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31 março, 2025

Calendário político. Artigo de Frei Betto

"Todas essas convenções e denominações estão calcadas na dança cabrocha da Terra em torno do mestre-sala, o Sol", escreve Frei Betto, escritor, autor de “A obra do Artista – uma visão holística do Universo” (José Olympio), entre outros livros.
Eis o artigo.
Podemos não perceber, mas a política está presente em tudo: na qualidade do nosso café da manhã e do transporte utilizado para ir à escola ou ao trabalho.
Mas nem tudo é política. Um casal em lua de mel não é necessariamente uma questão política. Porém, o local para o qual viajou (ou não) tem a ver com política, que influencia na renda familiar.
A política é uma faca de “dois legumes”, como se diz em Minas. Serve para oprimir ou libertar. É como a religião, que também serve para oprimir ou libertar.
Um dos exemplos mais curiosos de que tudo tem a ver com a política é este: pergunte a um grupo qual é o último mês do ano. Todos responderão: “Dezembro”. Agora indague: “Equivale a qual numeral?” Com certeza a maioria dirá: “Doze”. Errado! Dezembro equivale ao numeral dez. Antes dele, novembro, nove; outubro, oito; setembro, sete. E por que o ano tem doze meses?
Eis a política: na Roma antiga o ano tinha 304 dias e dez meses (martius, aprilis, maius, junius, quintilis, sextilis, september, october, november e december). Mais tarde, foram acrescidos os meses de janus e februarius.
Para homenagear os césares, o senado romano mudou os nomes de quintilis para julho, em honra do imperador Júlio César. O imperador Augusto, seu sucessor, não quis ficar atrás e exigiu também um mês em sua homenagem. Sextilis virou agosto, em honra de César Augusto.
Os astrônomos do reino, constrangidos, lembraram ao imperador da alternância de 31/30 nos dias de cada mês. Portanto, o mês de Augusto teria um dia a menos que o de Júlio. “Quero isonomia!”, teria dito o imperador. “Ou amanhã os senhores não terão a cabeça em cima do corpo”. O que fizeram? Arrancaram um dia de fevereiro. Julho e agosto são os únicos meses consecutivos com 31 dias.
Uma pergunta que sempre me fazem: por que a data do Carnaval muda todo ano e sob que critérios? Mudam-se também as datas da Semana Santa, de Corpus Christi e de outras efemérides litúrgicas.
Nosso calendário gregoriano é solar, ou seja, regido pela rotação da Terra em torno da estrela que nos ilumina. O calendário litúrgico é lunar, baseado nas fases da lua. Sua festa central é a Páscoa, sempre comemorada pelos judeus na primeira lua cheia do mês de Nisan. Este mês do calendário judaico corresponde ao período entre 22 de março e 25 de abril. Para nós, que vivemos no hemisfério Sul, o domingo de Páscoa é sempre aquele seguido da primeira lua cheia do outono. Neste ano, 20 de abril. Para evitar confusão com a festa judaica, a Igreja adotou o domingo seguinte ao da festa da Páscoa judaica como o da celebração da ressurreição de Jesus.
O domingo de Carnaval é sempre o sétimo antes da Páscoa cristã. A quinta-feira de Corpus Christi, a primeira depois do domingo da Santíssima Trindade, comemorado 57 dias depois da Páscoa.
O domingo de Páscoa é a data de referência das demais festas litúrgicas chamadas móveis. Há também as imóveis, como o Natal, comemorado invariavelmente a 25 de dezembro, não importa o dia da semana em que cai.
Todos os povos que seguem um calendário anual celebram a chegada do Ano-Novo denominada, entre nós, réveillon, do verbo francês réveiller, que significa “despertar”. Foi o imperador Júlio César que, no ano 46 a.C., decretou o 1º de janeiro como primeiro dia do Ano-Novo. Celebrava-se na data a festa de Jano, deus dos portões, dotado de duas faces, uma virada para frente, outra para trás. Janeiro deriva de Jano.
Os dias da semana, em português, foram nomeados por Martinho de Dume, bispo de Braga, Portugal, no século VI. Ele denominou, em latim, os dias da Semana Santa como aqueles nos quais não se devia trabalhar: feria secunda (segundo dia de feriado ou férias), feria tertia etc. Feria originou a corruptela feira.
O imperador Constantino (280-337), convertido ao Cristianismo, já havia denominado Dies Dominica, “dia do Senhor”, o domingo, primeiro dia da semana. O sétimo dia, sábado, vem do hebreu shabāt, que significa “descanso”.
Outros idiomas latinos conservam os nomes pagãos dos dias, concernentes aos planetas, como é o caso do francês, do italiano e do espanhol. Na língua de Cervantes segunda-feira é lunes, de lua; terça, martes, de Marte etc.
Todas essas convenções e denominações estão calcadas na dança cabrocha da Terra em torno do mestre-sala, o Sol. Nesse bailar, percorre quatro estações: verão, outono, inverno e primavera. E não apenas a Estação Primeira de Mangueira...
Aliás, se a evolução do Universo, surgido há 13,8 bilhões de anos, fosse compactada no calendário gregoriano, o Big-Bang, a explosão primordial, teria ocorrido a 1° de janeiro; nossa galáxia, a Via Láctea, se formado em 1° de maio; nosso sistema solar, em 9 de setembro; o surgimento da Terra, em 14 de setembro; as primeiras manifestações de vida, a 25 de setembro; e o ser humano, nos últimos segundos de 31 de dezembro.
De vez em quando é muito bom dar um passeio pela ciência, tão desprestigiada por essa gente que adora as fake news de Trump.
18 março 2025
https://www.ihu.unisinos.br/649604-calendario-politico-artigo-de-frei-betto

05 fevereiro, 2025

Apego às tradições

por Yohan Vioujard, Mastodon

● Túmulo de Jean-Marie Le Pen (1928 - 2025) vandalizado com uma marreta (foto). Não será a última vez.


● Eu tinha lido que, desde a morte de Philippe Pétain (1856 - 1951), aqueles que cuidam do local onde ele está enterrado são obrigados a limpá-lo várias vezes por ano. O túmulo está frequentemente coberto de excrementos, urina e pichações.
● Durante 200 anos, alguns clubes republicanos realizaram banquetes onde comiam cabeça de bezerro em memória de Luís XVI.(1754 - 1793).
● Durante a Revolução, os reis foram desenterrados da Basílica de Saint-Denis e o cadáver de Henrique IV (1553 - 1610) ficou exposto na rua por vários dias.
Em algum lugar, mesmo quando somos progressistas, mantemos um apego às tradições.

Nota do Blog EM.
O que há em comum entre eles é a forte ligação com a história e a política francesa, mas seus contextos, papéis e legados são bastante distintos.

18 agosto, 2024

Vida de candidato

Por Jessier Quirino (*)

(*) Jessier Quirino é 📚 poeta, 🎤 homem do palco e 👀 Prestador-de-atenção das coisas do mato.

18 julho, 2024

Bonés e armas de fogo no Capitólio

Trump continua um século de tradição autoritária no uso de estratégias de marketing para criar uma nova comunidade sagrada. Ele dá a seus seguidores de base uma identidade tribal e uma maneira de baixo custo de ostentá-la com orgulho (o chapéu ou boné MAGA), transformando-os em embaixadores ambulantes da marca. O chapéu dá aos devotos uma conexão pessoal com ele. Eles podem não ter condições de pagar seus ternos Brioni sob medida, mas compartilham o mesmo capacete.
"Ele estava vendendo Trump, mas poderia estar vendendo tênis", disse um estrategista rival do diretor de mídia digital de Trump, Brad Parscale, e do modelo de comércio eletrônico que a campanha usou para levar Trump ao cargo.
O chapéu MAGA os atrai, mas a arma os mantém lá. A ilegalidade machista sempre foi a raiz do apelo de Trump. Ser encorajado pelo líder a transgredir (a verdade, a "correção política", o estado de direito, os tabus contra bater no vizinho) foi e continua sendo uma grande parte da emoção de ser um seguidor de Trump.
A arma aparece no chapéu porque a violência está embutida no modelo político de Trump, que prega que alguns devem ser prejudicados, ou pelo menos ameaçados ao silêncio, ou "trancados", para que a glória da verdadeira nação possa se concretizar.
A arma, já símbolo da repressão sistemática do governo às pessoas de cor, representa os direitos dos civis portadores de armas de criar e policiar a nova comunidade nacional. Mandel pode ser um ex-fuzileiro naval, mas a arma que ele retrata é presumivelmente uma questão privada. As armas já figuram em uma visão de mudança política, incorporada na tentativa de golpe de 6 de janeiro, que depende da força e de medidas extralegais.


Autoritários sempre precisam de um verniz de respeitabilidade para manter as elites financeiras e outras a bordo e deixar as pessoas pensarem: "Não é tão ruim; não é tão sério". Essa é a função do chapéu ou boné MAGA. No entanto, não há nada de inofensivo na violência cometida por aqueles que usam esses chapéus, que incluem muitos que invadiram o Capitólio. Os chapéus MAGA podem se referir a um futuro Trumpiano alegre, mas a violência é a maneira como esse futuro provavelmente será realizado. (Trad.: PGCS)

http://lucid.substack.com/p/the-maga-hat-and-the-gun, Lucid archive

28 agosto, 2020

Os Engenheiros do Caos

Meu caro Esculápio,
Ao tentar encomendar alguma coisa para ler nestes dias sombrios e frios de pandemia, eis o que localizo:
"OS ENGENHEIROS DO CAOS", aparentemente muito bem recebida em setores mais arejados, trata-se de uma obra sobre os métodos fascistas da Nova Extrema-Direita do século XXI.
Não li o pdf do livro e vou esperar a edição impressa que já encomendei. Espero que goste.
Jaime Nogueira

Aos olhos dos seus eleitores, as deficiências dos líderes populistas se transformam em qualidades, sua inexperiência demonstra que não pertencem ao círculo da "velha política", e sua incompetência é uma garantia da sua autenticidade. As tensões que causam em nível internacional são vistas como mostras de sua independência, e as fake News, marca inequívoca de sua propaganda, evidenciam sua liberdade de pensamento.
No mundo de Donald Trump, Boris Johnson, Matteo Salvini e Jair Bolsonaro, cada dia traz sua própria gafe, sua própria polêmica, seu próprio golpe brilhante. No entanto, por trás das manifestações desenfreadas do carnaval populista, está o trabalho árduo de ideólogos e, cada vez mais, de cientistas e especialistas do Big Data, sem os quais esses líderes nunca teriam chegado ao poder.
É o retrato desses engenheiros do caos que Giuliano da Empoli nos apresenta, através de uma investigação ampla e contundente que vai muito além do caso Cambridge Analytica e remonta ao início dos anos 2000, quando o movimento populista global, hoje em pleno curso, dava seus primeiros passos na Itália.
O resultado é uma galeria de personagens variados, quase todos desconhecidos do público em geral, mas que vêm mudando as regras do jogo político e a face das nossas sociedades.
Booktrailer

13 janeiro, 2020

Midas, contra a vontade

Chamou de "pirralha" a jovem Greta Thunberg, que foi escolhida como "Personalidade do Ano" pela revista Time.
Ricardo Galvão (Inpe), cujas denúncias sobre as queimadas na Amazônia foram por ele contestadas, foi considerado um dos "Dez cientistas do ano" pela Nature.
Chico Buarque, seu desafeto de sempre, ganhou o Prêmio Camões (o mais importante da língua portuguesa) do ano de 2019.
Em momentos de desmonte da Ancine, "Bacurau", dos pernambucanos Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, venceu o prêmio de Melhor Filme do Festival de Cinema de Munique e "Democracia em Vertigem", documentário em que a cineasta Petra Costa conta a história cínica do Brasil recente, está sendo indicado para o Oscar.



Lula, Dilma  e Leonardo DiCaprio preparem seus trajes de gala. Este ano vem coisa boa para vocês.

15 junho, 2019

Teoria da Involução

Nívia Salerno


A culpa não é minha, eu votei no Aécio.

Somos milhões de Cunhas.

Japonês da Federal.

Mito, mito, mito...

Moro, herói do povo brasileiro.

Meu deus do céu, quando é que vocês irão tomar vergonha?!  ‏@nivia_salerno

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HOMENS REGREDINDO

(gravura usada  por Fleet Street Fox no Mirror)

DAS VANTAGENS DE ENTREGAR O TELEFONE CELULAR PARA SER PERICIADO

1 - O aparelho será devolvido com o Telegram já desinstalado.

2 - Terá preferência para entrar na fila das delações premiadas.

3 - Se comprovada a invasão, poderá mover uma ação judicial regressiva (tem grana nisso) contra os hackers. @EntreMentes

31 março, 2019

O Gabinete das Sombras

Se cumprir o que prometeu, o autoproclamado presidente do Brasil José de Abreu promoverá seu autoimpeachment amanhã, 1.º de abril - Dia da Mentira.
"Não aguento mais ser presidente!", diz o ator. "Tentei montar um shadow-cabinet [Gabinete das Sombras]. Mas como fazer sombra para o nada?"

O Gabinete das Sombras (do sistema Westminster de governo desenvolvido no Reino Unido) consiste em um grupo sênior de porta-vozes da Oposição que, sob a liderança do Líder da Oposição, forma um gabinete alternativo ao do Governo, em que cada membro analisa as posições individuais de cada membro do Gabinete. É responsabilidade do Gabinete das Sombras examinar as políticas e ações do Governo, bem como oferecer um programa alternativo.

Atrevo-me a subsidiar este guerreiro que fala em Gabinete das Sombras e Abreugrafia:
Falecido em 1962, o ano em que também faleceu Portinari, "o gênio das cores", Manuel de Abreu, o inventor da abreugrafia, recebeu o carinhoso título de "o gênio das sombras".
https://airblog-pg.blogspot.com/2010/02/abreu-inventor-da-abreugrafia.html

12 outubro, 2018

A base filosófica da Absurdologia

Fernando Gurgel Filho
Lançando a base filosófica da Absurdologia, um tratado porno-filosófico-absurdológico:
Com tanta gente, inclusive religiosos, apoiando candidato truculento, que somente espalha ódio à humanidade, abertamente favorável a ditaduras militares, preconceitos, torturas e porte de armas de fogo, devemos entender que essas pessoas não acreditam em Política e, principalmente, não acreditam na Justiça, muito menos em Educação e Cultura. Em suma: não acreditam na civilidade, na civilização.
Não acreditam em educação, persuasão, conversão... Não acreditam em perdão e, principalmente, não acreditam em recuperação de nenhum ser humano que tenha se "afastado do caminho", como dizem. Não acreditam em nada disso, acreditam apenas numa única coisa: repressão, pancada e submissão. E, se isto não for suficiente, como já aconteceu em vários períodos da história são ardorosos defensores da extinção pura e simples - comumente chamada de morte, assassinato - dos que se "afastaram do caminho" por eles "sugeridos" carinhosamente através do cassetete, palmatória e chicote no lombo.
Acreditam menos ainda nos políticos em quem votam. E, o mais estarrecedor, votam mesmo assim. Deve ser porque têm ódio, abominam, aqueles candidatos que têm atitudes mais condizentes com o que gostariam de acreditar, mas o próprio sistema lhes nega.
E, pior, eles não têm consciência de nada disso.

Do mesmo autor: Inauguramos a Absurdologia

03 outubro, 2018

Noam Chomsky visita Lula

"EU RECÉM VISITEI LULA, O MAIS PROEMINENTE PRESO POLÍTICO DA ATUALIDADE"

PRISÕES LEMBRAM A famosa observação de Tolstoi sobre famílias infelizes: cada uma “é infeliz à sua maneira” ainda que haja algumas características comuns – para prisões, o reconhecimento sombrio e sufocante de que outra pessoa tem poder sobre a sua própria vida.

Minha esposa, Valeria, e eu recentemente estivemos em uma prisão para visitar aquele que é, provavelmente, o prisioneiro político mais proeminente da atualidade, uma pessoa de notável significância na política global contemporânea.

Considerando os padrões das prisões americanas que já vi, a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, no Brasil, não é formidável ou opressiva – ainda que isso seja uma baixa expectativa. Não é nada como algumas das que visitei em outros países – nem remotamente parecida com Khiyam, a câmara de tortura de Israel no sul do Líbano, mais tarde bombardeada e destruída para ocultar o crime, e muito distante ainda dos indescritíveis horrores da Villa Grimaldi de Pinochet, onde os poucos que sobreviveram às requintadas sessões de torturas eram jogados em uma torre para apodrecerem – uma das maneiras encontradas para assegurar que o primeiro experimento neoliberal, sob a supervisão dos principais economistas de Chicago, poderia ir adiante sem vozes disruptivas.

Apesar disso, é uma prisão.

O prisioneiro que visitamos, Luiz Inácio Lula da Silva – “Lula”, como ele é universalmente conhecido – foi sentenciado ao aprisionamento, em uma solitária, com nenhum acesso à imprensa ou aos jornais e com visitas limitadas uma vez por semana.

No dia após nossa visita, um juiz, citando a liberdade de imprensa, concedeu ao maior jornal do país, a Folha de São Paulo, o direito de entrevistar Lula, mas outro juiz rapidamente interveio e revogou aquela decisão, apesar do fato de que os criminosos mais violentos do país – líderes de milícias e traficantes de drogas – são rotineiramente entrevistados na prisão.

Para a estrutura de poder do Brasil, aprisionar Lula não é suficiente: eles querem garantir que a população, enquanto se prepara para votar, não possa ouvi-lo de nenhuma forma, e estão, aparentemente, dispostos a fazer uso de qualquer medida para alcançar este objetivo.

O juiz que revogou a permissão não estava fazendo nada de novo. Um predecessor dele foi o promotor de acusação na condenação de Antonio Gramsci em 1926 pelo governo fascista de Mussolini, que declarou que “nós temos que impedir o cérebro dele de trabalhar por 20 anos.”

“A história não se repete, mas frequentemente rima”, disse Mark Twain.

Nós ficamos motivados, mas não surpresos, ao descobrir que apesar das onerosas condições e o chocante erro judiciário, Lula permanece em seu estado enérgico, otimista sobre o futuro e cheio de ideias sobre como retirar o Brasil de seu atual caminho desastroso.

Sempre há pretextos para a prisão – talvez válidos, talvez não – mas geralmente faz sentido buscar quais são as razões reais. Isso se aplica nesta situação. A primeira acusação contra Lula, baseada em delações premiadas de empresários sentenciados por corrupção, é a de que a ele foi oferecido um apartamento no qual ele nunca morou. Nada de extraordinário.

O crime alegado é quase imperceptível para os padrões brasileiros – e há mais a dizer sobre esse conceito, mas retornarei a ele posteriormente. Fora isso, a sentença é tão totalmente desproporcional ao crime alegado que é importante buscar as razões. Não é difícil desenterrar coisas sobre candidatos. Lula é, de longe, o candidato mais popular e facilmente ganharia uma eleição justa, não sendo este o resultado preferido da plutocracia. Embora suas políticas enquanto estava no cargo fossem pensadas para ajustar as questões financeiras domésticas e internacionais, ele é desprezado pelas elites, em parte, sem dúvida, por conta de suas políticas de inclusão social e benefícios aos menos afortunados, porém outros fatores parecem intervir: primeiramente, o simples ódio de classe. Como pode um trabalhador pobre sem educação superior que nem sequer fala português corretamente ser o líder de nosso país?

Em seu governo, Lula foi tolerado pelo poder ocidental, mas com reservas. Havia pouco entusiasmo por seu sucesso, através de seu Ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, em impulsionar o Brasil ao centro do palco mundial, começando a cumprir as predições de um século atrás de que o Brasil se tornaria “o colosso do Sul”. Algumas de suas iniciativas foram rapidamente condenadas, especialmente suas medidas com vistas a resolver o conflito dos programas nucleares do Irã em coordenação com a Turquia em 2010, diminuindo a insistência dos Estados Unidos em protagonizar a situação. De forma geral, o papel de liderança do Brasil em promover forças independentes do poder ocidental, na América Latina e além, não era bem-vindo por aqueles acostumados a dominar o mundo.

Com Lula impedido de concorrer, há uma boa chance de que o favorito da direita, Jair Bolsonaro, vença a Presidência e intensifique muito as políticas duramente regressivas do presidente Temer, que substituiu Dilma Rousseff, que sofreu impeachment em processos ridículos em um estágio anterior do “golpe branco” agora em curso no país mais importante da América Latina.

Ler artigo completo no site THE INTERCEPT. Tradução: Maíra Santos.

Avram Noam Chomsky é um linguista, filósofo, ativista, autor e analista político estadunidense que nasceu na Filadélfia (Estados Unidos), em 1928. Foi introduzido na linguística por seu pai, especializado em linguística histórica hebraica. Estudou na universidade da Pensilvânia, onde se tornou doutor (1955) com uma tese sobre a análise transformacional, elaborada a partir das teorias de Z. Harris, de quem foi discípulo. A partir de 1961, tornou-se professor do renomado MIT (Massachussetts Institute of Technology).

19 fevereiro, 2018

Brizola disse...


No caminhão vai todo mundo; na boleia, só quem a gente confia.
O PT é como uma galinha que cacareja para a esquerda, mas põe os ovos para a direita.
É no entrevero que morre gente.
Venho e volto do campo e os bois são os mesmos: não mudam de caráter. Já os homens...
Já tinha de enfrentar o César (Maia), agora ainda vou ter de enfrentar o Brutus (Garotinho)?
Sou como uma planta do deserto. Uma única gota de orvalho é suficiente para me alimentar.
Tu sabes do que me ocupo quando não estou pensando em política? Eu durmo.
Estás costeando o alambrado.

Juliana Brizola: "Meu avô sempre dava uma frase boa para os jornalistas. Mas, quando não queria falar, dizia: "Isso vai ficar para outra coletiva".

03 setembro, 2017

Um vazio na alma militar

por ​Nelson Lott de Moraes Costa
Caro Paulo Henrique Amorim​,​
O Marechal Lott é personagem de ficção, não existiu na vida real assim como Trotsky não existiu na URSS de Stalin.
O Marechal Lott foi primeiro aluno em tudo que cursou: Colégio Militar, Escola Militar, ESAO, ESG, curso de Estado Maior na França, etc, etc. Foi também quem regulamentou a profissão dos militares subalternos (cabos, sargentos e subtenentes), organizou as tropas da FEB, etc. Ministro da Guerra por seis anos e da Aeronáutica por breve período, posteriormente. Isso no âmbito exclusivamente militar.
Apesar desse histórico militar brilhante, não vamos encontrar referências a ele no meio castrense. Não é nome de quartel, de unidade, de pavilhão, nem patrono de turma da AMAN ou mesmo da ESA (Escola de Sargentos das Armas) implementada por ele.
Os militares dos tempos pré-ditadura tinham uma formação de brasilidade. Mesmo os gorilas golpistas tinham uma visão de Brasil, de nacionalidade, além de valores éticos e morais no trato da coisa pública.
O Marechal Lott brigava com os netos que deixávamos as luzes acesas na residência oficial e a "viúva" era quem pagava a conta. Todas as suas despesas domésticas - na residência oficial - eram bancadas pelo soldo dele. Nunca um de nós andou em veículo oficial e um genro dele, oficial do Exército, por sua ordem teve uma passagem aérea num vôo civil pago pelo Exército trocada por uma carona num velho C47 da FAB que levou 9 dias para cobrir o trajeto que o avião de carreira fazia em 12 horas. Economizou para a "viúva" sacrificando seu familiar. O meu pai, major, passou mal no quartel e morreu ao chegar em casa. Pelas normas, teria direito a duas promoções, pois morrera em serviço.
Além disso tinha já sido assinada a sua promoção a tenente coronel. O Marechal Lott informou à sua filha, minha mãe, que promoção assinada e não publicada em Diário Oficial não tinha valor e que o genro morrera "no" serviço e não "em" serviço. Assim, a viúva e seus quatro filhos receberiam pensão do posto superior imediato, tenente coronel, e não três postos acima como mereceria de acordo com a lei, a tradição e a benevolência.
A formação militar deixou muito a desejar, soldo e vantagens tornaram-se mais importantes do que o serviço, do que a nação.
Bolsonaro criou-se defendendo salários das forças armadas e não os tradicionais valores militares.
Vende-se hoje a Amazônia por trinta dinheiros, assim como 57 outros órgãos ou empresas nacionais na bacia das almas. No ritmo em que vamos, esperemos que não chegue o dia do Panteão de Caxias ser alugado para uma franquia do McDonald's para pagarmos dívidas ou apoios políticos.
Portanto, PHA, o Marechal Lott, ao contrário de Itabirito, não é um retrato na parede de um quartel, é um vazio na alma militar.
Grande abraço.
Nelson Lott

2016 tem pouco de 1964, mas muito de 1955. (Em 1955) o golpe não deu certo porque havia Lott, que deu um conta-ataque preventivo, colocou os tanques nas ruas e prendeu os golpistas. PHA

Título original: A quem interessa esquecer o Mal Lott? , publicado no site Conversa Afiada (29/08/2017)

Artigo relacionado: Como JK conseguiu se proteger da cruzada moralista, por André Araújo

04 agosto, 2017

Idiotas e ponto

1
Curiosamente, não é mais um tropo de retórica contemporânea que deve seu nome a um dos pais da mecânica quântica. De acordo com o Urban Dictionary, um "Schirödinger asshole" (Douchebag de Schrödinger) é alguém que faz comentários sexistas, racistas ou intolerantes em geral e só decide se falou a sério ou se disse uma piada ao ver a reação dos outros.
Idiotas de Schrödinger, não: idiotas e ponto.
2
Nunca antes tivemos tanta informação e tantas oportunidades para discutir a situação política atual. No entanto, em vez de presenciarmos debates rigorosos e honestos, a relação entre os políticos, a mídia e sociedade de hoje é caracterizada pela desconfiança e apatia.
O que aconteceu?
Em seu livro "Enough Said: What's Gone Wrong with the Language of Politics?" (Sin palabras..., na versão para o espanhol), Mark Thompson explica como nas últimas décadas as mudanças políticas, sociais e tecnológicas têm alterado dramaticamente a forma como abordamos e discutimos as questões que afetam a todos. Para ele, a retórica política tornou-se um tanto duvidosa e obsoleta e não tem feito mais do que contribuir para o voto populista que promete autenticidade, honestidade e confiança em oposição a manipulação e mentiras que dominam a paisagem atual.

04 junho, 2017

Coração de Estudante

Composta para Jango e Edson Luís, Coração de Estudante volta a ser o hino das #DiretasJá; ouça Milton em Copacabana



Quero falar de uma coisa / Adivinha onde ela anda / Deve estar dentro do peito / Ou caminha pelo ar. A música Coração de Estudante, composta por Milton Nascimento e Wagner Tiso, ganhou as rádios do País em 1983. E conquistou um fã especial: Tancredo Neves, o político conterrâneo dos compositores mineiros, que dizia ser uma de suas músicas preferidas.
A canção, no entanto, foi composta originalmente por Tiso para outro líder político. Era um dos temas instrumentais do documentário Jango (filme de 1984), do diretor Silvio Tendler, em homenagem a João Goulart, presidente deposto pelo golpe militar de 1964.
Após o filme ganhar as telas de cinema, Milton decidiu pôr a letra, fato incomum em sua carreira. Baseou-se em Edson Luís, um dos primeiros estudantes mortos pela ditadura militar, em 1968. Os versos foram surgindo um a um, naturalmente. Para batizar, lembrou-se de uma flor (planta) muito comum em Minas, a coração-de-estudante (imagem). A novidade foi lançada durante as Diretas-Já, movimento cujo um dos líderes era Tancredo. "Era o momento da campanha das Diretas e ela começou a se tornar um hino da juventude", recorda Tiso.
A volta das eleições diretas não foi aprovada, mas o político mineiro foi escolhido como o novo presidente, o primeiro civil desde 1964. Porém, morreu antes de tomar posse. Não houve matéria na tevê ou no rádio sobre Tancredo sem a canção como fundo musical, que se encerra com a mistura de tristeza e esperança que permeava o País naquele momento: Alegria e muito sonho / Espalhados no caminho / Verdes, planta e sentimento / Folhas, coração / Juventude e fé.
(Os grifos são meus.)

Fonte: blog Eu Quero Um Samba

Ver também: As músicas favoritas de Juscelino

24 fevereiro, 2017

Carnaval político

Vídeos com quatro marchinhas que estão viralizando na internet. O blog EM deseja que o seu carnaval fique mais triste alegre.



17 outubro, 2016

Astrólogos preveem a eleição: Trump é de Marte, Clinton é de Vênus

Dezenas de astrólogos estão reunidos em Costa Mesa, Califórnia, para prever o resultado da eleição nos Estados Unidos da América.
Em vez de analisarem as pesquisas do Gallup ou do Ipsos, os astrólogos estão debruçados sobre as cartas do zodíaco, que sinalizam, entre outras coisas, uma surpresa "potencialmente explosiva" para outubro, que poderia mudar o resultado da eleição.


"O cosmos ainda pode salvar Donald Trump. Por que se preocupar com a Florida quando você tem Orion? O candidato presidencial republicano, nascido sob um eclipse de lua cheia, tem uma borda que poderia alinhar as estrelas em 8 de novembro. Mitologicamente, ele é Orion - uma constelação que representa os gigantes. É muito importante para toda a história dos Estados Unidos, é por isso que ele encontra seu lugar aqui", diz Aleksandar Imsiragic
"A eleição nos Estados Unidos ocorre quando o sol está viajando na Via Combusta, o caminho de fogo", diz Shelley Ackerman. "Um período que inclui o Dia das Bruxas e também o aniversário de Hillary Clinton. Pode surgir algo inesperado, muito poderoso e perturbador para um monte de gente. Esse aspecto do zodíaco é, literalmente, quando a farofa (shit, em inglês) bate no ventilador".
"Nascido em 14 de Junho de 1946, em Nova York, Trump é astrologicamente de Marte, um local agressivo, e que combina com o humor combativo do país", diz Ray Merriman. "Clinton e seu companheiro de chapa, Tim Kaine, em contrapartida, têm seus sóis fazendo um trígono - um ângulo de 120 graus. "Os democratas são de Vênus, este ano. Seu slogan, mais fortes juntos, isso é Venus".
Fonte: The Guardian

Na mitologia romana Marte e Vênus eram amantes, mas os astrólogos não estão prevendo uma aproximação entre Clinton e Trump. Seria um romance "cosmicamente" tão errado que poderia fazer a Terra inclinar em seu eixo.

06 outubro, 2016

Homenagem a Ulysses

Fora da Política, resta a tirania
Tive o privilégio de conviver com Ulysses Guimarães em alguns dos mais intensos períodos da história do Brasil. Nas ruas, lutando pela Anistia e na campanha das Diretas Já, testemunhei sua coragem cívica. Na Assembleia Nacional Constituinte, conheci o político que exercia seu ofício no mais alto patamar. Ulysses é um exemplo nesses tempos difíceis para a Democracia e para as instituições no Brasil.
Consultando uma coletânea de seus discursos na Câmara dos Deputados, descobri que em 1964 Ulysses teve de se defender de falsas acusações lançadas no âmbito de um Inquérito Policial Militar. O que mais o indignava era que as acusações – sem provas, denúncias arrancadas sob pressão – haviam sido divulgadas pela imprensa antes mesmo que ele as conhecesse. Sem direito de defesa ou contraditório, como destacou no discurso.
Não eram as calúnias que mais o feriam; era a afronta ao Estado de Direito, ameaçando cada cidadão. E também a manipulação política de inquéritos para difamar pessoas por meio da imprensa. Como ocorreu, por exemplo, a Juscelino Kubitschek, acusado injustamente de possuir um edifício que nunca foi dele. A história e a memória do povo acabaram fazendo justiça aos ofendidos, embora os jornais nunca tenham se desculpado pelas mentiras publicadas.
Ulysses não se acovardou ante as calúnias nem se curvou aos tiranos. Desafiou-os a lutar no campo limpo e legítimo das eleições, onde o voto do povo é senhor. E foi profético em sua pregação de 1973, que a tantos parecia quixotesca: "Navegar é preciso". Navegamos, contra vento e maré, e alcançamos um novo ordenamento democrático para o País.
O ápice da redemocratização iria encontrá-lo no comando da Constituinte, o desaguadouro dos anseios acumulados pela população em anos de luta contra a ditadura. Ulysses teve a sabedoria de manter o processo aberto à participação popular. E por essa porta entraram os movimentos sociais, apresentando propostas e pressionando pelo reconhecimento e ampliação de direitos; por uma pátria de liberdade, igualdade e justiça social.
Foi um período de valorização intensa da Política como instrumento de diálogo entre divergentes, de disputa civilizada e construção de propostas para o País. Aprovamos uma carta avançada para seu tempo, mesmo diante da maioria conservadora no plenário. A condução desse processo, sem outro recurso além do exercício pleno da Política, é o maior legado de Ulysses ao Brasil.
O exemplo de Ulysses nos ilumina nesta hora em que a atividade política é estigmatizada; em que setores do Estado e da mídia tentam criminalizar toda uma corrente de pensamento partidário, violando a lei e o direito. É sempre necessário processar, julgar e punir quem errou, no devido processo legal. Mas ninguém pode substituir a vontade do povo para eleger ou excluir – seja em nome de interesses próprios ou de supostas convicções. Fora da disputa política democrática, o que resta é a tirania, seja quem for que a exerça.
Luís Inácio Lula da Silva

Se vivo estivesse, Ulysses Guimarães completaria 100 anos nesta quinta-feira, 6.

26 setembro, 2016

"Página infeliz da nossa história"

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O jornalista Renato Dias, sociólogo, especialista em Políticas Públicas, mestre em Direito e Relações Internacionais, lança, nesta quinta-feira, 29 de setembro, de 18 h às 22 h, na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, em Goiânia, o livro "1964-2016 - Página Infeliz da Nossa História - Golpe depõe Dilma Rousseff e anuncia um Futuro a Temer".
Entre os temas, a crise de 2014, os desdobramentos de 2015, a queda de Dilma Rousseff na Câmara Federal e Senado da República, a cassação de Eduardo Cunha e a denúncia oferecida pelo MPF contra o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.
Produção independente
Preço: R$ 60 [Mais frete - para outros estados]
Com prefácio de Jean Wyllys e apresentação da presidente da Federação Nacional dos Jornalistas [Fenaj], Maria José Braga
A obra pode ser adquirida por [email protected]
O título do livro, com a reprodução de um dos versos do samba "Vai Passar", de Francis Hime e Chico Buarque, é uma sacada das boas. PGCS
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O livro da blogosfera em defesa da democracia - Golpe 16
Golpe 16 é a versão da blogosfera de uma história de ruptura democrática que ainda está em curso. É um livro feito a quente, mas imprescindível para entender o atual momento político brasileiro.
Organizado por Renato Rovai, o livro oferece textos de Adriana Delorenzo, Altamiro Borges, Beatriz Barbosa, Conceição Oliveira, Cynara Menezes, Dennis de Oliveira, Eduardo Guimarães, Fernando Brito, Gilberto Maringoni, Glauco Faria, Ivana Bentes, Lola Aronovich, Luiz Carlos Azenha, Maíra Streit, Marco Aurélio Weissheimer, Miguel do Rosário, Paulo Henrique Amorim, Paulo Nogueira, Paulo Salvador, Renata Mielli, Rodrigo Vianna, Sérgio Amadeu da Silveira e Tarso Cabral Violin. Com prefácio de Luiz Inácio Lula de Silva e entrevista de Dilma Rousseff.

17/04/2017, Dia da infâmia - Atualizando ...
O professor Wanderley Guilherme dos Santos acaba de publicar o livro "A Democracia Impedida - O Brasil no Século XXI" (FGV, 2017), analisando as raízes da crise institucional e social enfrentadas hoje. Considerado um dos maiores cientistas políticos da atualidade, Guilherme dos Santos prenunciou o golpe militar dos anos 1964, dois anos antes, no seu livro "Quem Dará o Golpe no Brasil" (Civilização Brasileira, 1962).

17 agosto, 2016

A Escola Sem Partido

por PAULO GURGEL
A Escola Sem Partido é um projeto defendido por pensadores brasileiros de escol, como o assessor especial para assuntos ejaculatórios do Ministério da Educação, o Alexandre Frota, e o patrocinado grupo Revoltados Online.
Este novo modelo de ensino tem a finalidade de evitar que os professores comam os cérebros das criancinhas.
Para isso, é preciso que algumas palavras e expressões de forte carga ideológica sejam desde já substituídas no vocabulário escolar por outras mais amenas.
Exemplos:
  • Golpe de 64: por Troca de Guarda Civil-Militar
  • Escravidão no Brasil: por Trabalho Compulsório e Gratuito de Africanos e seus Descendentes em Solo Brasileiro
  • Tortura: por Obtenção de Confissões de Insurgentes mediante Ações de Desconforto Corporal
  • Delação Premiada: por Depoimento Absolvitório com Emulação
  • Voto Feminino: por Opção das Vadias no Processo Eleitoral
Assim por diante. Até chegarmos à inominável palavra onde o problema todo começou: "presidenta". Foi uma afronta deixarmos que esta palavra tomasse, mesmo que fosse por um simples lustro, o lugar de um substantivo comum de dois gêneros que, de Deodoro a Temer, esteve prestigiando (com seu "e" final) o ato de diplomação dos supostamente grandes Catões da República.
"Presidenta", apesar de constar do VOLP, o "Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa", e dos dicionários do Aurélio e do Houaiss, do Michaelis e até mesmo do "Novo Dicionário da Língua Portuguesa" (de 1899, redigido em harmonia com os modernos princípios da ciência da linguagem etc), de autoria do filólogo português Cândido de Figueiredo, e de ter sido também utilizada por Machado de Assis, Érico Veríssimo e Carlos Drummond de Andrade, em alguns textos autorais, esta palavra foi firmemente repudiada por aquela que se diz "amante da língua portuguesa", a ministra Cármen Lúcia. A futura presidente do STF já declarou que é assim que deseja ser tratada enquanto estiver na presidência da egrégia Corte.
Judex dixit, e isto cria vínculo.
Ascendam os presidentes ao Poder por voto popular, renúncia ou morte do titular, quartelada, conchavo ou golpe paraguaio (o caso brasileiro), tanto faz: é "presidente" para todos.
Também aceito (para mostrar que não sou intransigente) a impronunciável forma "presidentx", que foi uma sugestão do Gregório Duvivier, do Porta dos Fundos.

04/09/2016 - Para ler no LN Online
Ignorância de Cármen Lúcia é linguistica e social, por Weden