03 agosto, 2011

Que dia é hoje?

A história de um pequeno povoado onde todos ficaram "ariados" devido ao sumiço de um calendário de folhinha conforme o relato do escritor Fernando Gurgel Filho.
O tempo, representado pelo ir e vir do sol e da lua, bem como pelas mudanças de humor do clima - frio, quente, seco, chuvoso etc - sempre definiu o dia a dia da humanidade. E, com o tempo, a humanidade aprendeu a esperar o tempo certo para dormir, acordar, plantar, colher, sofrer e festejar.
O raiar do dia, anunciado pelo canto do galo, avisando que o sol está chegando para homenageá-lo, e pelo alarido dos pássaros em festa pelos bichinhos sonolentos que vão adoçar seus bicos, devem ter sido os primeiros despertadores do ser humano nos campos e florestas. Não havia mais que isso para marcar o tempo e este transcorria dia após dia. Não havia semanas, meses e anos.
Depois o homem aprisionou o tempo em artefatos, como ampulhetas, relógios e calendários, e o tempo aprisionou o homem para sempre.
Hoje não se concebe como um ser humano pode abdicar do tempo medido, cortado em fatias e apresentado como pedaços de bolo em festa.
Às vezes, podemos até esquecer o dia da semana ou o dia do mês, mas basta olhar para qualquer lado - celular, microondas, aparelho de cd/dvd, computador, letreiros eletrônicos nas cidade etc - e temos como obter essa informação de forma rápida e segura.
Agora, em uma cidade sem luz elétrica, água encanada, telefone, relógio, rádio ou qualquer outra coisa que a ligue ao mundo exterior, exceto jumentos e cavalos, a marcação do tempo somente pode ser feita à mão no calendário.
Segundo vejo na tv alguém contar, em um pequeníssimo povoado, um belo dia a dona Bia acordou e perguntou pro Seu Ariostatino:
- Que dia é hoje? Dia 10 tenho que ir à cidade, vou ao dotô.
Ariostatino - Ari pros familiares, Jeguinho para os colegas na roça - levantou e foi consultar o calendário, ou seja, a famosa folhinha de parede, onde, todos os santos dias, ao acordar, marcava o dia que estava iniciando.
Mas, cadê o calendário?
Alguém arrancara o calendário do seu lugar sagrado na parede da cozinha!
- Ariosvaldo, Arienrique, Arilhermina, cadê a folhinha?, gritou Seu Ari.
Em resposta, os dois meninos e a menina gritaram quase ao mesmo tempo:
- Vi não, pai!
E correram para a cozinha, assustados com o desaparecimento de coisa tão preciosa.
- Como não viram? Folhinha num sai da parede sozinha! Eu quero ela aqui e agora!!!, esbravejou.
E ficou apenas nisso, pois as crianças insistiam em dizer que não sabiam do paradeiro do calendário e dona Bia muito menos.
O jeito foi consultar a vizinhança:
- Dona Aristatina, a senhora pode ver na sua folhinha que dia é hoje? Sumiram cum a minha...
- Puxa vida, Seu Ari, faz um tempão que o Aridelvino num atualiza. Lembra que ele ficou um tempão fora? - - Pois é, ele disse inté que ia pedir pro sinhô atualizá a dele.
Assim foi em todo o povoado. Uma meia dúzia de casas. Por uma dessas coincidências do tempo que escorre no dia a dia, o tempo no povoado deixara de ser marcado em todos calendários - uns três ou quatro - existentes ali.
Em todas as casas, a pergunta:
- Que dia é hoje?
Ninguém sabia ao certo.
Que fazer, então?
Só havia um jeito, pegar a carroça e ir com a mulher para a cidade. Foram, a consulta era dois dias depois. Ari aproveitou, foi nas lojas e farmácias, pediu um tanto de calendário de parede para marcar os dias e a vida no povoado voltou ao normal. Agora, com calendário de sobra.
Quanto ao antigo calendário do Ari, Dona Bia depois lembrou que alguém pedira emprestado, mas não lembrava quem foi. Para ela e para o povoado, medição do tempo parecia não ter tanta importância assim. Até o dia em que teve que se submeter ao tempo dos outros.

O encurtador de chope

Tem bebido mais do que deveria? Então, não deixe de ver este slideshow.

JORNAL MOVIMENTO, UMA REPORTAGEM. Lançamento de livro

Coube a Aguinaldo Silva contar, a um país amordaçado pela ditadura, o dilema dos brasileiros cariocas e suburbanos que acordavam às 4h da madrugada para tentar chegar à Central do Brasil, espremidos como bagagens em vagões destroçados pela falta de manutenção e, é bom dizer, de violação à cidadania. De tempos em tempos, quando algum ser humano despencava e se estatelava no meio dos trilhos, os passageiros eram obrigados a desocupar os vagões e pagar outra passagem. Aí, eclodia um quebra-quebra, quase uma revolta popular. Isso num período em que a população brasileira era tratada como uma “carneirada” pelo poderio militar, que se mantinha no comando da nação havia 11 anos, armado até os fios do cabelo.
A história publicada em 7 de julho de 1975 foi estampada na capa do jornal Movimento. Chegou às bancas esquartejada pela censura prévia, mas estava ali diante de 21 mil leitores que a levaram para casa e a consumiram como se estivessem diante de um oásis. Afinal, aquele Brasil era um país fantasioso, que “crescia” sob a falácia de milagre econômico e estava prestes a entrar num colapso financeiro.
— Quem leu Movimento nº 1 não pôde imaginar o tamanho da batalha que foi travada para aquela edição chegar às suas mãos. Na semana do lançamento, os editores e a equipe se revezaram entre a redação, a sede da Polícia Federal e as oficinas. O esforço para suprir os buracos da tesoura não foi pequeno. Os censores vetaram nada menos que quatro propostas de capas do jornal, além de 18 matérias inteiras, oito fotografias, 10 ilustrações e 12 charges, conta Carlos Azevedo, no livro JORNAL MOVIMENTO, UMA REPORTAGEM (Manifesto Editora).
Conselho de notáveis
Carlos Azevedo está no núcleo fundador de Movimento. O expediente do número inaugural mostra uma redação de sonhos. Raimundo Pereira era o editor-chefe e, no conselho editorial, conviviam os notáveis Chico Buarque de Hollanda, Fernando Henrique Cardoso, Hermilo Borba Filho e Orlando Villa-Boas. Na criação de textos e arte, estavam Aguinaldo Silva, Elifas Andreato, Fernando Peixoto (cultura), Bernardo Kucinski. Jean Claude Bernardet escrevia sobre cinema e José Miguel Wisnik era um dos editores assistentes.
Última edição
Movimento acabou mergulhado numa grave crise financeira, de identidade política numa confusa época de transição e abatido por conta do terrorismo de direita que acometeu o país entre 1980 e 1981, com bancas de jornais sendo alvo de explosões e ameaças de atentados. A última edição está agora a alcance de todos e a história mostra que o fim foi realmente aparente. Movimento está na base da luta pela redemocratização do Brasil.
Serviço
A obra será lançada hoje (03/06), às 19h, no Sebinho (406 Norte, Brasília). Com o precioso livro de resgate da história do semanário Movimento (1975 — 1981), que tem reportagem de Marina Amaral e Natalia Viana, há um tesouro anexo: um DVD com todas as 334 edições do periódico, incluindo as que foram totalmente proibidas. O projeto de financiamento é da Petrobras. Está lá, por exemplo, a histórica edição nº154, de 12 de junho de 1978, que anuncia o fim da censura prévia ao jornal. A capa sobre a morte de Vladimir Herzog, que tinha um lindo desenho de Elifas Andreato, era finalmente publicada, três anos depois de ser vetada. O livro tem 336 páginas e o preço de venda é R$ 59.

Fernando Gurgel, de Brasília

02 agosto, 2011

Citações de Mae West - 2

Ao ser republicada no Luis Nassif Online, a postagem Citações de Mae West recebeu valiosas contribuições de três leitores do referido site:
Ivan Moraes, que inseriu este vídeo com Mae West (Light My Fire):


Laura (s/ link), que gostou das "sacadas" da diva norte-americana, porém achando que uma delas (a 3ª) possa ser de Beth Davis.
Sanzio, que enviou outras citações de Mae West:
* O casamento é uma grande instituição, mas eu ainda não estou pronta para uma instituição (há um jogo com a palavra instituição, que pode significar também um hospital psiquiátrico).
* Eu acredito na censura. Fiz uma fortuna com ela.
* Errar é humano, mas a sensação é divina.
* Eu mesma escrevi o roteiro. É sobre uma garota que perdeu a reputação e nunca sentiu falta dela.
* Não são os homens na minha vida que contam, é a vida nos meus homens.
* O amor supera tudo, menos a pobreza e dor de dente.

O Clube 27

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01 agosto, 2011

A Última Ceia da Ciência

Abundam na internet as paródias de A Última Ceia, o celebérrimo afresco de Leonardo da Vinci. Uma delas (abaixo), por exemplo, reúne as imagens de destacados cientistas de todos os tempos.

versão MAIOR

Da esquerda para a direita: Galileo Galilei, Marie Curie, J. Robert Oppenheimer, Isaac Newton, Louis Pasteur, Stephen Hawking, Albert Einstein (Jesus), Carl Sagan, Thomas Edison, Aristóteles, Neil deGrasse Tyson, Richard Dawkins and Charles Darwin.

N. do E.
Nesta versão de A Última Ceia não se sabe quem ficou com o papel de Judas. Louis Pasteur? Bem, não haveria essa dúvida, se Isaac Newton tivesse cruzado a cabeça por trás do corpo do bacteriologista francês. Mas há quem ache que, ocupando o lugar de Nikola Tesla, o papel de Judas cabe mesmo a Thomas Edison.

Nikola Tesla (1856-1943)

Filho de pais sérvios, Nikola Tesla nasceu na aldeia de Smiljan, no Império Austríaco, que hoje faz parte da Croácia. Fez estudos de engenharia eletrotécnica em Graz e em Praga (interrompidos) e residiu em vários países europeus. Em 1884, estabeleceu-se em Nova Iorque, onde se tornou assistente do famoso cientista Thomas Alva Edison. Após um sério desentendimento com este, por não haver recebido um bônus prometido por Edison (segundo este, uma brincadeira) por algumas de suas descobertas, Tesla perde o emprego e passa por um período difícil em que realiza trabalhos braçais. Retornando às pesquisas científicas, Tesla produz incessantemente e deixa um vasto legado de contribuições nas áreas de eletromagnetismo, engenharia eletromecânica, robótica, balística, ciência computacional, entre outras.
Vida pessoal
Tesla pode ter sofrido de transtorno obsessivo-compulsivo e tinha muitas manias e fobias pouco habituais. Fazia as coisas de acordo com o número três, e era inflexível em relação a ficar em quartos de hotel cujo número fosse divisível por três. Tesla era também conhecido por ficar fisicamente revoltado com relação a joias, sobretudo com brincos de pérola. Era fastidioso acerca da limpeza e higiene e era, segundo a opinião corrente, misofóbico. Por vezes, mostrava traços de crueldade ao expressar abertamente a sua repulsa por pessoas obesas, tendo despedido certa vez uma secretária devido a excesso de peso. Era também rápido para criticar as roupas dos outros e, em ocasiões, ordenou a uma subordinada que fosse a casa e mudasse de vestido.
Tesla era obcecado por pombos, encomendando sementes especiais para os pombos que alimentava no Central Park e chegando mesmo a trazer alguns com ele para o seu quarto de hotel. Era um amante de animais, lembrando-se muitas vezes com contentamento de um gato que criara na infância. Ao tornar-se um vegetariano, num artigo no Century Illustrated Magazine, escreveu: "É decerto preferível cultivar vegetais e, penso eu, portanto, que o vegetarianismo é uma alternativa recomendável aos hábitos bárbaros de abate de animais." Tesla argumentava ser errado comer carne, um alimento caro, quando um número tão elevado de pessoas estava com fome. E acreditava que a alimentação vegetal seria "superior a isso [carne] tanto no desempenho mecânico como no mental."
Tesla nunca se casou. Era celibatário e afirmava que a castidade era muito útil às suas capacidades científicas.No entanto, existiram numerosos relatos de mulheres que disputavam a afeição de Tesla, algumas mesmo loucas de amor por ele. Tesla, embora delicado, reagia de um modo ambivalente a essas mulheres, no sentido romântico. Na meia idade, ele tornou-se um amigo muito próximo de Mark Twain, passando ambos muito tempo juntos em seu laboratório e em outros lugares.
Era conhecido pela teatralidade com que apresentava suas inovações e inventos ao público, fazendo-o de uma forma artística, quase como um mágico. E isso parecia não estar de acordo com a sua observada propensão à reclusão. Tesla era uma figura complexa. Recusava-se a se proteger de sua bobina (de Tesla) ao bombardear eletricidade através da sala, diante de uma audiência muitas vezes aterrorizada, por confiar que era tudo absolutamente seguro.

Foto do laboratório de Tesla em Colorado Springs, em 1900
Fonte: Wikipédia
19/01/12 - Atualizando...
Uma marca imaginária de cerveja que exalta a rivalidade entre os dois cientistas: Tesla vs. Edison.

31 julho, 2011

A primeira noite em Paris

A respeito do texto A síndrome de Paris, ocorreu-me a lembrança de um ótimo texto escrito por um colega do Banco Central, aí de Fortaleza. Aliás, todos os textos da autoria dele são excelentes. O nome do colega é Antonio Coelho Bezerra de Farias Filho. Consultei-o e ele autorizou a publicação. 
Fernando Gurgel Filho, de Brasília

A primeira noite em Paris
Antonio Coelho Bezerra de Farias Filho
A primeira noite em Paris a gente nunca esquece. Lembro-me bem, foi no dia 2 de agosto de 1985, uma sexta-feira. Mas até chegar aquela sexta, houve outras sextas de muita ansiedade. Naquela época não era tão fácil viajar quanto é hoje. Não havia internet para fazer reservas de hotéis com antecedência, não havia e-mail para resolver pendências durante a viagem e, principalmente, não havia cartão de crédito para esticar o orçamento numa emergência. De parecido, somente o preço da passagem: mil dólares, há 26 anos.
Eu nunca tinha saído do Nordeste, nunca tinha andado de metrô e mal sabia conjugar o verbo to be. O cenário era cinza. Mas a vontade de viajar era tanta que eu só enxergava azul, vermelho e branco. A primeira providência foi comprar um livro das edições de ouro, “Aprenda francês em 30 dias”. Como só havia três semanas até a viagem, priorizei três seções: “no aeroporto”, “na estação de trem” e “na padaria”. Deixei de lado “no restaurante” e “no hotel”. A verba era muito curta, a conta não fecharia, eu não poderia ir a restaurantes nem me hospedar em hotéis.
O plano era ficar vários meses na Europa, até o dinheiro acabar ou o frio chegar, o que ocorresse primeiro. Naquelas circunstâncias, ainda mais, as duas necessidades básicas de um nordestino em terra estrangeira eram comer e dormir. Comer não me preocupava muito, bastaria escolher uma das duas opções: almoço ou jantar. Um bom café da manhã eliminaria o almoço. Em dias em que não houvesse hospedagem, o café não estivesse já no preço, seria o almoço a principal refeição do dia. Dado o aperto no orçamento, não poderia me hospedar todos os dias nem mesmo em albergues. Teria de alternar: noites em albergues, noites em estações de trem. Sim, tinha ouvido dizer que era muito comum mochileiros dormirem nas estações. Um dos problemas é que eu não me enquadrava nem mesmo na categoria dos mochileiros. Mas só fui descobrir isso lá. Um mochileiro, por definição, usa mochila. Não levei uma mochila nem propriamente uma mala. Levei uma espécie de sacola grande com duas alças. Duas pessoas a carregariam melhor. Tive ajuda logo no primeiro dia, vocês verão.
Um amigo, ao saber do meu plano, tentou me convencer a desistir dele. Vendo que não iria ter êxito, restou-lhe tentar me ajudar de outra forma. “Tenho uma amiga, casada com um francês, que mora em Paris. Ela é gente boa”, disse ele. Pensei: resolvido o problema da hospedagem. Havia outro problema a ser resolvido antes de partir, um doméstico: como explicar aos meus pais que eu iria viajar à França com pouco dinheiro, sem nunca ter saído do Nordeste, sem saber falar quase nada. Mas antes de contar o plano, comprei a passagem. Do contrário, correria o risco de eles me convencerem a desistir da viagem. “Mãe, a senhora não se preocupe. Tenho um amigo que tem uma amiga casada com um francês. Eles moram em Paris. Meu amigo já telefonou para eles. Vou ficar hospedado lá. É só nos primeiros dias. Depois, fico em hotéis. É tranquilo”. Ela virou-se para o meu pai e disse: “Antonio, convença esse menino a desistir disso, tá vendo que não vai dar certo?!”. Meu pai também não aprovava a ideia, mas ele não queria admitir: “Lenita, deixa o menino ir, vai ser bom pra ele, sair de casa, aprender”, disse meu pai, sem convicção.
Passou-se outra sexta-feira de muita ansiedade e chegou o dia do voo Air France Recife-Paris. Naquela época, tudo só se resolvia por Recife. Hoje, os portugueses da TAP trouxeram a ponte aérea Fortaleza-Lisboa; e os espanhóis da Ibéria, a ponte aérea Fortaleza-Madri. A expectativa era grande na chegada ao aeroporto Charles de Gaulle. Afinal, eu estava desempregado, levava pouco dinheiro e não tinha reserva de hotel, apenas o endereço da brasileira. Houvesse um Sarkozy em 1985 e eu teria sido deportado no primeiro voo. Mas o presidente era François Mitterrand, que nem exigia visto dos brasileiros. Grande Mitterrand. Seu representante na alfândega carimbou meu passaporte sem puxar conversa. Ainda bem. Logo no aeroporto, o livro “Aprenda francês em 30 dias” não surtia o efeito desejado. Eu tinha decorado umas frases; o problema era a pronúncia, que não se encaixava direito.
Como não sabia andar de metrô, fui de ônibus até o centro da cidade luz. De lá, consegui chegar a uma praça que ficava perto do apartamento da amiga do amigo, a brasileira casada com o francês. Eu carregava com dificuldade o sacolão e, na mão esquerda, levava o endereço da minha primeira hospedagem. Por sorte, a colônia portuguesa em Paris era grande nos anos 80. Um senhor veio me ajudar, um português. Ele me levou até o apartamento do casal e tocou o interfone. A brasileira atendeu, disse “pode subir”. No elevador, havia uma senhora com um cachorro. Ela não foi muito simpática. Pelo tamanho do sacolão, deve ter pensado “veio para ficar, é mais um imigrante”.
A brasileira, um pouco desconcertada, me recebeu bem. “Meu marido está no trabalho, vai demorar um pouco”, explicou. Ela tinha saudades do Brasil. Conversamos, contei as novidades. Era o governo Sarney, o assunto foi inflação. Enquanto o marido não chegava, aproveitei e pedi uma aula de como andar de metrô. Horas depois, já tarde, chegou o marido. Era bem mais velho do que ela. Começaram a conversar e, embora eu não entendesse quase nada do que diziam, percebia que o francês não via com muita simpatia a ideia de eu me hospedar lá por uns dias. Vá lá, que fosse uma noite apenas, a mais difícil de todas, a primeira e já estaria de bom tamanho.
Ela traduziu para mim: “Olha, não vai dar certo você dormir aqui, é agosto, um cunhado vem passar férias com a gente. Mas meu marido vai lhe indicar um hotel bom e barato”. O plano B era um albergue; e o C, uma estação de trem. Mudei de assunto: “Estou pensando em conhecer também Bruxelas, fica perto, queria visitar o principal ponto turístico de lá, a estátua do menino fazendo xixi, o Manneken Pis”. O francês emendou: “O trem sai da Gare du Nord. Levo você até a estação de metrô mais próxima”. Depois explicou que o bom de Bruxelas era mesmo só a Grand Place. Não deu tempo para mais nada. Ele foi logo pegando numa das alças do sacolão. “Vamos, antes que fique mais tarde”, apressou. No trajeto até a entrada da estação do metrô, ele segurava numa alça; e eu, na outra. Não houve diálogo. Nem poderia. Apontou para a boca do metrô e lá me deixou.
Já era noite quando cheguei à estação de trem. Procurei os mochileiros, queria me juntar com eles. Alguns já se preparavam para dormir na estação. Fui ficando. Amanhã procuro um albergue, pensei. A conversa parecia animada. No grupo, entre outros, havia uma moça da Dinamarca, um rapaz da Suécia, uma belga e um espanhol. Na verdade, ele não se considerava espanhol, era da Catalunha. Fui então apresentado ao sleeping bag. Pois é, todos usavam um saco de dormir. Eu tinha levado um colchonete com um lençol. E vocês precisavam ver o tamanho da pochete. Tudo ia bem até por volta das duas da manhã. Quando já estávamos acomodados, dormindo, chegaram uns seguranças da estação. Disseram que a gente não poderia dormir lá dentro. O jeito foi sair. E fui seguindo o grupo. O albergue iria ficar mesmo para a noite seguinte. Todos se deitaram na calçada, em frente à estação Gare du Nord. E lá dormimos. Pelo menos, tentamos.
De manhã bem cedo, com o sol no rosto, me despedi dos mochileiros e fui à padaria mais próxima. Depois do croissant, procurei um telefone, precisava ligar para minha mãe e contar como tinha sido minha primeira noite em Paris. Não tinha dormido bem, por óbvio, mas se eu contasse como tinha sido aquela noite, quem passaria a não dormir bem seria ela.
– A senhora se lembra do apartamento da amiga do amigo, a brasileira casada com o francês? Não quis incomodar o pessoal, achei melhor dormir num hotel.
– Meu filho, a viagem foi boa? Você dormiu bem ontem?
– Sim, muito bem. O hotel é perto da Torre Eiffel. Da janela do quarto, dá pra ver a torre. À noite, toda iluminada, ela fica muito bonita.
– Não deixe de mandar notícias!
– Fique tranquila, não se preocupe. Vou mandar um postal da torre. Um beijo na senhora e no pai.
Ainda pensei em dizer que eu tinha me hospedado no Ritz, mas ela não iria acreditar.

Mulheres gozando

Tipos
Positiva - Sim! Sim! Sim!
Negativa - Não! Não! Não!
Geográfica - Aqui, aqui, aqui, aqui...
Matemática - Mais, mais, mais, mais...
Religiosa - Ai meu Santo, ai meu Santo...
Suicida - Eu vou morrer, eu vou morrer...
Homicida - Eu te mato, eu te mato...
Sorveteira - Ai Kibon, ai Kibon, ai Kibon...
Zootecnista - Vem, meu macho!!! Vem, meu macho!!!
Torcedora de Futebol - Vaaaai, entra com bola e tudoooooo!!!
Tipo mulher do Rubens Barrichelo? - Não para! Não para! Não para!
Ambiciosa - Eu quero tudo!!! Me dá tudo!!!
Margarina - Que Delícia, que Delícia...
Pornográfica - PQP! Vai, FDP!
Professora - Sim! Isso! Por aí! Agora! Exato! Isso!
Sensitiva - Tô sentindo, tô sentindo...
Desinformada - O que é isso? O que é isso?
Analista de Sistemas: OK.
Flanelinha - Vem! Vem! Vem! Aíííí!.. Agora, para.
Psicóloga - Freud! Freud! Freud mais?

O presente tema foi escolhido por ser hoje (31 de julho) o Dia Internacional do Orgasmo. Esta data foi criada há seis anos por sex shops inglesas, depois que uma pesquisa constatou que... 80 por cento das mulheres inglesas nunca haviam sentido um orgasmo.
Como domingo é dia de vídeo no blog, o vídeo de hoje insere-se no clima de comemoração da data. É matar dois coelhos com um só cacetada.

Orgasmo na moto

30 julho, 2011

xirtaM

Matrix ao contrário...
É a história de como Keanu Reeves deixa as drogas para conseguir um emprego estável em uma empresa.

+ sinopses de filmes que você pode ver ao contrário em Películas al revés.

"Deus lhe pague"

Um homem foi levado em situação de emergência a um hospital administrado por freiras, onde foi operado do coração.
Depois da operação, ao despertar uma freira o abordou.
- Sr. Plínio, a operação foi um sucesso. Mas precisamos saber como pensa em pagar a conta do hospital. O senhor tem seguro médico?
- Não.
- Pode pagar, então?
- Acho que não, irmã.
- Mas... tem parentes próximos?
- Só uma irmã, que é solteira e sem ganhos, pois é também uma freira...
- Ora, nós, as freiras não somos solteiras. Estamos casadas com Deus.
- Ótimo. Por favor,envie a conta a meu cunhado.
Foi assim que surgiu a expressão "Deus lhe pague".
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Post scriptum
Dicas de blogs são sempre interessantes para nossos internautas. O blog "Entrementes" do médico cearense Paulo Gurgel é um dos mais acessados por nós. É que, além de criativo, traz textos preciosos que são verdadeiros achados. Neste sábado (30/07), ele conta como surgiu a expressão "Deus lhe pague".
Nonato Albuquerque, Gente de Mídia


Deus lhe pague, meu caro Nonato. Mas não do jeito que deu origem à expressão.
PG

29 julho, 2011

Os prós e contras dos prós e contras

Os prós
1 - Você pode dividir um assunto em prós e contras como forma de antecipar os resultados de uma decisão.
2 - É mais fácil entender um assunto complexo através de uma visão comparativa dos fatores que o influenciam.
3 - Comparar fatores positivos e negativos estimula o debate, do qual pode resultar a melhor tomada de decisão.
4 - Outros podem ajudá-lo na elaboração de uma lista de prós e contras, com a inclusão de fatores que você ainda não havia levado em consideração.
Os contras
1 - O instinto é superior à razão.
2 - Se os prós e os contras se equivalem a lista pode acabar inútil.
3 - Uma vez concluída essa lista, já passou a oportunidade de tomar a decisão.

Citações de Mae West

  • Você sabe, para deixar uma pessoa encrencada são necessárias duas.
  • Entre dois males, escolho sempre o que ainda não experimentei.
  • Quando sou boa, sou ótima, mas quando sou má, sou melhor ainda.
  • Quando as mulheres erram, os homens vão atrás.
  • Homens são todos parecidos, exceto aquele que você encontrou  — que é diferente!
  • Obrigada, adorei cada centímetro.

Mary Jane West (1893-1980)
Atriz e escritora norte-americana com grande popularidade nos anos 1920 e 1930. Sua forma de representar e seus textos eram por demais desafiadores para a sociedade puritana da época. Faziam sucesso, mas eram boicotados pela grande imprensa. Uma de suas peças, "Sex", foi retirada de cartaz e lhe rendeu uma condenação a oito dias de prisão por "corromper a juventude".

Em 1972, ouvi um oficial da Brigada Paraquedista, no Rio de Janeiro, dizer que estava a acontecer um "Mae West". Num salto em que o paraquedas acidentalmente se dividira em dois, pela interposição de uma de suas cordas, e ficara ao descer com a aparência de um imenso sutiã. Uma das características físicas de Mae West era o seu busto avantajado. PGCS

Poderá também gostar de ler
O orgasmo feminino.

Post scriptum
"Citações de Mae West" foi republicada no Luis Nassif Online, em 31/07/2011 - 10:03.

28 julho, 2011

Do Caburaí ao Chuí

Conhecendo ou não o fato, creio que nada vai alterar na vida de ninguém. Apenas alguns neurônios vão dar um tempo até se acostumar com a idéia.
Porque, segundo medições feitas em 1998, o ponto mais setentrional do Brasil não é o Rio Oiapoque, no Amapá, como se pensava e estudava até há pouco tempo.
O ponto mais setentrional do Brasil fica no Monte Caburaí, em Roraima. Um erro de "apenas" 84,5 km!
Então, meus prezados e prezadas, nada de falar mais - muito menos ensinar - que o Brasil vai "do Oiapoque ao Chuí".
O litoral brasileiro, realmente, se estende "do Oiapoque ao Chuí".
Porém, medido de norte a sul, o Brasil vai "do Caburaí ao Chuí". Com rima e tudo.

Fernando Gurgel Filho
N. do E.
Essa reforma ortográfica geográfica foi péssima, Fernando. Significa dizer que eu induzi meus leitores ao erro, ao escrever a expressão "do Oiapoque à Marilena Chaui", na entrevista que fiz de Jorge George, um cearense de escol. Espero, pelo menos, que "o ponto mais oriental do Brasil e do continente americano" continue na praia de Cabo Branco, em João Pessoa. Não quero perder a glória de um dia ter traçado uns camarões com cerveja por lá e agora ficar sabendo de que festejei em vão. PG

A síndrome de Paris

Ah, Paris, a Cidade Luz! Todo ano, mais de 45 milhões de pessoas visitam a cidade, mas cerca de 1 milhão desses turistas deslumbrados (principalmente japoneses) adoecem daquilo que foi apelidado de síndrome de Paris.
O que poderia causar o tão estranho efeito?
Dan Lewis, da Now I Know explica:
"A síndrome de Paris é caracterizada por um conjunto de perturbações psíquicas sofridas pelo visitante, incluindo muitas vezes sintomas orgânicos, tais como tonturas, aumento da frequência cardíaca e suores. Casos extremos vêm com uma sensação de perseguição e até alucinações. E a maioria dos afetados são japoneses.
A causa? Mais provável é que ela seja uma mistura de vários fatores: o jet lag de uma viagem longa; a euforia (semelhante à síndrome de Stendhal) de estar a tirar as grandes férias da vida; a barreira da língua; e, mais criticamente, o choque cultural."
Como a BBC observou em uma discussão sobre a síndrome:
"Os visitantes vêm com uma visão profundamente romântica de Paris e a realidade pode transformá-la em choque. Um encontro com um motorista de táxi grosseiro ou um garçom parisiense que grita para os clientes que não sabem falar francês, dentre outras situações, podem ser tolerados por pessoas de outras culturas do Ocidente. Mas, para os japoneses, acostumados a serem educados e prestativos e que vivem numa sociedade em que as vozes raramente são alteadas, essas experiências na cidade de seus sonhos podem ser desastrosas." 

27 julho, 2011

Jornal do PARQUE

Tendo por objetivo ser um veículo de expressão dos moradores e profissionais da região que abrange os bairros do Cocó (onde se situa o Parque Ecológico do Cocó), Papicu, Dunas e Guararapes, (*) acaba de ser lançado o Jornal do PARQUE.
Feito numa linguagem simples e acessível, abordando questões de interesse dos moradores da região, como segurança e trânsito, além de questões relativas à saúde e à qualidade de vida, o Jornal do PARQUE também divulgará atividades artísticas e culturais e estará atento à questão ecológica, incentivando a relação saudável do progresso da região com a defesa do meio ambiente.
A edição impressa do jornal, que nicialmente sai com uma tiragem de cinco mil exemplares, terá periodicidade mensal e o seu conteúdo poderá ser também acessado no site (em construção) do órgão.


(*) O morador da região pode receber gratuitamente o seu exemplar do JP, bastando enviar nome e endereço completo para o e-mail: jp@marciogalvao.com.br

À mão, não

O estado norte-americano de Indiana, seguindo uma tendência de mais de 40 estados do país, aboliu a exigência do ensino de letra cursiva em suas escolas. A nova norma recomenda aos professores não dar ênfase na aprendizagem da letra cursiva – escrita manuscrita em que as letras são arredondadas e ligadas umas às outras pelas pontas – e focar em outras habilidades, como a digitação de textos em teclados. Desse modo, os educadores norte-americanos conferem menos importância à prática de caligrafia, algo que sempre foi tradição no país. Na prática, a norma significa o desestímulo ao trabalho de uma das formas da escrita à mão – e mantém-se a exigência do ensino da letra de forma (também chamada de “imprensa”), o que acarreta na diminuição do tempo gasto com a aprendizagem da forma manuscrita. A medida adotada por Indiana é um reflexo do crescente peso das novas tecnologias na sala de aula. Os responsáveis por sua adoção creem que o uso cada vez mais frequente pelos alunos de computadores torna desnecessário que a criança concentre esforços na forma cursiva.


Ler a notícia completa em Carta Capital de 25 de julho de 2011.

Medicina digital. Slideshow

:-)

26 julho, 2011

Construção de ferrovia

Por que o mineiro gosta de trem?
A nova ferrovia entre Rio e São Paulo custará 50 bilhões de reais. Não seria mais inteligente comprar as máquinas que vocês vão ver agora? Ou produzi-las em maior número aqui mesmo no Brasil. Com 20 máquinas destas, ao final de 5 anos, o Brasil teria sua malha ferroviária multiplicada por quatro. Atualmente são 30 mil quilômetros. Haveria grande diminuição do custo de vida por barateamento do transporte. Redução de invalidez e de mortes por acidentes nas estradas. Limpeza do ar que respiramos porque as locomotivas podem ser elétricas. A manutenção de uma ferrovia é infinitamente mais barata do que a rodovia, sem se falar na segurança que oferece.
O Brasil desativou grandes trechos ferroviários, especialmente na minha região central de Minas. Quando vou de passeio pela nossa zona rural, deparo-me com grandes cortes e aterros tomados pela vegetação. São linhas ferroviárias antigas cujos trilhos e dormentes foram criminosamente vendidos como sucata. Trem e bonde eram considerados transportes ultrapassados, o moderno era a rodovia.
Moro ao lado da ferrovia Vitória Minas há 35 anos. São 90 trens por dia com 350 vagões cada um. Nào se escuta falar em acidente na linha, tal a sofisticação dos controles. A linha é de mão dupla e um trem não consegue se aproximar do outro na mesma linha. É detido automaticamente por controles duplicados. Uma maravilha tecnógica é sua central de monitoramento. O trem de passageiros entre Belo Horizonte e Vitória tem só 19 vagões e transporta 1.700 passageiros. Tivesse 350 vagões transportaria 31 mil pessoas, o que equivale ao transporte realizado por 626 ônibus em cada viagem. Há ainda trens que transportam o seu carro com a família dentro. Imaginem o conforto de chegar ao seu destino e sair dirigindo?
Vejam agora como se constrói uma ferrovia em tempo recorde e,quem sabe, com baixo custo. Não seria melhor para o Brasil investir em máquinas assim (*) e cancelar esta maluquice em alta velocidade. Para viajar com rapidez e custo infinitamente menor, já existe o avião. Para concluir: o trem é seguramente o meio de transporte mais econômico, confortável, seguro e durável.
Viva o TREM, uai!

(*) Máquinas que constroem 1,5 km de ferrovia por dia (em Israel). VÍDEO

Nelson Cunha, de João Monlevade - MG

N. do E.
Aqui a prova terminal de que, no Brasil, o mineiro é quem mais entende de trem.

Botas de 400 milímetros



O paulistano prevenido certamente não vai dispensar o uso de botas como estas (mostradas na imagem) quando for enfrentar a próxima enchente na cidade.
O que elas oferecem a mais?
Funcionam como pluviômetro.

25 julho, 2011

Nem todos odeiam o PowerPoint

Ela pensava que era apenas outra reunião de trabalho.
Mas ele tinha algo mais em mente...



Na sala de reuniões de uma agência de publicidade (Deutsch, Los Angeles), um dos funcionários pede a colega de trabalho em casamento, no meio de uma apresentação com o PowerPoint.

Uma ponte até certo ponto

Esta ponte (foto) liga a ilha da Zelândia (Dinamarca) à Suecia, através do estreito de Öresund. Com 7845 metros de comprimento, é a maior ponte rodoferroviária da Europa.
Foi uma solução criada pela engenharia contemporânea para não atrapalhar a movimentação local dos navios.
Inicia-se como ponte, num certo ponto mergulha para se transformar em túnel submarino (deixando acima o espaço necessário para a passagem dos navios), e adiante ressurge como ponte.
Concluída em 1999, a ponte-túnel foi considerada um marco histórico por possibilitar que, sete mil anos após a Idade do Gelo (quando a Dinamarca e a Suécia formavam um só território), estes dois países ficassem mais uma vez fisicamente unidos.

24 julho, 2011

Titina para os íntimos



A palavra mais longa em todos os idiomas é o nome químico de uma proteína. Ela tem 189.819 letras pela nomenclatura IUPAC, e você precisaria de 11 horas para pronunciá-la completamente a uma velocidade normal. Começa com Metionil... e termina em ...isoleucina, mas é conhecida também por Titina.

O xilofone-propaganda de um telefone

Kenjiro Matsuo e o xilofone que toca a Cantata 147 de Jesus Alegria dos Homens, de Bach.
O que disse a crítica:
É um japonês que usa madeira norte-americana para fazer um instrumento musical da América Latina que toca a música de um compositor alemão na propaganda de um telefone celular (feio) fabricado na China.
O resultado deste vídeo publicitário da Sharp é um show de criatividade, planejamento e GLOBALIZAÇÃO, digo eu.


Aqui está o vídeo do making-of.

23 julho, 2011

Bicicletas livres

  
por Fernando Gurgel Filho

Outro dia ouvi falar de um livro de ficção que descrevia uma cidade onde os carros não tinham dono. Os carros simplesmente ficavam parados onde o usuário o deixava e, se alguém precisasse, podia usá-lo livremente. Não sei quem era o responsável pela manutenção, conserto ou abastecimento, mas a idéia é original e bastante atraente.
Pouco depois, vi a notícia que a prefeitura de Paris inaugurou um sistema parecido. É um sistema de aluguel de bicicletas em pontos espalhados por toda a cidade. O ciclista aluga a bicicleta em um lugar e pode deixar em outro.
A prefeitura se encarrega de manter o número equilibrado em cada ponto, devolvendo as bicicletas para os lugares que porventura fiquem com déficit de bicicletas. E o usuário não precisa se preocupar pois, ao retornar, poderá alugar outra bicicleta e deixá-la no local de destino.
Parece que por lá as coisas têm funcionado. São mais de dez mil bicicletas rodando nas ruas de Paris e a prefeitura promete colocar mais dez mil nas ruas até o final do ano.
Não sei se por aqui a coisa funcionaria. Talvez fosse necessário repor umas mil por dia. Talvez a necessidade de controle tornasse o custo proibitivo, mas creio que é uma boa idéia.
A Universidade de Brasília parece que tentou fazer algo parecido, mas as bicicletas tinham uma estranha mania de sumir. Não se sabe se as bicicletas não gostaram dos alunos ou se os alunos gostaram demais das bicicletas e resolveram "adotá-las" para sempre. Fora do campus, claro.

Do editor para o colaborador:
A foto abaixo fornece alguma pista sobre o sumiço das bicicletas?


Postagens relacionadas:
Casamento ou bicicleta?, Um (b)elo achado, A Lua e as marés, Bicicultura, Bicicleta e automóvel e Novas frentes.

Contra trotes

Ao lado, eis a foto de um equipamento especialmente criado para eliminar os alarmes falsos de incêndios feitos por pessoas maldosas.
Não encontrei referências de tempo e lugar sobre esse equipamento. Mas o Bits and Pieces que divulga a "novidade" diz que essa caixa de chamada (call box) só permitia a realização de discagem com a mão do usuário aprisionada num compartimento. Obrigando o mesmo a esperar a chegada dos bombeiros - com a chave para libertá-lo - e com a mangueira para apagar o fogo (não necessariamente nesta ordem).
Não sei o motivo por que um equipamento assim tão prático não pegou. Teria sido por que "macaco velho não mete a mão em cumbuca"?

22 julho, 2011

Lacônicas

1
A história sobre o Dr. Abernethy e uma de suas pacientes é um clássico. Ele era um homem de poucas palavras e a paciente, uma senhora de meia idade, sabia disso.
Entrando em seu consultório, ela descobriu o braço e disse, simplesmente, "queimadura".
"Um emplastro", indicou-lhe o médico.
No dia seguinte, ela retornou, mostrou-lhe o braço e disse "melhor".
"Manter..."
Alguns dias se passaram até Dr. Abernethy vê-la outra vez. Então, ela disse:
"Ótimo. E seus honorários?"
"Nada", respondeu o médico, explodindo numa loquacidade incomum. "Você é a mulher mais sensata que eu já conheci em minha vida!"
William Walsh Shepard, Handy-Book of Literary Curiosities, 1892

2
Uma ordem religiosa incluía entre suas exigências o voto de silêncio. Um adepto só podia quebrá-lo uma vez a cada dez anos. Nessa ocasião, ele procurava o superior da congregação, dizia duas palavras e, em seguida, ficava calado por mais dez anos.
Um deles fez as quebras permitidas de silêncio, nas três vezes a que teve direito, com as seguintes palavras: "cama dura", "comida ruim" e "vou embora".
"Vá mesmo, você não se adaptou aqui nestes trinta anos", respondeu-lhe o superior.
Foi uma resposta meio longa para o padrão da ordem, reconheço, mas se tratava de se livrar de um espírito por demais rebelde.
PGCS

3 
Lacônico é o que é dito em poucas palavras, de forma breve, resumida, sintética. Homens de poucas palavras, quase taciturnos e algos rudes eram os antigos habitantes da Lacônia, parte do Peloponeso, de que Esparta era a capital. Diz-se, para exemplificar, que um ateniense enviado como arauto levou-lhes esta advertência: "Se chegarmos a essa cidade, nós a arrasaremos." E a resposta foi meramente esta: "Se..."
(apud Raimundo Magalhães Jr.)

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Paulo,
Semana passada operei uma menina de seis aninhos. Tinha um tumor de pálpebra e usei anestesia local porque a mãe garantiu que a garotinha iria colaborar.
Conversei minutos antes com a paciente mirim e me certifiquei de que se tratava de uma personalidade especial: tranquila, decidida e inteligente.
Acompanhe uma parte do diálogo.
- Doutor! Posso dizer pelo menos "ai" durante a operação?
- Claro que pode. Pode até chorar.
- Chorar, não choro.
Acredite que disse dois "ais" durante o período e nada mais. Nem uma lágrima, nem um movimento, nada, nada.
Está a caminho de se tornar a mulher ideal: calada e sem frescuras.
Nelson Cunha



A propósito, Nelson:
Os japoneses consegiram desenvolver um modelo de câmera fotográfica ultra-rápida. É uma máquina que consegue tirar a fotografia de uma mulher com a boca fechada.
PGCS

A Conduta CTA

O Professor Geraldo Gonçalves, regente da disciplina de Reumatologia da Faculdade de Medicina, era também o responsável pelo Ambulatório dessa especialidade, no Hospital das Clínicas da UFC.
Suas aulas práticas eram muito concorridas, mercê da sua competência e bem-querência, associada ao trato humanitário que dava aos sofridos pacientes que ali chegavam.
Em 1969, Paulo Gurgel, aluno do quarto ano, estreava nesse ambulatório, um serviço caracterizado pela agilidade no atendimento e pelo aprendizado propiciado a vários acadêmicos, simultaneamente, sob a direta orientação do Prof. Geraldo.
Certa vez, depois que o acadêmico Paulo fez a anamnese, o paciente foi examinado pelo professor, sob os olhares atentos dos seus alunos. Concluso o exame físico, o docente indaga ao estudante Paulo:
- Enfim, qual é a sua impressão diagnóstica?
- Penso que, de acordo com a história clínica e também com os achados do exame físico, esse senhor tem artrite reumatóide - respondeu Paulo.
- Parabéns! O seu diagnóstico está correto. Mas qual será a sua conduta nesse caso, meu rapaz?
- Acho que devo prescrever antiinflamatórios e corticóides - explica o estudante.
- Você está no rumo certo; porém, o mais apropriado é a "Conduta CTA" - estimula o professor.
- "Conduta CTA"? Desconheço tal conduta, mestre. É algo novo que ainda não está em nosso livro-texto?
- Isso não é teórico, meu filho; mas, uma questão prática, bem adequada à nossa realidade.
Nisso, o Prof. Geraldo Gonçalves levanta-se e vai até o armário para retirar algumas amostras para entregar ao paciente, e pontifica com toda a sua espirituosidade:
- "Conduta CTA" significa "Conforme Tenha no Armário".
Para bem guardar na lembrança, o querido mestre juntava as amostras grátis, recebidas dos propagandistas de remédios, que, com regularidade, o visitavam em sua clínica particular, para suprir o seu precioso armário do Ambulatório de Reumatologia do Hospital das Clínicas, os quais eram dispensados aos enfermos despossuídos. Não era ele um Robin Hood, tirando dos ricos para dar os pobres, mas, movidos por seus caros princípios da caridade cristã, guardava para distribuir com quem nada tinha, o que vinha às suas mãos, de graça e sem nenhum favor.

SILVA, Marcelo Gurgel Carlos da - Contando causos: de médicos e de mestres. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 2011. p.28-29.

21 julho, 2011

Segura, peão!


Dois homens estão discutindo sobre suas posições sexuais preferidas.
Um deles diz que prefere a "de rodeio". E o outro pergunta:
- Como você faz isso?
- É fácil. Eu digo à minha esposa para ficar de quatro sobre a cama. Pelas tantas, quando ela já está realmente  gostando da coisa, eu sussurro no ouvido dela: "Sua irmã gosta dessa posição também."
- E então?
- Bem, daí para frente, eu tento não cair durante oito segundos.

Nomes perfeitos para médicos especialistas

:-)
Ana Lisa - Psicanalista
K. Godói - Proctologista
Sara Dores da Costa - Reumatologista
Jamil Jonas Costa - Urologista
Glauco Matoso - Oftalmologista
Ema Thomas - Traumatologista
Malta Aquino Pinto - Venereologista
Inácio Filho - Obstetra
Iná Lemos - Pneumologista

20 julho, 2011

O bônus e o ônus

Mineiros chilenos: Urzúa, Illanes e Segovia
(em recente entrevista coletiva)
O governo chileno, que faturou alto com os resultados da operação de resgate dos mineiros presos pelo desabamento de uma mina em Atacama, tem agora uma conta a acertar na justiça.
Um grupo de 31 mineiros, dos 33 que ficaram presos durante 69 dias no desabamento de uma mina no norte do Chile, entrou com uma ação contra o Estado por negligência, considerando que o mesmo não garantiu a segurança antes do acidente.

br.notícias.yahoo.com

Pegando o Redentor para Cristo

Um símbolo do cristianismo, o monumento Cristo Redentor tornou-se um dos ícones do Rio de Janeiro e do Brasil mais reconhecidos internacionalmente. No dia 7 de julho de 2007, em Lisboa, no Estádio da Luz, foi eleito como uma das novas sete maravilhas do mundo. O Guiness World Records, em sua versão de 2009, considera este monumento a maior estátua de Cristo.

19 julho, 2011

O contador de espirros

"Uma vez, eu estava contando meus espirros e fiquei perturbado, quando vi alguém espirrar e, a seguir, não olhar atentamente para o relógio, pegar o celular ou abrir o notebook para escrever algo. Testemunhando que as pessoas espirram e não anotam, fiquei inquieto e confuso: como elas estão perdendo seus espirros, deixando-os ir para o lixo?"
Peter Fletcher conta seus espirros e escreve sobre eles no site SNEEZECOUNT. Ele começou essa contagem a 12 de julho de 2007 e, no momento, ficamos todos sabendo que ele já espirrou 2.590 vezes.
Cada espirro tem sua própria postagem, incluindo data e hora, local em que aconteceu, intensidade e, quase sempre, algum comentário.

A propósito, contando os espirros deste blog:
Criar GIFs animados e Uma luz sobre um reflexo.

Paradas de ônibus

O site Crookedbrains fez uma seleção das 25 paradas de ônibus mais criativas do mundo. Uma delas (foto abaixo) encontra-se na cidade de São Paulo e divulga a Copa Mundial de Futebol.

Ver todas.
Itapiúna - CE

18 julho, 2011

Que é o amor?

O amor não libera a criança que existe dentro de você. O nome disso é cesariana. O amor é outra coisa.
O amor não faz você sentir-se especial. O nome disso é deficiência física. O amor é outra coisa.
O amor não faz você ouvir sinos enquanto beija. O nome disso é pegação atrás da igreja. O amor é outra coisa.
O amor não deixa você quente, nem leva você apra cama. O nome disso é dengue. O amor é outra coisa.
O amor não deixa você molinho e manhoso. O nome disso é cachaça. O amor é outra coisa.
O amor não te deixa temporariamente cego. O nome disso é spray de pimenta. O amor é outra coisa.
O amor não faz brotar uma nova pessoa dentro de você. O nome disso é gravidez. O amor é outra coisa.
O amor não faz você ouvir o próprio coração. O nome disso é estetoscópio. O amor é outra coisa.
O amor não faz você ficar simpático e amoroso de repente. O nome disso é Natal. O amor é outra coisa;
O amor não liberta. O nome disso é alvará de soltura. O amor é outra coisa.
O amor não faz você ver o mundo cor-de-rosa. O nome disso é veadagem. O amor é outra coisa.
O amor não faz você ver tudo com outros olhos. O nome disso é transplante. O amor é outra coisa.
O amor não faz você se sentir sempre acompanhado. O nome disso é encosto. O amor é outra coisa.
O amor não leva você por caminhos tortuosos, nem o assusta de vez em quando. O nome disso é trem fantasma. O amor é outra coisa.
O amor não faz você chorar sem motivos. O nome disso é cebola. O amor é outra coisa.
O amor não faz você perder a noção do tempo. O nome disso é horário de verão. O amor é outra coisa.
O amor não faz você se sentir em outro mundo. O nome disso é autismo. O amor é outra coisa.

Então, afinal, o que é o amor?

Boa pergunta!

Fonte: web (através de Fernando Gurgel)