Em 1903, foi para São Paulo estudar arquitetura na Escola Politécnica. No ano seguinte, aos 18, largou o curso. Estava com tuberculose.
Passou os anos seguintes de cidade em cidade, atrás de ar bom para os pulmões: Campanha, em Minas Gerais, Teresópolis e Petrópolis no Rio de Janeiro. Em 1913, o pai juntou as economias da família e o mandou para um sanatório em Clavadel, na Suíça. Ficou lá mais de um ano. Um dos companheiros de sanatório era o poeta francês Paul Éluard.
Foi em Clavadel que ouviu do médico uma frase que ele contaria muitos anos depois: "O senhor tem lesões teoricamente incompatíveis com a vida, mas nenhum sintoma alarmante." O médico arriscou um prazo. Cinco, dez, quinze anos... Bandeira tinha 28 anos.
Voltou para o Brasil sem saber quanto tempo tinha. Em 1917, publicou o primeiro livro, "A Cinza das Horas", numa edição de 200 exemplares custeada por ele mesmo. Nos anos seguintes, perdeu a mãe e a irmã. Mesmo assim, o segundo livro, "Carnaval", saiu em 1919. "O Ritmo Dissoluto", em 1924; Libertinagem, em 1930, que contém o poema "Vou-me embora pra Pasárgada"; "Estrela da Manhã, em 1936, e outras obras autorais e antologias.
Doente dos pulmões, Bandeira sabia dos riscos que corria diariamente e a perspectiva de deixar de existir, a qualquer momento, é uma constante em sua obra. Numa entrevista, já perto do fim da vida, resumiu esse tempo numa frase: "Durante muitos anos vivi provisoriamente."
E conseguiu rir disso. Num dos poemas mais conhecidos dele, "Pneumotórax", um paciente descreve ao médico uma lista de sintomas. A única recomendação que recebe é tocar um tango argentino.
O prazo de Clavadel passou. Depois passou outra vez.
Bandeira virou um dos poetas que abriram caminho para o Modernismo no Brasil — era chamado de "São João Batista do Modernismo". Em 1938, começou a dar aulas de literatura no Colégio Pedro II, no Rio. Em 1940, foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras. Em 1954, contou a própria vida num livro de memórias, "Itinerário de Pasárgada".
Morreu no Rio de Janeiro, em 13 de outubro de 1968, aos 82 anos. Não da tuberculose. [2]
E conseguiu rir disso. Num dos poemas mais conhecidos dele, "Pneumotórax", um paciente descreve ao médico uma lista de sintomas. A única recomendação que recebe é tocar um tango argentino.
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Bandeira virou um dos poetas que abriram caminho para o Modernismo no Brasil — era chamado de "São João Batista do Modernismo". Em 1938, começou a dar aulas de literatura no Colégio Pedro II, no Rio. Em 1940, foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras. Em 1954, contou a própria vida num livro de memórias, "Itinerário de Pasárgada".
Morreu no Rio de Janeiro, em 13 de outubro de 1968, aos 82 anos. Não da tuberculose. [2]
[1] Algumas implicações literárias da tuberculose no Brasil
[2] De anemia aguda causada por hemorragia proveniente de úlcera gástrica. Ler: A morte de Manuel Bandeira, uma carta do médico e escritor Pedro Nava para Joanita van Ittersum.

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