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27 setembro, 2023

Quais as obras recentes de Deus e de Satã? Marc Abrahams responde

— O que Deus tem feito ultimamente?
Profissionalmente, grande parte da obra de Deus hoje em dia visa a ajudar os humanos a voarem com mais segurança, eficiência e lucratividade. Como chefe do Instituto de Sistemas de Cabine de Aeronaves na Universidade de Tecnologia de Hamburgo, na Alemanha, o Prof. Dr. Ralf God é uma presença respeitada no campo da aeronáutica. O recente artigo de God "Um metamodelo de cabine de aeronave holística como uma abordagem para um ciclo de vida de cabine digitalizado interconectado" – preparado em colaboração com colegas – foi apresentado há alguns meses…

https://improbable.com/2023/01/25

— Mas e quanto a Satã?
Em registro público, Satanás tem sido improdutivo recentemente. Mas na década de 1980, Jozef Satan aplicou sua experiência em lidar com altas temperaturas. O resultado foi documentado pelo governo da Tchecoslováquia em uma patente chamada "Método de liquidação de matéria orgânica de resíduos líquidos". O calor é a chave para…

16 dezembro, 2022

Se este título for engraçado, você vai me citar?

Impactos de citação de humor e outras características de títulos de artigos em ecologia e evolução
B. Heard , Chloe A. Cull , Easton R. White
https://doi.org/10.1101/2022.03.18.484880
Resumo
Títulos de artigos científicos desempenham um papel fundamental em sua descoberta, e títulos "bons" engajam e recrutam leitores. Um aspecto particularmente interessante na construção de títulos é o uso do humor, mas pouco se sabe se os títulos engraçados aumentam ou limitam o número de leitores e a citação de artigos. Usamos um painel de avaliadores voluntários para avaliar o humor do título de 2.439 artigos em ecologia e evolução e medimos associações entre pontuações de humor e citações subsequentes (autocitação e citação de outros). Artigos com títulos mais engraçados foram citados com menos frequência, mas isso parece resultar de uma confusão com a importância do artigo. Os dados de autocitação sugerem que os autores dão títulos mais engraçados aos artigos que consideram menos importantes. Após a correção para este fator de confusão, artigos com títulos engraçados apresentam taxas de citação que sugerem que o humor recruta leitores. Também examinamos as associações entre as taxas de citação e várias outras características dos títulos. A inclusão de siglas e nomes taxonômicos foi associada a taxas de citação mais baixas, enquanto frases assertivas e presença de dois pontos, pontos de interrogação e regiões políticas foram associadas a taxas de citação um pouco mais altas. O comprimento do título não teve efeito na citação. Nossos resultados sugerem que os cientistas podem usar a criatividade com títulos sem que seus trabalhos sejam condenados à obscuridade.
Este artigo é um preprint e não foi certificado por revisão por pares.

07 janeiro, 2021

Por que os mosquitos picam algumas pessoas mais do que outras?

Segundo um artigo da Live Science, esses insetos usam seus órgãos sensoriais para detectar suas vítimas a uma distância de até 50 metros. Dessa forma, eles seguem as pegadas invisíveis que são deixadas pelos seres humanos no ambiente.
Especificamente, os mosquitos dependem do dióxido de carbono para encontrar suas vítimas. E são nossos pulmões que expelem esse gás, que, embora acabe diluído no ar, leva algum tempo para se misturar, - vem a ser uma espécie de"migalhas de pão" que os mosquitos seguem.
Isso foi explicado pelo entomologista Joop van Loon , da Universidade de Wageningen, na Holanda:
Os mosquitos começam a se orientar por esses impulsos de dióxido de carbono e voam até mesmo contra o vento enquanto percebem concentrações mais altas do que as contidas no ar ambiente normal.
Mas.
As coisas se tornam pessoais quando os mosquitos estão a um metro de distância de um grupo de alvos possíveis. Nesse caso, os insetos levam em consideração vários fatores, como temperatura corporal, sudorese ou até a cor da roupa .
Van Loon diz que a principal razão pela qual os mosquitos picam certas pessoas mais do que outras, tem a ver com a quantidade de compostos químicos - que mudam de acordo com as variações genéticas e ambientais - os quais são gerados pelas colônias de bactérias que habitam a pele. As bactérias convertem as secreções de nossas glândulas sudoríparas em compostos voláteis ( mais de 300 compostos diferentes) que são transferidos pelo ar para o sistema olfativo dos mosquitos.
De acordo com um estudo publicado em 2011 pela revista PLOS ONE, as pessoas com uma maior diversidade de micróbios na pele têm menos probabilidade de sofrer picadas de mosquito. Os cientistas conseguiram estabelecer que aquelas que carregavam as bactérias Leptotrichia, Delftia, Actinobacteria Gp3 e Staphylococcus eram menos picadas do que outras. Por outro lado, pessoas com as bactérias Pseudomonas e Variovorax na pele atraíam mais esses insetos .

Imagem arrastada de Cadeia Alimentar (2)

18 janeiro, 2018

As corujas da Indonésia em perigo

Na série de Harry Potter de JK Rowling, publicada pela primeira vez entre 1997 e 2007, diferentes espécies de corujas superam o mundo mágico e muggle ("humano"), carregando mensagens, pacotes e até mesmo varas de vassoura para humanos e feiticeiros. O próprio Harry Potter recebe uma coruja nevada Bubo scandiacus, chamada Hedwig, no primeiro romance, e ela permanece com ele ao longo da série. Outros personagens principais também têm corujas como companheiras de estimação ao longo da série (por exemplo, Ron Weasley tem uma coruja muito pequena chamada Pigwidgeon, mais tarde retratada na série de filmes como uma coruja comum, Otus scops; Draco Malfoy tem uma coruja Bubo spp e Percy Weasley, uma coruja Megascops spp).
Existe o efeito Harry Potter?
O sucesso de Harry Potter, tanto na literatura como no cinema, já quebrou inúmeros recordes de vendas e bilheteira, mas, infelizmente, toda esta popularidade está também a quebrar um recorde bem menos desejado.
Em 2001, quando saiu o primeiro filme, as vendas (anuais) de corujas na Indonésia não ultrapassavam as poucas centenas de animais, mas em 2016 o valor ultrapassou as 13 mil, informam Vincent Nijman e Anna Nekaris, da Universidade de Oxford Brookes, no Reino Unido. O relatório foi publicado na revista Global Ecology and Conservation, no qual se conclui também que a maior parte das aves são retiradas do seu ambiente natural e vendidas em comércio ilegal.
Com preços entre 10 e 30 dólares, as aves são acessíveis a um grande números de famílias, pelo que as populações selvagens destes predadores estão efetivamente em perigo: "a popularidade das corujas como animais de estimação subiu de tal forma, na Indonésia, que pode colocar em perigo a conservação das espécies menos abundantes", dizem os dois cientistas ao The Guardian, pedindo também que as espécies “sejam colocadas na lista de animais protegidos”.
E a Indonésia não é um caso isolado. Passa-se o mesmo tanto na Tailândia como na Índia, onde um membro do parlamento indiano já falou num "estranho fascínio, entre as classes médias urbanas, em oferecer mochos aos filhos fãs de Harry Potter".
(extraído de https://greensavers.sapo.pt/2017/08/fas-de-harry-potter-sao-um-perigo-para-corujas/)

Existem os efeitos correlacionados?
Um aumento da popularidade de certos animais após a aparição na tela grande ou em séries de televisão é um fenômeno bem conhecido, mas raramente é quantificado e, como sempre, a correlação não indica causalidade. Além disso, um aumento na popularidade raramente é imediato e os aumentos discerníveis podem ser adiados por vários anos. Herzog et al. (2004) compararam a popularidade de cães de raça pura nos EUA, após o lançamento do filme da Disney "101 Dalmatians" (101 Dálmatas), em 1985, e descobriram que demorou sete anos até os novos registros de dálmatas aumentarem 6,2 vezes, o que foi significativamente maior que o de outras raças durante esse período de tempo. O lançamento do primeiro filme do "Jurassic Park" em 1993 levou a um aumento de um a três anos no comércio global de iguanas verdes, a Iguana iguana ( Christy, 2008, Nijman and Shepherd, 2011 ). Finalmente, após o lançamento de outro filme da Disney, "Finding Nemo" (Procurando Nemo), em 2003, foi relatado que as vendas de peixe palhaço aumentaram ( Prosek, 2010 ), na medida em que, em 2005, quatro espécies de peixe palhaço (Amphiprion ocellaris , Amphiprion percula , Amphiprion frenatus e Premnas biaculeatus) foram incluídos nos vinte peixes aquários marinhos mais importados para os EUA (Rhyne et al., 2012; Militz e Foale, 2017).  No entanto, note-se que, após o aumento na importação de peixe palhaço, na sequência da libertação de Nemo, com destaque dois anos mais tarde, este aumento foi menor do que o aumento global da importação de peixes de aquário marinho. Na comparação, eles não encontraram um efeito "Finding Nemo".
(extraído de http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2351989417300525)

Ver também: O ciclo vicioso das Tartarugas Ninjas

Bônus: Owling, um comportamento que não deve ser esquecido.

03 setembro, 2017

Um vazio na alma militar

por ​Nelson Lott de Moraes Costa
Caro Paulo Henrique Amorim​,​
O Marechal Lott é personagem de ficção, não existiu na vida real assim como Trotsky não existiu na URSS de Stalin.
O Marechal Lott foi primeiro aluno em tudo que cursou: Colégio Militar, Escola Militar, ESAO, ESG, curso de Estado Maior na França, etc, etc. Foi também quem regulamentou a profissão dos militares subalternos (cabos, sargentos e subtenentes), organizou as tropas da FEB, etc. Ministro da Guerra por seis anos e da Aeronáutica por breve período, posteriormente. Isso no âmbito exclusivamente militar.
Apesar desse histórico militar brilhante, não vamos encontrar referências a ele no meio castrense. Não é nome de quartel, de unidade, de pavilhão, nem patrono de turma da AMAN ou mesmo da ESA (Escola de Sargentos das Armas) implementada por ele.
Os militares dos tempos pré-ditadura tinham uma formação de brasilidade. Mesmo os gorilas golpistas tinham uma visão de Brasil, de nacionalidade, além de valores éticos e morais no trato da coisa pública.
O Marechal Lott brigava com os netos que deixávamos as luzes acesas na residência oficial e a "viúva" era quem pagava a conta. Todas as suas despesas domésticas - na residência oficial - eram bancadas pelo soldo dele. Nunca um de nós andou em veículo oficial e um genro dele, oficial do Exército, por sua ordem teve uma passagem aérea num vôo civil pago pelo Exército trocada por uma carona num velho C47 da FAB que levou 9 dias para cobrir o trajeto que o avião de carreira fazia em 12 horas. Economizou para a "viúva" sacrificando seu familiar. O meu pai, major, passou mal no quartel e morreu ao chegar em casa. Pelas normas, teria direito a duas promoções, pois morrera em serviço.
Além disso tinha já sido assinada a sua promoção a tenente coronel. O Marechal Lott informou à sua filha, minha mãe, que promoção assinada e não publicada em Diário Oficial não tinha valor e que o genro morrera "no" serviço e não "em" serviço. Assim, a viúva e seus quatro filhos receberiam pensão do posto superior imediato, tenente coronel, e não três postos acima como mereceria de acordo com a lei, a tradição e a benevolência.
A formação militar deixou muito a desejar, soldo e vantagens tornaram-se mais importantes do que o serviço, do que a nação.
Bolsonaro criou-se defendendo salários das forças armadas e não os tradicionais valores militares.
Vende-se hoje a Amazônia por trinta dinheiros, assim como 57 outros órgãos ou empresas nacionais na bacia das almas. No ritmo em que vamos, esperemos que não chegue o dia do Panteão de Caxias ser alugado para uma franquia do McDonald's para pagarmos dívidas ou apoios políticos.
Portanto, PHA, o Marechal Lott, ao contrário de Itabirito, não é um retrato na parede de um quartel, é um vazio na alma militar.
Grande abraço.
Nelson Lott

2016 tem pouco de 1964, mas muito de 1955. (Em 1955) o golpe não deu certo porque havia Lott, que deu um conta-ataque preventivo, colocou os tanques nas ruas e prendeu os golpistas. PHA

Título original: A quem interessa esquecer o Mal Lott? , publicado no site Conversa Afiada (29/08/2017)

Artigo relacionado: Como JK conseguiu se proteger da cruzada moralista, por André Araújo

16 outubro, 2016

O fogo da história

O professor Rogério Cezar Cerqueira Leite responde ao juiz Sérgio Moro, que questionou seu artigo Desvendando Moro:
"Respondo aqui ao juiz Sergio Moro, embora ele não tenha se rebaixado à responder a um simples plebeu, preferindo incitar a Folha a censurar meus artigos. Acusa-me o juiz de promover atos de violência. O fogo a que me refiro é o fogo da história. Intelectos condicionados por princípios de intolerância não percebem a diferença entre metáforas e ações concretas. O juiz ainda se esquiva de responder à principal acusação que lhe faço, a de que é absolutamente parcial e está a serviço das classes dominantes."
– Rogério Cezar de Cerqueira Leite, físico, é professor emérito da Unicamp e membro do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia e do Conselho Editorial da Folha.
"Moro presta um serviço fundamental à mídia. Os vazamentos da Lava Jato são ouro. No pacote, foi transformado no Batman. De mentirinha, claro.O problema é que ele acreditou. A ponto de sugerir a um jornal o que ele deve ou não dar. Abusou. Achou que estava acima do bem e do mal e se queimou. O cristal se quebrou. E nada indica que ele vá parar por aí.Ah, sim. Antes que alguém me entenda mal: “se queimou” é figura de linguagem."
– A tréplica do autor do artigo sobre Moro mostra que sua lua de mel com a mídia está no fim. Por Kiko Nogueira, DCM
"O artigo de Cerqueira Leite foi mais uma opinião no grande debate aberto pela Operação Lava Jato. A contrariedade de Moro produziu uma surpresa: há algo de Savonarola no seu sistema."
– Elio Gaspari, Folha de SP
"Nada mais importa à Justiça brasileira porque o que importa em qualquer Judiciário já lhe falta – muito e há tempos: independência e equilíbrio." 
– Fernando Brito, do Tijolaço

22/06/2019 - Atualizando ...
"Quando Savonarola saiu do fundamentalismo moralista e se meteu nos negócios sucessórios do Vaticano foi queimado no mesmo local onde queimou tantos 'infieis'.Na frente do Palazzo Vecchio."
– Roberto Requião, no Twitter

01 setembro, 2016

Um martelo de corpo inteiro

Modelado como um martelo de baixa inércia, o pica-pau (ave da família Picidae) usa o momento angular de seu corpo, gerado pela contração dos  músculos de suas pernas, para acelerar a cabeça ao bicar uma árvore.
Ele precisa martelar a casca e o caule lenhoso das plantas para encontrar alimento (larvas e insetos) e construir o seu ninho, Faz isso, pela vida afora, a uma taxa de até 20 vezes por segundo (não, não é um erro de digitação) e até 12.000 vezes por dia, com forças de desaceleração de até 1.200 g a cada impacto. E sem ter certos problemas que certamente o afligiriam se fosse gente. Tais como: dores de cabeça, concussão cerebral, hemorragias e descolamento de retina.
O bico, as mandíbulas, o crânio, os olhos, o cérebro etc. Mãe Natureza equipou mesmo o pica-pau para ser um martelo de corpo inteiro.
Referências
http://bjo.bmj.com/content/86/8/843.full
http://pic.sagepub.com/content/221/10/1141.abstract
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pica-pau
Foto
Dr. Ivan R. Scwab, autor do primeiro dos artigos acima citados, em seu local de trabalho.

19 maio, 2016

Lesões humanas relacionadas a coqueiros


Resumos
As quedas de cocos podem causar lesões na cabeça, costas e ombros. Uma revisão das admissões por trauma no Hospital Provincial, em Alotau, Milne Bay Province, Papua Nova Guiné, referente a um período de 4 anos, revelou que 2,5% dessas internações foram de pacientes atingidos por cocos. Os coqueiros alcançam na maturidade uma altura de até 35 metros, e um coco com a respectiva casca pode pesar de 1 a 4 quilos. Golpes na cabeça por cocos com uma força superior a 1 tonelada métrica são possíveis. Quatro pacientes com ferimentos na cabeça por quedas de cocos são aqui relatados. Em dois deles, a craniotomia foi necessária. Dois outros morreram, instantaneamente, em suas aldeias depois de atingidos pelos cocos.
J Trauma. 1984 novembro; 24 (11): 990-1.
Lesões devido aos cocos que caem.
Barss P.

Outro estudo, realizado no Hospital de Referência Central das Ilhas Salomão, sobre os pacientes que foram admitidos no Departamento de Cirurgia e Ortopedia, entre janeiro de 1994 e dezembro de 1995, foi mais abrangente:
Do total de pacientes admitidos no Departamento, 3,4% deles apresentavam lesões relacionadas a coqueiros. Oitenta e cinco pacientes haviam caído de um coqueiro, dezesseis pacientes tiveram a queda de um fruto do coqueiro sobre eles, três pacientes tiveram a queda de um coqueiro sobre eles e um paciente havia chutado um coqueiro.
ANZ J Surg. 2001 Jan;71(1):32-4.
Coconut palm-related injuries in the Pacific Islands.
Mulford JS1, Oberli H, Tovosia S.

Beware of falling Coconuts

Você sabia?
Mais pessoas morrem devido a quedas de cocos do que a ataques de tubarões.

13 abril, 2016

A dorsal oceânica

Do leitor Jaime Nogueira:
Com prazer lhe repasso este intrigante artigo que me foi enviado por meu colega e vizinho, o geólogo Breno Augusto dos Santos, por acaso o descobridor de Carajás no longínquo ano de 1967.

"Vulcão" de 65 mil km pode ajudar a entender como a Terra funciona
por William J. Broad, The New York Times
Imagine um vulcão. Agora imagine que sua principal cratera seja uma linha longa sobre a terra. Agora, imagine que essa linha é tão longa que ela se estende por mais de 65 mil quilômetros nos recônditos obscuros de todos os oceanos do planeta, como as costuras de uma bola de futebol.
Seja bem-vindo a uma das características mais obscuras e importantes da Terra, conhecida pelo nome prosaico de "dorsal oceânica". Ainda que seja longa o bastante para dar seis voltas em torno da Lua, a dorsal recebe pouca atenção, já que fica escondida nas profundezas escuras da Terra. Os oceanógrafos perceberam sua natureza vulcânica em 1973. Desde então, expedições caríssimas começaram lentamente a explorar esse mundo subaquático, que geralmente fica a mais de 1,5 quilômetro abaixo da superfície do mar.
Os resultados podem fazer as visões de Júlio Verne parecerem comedidas.
Ler Mais.

Bônus
Eldorado existe, o descobridor também: Breno, o geólogo. In: Geração Editorial
Vídeo História da Criação da Docegeo

21 janeiro, 2016

Quantos cientistas são necessários???

Um francês chamado Georges Aad pode ser o nome mais proeminente em física de partículas.
Em menos de uma década, Dr. Aad, que mora em Marselha, França, apareceu como o principal autor de 458 artigos científicos. Ninguém sabe exatamente quantos cientistas são necessários para trocar uma lâmpada, mas 5.154 pesquisadores foram necessários para escrever um artigo no início deste ano, provavelmente um recorde em física, e Dr. Aad liderou a lista.
Seu trabalho recente, publicado na revista Physical Review Letters, possui 24 páginas de coautores liderados pelo Dr. Aad. Não há nenhuma maneira de dizer o quão importante cada contribuinte poderia ser.
De Aad para Zoccoli, esses físicos, que realizam experimentos no Grande Colisor de Hádrons, na Suíça, são uma medida de uma tendência de aceleração na ciência do crescimento do número de pessoas que recebem créditos.
E não é apenas em física. Em 2003, foram necessários 272 cientistas para redigir as conclusões do primeiro genoma humano completo, um marco em biologia, mas que, em junho passado, levou 1.014 coautores a documentar uma sequência genética menor chamada o elemento Muller F na mosca da fruta.
(Havia inclusive uma piada que qualquer um que já tivesse visto uma mosca de fruta teria que ser um autor.)
A notoriedade científica do Dr. Aad é uma homenagem à ordem alfabética.
"Basicamente, esse cara ganhou na loteria acadêmica", disse Vincent Larivière, um professor de ciência da informação da Universidade de Montreal, que estuda comunicações acadêmicas.

www.wsj.com/articles

21 outubro, 2015

Como nasce um preconceito

Fernando Gurgel Filho, de Brasília
Aos poucos vi que um preconceito nascia das discussões acaloradas, principalmente sobre preferências partidárias e condução de políticas públicas. Muito mais, creio, pelo modo de construção dos diálogos e pelo comportamento pessoal das pessoas com as quais tento dialogar. E que vai se transformando em monólogo. Muito mais, creio também, pelo modo desonesto como as pessoas constroem seus argumentos e pelo próprio discurso vazio de verdades que apregoam.
E o preconceito, novíssimo em mim, vai brotando devagar e, de repente, sufoca-me a razão. Vejam como: atualmente, dependendo de onde venha a informação/opinião, a luz da rejeição acende em grau máximo contra a opinião emitida. Imediatamente, sem dar tempo nem de avaliar se a informação/opinião tem algum fundo de verdade. Apenas como exemplo, se alguém, conhecido por emitir argumentos falsos, critica o comportamento de algum político, passo imediatamente a simpatizar com o político atacado, pois fico imaginando que o tal político deve ter feito algo benéfico para a sociedade e deve ter sempre se comportado corretamente. Se ataca a política econômica, a queda da moeda brasileira, o aumento de tributos ou coisa parecida, passo imediatamente a acreditar que a condução da política econômica está corretíssima e que o interlocutor deve ter motivos escusos para atacá-la. E por aí vai murchando qualquer discussão franca e civilizada.
Obviamente, isto é péssimo para qualquer cidadão que gosta de dialogar e que tem verdadeiro pavor ao cerceamento da liberdade de discussão, pois, na mesma linha do "cumpadre" Voltaire, creio ser muito proveitosa uma boa e honesta discussão, mesmo não concordando com nada do que o outro diga. É melhor do que ficar calado ou constrangido, pisando em ovos, numa discussão entre amigos ou numa simples roda de bate papo entre conhecidos.
Como todo preconceito é burro, estúpido, a burrice vai se alastrando mesmo quando queremos cultivar algo mais sólido, mais solidário e mais fraternal. E os vínculos humanos vão se fragmentando, se desfazendo. Ao invés de uma inteligência coletiva que pudesse construir uma sociedade cada vez melhor, o emburrecimento coletivo tem sido a alternativa que somente pode nos levar ao isolamento, mesmo achando que estamos conectados em uma rede global.
E leio, aliviado, que não estou sozinho em repetir, repetir, repetir e continuar repetindo argumentos honestos. Mas que são desconstruídos com mentiras, meias verdades e burrices que alguns amigos e conhecidos teimam em repetir, repetir, repetir e continuar repetindo. Aí, acontece o que menos queria que acontecesse, "... perco a cabeça: ”Que merda de má-fé é essa? Que porra de ignorância é essa?” E me vejo reproduzindo tudo o que mais condeno, a histeria de uma ira inócua. Digo barbaridades. Perco a razão. Acho que era Kant quem dizia que ninguém pensa sozinho. E o que acontece quando a burrice passa a imperar? Alguém dirá que a burrice sempre imperou. Prefiro achar que nem sempre. Até muito recentemente, muito da nossa burrice coletiva se mantinha circunscrita ao isolamento da esfera privada. Ou pelo menos ainda não tinha encontrado os canais públicos para alardear sua hegemonia." (Bernardo Carvalho, in "Encontro com um editor de direita").
Se ainda não tiverem sido abduzidos por este preconceito, recomendo muitíssimo a leitura do artigo completo do jornalista Bernardo Carvalho.

N. do E.


25/10/2015 - Atualizando ...
Numa mesa de debates sobre humor e literatura organizada no Festival Internacional Literário de Óbidos, em Portugal, e dividida com o humorista, apresentador de TV e espécie de pop­star em Portugal Ricardo Araújo Pereira, o escritor e colunista do GLOBO Luis Fernando Verissimo defendeu o mandato da presidente da República, Dilma Rousseff, declarando-­se contra qualquer tentativa de impeachment.
Dos poucos momentos sérios do debate, no qual Verissimo e Ricardo falaram sobre temas como os limites do humor, o caso do Charlie Hebdo, técnicas de escrita humorística e até gastronomia, a pergunta desconcertante foi endereçada a Verissimo da plateia: “Dá para fazer piada com a situação política do Brasil atual?”.
— Não sou dilmista, mas sou legalista. Para tirar o PT do poder, é preciso esperar as próximas eleições, fazer valer a democracia. O clima no Brasil é de extrema radicalização, e principalmente para a direita, num grau de raiva que eu nunca vi. E olha que tivemos coisas como a UDN… Mas desse jeito é inédito na história do Brasil — opinou Verissimo, arrancando aplausos da plateia.

08 fevereiro, 2015

Golpe a Jato

FHC: roubo de Barusco não tem nada a ver com ele, 247
Teoria do ex-presidente tem dois pesos e duas medidas: roubalheira na época de seu governo é culpa exclusiva do ex-gerente da Petrobras; já os malfeitos ocorridos nas gestões petistas são de responsabilidade de Lula e de Dilma.
Estimativa de Barusco, em Veja, vira verdade, 247
Pedro Barusco já confessou que rouba a Petrobras desde 1997, quando, ainda no governo FHC, começou a receber propinas da multinacional holandesa SBM. No entanto, para garantir a liberdade, apontou o dedo para o PT e estimou – repita-se, estimou – que o partido recolheu US$ 200 milhões em propinas nos últimos doze anos.
Para incriminar o PT, Lava Jato 'desmonta' farsa do mensalão, mas repete erros, por Helena Sthephanowitz
Em um interrogatório na Polícia Federal, o doleiro Alberto Youssef deixou escapar um depoimento que rechaça a tese da compra de votos (da farsa do mensalão). O doleiro disse que o PP obstruiu por três meses em 2004 votações no Congresso, deixando o então presidente Lula "doido". Tudo para obrigar a nomear Paulo Roberto Costa na diretoria de Abastecimento da Petrobras. Ressalte-se que não havia nada de ilícito em nomeá-lo naquela época. Costa era funcionário de carreira, tinha currículo para ocupar o cargo, sem nada sabido que pesasse contra ele até então.
O festival de asneiras em torno dos 88 bilhões de reais da Petrobras, por Paulo Nogueira
Raras vezes tantas tolices foram publicadas e compartilhadas em cima de um número mal-compreendido. Entre no Twitter e digite "Petrobras 88 bilhões", e você encontrará uma enxurrada daquilo que de mais imbecil a mente humana pode conceber. A cifra de 88 bilhões de reais representaria aquilo que foi desviado por corrupção na Petrobras. Foi a Folha que deu a "informação". Ela estaria no balanço divulgado pela Petrobras. Depois, a Folha corrigiu o erro, mas era tarde demais: a asneira já fora transmitida e incorporada por dezenas, centenas, milhares de analfabetos políticos.
Por que FHC cruzou os braços?, por Paulo Moreira
Hoje capaz de pedir punição dos mais altos hierarcas na Lava Jato, Fernando Henrique cruzou os braços em 1996, quando Paulo Francis denunciou corrupção na Petrobrás. Paulo Francis falou a verdade? Mentiu? Exagerou? Estava de porre? Não sabemos. A gravação está disponível na internet. Referindo-se a contas secretas na Suíça, Paulo Francis fala com o desembaraço de quem está fazendo delação premiada para o juiz Sergio Moro.
A Lava Jato à luz de Hannah Arendt, por Miguel do Rosário
Se o leitor prestou atenção aos meus posts sobre o assunto, verá que fiz um esforço heroico para acreditar na Operação Lava Jato. Minha relação com a Lava Jato foi bipolar, pois eu não queria acreditar que testemunharíamos mais uma sequência de arbítrios protagonizados por autoridades cegas pelos holofotes da mídia. As relações promíscuas entre essas autoridades do Lava Jato e a oposição sempre estiveram em evidência.
Os dias e as noites na Guantánamo do Dr. Moro, por PH Amorim
Vídeo publicado no Conversa Afiada por PH Amorim com uma denúncia (apócrifa) sobre as condições de carceragem na Lava Jato. A denúncia foi encaminhada para o Ministro da Justiça, a Procuradoria Geral da República  e o Conselho Nacional de Justiça.
Globo blinda FHC no noticiário da Lava Jato, 247
O direcionamento no noticiário da Globo, emissora dirigida pelo herdeiro João Roberto Marinho, a fim de prejudicar o atual governo da presidente Dilma Rousseff, e apoiando, assim, a campanha pelo impeachment, está mais do que comprovado. Neste fim de semana, a diretora da Central Globo de Jornalismo, Silvia Faria, enviou o seguinte e-mail a todos os chefes de núcleos da emissora:
"Assunto: Tirar trecho que menciona FHC nos VTs sobre Lava a Jato. Atenção para a orientação: Sergio e Mazza, revisem os VTs com atenção! Não vamos deixar ir ao ar nenhum com citação ao Fernando Henrique."
Bandeira de Mello: FHC pôs a raposa no galinheiro, RBA
Um dos principais juristas do País, o professor Celso Bandeira de Mello atribui a corrupção na Petrobras à lei aprovada no governo FHC, que liberou a estatal de realizar licitações públicas; "esse foi o momento em que o governo Fernando Henrique colocou o galinheiro ao cuidado da raposa", diz ele; coincidência ou não, o gerente Pedro Barusco confessou roubar a Petrobras desde 1997, ano em que ocorreu a mudança; ele também criticou o governo FHC, que teria sido "o mais entreguista da história do Brasil".

12/02/2015 - Pelo andar do trem...

10 setembro, 2014

A gente vai Lewandowski - 2

Lewandowski: a sagração de um homem justo
por Luis Nassif
Daqui a pouco o Ministro Ricardo Lewandowski assumirá a presidência do STF (Supremo Tribunal Federal). Para sua posse, estima-se um público recorde; e um respeito recorde pela sua pessoa. Os jornais o tem tratado com deferência surpreendente, entre seus pares há uma sucessão de elogios e um sentimento de alívio, pela volta da presidência do STF aos trilhos do bom senso e da fidalguia.
São dois tempos distintos: o da repercussão inédita do julgamento da AP 470 e os novos tempos, pós JB. Parece que tudo mudou. Ministros boquirrotos retornaram à discrição, o espírito alucinado de linchamento esgotou-se, aposentou-se o Torquemada do Supremo.
Apenas o discreto Lewandoski não mudou. É o mesmo agora e dos tempos de tempestade, quando se viu no meio de um turbilhão inédito, atacado por uma turba de linchadores alimentada pela mídia, uma atoarda tão selvagem que intimidou a todos.
De um lado a turba sendo insuflada por colunistas alucinados, com os jornais cooptando advogados oportunistas, oferecendo-lhes visibilidade, utilizando todas as armas, do desrespeito amplo aos Ministros que não se enquadravam às suas ordens, à lisonja mais abjeta àqueles que se curvavam à sua orientação, querendo submeter tudo ao seu poder avassalador. [...]
Quase todos vacilaram, cederam, calaram-se. Procuradores, desembargadores, Ministros, advogados assistiam à explosão da selvageria, ao atropelo dos princípios básicos da sua profissão, dos seus valores, e nada faziam. Alguns até se indignavam nos ambientes restritos, mas nenhum ousou insurgir-se contra o clamor dos bárbaros.
A Justiça ficou indefesa, sendo estuprada em público por vândalos de toda espécie.
Nesse vendaval de baixarias, sobressaiu a figura extraordinária de Lewandowski, não cedendo, não se rebaixando mesmo sendo ofendido em público, em aeroportos, nas ruas, sendo atacado por reportagens da infame revista Veja.[...]
Mas a opinião pública sabe que, na presidência do STF, agora, existe um Ministro que não se curva ao clamor das ruas e às capas das revistas.
Ler o artigo na íntegra – aqui.

A gente vai Lewandowski - 1 | "Domínio do fato", a violência para condenar Dirceu | Sem um fiapo de prova

O blogueiro Eduardo Guimarães, a convite do próprio Lewandowski, terá a honra de participar de sua cerimônia de posse na Presidência do STF. Na oportunidade, deverá entregar ao Ministro um calhamaço com as mensagens de congratulações de cerca de 600 leitores de seu Blog da Cidadania.

20 agosto, 2014

Dilma já enfrentou torturadores piores

O RH da Globo entrevista candidatos a Presidente do Brasil
De: Flávio Duarte, face do CAf

Uma explicação para a postura imperial de William Bonner diante de candidatos, por Luiz Carlos Azenha
A mensagem do JN: eles não gostam dela, por Ricardo Amaral
Dilma já enfrentou torturadores piores que os do JN, por Eduardo Guimarães
Dilma livrou-se bem das joelhadas nas costas e das mordidas do JN, por Antonio Lassance
Bonner interrompeu Dilma 21 vezes. Entrevista?, por redação do 247, e
A hipocrisia do Faustão ao falar de Criança Esperança por Paulo Nogueira
PGCS

21/08/2014 - Eleitores sem-opção ou sem-noção?
Segundo a pesquisa, que estão chamando de "boca de túmulo" - a primeira do mundo - Marina adicionou ao PSB os descontentes com os políticos.
Isto é mais do que preocupante, pois quer dizer o seguinte: o eleitor que se sente sem opção para dar o seu voto, ao optar por alguém ou partido político apenas por sentimentalismo, religião ou pena, pode colocar o País no mais profundo poço de atraso, pobreza e instabilidade social.
Ou seja, os descontentes parecem ser os mais desinformados dos eleitores e, portanto, os piores eleitores do País. São os que caem no colo de qualquer demagogo oportunista.
Muito preocupante mesmo.
Fernando Gurgel
– Pesquisa de "boca de túmulo" foi uma grande sacada, Fernando.

23/08/2014 - Eleição histórica
Depois da inédita pesquisa de "boca de túmulo", vem aí a única eleição que pode ser decidida pela aviação civil, seja por causa de aeroportos e/ou de aeronaves.
Fernando  Gurgel

29 abril, 2014

O presente ainda é o que costumava ser

PASSADO

PRESENTE

Dirceu, homem-teste
por Paulo Moreira Leite, ISTOÉ
[...] No plano essencial, temos o seguinte: Dirceu nunca deveria ter passado um único dia em regime fechado, pois jamais recebeu uma sentença que implicasse uma pena desse porte após o trânsito em julgado.
Suas condições de detenção na Papuda se tornaram inaceitáveis a partir do momento em que ele – cumprindo as determinações legais à risca – conseguiu uma oferta de emprego para trabalhar em Brasília, obtendo a aprovação do Ministério Público e da área psicossocial.
No plano da investigação policial, temos o seguinte: nenhuma das possíveis alegações para impedir o exercício desse direito foi provada. Nenhuma.
O que mantém Dirceu na prisão?
Apenas a vontade política de negar um direito que a lei assegura a todos. Um pedido de monitoramento de milhares (ou centenas de milhares? milhões?) de telefonemas expressa o tamanho dessa vontade delirante de castigar, de punir. Já se ultrapassou qualquer limite civilizado. E aqui entramos em nova área de risco.
Depois de passar por um campo de concentração do nazismo, e, mais tarde, conduzido a um campo soviético porque fazia oposição política a Josef Stalin, o militante David Roussett fez uma afirmação essencial:
“As pessoas normais não sabem que tudo é possível.
Ele se referia à câmara de gás, aos trens infectos, ao gelo, à fome, ao frio – a todo sofrimento imposto a seres humanos em nome do preconceito de raça, de classe, da insanidade política, do ódio, da insanidade que dispõe de armas poderosas para cumprir suas vontades.
Não temos câmaras de gás no Brasil de 2014. Mas temos anormalidade selvagem. Já tivemos um julgamento onde os réus não tiveram direito a presunção da inocência. Quem não tinha foro privilegiado não teve direito a um segundo grau de jurisdição. As penas foram agravadas artificialmente.
Dirceu está sendo desumanizado, como se fosse uma cobaia de laboratório, mantida sob vigilância num cubo de vidro, 24 horas por dia.
Foi transformado num caso-teste.
O direito que hoje se nega a Dirceu amanhã poderá ser negado a todos.
Será tão difícil captar a mensagem?

A perseguição desumana e covarde de JB
por Paulo Nogueira, DCM
Não é justiça. É vendetta.
O que JB faz com Genoino e Dirceu não tem nada a ver com o conceito de justiça em si – um ato em que existe ao menos uma parcela de uma coisa chamada isenção, ou neutralidade, para usar uma palavra da moda.
Ele é movido por um ódio infinito.
[...] JB provavelmente esteja frustrado. O sonho de virar presidente naufragou miseravelmente. Só a mídia queria, além dele próprio e de um punhado de fanáticos de direita. Ele foi obrigado a despertar para a dura realidade de que os holofotes lhe são dados apenas para dizer o que interessa à mídia.
As declarações de Lula sobre o conteúdo político do "Mensalão" também não devem ter ajudado em seu humor. Sua obra magna, aspas, corre um sério risco de se desfazer em impostura.
JB é hoje uma fração do que pareceu ser, e amanhã será ainda menor, e o que sobrar provavelmente se cobrirá de ignomínia para a posteridade.
Para Dirceu e Genoíno, o problema é que, enquanto ele não volta ao nada de que saiu, JB se dedica à arte sádica de persegui-los, sem que eles consigam se defender, prostrados que estão pelas circunstâncias, cada qual de seu jeito.
Neste sentido, não é apenas uma vingança, mas uma covardia.

20 março, 2014

Entregar é preciso

Deu no The Piauí Herald:
95% dos moradores da Barra da Tijuca querem ser anexados a Miami
The Piauí Herald - A notícia inventada, plantada e fantasiosa. Nada que a grande mídia golpista não faça todos os dias.
Fernando Gurgel
N. do E.
1 Vibrai, ó "e-maileiros" e "facebookeiros" entreguistas! Tendo em vista a vontade de seus moradores, expressa em recente plebiscito, Barak Obama já se prepara para atendê-los, anexando a Barra da Tijuca a Miami. Ganha, portanto, um novo ânimo o velho Acordo Caracu Brasil-EUA, através do qual o Brasil costuma entrar com a segunda parte.
2 Recomendo um artigo de Ruy Castro, jornalista, escritor e um dos maiores biógrafos brasileiros (já escreveu sobre Nelson Rodrigues, Garrincha e Carmen Miranda). O artigo é Marcha a ré e deu na Folha.
3 "Abram alas, a Idade Média vai passar."

28 outubro, 2013

Calibrando a Libra

Deu no Tijolaço
O Genro de FHC e o Pires pediram só R$ 250 mil por Libra? E ainda abrem a boca para dar palpite?
Um amigo liga e me diz que não pode ser verdade a informação que dei no post anterior de que parte da área onde está o campo de Libra já tinha sido leiloada – e depois devolvida – como diz hoje a Agência Reuters, por apenas R$ 250 mil no Governo Fernando Henrique.
É verdade.
Não posso garantir a informação da Reuters, é claro, mas se é correto que o Bloco Marítimo 4 da Bacia de Santos – e pelos mapas de localização é – tinha parte sobreposta à atual área de Libra, foi, sim.
E aqui está a prova, no edital da ANP, que reproduzo na imagem acima.
A ANP, na ocasião, era chefiada por David Zylbersztajn, genro de Fernando Henrique Cardoso e tinha em sua cúpula o senhor Adriano Pires, hoje o bam-bam-bam das Organizações Globo e do Instituto Milenium para assuntos de petróleo.
Já que a nossa mídia está ouvindo os dois deitarem falação – negativa – sobre o leilão de Libra, porque é que não lhes pergunta sobre a venda, a preço de banana, de parte de sua área?
Em tempo, era tão barato que, mesmo com esse preço, a Agip arrematou a área por R$ 134 milhões, ágio de 53.564%!
Viva a imprensa brasileira!
Fernando Brito, em 21/10/13
N. do E.
Apenas o bônus de assinatura do contrato do recém-leiloado campo de Libra renderá ao país R$ 15 bilhões. Ainda virá, nos anos vindouros, a receita (cuja estimativa está na casa de R$ 1 trilhão) da partilha, dos royalties, dos impostos etc.
Recordar é sofrer

Para isso, há que se rever alguns artigos que estão postados no blog Geopolítica do Petróleo, sobre a "luta" empreendida pela coligação PSDB/PFL(DEM), a fim de não vir à tona esse... Brasil do pré-sal. Felizmente perderam.
  • FHC discute o futuro da Petrobrás, Folha de SP, 16/04/97
  • Gustavo Franco defende a venda da Petrobras e do BB, O Globo, 11/06/97
  • Genro de FHC vira o novo homem do petróleo no país, Veja
  • Petrobrás pode ser vendida em 3 anos, diz Zylbersztajn, O Estado de SP, 20/05/99
  • ANP defende a venda de refinarias da Petrobrás, O Estado de SP, 07/01/99
  • Zylbersztajn propõe encolher Petrobrás, Folha de SP, 07/01/99
  • FHC anuncia medidas para afastar resistências à privatização, O Estado de SP, 10/06/00
  • Petrobrás vira PetroBrax por US$ 50 milhões, O Estado de SP, 27/12/00
  • A globalização da "PetroBrax", JB, 27/12/00
  • Tribunal vai investigar gasto com PetroBrax, Folha de SP, 25/01/01
  • Franco quer privatizar Petrobrás e BB, O Estado de SP, 21/06/01
Etc.


16 setembro, 2013

O bode expiatório ▬ Casuísmo

O bode expiatório
por Valton Leitão, médico
Quando Orwell escreveu "O Triunfo dos Porcos" (Animal Farm), em 1945, para satirizar o marxismo stalinista, não poderia imaginar que seu texto seria aplicado com maior justeza ainda ao mercado capitalista contemporâneo.
Os porcos revolucionários da fazenda afastam o administrador Jones e proclamam que daí em diante governarão suas próprias vidas estabelecendo uma Constituição, na qual os quadrúpedes mais competentes e éticos substituirão os bípedes humanos incompetentes e corruptos no mundo.
Imediatamente dois porcos de elevada inteligência, Napoleão e Bola-de-Neve, travam uma ferrenha luta pelo Poder. Durante a Assembleia Constituinte fica determinado que “todos são iguais perante a lei”, mas um porquinho atrevido na plateia grita: “Alguns são mais iguais que os outros”. A sátira de Orwell se ajusta perfeitamente ao que acontece atualmente no mundo. [...]
Nenhum tribunal penal se manifestou diante da estupidez do moderno Napoleão, pois ao que tudo indica o sistema jurídico-político como dizia Carl Schmitt, não se aplica ao caso excepcional determinado pelo soberano. Schmitt afirma que soberano é aquele que decide pelo estado de exceção e, portanto, pode desrespeitar qualquer Carta Constitucional ou Diretos Humanos consagrados mundialmente.
O Brasil, por seu turno, assistiu a um espetáculo político-midiático que a nossa mídia americanófila não se cansa de aplaudir, ou seja, o chamado mensalão. Antes desse caso de caixa dois, quase duzentos outros já haviam sido denunciados, inclusive o do Senador Eduardo Azeredo, do PSDB mineiro. A pergunta que não quer calar é: por que entre todos esses processos de uma prática usual no mercado político foi escolhido precisamente aquele que implicava um setor do PT e da esquerda e julgado às vésperas de um processo eleitoral?
A famosa dosimetria tem alguma semelhança conceitual com a cirurgia guerreira americana? Creio que Napoleão que prendeu e baniu Bola-de-Neve talvez pudesse responder a tais perguntas.
Onde ler o artigo completo: Jornal "O Povo", edição de 15/09/13 - Opinião
Casuísmo
por Valdemar Menezes, jornalista
O julgamento sobre a continuação dos embargos infringentes no ordenamento interno do Supremo Tribunal Federal transformou mais uma vez a Corte num espetáculo lastimável de pressão política para bloquear o direito dos condenados ao ritual pleno do devido processo legal, preferindo-se correr o risco da suspeição de “julgamento de exceção”. Isso contraria norma interna do STF recepcionada com status de lei pela Constituição, segundo a qual quem recebeu quatro votos contrários à condenação a que foi submetido pela maioria da corte suprema, num determinado crime, tem direito a revisão do julgamento naquele crime específico. No entanto, intervenções autoritárias e arrogantes de certos ministros contrários aos embargos, fazendo peroração política ao invés de procurar destacar o argumento técnico e defender a precedência do devido processo legal (seguida da tentativa de açular a opinião pública contra quem insistia em se manter fiel aos princípios clássicos do Direito), deixaram estupefatos aqueles que jamais esperariam tal atitude de um magistrado da alta corte.
Mais uma vez, o carimbo de “julgamento político”, que acompanhou todo o desenrolar desse processo, parece justificar-se com todas as letras. Tentar mudar as regras do jogo com o processo em andamento e na fase final é puro “casuísmo” - frisou corajosamente o ministro Luís Roberto Barroso. Aliás, desde o início, a começar pela negação do desmembramento do processo (o que não foi feito com o mensalão do PSDB) esse julgamento é um rosário de anomalias jurídicas, segundo especialistas. [...]
Muita gente ficou com “pulga na orelha” depois da súbita lentidão que se apossou da sessão, que todos tinham como certa de ser concluída na última quinta feira. O ministro relator (e presidente da Corte) de repente perdeu a sofreguidão de concluir o julgamento, como vinha sendo sua marca durante todo esse tempo. Faltando apenas um voto para a conclusão e tendo o votante já declarado ter o voto pronto, o presidente se apressou em postergá-lo para daí a uma semana.
(◄) Para quê, hein?- perguntam muitos curiosos em Brasília e em todo o Brasil. Deus tenha piedade do ministro Celso de Mello e lhe dê couro forte para suportar a artilharia pesada já devidamente apetrechada por certos segmentos poderosos para fazê-lo abjurar da coerência mantida até aqui na defesa técnica e doutrinária do devido processo legal e que teve na recepção aos embargos infringentes uma de suas maiores expressões como magistrado. Teremos todos a oportunidade histórica de constatar que tipo de estofo judicante subsistirá nele depois das impiedosas pressões que desabarão sobre sua cabeça, provenientes dos setores que já tinham traçado um desfecho milimetricamente pré-determinado, cujo roteiro tinha de ser obedecido a pau e pedra.
Onde ler o artigo completo: Jornal "O Povo", edição de 15/09/13 - Colunas

12 agosto, 2013

Sobre as Unidades de Polícia Pacificadora

Notícias de um condenado, por Cacá Diegues, Blog do NOBLAT
Graças a um secretário de estado com consciência social e o sentimento do mundo, o Rio de Janeiro adotou uma política de segurança pública com a ocupação permanente das favelas por tropas de policiais militares preparados para isso.
José Mariano Beltrame inventou as Unidades de Polícia Pacificadora, as UPPs, que já ocupam dezenas de comunidades cariocas das quais foram afastados os traficantes de drogas com suas armas de guerra.
Às UPPs devemos a contenção do crime organizado, a queda do número de homicídios nas favelas e o início de um exercício possível de cidadania por parte de sua população.
Bem antes dessa mudança, uma nova geração de moradores tomara consciência de que a favela não era o problema da cidade e sim o contrário — a cidade é que era o problema da favela. E começou a se manifestar em defesa de seus direitos e valores cidadãos, exigindo do estado saúde, educação, saneamento, emprego, segurança, cultura, enquanto prestava serviços diversos às suas comunidades.
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A UPP é uma mentira?, por Ruth de Aquino, ÉPOCA
Só os ingênuos, sem perspectiva histórica ou com má-fé podem proclamar que a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) é uma enganação para inglês ver. Que jovens de 18 anos de berço esplêndido confundam tudo, até entendo. Mas adultos que sobreviveram aos governos Garotinho e Rosinha e à última fase da prefeitura Cesar Maia só têm uma desculpa para dizer que a UPP é uma mentira: a pendenga partidária que desmerece tudo que vier de um adversário político. Quando bandeiras de partidos substituem os valores de nossa consciência, a vida e a inteligência naufragam.
Impossível não lembrar – a não ser que sejamos acometidos de uma amnésia oportunista – o pacote dos ex-desgovernos do Rio: a politização da política de segurança do Estado, os pactos sórdidos com traficantes, o descontrole no número de “autos de resistência” (eufemismo para extermínios nos becos por homens fardados), a absurda mortalidade de jovens favelados em brigas de gangues, o abandono total das favelas, que se espalhavam pelas matas e por áreas de risco.
Nossas favelas eram fortalezas do tráfico e do crime organizado, isoladas por barricadas. Havia o terror imposto aos moradores de bem, o aliciamento escancarado de garotos, a gravidez precoce de garotas encantadas pelos chefões, modelos de “heróis” armados e donos do pedaço. Jornalista só entrava ali após acordo prévio com o chefão ou assumindo risco de morte, como aconteceu com Tim Lopes.
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09 agosto, 2013

Veríssimo pede desculpas

Devo um pedido de desculpas à grande imprensa nacional. Me desculpe, grande imprensa nacional. Quando li a matéria da “IstoÉ” sobre o cartel consentido formado em São Paulo para a construção de linhas de trem e metrô sob sucessivos governos do PSDB e as suspeitas de um propinoduto favorecendo o partido, comentei com meus botões (que não responderam porque não falam com qualquer um): essa história vai para o mesmo pântano silencioso que já engoliu, sem deixar vestígios, a história do mensalão de Minas, precursor do mensalão do PT.
E não é que eu estava enganado? A matéria vem repercutindo em toda a grande imprensa. Com variáveis graus de intensidade, é verdade, em relação ao tamanho do escândalo, mas repercutindo. Viva, pois, a nossa grande imprensa. Já se começava a desconfiar que o Brasil, onde inventam tanta novidade, tinha adotado, definitivamente, dois sistemas métricos diferentes.
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Luis Fernando Veríssimo

Emanações do pântano silencioso
O propinoduto do tucanato paulista com dinheiro da Siemens, IstoÉ
Um propinoduto criado para desviar milhões das obras do Metrô e dos trens metropolitanos foi montado durante os governos do PSDB em São Paulo. Lobistas e autoridades ligadas aos tucanos operavam por meio de empresas de fachada.
Trens e Metrô superfaturados em 30%, IstoÉ
Ao analisar documentos da Siemens, empresa integrante do cartel que drenou recursos do Metrô e trens de São Paulo, o Cade e o MP concluíram que os cofres paulistas foram lesados em pelo menos R$ 425 milhões.
Serra deu uma patada atômica nos paulistas, por Paulo Nogueira, DCM
Com cinco anos de atraso, a Folha coloca Serra na manchete no escândalo do metrô.
Escândalos do PSDB represados por 19 anos inundam o JN
Abaixo, a matéria lida por Willian Bonner e Patrícia Poeta durante longos minutos, possivelmente um recorde de veiculação de notícia incômoda para o PSDB. É longa, mas quem não assistiu a edição do JN da última quinta-feira (8), poderá ainda ver a matéria neste vídeo, que é surpreendente tanto pela duração quanto pelo conteúdo.