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18 setembro, 2020

Anna, de estenógrafa a editora

Anna Dostoyevskaya, por Laura Callaghan
(...) das esposas de escritores russos, sem dúvida a mais notável foi Anna Dostoievskaya (1846-1918), segunda esposa de Fiódor Dostoiévski.
A história de origem de seu amor parece, à primeira vista, ter sido tirado das páginas de um clássico literário russo - ela era uma estudante de estenografia, de 19 anos, que veio trabalhar para o já famoso escritor, de 45 anos.
No início, Anna considerou risível a ideia de um romance com Fiódor. "Nada pode transmitir a aparência lamentável de Fiódor Mikhailovich, quando o vi pela primeira vez", escreveu ela. "Ele parecia confuso, ansioso, impotente, solitário, irritado e quase doente." Ele, por sua vez, foi rápido em lhe propor casamento - mas ela recusou, citando seu desejo de "viver uma vida independente". Era um ideal que funcionava na família - sua irmã, Sofia Kovalevskaya, foi a primeira cientista russa e a jovem Anna, a primeira filatelista russa.
Quando eles acabaram se casando, o vício no jogo de Dostoiévski deixava a família endividada (o que ele tentou resolver inventando um sistema "infalível" para ganhar na roleta). Anna era claramente a chefe racional da família . Então, ela começou a revolucionar a indústria editorial ao transformar seu marido no primeiro autor autopublicado da Rússia, uma proposta ambiciosa e radical. Anna estudou meticulosamente o mercado de livros, pesquisou os melhores fornecedores do país, negociou com diretores de arte e planejou um plano de distribuição. Logo, Dostoiévski foi uma marca nacional. Hoje, muitos consideram Anna a primeira editora russa e a primeira empresária russa.

Extraído de: An illustrated celebration of the little-known mothers, brothers, friends, wives and other unsung champions behind geniuses, por Maria Popova.
Brain Pickings [1] [2]

14 setembro, 2013

Manifesto dos intelectuais brasileiros contra a censura às biografias

Vi no Blog do Marcelo Gurgel a notícia da leitura pelo jornalista e escritor Ruy Castro (foto), na Bienal do Livro do Rio, dia 7, do manifesto contra a censura às biografias (abaixo), que foi assinado por 45 intelectuais brasileiros:
Desde o século XIX, a Biografia teve papel importante na construção da nossa ideia de Nação, imortalizando personagens e ajudando a consolidar um patrimônio de símbolos e tradições nacionais.
Mais recentemente, na segunda metade do século XX, a Biografia ganhou outra dimensão: além de relatar os feitos dos grandes nomes, transformou o personagem em testemunha de sua época. A Biografia moderna não é só a história de uma pessoa, mas também de uma época, vista através da vida daquela pessoa.
No Brasil, tal forma de manifestação encontra-se em risco, em virtude da proliferação da censura privada, que é a proibição das biografias não autorizadas.
A ninguém é dado impedir a livre expressão intelectual ou artística de outro, garantia consagrada na Constituição democrática de 1988, que baniu definitivamente a censura entre nós. Por isso, não faz sentido exigir-se o consentimento prévio da personalidade pública cuja trajetória um autor ou historiador pretende relatar (e, menos ainda, exigir-se a autorização de seus familiares, quando já falecido o biografado), como condição para a publicação de Biografias.
É apropriado que a lei proteja o direito à privacidade. Mas este direito deve ser complementado pela proteção do acesso às informações de relevância para a coletividade, na forma de tratamento distinto nos casos de figuras de dimensão pública, os chamados protagonistas da História: chefes de Estado e lideranças políticas, grandes nomes das artes, da ciência e dos esportes.
O Brasil é a única grande democracia na qual a publicação de Biografias de personalidades públicas depende de prévia autorização do biografado. Um país que só permite a circulação de biografias autorizadas reduz a sua historiografia à versão dos protagonistas da vida política, econômica, social e artística. Uma espécie de monopólio da História, típico de regimes totalitários.
Este erro produz efeito devastador sobre a atividade editorial. A necessidade do consentimento prévio das pessoas retratadas nas obras cria um balcão de negócios de valores vultosos, em que informações sobre a nossa História são vendidas como mercadorias.
Há um efeito ainda mais grave no que tange à construção da memória coletiva do país. O conhecimento da História é um direito da cidadania, independentemente de censura ou licença, do Estado ou dos personagens envolvidos. O ordenamento jurídico deve assegurar pluralidade, cabendo à sociedade e ao cidadão formarem livremente sua convicção.
É pertinente lembrar que a dispensa do consentimento prévio do biografado não confere ao autor imunidade sobre as consequências do que escrever. Em casos de abuso de direito e de uso de informação falsa e ofensiva à honra, a lei já contém os mecanismos inibidores e as punições adequadas à proteção dos direitos da personalidade.
Hoje, quando a sociedade clama pela ética e pela plena liberdade de expressão, está mais do que na hora de eliminar este entulho autoritário e permitir novamente que os brasileiros possam ter acesso à sua própria História.
Assim, os intelectuais brasileiros apoiam as iniciativas legislativas e judiciais voltadas à correção dessa anomalia do ordenamento jurídico brasileiro, de maneira a permitir a publicação e a veiculação de obras biográficas sobre os protagonistas da nossa História, independentemente da autorização dos personagens nelas retratados.
Assinam:
Alexei Bueno, Ana Maria Machado, Antonio Torres, Carlos Heitor Cony, Eduardo Portella, Fernando Morais, João Ubaldo, Lira Neto, Luis Fernando Veríssimo, Nelson Pereira dos Santos, Roberto da Matta, Roberto Toledo, Ruy Castro, Sergio Rouanet, Ziraldo Pinto e Zuenir Ventura, entre outros.

23 setembro, 2009

E Bussunda não trouxe o piano

Em um debate no Café Literário da Bienal do Livro Rio, edição deste ano, o jornalista Guilherme Fiúza abordou o seu projeto de escrever a biografia de Bussunda, que integrou o grupo Casseta e Planeta, até 2006, ano em que esse humorista faleceu. E aproveitou para adiantar uma das boas histórias que colheu a respeito do futuro biografado.
"Um dia a mãe de Bussunda chegou a casa em que moravam e o piano não estava lá. Ele falou que ia fazer um show com os amigos e tinha levado o piano. No dia seguinte, a mãe voltou a perguntar sobre o piano, e ele disse: 'Mãe, não é uma flauta, é um piano, ninguém vai levá-lo embora. Me deixa ver o jogo do Flamengo'. Um mês depois, houve uma reunião familiar para tratar do assunto, e lá foi Bussunda buscar o piano - só que o bar tinha fechado".
Portal G1

27 março, 2008

"Em Louvor aos Homens e às suas Idéias"

O novo livro de Marcelo Gurgel, cuja noite de autógrafos será hoje.

Sobre o livro:
"São trinta registros expressivos de nomes, nos quais se incluem médicos, religiosos, advogados, engenheiros, jornalistas etc., que se destacram, em recentes décadas, nos seus diferentes campos de atividades, notando-se que a maioria deles teve ou tem inserção no ensino superior, concorrendo, assim, com seus saberes para a formação de novas gerações de profissionais."

Sobre o autor:
É médico, economista, professor universitário, pesquisador e polígrafo. Reside em Fortaleza.

Data: 27 de março de 2008, às 19h30.
Local: Centro Cultural Oboé. Rua Maria Tomásia, 531 - Fortaleza.

O autor e o livro serão apresentados pelo médico e membro da Academia Cearense de Letras Dr. Lúcio Alcântara.

Importante - A renda bruta do lançamento do livro será revertida para as ações sociais da "Casa Vida", mantida pela Rede Feminina do Instituto do Câncer do Ceará.