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28 novembro, 2018

Viagem em volta do meu quarto

Em 1790, Xavier de Maistre escreveu sua "Voyage autour de ma chambre" ("Viagem em volta do meu quarto" ou "Viagem em torno do meu quarto", conforme a edição no Brasil), quando ele estava preso em Turim como conseqüência de um duelo.
Publicada na França em 1794, esta obra é uma paródia na tradição da narrativa das grandes viagens. É um relato autobiográfico de como um jovem funcionário, aprisionado em seu quarto por seis semanas, observa os móveis, gravuras, etc. como se fossem cenas de uma viagem em um terra estranha.
Ele elogia esta viagem porque não custa nada e, por isso, é fortemente recomendada aos pobres, aos enfermos e aos preguiçosos.
"Quando viajo por meu quarto", escreve ele, "raramente sigo uma linha reta: saio da mesa em direção a uma foto pendurada em um canto; de lá, me dirijo obliquamente para a porta; mas mesmo assim, quando ao começar é realmente minha intenção ir até lá, se por acaso eu encontrar minha poltrona a caminho, não penso duas vezes sobre isso e me sento nela sem mais delongas".
Continua:
"Ao lado da poltrona, ao ir para o norte minha cama aparece. Ela está colocado no final do meu quarto e fornece a perspectiva mais agradável. É muito agradavelmente situada, e os primeiros raios do sol brincam em minhas cortinas. Nos bons dias de verão eu os vejo rastejando, enquanto o sol nasce ao longo de toda a parede embranquecida.
Este trabalho é notável porque ele joga com a imaginação do leitor, ao longo de suas linhas  à la Laurence Sterne, a quem Xavier admirava. Xavier não acreditou muito em "Voyage...", mas seu irmão Joseph o publicou, e aqui estamos falando sobre isso 224 anos depois.

21 outubro, 2014

Um olhar para o passado


O quarto de um militar francês é mantido inalterado até hoje – 96 anos depois de sua morte na Primeira Guerra Mundial
De sua casa, na aldeia de Bélâbre, França, Hubert Rochereau obedientemente marchou para a guerra. Ele serviu como segundo tenente no 15º Regimento e, em 26 de abril de 1918, Rochereau morreu devido aos ferimentos sofridos numa batalha contra os alemães em Loker, Bélgica. Por sua coragem, a França lhe concedeu postumamente a Cruz de Guerra e a Legião de Honra.
Os pais de Rochereau ficaram inconsoláveis. Eles mantiveram em sua casa o quarto do filho morto da maneira que este o deixou ao partir para a guerra. Quando eles se mudaram em 1935, foi estipulado no contrato de venda que o quarto deveria permanecer como estava por, pelo menos, 500 anos.
Essa exigência era legalmente duvidosa, mas os novos proprietários respeitaram os desejos do casal enlutado. Como ainda faz o atual proprietário desde que herdou a casa de seus avós.
Neatorama

Pedaço de canção
"A saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu." ~ Chico Buarque

17 junho, 2011

Quarto de empregada

Uma das obsessões da construção civil tem sido o barateamento das unidades habitacionais que constrói. Evidentemente, isso tem limites. Um apartamento cuja sala é ém "I" - e não em "L", como inicialmente se previa - acaba afastando os prováveis compradores. Um acabamento anunciado como de primeira e que não o é, idem. Experiências revolucionárias com a utilização de novos materiais como paredes feitas de papier mâché (papel amassado), então nem fala. Antes de tudo, o adquirente de um imóvel é um sujeito conservador.
E a política de minimização de custos das construtoras acaba sobrando para uma dependência: o quarto da empregada, o qual tem sempre dimensões liliputianas por maiores que sejam as do apartamento. Descrevendo um deles, Rubem Braga disse: "Um quartinho tão minúsculo onde uma pessoa não pode respirar com muita força que esgota completamente o ar." Embora, com tal nível de conscientização, não se sentisse Braga impedido de transformar o quarto de empregada no despejo do seu apartamento. Na oportunidade em que ele recebeu uns fardos pouco desejáveis e que "não podiam ficar na saleta do cronista".
Ao comprador de um apartamento Millôr Fernandes dá a seguinte orientação no item armários embutidos: "Conte o número e o tamanho dos armários embutidos. Mas conte com cuidado porque, muitas vezes, você pensa que está diante de um armário embutido e está diante do quarto de empregada." Ora, imaginam os senhores construtores que a empregada doméstica, feito aspargo em lata, dorme em pé? E que, nas paredes do quarto, assim que ela se instalar, não vai também afixar uns pôsteres de Michael Jackson, Xuxa Meneghel e Paulo Ricardo? O tipo do detalhe que deixa o compartimento ainda mais exíguo.
E o quarto em questão continua num processo de encolhimento que faz lembrar a anã branca (a qual, por uma associação de ideias, faz lembrar Adelaide, a anã paraguaia).

Prossiga a leitura da crônica em Linha do Tempo.

28 novembro, 2010

O quarto de Ames

O truque, neste quadro, é que o quarto é realmente muito mais profundo e mais alto no lado esquerdo e, assim, faz o cara deste lado parecer pequeno. Enquanto o cara do lado direito, por estar mais à frente e no lado menor do quarto (que tem a forma trapezoidal), dá a impressão de ser enorme. No entanto, ambos apresentam o mesmo tamanho.
O quarto foi construído, pela primeira vez em 1946, pelo oftalmologista norte-americano Adelbert Ames Jr. Uma ressalva nesta ilusão de óptica é que ela só funciona se o espectador se colocar em um ponto específico.


Na Natureza, há um pássaro que explora esse tipo de truque para conquistar a fêmea. Ver isso em Perspective of a bird, Creature.Cast.

Vídeo

18 junho, 2007

A beldade e o ascensorista

Airton Soares, do Li por Aí, me enviou uma trova deveras interessante:

“Sorridente a bela artista
Ao entrar no elevador
Disse para o ascensorista:
Vamos pro quarto, senhor!”

É que o tal ascensorista, AS:
Tinha rezado 1/3 para encontrar 1/2 de levá-la a 1/4.
E, nesse sobe e desce que é a vida, ele está sendo atendido.
Um abraço. PG