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13 setembro, 2025

Coelhada

"Watership Down" (no Brasil, "A Longa Jornada") é o romance de estreia do autor inglês Richard Adams, publicado pela Rex Collings Ltd. de Londres, em 1972. 
Ambientado em Hampshire, no sul da Inglaterra, a história apresenta um pequeno grupo de coelhos. Embora vivam em seu ambiente selvagem natural, com tocas, eles são antropomorfizados, possuindo sua própria cultura, linguagem, provérbios, poesia e mitologia. Evocando temas épicos, o romance segue os coelhos enquanto eles escapam da destruição de sua toca e buscam um lugar para estabelecer um novo lar (a colina de Watership Down), encontrando perigos e tentações ao longo do caminho. 
Crítica 
Ao ouvir que "Watership Down" era um romance sobre coelhos escrito por um funcionário público, Craig Brown escreveu: 
"Prefiro ler um romance sobre funcionários públicos escrito por um coelho".

06 agosto, 2021

Uma palestra contra as palestras

Em 2020, um vídeo intitulado "Death of The Lecture - Sixty Symbols" foi carregado no YouTube. De autoria do professor Phil Moriarty, da Universidade de Nottingham, argumentando que ensinar por meio de palestras estava fora de moda.
Uma citação atribuída a Virginia Woolf foi projetada eletronicamente num quadro branco, durante um segmento de seu discurso:
As palestras universitárias são uma prática obsoleta herdada da Idade Média, quando os livros eram escassos.
O texto acima não corresponde exatamente às afirmações escritas por Virginia Woolf, mas estas palavras são derivadas de uma das passagens fornecidas em seu ensaio "Three Guineas" (1938).
Além disso, Woolf afirmou que as palestras aumentavam traços psicológicos indesejáveis:
... a eminência sobre uma plataforma encoraja a vaidade e o desejo de impor autoridade.
Além disso, que a prática era ineficiente para alunos e professores:
... depois dos dezoito anos de idade continuar a sorver a literatura inglesa com um canudo, é um hábito que parece merecer os termos vão e vicioso.
E, para combater o fogo com o fogo, o professor Moriarty repassa:
03:38 ... uma palestra maravilhosa de um físico chamado Eric Missouri. Ele tem uma citação maravilhosa que é: a palestra tradicional envolve a transferência das notas do caderno do palestrante para os cadernos dos alunos, sem passar pelo cérebro de qualquer um destes.
Homessa! Enfim, uma palestra para acabar com todas as outras.

16 junho, 2021

Critiquices

Em 2014, o apresentador de TV australiano Karl Stefanovic usou o mesmo terno azul todas as manhãs durante um ano no programa Today do Channel Nine. Nem um único espectador perguntou sobre isso.
No mesmo período, os telespectadores enviaram críticas regulares ao guarda-roupa da coapresentadora Lisa Wilkinson. "Quem diabos é o estilista de Lisa?", um escreveu.
As mulheres são julgadas com muito mais severidade e determinação pelo que fazem, dizem e... vestem.


13 março, 2020

Bacurau, o filme (2)

Filme franco-brasileiro de 2019
Gênero: suspense
Duração: 130 min.
Roteiro e direção: Kleber Mendonça Filho (diretor de AQUARIUS) e Juliano Dornelles
Sinopse: Pouco após a morte de dona Carmelita, aos 94 anos, os moradores de um pequeno povoado localizado no sertão brasileiro, chamado BACURAU, descobrem que a comunidade não consta mais em qualquer mapa. Aos poucos, percebem algo estranho na região: enquanto drones passeiam pelos céus, estrangeiros chegam à cidade pela primeira vez. Quando carros se tornam alvos de tiros e cadáveres começam a aparecer, Teresa (Bárbara Colen), Domingas (Sônia Braga), Acácio (Thomas Aquino), Plínio (Wilson Rabelo), Lunga (Silvero Pereira) e outros habitantes chegam à conclusão de que estão sendo atacados. Falta identificar o inimigo e criar coletivamente um meio de defesa.


Bacurau conquista a América, por Cynara Menezes
(extraído deste artigo, publicado em 11/03/2020, no Socialista Morena)
A espetacular recepção ao filme pela crítica dos EUA, onde "Bacurau" estreou no começo do mês, tem o efeito, porém, de uma bofetada na direita vira-lata que tenta reduzir nosso cinema a algo "amador", "adolescente", em comparação às produções estrangeiras. E isso em tempos em que o bolsonarismo pretende destruir o cinema nacional, cortando incentivos e impondo um corte de cunho moralista no apoio do Estado ao audiovisual.
O que impressiona nas críticas norte-americanas a "Bacurau" é justamente a capacidade dos autores de compreenderem o humor do filme e ao mesmo tempo relacionarem a sátira com a atualidade brasileira e mundial. "Ele pode ser visto como uma metáfora sobre o Brasil (e as desigualdades que perturbam o mundo todo), mas, como os Sete Samurais de Akira Kurosawa, também é uma história profundamente enraizada em um lugar exato no mapa", disse a crítica Manohla Dargis, no New York Times, que elogiou o entrosamento da dupla de cineastas e citou a homenagem ao diretor John Carpenter, com "Night", composição de sua autoria, na trilha sonora.
O site do crítico Roger Ebert deu cinco estrelas ao longa brasileiro, em um artigo assinado por Monica Castillo. Bacurau "brilhantemente equilibra política e roteiro", diz Castillo, que coloca o filme entre a tendência de produções que denunciam a desigualdade, a exemplo de "Parasita". Sendo que Bacurau "vai mais longe, denunciando os danos do colonialismo, os políticos corruptos e o imperialismo norte-americano em uma sangrenta batalha de vida e morte".
A revista "Rolling Stone" o chamou de "joia" feita para os "politicamente explorados" (um trocadilho com "exploitation movies", filmes de horror B). "A dupla de diretores criou uma sátira de bordas serrilhadas que tem presas e garras afiadas em pontos finos, pingando o plasma daqueles que vêem tudo em termos de direitos e cifrões", escreveu o crítico David Fear. "A fotografia de Pedro Sotero é tão impressionante quanto uma pintura e tão psicotrópica quanto as drogas que os moradores tomam."
Além de Kurosawa e John Carpenter, adorado pelo diretor Kleber Mendonça, os críticos norte-americanos também enxergaram em "Bacurau" a influência de lendas do cinema como Sergio Leone, George Miller e Alejandro Jodorowsky, assim como dos brasileiros do Cinema Novo. "Bacurau é simultaneamente uma carta de amor afetuosa à carreira do mestre do horror e o melhor filme de Carpenter que Carpenter nunca fez", elogiou Andy Crump, do site Polygon. "É sobre o Brasil, sertão e colonialismo. É uma versão moderna de Assalto ao 13º DP de Carpenter –escorregadio, vital e crepitante."

16 outubro, 2019

Coringa, um personagem complexo

Coringa: 5 perguntas importantes que o filme não responde de propósito
por Pablo Miyazawa — 15/10/2019
Polêmicas à parte, Coringa não é um produto fácil de digerir. Em entrevistas recentes, o diretor Todd Phillips e o protagonista Joaquin Phoenix têm feito questão de não esclarecer as muitas pontas soltas deixadas pelo filme. E talvez essa natureza ambígua e nebulosa esteja de perfeito acordo com um personagem complexo como o "Palhaço do Crime", que tão bem personifica caos, intriga e contradição. Assim mesmo, há questões importantes deixadas sem resposta pelo longa-metragem que instigam uma reflexão mais aprofundada.
Será que essas pontas soltas serão atadas algum dia?

5 - O Batman "está" no filme?

O artigo de Miyazawa, em AdoroCinema, contém spoilers de "Coringa". Não o leia se ainda não tiver assistido!

Há um Coringa na multidão

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17 novembro 2019
(agência Reuters)
"Coringa" está perto de ultrapassar US$ 1 bilhão em bilheteria global
Graças a um orçamento de produção modesto estimado em cerca de 60 milhões de dólares, "Coringa" também é o filme baseado em HQ mais lucrativo de todos os tempos. "Realização absolutamente arrebatadora para um filme classificado como R (restrito) com um orçamento moderado e sem lançamento na China", escreveu Pandya, no Twitter.

12 março, 2019

O crítico de Homero

Zoilo (ca. 400 a.C. — 320 a.C.) foi um filósofo cínico de Anfípolis, na Macedônia Oriental, então conhecida como Trácia. No fim de sua vida, tomou o nome de "Homeromastix" ("chicoteador de Homero") por suas duras críticas ao poeta Homero, conforme nos relata Ovídio em "Remedium Amoris".
Usa-se este antropônimo para designar um "crítico invejoso, mordaz ou detrator".

"Os meus zoilos", de 1924, é o título de uma das obras do escritor baiano-cearense Rodolfo Teófilo.

"O invejoso se sente incompreendido, ele acha que o mundo lhe deve alguma coisa." ~ Alexandre Bez

09 novembro, 2018

Valor literário

por Alberto Lins Caldas (*)
Como saber se um texto tem ou não "valor literário"? Como saber se um texto é realmente literário ou não passa de uma impostura? A gramática (normalmente o gramaticamente "correto" carrega uma boa dose de servilismo!) não pode ser aquilo que vai decidir sobre o "valor literário": a gramática é um ordenamento de poder, um círculo do já feito, do conhecido e reconhecido: a literatura vai sempre além desse círculo e seu limite; a língua também não pode decidir: a literatura é indiferente à língua: ela é somente seu suporte: não importa em qual língua a virtualidade literária se configure: ela não marca essa virtualidade; a região também em nada afeta o nascimento ou florescimento de uma obra, podendo, quando muito, fazê-la definhar por enquadrá-la a um pequeno significado vivencial, a um comodismo provinciano; uma tradição também não pode servir de parâmetro literário, pois a literatura sempre se fez a um passo depois das tradições, apesar de servir-se delas como nossa fome de um suculento pedaço de carne; gênero também não interessa: a grande literatura não pertence a nenhum gênero específico: não existe literatura negra ou branca, heterossexual ou homossexual, macho ou fêmea, moral ou imoral, infantil ou adulta, desenvolvida ou subdesenvolvida, prosa ou verso: o que há é literatura ou não literatura (parece que ninguém mais sabe o que é literatura e qualquer um que escreve é chamado de escritor); a história da literatura também não pode contribuir: as obras nascem sempre antes das outras obras de uma história: a origem de uma verdadeira obra literária é sempre anterior as suas "influências"; a economia também não resolve a questão: as classes sociais, a riqueza, o capital, a exploração, a mais valia, o roubo, o poder, a miséria, a história, os partidos, a política, o governo: nada disso cria ou impede a criação de uma grande literatura ou de uma grande obra: o "valor literário" não é uma conseqüência, em última instância, das determinantes econômicas. Então como saber se uma obra tem valor literário ou não?
Todas as obras de real valor literário possuem algo em comum: todas elas partem, sempre com um espírito de negação, de uma filosofia (F), de uma estética (E) e de uma visão de mundo (V) e constituem, em seus labirintos, uma visão de mundo própria, uma outra filosofia e uma nova estética: mas esses elementos só servem naquele universo, naquelas obras específicas: dali não nascem mais obras, a não ser como pastiches, reproduções de segunda mão, como em quase todas as obras provincianas: são reproduções simplificadas dos esquemas, das visões, das facilidades visíveis de uma obra, daqueles elementos que o poder difunde como qualidade e valor. Daí a misteriosa e espantosa multiplicação dos bilaquinhos, dos anjinhos, dos montelinhos, das lygiazinhas e dos coelhinhos: o que vemos aos montes em todas as províncias do mundo são pobres pastiches de algo que já foi feito e não poderia mais gerar nada a não ser a exaustão ou o delírio das críticas literárias, que fazem a festa exatamente sobre as FEV geradas pelas obras.
Mas ainda mantemos o mesmo problema: como saber se um texto tem ou não "valor literário"? É um longo caminho. Toda obra realmente literária gera uma rede de galerias onde se formatam em movimento sua FEV: cria-se uma espécie de "virtualidade singular" e uma forma de "virtualidade social". Há um intrincado virtual que é preciso levar em conta antes das análises do leitor, da língua, do estilo, dos discursos, dos gêneros, das formas, das estruturas, das funções. Precisamos, enquanto hermeneutas da obra literária, pensar sobre a FEV que propõe. É a partir desses componentes (FEV) que poderemos estabelecer se uma obra, em seus fundamentos, é somente uma reprodução sem valor, porquê mil vezes dita e dita mil vezes melhor, de uma “escola” qualquer, de um “autor” qualquer.
Uma “obra limite” sem história, sem personagem, sem lugar, sem perspectiva, sem narrador, sem temporalidade pode estruturar uma FEV inigualável. Sua significância nascerá da importância não do estilo, não da gramática, não da tradição, não da língua, não do gênero mas da sua específica FEV. Esse é um começo porque nenhuma obra literária se resume a sua FEV. Mas é dela que retira toda a sua força, todo a multiplicidade que devora as outras obras e exige a multiplicação da leitura e da interpretação; é dela que nasce nossa admiração, nosso amor, nosso espanto, nossa busca, nosso desejo, nosso olhar, nossa leitura. Fazer literatura não é somente escrever, contar uma história, construir um estilo: é criar uma FEV, é constitui-la com toda a nossa singularidade, com toda a sinceridade, coragem e unicidade que nos for possível. Como essa FEV pôs ao seu serviço um estilo, uma gramática, uma tradição, um gênero, uma história, uma língua é a nossa grande questão. Uma virtualidade singular que, para existir, precisa de uma outra voz, uma outra forma, uma outra perspectiva.
Daí porque é impossível para o artista ser "normal" e escrever (ou pintar ou esculpir ou criar qualquer coisa realmente em arte). Gerar filhotes, obedecer à família, entender o governo, participar de um partido político, sentir-se honrado por estar trabalhando ou estudando, amar pai e mãe, amar uma mulher ou à mulher sobre todas as coisas, defender a pátria, chorar de emoção com a bandeira, respeitar alguma coisa, gostar daquilo que todo mundo gosta, assistir televisão, gostar de programas de auditório e novelas, ler os autores da moda, ler os autores respeitados pela "escola" e pela "academia", desejar aquilo que todo mundo deseja e tolices do gênero são sintomas de uma quase FEV massificada que está há muito estabelecida, servindo somente a um mundo ridículo e cada vez mais pobre e fascista. Um escritor é aquele que, antes de tudo e depois de tudo, cria uma FEV própria, singular, como maneira de ver, sentir, dialogar, desejar e sonhar, viver e morrer.
Aqui resolvemos a nossa questão? Não! Para desalinharmos um bom pedaço desses fios é realmente preciso muito caminho e muita tinta. Aqui é somente um dos mil começos de algo sem começo que tem seu fim exatamente em todos os possíveis começos.
(*) Pernambucano de Gravatá, onde nasceu em 1957. Publicou Canto Fundamental e Cacimbas. Colabora em jornais do Recife (Diário de Pernambuco, Jornal do Commercio e Diário da Manhã) com artigos de critica literária e poesia. Fundador do grupo informal Poetas da Rua do Imperador. Cursou Historia e Arqueologia na UFPE. Ensaísta proustiano e poeta. 

07 junho, 2018

Religiões abraâmicas

A diferença entre as três religiões abraâmicas, segundo Bill Maher:
  • Cristianismo: murmuram para o teto
  • Judaísmo: murmuram para a parede
  • Islamismo: murmuram para o chão
Atualizando ...
  • Testemunhas de Jeová: murmuram para a porta da frente (fechada)
William "Bill" Maher, Jr. (20 de Janeiro de 1956, Nova Iorque) é um comediante de stand up, apresentador de televisão, comentador político e escritor estadunidense. É um grande crítico da religião, a qual chama de "loucura consensual".
"Não acredito que Deus seja um pai solteiro que escreve livros. A religião oferece respostas a perguntas que não podem ser respondidas de forma alguma". Perguntas como "Para onde vou quando morrer?", segundo Maher, "são impossíveis de responder. Ao dizer que tem as respostas, a religião é desonesta e impede as pessoas de pensar".

Via de consequência
"Eu sou o único entre os meus amigos que ainda não se casou. E suas mulheres não querem que eles tenham contato comigo. Eu sou uma espécie de escravo que escapou. Eu levo para eles as notícias da liberdade."

07 setembro, 2017

"Emoji: O Filme"

Sinopse
Escondida dentro do app de texto está Textopolis, uma cidade cheia de vida onde os emojis vivem, aguardando ser selecionados pelo dono do telefone celular. Neste mundo, cada emoji tem apenas uma expressão facial - exceto Gene, um emoji que nasceu sem filtro e que se multiplica pelas mais variadas expressões. Determinado a tornar-se "normal" como os outros emojis, Gene conta com uma mãozinha do seu melhor amigo, Hi-5 e com a hacker emoji Rebelde. Juntos, eles embarcam numa aventura épica através dos apps do telemóvel, cada uma com o seu mundo de diversão e perigos, para encontrar o código que irá curar Gene. Mas quando um grande perigo ameaça o telemóvel, o destino de todos os emojis depende destes três amigos que terão de salvar o seu mundo antes que este seja para sempre apagado.

N.do E.
App pode referir-se a: Área de Preservação Permanente, Agnosticismo Permanente por Princípio, Controle de Aproximação (Approach Control, no tráfego aéreo), Proteína Precursora do Amiloide (em biologia molecular) e Aplicativo Móvel (o de um smartphone, este caso).

Cena "Just Dance"


(...)
O ponto é que fui assistir "Emoji: O Filme", e foi tudo bem — não ri, mas também não chorei — e tirei cinco conclusões disso. Você, claro, pode ir assistir se quiser – pagando até R$ 60, entrar na fila, ficar com pipoca grudada no seu tênis novo, pagar mais 20 dinheiros pelo combo de pipoca e refri, depois ter seu ingresso rasgado por um menino sem expressão, assistir 30 minutos de comerciais (cinemas: se eu já paguei uma nota pra assistir o filme, por que tenho que ver propagandas também? Você já ganhou seu dinheiro. Eu. Te. Paguei. Para desperdiçar meu tempo. Repensem.), depois os trailers, e finalmente o filme propriamente dito, tudo isso numa sala escura não tão silenciosa assim, com um bando de gente que não consegue ficar uma hora e meia sem ter que levantar pra mijar, e numa temperatura que não é quente nem fria, sem outras opções: a experiência moderna do cinema — então sim, você pode ir ao cinema, e pode assistir o filme, e tirar suas próprias conclusões. Mas você não vai.
Então.
"EMOJI: O FILME" É O PRIMEIRO FILME NA HISTÓRIA A SER FEITO SEM UM PÚBLICO EM MENTE
Ei: Para quem é "Emoji: O Filme"? Fãs de emoji? Isso não existe. Ninguém vai dizer que é fã de emojis. Mesmo as pessoas que têm aquelas almofadas de emoji não vão dizer que são fãs de emojis. Pode perguntar. Pergunte diretamente por que a pessoa comprou uma almofada. "Sei lá, tava na promoção", ela vai dizer. O filme é para adultos? Não é para adultos. Você sabe que algumas animações são, secretamente, para adultos, né? Você sabe que tem gente crescida que vai assistir os filmes da Disney, que viaja para a Disneylândia. Adultos patológicos, adultos estranhos. Pessoas que têm vontades estranhas que em outra vida poderiam se materializar como infanticídio, mas aqui e agora surgem como uma afinidade sincera com a Disney. Mas esse filme também não é pra eles. É para crianças? Não sei. Conheço crianças. Não pessoalmente, mas o conceito. Eu mesmo já fui criança. Partes de mim ainda são. E como criança, não encontrei nada que redima "Emoji: O Filme", fora uma cena na qual o emoji de cocô, dublado pelo Patrick Stewart, faz cocô e fala com o filho, um cocô menor, sobre as atribulações de ser um cocô que faz cocô. Além disso, o filme é só um monte de referências ao Dropbox que eu não manjo e algumas sequências de dança. Nenhuma criança vai cair nessa merda.
por JOEL GOLBY, traduzido por MARINA SCHNOOR

22 fevereiro, 2017

O pensamento de FH analisado por MF. Conclusão

LIÇÃO TERCEIRA
Há vezes, e não são poucas, em que FhC atinge níveis insuperáveis.
Vejam, pra terminar esta pequena explanação, este pequeno trecho ainda escolhido ao acaso.
Eu sei, eu sei — os defensores de FhC, a máfia de beca, dirão que o acaso está contra ele. Mas leiam:
“É oportuno assinalar aqui que a influência dos livros como o de Talcot Parsons, The Social System, Glencoe, The Free Press, 1951, ou o de Roberto K. Merton, Social Theory and Social Structure, Glencoe, The Free press, 1949, desempenharam um papel decisivo na formulação desse tipo de análise do desenvolvimento. Em outros autores enfatizaram-se mais os aspectos psicossociais da passagem do tradicionalismo para o modernismo, como em Everett Hagen, On the Theory of Social Change, Homewood, Dorsey Press, 1962, e David MacClelland, The Achieving Society, Princeton, Van Nostrand, 1961. Por outro lado, Daniel Lemer, em The Passing of Traditional Society: Modernizing the Middle East, Glencoe, The Free Press, 1958, formulou em termos mais gerais, isto é, não especificamente orientados para o problema do desenvolvimento, o enfoque do tradicionalismo e do modernismo como análise dos processos de mudança social”.
Amigos, não é genial? Vou até repetir pra vocês gozarem (no bom sentido) melhor: “formulou (em termos mais gerais, isto é, não especificamente orientados para o problema do desenvolvimento) o enfoque (do tradicionalismo e do modernismo) como análise (dos processos de mudança social)”.
Formulou o enfoque como análise!
É demais! É demais! E sei que o vosso sábio governando, nosso FhC, espécie de Sarney barroco-rococó, poderia ir ainda mais longe.
Poderia analisar a fórmula como enfoque.
Ou enfocar a análise como fórmula.
É evidente que só não o fez em respeito à simplicidade de estilo.
Tópico avulso sobre imodéstia e pequenos disparates do eremita preferido dos Mamonas Assassinas.
Vaidade todos vocês têm, não é mesmo? Mas há vaidades doentias, como as das pessoas capazes de acordar às três da manhã para falar dois minutos num programa de tevê visto por exatamente mais ou menos ninguém.
Há vaidades patológicas, como as de Madonas e Reis do Roque, só possíveis em sociedades que criaram multidões patológicas.
Mas há vaidades indescritíveis.
Vaidade em estado puro, sem retoque nem disfarce, tão vaidade que o vaidoso nem percebe que tem, pois tudo que infla sua vaidade é para ele coisa absolutamente natural. Quem é supremamente vaidoso, se acha sempre supremamente modesto.
Esse ser existe materializado em FhC (superlativo de PhD). Um umbigo delirante.
O que me impressiona é que esse homem, que escreve mal — se aquilo é escrever bem o meu poodle é bicicleta — e fala pessimamente — seu falar é absolutamente vazio, as frases se contradizem entre si, quando uma frase não se contradiz nela mesma, é considerado o maior sociólogo brasileiro.
Nunca vi nada que ele fizesse (Dependência e Desenvolvimento na América Latina, livro que o elevou à glória, é apenas um Brejal dos Guajas, mais acadêmico) e dissesse que não fosse tolice primária.
“Também tenho um pé na cozinha”, “(os brasileiros) são todos caipiras”, “(os aposentados) são uns vagabundos”, “(o Congresso) precisa de uma assepsia”, “Ser rico é muito chato”, “Todos os trabalhadores deviam fazer checape”, “Não vou transformar isso (a moratória de Itamar) num fato político”. “Isso (a violência, chamada de Poder Paralelo) é uma anomia”. E por aí vai.
Pra não lembrar o vergonhoso passado, quando sentou na cadeira da prefeitura de São Paulo, antes de ser derrotado por Jânio Quadros, segundo ele “um fantasma que não mete mais medo a ninguém”.
Eleito prefeito, no dia seguinte Jânio Quadros desinfetou a cadeira com uma bomba de Flit.
E, sempre que aproxima mais o país do abismo no qual, segundo a retórica política, o Brasil vive, esse FhC (superlativo de PhD) corre à televisão e deita a fala do trono, com a convicção de que, mais do que nunca, foi ele, the king of the black sweetmeat made of coconuts (o rei da cocada preta), quem conduziu o Brasil à salvação definitiva e à glória eterna.
E que todos querem ouvi-lo mais uma vez no Hosana e na Aleluia. Haja!
Millôr Fernandes
LIÇÃO PRIMEIRA
LIÇÃO SEGUNDA

15 fevereiro, 2017

O pensamento de FH analisado por MF

LIÇÃO SEGUNDA
Como sei que todos os leitores ficaram flabbergasted (não sabem o que quer dizer? Dumbfounded, pô!) com a LIÇÃO PRIMEIRA sobre Dependência e Desenvolvimento da América Latina, boto aqui outro trecho — também escolhido absolutamente ao acaso — do Opus Magno de gênio da “profilática hermenêutica consubstancial da infra-estrutura casuística”, perdão, pegou-me o estilo.
Se não acreditam que o trecho foi escolhido ao acaso, leiam o livro todo. Vão ver o que é bom!
Estrutura e Processo: Determinações Recíprocas
“Para a análise global do desenvolvimento não é suficiente, entretanto, agregar ao conhecimento das condicionantes estruturais a compreensão dos ‘fatores sociais’, entendidos estes como novas variáveis de tipo estrutural. Para adquirir significação, tal análise requer um duplo esforço de redefinição de perspectivas: por um lado, considerar em sua totalidade as ‘condições históricas particulares’ — econômicas e sociais — subjacentes aos processos de desenvolvimento no plano nacional e no plano externo; por outro, compreender, nas situações estruturais dadas, os objetivos e interesses que dão sentido, orientam ou animam o conflito entre os grupos e classes e os movimentos sociais que ‘põem em marcha’ nas sociedades em desenvolvimento. Requer-se, portanto, e isso é fundamental, uma perspectiva que, ao realçar as mencionadas condições concretas — que são de caráter estrutural — e ao destacar os móveis dos movimentos sociais — objetivos, valores, ideologias —, analise aquelas e estes em suas relações e determinações recíprocas. (…) Isso supõe que a análise ultrapasse a abordagem que se pode chamar de enfoque estrutural, reintegrando-a em uma interpretação feita em termos de ‘processo histórico’ (1). Tal interpretação não significa aceitar o ponto de vista ingênuo, que assinala a importância da seqüência temporal para a explicação científica — origem e desenvolvimento de cada situação social — mas que o devir histórico só se explica por categorias que atribuam significação aos fatos e que, em conseqüência, sejam historicamente referidas.
(1) Ver, especialmente, W. W. Rostow, The Stages of Economic Growth, A Non-Communist Manifest, Cambridge, Cambridge University Press, 1962; Wilbert Moore, Economy and Society, Nova York, Doubleday Co., 1955; Kerr, Dunlop e outros, Industrialism and Industrial Man, Londres, Heinemann, 1962.”
Comentário do Millôr Fernandes, intimidado:
A todo momento, conhecendo nossa precária capacitação para entender o objetivo e desenvolvimento do seu, de qualquer forma, inalcançável saber, o professor FhC faz uma nota de pata de página.
Só uma objeçãozinha, professor.
Comprei o seu livro para que o senhor me explicasse sociologia.
Se não entendo o que diz, em português tão cristalino, como me remete a esses livros todos? Em inglês!
Que o senhor não informa onde estão, como encontrar.
E outra coisa, professor, paguei uma nota preta pelo seu tratado, sou um estudante pobre, não tenho mais dinheiro.
Além do que, confesso com vergonha, não sei inglês.
Olha, não vá se ofender, me dá até a impressão, sem qualquer malícia, que o senhor imita um velho amigo meu, padre que servia na Paróquia de Vigário-Geral, no Rio.
Sábio, ele achava inútil tentar explicar melhor os altos desígnios de Deus pra plebe ignara do pequeno burgo e ensinava usando parábolas, epístolas, salmos e encíclicas.
E me dizia: “Millôr, meu filho, em Roma, eu como os romanos. Sendo vigário em Vigário-Geral, tenho que ensinar com vigarice”.

22 dezembro, 2016

Pedro Pintor

Em 1964, o jornalista sueco Åke Axelsson pagou um tratador de zoológico para dar pincel e tintas a um chimpanzé de 4 anos chamado Peter. Então, ele escolheu as melhores pinturas de Peter e exibiu-as na Gallerie Christinae, em Gotemburgo, Suécia, dizendo que elas eram obras de um artista francês, até então desconhecido, chamado Pierre Brassau.
O crítico de arte Rolf Anderberg, do Göteborgs-Posten, assim escreveu:
"Brassau pinta com movimentos poderosos, mas também com determinação clara. Suas pinceladas são de uma furiosa meticulosidade. Pierre é um artista que produz com a delicadeza de um bailarino."
Após Axelsson revelar a farsa, e Anderberg sustentou que os trabalhos de Peter eram "ainda as melhores pinturas da exposição".

Foto: Peter (aka "Pierre Brassau"), em 1964. In: Wikipedia

11 setembro, 2016

AQUARIUS

Filme brasileiro de 2016
Gênero: drama
Duração: 141 min.
Roteiro e direção: Kleber Mendonça Filho
Sinopse: Clara (Sonia Braga) mora de frente para o mar no Aquarius, último prédio de estilo antigo da Av. Boa Viagem, no Recife. Jornalista aposentada e escritora, viúva com três filhos adultos e dona de um aconchegante apartamento repleto de discos e livros, ela irá enfrentar as investidas de uma construtora que tem outros planos para aquele prédio: demolir o Aquarius e dar lugar a um novo empreendimento.

Trailer


Entenda o desempenho do filme nos cinemas


"UM PRESENTE EM BANDEJA DE PRATA PARA SONIA BRAGA E O ESPECTADOR"
Jay Weissberg, Variety
"SONIA BRAGA, FORÇA DA NATUREZA"
Wendy Ide, ScreenDaily
"DOMÍNIO ABSURDO DO CINEMA"
Pedro Butcher, Folha de SP
"UM GRANDE FILME DE REVOLTA"
Julien Gester, Libération
"UM FILME MARCANTE E NECESSÁRIO"
Francisco Russo, AdoroCinema
"O DEVER DAS PESSOAS DE BEM É BOICOTAR AQUARIUS"
Tio "Rei", Revista Veja

Onde assistir AQUARIUS em Fortaleza
UCI Kinoplex Iguatemi
Sala 11 - 14h30

08/12/2016 - Atualizando ...
247 - 247 – Num vídeo emocionante, o ator Wagner Moura denunciou o golpe contra a democracia brasileira, simbolizado na figura de Michel Temer, durante a premiação do filme Aquarius.
Moura disse se orgulhar do papel dos artistas na resistência ao golpe, em especial do diretor Kléber Mendonça e da equipe do filme.
"Aquarius é um filme sobre a resistência. É lindo que o símbolo da resistência seja uma mulher. E é mais lindo ainda que essa mulher seja Sônia Braga."

13 maio, 2016

Emoji Dick

É uma tradução do romance Moby Dick, de Herman Melville, para emoticons japoneses chamados emojis.
Cada uma das cerca de 10.000 frases do livro foi traduzida três vezes por colaboradores da Amazon Mechanical Turk. Estes resultados, por sua vez, foram votadas por outro conjunto de colaboradores, e a versão mais popular de cada frase foi selecionada para a inclusão no livro.
No total, mais de oitocentas pessoas gastaram aproximadamente 3.795.980 segundos de trabalho para criar este livro. Cada colaborador foi pago a cinco centavos por tradução e a dois centavos por voto para tradução.
Os fundos para pagar os colaboradores da Amazon Turk e para imprimir a tiragem inicial deste livro foram provenientes de 83 pessoas ao longo de trinta dias utilizando a plataforma de financiamento Kickstarter.



Ver: Inícios inesquecíveis de romances

Crítica
"Destaca as formas inovadoras com que a força de trabalho de usuários da internet entediados é aproveitada para realizar tarefas complexas."
– Telegraph UK
"Isso é incrivelmente inútil."
– Alex M, BoingBoing.net Commenter
"Um verdadeiro testemunho do valor da tarefa da inteligência humana quando distribuída."
– Aaron Koblin, TheSheepMarket.com
"Se ele leva uma criança ter contato com um pouco de literatura clássica é uma coisa boa."
– PopFi.com
"Emoji-Dick não parece muito interessante."
– Damion Searls, Author of ; or the Whale

http://emojidick.com/

24 fevereiro, 2016

A função criadora da crítica

"A necessidade do espírito de análise e de crítica está, portanto, presente em nós, que formamos as gerações de uma “época” e que temos uma missão a cumprir e a realizar. Esta crítica que se exerce como uma tarefa e como um destino nada tem de destruidora e de negativa. Ela forma alicerces e levanta muros para futuras construções. Exerce-se num domínio realístico, e, ao mesmo tempo, objetivo. Conformista, porém, é que ela não pode ser. O ato de tudo aceitar, como o ato de tudo negar, não é um ato de crítica. É um ato de positiva ou negativa apologia, e só. O ato da crítica é aquele que completa, que retifica, que amplia. O que abre perspectivas, o que desdobra situações. O crítico que se cinge ao círculo do que ele critica está esterilizado pelo seu próprio assunto e não merece esse nome. Quando se exige de um crítico que seja também um criador, esta exigência não significa que lhe estejam a pedir que componha poemas e romances. Dentro da mais pura e mais estrita atividade crítica existe uma função criadora. A criação do crítico lhe vem da possibilidade de levantar, ao lado ou além das obras dos outros, ideias novas, direções insuspeitadas, novos elementos literários e estéticos, sugestões de bom gosto, sistematizações, esquematizações, quadros de valores. Crítica num tríplice aspecto: interpretação, sugestão, julgamento." ~ Antonio Houaiss, em seu discurso de posse na Academia Brasileira de Letras

+ Houaiss em ordem alfabética
CiganoPalavronas

22 dezembro, 2015

Millôr, sarcástico

De uma coisa ninguém podia me acusar — de ter perdido meu tempo lendo FhC (superlativo de PhD). Achava meu tempo melhor aproveitado lendo o Almanaque da Saúde da Mulher. Mas quando o homem se tornou vosso Presidente, achei que devia ler o Mein Kampf (Minha Luta, em tradução literal) dele, quando lutava bravamente, no Chile, em sua Mercedes ("A mais linda Mercedes azul que vi na minha vida", segundo o companheiro Weffort, na tevê, quando ainda não sabia que ia ser Ministro), e nós ficávamos aqui, numa boa, papeando descontraidamente com a amável rapaziada do Dops-DOI-CODI.
Quando, afinal, arranjei o tal Opus MagnoDependência e Desenvolvimento na América Latina — tive que dar a mão à palmatória. O livro é muito melhor do que eu esperava. De deixar o imortal Sir Ney morrer de inveja. Sem qualquer partipri, e sem poder supervalorizar a obra, transcrevo um trecho, apanhado no mais absoluto acaso, para que os leitores babem por si:
"É evidente que a explicação técnica das estruturas de dominação, no caso dos países latino-americanos, implica estabelecer conexões que se dão entre os determinantes internos e externos, mas essas vinculações, em que qualquer hipótese, não devem ser entendidas em termos de uma relação 'casual-analítica', nem muito menos em termos de uma determinação mecânica e imediata do interno pelo externo. Precisamente o conceito de dependência, que mais adiante será examinado, pretende outorgar significado a uma série de fatos e situações que aparecem conjuntamente em um momento dado e busca-se estabelecer, por seu intermédio, as relações que tornam inteligíveis as situações empíricas em função do modo de conexão entre os componentes estruturais internos e externos. Mas o externo, nessa perspectiva, expressa-se também como um modo particular de relação entre grupos e classes sociais de âmbito das nações subdesenvolvidas. É precisamente por isso que tem validez centrar a análise de dependência em sua manifestação interna, posto que o conceito de dependência utiliza-se como um tipo específico de 'causal-significante' — implicações determinadas por um modo de relação historicamente dado e não como conceito meramente 'mecânico-causal', que enfatiza a determinação externa, anterior, que posteriormente produziria 'conseqüências internas'."
Fonte: site Reflexões Radicais, de Claudio Mafra

02 outubro, 2015

Terra Sonâmbula

"Mas Junhito ainda lutava para se desbichar, desembaraçar-se da condenação. Me veio à ideia que ele precisava de um pouco de infância e cantei os embalos de nossa mãe, sua última ponte com a família. Enquanto eu cantava ele se foi vertendo todo gente, completamente Junhito." ~ "Terra Sonâmbula", Mia Couto

Leio "Terra Sonâmbula" como um livro de sonhos, onde o autor nos mostra duas coisas muito humanas: a prisão que o medo provoca e a busca da felicidade possível.
É difícil avaliar o quanto de superstições e preconceitos, medos enfim, existem nos relacionamentos humanos. E essas superstições e preconceitos estão em toda a obra. Como, por exemplo, quando alguém chega a um povoado, por nascimento ou como viajante e, por um acontecimento qualquer – falta de chuva, morte de um outro ser humano... –, passe a ser visto como um ser maléfico, que trouxe infortúnios, tragédias e má sorte para a comunidade.
Parece impensável uma tal situação. Talvez, porque impensáveis são as superstições e preconceitos dos outros. Impensáveis são os medos que o outro cultiva. Os nosso, não. São muito normais para um ser humano. Mas o outro está fora da nossa humanidade. Nossos medos, superstições e preconceitos transformaram-no em bicho.
Como, então, desfazer essa maldição humana, fazendo o ser humano voltar a olhar o outro como um ser humano? Talvez lembrando os laços que os unem fraternalmente na infância e à primeira comunidade que conhecemos. inicialmente, o aconchego e a proteção do útero materno e, depois, muito depois, da família.
Como um dia esse aconchego e proteção acabam, o ser humano busca nos sonhos uma libertação para seus sofrimentos e prisões. Nos sonhos o ser humano tenta se libertar dos "desprazeres" da existência para sentir os "prazeres" possíveis.
Mas a felicidade possível é o sonho do caminhar na estrada difícil da existência. Não é uma felicidade como um fim. É a felicidade como meio de se viver, quando a vida não tem mais valor, nenhum amparo e nem futuro possível. É a vida destroçado pela guerra. É a vida de todos nós.
É a felicidade que se descobre quando ainda resta "um pouco de infância", uma "última ponte" com um passado que nos fazia feliz, uma réstia de felicidade do sonho... O que nos leva a concluir que essa recordação é a única que pode desfazer a maldição humana, nos levando a "desbichar" até que possamos ir nos "vertendo todo gente".
Segundo Freud "Esse homem encontrou a felicidade ao descobrir o tesouro de Príamo, o que prova que a realização de um desejo infantil é o único capaz de proporcionar a felicidade" Sigmund Freud, citado por Raymundo de Lima e Marta Dalla Torre Fregonezzi, no artigo "A Felicidade existe? – Freud, a psicanálise e a felicidade".

Fernando Gurgel Filho

13 agosto, 2015

Auto-ajuda: livros e programas

Embora continuem populares, os livros e programas de auto-ajuda têm sofrido críticas por oferecer "respostas fáceis" para problemas pessoais complicados. De acordo com essa visão, o leitor ou participante recebe o equivalente a um placebo enquanto o escritor e o editor recebem os lucros.
O livro "God is My Broker" (Deus é meu Agente) afirma: "O único modo de se tornar rico com um livro de auto-ajuda é escrever um". Livros de auto-ajuda também são criticados por conter afirmações pseudocientíficas (*) que podem induzir o comprador a seguir "maus caminhos" e citações de teorias de outros autores que não condizem com o livro.
Outra grande crítica à auto-ajuda é o oferecimento de coisas que podem não ser atingidas pelo leitor como riqueza ou saúde, bastando acreditar em si mesmo, porém quando o leitor não atinge a meta proposta pela auto-ajuda, ele se torna infeliz por ser incapaz de realizar seus desejos.
Por fim, Wendy Kaminer, em seu livro "I'm Dysfunctional, You're Dysfunctional" (Eu sou Deficiente, Você é Deficiente), critica o movimento da auto-ajuda por encorajar as pessoas a focarem o desenvolvimento pessoal, em vez de se unirem a movimentos sociais, para resolverem seus problemas.
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(*) QUANDO A VIDA LHE DER UM SALMÃO
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