produziram aquela outra grande inovação do século XX, o estado totalitário.
1938 foi o auge da guerra de Stalin contra a intelligentsia russa, o Grande Terror. Termen, com seus anos no Ocidente, não teve chance. Você pode ver suas fotos de quando ele foi preso, apenas algumas semanas após seu retorno. A polícia secreta o enviou para morrer nos campos de trabalho de Kolyma.
Termen ficará preso por muito tempo, então, enquanto esperamos a Segunda Guerra Mundial para libertá-lo, deixe-me aproveitar a oportunidade para um discurso.

OUR COMRADE THE ELECTRON (NOSSO CAMARADA, O ELÉTRON) - 7.ª parte desta palestra, que Maciej Ceglowski proferiu em 14/02/2014, na Webstock, em Wellington, Nova Zelândia.
[http://idlewords.com/]

29 junho, 2025

Homenagem a Hélio Delmiro

Uma homenagem póstuma ao grande violonista Hélio Delmiro (20/05/1947 - 16/06/2025).
Ele acompanhou e tocou com grandes artistas da música popular brasileira: Elis Regina, Milton Nascimento, Nana Caymmi, Rosa Passos, César Camargo, Nelson Faria e muitos outros.
Neste vídeo:

Gafieira n.º 2, de Flavio Silva

Flavio Silva (Fender Rhodes)
Hélio Delmiro (violão)

26 dezembro, 2024

Termen na América

Em pouco tempo, Stalin enviou Termen para a América, com instruções para saquear os escritórios de patentes de lá em busca de invenções úteis. A América é um país prático, e os americanos agarraram-se a uma questão prática: poderão estes teremins dar-nos algum dinheiro?
A RCA e Victor decidiram testar o mercado construindo algumas centenas de teremins para venda ao público. Eles adotaram um ângulo de marketing familiar.
Ao libertar as pessoas da necessidade de aprender um conjunto arbitrário e difícil de posições das mãos, dizia o discurso, o teremin tornou possível a qualquer pessoa criar música! Você simplesmente acenava com as mãos e puxava a música do éter.
Eles imaginaram um teremim em cada casa e até criaram um projeto para uma combinação de teremim e receptor de rádio que permitia que você tocasse seus favoritos em uma espécie de karaokê capacitivo.
Dado que o instrumento é um dos mais difíceis de tocar, acenar com a mão era um discurso de vendas apropriado para o teremim.
Mas vamos imaginar que o teremim tenha correspondido ao seu faturamento. Estou fascinado por esta visão de um país de músicos latentes, frustrados por instrumentos musicais ultrapassados e caros, à espera que a sua criatividade seja desbloqueada.
É um sonho que parecemos ter sempre que há uma grande mudança tecnológica. Blogar nos tornará uma nação de escritores! O vídeo digital e o YouTube farão de todos cineastas!
Em seu entusiasmo, a RCA e Victor pareciam ignorar que todos nós já temos um instrumento musical analógico, intuitivo e sem toque que vive em nosso rosto, mas poucos de nós o usamos fora do chuveiro.
E cada vez que temos esse sonho, há a inevitável decepção quando acontece que a maioria das pessoas não quer escrever jornalismo investigativo de 6.000 palavras, ou fazer cinema de arte, ou comprar um teremim realmente caro. Nas lindas palavras de nossa época, a maioria das pessoas prefere consumir conteúdo, não criá-lo.
Mas há algo nesta ideia que não podemos descartar facilmente.
Se você olhar para a história humana, verá que há períodos em que um grupo demograficamente pequeno de pessoas criou um conteúdo desproporcional ao seu número. Os grandes criadores de conteúdo da Grécia Antiga, por exemplo, que dentre uma população relativamente pequena de cidadãos livres nos deram matemática, filosofia e luta livre (com princípios do MMA moderno).
Pode-se argumentar que a Grécia teve a vantagem de vir primeiro. Mas há muitos exemplos posteriores.
Consideremos a Flandres do século XVII, a Idade de Ouro da pintura a óleo. A população acumulada da Flandres ao longo do século, começando em 1600, era de cerca de um milhão de pessoas, mas este pequeno pedaço da Europa produziu pintores virtuosos suficientes para preencher uma lista telefônica. As pinturas feitas durante a Idade de Ouro Holandesa ainda são insuperáveis.
A mesma coisa aconteceu na Renascença do Harlem, no Iluminismo escocês e em muitas outras épocas e lugares. Uma pequena população de criadores surgiria do nada e nos deixaria com alguns dos maiores conteúdos da história da humanidade.
A Nova Zelândia tem cerca de quatro milhões de habitantes, o que significa que, segundo este cálculo, o país deveria ter quatro Rembrandts. Então, onde eles estão? Onde está o Sócrates de Wellington?
Onde esse talento se esconde em tempos mais normais? Está lá o tempo todo, sendo desperdiçado, ou existe alguma alquimia que o cria quando as condições são adequadas?
É um grande mistério que nunca resolvemos, não importa o que Malcolm Gladwell diga. É por isso que continuamos a ter estes momentos de esperança sempre que uma tecnologia destrói barreiras à criatividade. Talvez este seja o grande problema! Talvez o Songsmith realmente torne a vida de todos um musical!

OUR COMRADE THE ELECTRON (NOSSO CAMARADA, O ELÉTRON) - 6.ª parte desta palestra, que Maciej Ceglowski proferiu em 14/02/2014, na Webstock, em Wellington, Nova Zelândia.
[http://idlewords.com/]

17 abril, 2024

Por que existem 7 notas musicais?

O maestro Ricardo Sousa-Castro, autor do livro "Os pilares da Música", explica no vídeo abaixo por que, na cultura ocidental, são 7 notas musicais (e 12 na escala cromática). O fenômeno tem mais a ver com a Física do som e com as leis da Natureza do que com qualquer outra coisa.

04 fevereiro, 2024

Coro a bocca chiusa

Da ópera "Madame Butterfly" de Giacomo Puccini:



Bocca chiusa (pronuncia-se "boca quíusa" no Português brasileiro) é um termo em italiano, que significa cantar com a boca fechada. É uma técnica usada para o "aquecimento vocal", cantando-se as denominadas vocalizes diatônicas com o acompanhamento de um teclado ou uma orquestra, que toca a melodia da vocalize, sendo que o cantor ou os coralistas (nesse vídeo) por sua vez a reproduzem. Caracteriza-se por cantar com a boca fechada, transferindo a ressonância para a região nasal.

24 outubro, 2023

Direitos autorais

É permitido criar músicas com nomes de outras músicas que já existem?

Canções são mais que títulos e, na visão prática da lei, títulos (que são frequentemente muito curtos) não podem ter seus direitos autorais garantidos. Violações de direitos autorais requerem uma reprodução ou imitação substancial de conteúdo. Não podemos reclamar para nós o direito sobre as palavras "eu te amo", por exemplo, porque não há tantas formas de dizer a mesma coisa, convenhamos. Sequências de acordes também não têm direitos autorais; melodias e letras, por outro lado, sim.
http://pt.quora.com (Sealtiel)
Se ainda estiver em dúvida, consulte a Lei 9.610/98. Veja o que ela diz:
Art. 8º Não são objeto de proteção como direitos autorais de que trata esta Lei:
VI - os nomes e títulos isolados;
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9610.htm

No Brasil, você é reconhecido como titular de direitos autorais ao criar uma obra musical e, de fato, você não precisa registrá-la para ter esse reconhecimento. Qualquer meio de prova idôneo pode derrubar a presunção juris tantum de autoria conferida pelo registro. Em outras palavras, se alguém registra uma música que você criou antes, você poderá anular o registro e ser reconhecido como autor se tiver meios de provar que foi você quem originalmente criou a música.

07 maio, 2023

Um homem da Renascença

O falecido dinamarquês Peter Bastion foi um polímata que se destacou em várias áreas: física teórica, literatura e música (piano e fagote). Neste vídeo ele aparece tocando um canudinho de plástico como se fosse um instrumento de sopro de palheta dupla.

05 fevereiro, 2023

Emoriô

"Ê-Emoriô / Ê-Emoriô / Emoripaô / Emoriô deve ser / Uma palavra nagô / Uma palavra de amor / Um paladar / Emoriô deve ser / Alguma coisa de lá / O Sol, a Lua, o Céu / Para Oxalá." 
(João Donato - Gilberto Gil)

Mas afinal, o que é Emoriô? É interessante pensar que a letra de Emoriô, de certo modo, questiona o seu próprio significado: é uma palavra nagô? uma palavra de amor? um paladar?
Vídeo com Jorge Ben, Carol Rodgers, Gilberto Gil e Sérgio Mendes



Emoriô, na realidade, não seria nem mesmo uma palavra, mas uma frase em iorubá "E mo ri O", o que significa mesmo Eu Te Vejo, em referência a Oxalá, uma reverência a este Orixá que guarda plena relação com “o sol, a lua e o céu” e está associado à criação do mundo e da própria espécie humana. Na criatividade de Donato e Gil, Emoriô tornou-se então um Ijexá e fez um enorme sucesso na década de 70 como uma das músicas mais ouvidas na Europa com o estouro em 1975 a partir do compacto duplo de Fafá de Belém, lançado em Portugal, tendo em um dos lados "Emoriô" e do outro "Naturalmente" (também do álbum “Lugar Comum”) do próprio João Donato em parceria com Caetano Veloso. Desde então, Emoriô foi executada e gravada por dezenas de outros intérpretes e que são imprescindíveis de serem conferidos, tais como o próprio Gilberto Gil, Sandra de Sá, Sandra Portella, Duofel e Sérgio Mendes.

IMMuB - Instituto Memória Musical Brasileira

04 fevereiro, 2023

Estrada musical

A rodovia 37 que está localizada no nordeste da Hungria, indo de Felsőzsolca a Sátoraljaújhely, na fronteira húngaro-eslovaca. Ela passa pela região vinícola de Tokaj. 
A canção folclórica húngara Érik a szőlő (As uvas estão amadurecendo) pode ser ouvida em um trecho especial dessa rodovia (vídeo), onde o atrito entre o asfalto e os pneus toca a melodia enquanto você dirige a 80 km/h.



Se você for mais rápido ou mais lento, a melodia será imperfeita ou distorcida.

26 junho, 2022

Uma viagem aos tempos passados

Faça uma viagem aos tempos passados em uma máquina do tempo steampunk. (*)
Esta animação foi criada com uma projeção de câmera baseada em fotos. O resultado é algo maravilhoso - embora espantoso - à medida que o passado ganha vida diante de seus olhos.
(Vídeo https://www.kuriositas.com/2016/03/the-old-new-world.html)

(*) Como posso saber se eu sou um steampunk?

A música de fundo é "Guilty" (1931), de "Al" Bowlly.

Albert Allick "Al" Bowlly (7 de janeiro de 1898 - 17 de abril de 1941) foi um popular guitarrista, cantor e crooner de jazz no Reino Unido e mais tarde nos Estados Unidos da América durante a década de 1930, realizando mais de 1.000 gravações entre 1927 e 1941. Na noite de sua morte, em 17 de abril de 1941, Bowlly e Messene tinham acabado de se apresentar no Rex Cinema em High Wycombe. Ambos tiveram a oportunidade de passar a noite na cidade, mas Bowlly optou por pegar o último trem de volta para seu apartamento na Jermyn Street, em Londres. A decisão de Bowlly foi fatal; ele foi morto por uma mina de paraquedas da Luftwaffe que detonou do lado de fora de seu apartamento naquela noite. O corpo de Bowlly parecia sem marcas: embora a enorme explosão não o tivesse desfigurado, havia arrancado a porta de seu quarto das dobradiças e o impacto contra sua cabeça foi fatal. Bowlly foi enterrado com outras vítimas do bombardeio em uma vala comum no cemitério da cidade de Westminster, Uxbridge Road, Hanwell, Londres, onde seu nome é escrito Albert Alex Bowlly.

Is it a sin, is it a crime
Loving you, dear, like I do?
If it's a crime, then I'm guilty
Guilty of loving you
Maybe I'm wrong
Dreaming of you
Dreaming the lonely night through
If it's a crime, then I'm guilty
Guilty of dreaming of you
What can I do
What can I say
After I've taken the blame?
You say you're through
You'll go your way
But I'll always feel just the same
Maybe I'm right
Maybe I'm wrong
Loving you, dear, like I do
If it's a crime, then I'm guilty
Guilty of loving you.
É um pecado, é um crime
Amar você, querida, como eu?
Se for um crime, então sou culpado
Culpado de amá-la
Talvez eu esteja errado
Sonhando com você
Sonhando a solitária noite toda
Se for um crime, então eu sou culpado
Culpado por sonhar com você
O que posso fazer
O que posso dizer
Depois de assumir a culpa?
Você diz que acabou
Você seguirá seu caminho
Mas eu sempre sentirei o mesmo
Talvez eu esteja certo
Talvez eu esteja errado
Amar você, querida, como eu amo
Se for um crime, então eu sou culpado
Culpado de amar você.

13 dezembro, 2021

Treze de dezembro - Mestrinho

"Nas terras de Novo Exu
Na Fazenda Caiçara
Em mil novecentos e doze
Viu o mundo minha cara.
Dia de Santa Luzia
Por isso é que sou Luiz
No mês que Cristo nasceu
Por isso é que sou feliz."

 
- Que improviso, seu Mestrinho!!!

"Treze de dezembro" - Rodolfo Fort e Marcos Farias (blog EM, 2009)
"Treze de dezembro" - Gilberto Gil (blog EM, 2012)

15 outubro, 2021

Uma breve história das notas musicais

O nome das notas (dó, ré, mi, fá, sol, lá, si) tem a sua origem na música coral medieval. Foi Guido d'Arezzo, um monge italiano, que criou este sistema de nomear as notas musicais - o chamado sistema de solmização. (*) Seis das sílabas foram tiradas das primeiras seis frases do texto de um Hino a São João Baptista, em que cada frase era cantada um grau acima na escala. As frases iniciais do texto, escrito por Paolo Diacono, eram:
Ut queant laxis
Resonare fibris
Mira gestorum
Famuli tuorum
Solve polluti
Labii reatum
Tradução: "Para que os teus servos possam cantar as maravilhas dos teus atos admiráveis, absolve as faltas dos seus lábios impuros".
Mais tarde ut foi substituído por do, sugestão feita por Giovanni Battista Doni, um músico italiano que achava a sílaba incômoda para o solfejo, e foi adicionada a sílaba si, como abreviação de "Sante Iohannes" (São João). A sílaba sol chegou a ser mais tarde encurtada para so, para uniformizar todas as sílabas de modo a terminarem todas por uma vogal, mas a mudança logo foi revertida.
[. . .]
The Noisy Doctor
Dó, Ré, Mi...

(*) Segundo o Grove Dictionary, a solmização é "o uso de sílabas em associação com alturas como dispositivo mnemônico para indicar intervalos melódicos".

VÍDEO: Solmização de Canções Populares

10 outubro, 2021

Bohemian Rhapsody. A versão da Agência Espacial Europeia

Usando o tempo livre, um grupo de pessoas que trabalha no Centro de Operações Espaciais da Agência Espacial Européia fez uma versão curiosa da "Bohemian Rhapsody" do Queen.
Há participações estelares de Andrea Accomazzo e Matt Taylor ; as missões Éolo, BepiColombo, ExoMars Trace Gas Orbiter, Gaia, Galileo, MarsExpress e Meteron são mencionadas... Ah, sim, também há um certo Brian May por aí. Ele é doutor em astrofísica.



Localizadores de outras versões
- com Fred Mercury e a banda Queen (link externo)
- com o músico brasileiro Joe Penna
- com o físico Timothy Blais
- com uma impressora
- ilustrada com memes
- com boomwackers
- com Piano Phantom

26 maio, 2021

Notas musicais

1. Oitavas
2. Compassos
3. Duração das notas
Os símbolos das notas musicais são usados para representar a duração do som a ser executado. São mostrados na figura abaixo, por ordem decrescente de duração: semibreve, mínima, semínima, colcheia, semicolcheia, fusa e semifusa.


Cada nota tem metade da duração da anterior. Se pretendermos representar uma nota de um tempo e meio (por exemplo, o tempo de uma mínima acrescentado ao de uma colcheia) usa-se um ponto após a nota.
Antigamente, existiam ainda a breve, com o dobro da duração da semibreve, a longa, com o dobro da duração da breve, e a máxima, com o dobro da duração da longa, mas essas notas não são mais usadas na notação atual.
A duração real (medida em segundos) de uma nota depende da fórmula de compasso e do andamento utilizado. Isso significa que a mesma nota pode ser executada com duração diferente em peças diferentes ou mesmo dentro da mesma música, caso haja uma mudança de andamento.
[. . .]
http://noisydoctor.blogspot.com/search/label/Aulas

14 maio, 2021

Música e linguagem

"Em comparação com a literatura, a música está acima da barreira da língua. Um poema em francês ou um romance em alemão não nos dizem nada se não compreendermos essas línguas, mas podemos apreciar sem dificuldade a música francesa, alemã, americana etc." 
- www.meusresumos.com (link inativo)

"A mais difícil de se falar de todas as aventuras é a música, porque a música não tem um significado a falar de si. Se a música pudesse ser traduzida em fala humana, não precisaria mais existir. Como o amor, a música é um mistério que, quando resolvido, se evapora."
- Ned Rorem, Music From Inside Out, 1967

"A música expressa aquilo que não pode ser dito e sobre o qual é impossível ficar em silêncio."
- Victor Hugo

"Mas a música nos move e não sabemos por quê;
Sentimos as lágrimas, mas não podemos rastrear sua fonte.
É a linguagem de algum outro estado,
Nascido de sua memória? Pois o que pode despertar
O forte instinto da alma de outro mundo
Como a música?"
- Letícia Elizabeth Landon, The Golden Violet, 1827

===============================Que é isto?==============================


Resposta - A lápide do compositor Alfred Schnittke. A pausa de uma semibreve sob uma fermata indica que a pausa deve durar o tempo que o músico quiser. Marcada com fff, ou muito fortissimo, significa que ela deve ser realizada muito fortemente.

Ler e ouvir: A linguagem da música, por Arnaldo Niskier


02 maio, 2021

Craviola

"O bom violão geralmente é de pinho, com o fundo e as laterais de jacarandá da Bahia. No entanto, a gente pode gostar de um que não tenha nada disso. O importante é encontrar aquele a quem se possa chamar orgulhosamente - o meu violão." ~ Paulinho Nogueira

Na década de 1970 eu adquiri o "Método Paulinho Nogueira para Violão". O autor do livro já era um violonista brasileiro consagrado, com atuação fixa no programa de TV "O Fino da Bossa", tinha sido professor de Toquinho e gravado discos aclamados por todos, quando, a partir de 1968, passou a publicar em sucessivas edições o seu método de harmonia. 
Durante um longo tempo, ele  foi o meu vademecum no aprendizado do violão.
Em 1969, Paulinho Nogueira inventou a craviola, instrumento de 12 cordas que produz um som misto de cravo e viola.



O músico fala de sua invenção: 
"Eu mesmo antes de tocar violão já gostava muito de desenhar. Eu fazia muito desenho com crayon. Eu cheguei até a ganhar um prêmio no Salão da Primavera em Campinas, de tanto que eu gostava de pintar. Então, depois que eu tomei outro rumo e passei a ser músico, violonista, me deu uma idéia de fazer um violão que fosse desenhado por mim. Eu fiz alguns desenhos e como era muito amigo do Giannini ,o fabricante de violão, levei pra ele que achou a idéia ótima. Escolheram um modelo e me fez assinar um contrato como inventor, eu até achava graça pois tinha virado inventor agora. Então, para resumir a história, a craviola foi exportada para os Estados Unidos, Canadá e Inglaterra. Foi um negócio que na época, já faz um tempão, me deu muita satisfação. É um violão com uma forma diferente."
Jimmy Page utiliza nos interlúdios em que canta "Stairway to heaven", entre outros instrumentos, uma craviola.
http://www.invencoesbrasileiras.com.br/craviola/
http://www.violaobrasileiro.com/dicionario/paulinho-nogueira

08 março, 2021

EA ESTE ALEASA

08/03: Dia Internacional da Mulher

http://live-pretty.ru/wp-content/uploads/2017/03/Amadeus-825x194.jpg

O grupo Amadeus Electric Quartet surgiu em novembro de 2000 de um projeto musical em Bucareste, na Romênia. O nome é uma homenagem a um quarteto só de homens, chamado também Amadeus, da década de de 1940. Este quarteto de beldades, adota estilos de crossover pop e músicas clássicas. Elas são: Jeff Runceanu (violino / voz), Bianca Gavrilescu (vocal / backing), Patricia Cimpoiaşu (vocal cello / backing) e Naomi Anelis (piano / teclados).

Vídeo com o Amadeus Electric Quartet SHE IS THE ONE (EA ESTE ALEASA)


http://youtu.be/FenMX_cGDvc

13 janeiro, 2021

Das cifras ao círculo das quintas

Nível básico
A notação com cifras (letras ABCDEFG) para os acordes.


Nível avançado
O Círculo das Quintas.
"No alvorecer da Quinta Era do homem, um Anel de Poder foi criado para os bardos e os trovadores da Terra Média." (*)


(*) A Teoria Musical e a História da Música seriam muito mais interessantes se fossem escritas por J.R.R. Tolkien.

Pensamento do dia
Uma coleção de textos sagrados que nos adverte dos falsos profetas é como um CD de música comprado no Beco da Poeira que vem com um alerta sobre a pirataria.

06 janeiro, 2021

O único nariz do mundo

O Sora News 24 nos apresenta a talentosa música e usuária do Twitter @oktj_.
Neste vídeo, @oktj_ toca a popular música japonesa SEKAI NI HITOTSUDAKE NO HANA (A única flor do mundo). Isso é um trocadilho porque as palavras "flor" e "nariz" soam em japonês de modo igual.


Ela é tão boa que consegue tocar duas melodias diferentes ao mesmo tempo. Deem-lhe algo que ela possa trabalhar com os pés e ela se tornará um quarteto.

No Brasil: Paulin da flauta nasal