Mostrando postagens com marcador minério. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador minério. Mostrar todas as postagens

06 novembro, 2018

A tragédia de Mariana: três anos depois

A tragédia de Mariana é o maior acidente da história em volume de material despejado por barragens de rejeitos de mineração. Os 62 milhões de metros cúbicos de lama que vazaram dos depósitos da Samarco, no dia 5 de novembro de 1915, representam uma quantidade duas vezes e meia maior que o segundo pior acidente do gênero, ocorrido em 4 de agosto de 2014, na mina canadense de Mount Polley, na Colúmbia Britânica.



Três anos de lama
Ontem, fez três anos que a barragem de Fundão se rompeu, varrendo do mapa o distrito de Bento Rodrigues, a 35 km do centro do município de Mariana (MG). A poluição de terrenos e rios ao longo de 600 quilômetros entre Mariana e o Oceano Atlântico, que se seguiu ao acidente, faz deste o maior acidente ambiental do Brasil.
Morreram 19 pessoas nesta tragédia. Muitas outras perderam seus bens e ficaram desabrigadas. O rompimento da barragem acarretou problemas para pelo menos 500 mil pessoas em Minas Gerais e Espírito Santo (Fonte: Ministério Público Federal).
Ao todo, 21 réus estão sendo julgados pelos crimes de inundação, desabamento, lesão corporal e homicídio com dolo eventual. Ninguém foi preso.
Na área foram encontradas níveis de sódio, oriundo do hidróxido de sódio (utilizado na separação do minério de ferro), até 20 vezes acima do padrão de solo da Mata Atlântica. Experimentos com fungos e bactérias podem ajudar no reflorestamento de 2.200 hectares da mata devastada pela lama. E abre-se a possibilidade de que essa mesma técnica possa também ajudar na recuperação de lavouras (centenas de fazendas e sítios foram atingidos pelo rompimento da barragem)..
As multas do Ibama somam 350 milhões de reais. Mas a empresa recorreu e ainda não pagou nenhuma. Das 28 multas aplicadas pelo governo do Estado de Minas, a empresa só começou a pagar uma delas (Fonte: TV Globo, Jornal Hoje).

Mariana (pela Samarco), Barcarena (pela Hydro) ...
Qual será o próximo local? Meu palpite: costa brasileira, na área do pré-sal.

24 julho, 2017

A descoberta de Carajás

por Breno Augusto dos Santos
[...] No dia seguinte, então o Demostino autorizou e nós fomos lá. Acertamos um aluguel pela pista e começamos a mudança do Xingu. O avião do Adão saía da ilha do Xingu, levava a equipe e material, e ia para Altamira abastecer, trazia combustível dentro do avião, saía de novo, fazia esse triângulo. Porque não tínhamos combustível no Xingu, então ele tinha que fazer o triângulo, o aviãozinho fazer esse triângulo com pernas de mais ou menos 300 quilômetros, duzentos e poucos quilômetros, fazendo essa triangulação para fazer a mudança. E chegou o dia de mudar o helicóptero, daí surgiu o primeiro impasse. O voo dava mais ou menos umas duas horas de helicóptero, contra o vento, com autonomia do helicóptero de duas horas. E helicóptero cair na mata é pior do que um avião porque não tem nem asa, então quando cai na mata ele afunda, nunca mais ninguém acha. Nunca mais ninguém acha! E eu, como Chefe da equipe, me julgava na obrigação de fazer o voo com o piloto, não mandar outra pessoa para fazer o voo, então eu tinha a responsabilidade de fazer. Eu estava com a equipe lá, e o Tolbert falou: "Faça a mudança". Autorizou, foi para o Rio e eu comecei a fazer a mudança com a equipe lá, na última semana de julho de 67. Aí dois fatos também que ajudaram. No dia em que eu fui admitido no Rio pelo Tolbert, tinha um mapa antigo do IBGE, aquele mapa que era todo meio torto, e de repente ele falou a região que a gente ia trabalhar e vi que ali tinha pouco rio e eu falei: "Como eu vou me orientar nessa região?" Aí, acidentalmente eu olhei, e tinha o rio Itacaiúnas que cortava leste-oeste, e lá do outro lado tinha o rio Xingu, rio Fresco, e saía um pequeno afluente do rio Fresco chamado Icarapanã, e no lugar da cabeceira dos dois rios, no afluente de Itacaiúnas, e no afluente do rio Fresco, quase se juntavam. O Itacaiúnas era afluente do Tocantins e o rio Fresco do Xingu, então dois rios secundários, e o terceiro rio, os dois terceiros rios, o Cateté e o Carapanã quase juntavam. Então, na visão intuitiva eu falei: "Bom, se eu me perder nessa região..." A ideia simplista de quem está no Rio de Janeiro, imagina? "... esses dois, têm um eixo hidroviário aqui nessa área." Então, quando chegou a hora de deslocar o helicóptero, esse eixo veio na minha cabeça e falei: "Se eu vou voar aqui sem nunca ter voado.." – era o meu primeiro voo de helicóptero, eu nunca tinha voado de helicóptero – "... eu vou voar num lugar que se eu cair alguém pelo menos sabe onde procurar." Só que daí tinha um problema, o voo em linha reta dava duas horas, e desse jeito dava quase quatro horas. Então, o jeito era levar a gasolina do helicóptero no bagageiro, e cada lugar que você encontrasse uma possibilidade de pouso, você descia e abastecia. O que significava isso? Que você tinha mais uma hora pela frente, que se não conseguisse pousar, voltava àquele lugar de novo. Então a cada 15 minutos que você voava, você ganhava mais 15 minutos. Então foi desse jeito. A gente saiu, foi até São Félix do Xingu, abasteceu, depois do rio Fresco pousamos num pedal no meio do rio, abastecia. No Icarapanã encontramos uma pedra no meio do rio, descemos, e no divisor de águas, quando se ficava sem rio nenhum, existia uma serra muito bem marcada, bem alcantilada e com uma pequena clareira que a gente via nas fotografias, semelhante às outras, só que menor. Então essa clareira foi escolhida também como um ponto de reabastecimento. Quando o helicóptero começou a baixar, tem um arbusto chamado canela-de-ema que tem muito em Goiás, em Tocantins e lá também tem. Parece uma pequena palmeirinha, e o piloto Aguiar, já falecido, que voava comigo e já tinha mais de 50 anos, ele me chamava de "chefinho" porque eu tinha 27 anos e eu era chefe dele. E ele falou: "Chefinho, olha o rotor de cauda para ver se não bate no arbusto". E o helicóptero começou a baixar e, quando começou a baixar, aquele mundão de canga de minério de ferro, aquele negócio preto ali no chão, e eu comecei a ficar entusiasmado com aquilo e me distraí, então o rotor de cauda bateu numa pequena árvore, um pequeno arbusto. O Aguiar falou então um sonoro palavrão, me deu uma bronca por não ter olhado, e foi mais para a frente. Então eu olhei direito, pousamos, e daí é imediatamente um raciocínio simples. Se minha neta pousasse lá ia falar: "Será que as outras clareiras também são de minério de ferro?" Um negócio assim primário! E depois, quando muitas pessoas me entrevistaram a respeito da descoberta e falaram: "O que você ganhou com a descoberta de Carajás?" Eu falei: "Ganhei aquele momento". Não tem preço! Você, como profissional da área, de repente você não sabe mas sente, eu não sabia que estava descobrindo, mas sentia que estava descobrindo algo muito grande. Quer dizer, aquele momento, você sozinho com o helicóptero no meio da selva sem nada em volta, e viver aquele momento, não tem preço. Não tem preço nenhum. Daí nós decolamos, e o Aguiar deu outra sugestão bem absurda, bem surrealista, que ele não ia desligar o motor do helicóptero para ver o dano por dois motivos: primeiro que poderia ser que depois o motor não pegasse, que a gente sempre tinha problema de magneto na partida, que nem sempre o motor pegava então de repente aí não conseguiria sair dali. O outro helicóptero não estava funcionando, então não tinha como sair daquele lugar. A pé nem pensar! E segundo, se ele visse que o dano tinha sido muito grande, ele ia ficar sem condição psicológica para decolar, então só havia um jeito: ir na loteria. E vai decidir o quê? Está decidido! Tem só uma solução. Aí nós decolamos daquele lugar, e o trecho mais crítico foi enquanto a gente tinha saído do Carapanã, estava na selva, e tinha que pegar o rio Cateté. Porque chega no Cateté o pior que acontecia era cair no rio. E no rio a gente, bem ou mal, ia seguindo o rio e íamos chegar na aldeia dos índios, onde a equipe estava nos esperando, o avião do Adão estava esperando, combustível etc. e tal. E para afastar o medo, porque a gente estava com medo, os dois estavam morrendo de medo, não vou dizer que não. Não tem herói sem medo! E naquele momento, tanto ele que era experiente, foi um dos pilotos de helicóptero pioneiros do Brasil, estava morrendo de medo, como eu estava morrendo de medo por ser o meu primeiro voo. Então o que nós encontramos para espantar o medo foi cantar, porque cantando o tempo ia passando, então naquele voo que durou uns 20 minutos até chegar na aldeia a gente foi cantando: "Vamos passear na floresta enquanto o lobo não vem". O lobo era o helicóptero cair. Isso a gente foi cantando, cantando, e felizmente conseguimos chegar na aldeia. Na aldeia dos índios, abastecemos, contamos já o que tinha acontecido para a turma, os geólogos não estavam lá, estava só a equipe de piloto, mecânico. Olharam o dano e acharam que o dano não era muito crítico e decolamos. Com dois minutos fora da aldeia houve um pane no motor. O motor começou a ratear, o magneto começou a falhar, o helicóptero começou a ficar bambo e nós conseguimos voltar para a aldeia e pousar de volta e prosseguimos a viagem até o Castanhal (do Cinzento) no avião do Adão. Dois, três dias depois, o geólogo Riter foi com o piloto buscar o helicóptero e para ir fazendo mapeamento do rio Itacaiúnas até chegar no Castanhal, pegando amostra, etc. e tal, e quando chegou de noite, ele não chegou. Aquela batida no rotor de cauda trincou o eixo do rotor de cauda, e o rotor estava virando. No dia 2, quando eles foram fazer o traslado, depois consertar o motor, o eixo rompeu em voo e no dia seguinte eles tinham desaparecido. Eu saí com o piloto Adão e sobrevoamos o local, eles tinham conseguido descer no meio de uma pedra e tinham passado a noite em cima da pedra. Nós jogamos remédio, bilhete para eles e um barco foi buscá-los naquele local. Quer dizer, poderia ter acontecido com a gente quando a gente decolou da área, e caído na selva, e eu não estaria aqui para contar a história, nem o piloto, quer dizer, então as coisas acontecem...
BRENO AUGUSTO DOS SANTOS - Nasceu em Olímpia, SP, em 01/07/1940. Geólogo, foi o responsável pela descoberta da reserva de minério de ferro de Carajás (1967).
Trecho extraído da página de Breno no Museu da Pessoa (www.museudapessoa.net)
Eldorado existe, o descobridor também: Breno, o geólogo. Geração Editorial
Vídeo: 50 ANOS DA DESCOBERTA DO Fe DE CARAJÁS (1967-2017) - Breno A dos Santos (Memórias)

13 abril, 2016

A dorsal oceânica

Do leitor Jaime Nogueira:
Com prazer lhe repasso este intrigante artigo que me foi enviado por meu colega e vizinho, o geólogo Breno Augusto dos Santos, por acaso o descobridor de Carajás no longínquo ano de 1967.

"Vulcão" de 65 mil km pode ajudar a entender como a Terra funciona
por William J. Broad, The New York Times
Imagine um vulcão. Agora imagine que sua principal cratera seja uma linha longa sobre a terra. Agora, imagine que essa linha é tão longa que ela se estende por mais de 65 mil quilômetros nos recônditos obscuros de todos os oceanos do planeta, como as costuras de uma bola de futebol.
Seja bem-vindo a uma das características mais obscuras e importantes da Terra, conhecida pelo nome prosaico de "dorsal oceânica". Ainda que seja longa o bastante para dar seis voltas em torno da Lua, a dorsal recebe pouca atenção, já que fica escondida nas profundezas escuras da Terra. Os oceanógrafos perceberam sua natureza vulcânica em 1973. Desde então, expedições caríssimas começaram lentamente a explorar esse mundo subaquático, que geralmente fica a mais de 1,5 quilômetro abaixo da superfície do mar.
Os resultados podem fazer as visões de Júlio Verne parecerem comedidas.
Ler Mais.

Bônus
Eldorado existe, o descobridor também: Breno, o geólogo. In: Geração Editorial
Vídeo História da Criação da Docegeo

01 abril, 2015

Ouro de tolo

O professor se lembra de 1º. de abril com um olhar fascinante e nostálgico para uma substância associada aos tolos - a pirita de ferro.
Quando era criança, ele passava as férias em Elba com a família, quando o pai comprou a pirita de... "um homem que parecia um pirata".(*)



"Logo será primeiro de abril, e eu penso que seria bem interessante falar sobre um composto que tem a palavra tolo no nome. Trata-se do dissulfeto de ferro. Também chamada de pirita - o ouro de tolo. Porque muitas pessoas o confundem com ouro. Pode ver, eu tenho uma amostra aqui. Isto é interessante... Eu fiquei entusiasmado, porque achei que era um grande pedaço de ouro. Mas é só ouro de tolo. Dissulfeto de ferro. Com a luz certa, seus cristais realmente brilham... quase como ouro. É bem parecido com o ouro verdadeiro. Mas, infelizmente, só com uma fração do valor. Esta amostra, porém, tem um grande valor sentimental para mim, porque foi comprada por meu pai."

(*) Eu acho que o pai do professor disse: "comprei de um homem uma pedra que parecia pirita" e não "comprei a pedra de um homem que parecia um pirata".