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07 junho, 2026

A Cachoeira Humana de 1933

Voltemos 93 anos (poderíamos até chamar de um século), quando o filme "Footlight Parade" foi lançado nos EUA. Embora o enredo não tenha nada de extraordinário (um produtor em dificuldades interpretado por James Cagney, em conflito com o mundo), este filme apresentava uma sequência de nado sincronizado, ao estilo de Busby Berkeley, simplesmente incrível.


Uma nota sobre o elenco:
Dorothy Lamour, que inspirou Petrúcio Maia e Fausto Nilo à canção homônima (ft. Ednardo), estava entre as muitas coristas do filme. Foi a estreia de Lamour no cinema.

02 março, 2025

Miche Fambro

Mick ("Miche") Fambro nasceu e foi criado em West Philly. Quando criança, ele se apaixonou por um violão pendurado na vitrine de uma loja de penhores e convenceu sua avó a comprá-lo para ele (bem - para seu irmão, na verdade - mas essa é outra história...). Poucos meses depois, ele se viu matriculado em um programa de música de verão. O professor entrou, olhou para o pequeno Mick e disse: "Bem, primeiro - você tem que virar essa coisa." Como canhoto, Mick tinha apenas virado o violão sem se preocupar em recolocar as cordas e aprendeu sozinho algumas músicas antes do início das aulas. Diante da insistência de que ele recomeçasse e aprendesse do jeito "certo", Mick foi embora e nunca mais teve outra aula. Isso se tornou o padrão de sua vida.

1 - "Summertime" (de George Gershwin)
2 - "Black Orpheus" (versão em inglês de "Manhã de Carnaval", composta pelos brasileiros Luiz Bonfá e Antonio Maria, uma das canções da trilha sonora de "Orfeu Negro", filme franco-brasileiro de 1959)

Canhotos do violão
O mais célebre deles no Brasil foi Américo Jacomino (1887-1928), o "Canhoto". Filho de imigrantes italianos, aprendeu música com Ernesto, o irmão mais velho, e foi um dos responsáveis pelo "enobrecimento" do violão no Brasil. É dele a valsa "Abismo de Rosas", peça obrigatória dos maiores violonistas brasileiros, de Dilermando Reis a Baden Powell.
Outro deles foi Francisco Soares de Araújo (1926-2008), o "Canhoto da Paraíba". Tocava o violão invertendo apenas o instrumento (sem inverter as cordas), pois precisava compartilhá-lo com outros irmãos que eram destros. Tive a inesquecível oportunidade de ouvi-lo tocar, durante horas, numa das mesas do Santiago Drinks, em Fortaleza.
O que um canhoto deve fazer ao iniciar-se no violão: inverter o instrumento ou o encordoamento? Há uma nota na internet, postada por ArtMaia Music, que discute as duas opções.

E sobre os canhotos da guitarra?
Jimi Hendrix, Paul MacCartney, Eric Clapton ...

14 janeiro, 2025

Trocadilhos melódicos

Na "Missa: Uma Peça Teatral para Cantores, Músicos e Dançarinos", de Leonard Bernstein, em que a frase "me and my soul" é cantada repetidamente, as palavras "me" e "soul" são cantadas com as notas mi e sol.

Na canção "Sodomy", do musical de rock "Hair", de 1967, a palavra "sodomy" (sodomia) é cantada com as notas sol, do e mi.

De Dave Morice, O Dicionário de Jogo de Palavras, 2001. Via Futility Closet

24 abril, 2022

Flores do cerrado

1 - "Flor do cerrado" (Waldir Azevedo)
Chorinho
Brenna Freire e regional (instrumental)

2 - "Flor do cerrado" (Caetano Veloso)
E da próxima vez que eu for a Brasília / Eu trago uma flor do cerrado pra você.
Gal Costa e Dominguinhos

3 - "Flores do cerrado" (Alceu Valença)
É preciso ter cuidado / pra não morrer de saudade. / Colher flores no cerrado / não ligar pra vaidade.
Da trilha sonora de "A luneta do tempo", filme dirigido por Alceu Valença.

13 março, 2022

Da goiaba à goiabada

Um frevo, um samba e uma marcha-rancho:


1 - "Boca de Goiaba" com o Choro das 3. Aqui, o vídeo do show de lançamento do CD "Boca de Goiaba", em São Paulo, em que o Choro das 3 executa o frevo (que dá nome ao disco) com uma mini-orquestra de frevo.

2 - "Goiabada Cascão" (Wilson Moreira / Nei Lopes) com Beth Carvalho e Fundo de Quintal, no Samba na Gamboa. "Goiabada cascão em caixa / É coisa fina, sinhá / Que ninguém mais acha."

3 - "Rancho da Goiabada" (João Bosco / Aldir Blanc) com Elis Regina. "É goiabada cascão / Com muito queijo / Depois café, cigarro e um beijo / De uma mulata chamada Leonor / Ou Dagmar."

14 julho, 2021

A música conforme a idade

"Saxofone, ô Satanás, me intoxica com teu gás
O lado bom do coração que nos separa dos metais."
(Severino Araújo e Fausto Nilo)

O saxofonista Kevin Miller toca sua música favorita, conforme o ano de sua vida, dos 8 anos de idade até o presente. 
Ele utiliza-se de cinco instrumentos da grande família do saxofone.



Ao contrário de outros instrumentos tradicionais, que para chegar a seus formatos atuais evoluíram de instrumentos mais antigos, dos quais muitas vezes não se conhece o inventor, o saxofone foi um instrumento deliberadamente inventado. Seu inventor foi o belga Antoine Joseph Sax, mais conhecido pela alcunha de Adolphe Sax. Filho de um fabricante de instrumentos musicais, Adolphe Sax aos 25 anos foi morar em Paris, onde começou a trabalhar no projeto de novos instrumentos. Ao adaptar uma boquilha semelhante à do clarinete a um oficleide, Sax encontrou como criar o saxofone. A data exata da criação do instrumento foi em 28 de junho de 1841.
. . .
E, quando ele foi puxado, quase afogado de um rio, sua mãe disse: "Ele é uma criança condenada ao infortúnio; não viverá!". Mas ele sobreviveu até 79 anos. 

26 maio, 2019

A evolução do violão brasileiro em dez músicas

por Marcos Kaiser

(1917 - 1999)
1917 - Marcha dos Marinheiros ~ Américo Jacomino (Canhoto)
1920 - Choro nº 1 ~ Heitor Villa-Lobos
1926 - Sons de Carrilhões ~ João Pernambuco
1941 - Magoado ~ Dilermando Reis
1945 - Gente Humilde ~ Aníbal Sardinha (Garoto)
1959 - Manhã de Carnaval ~ Luiz Bonfá
1960 - Bachianinha nº 1 ~ Paulinho Nogueira
1963 - O Astronauta ~ Baden Powell
1988 - Bate-Coxa ~ Marcos Pereira
1999 - Di Menor ~ Guinga

19 abril, 2019

Bacalhau c/ espinha

Estou aproveitando a Semana Santa para atualizar meus conhecimentos.
Aprendi, por exemplo, que o bacalhau não é uma espécie de peixe, e sim peixes de várias espécies que pertencem a vários gêneros e famílias. O dito "original" ou "verdadeiro" é o Gadus morhua, que habita as águas frias do Oceano Atlântico. Mas só na família Gadidae há cerca de 60 espécies.
Na verdade, todo peixe que passa por um processo de salga para ser conservado por muito tempo para o consumo humano é considerado um bacalhau. Como o pirarucu (Arapaima gigas), o bacalhau da Amazônia.
Minha vida foi uma mentira.

Bônus - Espinha de bacalhau
1 - Orquestra Tabajara [https://youtu.be/7lbSmThcQ9E]
2 - Fabiano Chagas (guitarra) [https://youtu.be/dPv1dgmdjdg] c/ improviso
3 - Sandrinho Higino (guitarra) [https://youtu.be/Q2F8YkwPU_A], ostensivamente em frevo
4 - Zé do Norte (sanfona) c/ Regional Rádio FM Universitária em Fortaleza [https://youtu.be/baSDCycEt9Q]
5 - Ney e Gal [https://youtu.be/QfLLeDJSnSo] c/ letra de Fausto Nilo
O choro clássico do maestro Severino Araújo, tocado por ele à frente de sua Orquestra Tabajara. Foi lançado em disco de 78 rpm pela Continental, em maio de 1945. O cearense Fausto Nilo, muito tempo depois, escreveria a letra de Espinha de Bacalhau (que nada ficou a dever à qualidade da música). E essa versão - com letra - foi gravada pela primeira vez, em 1981, por Ney Matogrosso e Gal Costa, em dueto.

Saxofone, ô Satanás, me intoxica com teu gás
O lado bom do coração que nos separa dos metais.
Se a vida é cara, gigolô, só meu amor conhece a cor
Das harmonias da Orquestra Tabajara...

O roedor gigante que tem gosto de peixe e outras obscuras delícias da Quaresma

23 dezembro, 2018

Cruzando a faixa

Animando a imagem da capa do álbum Abbey Road de 1969, Pierre Gombaud fez um vídeo dos Beatles cruzando a faixa de pedestres mais icônica da história. Mas isso é apenas o começo! Assim que os Fab Four chegam ao outro lado da Abbey Road (cruzando-a de um modo meio estranho), eles entram em seu período psicodélico.
As músicas utilizadas no vídeo são "Two-Finger Chord and Whistle" (Acordes de Dois Dedos e Assovio), de Paul McCartney, e "Tomorrow Never Knows", dos Beatles.



N. do E.
Registro aqui (01:00 - 01:04) um personagem andando no contrafluxo, saído ao que parece do esquete "O Ministério das Caminhadas Bobas", do grupo Monty Python.

ABBEY ROAD: slideshows 1 e 2

27 maio, 2018

LAS CUERDAS BREÑENSES. Músicas de filmes

JINETES EN EL CIELO (1)
LO BUENO,LO MALO Y LO FEO (2)
CAMINO A SAN FRANCISCO (3)
POPCORN (4)


GRAVADO EN LAS BREÑAS, CHACO, ARGENTINA

(1) "Riders in the sky" ("Cavaleiros do céu", no Brasil). O autor é Stan Jones, bombeiro florestal do Vale da Morte, que se inspirou a escrever a letra desta canção (1948) numa lembrança da infância. Um vaqueiro lhe contou que, nas noites tempestuosas, podia-se ver no céu uma movimentação de vacas do inferno conduzidas por cavaleiros fantasmas. Quanto à música da canção, tem uma longa história de plágios que inclui a "When Johnny comes marching house", uma canção do século 19 com a letra composta pelo irlandês Patrick Gilmour.
https://www.taringa.net/comunidades/taringamexico/7086637/Jinetes-en-el-Cielo-la-historia-detras-del-mito.html
(2) "O bom, o mau e o feio", do italiano Ennio Morricone. A música tema do filme "Três homens em conflito".
https://blogdopg.blogspot.com.br/2015/02/o-bom-o-mau-e-o-feio.html
(3) O autor de "Camino a San Francisco" é Hugo "Chichín" Coimbra Gutiérrez, de Santa Cruz de la Sierra, Bolivia.
http://www.bolivia.com/noticias/autonoticias/DetalleNoticia9319.asp
http://www.diarionorte.com/article/7170/las-cuerdas-brenenses-reconocidas-por-el-autor-de-camino-a-san-francisco
(4) "Popcorn" ("Palomitas de maiz", na Argentina). É uma música instrumental (pop, pop, pop, pop / pop, pop, pop, pop) composta em 1969 por Gershon Kingsley, que ficou famosa na década de 1970. Diz-se que um jovem ficou autista depois de escutá-la numa gravação de dez horas (rsrsrsrs).
A versão original: https://www.youtube.com/watch?v=NjxNnqTcHhg

04 maio, 2018

ABBA, 35 anos depois

O ABBA, lendária banda sueca de música pop, anunciou que vai lançar novas músicas pela primeira vez em 35 anos.
Publicando uma declaração em sua conta oficial no Instagram, a banda escreveu:
A decisão de seguir em frente com o emocionante projeto da turnê de avatar do ABBA teve uma consequência inesperada. Todos nós sentimos que, depois de 35 anos, seria divertido juntar forças e entrar no estúdio de gravação. Então nós fizemos. E foi como se o tempo tivesse parado e que tivéssemos saído apenas de curtas férias. Uma experiência extremamente alegre!
A declaração continuou:
Isso resultou em duas novas músicas, e uma delas 'Eu ainda tenho fé em você' será realizada por nossos "eus digitais" em um especial de TV produzido pela NBC e pela BBC com o objetivo de transmitir em dezembro. Podemos ter amadurecido, mas a música é nova. E isso é bom.
Assinam:
Agnetha, Benny, Bjorn e Anni-Frid
Estocolmo, Suécia, 27 de abril de 2018
Os "Abbatars" virtuais estão sendo criados para representar os quatro membros do grupo pop na próxima turnê digital, prevista para 2019 ou 2020.
O ABBA vendeu mais de 400 milhões de álbuns em suas carreiras e teve nove hits nº. 1 no Reino Unido, entre 1974 e 1980. No entanto, eles não atuavam juntos desde 1986, salvo uma breve aparição em uma festa privada em 2016.



Meu álbum ABBA:
S.O.S. | Gimme! Gimme! Gimme! | The winner takes it all | Fernando | Mamma Mia | Dancing Queen

14 março, 2018

Pi na justiça

A história começa no Pi Day, o Dia do Pi (14 de março, ou 3,14) em 2011. Quando o New Scientist postou um vídeo de um músico chamado Michael John Blake com uma renderização das primeiras 31 casas decimais do pi, tocada a um ritmo de 157 batimentos por minuto (314 dividido por dois).
O vídeo tornou-se imediatamente viral, mas algumas horas depois o YouTube foi contatado por um advogado que representava o músico de jazz Lars Erickson.
Lars alegou que o trabalho de Blake soava muito parecido com sua composição de 1992, Pi Symphony, que ele havia registrado no US Copyright Office.
Pressionado pela reivindicação de violação de direitos autorais, o YouTube removeu o vídeo. Mas Blake decidiu tocar em frente sua criação.
Um ano depois, em 14 de março deste ano, um juiz nos EUA, Michael H. Simon, propositalmente escolhendo o Pi Day para anunciar sua decisão, rejeitou a alegação de Erickson de violação de direitos autorais.
"Pi é um fato não protegido por direitos autorais, e a transcrição de pi para a música é uma ideia não protegida por direitos autorais", escreveu Simon em sua opinião jurídica.
Então, agora, sem medo de acusação, aqui estão os primeiros 31 dígitos de Pi na versão musical de Blake.



Fonte: http://pballew.blogspot.com.br/2017/03/on-this-day-in-math-march-14.html#links

26 dezembro, 2017

Perspectivas

O artista Markus Raetz ergueu esta placa na Rue du Rhône (na Place de la Fusterie) no centro de Genebra. O que diz depende de onde você está.


O que fazer hoje
Dia propício para acessar no YouTube:
 Sim ou Não, de Djavan
 Sim/Não, de Caetano Veloso

17 outubro, 2017

Homenagem a Chiquinha Gonzaga (1847—1935)


Maior personalidade feminina da história da música popular brasileira, nascia no dia 17 de outubro de 1847, Francisca Edwiges Neves Gonzaga, mais conhecida como Chiquinha Gonzaga, primeira maestrina e autora da primeira canção carnavalesca. Natural da cidade do Rio de Janeiro, ela também foi a primeira pianista de choro, introdutora da música popular nos salões elegantes e fundadora da primeira sociedade protetora dos direitos autorais. Casou-se aos 16 anos, com um oficial da Marinha Mercante escolhido pelos pais. Poucos depois, abandonou o marido por um engenheiro de estradas de ferro, de quem também logo se separou. A estreia como compositora aconteceu em 1877, com a polca "Atraente" (no vídeo abaixo, sendo tocada pelo grupo "As  Choronas"). Sofreu muito preconceito na época por desafiar os padrões vigentes. Também foi participante do movimento pela abolição da escravatura, vendendo suas partituras para obter fundos para a Confederação Libertadora. Com o dinheiro arrecadado, comprou a alforria de José Flauta, um escravo músico. Chiquinha Gonzaga ainda participou da campanha republicana e de todas as grandes causas sociais do seu tempo. Já era consagrada quando compôs, em 1899, a primeira marcha-rancho, "Ó Abre Alas", verdadeiro hino do carnaval brasileiro. Na primeira década deste século esteve algumas vezes na Europa, fixando residência em Lisboa por três anos. Sua obra reúne dezenas de partituras para peças teatrais e centenas de músicas nos mais variados gêneros: polca, tango brasileiro, valsa, habanera, schottisch, mazurca e modinha. Chiquinha Gonzaga faleceu aos 87 anos de idade, no dia 28 de fevereiro de 1935, no Rio de Janeiro. No Passeio Público (RJ), há uma herma em sua homenagem, obra do escultor Honório Peçanha.
Hoje na História (exceto grifos)



 As mulheres na música popular brasileira

Ler também: Biografia de Chiquinha Gonzaga, no Portal São Francisco

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17 de outubro de 2018 - Atualizando ...
Chiquinha Gonzaga’s 171st Birthday - Doodle
https://www.google.com/doodles/chiquinha-gonzagas-171st-birthday

26 fevereiro, 2017

Antônio Nássara

Carioca e filho de libaneses, Antônio Gabriel Nássara (1910 - 1996) foi desenhista, caricaturista e compositor.
Na década de 1950, Nássara ajudou o jornalista Samuel Wainer a fundar o jornal "Última Hora", no qual manteve uma página dupla e em cores com a crônica do cotidiano do Rio de Janeiro. Em 1974, passou a colaborar com o jornal de humor "O Pasquim". Nesse momento, iniciava-se a segunda fase de sua carreira, em que foi descoberto e admirado por uma geração de caricaturistas mais novos. Permaneceu ali até 1983, com o mesmo humor afiado e traço econômico e certeiro dos primeiros tempos. Segundo o chargista Jaguar (1932), ele fazia "logotipos" das pessoas que retratava.
As charges e caricaturas de Nássara se caracterizam pelas linhas econômicas e formas geometrizadas, em que tudo é redutível a esferas, cones, ovoides combinados entre si. Como notou Millôr Fernandes, Nássara é o "Mondrian do portrait-charge, corrige a natureza fazendo com que as personagens acabem se parecendo com a caricatura". Há em seus desenhos um trabalho de abstração do real, sem que se perca a fisionomia do caricaturado. No entanto, não há interesse pelo exame psicológico dos personagens.
Como compositor, Nássara foi letrista de diversas canções, sobretudo marchinhas de carnaval. Como "Formosa" (com J. Ruy), seu primeiro sucesso (de 1932), "Retiro da saudade" (com Noel Rosa), gravada por Francisco Alves e Carmen Miranda em 1934, a antológica "Alá-lá-ô" (com Haroldo Lobo), "Florisbela" (com Frazão), , "Mundo de zinco" (com Wilson Batista), "Meu consolo é você" (com Roberto Martins), o grande hit "Balzaquiana", que ganhou uma versão para o francês de Michel Simon, e outras.
Em 1956, Nássara criou a capa do disco "Polêmica", da Odeon, dedicado à famosa "briga" entre Noel Rosa e Wilson Batista. Um fato interessante é que ele foi parceiro dos dois compositores daquela polêmica. Como de muitos outros grandes autores da MPB, aliás.


Fonte: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa3203/nassara

Musicograma


15 fevereiro, 2017

POLÊMICA. Noel Rosa x Wilson Batista

O Instituto Moreira Salles realizou, no dia 11 de setembro de 2012, o show Polêmica Noel Rosa x Wilson Batista por Monarco e Nelson Sargento, no qual os sambistas interpretaram as nove canções do "duelo musical" entre os dois compositores (LP Odeon, 1956), acompanhados de Paulão 7 Cordas (direção musical, arranjos e violão), Alessandro Cardozo (cavaquinho), Vitor Mota (flauta e sax) e Netinho Albuquerque (pandeiro).
O jornalista João Máximo participou da apresentação contando as histórias das canções do disco.

Vídeo do Show do IMS


Lenço no pescoço (Wilson, 1933)
Rapaz folgado (Noel, 1933)
Mocinho da Vila (Wilson, 1934)
Feitiço da Vila (Noel, 1934)
Conversa fiada (Wilson, 1935)
Palpite infeliz (Noel, 1935)
Frankenstein da Vila (Wilson, 1936)
João Ninguém (Noel, 1936) [1]
Terra de cego (Wilson, 1936) [2]

[1] Esta faixa foi inserida no disco da Odeon sem ter de fato entrado na polêmica.
[2] Inimigos para sempre? Que nada. A tal "briga" terminou em parceria – em uma mesa de bar, claro. "Eles se encontraram por acaso num botequim e aí o Noel pediu para o Wilson cantar Terra de Cego. Ali mesmo, Noel fez uma nova letra. Eles fizeram uma parceria e mudaram o foco da polêmica", conta Rodrigo Alzuguir. Sobrou para a moça pivô do triângulo: "Deixa de ser convencida/ Todos sabem qual é/ Teu velho modo de vida".

Leituras recomendadas
Wilson Baptista e sua obra vão muito além da rinha com Noel por Vítor Nuzzi. In: Rede Brasil Atual
Polêmica!! - por Rodrigo Alzuguir. In: BlogIMS

14 janeiro, 2017

Ache a música

Gosta de ouvir músicas na internet? Então, conheça o MusicSmasher.
Instruções
Via TudoPorEmail
É muito simples. Embora esteja em língua inglesa, o site tem uma interface muito limpa e simples em que qualquer um pode navegar. Basta clicar no campo branco de busca, logo abaixo de "Find Any Song" (Ache Qualquer Música), e apertar a tecla Enter do teclado.
Você pode procurar por músicas e por artistas nacionais e internacionais. MusicSmasher é tão bom que você certamente vai querer adicioná-los em seus favoritos para ouvir músicas em poucos cliques.
O site faz uma busca por diversos serviços de música e sites, como o SoundCloud e o bom e conhecido YouTube.
Dica de Jaime Nogueira

26 junho, 2016

Um "mashup" de músicas clássicas

Grant Woolard reuniu neste delicioso vídeo 57 passagens musicais de peças de 33 compositores de música erudita. Há músicas que parecem díspares, mas que soam absolutamente harmoniosas quando tocadas ao mesmo tempo.


27 dezembro, 2015

Os fox-trots de Noel Rosa

por Laura Macedo
(postado em 02/08/15 no Portal LN)
Pesquisando a obra do grande Poeta da Vila - Noel Rosa - encontramos no universo, predominantemente sambístico, quatro "fox-trots" pouco divulgados, mas bastante interessantes, os quais compartilho com vocês.
Você só... mente (Noel Rosa/Helio Rosa) # Francisco Alves e Aurora Miranda. Disco Odeon (11043-A) / Matriz (4691). Gravação (5/7/1933) / Lançamento (agosto/1933).
Julieta (Noel Rosa/Eratóstenes Frazão) # Castro Barbosa e Orquestra Odeon. Disco Odeon (11063-B) / Matriz (4703). Gravação (3/8/1933) / Lançamento (outubro/1933).
Estátua da paciência (Noel Rosa/Jerônimo Cabral) # Carlos Didier (voz) / Netinho (clarinete) / Luiz Carlos Marques (violino) / Zênio (tuba). Conjunto Coisas Nossas: Aluísio Didier (piano) / Carlos Didier (violão) / Henrique Cazes (banjo) / Beto Cazes (lápis no dente) / Oscar Bolão (bateria) / Aluísio Didier (arranjo/regência). Disco Eldorado (78.83.0408-B), 1983. (OBS: Partitura manuscrita pertencente ao Arquivo Almirante).

Seu telegrama diz:
"Regressarei brevemente"
Mas o seu trem fatalmente
Chegar não quis
Não entendi por que
O trem não traz pra cidade
A minha felicidade
Que é você
A quem acabar com a raça dos trens
Além dos meus parabéns
Eu darei como prêmio de consolação
O relógio e o prédio da estação
Eu sou na estação
A estátua da paciência
E acabei sendo agência
De informação
Sei os itinerários
Já decorei os horários
O nome dos maquinistas
E dos foguistas
Seu telegrama diz:
"Regressei brevemente"
Mas o seu trem fatalmente
Chegar não quis
Não entendi, querida,
Porque seu trem não regressa
Amenizando depressa
A minha vida
Perdoa este pecador [Da opereta ‘A noiva do condutor’] (Noel Rosa/Arnold Glückmann) # Carlos Didier (voz) / Aluísio Didier (piano) / Zeca Assumpção (contrabaixo) / Dazinho (sax-alto) / Netinho (clarinete) / Luiz Carlos Marques (violino). Henrique Cazes (banjo) / Beto Cazes (templeblock) / Oscar Bolão (bateria) / Aluísio Didier (arranjo/regência). Disco Eldorado (106.86.0447B), novembro/1985.

Comentário de Paulo Gurgel:
Excelente pesquisa, Laura.
"Estátua da Paciência" é mais uma das muitas provas da grande espirituosidade de Noel Rosa.
Envio-lhe uma contribuição:
Em "Não tem tradução", que não é um fox-trot, o Poeta da Vila também fez uma referência ("mais tarde o malandro deixou de sambar, dando pinote / e só queria dançar o fox-trot") a este gênero de música e dança.
Comentário de Laura Macedo:
Paulo,
O nosso querido Poeta da Vila - Noel Rosa - ainda hoje nos surpreende. Eu achava que ele era autor de apenas dois fox-trots. Pesquisando como mais tempo descobri os outros dois.
Adorei sua contribuição! Gosto muito de "Não tem tradução", do Noel Rosa. A título de informação "por contrato com a gravadora Odeon, erroneamente consta no selo do disco original, os nomes de Francisco Alves e Ismael Silva como co-autores".

05 janeiro, 2015

Músicas silenciosas

O 4'33", de John Cage, é comumente descrito como quatro minutos e meio de silêncio. Mas, na verdade, não é isso. Cage esperava levar o público a ouvir como música os sons ambientais da sala de concerto, aceitando-os como sons de arte, apesar de normalmente não serem assim considerados.
"O que eles pensavam que era silêncio, porque não sabiam como ouvir, estava cheio de sons acidentais", disse ele na estréia da peça, em 1952. "Você podia ouvir a agitação do vento do lado de fora durante o primeiro movimento. Durante o segundo, pingos de chuva começaram a tamborilar no telhado, e no terceiro, os próprios ouvintes é que fizeram todos os tipos de sons enquanto falavam ou saíam".
Em sentido mais amplo, 4'33" foi o trabalho mais significativo de Cage. Mas a noção de uma forma específica de arte sem substância constitui um quebra-cabeças intrigante. A obra estreou como uma peça de piano, tendo uma duração especificada de tempo, porém Cage disse depois que "a peça podia ser tocada por qualquer instrumento ou pela combinação de vários instrumentos, e durar um período de tempo maior".
Vídeos
4'33", de John Cage
Marcha fúnebre composta para os funerais de um homem surdo, de Alphonse Allais
Comentário
Acho simpática essa ideia de 4'33" durar mais tempo. Pois evita a peça terminar quando a gente já está se empolgando com ela.