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01 julho, 2024

Abandonados

Fernando Gurgel Filho

Quem foi abandonado primeiro? O recém nascido ou a mulher?

Sem querer justificar atos desse tipo, devemos pensar nas causas que levam uma mãe a abandonar um recém nascido. Ou uma criança de qualquer idade parida por aquela mulher.

Na minha opinião, o motivo principal é um só. Mesmos nas situações em que seja diagnosticada falta de sanidade mental da mulher.

Antes de a mulher abandonar uma criança, podemos afirmar com quase total segurança, que a mulher foi abandonada à própria sorte.

Para uma sociedade que prefere fugir de responsabilidades, uma gravidez indesejada é um problema para o resto da vida.

Assim, muitas grávidas são abandonadas pelo marido/companheiro/namorado, são abandonadas pela família, pela sociedade, pelo mercado de trabalho, pelo Estado, assim que anuncia sua gravidez.

Grávidas, sozinhas e tendo que assumir uma enorme responsabilidade, sem ninguém para oferecer sequer um ombro onde derramar suas lágrimas, é como se uma pesada cortina se fechasse diante de seus olhos. Nesta situação não se vê nada. O futuro não existe. O hoje é um tormento sem fim. Tormento que a mulher, naquela hora dramática, pensa poder se livrar se livrando da criança numa lata de lixo. Sozinha, abandonada.

E continuará assim.

Um dos responsáveis diretos por uma gravidez, o pai, é o primeiro a cair fora da relação e abandonar a mulher à própria sorte. Fácil para quem a comprovação de paternidade somente pode ser provada - apenas por probabilidade - após o nascimento da criança. Com custo proibitivo para a maioria da população. E a mãe que se vire e sofra todas as consequências, inclusive a criminalização de seus atos.

Todos os responsáveis diretos e indiretos pelo abandono de recém nascidos - o pai, a família, o Estado - têm a certeza que nunca poderão ser criminalizados por esses inúmeros abortos após o parto.

Isso mesmo, aborto pós parto, essa sim uma prática criminosa de responsabilidade de toda a sociedade que joga nas lixeiras, nas ruas e nas praças inúmeros órfãos de pais vivos, que farão a felicidade da criminalidade e o tormento da própria sociedade que os abandonou e os mantém abandonados.

E ainda tem gente que é contra a interrupção de ua gravidez indesejada. Esses, preferem crianças praticamente perdidas para a vida em sociedade em prol de uma gravidez bem sucedida (sic???!!!).

E as próprias mulheres que, em número, são a maioria da população ainda permanecem caladas ou apenas esboçam reações tímidas ante essa monstruosidade que lhes jogam nos ombros.

Se depender da população masculina, ainda levará muito tempo antes que mulheres grávidas parem de ser jogadas nas lixeiras. Isto porque jogar na fogueira, atualmente, é crime.

11 agosto, 2021

O Disco de Ouro da Voyager

Ao longo da década de 1970, Sagan e Drake criaram outras mensagens para o espaço. A Placa Pioneer (1) (2) (3) havia revelado o quão difícil era capturar a variedade da vida humana em um diagrama. Portanto, em 1977, eles desenvolveram uma mensagem mais complexa chamada Voyager Gold Disc.
Essa tinha saudações em 55 idiomas, 12 minutos de sons da Terra - como batimentos cardíacos humanos e chuva caindo - música de Brahms e Chuck Berry e, em vez de humanos nus, a Nasa aceitou a imagem de uma mulher grávida.
http://voyager.jpl.nasa.gov/golden-record/
http://voyager.jpl.nasa.gov/golden-record/whats-on-the-record/
http://en.wikipedia.org/wiki/Voyager_Golden_Record
Gravidez
Este diagrama, junto com alguns outros que representam o momento da concepção e as divisões das células zigóticas, mostra como os humanos se reproduzem e gestam. Originalmente, Sagan queria incluir uma fotografia colorida do casal, junto com esta versão em silhueta, mas a NASA a rejeitou por causa da nudez. A placa da Pioneer já havia sido examinada pelos detalhes em suas figuras nuas e a NASA não queria correr o risco de receber críticas novamente.
http://www.pastemagazine.com/science/voyager/the-voyager-golden-record/

27 maio, 2011

Estamos grávidos!

"Eu vi a mulher preparando outra pessoa..."
Caetano Veloso

Um livro que esteve à venda no Brasil, há alguns anos, tinha esse sugestivo título. Imagino que o mesmo devia abordar a necessidade da participação do homem na gravidez, além, é claro, de seu conhecido papel genético. Ao enfocar que o estado gravídico, em seus aspectos orgânicos, psicológicos e culturais, não seria uma questão exclusiva da mulher. Mas que interessaria também ao homem, acarretando-lhe, em vista disso, certos compromissos e responsabilidades, a fim de que esse projeto comum chamado filho pudesse acabar... em choro. Isto é, acabar bem.
Eis, na Natureza, o exemplo de quem pegou o espírito da coisa, porém com um certo exagero. O cavalo-marinho. Pois na espécie quem fica grávido é o macho, numa bolsa abdominal para isso existente. E, quando chega o instante propício de nascer a filharada, até um arremedo de trabalho de parto o pejado animálculo apresenta! No cavalo-marinho é assim, macho e fêmea têm os papéis trocados, Enquanto isso, em seus arroubos transformistas, a ciência está a prever que, num futuro não muito distante, a gravidez será biologicamente possível ao homem. Bem, gosto não se discute, mas que será uma gravidez de alto risco, lá isso será.
Portanto, fim da minha divagação sobre a troca de papéis! Na época em que o livro foi lançado, é bem possível que eu tenha reagido a ele com um "não li, não gostei". Porque, na qualidade de solteirão empedernido, isso era assunto que só causava ziquizira. Sucedeu o dia, porém, em que me casei. Aí - fruto da nova situação - pouco tempo após, vi-me às voltas com os indícios de uma gravidez (na mulher). São Tomé, que nunca foi banana, soprou-me aos ouvidos: ver para crer. Um conselho, aliás, bastante oportuno, pois jamais se deve esquecer de que a pseudociese (ou a falsa gravidez, como é conhecida em meio não médico) também existe. Continua no Preblog.

Esta crônica foi publicada em O POVO - CULTURA (com a ilustração acima), em 11/11/89, e no Jornal da Associação Médica Brasileira (JAMB) de abril de 1990.

05 outubro, 2010

Uma cascata com efeito cascata

A pergunta
Pode o bebê engravidar se a mãe tiver relação sexual durante a gestação?

A "melhor" resposta
O bebê só pode engravidar se for do sexo feminino. Caso suspeite de que isso esteja acontecendo, evite continuar praticando o sexo durante a gestação para que o o bebê não venha a engravidar e assim sucessivamente.

Tradução livre de Prego Baby Fail, in Yahoo! Answer