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07 agosto, 2026

A faísca está viva

Elizabeth Blackburn (foto) é bióloga molecular e bioquímica. Ela é ex-presidente do Instituto Salk de Estudos Biológicos e professora emérita da Universidade da Califórnia, em São Francisco. Em 2009, dividiu o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina por desvendar a estrutura dos telômeros, as extremidades protetoras dos nossos cromossomos que ajudam a salvaguardar o DNA, e por contribuir para a descoberta da telomerase, a enzima que mantém essas extremidades intactas. Scientific American (SA) entrevistou-a sobre o estado da ciência nos Estados Unidos. Abaixo, um trecho desta entrevista.

SA: Como você descreveria o estado atual da ciência americana?
EB: Eu diria que está sitiada e sob ataque. O ataque vem de vários fatores, e um deles tem sido os ataques sistemáticos à ciência, ao seu financiamento e ao apoio que ela recebe, por parte da atual administração. Há também um ataque ao acesso de pessoas que historicamente têm sido sub-representadas, e isso está prejudicando muito os esforços para atrair mais talentos para carreiras na ciência. É como jogar fora algo que historicamente teve efeitos substanciais. Fico muito triste e chocada que estejamos desperdiçando tantas oportunidades. Outra coisa realmente triste é o ataque à verdade que vemos no discurso público. Isso é, na verdade, um ataque à ciência, porque, afinal, o que é a ciência? É buscar a verdade verificável.

SA: O que lhe dá otimismo neste momento?
EB: Vejo jovens, especialmente crianças, que vêm a lugares como o museu da Academia de Ciências da Califórnia em São Francisco, e você simplesmente vê como a curiosidade deles é grande e como eles se sentem inspirados. Então, tenho esperança. É uma esperança um tanto distante, porque são jovens, mas tenho esperança de que essa chama de interesse e curiosidade, que é o que impulsiona a ciência fundamental, esteja viva e forte. Essa chama não se apagou nas crianças.

SA: Como sua área de atuação mudou nos últimos anos?
EB: No meu caso, a bióloga molecular Carol Greider, da Universidade da Califórnia, Santa Cruz, e eu descobrimos a telomerase há décadas, através de sua atividade enzimática. Agora, após muito trabalho bioquímico e grandes avanços em microscopia de imagem e criomicroscopia eletrônica, é possível visualizar a aparência da telomerase. Por outro lado, agora é possível analisar os seres humanos usando abordagens computacionais de grande escala, o big data. Isso é extremamente benéfico.

20 outubro, 2025

Mudanças positivas

O inventor do domo geodésico falou uma vez sobre a melhor maneira de realizar mudanças positivas. Ele disse que raramente se muda algo lutando contra isso diretamente. Em vez disso, deve-se construir um novo sistema ou modelo que torne o modelo existente obsoleto.
Em 1995, Mike Vance e Diane Deacon publicaram "Think Out of the Box". O casal era consultor de negócios. Anteriormente, Vance havia trabalhado para The Walt Disney Company, onde fazia parte de uma equipe que trabalhava em ideias inovadoras para o parque temático Walt Disney World.
Vance entrevistou pensadores criativos para ajudar a desenvolver novos conceitos. Ele descreveu o encontro que teve com Buckminster Fuller em um pequeno motel de praia em Santa Monica. A entrevista deve ter ocorrido em 1983 (antes da morte de Fuller).
Bucky sentou-se em uma confortável poltrona reclinável, tomando chá pensativamente em sua xícara, enquanto conduzíamos uma entrevista inesquecível com uma das pessoas mais incomuns do mundo...
Ele falou calmamente:
"Você nunca muda nada lutando contra isso; você muda as coisas tornando-as obsoletas por meio de tecnologia superior. A Telstar substituiu 500 toneladas de cabo transoceânico. Costumava-se levar três anos para circunavegar o globo em uma nau com casco de madeira, três meses em um navio de aço, 90 minutos em uma cápsula espacial e, agora, é tudo instantaneamente com as telecomunicações."

20 junho, 2025

Mitos e verdades sobre dinheiro, sucesso e felicidade

Permita-me lhe oferecer um prato de sopa — mas não uma sopa qualquer. Esta é densa, filosófica, feita de ideias reconfortantes e temperada com sabedoria. Sirva-se. Sente-se com calma, aconchegue-se sob um cobertor imaginário, e disponha-se a ouvir um pensador.
Ele não traz apenas histórias: carrega conselhos, reflexões, provocações — talvez até algumas respostas. Afinal, a vida é breve, e nela somos lançados sem manual de instruções, como quem cai de paraquedas num mundo em movimento.
Tropeçamos, erramos, recomeçamos. Como um bebê que aprende a andar, precisamos cair para entender o equilíbrio. Mas há um segredo: se alguém nos estende a mão, o caminho se torna menos incerto. A jornada se equilibra, acelera — e o sucesso, muitas vezes, floresce nesse amparo. A sabedoria nasce do olhar atento às experiências alheias.
Hoje, convido-o a ouvir um desses guias — não um guru, mas um professor da vida. Clóvis de Barros Filho nos ajuda a pensar, com lucidez e paixão, sobre aquilo que tanto buscamos: dinheiro, felicidade... e talvez o sentido de tudo isso.
Nelson José Cunha
VÍDEO (1:26)

14 novembro, 2024

O homem que piscava

Um homem com um problema de piscar os olhos está a candidatar-se a um emprego como representante de vendas numa grande empresa. Ele tem a melhor formação, reputação e experiência.
O responsável pelo RH disse: "Normalmente, contratá-lo-íamos num abrir e fechar de olhos, mas as vendas são uma atividade muito visível e o seu problema de piscar constantemente os olhos pode incomodar os clientes. Lamento, mas não podemos contratá-lo".
"Mas espera", disse o homem. "Se eu tomar duas aspirinas, o meu piscar de olhos cessa. Deixe-me mostrar-lhe".
Então, ele meteu a mão nos bolsos à procura de aspirinas e vários pacotes de preservativos caíram pelo chão. Finalmente encontrou a aspirina, tomou duas e deixou de piscar os olhos.
Isso é espantoso", disse o responsável pelo RH. "No entanto, esta é uma empresa de renome e não podemos contratar alguém que gosta tanto de mulheres como você parece gostar".
Espantado, o homem disse: "Mulherengo? O que é que você quer dizer com isso? Sou um homem casado e fiel!"
"Então", perguntou o responsável pelo RH, "como você explica todos estes preservativos?"
"Ah, isso", suspirou. "Já alguma vez entrou numa farmácia a piscar o olho e pediu aspirinas?
(David Penfold)

O significado por trás de uma piscada de olho (intencional) 
Uma piscada de olho pode ser um cumprimento, um flerte ou até mesmo uma forma de dizer que o que está sendo dito não é verdade. Esse último significado é muito usado na cultura ocidental, que adotou o ato de piscar com um olho só para simbolizar uma piada ou uma mentira.

29 março, 2024

Origem do labirinto

"Em dezembro de 1970, Dorothea e eu visitamos a Argentina, onde eu daria algumas palestras sobre administração. Em minha correspondência sobre a visita, fiz algo que nunca fiz antes nem depois - pedi uma audiência com uma celebridade. Durante uma década, admirei as histórias de Jorge Borges (na época não conhecia sua poesia) e fiquei impressionado com o papel que os labirintos desempenhavam nelas. Eu queria saber por quê...
Conheci Borges em seu belo escritório barroco de teto alto na Biblioteca Nacional. Tivemos várias horas de conversa (em inglês)...
BORGES: Mas eu gostaria de saber por que você está interessado em ter essa conversa.
SIMON: Quero saber como foi que o labirinto entrou no seu campo de visão, nos seus conceitos, para que você o incorporasse nas suas histórias.
BORGES: Lembro-me de ter visto uma gravura do labirinto em um livro francês – quando eu era menino. Era um edifício circular sem portas, mas com muitas janelas. Eu olhava para essa gravura e pensava que se aproximasse uma lupa [uma pequena lupa] ela revelaria o Minotauro."
Models of My Life, por Hebert A. Simon. Basic Books/HarperCollins, 1991. Acesso em 2024: https://www.borges.pitt.edu/sites/default/files/1714.pdf

Atalhos

25 setembro, 2022

De túmulo a cúmulo do samba

Caetano Veloso compôs a canção "Sampa" em 1978, durante as comemorações do aniversário da cidade de São Paulo. Nestes 44 anos de existência, a composição ganhou o coração dos paulistanos. Ainda hoje, não só estes usam a designação carinhosa para se referir à cidade que os Novos Baianos passeiam em sua garoa.



Eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços / Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva / Pan-Américas de Áfricas utópicas, túmulo do samba / Mais possível novo quilombo de Zumbi.

Relendo a entrevista que Antônio Maria fez com Vinicius de Moraes para a revista "Senhor", entende-se que, ao lançar sua famosa blague, o Poetinha não estava chamando São Paulo de "túmulo do samba". 
Maria: Em que regime político você gostaria de viver: na democracia ou no socialismo?
Vinicius: No socialismo. Mas, com samba. Essa seria a mais linda solução para o Brasil. A reforma agrária tem de vir, mas é preciso que Ciro Monteiro, João Gilberto, AC Jobim e você venham juntos.
Vinicius estava a defender a ideia de um socialismo - com samba!
A cidade de Adoniran Barbosa, Paulo Vanzolini, Vadico, Anibal Augusto Sardinha (o Garoto, precursor da bossa nova), Carlinhos Vergueiro, Germano Mathias, Eduardo Gudin, Demônios da Garoa e do segundo maior carnaval de escolas de samba no Brasil estaria mais para "cúmulo do samba", não é mesmo?

http://twitter.com/rbressane/status/1479863667629899782
http://www.carlinhosvergueiro.com.br/
http://catracalivre.com.br/arquivo/conheca-6-simbolos-do-samba-paulistano/

07 janeiro, 2022

Do outro lado das paredes

Em uma belíssima entrevista á Julliany Mucury, no programa "Tirando de Letra" (https://www.youtube.com/watch?v=0pzLHDYOcC0), Mia Couto falou poeticamente sobre vários assuntos.
Quase ao final, perguntado como é possível a poesia nascer da dor, Mia Couto ilustrou a resposta com uma frase de Ho Chi Minh. Este político, também poeta, ao ser questionado como teria sido possível escrever seus belos versos numa prisão tão opressiva e desumana, respondeu: "Eu desvalorizei as paredes.".
E Mia Couto completou: "É preciso não morar na tristeza."
Ou seja, as paredes somos nós que construímos, ou são os outros que constroem em nossa volta. Por isso, podemos e devemos "desvalorizar as paredes" e ver além das que nos cercam, sejam elas reais ou emocionais.
Ho Chi Minh parece ter sempre "desvalorizado as paredes", pois saiu de seu posto de garçom no Rio de Janeiro para derrotar "apenas" o exército mais poderoso do mundo e se tornar Presidente e Poeta de uma grande Nação.
Mia Couto também. Saiu de uma desconhecida província de Moçambique para se tornar "apenas" um dos maiores escritores contemporâneos.
Então, neste momento de pandemia, de imensa dor e isolamento social vamos "desvalorizar as paredes" e vamos "morar na alegria" de vislumbrar um mundo sadio, fraterno e feliz. Muito além das paredes.
Fernando Gurgel Filho


03 agosto, 2021

Entrevista: Breno Augusto dos Santos, descobridor do ferro de Carajás

O geólogo Breno (foto), então com 27 anos de idade, bateu com o martelo em uma pedra e saiu um pó vermelho. Tinha encontrado uma reserva de 18 bilhões de toneladas de minério de ferro! A descoberta de Carajás

No último sábado, dia 31 de julho de 2021, fez 54 anos que o geólogo Breno Augusto dos Santos, hoje com 81 anos de idade, descobriu a maior jazida de minério de ferro do Brasil, uma das maiores reservas geológicas do mundo, com 18 bilhões de toneladas do mineral. Ele, porém, não estava em busca de ferro e sim de manganês, acabando por também descobrir a Serra Buritirama, uma das maiores minas de manganês do planeta.
Mais de meio século depois, porém, Breno, que hoje vive no Rio de Janeiro e concedeu entrevista exclusiva ao Blog do Zé Dudu, faz um alerta a Marabá, Parauapebas, Curionópolis e Canaã dos Carajás: mina acaba e esses municípios não estão se preparando para esse momento. “Se esses municípios não formarem uma competência local, para ter uma solução futura, a história vai ser muito triste”, vaticina.
(matéria enviada por Jaime Nogueira)

Íntegra desta entrevista disponível em: http://www.zedudu.com.br/entrevista-breno-augusto-santos-descobridor-do-ferro-de-carajas/. Publicada em 31/07/2021

23 maio, 2021

A arte de fazer perguntas

Ruy Castro, jornalista e escritor
Nas últimas semanas, recorri à minha já quase secular trajetória pela imprensa para cometer dois artigos ("Perguntas à queima-roupa", 7/5, e "Pequeno manual para a CPI", 12/5), em que tentei passar a possíveis interessados — os senadores da CPI da Covid, por exemplo — algumas dicas sobre como fazer perguntas. Afinal, é delas que vivem os jornalistas, e alguns tiveram a sorte de trabalhar em veículos em que a entrevista era uma grande atração.
Um deles, a antiga Playboy, cujas entrevistas passavam tal seriedade que mesmo os mais alérgicos a elas, como Frank Sinatra e Miles Davis, aceitaram concedê-las. A própria edição brasileira, em sua melhor fase, nos anos 80 e 90, entrevistou empresários, candidatos à Presidência e até suas maiores inimigas: as feministas. E por que eram tão boas as entrevistas de Playboy? Porque seus repórteres tinham cláusulas pétreas a seguir na elaboração da pauta e na sua aplicação. Eis algumas.
Preparar-se para a entrevista como se fosse a última que o sujeito daria em vida. Ler sobre ele para aprender tudo que se sabia a seu respeito, para perguntar justamente sobre o que não se sabia. Fazer uma pauta com centenas de perguntas, com perguntas alternativas entre uma e outra, como repique à pergunta anterior.
Nunca fazer duas perguntas ao mesmo tempo — faz-se a primeira e mantém-se a seguinte engatilhada. Ficar atento à resposta para possíveis buracos e ir a eles em seguida. Nunca cortar ou se intrometer numa resposta — afinal, o camarada está ali para falar. Em caso de súbito branco numa resposta, nunca tentar "ajudar" o entrevistado — ele que se obrigue a preenchê-lo e, ao fazer isso, dirá o que não queria.< br /> E, se o entrevistado mentir, nunca chamá-lo de mentiroso na lata, claro, mas fazer com que ele perceba logo que você não se deixou tapear. Afinal, os repórteres, ao contrário da CPI, não têm poder de prisão.
Grato a Jaime Nogueira pelo envio desta matéria.

21 outubro, 2020

Entrevista de emprego (5)

Um sujeito está em um teste para emprego. O empregador dirige-se ao candidato e diz:
— Vou lhe aplicar o teste final para sua admissão.
— Perfeito, diz o candidato.
Aí o empregador pergunta:
— Você está em uma estrada escura e vê ao longe dois faróis emparelhados vindo em sua direção. O que você acha que é?
— Um carro - diz o candidato.
— Um carro é muito vago. Que tipo de carro, uma BMW, um Audi, um Volkswagen?
— Não dá pra saber, né...
— Ihh, assim você vai mal, muito mal — diz o empregador, que continua.
— Vou lhe fazer uma outra pergunta: Você está na mesma estrada escura e vê só um farol vindo em sua direção, o que é?
— Uma moto, diz o candidato.
— Sim, mas que tipo de moto, uma Yamaha, uma Honda, uma Suzuki?
— Sei lá, numa estrada escura, não dá pra saber! — diz o homem já meio nervoso...
— Assim você não vai passar. Aqui vai a última pergunta: na mesma estrada escura você vê de novo só um farol, mas menor e você percebe que vem bem mais lento. O que é?
— Uma bicicleta.
— Sim, mas que tipo de bicicleta? Uma Caloi, uma Monark, uma Sundown?
— Não sei!
— Você está reprovado, diz o empregador.
O candidato então se levanta para sair, mas antes fala ao empregador:
— Interessante esse teste. Posso lhe fazer uma pergunta também?
— Claro que pode. Pergunte.
— O senhor está numa rua iluminada. Vê uma moça com maquiagem carregada, vestidinho vermelho bem curto, girando uma bolsinha, o que é?
— Ah!, diz o empregador. — É uma prostituta!
— Sim, mas que tipo de prostituta? Sua irmã, sua mulher, sua mãe...?

http://www.tudoporemail.com.br/content.aspx?emailid=4834

Buscar emprego: 1, 2, 3 e 4

31 agosto, 2020

Não deixe que prendam Nara Leão

Cacá Medeiros Filho

O ano era 1966. Castelo Branco, o primeiro Presidente da ditadura, estava terminando o mandato. O regime ia promover uma "eleição indireta" para escolher o novo Presidente, sendo o General Costa e Silva o imbatível candidato oficial. Nara Leão comentou, em uma entrevista a um matutino carioca, que achava certa a escolha de um civil para a Presidência da República e afirmou, ainda, que considerava os exércitos desnecessários e prepotentes.
As declarações da musa da bossa nova chocaram a cúpula militar. Quase imediatamente, o gabinete do Ministro da Guerra enviou ao Ministério da Justiça uma representação contra Nara Leão, responsabilizando-a criminalmente, com pena que poderia atingir de um a cinco anos de cadeia, de acordo com o artigo 14 da Lei de Segurança Nacional.
Na opinião de vários militares, a entrevista, dentro de um plano de agitação que a cantora estaria participando, poderia ter algum dos seguintes objetivos: colocar o povo contra a eleição no Congresso do futuro Presidente; fortalecer o MDB para o lançamento de um candidato civil ou promoção pessoal numa tentativa de desmoralizar a "Revolução de março".
O documento enviado à Justiça continha uma análise digna de figurar nos anais do FEBEAPÁ: "a cantora preconiza a escolha de um Presidente civil, que governaria o país nos moldes estatais, guiado por uma política nacionalista que nada difere da linha nitidamente comunista". É bom lembrar que esse fato ocorria antes do período mais negro da ditadura, iniciado após a promulgação do AI-5, em dezembro de 1968.


Nara Leão rebateu a acusação, classificando de "cômico o papel de alguns militares, quando declaram que participo de uma conspiração. Quem sou eu para conspirar? A comicidade desses homens que consideram o regime ameaçado por conta de uma opinião pessoal de uma cantora, demonstra como o Brasil está afetado na sua liberdade".
A solidariedade à Nara foi ampla, abrangendo a população em geral, seus inúmeros fãs, artistas e intelectuais. Um admirável exemplo foi o poema, singelo e irônico, que Carlos Drummond dedicou ao tema e que transcrevo a seguir.


(texto sugerido por Jaime Nogueira)

O dia em que a ditadura matou Mané Garrincha

17 julho, 2020

O homem que inventou o emoji

Quando Shigetaka Kurita criou o primeiro emoji em 1999, ele teve que trabalhar com uma grade medindo 12 por 12 pixels.
São 144 pontos, ou 18 bytes de dados, o que significa que o conjunto completo de 176 pictogramas do designer japonês ocupava pouco mais de 3 kilobytes. Uma dose minúscula de informação, mas uma enorme quantidade de significado.
"Se você tivesse o desafio de traduzir 176 idéias, incluindo pessoas, lugares, emoções e conceitos em símbolos de 12 bits, tudo dentro de cinco semanas, a maioria dos designers desmaiaria com a idéia."
Seus emojis foram criados para um propósito muito específico: facilidade de comunicação em um sistema de Internet móvel nascente desenvolvido pela gigante japonesa de telecomunicações NTT DoCoMo. O sistema oferecia e-mails, mas eles eram restritos a 250 caracteres; portanto, os emojis eram uma maneira de dizer mais em um espaço limitado.
Kurita, que tinha apenas 25 anos na época, teve que trabalhar dentro de várias limitações. Mas nenhum foi maior que a escassa resolução de 144 pixels, e é por isso que o emoji original parece tão irregular em comparação aos modernos.
"Não gostei, porque o número de espaços na grade não era um número ímpar, e não conseguir encontrar um centro tornava o desenvolvimento do emoji extremamente trabalhoso", disse Kurita.
Hoje, os emojis são frequentemente criados com gráficos vetoriais, para que possam tecnicamente escalar até uma resolução ilimitada.
Emoji permaneceu em grande parte confinado ao Japão por mais de uma década. Embora tenham sido imediatamente copiados por outras empresas de telecomunicações japonesas, os símbolos não foram padronizados, o que significa que não podiam ser usados ​​em redes diferentes.
Somente em 2010, os emojis foram incorporados ao Unicode, o padrão que governa a codificação do software por texto. Nesse ano, 722 emojis foram lançados no iPhone e no Android.
"No Japão, eles foram um grande sucesso imediatamente, mas o uso de emoji no exterior realmente decolou a partir de 2012, e fiquei surpreso com esse intervalo de tempo", disse Kurita.
Hoje (2018) existem 2.789 emojis na lista oficial do Unicode . Eles parecem muito diferentes da simplicidade pixelizada dos desenhos de Kurita.
"Os emojis contemporâneos não são realmente emojis", disse ele. "Em vez disso, a maioria deles são simplesmente imagens, eu acho. Como dificulta a inserção deles, agora também pode haver muitos. Não parece haver um aumento no tipo de emoji que alguém pode usar apenas uma vez?"
No entanto, Kurita mantém uma visão positiva do impacto dos emojis:
"(Eles são) usados ​​para aprimorar a comunicação digital, centralizada no telefone móvel. Como a comunicação humana não ocorre apenas digitalmente, não acho que os emojis possam prejudicar. isto."
O emoji mais popular, pelo menos no Twitter (https://twitter.com/emojitracker), é o chamado "rosto com lágrimas de alegria", que apareceu em mais de 2 bilhões de tweets desde que um site chamado Emojitracker começou a monitorá-los em 2013.
Quanto ao favorito de Kurita?
"O coração é o meu emoji favorito número um, porque entre os vários emojis, (seu significado) é muito positivo. Eu não gosto de nenhum dos emojis. Outros emojis que eu gostaria de ter criado? O emoji de cocô, mas na época ... NTT DoCoMo (disse) 'não é bom' e eu não consegui criá-lo."

Shigetaka Kurita: The man who invented emoji, CNN Style

17 de julho, #DíaMundialDel Emoji

Bônus: "Emoji, O Filme"
Escondida dentro do app de texto está Textopolis, uma cidade cheia de vida onde os emojis vivem, aguardando ser selecionados pelo dono do telefone celular. Neste mundo, cada emoji tem apenas uma expressão facial - exceto Gene, um emoji que nasceu sem filtro e que se multiplica pelas mais variadas expressões. Determinado a tornar-se "normal" como os outros emojis, Gene conta com uma mãozinha do seu melhor amigo, Hi-5 e com a hacker emoji Rebelde. Juntos, eles embarcam numa aventura épica através dos apps do telemóvel, cada uma com o seu mundo de diversão e perigos, para encontrar o código que irá curar Gene. Mas quando um grande perigo ameaça o telemóvel, o destino de todos os emojis depende destes três amigos que terão de salvar o seu mundo antes que este seja para sempre apagado. Cena: "Just Dance".

02 junho, 2020

Entrevista de emprego (3)

"Quais são seus pontos fortes?"
Apaixono-me facilmente.
"Ok. Quais são suas fraquezas?"
Estes seus olhos azuis...

Buscar emprego: 1, 2

14 maio, 2020

Haverá mudanças?

Fernando Gurgel Filho
Em uma entrevista para O Estado de SP, à pergunta "Há muita expectativa sobre o que está por vir – do ponto de vista emocional, o que mudará na humanidade depois da pandemia: a solidariedade será maior? Haverá mais transcendentalismo ou materialismo?", Mia Couto respondeu: "Não sou muito otimista em relação a uma mudança total. Não iremos despertar amanhã, no final desse surto epidêmico, com uma mentalidade coletiva nova. Tenho dúvidas das mudanças que se alcançam por via do medo. Gostaria, no entanto, de acreditar que haverá lições importantes: por exemplo, uma percepção mais clara da importância do Estado, dos sistemas públicos de saúde e de educação, do ideal da cooperação solidária em vez da competição e da exclusão." 
Por coincidência, outro dia, estava justamente escrevendo algo sobre isto. Sobre o que mudará. E o que escrevi parece que está dentro da linha de pensamento do Mia Couto.
Tenho uma amiga que sempre repete: "Sobreviventes são perigosos porque sabem que podem sobreviver".
E, na solidão do isolamento social, comecei a pensar nesta frase, a partir de outra que as pessoas divulgam quase todos os dias: "O mundo depois da pandemia nunca mais será o mesmo". Querendo dizer, com isto, que a humanidade mudará radicalmente. E, da forma como anunciam isto, tende a mudar para melhor. O que a frase de início nos deixa em dúvidas quanto a esta mudança para melhor.
Ora, sabemos que o mundo não muda, assim, do dia pra noite. Pode ter mudado muito, depois do cataclismo da dimensão do que destruiu os dinossauros e quase toda a vida na superfície do planeta. Mas não existe nenhuma comprovação científica de que o que ficou, principalmente vidas, tenha sido melhor para o planeta do que o que foi destruído.
Aconteceram mudanças importantes depois das Grandes Guerras? Aconteceram mudanças importantes depois das grandes pandemias: peste negra, gripe espanhola...? Talvez. Algumas instituições, algumas formas de organização do Estado começaram a ser questionadas, mas, na minha opinião, o ser humano, em sua unicidade e, por consequência, em sua totalidade, não parece ter mudado muito, não.
E os sobreviventes, muitos dos quais, fortes o suficiente para sobreviver a uma tragédia, não parecem ter sido "escolhidos" por serem mais solidários, humanistas ou fraternos, do que os outros. Foram apenas por uma questão de melhor adaptabilidade às novas condições. Mas a essência do ser humano não mudou. Seus hábitos, sua luta pela sobrevivência, suas crenças, sua organização social... Nada disso mudou.
Não para melhor. Pelo menos, não a curto prazo. E somente aconteceram mudanças importantes no mundo, na sociedade, com muita luta dos que sobreviveram e que já tinham, antes da tragédia, outra perspectiva de vida para o mundo.
Enfim, uma pandemia, por si só, não quer dizer que a sociedade, a humanidade, vá melhorar. Muito pelo contrário. Infelizmente. Mesmo que a maioria dos seres humanos sofra muito com a doença e o isolamento social.

06 março, 2020

O que há fora da simulação?

Uma hipótese filosófica conjeturou que nossas experiências são simplesmente uma ilusão. E uma versão tecnológica moderna dessa hipótese sugere que as experiências fazem parte de uma simulação em computador.
Qualquer pessoa que use um fone de ouvido de realidade virtual já teve a sensação de estar imersa em uma simulação de computador.
Os tecnólogos estão cientes dos avanços exponenciais na velocidade e capacidade dos sistemas de computação. O número e a qualidade das simulações que podem ser realizadas com esses sistemas crescem muito rapidamente.


O proeminente empresário Elon Musk, que fundou as empresas inovadoras Tesla, SpaceX e Neuralink, considera que a hipótese da simulação deve ser levada a sério.
Em abril de 2019, uma entrevista de Elon Musk realizada por Lex Fridman foi postada no site do YouTube. Fridman é professor e cientista pesquisador em inteligência artificial (AI, em inglês) que trabalha no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).
A dupla discutiu uma variedade de tópicos, incluindo a hipótese da simulação. O seguinte diálogo (LINK) ocorreu perto do final da entrevista:
Lex Fridman: Então, quando, talvez você ou outra pessoa criar um sistema inteligência artificial geral, e você fizer uma pergunta a ela, qual seria essa pergunta?
(Longa pausa)
Elon Musk: O que há fora da simulação?
Em conclusão, Elon Musk indicou que ele (ou a humanidade) pode estar dentro de uma simulação. Ele acredita que um futuro sistema avançado de IA pode receber o comando de determinar o que está fora da simulação.

https://quoteinvestigator.com/2019/08/29/simulation/
https://www.wired.com/2011/09/are-we-living-in-a-simulation/

Relacionadas
É o universo uma simulação?
A questão da realidade como simulação

19 janeiro, 2020

Adeus, "Menino Passarinho"

Luiz Rattes Vieira Filho (12/10/1928-16/01/2020), pernambucano de Caruaru. Compositor, cantor e radialista. Faleceu na última quinta-feira, aos 91 anos, na casa de Saúde São José, onde estava internado.
Autor de canções inesquecíveis como "Inteirinha", "Os olhinhos do menino", "Guarânia da lua nova",  "Guarânia da saudade", "Paz do meu amor", "Prelúdio para ninar gente grande", também conhecida como "Menino Passarinho", "Na asa do vento" e "Menino de Braçanã", entre outras.
Na década de 1970, Luiz Vieira comandou um programa semanal na TV Ceará.
Em 17/08/2014, apresentou-se no programa "Senhor Brasil", em que foi entrevistado por Rolando Boldrin, na TV Cultura. Na ocasião, além de contar causos e falar sobre a carreira, cantou duas de suas músicas (vídeo).



"O nosso agora pranteado e sempre grande personagem comoveu os acadêmicos da ABL ao reafirmar todo seu viés de fidelidade à autenticidade das fontes da música brasileira. Além de seu amor ao rádio e à comunicação, permanentemente à disposição do público brasileiro, junto com suas composições, por mais de sete décadas. Portanto, digo e repito: A perda de Luiz Vieira quase que encerra o glorioso elenco da Era do Rádio e do Disco no Brasil." ~ Ricardo Cravo Albin

24 novembro, 2019

A história da internet no Brasil

Um vídeo do Olhar Digital.



Comentário de um internauta:
"... a mocinha utiliza duas listas telefônicas para posicionar seu monitor, CRT que nem tela plana é, na altura correta."

Tsk, tsk, tsk.

Este vídeo, que dura apenas seis minutos, mostra os primórdios da internet no Brasil. Demi Getschko, Diretor Presidente da NIC.br, foi a pessoa certa para a entrevista.

12 setembro, 2019

A berne como rito de passagem

Berne é uma infecção produzida por um estágio larval (tapuru, no popular) da mosca Dermatobia hominis, conhecida no Brasil como mosca-berneira, a qual infecta diversas espécies animais, eventualmente o ser humano.

Para a maioria, ter uma berne no corpo não seria motivo para comemorar.
Mas a maioria das pessoas não é entomologista (pessoas que estudam insetos), e aparentemente, alguns entomologistas topam essa parada. Segundo Phil Torres, biólogo tropical e entomologista, esse é um rito de passagem para aqueles que estudam insetos.
Phil Torres tem uma larva em suas costas.
"Conheço alguns entomologistas mais velhos que fizeram exatamente isso, e eles me contavam histórias quando eu ainda era universitário sobre a vez que pegaram uma berne e esperaram para ver quanto tempo aguentavam ficar com ela”, diz Torres. "Você pode dizer que é tipo um rito de passagem." [,,,]
"Não é segredo que entomologistas procuram oportunidades para ter a berne. Vemos isso quase como uma medalha de honra. No mundo dos trópicos há duas conquistas assim: ser picado por uma formiga-cabo-verde e outra é pegar uma berne. Consegui a picada da formiga alguns anos atrás. É a picada mais dolorosa do mundo, dói demais... É uma experiência interessante – você pode aprender mais sobre a natureza que estuda de um modo muito íntimo, por assim dizer." [...]
"É meio estranho, você consegue sentir a larva se mexendo..., Então, eu brinco com a minha esposa dizendo que 'ela está chutando', como se fosse um bebê."
Sua entrevista completa no site VICE Brasil.

Ler também: Como me tornei isca de sanguessugas