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23 fevereiro, 2025

Estudantes de medicina compositores

por Paulo Gurgel Carlos da Silva, CREMEC 1405

1 Noel Rosa
Noel de Medeiros Rosa (1910 - 1937). Nascido no bairro carioca de Vila Isabel, foi um dos mais importantes artistas da música no Brasil. Morto prematuramente aos 26 anos em decorrência de tuberculose, deixou um conjunto de canções que se tornaram clássicas dentro do cancioneiro popular brasileiro ("Último desejo", "Com que roupa?", "Feitiço da Vila", "Pierrô apaixonado", "Conversa de botequim","O orvalho vem caindo" e outras). Noel também compôs um samba epistolar ("Cordiais Saudações"); outro, em que faz referência ao corpo humano ("Coração - Samba Anatômico") e escreveu uma carta em versos para seu médico ("Ao meu amigo Edgar").

"Cordiais Saudações"

Samba epistolar (1931) lançado por Sílvio Caldas na revista teatral "Mar de Rosas", e gravado por Noel que fez dois registros na Parlophon. O primeiro, que não foi lançado comercialmente por ter sido rejeitado pelo compositor. Adiante, Noel fez nova gravação, desta vez com o "Bando de Tangarás", que acabou indo para as lojas.

"Beijinhos no cachorrinho / Muitos abraços no passarinho / Um chute na empregada / Porque já se acabou meu carinho."

"Coração"

"De sambista brasileiro / Quando bate no pulmão / Traz a batida do pandeiro."
http://www.youtube.com/watch?v=dZg-yexpGVw
Gravado por Noel na Odeon, em 1932, disco 10931-B, matriz 4473, foi feito um ano antes, quando ele estudava Medicina, com um erro crasso. Ao afirmar: "Coração, grande órgão propulsor / Transformador do sangue venoso em arterial". Em 1955, Nélson Gonçalves o regravou com a letra corrigida para: "distribuidor do sangue venoso e arterial".
http://youtu.be/9-HT_JXHUVk (regravação)

"Ao meu amigo Edgar"

Em 27 de janeiro de 1935, Noel Rosa, doente (com tuberculose) em Belo Horizonte, enviou uma carta em versos a seu médico e amigo Edgar Graça Mello. Uma carta bem-humorada em que ele brincava e dizia que já estava melhor de saúde, mas que continuava com muito medo de tomar injeção. O original desta carta está nos arquivos que pertenceram ao pesquisador Almirante. Muito tempo após a morte de Noel, o sambista João Nogueira musicou-a, incluindo-a em seu LP "Vida boêmia" (EMI-Odeon, 1978).

Fonte: Songbook NOEL ROSA - Vol. 1, produzido por Almir Chediak.

"Já apresento melhoras pois levanto muito cedo
E deitar às nove horas pra mim já é um brinquedo
A injeção me tortura e muito medo me mete
Mas minha temperatura não passa de 37.

Nessas balanças mineiras de variados estilos
Trepei de varias maneiras e pesei 50 quilos
Deu resultado comum o meu exame de urina
Meu sangue noventa e um por cento de hemoglobina.

Creio que fiz muito mal em desprezar o cigarro
Pois não há material pro meu exame de escarro.
Até agora só isto para o bem dos meus pulmões

E nem brincando desisto de seguir as instruções.
Que o meu amigo Edgard arranque desse papel
O abraço que vai mandar o seu amigo Noel."

http://blogdopg.blogspot.com/2017/08/ao-meu-amigo-edgar.html

2 Belchior

Antonio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes(1946 - 2017), nascido em Sobral, no Ceará, foi compositor, cantor, escritor e artista plástico. Estudou Medicina na Universidade Federal do Ceará, mas abandonou o curso no quarto ano, em 1971, para dedicar-se à carreira artística. Entre seus maiores sucessos estão "Apenas um rapaz latino-Americano", "Como nossos pais", "Paralelas", "Mucuripe" (com Fagner), "Galos, noites e quintais"e "Divina Comédia Humana".

http://gurgel-carlos.blogspot.com/2025/02/encontros-com-belchior.html

3 Zé Ramalho

José Ramalho Neto (1949 -), cantor e compositor. Nascido em Brejo da Cruz, na Paraíba, estudou medicina na Universidade Federal da Paraíba, mas abandonou o curso no segundo ano, atraído pela carreira artística. É autor de "Avôhai", "Sinônimos", "Chão de giz", "Frevo Mulher" e outros sucessos musicais.

4 Tenório Jr.

Francisco Cerqueira Tenório Jr., pianista e arranjador Nascido em Laranjeiras, Rio de Janeiro, em 4 de julho de 1941. Cursou (mas não concluiu) a Faculdade Nacional de Medicina, enquanto se dedicava paralelamente ao estudo do piano. Em março de 1964, gravou o LP “Embalo” de 11 faixas, dentre as quais 5 eram autorais. Tocando nas sessões do "Little Club", Tenorinho, como era conhecido na época, foi um dos nomes catapultados pelo "Beco das Garrafas" (verdadeiro laboratório de experimentações instrumentais) para se tornar, nos anos 1970, um dos profissionais mais requisitados pelos artistas brasileiros (Leny Andrade, Wanda Sá, Chico Buarque, Edu Lobo, Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes, Gal Costa, Joyce, entre outros). Na noite de 18 de março de 1976, quando acompanhava numa turnê os artistas Vinicius de Moraes e Toquinho, o pianista desapareceu misteriosamente em Buenos Aires. Tinha sido sequestrado por agentes da repressão daquele país com o aval do Estado brasileiro (Operação Condor). Durante muitos anos, sua história foi envolta em incerteza, até que, 49 anos depois, a Polícia Técnica da Argentina relacionou suas impressões digitais com as de alguém que foi executado naquele período. Esta descoberta trouxe um alívio para os familiares de Tenório, que, finalmente, souberam o que realmente aconteceu com ele. Apesar de não ter qualquer envolvimento com movimentos políticos, confundido com outra pessoa, Tenório foi sequestrado, supliciado e morto. Ao morrer, deixou quatro filhos e a esposa Carmen Cerqueira, então grávida de oito meses. Na época, ele tinha 35 anos, e a quinta criança nasceu um mês depois. Logo após o sumiço de Tenório Jr. o cineasta Rogério Lima produziu o curta-metragem de 16 mm, "Balada para Tenório", em que relata o desaparecimento de Tenório Jr. e entrevista seus familiares e amigos. Toquinho dedicou-lhe a música “Lembranças” e Elis, em 1979, dedicou à ausência de Tenório seu LP “Essa mulher”. Em 2023, o cineasta espanhol Fernando Trueba lançou uma animação em longa-metragem intitulada “Dispararon al pianista” (Atiraram no pianista). Em 1.º de outubro de 2025, foi realizado um evento no Teatro do BNDES, que contou com apresentações de Gil, Caetano, Joyce e de músicos considerados expoentes do samba-jazz para celebrar a memória de Tenório Jr.

https://blogdopg.blogspot.com/2025/11/tenorio-jr.html

Médicos compositores do Brasil

por Paulo Gurgel Carlos da Silva

1 Zé Dantas

José de Sousa Dantas Filho (1921 - 1962), pernambucano de Carnaíba, médico obstetra e folclorista. Parceiro de Luiz Gonzaga em "Acauã", "Forró de Mané Vito", "Cintura fina", "Riacho do Navio", "A Volta da Asa Branca", "Xote das meninas", "Sabiá", entre outras canções.

2 Guimarães Rosa

João Guimarães Rosa (1908 – 1967), nascido em Cordisburgo, MG, médico, diplomata, poliglota e escritor. Uma de suas incursões em letras de música foi por intermédio de Dulce Nunes (o Nunes como sobrenome dela veio do marido, o pianista Bené Nunes), a compositora para quem Rosa entregou 15 letras e, logo depois, 4 foram musicadas por ela. O disco foi lançado em 1968 pela gravadora Philips, contando com as participações especiais de Nara Leão, Edu Lobo, Gracinha Leporace, Joyce e o conjunto vocal Momento Quatro, além de arranjos de Luiz Eça, Oscar Castro Neves, e de Egberto Gismonti, como arranjador e multi-instrumentista (violão e piano). A mais: as influências que são apontadas da obra (literária) de Guimarães Rosa sobre a obra (musical) de Tom Jobim, sobretudo em seus discos autorais “Matita Perê” (1973) e “Urubu” (1975).

3 Alberto Ribeiro

Alberto Ribeiro da Vinha (1902 - 1971), nascido no Rio de Janeiro. Compôs, em parceria com João de Barro, o "Braguinha", algumas das mais famosas marchas carnavalescas e juninas do Brasil. São de sua autoria: "Copacabana, princesinha do mar", "Yes, nós temos bananas", "Touradas em Madrid" e "Chiquita Bacana". Ele é nome de rua no Jardim Botânico, RJ.

4 Paulo Roberto (nome artístico)

José Marques Gomes (1903 – 1973), nascido em Minas Gerais. Médico obstetra, compositor e radialista. Autor de “Vagalumeando”, gravada por Elizeth Cardoso e outros intérpretes. Com intensa atuação pelo ressurgimento das bandas de música em todo o Brasil, a partir de seu programa radiofônico “Lyra de Xopotó”. Foi demitido da Rádio Nacional em 1964 por motivos políticos.

5 Joubert de Carvalho

Joubert Gontijo de Carvalho (1900 - 1977), mineiro de Uberaba. Seu primeiro grande sucesso foi a marchinha "Taí (Pra você gostar de mim)", gravada pela jovem Carmen Miranda, em 1930. Compôs também "Minha casa", "Pierrot", com Paschoal Carlos Magno, e "Maringá", que inspirou o nome da cidade paranaense.

6 Heitor Catunda

Heitor Catunda Gondim (1920 - 1992) nasceu em Fortaleza-CE. Concluiu sua graduação pela Faculdade de Medicina da Universidade de Recife-PE. Aprendiz de pintor, poeta e compositor, inscrito na Ordem dos Músicos do Brasil, seção do Ceará. Musicografia: “Canção da verdade” e “O estandarte da escola se perdeu”. Em 1980, classificou no Festival Credimus da Canção, realizado em Fortaleza, a canção "Esquece essa dor", que ele compôs em parceria com o violonista Aleardo Freitas, um dos criadores do balanceio, um ritmo genuinamente cearense. Heitor foi incluído no "Projeto Médicos Escritores Cearenses", organizado em 2024 por Marcelo Gurgel.

7 Airton Monte

Antonio Airton Machado Monte (1949 – 2012), nascido em Fortaleza-CE. Formado em medicina pela Universidade Federal do Ceará (UFC), teve como especialidade a psiquiatria. Iniciou a carreira literária na revista "O Saco", na qual publicou contos, e foi um dos fundadores do "Grupo Siriará de Literatura". Escreveu “O Grande pânico” (1979), “Memórias de botequim” (1979), “Homem não chora” (1981), "Alba Sanguínea" (1983), e “Moça com flor na boca” (2005). Este último livro foi adotado pelo vestibular da UFC. Participou também de coletâneas, dentre as quais o livro "Verdeversos", editado pelo Centro Médico Cearense (atual AMC), e foi membro da "Sociedade Brasileira de Médicos Escritores - Regional Ceará". Suas crônicas foram durante anos publicadas no jornal "O Povo". Na música, Airton Monte foi parceiro letrista de Joaquim Ernesto em “Amélia Decadente”, “Mal Pequeno”, “Two beers or not two beers” e “Uma canção a mais”; e de Paulo Gurgel, com quem compôs “Sabe quem dançou?” e “Angra de Desejos”, classificada no Festival Credimus da Canção de 1980; além de outros autores.

Canal “Música Terra da Luz” no YouTube: 1) Cais Bar, 10 anos; 2) Na beira do cais, 15 anos; e 3) Cais Bar: 18 anos de praia.

8 Paulo Vanzolini

Paulo Emílio Vanzolini (1924 - 2013) nasceu em São Paulo. Formado pela USP, com doutorado em Zoologia pela Universidade  Harvard, tornou-se médico em 1947. Seu primeiro LP: "11 Sambas e uma Capoeira". Em seguida, foi com "Ronda", "Volta por cima", "Samba erudito" e "Praça Clóvis" que este descendente de italianos firmou o nome na MPB.

9 Max Nunes

Max Newton Figueiredo Pereira Nunes (1922 - 2014), nascido no bairro de Vila Isabel, no Rio de Janeiro. Foi ator, escritor de humor e roteirista. Formado pela Faculdade Nacional de Medicina (hoje UFRJ), trabalhou como médico cardiologista até os anos 1980. Na Rádio Nacional criou o programa “Balança Mas Não Cai”, que ganhou versões para o cinema, o teatro e a TV. Compôs "Hino à Vida", com Vicente Paiva, e a marcha-rancho "Bandeira Branca", com Laércio Alves, que foi gravada por Dalva de Oliveira, Peri Ribeiro, Altemar Dutra, Martinho da Vila e outros intérpretes.

10 Aldir Blanc

Aldir Blanc Mendes (1946 - 2020), carioca do Estácio, médico psiquiatra. Com João Bosco, seu principal parceiro, compôs "O Bêbado e A Equilibrista", "Dois pra lá, dois pra cá", "Transversal do tempo", "Mestre-Sala dos Mares" etc. Foi colaborador de "O Pasquim", do jornal carioca "O Dia" e de "O Estado de São Paulo". Publicou alguns livros, dentre eles "Rua dos Artistas e arredores", “Brasil passado a sujo", "Vila Isabel" e "Inventário da infância".

11 Janduhy Finizola

Janduhy Finizola da Cunha (1931 - 2024), natural de Jardim do Seridó-RN. Publicou livros de poesia e compôs canções para grandes nomes do forró. Seu trabalho musical mais famoso é a trilha da "Missa do vaqueiro", solicitada por Luiz Gonzaga, que o apelidou de "Doutor do baião"

12 Capinam

José Carlos Capinam (1941), baiano de Entre Rios, é formado em artes cênicas, direito e medicina. Ligado ao Movimento Tropicalista, Capinam escreveu as letras de "Soy loco por ti, America", de Gilberto Gil, "Clarice", de Caetano Veloso, e "Gotham City", de Jards Macalé. Também compôs "Ponteio", com Edu Lobo, "Coração Imprudente", com Paulinho da Viola, "Moça Bonita", com Geraldo Azevedo, "Papel Marchê", com João Bosco e "Cidadão", com Moraes Moreira. É imortal da Academia de Letras da Bahia.

13 Drauzio Varella

Antônio Drauzio Varella (1943), nascido em São Paulo-SP é médico oncologista, escritor, divulgador de ciência (rádio, TV e internet). Também é um compositor de sambas e choros, mas atua nesse meio de forma amadora e em rodas de amigos. Diferente de um compositor profissional, ele não tem um "catálogo" de sucessos conhecidos pelo grande público. Suas composições são registradas principalmente em discos independentes e projetos pessoais. Para citar exemplos verificáveis de músicas compostas por ele: no álbum "Roda de Samba do Drauzio Varella" (2007), existem músicas de sua autoria, como: "Pressentimento" (Drauzio Varella e Carlão do Peruche); "Mais uma Vez" (Drauzio Varella e Carlão do Peruche); em outro projeto, "Banda Alameda" (onde ele toca violão), ele compôs a música "Choro da Alameda".

14 Dalto

Dalto Roberto Medeiros (1949), nascido na Tijuca, bairro do Rio de Janeiro. Médico anestesiologista, deixou o exercício da profissão médica para seguir a carreira de compositor/cantor, após o sucesso alcançado com a canção "Muito Estranho" (Cuida bem de mim). É também autor de "Anjo" e Espelhos d'Água". Continua compondo e fazendo shows.

15 Geraldo Bezerra

Geraldo Bezerra da Silva (1949), cearense de Jaguaribe, médico obstetra, escritor e pesquisador. Foi presidente da Sobrames, regional Ceará, tendo-me sucedido neste cargo. Autor de "Volta, Luiz" (com José Carlos e Zé de Manu) e "Verdade absoluta" (com José Carlos), título de um LP (de 2007) de José Carlos Albuquerque, lançado pelo selo “Nação Cariri Discos”.

16 Ricardo Augusto

Ricardo Augusto Rocha Pinto (1951), nascido em Caruaru-PE. Desenhista, escritor, compositor (pioneiro na cena do rock em Fortaleza) e médico formado pela UFC. Exerce a especialidade de gastroenterologista. Ele fez parte do grupo Santo Graal no Rio de Janeiro e, de forma independente, lançou dois LPs em Fortaleza, com suas composições - "Fotografia" (1988) e "Vidro e Aço" (1991), o 2.º com a cantora Aparecida Silvino interpretando suas composições (Mona Gadelha, in "Perfume Azul", Col. Estante Ceará)

17 Iso Fischer

Luiz Alberto Fischer Abramides (1952), nascido em Penápolis-SP e com formação em medicina na USP. Compositor, instrumentista (piano) e médico homeopata. Autor de “Horizontes”, “Isso e Aquilo” e “Origami”. Em 2000, montou com Etel Frota, o espetáculo “Alphonsus de Guimaraens, o poeta da Lua”, para o qual compôs 16 canções, a partir de textos do poeta simbolista.

18 Antonio José

Antonio José Mendes Forte, nasceu no Ceará. Pianista com formação erudita, compositor  e médico graduado pela UFC. Autor de “Rochedo azul”, “Conversa de Pinguim” (há uma história sobre o curioso batismo desta música) e “Euforia”, no CD instrumental que gravou em 2004 com o violonista Nonato Luís. https://discografia.discosdobrasil.com.br/discos/nonato-luiz-antonio-jose-forte

19 Xico Barreto

1998, álbum "Do litoral pro sertão" (CD)
Parceiros: Joaquim Ernesto (irmão de Chico Barreto e proprietário do reduto boêmio-cultural “Cais Bar” da Praia de Iracema, na época do CD), Tarcísio Sardinha e Pardal.

21 abril, 2024

Adoniran e Peteleco

O compositor paulista João Rubinato tinha o nome artístico de Adoniran Barbosa, que surgiu a partir do aproveitamento do nome Adoniran, do amigo Adoniran Alves, colega de boemia, e Barbosa, do cantor e compositor Luiz Barbosa, o pai do samba de breque. E, na rádio Record, o radioator Rubinato fazia sucesso interpretando o Charutinho, um personagem do programa "Histórias das Malocas, que Osvaldo Moles criou especialmente para ele.
Como Adoniran Barbosa, ele compôs "Trem das Onze", "Saudosa Maloca", "Tiro ao Álvaro", "Iracema", "Samba do Arnesto", "Bom dia, Tristeza" e outras canções de sucesso. E, como Charutinho, ele gravou algumas marchinhas despretensiosas, tais como "Deus te abençõe" (de Adoniran e Peteleco), "Onde vai, leão?" (de Peteleco), "No morro do piolho" (de Jacob de Brito, Carlos Silva e Peteleco) e "Olha a polícia" (de Arlindo Pinto e Peteleco).


Na vida real, ele gostava de levar aos locais que frequentava o seu cãozinho de estimação, o Peteleco, ao qual chegou a transferir a autoria de algumas de suas músicas.
Uma delas, porém, resultou em imbróglio. Foi o samba "Mãe, eu juro" ("Mãe, eu juro / pela luz que me alumia / se eu continuar com ele / não me chamo mais Maria."), de Peteleco (sic) em parceria com (Mario de Souza) Marques Filho, que era como Noite Ilustrada assinava suas músicas.
Noite convidou Adoniran para terminar o samba, que aceitou. Mas, ao registrar a canção, colocou o  nome de Peteleco. E os dois sambistas nunca mais se falaram.
https://youtu.be/m2K93abWsO4
https://youtu.be/Hy6Umc5dKXY
https://youtu.be/Cd0kCE-1fsw
https://youtu.be/orvbvQvstqE
https://youtu.be/qhm4DBJED0I
Na entrada do Bar Brahma, na esquina da Ipiranga com a São João, em São Paulo, há uma estátua de Adoniran Barbosa com outra de seu inseparável Peteleco.

https://gurgel-carlos.blogspot.com/2023/06/sao-paulo-segunda-parte.html

02 outubro, 2022

John Williams saúda os grandes compositores do cinema

Um medley de clipes de trilhas sonoras (22) dos grandes compositores do cinema pela Boston Pops Orchestra (2002). 

Arranjos e regência de John Williams.


O mais épico sobre isto é o quanto destas músicas ele mesmo escreveu, o quão merecedor ele é de que houvesse incluído sua própria música, e o quão modesto ele foi por não incluir, à exceção de Star Wars, Jaws e ET, outras de suas obras que absolutamente poderiam ter sido. E a forma como os clipes melódicos foram usados ​​neste medley é algo realmente admirável. Com transições perfeitas, especialmente ao ir direto de Psycho para Jaws É como uma composição inteira contando uma história tecida com um único fio!

22 março, 2020

"... ma non troppo"

É possível ser um bom compositor sem ser um bom instrumentista ou vice-versa?
Responde Elio Pastore, em Quora:
George Gershwin, autor de Rhapsody in Blue, foi um dos mais importantes compositores dos EUA no século XX. Entretanto, tinha uma maneira incomum de tocar piano, que lembrava a sonoridade de uma pianola.
Irving Berlin, que foi outro grande nome da música estadunidense, era reconhecidamente limitado: só sabia tocar uma música em uma tonalidade. Ele contornava essa limitação, usando um piano especial com teclado transpositor. No vídeo abaixo, ele próprio demonstra o funcionamento desse sistema.



DICAS DO BLOG EM

O teclado transpositor
Mecanismo de alguns órgãos do período Barroco e, posteriormente, de certos pianos. Facultava ao músico tocar a música em mais de uma tonalidade, transpondo-a sem que houvesse necessidade de alterar o dedilhado.
O capotraste
No violão, o capotraste cumpre a mesma função da pestana de apertar simultaneamente  todas ou várias cordas do violão em uma determinada casa. Deem uma olhada na imagem abaixo, onde um capotraste faz a pestana na segunda casa do braço do violão:


Utilizando o capotraste, você pode subir a tonalidade da música como se a estivesse tocando com as cordas soltas, ou seja, sem modificar os modelos dos acordes utilizados. Isso, sem dúvida, torna mais fácil a vida de muitos violonistas e ajuda a explicar por que este acessório é popular entre os iniciantes. Para subir a tonalidade da música de meio em meio tom utilizando o capotraste, basta colocá-lo na primeira casa, depois na segunda, na terceira, e assim por diante.