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05 junho, 2026

O legado que Thermen deixou no Ocidente

Na década de 1960, altos funcionários da KGB ficaram obcecados por OVNIs e fenômenos paranormais, e incumbiram Termen de investigar isso. Ele considerou uma perda de tempo. Palavras duras de um sujeito que queria descongelar Lenin!
As pessoas que conheceram Termen depois da guerra comentaram que ele mal movia os lábios enquanto falava, um hábito adquirido por viver sob constante vigilância.
No final da década de 60, Termen deixou o trabalho de espionagem e conseguiu um emprego em uma universidade, onde fazia pesquisa acústica. Certo dia, um jornalista ocidental em visita encontrou Termen e, infelizmente, noticiou no New York Times que ele ainda estava vivo.
Isso foi demais para o chefe de Termen, que levou todos os instrumentos musicais dele para fora e os destruiu com um machado. "Eletricidade só serve para fazer cadeiras elétricas", explicou. E assim terminou a carreira universitária de Termen.
É assim que a opressão muitas vezes se manifesta. Ninguém ligou de Moscou para dizer a esse cara para destruir a obra de Termen. Mas ele não quis se arriscar e adotou uma postura proativa.
O resto da vida de Termen foi gasto tentando encontrar um pequeno espaço para trabalhar. Ele recebeu um pequeno quarto individual em um apartamento compartilhado, que encheu de equipamentos e arquivos antigos. Ele nunca parou de dar aulas de theremin.
Ele passou seus últimos anos tentando despertar interesse em um dispositivo chamado microscópio do tempo. Havia minúsculos corpúsculos no sangue que podiam ser vistos com o equipamento fotográfico de alta velocidade adequado. Eles eram a chave para a imortalidade.
As pessoas que convidaram Termen para conferências musicais no final de sua vida fizeram grandes esforços para mantê-lo em silêncio sobre o microscópio temporal. Assim frustrado, ele morreu em novembro de 1993, aos 97 anos.
Sabemos o legado que o Theremin deixou no Ocidente. Na década de 1930, ele foi utilizado nas trilhas sonoras de alguns filmes sobre protagonistas com distúrbios mentais. A música do Theremin passou a ser associada a thrillers psicológicos e, eventualmente, à ficção científica pura. Tinha aquele som exótico e perturbador.
Apesar dos esforços de músicos como Clara Rockmore e de participações ocasionais em músicas populares, como "Good Vibrations", o theremin permaneceu um instrumento de nicho. Os poucos músicos de estúdio que sabiam tocá-lo ganhavam muito bem compondo trilhas sonoras para filmes. Mas o theremin tinha esse poder de cativar a imaginação. Inspirou uma geração de pessoas como Robert Moog, o grande pioneiro dos sintetizadores, que começou fabricando theremins e nunca perdeu a paixão por eles. Moog considera o reparo do theremin original de Clara Rockmore o ponto alto de sua carreira.
O que tornou o instrumento tão durável foi sua bela simplicidade. Não apenas como interface, mas como circuito. É um dos circuitos de rádio "reais" mais simples que você pode construir. O projeto original de Termen exigia apenas cinco válvulas eletrônicas. Por isso, sempre foi um elemento básico em projetos de eletrônica caseira e um ótimo ponto de partida para experimentos. Era "hackeável" no melhor sentido da palavra.
E, claro, o theremin, e Termen, têm outro legado, em todos os dispositivos com tela capacitiva (sensível ao toque). Esses celulares em nossos bolsos não são apenas dispositivos de vigilância, mas pequenos theremins, capazes de rastrear a posição dos seus dedos com a mesma magia elétrica que Termen usava para criar música. Acho maravilhoso que o legado desse homem se estenda até aí.
Gostaria de encerrar com minha anedota favorita sobre Termen, do final de sua vida. Termen passou anos tentando se filiar ao Partido Comunista, e eles sempre arranjavam desculpas para rejeitá-lo.
Quando ele tinha noventa anos, candidatou-se novamente, mas disseram-lhe que para ingressar teria de fazer um curso avançado de cinco anos em marxismo-leninismo. Então ele o fez. Frequentou a escola noturna e concluiu o curso.
Em 1991, literalmente semanas antes da queda da União Soviética, Termen recebeu seu distintivo do partido. O bolchevique de 95 anos foi, por um breve período, o comunista mais jovem do país. Naturalmente, as pessoas lhe perguntavam: "Lev Sergeyevich, por que diabos você se filiaria ao Partido Comunista agora, quando todos os outros estão saindo?" Ele lhes deu a resposta mais ousada que se possa imaginar: "Eu prometi a Lenin."
Prometi à Tasha e ao Mike que minha apresentação teria duração de trinta minutos. Muito obrigado a todos!
(Aplausos estrondosos e prolongados.)
OUR COMRADE THE ELECTRON (NOSSO CAMARADA, O ELÉTRON) - 10.ª parte desta palestra, que Maciej Ceglowski proferiu em 14/02/2014, na Webstock, em Wellington, Nova Zelândia.
[http://idlewords.com/]
Traduzida por Paulo Gurgel.

06 março, 2026

É aceitável que inocentes sofram pelo bem maior?

Pouco antes de eu vir para cá, o Google anunciou a aquisição da Nest, uma fabricante de termostatos de luxo. Nunca imaginei que usaria essas duas palavras juntas. A Nest possui sensores que detectam quem está em um cômodo e quando, então, naturalmente, havia a preocupação de que o Google agora aprendesse todas essas informações extras sobre você e soubesse a temperatura da sua casa.
O Google rapidamente designou o CEO da Nest, que prometeu que haveria salvaguardas, uma política de privacidade e todos os tipos de limites para garantir que tudo permanecesse dentro da lei. E não tenho motivos para duvidar dele.
Mas eu não deveria precisar da palavra dele, nem do lema corporativo do Google, nem da Magna Carta, nem do Tratado de Waitangi para me proteger do meu termostato. Meu termostato antigo não era tão assustador assim! Era burro demais para dedurar. E ninguém conseguia ouvi-lo gritar.
Este novo termostato, por outro lado, tem advogados, assessores de imprensa, uma política de privacidade, está por aí escrevendo posts para o blog e possivelmente comendo a minha pizza que sobrou. Parece mais um colega de quarto suspeito do que um termostato.
Deixe-me esclarecer o que me preocupa aqui. Não tenho medo dos meus eletrodomésticos. Não tenho medo de que o Google me mande para o Googlag para minerar bitcoins.
Nem temo uma Nova Zelândia maior, embriagada pela vigilância eletrônica, expandindo-se agressivamente para controlar a região do Pacífico. Isso sim seria uma mudança bem-vinda! Se acontecer, estarei esperando nos cais de São Francisco, com uma cesta de abacates, pronto para receber nossos senhores neozelandeses.
O que me assusta é a sociedade em que já vivemos. Onde pessoas como você e eu, se permanecermos dentro das regras, podemos desfrutar de vidas confortáveis e relativamente fáceis, mas que Deus ajude quem for considerado fora dos limites. Essas pessoas sentirão todo o poder do Estado moderno e altamente tecnológico.
Considere seus vizinhos do outro lado do Mar da Tasmânia, administradores de um continente vazio, que estabeleceram campos de internação nas partes mais remotas do Pacífico por medo de que alguns milhares de indigentes chegassem de barco, aceitassem empregos de baixa remuneração e, assim, destruíssem sua sociedade.
Ou o país em que vivo, onde temos um consenso bipartidário de que a única maneira de preservar nossa liberdade é pilotar aviões controlados remotamente que ocasionalmente lançam bombas sobre crianças . É coisa de Dostoiévski.
Só que Dostoiévski precisou de um calhamaço para abordar a questão: "É aceitável que inocentes sofram pelo bem maior?" E os americanos, um povo mais prático, responderam a isso em duas palavras: "Claro que sim!"
Em sua palestra de ontem, Erika Hall questionou o que Mao ou Stalin poderiam ter feito com os recursos da internet moderna. É uma boa pergunta. Se analisarmos a história da KGB ou da Stasi, veremos que elas consumiam recursos enormes apenas para manter e cruzar informações de suas montanhas de papelada. Há uma passagem em Admirável Mundo Novo, de Huxley, onde ele menciona "800 metros cúbicos de fichários" na fábrica de bebês eugênicos. Imagine o que Stalin poderia ter feito com um servidor MySQL decente.
Ainda não vimos do que um governo verdadeiramente ruim é capaz com a tecnologia da informação moderna. O que os governos bons conseguem fazer já é suficientemente assustador.
Não estou dizendo que não podemos ter a internet divertida da próxima geração, onde todo mundo usa óculos de realidade virtual e tem conversas profundas com a geladeira. Só estou dizendo que não podemos improvisar como temos feito até agora e esperar que tudo se resolva sozinho.
A boa notícia é que se trata de um problema de design! Vocês são todos designers aqui — podemos tornar isso divertido! Podemos construir uma internet distribuída, resiliente, irritante para governos do mundo todo e livre no melhor sentido da palavra, como sonhávamos nos anos 90. Mas isso exigirá esforço e determinação. Significará abandonar a vigilância em massa permanente como modelo de negócio, o que será doloroso. Significará aprovar leis em um sistema jurídico esclerosado. Será preciso muita insistência.
Mas se não projetarmos essa internet, se simplesmente continuarmos a construí-la, eventualmente ela atrairá pessoas notáveis e visionárias. E não gostaremos delas, e isso não fará diferença.
Precisei me estender nesse desabafo porque não sabemos muito sobre a segunda metade da vida de Termen. Ele não gostava de falar sobre isso.
A Segunda Guerra Mundial salvou sua vida. Ele foi designado para trabalhar em uma instituição que só a União Soviética poderia ter inventado, uma prisão repleta dos maiores engenheiros e especialistas em aerodinâmica do país.
Após a guerra, ficou claro que ele trabalhou em muitos dispositivos de escuta. Além de "The Thing", ele desenvolveu um sistema ainda mais inovador chamado Buran, que captava as vibrações em um vidro de janela refletindo um feixe de luz nele. Isso ainda é tecnologia de ponta hoje em dia. Termen construiu um microfone a laser antes mesmo de existirem lasers ou correção digital de ruído. Isso lhe rendeu o Prêmio Stalin e sua liberdade.
Stalin não sabia que Buran estava sendo usado contra ele, pelo seu próprio chefe de segurança. Esses bolcheviques malucos!
Termen estava agora livre, mas aquela mancha em sua ficha criminal o tornava inelegível para emprego. Então, ele voltou a trabalhar na KGB.
OUR COMRADE THE ELECTRON (NOSSO CAMARADA, O ELÉTRON) - 9.ª parte desta palestra, que Maciej Ceglowski proferiu em 14/02/2014, na Webstock, em Wellington, Nova Zelândia.
[http://idlewords.com/]
Traduzida por Paulo Gurgel.

19 julho, 2024

Confiança e Inteligência Artificial

Não é frequente alguém largar o microfone no terceiro parágrafo de uma palestra de 7 páginas, mas Schneier fê-lo:
Confiei muito hoje. Confiei em meu telefone para me acordar na hora certa. Confiei no Uber para providenciar um táxi para mim e no motorista para me levar ao aeroporto com segurança. Confiei em milhares de outros motoristas na estrada para não baterem no carro em meu caminho. No aeroporto, confiei nos agentes de passagens, nos engenheiros de manutenção e em todos os demais que mantêm as companhias aéreas operando. E no piloto do avião em que voei. E em milhares de outras pessoas no aeroporto e no avião, qualquer uma das quais poderia ter me atacado. E em todas as pessoas que prepararam e serviram meu café da manhã, e em toda a cadeia de abastecimento alimentar – qualquer uma delas poderia ter me envenenado. Quando cheguei aqui, confiei em milhares de pessoas: no aeroporto, na estrada, neste prédio, nesta sala. E isso tudo foi antes das 10h30 desta manhã.
A confiança é essencial para a sociedade. Os humanos, como espécie, são confiáveis. Estamos todos sentados aqui, a maioria estranhos, confiantes de que ninguém nos atacará. Se fôssemos uma sala cheia de chimpanzés, isso seria impossível. Confiamos milhares de vezes por dia. A sociedade não pode funcionar sem ela. E o fato de nem pensarmos nisso é uma medida de quão bem tudo funciona.
Nesta palestra, apresentarei vários argumentos. Primeiro, que existem dois tipos diferentes de confiança – confiança interpessoal e confiança social – e que regularmente as confundimos. Segundo, que a confusão aumentará com a Inteligência Artificial. Cometeremos um erro de categoria fundamental. Pensaremos nas IAs como amigas quando na verdade são apenas serviços. Terceiro, que as empresas que controlam os sistemas de IA aproveitarão a nossa confusão para tirar vantagem de nós. Eles não serão confiáveis. E quarto, que é papel do governo criar confiança na sociedade. E, portanto, é seu papel criar um ambiente para uma IA confiável. E isso significa regulamentação. Não regulamentando a IA, mas regulamentando as organizações que controlam e utilizam a IA. 

[...]

06 agosto, 2021

Uma palestra contra as palestras

Em 2020, um vídeo intitulado "Death of The Lecture - Sixty Symbols" foi carregado no YouTube. De autoria do professor Phil Moriarty, da Universidade de Nottingham, argumentando que ensinar por meio de palestras estava fora de moda.
Uma citação atribuída a Virginia Woolf foi projetada eletronicamente num quadro branco, durante um segmento de seu discurso:
As palestras universitárias são uma prática obsoleta herdada da Idade Média, quando os livros eram escassos.
O texto acima não corresponde exatamente às afirmações escritas por Virginia Woolf, mas estas palavras são derivadas de uma das passagens fornecidas em seu ensaio "Three Guineas" (1938).
Além disso, Woolf afirmou que as palestras aumentavam traços psicológicos indesejáveis:
... a eminência sobre uma plataforma encoraja a vaidade e o desejo de impor autoridade.
Além disso, que a prática era ineficiente para alunos e professores:
... depois dos dezoito anos de idade continuar a sorver a literatura inglesa com um canudo, é um hábito que parece merecer os termos vão e vicioso.
E, para combater o fogo com o fogo, o professor Moriarty repassa:
03:38 ... uma palestra maravilhosa de um físico chamado Eric Missouri. Ele tem uma citação maravilhosa que é: a palestra tradicional envolve a transferência das notas do caderno do palestrante para os cadernos dos alunos, sem passar pelo cérebro de qualquer um destes.
Homessa! Enfim, uma palestra para acabar com todas as outras.

22 novembro, 2020

Peixes elétricos da Amazônia

A velha prática de levar canários para minas de carvão subterrâneas já salvou a vida de muitos mineiros. Enquanto o passarinho cantava, tudo estava bem. Se ele silenciasse era sinal de perigo iminente, como um vazamento de gás metano ou monóxido de carbono. Soava, então, um alarme e a mina era evacuada.
O canário de mina é um bioindicador, ou seja, um ser cujo comportamento ou estado de saúde nos informa sobre um possível problema de contaminação ambiental. Infelizmente para os canários, além do silêncio, a morte sempre foi o sinal mais claro de perigo real. Mas hoje já existem muitos outros bioindicadores que não precisam ser sacrificados para nos avisar sobre desastres em curso.
No Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), o grupo liderado pelo cientista Dr. José Alves Gomes tem gerado conhecimento científico e publicações sobre a utilização de peixes elétricos (Gymnotiformes) como biossensores para a qualidade da água.


É que esses peixes (são cerca de 150 espécies distribuídas em 7 famílias), por meio de órgãos especializados, têm a capacidade de gerar initerruptamente pequenas descargas elétricas. Quando acontecem bruscas alterações nas características físico-químicas da  água - pH, turbidez, temperatura ou a presença de poluentes - os peixes modificam o padrão de suas descargas elétricas, e sensores instalados nas proximidades fazem soar um alarme.
"Sistemas assim seriam muito mais baratos e eficientes do que realizar análises periódicas da água em diversos pontos ao redor de um campo de exploração de petróleo ou ao longo de um oleoduto, por exemplo, como é feito atualmente", afirma o pesquisador.
Por estas propriedades, eles são recomendados no monitoramento biológico de vazamentos de derivados de petróleo na água.

02/10/2021 - Aualizando ...
Do electric eels have predators? (As enguias elétricas têm predadores?)

10 setembro, 2020

O segredo sujo do capitalismo - e um novo caminho a seguir

A crescente desigualdade e a crescente instabilidade política são o resultado direto de décadas de má teoria econômica, diz o empresário Nick Hanauer. Em uma palestra visionária, ele desmonta o mantra de que "a ganância é boa" - uma ideia que ele descreve não apenas como moralmente corrosiva, mas também cientificamente errada - e expõe uma nova teoria da economia alimentada por reciprocidade e cooperação.


In other words
Um dos homens mais ricos do mundo, o financista Nick Hanauer indica que transferir recursos orçamentários para os mais pobres é a saída para os impasses do capitalismo. Ou seja: na prática, é o modelo lulista de inclusão social'.

26 janeiro, 2020

Um lugar chamado espaço

Em 1977, começávamos a nos deslocar para o espaço e nos sentíamos à beira do Universo, prestes a mergulhar. Quase 40 anos depois, fizemos grandes progressos e grandes avanços no espaço, mas, de certa forma, mal conseguimos molhar os pés.
Naquele ano, Carl Sagan deu as Palestras de Natal da Royal Institution sobre viagens espaciais. Em sua palestra final, ele falou sobre a espécie humana se aventurar no espaço. Uma analogia maravilhosa que Sagan usou foi a de sermos comparados a "um dente-de-leão que vai semear" (a dandelion going to seed).
Quando olhamos para enviar pessoas para Marte, e depois para além, estamos finalmente percebendo a visão de Sagan?
Suas palavras são tão relevantes agora como eram então.


A PLACE CALLED SPACE, um desenho de animação de Andrew Khosravani.


01 dezembro, 2017

Então, qual é o sentido da vida?

O astrofísico Neil deGrasse Tyson fazia uma palestra no Wilbur Theatre, de Boston, quando Jack, de 6 anos, lhe perguntou qual era o sentido da vida,
Então, qual é o sentido da vida? Acho que as pessoas fazem essa pergunta na suposição de que "sentido" é algo que você pode olhar e dizer "Aqui está, eu o encontrei! Este é o sentido que eu estava procurando!". Essa ideia, no entanto, não considera a possibilidade de que "sentido" é algo que você possa criar. Algo que você possa fabricá-lo para si mesmo e para os outros.
Então, quando eu penso em "sentido da vida", eu me pergunto: "Será que eu aprendi alguma coisa hoje que eu não sabia ontem, trazendo-me um pouco mais para perto de saber tudo o que pode ser conhecido no Universo?" Se eu viver um dia e eu não sei um pouco mais do que eu fiz no dia anterior, eu acho que desperdicei aquele dia. Então, as pessoas que, no final do ano letivo, dizem "O verão! Eu não tenho o que pensar!", sei lá… Pensar lhe traz para mais perto da Natureza. Saber como as coisas funcionam lhe dá poder para influenciar os acontecimentos. Dá-lhe poder para ajudar as pessoas que possam precisar dele para ajudar a si mesmo e sua trajetória.
Então, quando eu penso no sentido da vida, não é uma questão eterna e irrespondível; para mim, está ao meu alcance todos os dias. Então, para você, com a idade de seis anos e três quartos, posso sugerir que você pode explorar a natureza, tanto quanto você puder. E, ocasionalmente, significa sujar a sua roupa, porque você pode querer saltar em poças e seus pais não querem que você faça isso. Diga-lhes que eu lhe dei permissão!
Eu dou-lhe mais permissões. Alguma vez você já bateu nas coisas em sua cozinha? Você ainda é uma criança e parte da condição de ser uma criança é explorar o mundo ao seu redor. E todas as leis da Natureza que influenciam esse mundo. Então, pegue diferentes coisas e bata nelas com uma colher e perceba que os sons são diferentes. Soa diferente com diferentes colheres. Seja alumínio, aço ou cobre, Soam diferentes! A maioria dos pais dizem "não faça isso, você vai ficar sujo. Pare com isso, porque faz muito barulho". Você responde "Por que vocês me tiveram, em primeiro lugar?". Algumas pessoas não tem filhos para que eles tenham as casas arrumadas. Porque as crianças fazem bagunça! Elas fazem isso porque estão explorando o mundo. Então, você tem a minha permissão… bem, você estará em apuros, eu não vou estar por perto…
Portanto, o seu sentido da vida estará em suas mãos; se você tem liberdade, você pode explorar o mundo. Então, quando você ficar mais velho, você estará tão perto de saber como funciona o mundo que, provavelmente, você vai dizer "Eu sei como resolver isso! Eu estive pensando sobre isso. Tenho pensando nisso desde que eu estava batendo nas coisas na cozinha. Quando eu ainda estava pegando os flocos de neve com a minha língua ao descer a rua." [...]

Vídeo QUAL O SENTIDO DA VIDA
Tradução: Luc Anderssen

18 dezembro, 2015

O palácio da memória

A palavra mnemônica partilha a etimologia de Mnemosine, o nome da deusa que personificava a Memória na mitologia grega. A primeira referência a mnemônicas ocorre no método de loci, na obra De Oratore, de Cícero.
O palácio da memória
Também chamado método de loci (plural de locus, lugar em latim), é uma técnica mnemônica que depende de relações espaciais memorizadas para estabelecer e ordenar conteúdo. Baseia-se em criar um lugar imaginário, que pode ser construído inspirado em um lugar familiar (como a sua casa), um lugar totalmente fictício, ou a combinação de ambas as coisas.
O blog O Conhecimento, da Humantech, traz este exemplo;
Imagine que você precisa ir ao supermercado comprar lâmpadas, tomates, mel, xampu, vela...
Então, você coloca os itens dessa lista de compras em situações bizarras no seu lar: você abrindo a porta de sua casa, acendendo uma lâmpada em formato de tomate que, quando você passa por ela, a lâmpada derrama mel em seu cabelo, que começa a pegar fogo...
É meio esquisito, mas ajuda. Aliás, quanto mais esquisito, mais fácil de ser lembrado.



"Uma das formas mais elaboradas de fazer isso data de 2500 anos atrás, na Grécia antiga. Tornou-se conhecida como o palácio da memória. A história por trás de sua criação é mais ou menos assim: Havia um poeta chamado Simonides que estava em um banquete. Ele era, na verdade, a diversão contratada, porque, naquele tempo, se você queria dar uma festa do barulho, você não contratava um D.J., e sim um poeta. E ele se levantava, declamava seus poemas de memória e ia embora. E, no momento que Simonides saía, o lugar do banquete desmoronou, matando todo mundo lá dentro. E não só matou todo mundo, como também desfigurou os corpos para além do reconhecimento. Ninguém conseguia dizer quem estava lá dentro, ninguém conseguia dizer onde estavam sentados. os corpos não podiam ser enterrados adequadamente. Era uma tragédia compondo outra. Simonides, parado do lado de fora, o único sobrevivente entre os escombros, fecha os olhos e tem essa percepção, que é aquela dos olhos de sua mente. Ele podia relembrar em qual lugar cada um dos convidados estava sentado. E ele pega os parentes pela mão e os guia cada um para seus amados, entre os escombros. O que Simonides percebe naquele momento é algo que penso que todos nós sabemos intuitivamente, isto é, por pior que sejamos em lembrar nomes ou telefones, e cada palavra das instruções de nossos colegas, nós temos uma excepcional memória espacial e visual."

Quando é o Dia dos Pais? |  Nervos cranianos |  As time goes by |  Um mnemônico para a palavra mnemônico |  Uma "foto de família" completa

12 março, 2013

O poder dos quietos

A Valquíria,
Suspeitei da republicação de Dez mitos sobre os introvertidos no LNOL (pela grande quantidade de exibições, 244, até o momento, conforme contagem no blog que mantenho no Portal), mas não o havia visto.
Obrigado pelo aviso.
Honra-me ser um introvertido (introversão não é timidez, como você sabe) e declaro que me vi perfeitamente retratado na postagem.
Alguns leitores (extrovertidos, provavelmente) chiaram; porém, entendo que os dons creditados aos introvertidos (no item 10) não são apenas dos contemplativos.
A fonte primária do texto é a obra citada no final do artigo. Traduzi-o, porém, de uma fonte secundária na internet e, quanto a esta, não localizo agora a referência.
Um abraço.

A Dani,
Grato pela lembrança deste vídeo:


24 outubro, 2011

Um assunto indigesto

Em 5 de junho de 1925, Sir John Bland-Sutton proferiu uma palestra fascinante intitulada "A Psicologia dos Animais Engolidos Vivos" para o Royal College of Surgeons, em Londres, do qual foi presidente. A palestra, que foi publicada no British Medical Journal, tem muita coisa a ser digerida. É rica em passagens sobre rãs, peixes, cobras e, claro, baleias, e traz citações fantásticas. Aqui estão algumas delas:
"Muitas descobertas e observações feitas pelos naturalistas são de pouco interesse para o público, mas a psicologia animal e os caprichos da mente humana são interessantes para todos."
"Quando sentado, em contemplação silenciosa, digerindo o meu jantar, com os micróbios benéficos trabalhando duro dentro de mim, às vezes me pergunto se os animais que engolem suas presas vivas estão preocupados com os esforços acrobáticos de suas vítimas que tentam escapar."
"Um peixe vivo no estômago de um animal deve causar algum desconforto."
"Meditações sobre a psicologia da ingestão sugerem que o mundo animal pode ser dividido em engolidores e engolidos." (*)

(*) O que Sir John Bland-Sutton (fotografado por EntreMentes quando revisava seu último paper) quis dizer com isto: quem não come é comido neste mundo.

17 junho, 2011

SILICOSE. Palestra na ACEMT

Amanhã (18/06), estarei dando uma palestra sobre SILICOSE para os profissionais da Associação Cearense de Medicina do Trabalho (ACEMT).
Atendo a convite da Dra. Edilma Mendonça, Diretora Científica da ACEMT.

Horário: 8h30
Local: Auditório da SOCEPI - Rua Maria Tomásia, 701 - Aldeota

Post scriptum
Esta conferência, "SILICOSE NA PRÁTICA DA MEDICINA DO TRABALHO - PREVENÇÃO E DIAGNÓSTICO", foi ministrada hoje (18/06/11) para os associados da ACEMT. O material que usei na  apresentação já se encontra disponível para leitura e download no blog  Acta Pulmonale. PGCS

09 junho, 2011

O preparo de um clínico geral

O que se pretende de um clínico geral é que ele tenha um preparo tal que o torne capaz de:

1. Formular hipóteses diagnósticas com grande probabilidade de acerto com base unicamente na anamnese e exame físico do paciente.
2. Reconhecer os casos de urgência que exigem hospitalização e tratamento imediato.
3. Solicitar e interpretar criticamente os exames complementares mais indicados em cada caso.
4. Tratar, em regime ambulatorial ou hospitalar, os casos mais simples, de ocorrência frequente, que não necessitam da participação de outros especialistas.
5. Encaminhar os casos mais complexos para serviços especializados, de acordo com a afecção detectada ou a hipótese diagnóstica mais provável.
6. Orientar os pacientes e seus familiares sobre medidas gerais que repercutem na saúde, tais como estilo de vida, cuidados higiênicos, estresse, alimentação, controle de peso, imunizações etc.
7. Conhecer a patologia regional predominante na área de sua atuação e suas implicações sociais.
8. Manter boa relação médico-paciente, procurando conhecer os problemas emocionais do paciente e os fatores ambientais de seu universo, como meio familiar, ambiente de trabalho etc.
9. Ter noções básicas de medicina legal, conhecer a legislação relativa ao exercício da medicina e manter uma conduta ética exemplar.
10. Manter-se atualizado com os progressos da medicina.

Extraído de As perspectivas da Clínica Médica
uma palestra do Prof. Joffre M. de Rezende.

18 setembro, 2010

Nassif no Ceará

Luis Nassif esteve ontem (17/09) no Ceará para dar uma palestra em Porto das Dunas, paradisíaca praia do município de Aquiraz. Após as 21 horas, o jornalista participou de um sarau que reuniu profissionais da mídia, músicos e blogueiros nas dependências do Country Club de Fortaleza (Restaurante Sirigado).
Nassif revezou-se ao bandolim com Saraiva, do regional "Cordas que Falam", e Aparecida Silvino deu uma canja vocal. Um agradável encontro.

10 junho, 2009

Silicose e outras pneumopatias ocupacionais

Slideshow da palestra que, atendendo a convite da Profa. Dra. Renata Pinto, ministrei aos alunos do 4º semestre do Curso de Medicina da Faculdade Christus, no dia 09/06, sobre o tema "Silicose e outras pneumopatias ocupacionais".

09 junho, 2009

Poluição do ar x doenças respiratórias

Slideshow da palestra que, atendendo a convite da Profa. Dra. Renata Pinto, ministrei aos alunos do 4º semestre do Curso de Medicina da Faculdade Christus, no dia 09/06, sobre o tema "Poluição do ar x doenças respiratórias".




12 dezembro, 2008

Palestra no Pulmocenter

Ontem à noite, pneumologistas e cirurgiões torácicos lotaram o auditório do Pulmocenter em nossa cidade. Em virtude de um evento, organizado pela Dra. Márcia Alcântara Holanda (diretora do Pulmocenter), o qual teve como destaque a palestra do Professor Carlos Alberto de Castro Pereira sobre o tema "Importância da Espirometria no Dia-a-Dia do Pneumologista".
O Professor Pereira, Doutor em Pneumologia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), é um dos principais pesquisadores do Brasil, quiçá do mundo, na área da Função Pulmonar. E a sua presença em Fortaleza, a par da brilhante palestra que nos deu, serviu para dissipar muitas das dúvidas que os pneumologistas locais tínhamos sobre o assunto.
De parabéns, a direção do Pulmocenter pelo evento científico que realizou com amplo sucesso.

17 outubro, 2008

Dia do Médico

Comemora-se hoje esta data.
A propósito de como devemos atuar em nossa profissão, EntreMentes divulga uma das palestras do consultor Mario Persona: "Os novos médicos".
Via YouTube.


FELIZ DIA, COLEGAS!