A principal diferença está no nível de profundidade da criação: o pseudônimo é apenas um nome falso usado para esconder a identidade do autor, enquanto o heterônimo é uma personalidade autônoma completa criada por ele.
Pseudônimo
É um nome fictício, artístico ou "de pena" que substitui o nome civil do autor (o ortônimo). Trata-se de uma "máscara" (nome diferente) adotada por quem escreve, porém com as mesmas opiniões, estilo de escrita e visão de mundodele; o o autor este muda é somente a assinatura. Um dos casos mais comentados no Brasil envolve o escritor, jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues. Nelson era (e é até hoje) tido por muitos como machista e misógino: figura polêmica, escrevia de um jeito ácido e investigava a essência da própria natureza do homem (às vezes, vil), oferecendo para o leitor um panorama sobre a sociedade brasileira. Mas Nelson queria sentir-se livre ao escrever certos textos e, por isso, criou para si o pseudônimo Suzana Flag, uma “escritora” que publicou folhetins nos jornais brasileiros, entre os anos 1944 e 1948. Muito diferente de seu ortônimo, Suzana criava personagens dignos de filmes de amor, como mocinhas inocentes, mocinhos salvadores e vilões cruéis. Quem poderia imaginar que um escritor tão realista se interessaria pelo universo do melodrama?
Heterônimo
Heterônimo
É um autor fictício "inventado", que possui vida própria, biografia, data de nascimento, ideologia, visões políticas e estilo literário totalmente diferentes com relação ao criador. É uma individualidade à parte, pois o criador "sai de si" e escreve como se fosse outra pessoa (com opiniões e ideias que podem até contradizerem as suas).
Quem nunca ouviu falar dos heterônimos do escritor Fernando Pessoa? De Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Bernardo Soares, cada um com sua forma diferente de ver e escrever o mundo? Os escritores fictícios criados pelo poeta português que, como nenhum outro, abusou do fenômeno da heteronímia. A heteronímia é como se fosse um "outro autor" completo e independente, e não o escritor original apenas disfarçado.
Outro a adotar a heteronímia foi o compositor Francisco Buarque de Hollanda. Que, na década de 1970, para driblar os censores da Ditadura Militar no Brasil, inventou o personagem Julinho da Adelaide.
"Os heterônimos de Chico Buarque" (em elaboração).
"Os heterônimos de Chico Buarque" (em elaboração).
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