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23 setembro, 2026

Mestre Zu

Morreu ontem, 22, no Rio de Janeiro, aos 95 anos, em decorrência de uma pneumonia, o jornalista e escritor Zuenir Carlos Ventura.
Nascido em Além Paraíba, Minas Gerais, ele mudou-se em sua juventude para o Rio de Janeiro, onde trabalhou em diversos empregos para pagar os estudos superiores.
Formou-se professor e lecionou por mais de quarenta anos na Escola de Comunicação da UFRJ e na Escola Superior de Desenho da UERJ. Seu primeiro trabalho relacionado ao jornalismo foi como arquivista na Tribuna da Imprensa.
Durante mais de seis décadas de atuação no jornalismo (em revistas e jornais de grande circulação), ele construiu uma obra marcada pela cobertura de episódios políticos e temas sociais relevantes do Brasil. Mestre Zu, como era carinhosamente chamado por seus alunos e colegas de trabalho, foi uma voz importante na defesa dos direitos humanos.
Literatura e premiações
Entre seus livros de mais repercussão, estão "1968, o ano que não terminou", que teve 48 edições e vendeu mais de 400 mil exemplares, "Cidade partida" e o romance "Sagrada Família".
O livro 1968 serviu também de inspiração para a minissérie “Os anos rebeldes”, da TV Globo. O capítulo “Um herói solitário” inspirou o filme "O homem que disse não", que o cineasta Olivier Horn realizou para a televisão francesa.
Em 1989, após um mês de apuração, o jornalista produziu uma série de reportagens sobre o assassinato do seringueiro e líder ambientalista acreano Chico Mendes (1944-1988) para o Jornal do Brasil. O material venceu os "Prêmio Esso" e o "Vladmir Herzog" de jornalismo daquele ano e foi publicado em livro (“Chico Mendes – Crime e castigo”), em 2003.
No final de 1998, publicou "O Rio de J. Carlos" e "Inveja – Mal Secreto", lançado depois em Portugal e na Itália.
Seus livros seguintes foram "Crônicas de um fim de século" e "70/80 Cultura em trânsito – da repressão à abertura", com Heloísa Buarque e Elio Gaspari. No cinema, codirigiu o documentário Um dia qualquer e foi roteirista de Paulinho da Viola: meu tempo é hoje, de Izabel Jaguaribe. Suas obras mais recentes são "Minhas histórias dos outros", "1968 – o que fizemos de nós" e "Conversa sobre o tempo", com Luis Fernando Verissimo e o aqui já citado "Sagrada Família".
Sétimo ocupante da Cadeira n.º 32 da Academia Brasileira de Letras, Zuenir Ventura foi eleito em 2014 na sucessão do Acadêmico Ariano Suassuna, e tornou-se membro desta instituição a partir de 6 de março de 2015.
A ele, torcedor apaixonado do Fluminense, o time de futebol das Laranjeiras acaba de homenageá-lo em uma nota póstuma.

15 julho, 2024

Morre Sérgio Cabral

Morreu ontem Sérgio de Oliveira Cabral Santos (Rio de Janeiro, 27 de maio de 1937 – Rio de Janeiro, 14 de julho de 2024), jornalista, escritor e pesquisador. 
Ele trabalhou em jornais como O Globo, Última Hora e Diários Associados e foi um dos fundadores do semanário O Pasquim, um dos órgãos referenciais do humor e da crítica política no país.
Conviveu com artistas como Ary Barroso, Eliseth Cardoso, Pixinguinha, Cartola, Nelson Cavaquinho, Nara Leão, Tom Jobim, entre outros importantes nomes da MPB, o que faz com que seus textos tenham um misto de história pesquisada e vivida.
No final da década de 1980, junto com Teresa Aragão, dirigiu os lendários shows do Teatro Opinião, reduto de resistência à ditadura no Rio de Janeiro. Os espetáculos, sempre às segundas, serviram de abertura para o público da Zona Sul carioca conhecer nomes geniais do samba, como Martinho da Vila (lançado por Sérgio Cabral), Nelson Cavaquinho, Cartola, Carlos Cachaça, Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Nelson Sargento, Rildo Hora, Dona Ivonne Lara, Marçal, Guilherme de Brito e Clementina de Jesus, entre muitos outros.
Seus livros (atualmente publicados pela Lazuli Editora) são considerados referências para todos aqueles que desejam conhecer os bastidores da cultura brasileira dos últimos 50 anos, por conta de sua linguagem acessível e direta e da intimidade que teve com algumas das maiores personalidades do período.