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09 fevereiro, 2024

Ching ling e roscofe

O termo "ching ling" é um jargão popularmente usado para se referir a dispositivos eletrônicos fabricados na China, especialmente telefones celulares, quando são considerados de qualidade inferior ou falsificados. Esses dispositivos muitas vezes imitam marcas conhecidas, como a Apple ou a Samsung, mas não possuem a mesma qualidade, desempenho ou garantia.
A expressão "ching ling" é uma referência estereotipada a produtos fabricados na China. No entanto, é importante notar que nem todos os produtos chineses são de qualidade inferior. A China é uma grande fabricante de eletrônicos, e existem marcas chinesas respeitadas e produtos de alta qualidade originários do país.
É recomendado, portanto, ter cautela ao adquirir dispositivos eletrônicos, especialmente se forem muito baratos ou parecerem ser imitações de marcas famosas. Esses produtos podem apresentar problemas de qualidade, falta de suporte técnico e até mesmo questões de segurança. 
É sempre melhor comprar de fontes confiáveis e verificar a autenticidade e qualidade do produto antes de fazer uma compra.

Quanto a roscofe, é um provável aportuguesamento de Roskopf (ou de Roscoff).
Pesquisando acerca do assunto, achei o seguinte. Roskopf – sobrenome do alemão, naturalizado suíço, Georges Frederic (1813-1889) – eram relógios de bolso de baixo preço, o que permitia sua aquisição pelos menos favorecidos de dinheiro. Com o tempo, surgiram muitas falsificações de má qualidade que mancharam a fama da marca.
Porém existe uma outra versão, entre fantasiosa e lendária: No Porto de Roscoff, região francesa da Bretanha, os relógios vendidos a marinheiros duravam apenas 24 horas, graças a um mecanismo que fazia girar os ponteiros durante um dia, tempo em que os embarcadiços ficavam em terra.
Quem nunca teve um relógio roscofe na vida? 
E, aumentando agora a dificuldade da pergunta, quem nunca foi insultado com o tal palavrão?

https://andredib.wordpress.com/

Bônus: O RELÓGIO SAPECA, que publiquei no Preblog em março de 2013.

15 maio, 2023

A linda palavra SAUDADE

“As palavras pertencem umas às outras”, disse Virginia Woolf na única gravação sobrevivente de sua voz.
De fato, essa arte imensamente complexa, mas muito subestimada, da ginástica multilíngue, que ajuda as palavras a pertencerem umas às outras e pode revelar camadas sobre a condição humana, inclui o rol das palavras estrangeiras cuja tradução para a língua inglesa, apesar de seu grande e incomum vocabulário, acaba se tornando uma tarefa praticamente impossível. (revisar)
As palavras tão belamente elusivas são o que a escritora e ilustradora Ella Frances Sanders, uma autodenominada nômade global intencional, explora em "Lost in Translation: An Illustrated Compendium of Untranslatable Words from Around the World", publicado pouco antes de Sanders completar vinte anos.
O português tem a linda palavra SAUDADE, que Aubrey F. G. Bell descreve como:
"a vague and constant desire for something that does not and probably cannot exist, for something other than the present, a turning towards the past or towards the future" (um desejo vago e constante por algo que não existe e provavelmente não pode existir, por algo que não seja o presente, uma volta para o passado ou para o futuro). 

12 agosto, 2022

Palavras japonesas de origem portuguesa

A existência de numerosas palavras japonesas de origem portuguesa resulta da chegada ao Japão dos portugueses em 1542-1543, sendo estes os primeiros europeus a aportar e a estabelecer um fluxo contínuo e direto de comércio entre o Japão e a Europa. Durante os séculos XVI e XVII, no chamado período Nanban, jesuítas portugueses, assim como espanhóis, empreenderam um grande trabalho de catequização que só foi destruído com as perseguições religiosas no início do Período Edo, culminando na expulsão dos jesuítas em 1639, quando o cristianismo passou à clandestinidade.

REVOLTA DE SHIMABARA: OS ÚLTIMOS SAMURAIS CRISTÃOS. Pouco
conhecida fora do Japão, a sangrenta revolta marcou a perseguição dos cristãos
pelo Xogum e o início de uma era em que os japoneses se isolaram do mundo.

Foram os portugueses os primeiros a traduzir o japonês para uma língua ocidental, no dicionário Nippo Jisho ou "Vocabvlário da Lingoa de Iapam", compilado por missionários jesuítas como João Rodrigues e publicado em Nagasaki em 1603. Este dicionário de japonês-português explicava 32 000 palavras em japonês traduzidas para português.
Portanto, foi inevitável que algumas palavras da língua japonesa tenham se originado do português. A maior parte destas palavras referem-se a produtos e costumes que chegaram pela primeira vez ao Japão através dos comerciantes portugueses. O número de palavras portuguesas no japonês é, segundo Fernando Venâncio Peixoto da Fonseca, mais de quatrocentas. No auge da influência portuguesa no Japão terão existido cerca de quatro mil palavras.
Não há registro de palavras da língua portuguesa que tenham chegado ao japonês devido à imigração japonesa no Brasil, entretanto o japonês falado no Brasil incorpora, como esperado, várias palavras do português falado no "Burajiru", digo, no Brasil. 
Tempura 
O nome dos empanados fritos de legumes é certamente de origem portuguesa, mas não se origina, provavelmente, da palavra "tempero" como se conta popularmente. No século XVI, os católicos abstinham-se de comer carne nos dias de têmporas [liturgia], os três dias de jejum semanal, em cada uma das quatro estações do ano. Os portugueses no Japão, como bons católicos, comiam nestes dias apenas legumes e peixes, que frequentemente eram empanados e fritos, para espanto do japoneses que os consumiam crus ou cozidos. Os japoneses cristianizados pelos Jesuítas também passaram a consumir alimentos fritos durante as têmporas e, assim, a palavra "têmpora" passou a ser associada no Japão aos empanados de legumes.

27 agosto, 2021

"Alô?" em vários idiomas

Quando o telefone foi inventado surgiu um debate sobre o que as pessoas deveriam dizer ao tirar o fone do gancho. Alexander Graham Bell, que patenteou o invento em 1876, esperava que as pessoas dissessem "Ahoy!" (uma saudação de marinheiros). Contudo, não pegou.
Em 1877, Thomas Edison sugeriu a palavra que entrou para a história, sendo que, naquele tempo, "hello" não significava "oi" ou "olá". "Hello" era uma palavra mais usada para chamar a atenção, como "Aqui!". Depois que as primeiras listas telefônicas padronizaram o emprego dessa palavra em seus catálogos de assinantes, ela tornou-se a saudação padrão em inglês para atender o telefone.


(ring ring) Inglês – Hello?
(dring dring) Francês – Allô?
(rin rin) Espanhol – ¿Diga?
(drin drin) Italiano – Pronto?
(klingeling) Alemão – Hallo?
(дзынь) Russo – Алло?
(zir zir) Turco – Alo?
(ring ring) Sueco – Hallå?
(kring kring) Indonésio – Halo?
(trim trim) Português (de Portugal) – Está lá?

Em grifos incluímos as palavras que designam o som do toque do telefone nestes dez idiomas.

Relacionadas
http://blogdopg.blogspot.com/2012/10/uma-invencao-social-de-edison.html
http://blogdopg.blogspot.com/2012/06/hello-canales.html

15 agosto, 2021

Cite três palavras ou expressões mágicas que consolam

Se fossem apenas pela magia, estas palavras certamente seriam:
  1. Abracadabra
  2. Abre-te, Sésamo
  3. Hocus Pocus
Palavras mágicas são naturalmente tão antigas quanto conjuram a si mesmas, ecos do ritmo e vibração de um poder criativo. Muitas dessas palavras resistiram ao teste do tempo, passando de mestre a aprendiz, de geração em geração. Esses encantamentos antigos, musicais e poéticos têm uma profunda - mas não necessariamente insondável - mística. Por exemplo, há um significado profundo na imagem clichê de um mágico tirando um coelho de uma cartola vazia com a palavra "abracadabra". O mágico está falando uma antiga frase em hebraico que significa "Eu criarei com palavras". Ele está fazendo algo do nada, ecoando aquela famosa frase do Gênesis: "Haja luz e houve luz”, só que neste caso a luz é um coelho branco ... (Hexopedia)

Mas, como devem ser capazes de consolar, então citarei:
  1. Grátis
  2. VDMEM
  3. AGCNV
VDMEM e AGCNV são as abreviaturas para "Vai Doer Mais Em Mim" e "A Gente Compra Na Volta", respectivamente. (rsrsrs)

06 julho, 2021

Pousos

Os verbos aterrissar e aterrizar são utilizados para se referir ao ato de pousar em algum lugar. Sinônimos do verbo aterrar, podem ser utilizados nas mesmas situações linguísticas, e a substantivação destes verbos origina as formas aterrissagem, aterrizagem e aterragem.
Vale observar que o verbo "aterrissar" e seu substantivo "aterrissagem" são as formas mais empregadas. Deixemos, pois, "aterrar" e "aterragem" para quando a pista de pouso for muito curta.
E, se o pouso acontecer na água (falando-se de hidroavião ou de cápsula espacial), então temos amerissar e amerissagem. Ou suas variantes amarar e amaragem.
Alunissar e alunissagem dizem respeito a pousos na superfície da Lua.
Um pouso em Marte como é chamado? Ah, não vamos nos martirizar com isto. Também é chamado de aterrissagem, partindo da premissa de que aterrissar não vem do nome do planeta Terra, mas sim de terra no sentido de chão, solo ou terra firme.
Entretanto, é uma situação que tende a se complicar. Em 2014, os cientistas da ISS fizeram pousar o robô Philae no núcleo de um cometa. Que nome daríamos a esta operação?
Talvez pouso, uma palavra que está por aqui o tempo todo. Pouso é como cousa, uma palavra Bombril -- de 1001 utilidades.

26 janeiro, 2021

Bengalas discursivas

Veja bem, o uso frequente de "bengalas discursivas" (filler words, em inglês) como "humm", "né", "entendeu", "quero dizer" e o infame "tipo" pode fazer com que você pareça não profissional, hesitante ou pior, apenas não muito inteligente. No entanto, há uma quantidade não-insignificante de estudos que sugerem que nossos preconceitos em relação a essas palavras não são justificados.
Um desses estudos, veja bem, revelou que pessoas altamente conscientes de si mesmas e educadas têm maior probabilidade de usar essas palavras numa conversa. É também um sinal de que ela leva algum momento para pensar no que está prestes a dizer.
Veja bem, não se pode negar que o uso excessivo dessas expressões pode nos fazer parecer menos articulados. Steven D. Cohen, professor assistente de comunicação da Universidade de Baltimore, veja bem, sugere simplesmente tentar substituir algumas dessas palavras por uma pausa. "Uma simples pausa pode ter um impacto dramático no uso de bengalas discursivas e na forma como as outras pessoas nos percebem", disse ele ao site Quartz.

N. do E. Os grifos são meus.

04 julho, 2020

"É você, idiota?"

O que você diria quando confrontado com a eternidade? O Russia Beyond relembra as últimas palavras de escritores russos.

1. "Uma certa borboleta já está voando."
O vencedor do Prêmio Nobel Vladímir Nabokov tinha interesse em entomologia e colecionava borboletas. Dmítri, o filho do escritor, lembra que, quando ele estava se despedindo de seu pai, os olhos de Vladímir repentinamente se encheram de lágrimas: "Perguntei por que ele disse que uma certa borboleta já estava voando...".

2. "Estou morrendo! Faz tempo que não bebo champanhe!"
O escritor e médico Anton Tchekhov morreu de tuberculose na cidade alemã de Badenweiler. Segundo uma antiga tradição local, o médico que diagnostica uma doença fatal em um paciente lhe oferece champanhe. As últimas palavras de Tchekhov foram dirigidas ao seu médico.

3. "A Rússia me comeu, como um porco idiota come seu porquinho."
O poeta simbolista Aleksandr Blok ficou bastante doente na primavera de 1921. A doença foi causada por fome durante a guerra civil, exaustão nervosa e pela recusa da intelligentsia russa em aceitar seu poema revolucionário "Os Doze". O escritor Maksim Górki, o comissário do povo Anatóli Lunatcharski, e os amigos do poeta tentaram obter permissão para que Blok fizesse tratamento no exterior, mas o Politburo do partido bolchevique travou o processo. O escritor morreu no dia em que o passaporte com permissão de viagem foi finalmente emitido.

4. "É você, idiota?"
Mikhail Saltikov-Schedrin era conhecido por seu humor e sátira implacáveis. Conta-se que ele teria cumprimentado sua própria morte com a pergunta: "É você, idiota?".

5. "Eu te amei e não te enganei uma vez sequer, nem mesmo em pensamento."
Essas foram as palavras finais do escritor Fiódor Dostoiévski à sua esposa Anna. Durante todo o período em que permaneceram casados, os dois passaram poucos dias distantes um do outro. Anna não era apenas esposa do escritor, mas também sua assistente – ela copiava seus manuscritos e lidava com os editores.

6. "Eu amo a verdade."
Aos 83 anos, o conde Lev Tolstói escapou para sua propriedade em Iásnaia Poliana, na região de Tula, a 200 km de Moscou. Acompanhado por sua filha e um médico, viajou em um vagão de trem na terceira classe. Durante o trajeto, pegou um resfriado, que se transformou em pneumonia. Já delirante, o escritor disse: “Eu amo a verdade”.

7. "Traga-me a escada!"
A imagem de uma escada é um dos principais mistérios do escritor Nikolai Gógol. Quando criança, o pequeno Kolia ouvia de sua avó a lenda de uma escada que levava as almas das pessoas ao céu. De diferentes formas, essa imagem está presente em muitas das obras de Gógol. "A escada, rapidamente, traga-me a escada!" foram as últimas palavras do escritor, segundo testemunhas oculares.

In extremis
Lewis Carroll et al. | Goethe (escritor alemão) | Ney (marechal francês) | Gacy (palhaço assassino) | Corey (fazendeiro americano)

10 agosto, 2019

Passando o apagador

Em 1843, um notário chamado Leclair descobriu que, se as palavras fossem cortadas ao meio, horizontalmente, e deixadas apenas com a metade superior, essas palavras seriam lidas e reconhecidas. Com os pontos, as vírgulas e as reticências sendo sacrificados, dificuldades surgiriam para se pausar os textos. Entretanto, como as aspas, os apóstrofos e os acentos seriam preservados, a textualidade estaria garantida.
Essa dica sobre uma das propriedades das palavras me foi dada por carta pelo bom e velho Dr. Carta Pácio, inconformado com os crescentes preços dos cartuchos de tinta.

Lousa, giz e apagador
Moça provou que, se apagasse a metade superior de uma certa sequência de números, seria possível fazer surgir uma declaração de amor.

18 junho, 2018

Palavras arcaicas

"Multa renascentur quae jam cecidere, cadentque quae nunc sunt in honore vocabula, se volet usus, quem penes arbitrium est et ius et norma loquendi."
"Muitas palavras que já morreram terão um segundo nascimento, e cairão muitas das que agora gozam das honras, se assim o quiser o uso, em cujas mãos estão o arbítrio, o direito e a lei da fala." (Horácio, Ars Poética)


Conheça 10 palavras que desapareceram da língua portuguesa, universiaBrasil

Expressões que não desapareceram porque evoluíram para formas reduzidas:
— Vossa Mercê, vosmecê, você, ocê, cê ou vc
— Vamos em boa hora, vamos embora, vambora ou simbora, bora

24 abril, 2018

Palavras transformadas em desenhos

Este artista transforma palavas em desenhos!


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04 julho, 2015

Uma palavra intrinsecamente engraçada

É uma palavra divertida, independentemente do seu contexto, por ser uma onomatopeia ou por apresentar outras razões fonosemânticas (seja lá o que isso signifique).
Em inglês, essas palavras costumam ter consoantes oclusivas: "p", "b," "t", "d", "k" e "g". Daí o LaughLab ter sugerido que, se alguém quer contar uma piada envolvendo animal, pois que seja um... duck (pato).
Gostaria de acrescentar que onomatopeia é também uma palavra intrinsecamente engraçada.

30 abril, 2015

Hipopotomonstrosesquipedalofobia

Imagem: veio daqui
É uma palavra inventada como uma brincadeira que, por ter se tornado relativamente conhecida e divulgada, acabou sendo tomada como séria por muitas pessoas que não conhecem sua origem.
A hipopotomonstrosesquipedalofobia seria um distúrbio que se caracteriza pelo medo irracional (ou fobia) de pronunciar palavras grandes ou complicadas. Caracteriza-se pela aversão ou nervosismo em momentos nos quais o indivíduo deve empregar palavras longas ou de uso pouco comum (discussões técnicas, médicas, científicas etc), assim como evitar ou não mencionar palavras estranhas ao vocabulário coloquial.
Esta fobia pode ser causada pelo medo de pronunciar incorretamente a palavra, já que isto representa uma possibilidade de que a pessoa fique em desvantagem e seja visto como alguém de cultura inferior ou pouco inteligente perante seus iguais. Muitas vezes, esta fobia vem acompanhada de timidez social e medo de ser ridicularizado.
A própria palavra hipopotomonstrosesquipedalofobia representa certa ironia, haja vista que, além de ser longa e estranha, indica uma fobia às palavras semelhantes.
Linguisticamente falando, o termo correto para "fobia de palavras longas" é megalologofobia (usando-se os prefixos gregos megalo e logos) ou sesquipedalofobia (usando-se o prefixo latino sesquipedalis). WIKIPÉDIA

27 março, 2015

Grafofagia, xilofagia e glossofagia

A grafofagia é um neologismo cunhado por Janet Beizer, professora de línguas e literaturas românicas da Universidade Harvard, para designar o ato de ingerir textos com fins sobrenaturais.
A grafofagia, na verdade, é um subconjunto da antiga xilofagia. Nesta, o portador come o papel, apenas por ser papel, e desenfastia-se com lascas de madeira. Enquanto na grafofagia é como no jogo do bicho: vale o que está escrito. O portador atribui uma propriedade simbólica ou mágica às palavras que estão no papel e, por isso, o come.
Se soubesse que o papel aceita tudo...
Tarlei Martins (link) encontra uma acepção diferente para a grafofagia. Ao observar o que acontece nos chats e redes sociais (o reino do fast) em que as palavras sofrem mordidas, principalmente nas vogais. A grafofagia como um fenômeno que atinge o corpo gráfico dos vocábulos.
Quando atinge o corpo fônico, então o caso é de glossofagia. Como acontece nestes exemplos: "refri", "preju", "deprê", "patropi"...
Patropi? Na canção "País Tropical", do Jorge Ben, há glossofagia em "catadu", digo, catadupa.

27 fevereiro, 2014

Fato e factoide

Fato é algo que tem a qualidade de ser real, é uma verdade inquestionável.
Factoide, no entanto, significa algo diferente. É um fato inventado, que se acredita ser verdade por causa de sua aparência à primeira vista. Esta foi a definição dada por Norman Mailer, em 1973. Mailer descreveu um factoide como "um fato que não têm existência antes de aparecer em revista ou jornal".
O Washington Times descreveu a nova palavra de Mailer como "algo que se parece com um fato, pode ser um fato, mas na verdade não é um fato".
Exemplo de factoide
A Grande Muralha da China é muitas vezes considerada como sendo o único objeto feito pelo homem visível da Lua. Na realidade, nenhum objeto feito pelo homem na Terra pode ser visto a olho nu a partir da Lua. Um observador que estivesse no satélite natural da Terra precisaria ter uma acuidade visual 17.000 vezes melhor do que a normal (20/20) para ver, a olho nu, a Grande Muralha da China.
Fontes lunáticas contradizem a Wikipédia

15 fevereiro, 2014

Um passatempo criado por Lewis Carroll

No dia de Natal de 1877, atendendo a duas jovens que se queixavam de "nada para fazer", Lewis Carroll inventou uma nova "forma de tortura verbal". Diante de duas palavras com o mesmo tamanho, o solucionador do passatempo deveria converter uma palavra na outra, mudando uma letra de cada vez, com cada passo produzindo obrigatoriamente uma palavra válida (em inglês).
Por exemplo, converter HEAD (CABEÇA) em TAIL (CAUDA), em cinco passos:
HEAD ► HEAL ► TEAL ► TELL ► TALL ► TAIL
Carroll chamou de Doublets o novo passatempo e publicou suas regras na revista Vanity Fair, que a saudou como um jogo "totalmente novo e além disso tão interessante.como os acrósticos".
Em alguns quebra-cabeças o número de passos era especificado. Como, por exemplo: HATE-LOVE (ÓDIO-AMOR) em três; LASS-MALE (MOÇA-MASCULINO) em quatro; LIVE-DEAD (VIVO-MORTO) em cinco, com LEND no meio.
Mas, mesmo sem tal restrição, algumas transformações requeriam um número surpreendente de passos. Carroll descobriu que eram necessários 10 passos para BLUE (AZUL) ficar PINK (ROSA), e, em 1968, Dmitri Borgmann, um especialista nesse jogo, declarou-se incapaz de converter ABOVE (ACIMA) em BELOW (ABAIXO).
Num estudo de computador de 5757 palavras inglesas com cinco letras, Donald Knuth descobriu que a maior parte delas poderia ser relacionada uma a outra, exceto 671. Uma destas, apropriadamente, foi a palavra ALOOF (DISTÂNCIA).
Em 1917, Sam Loyd e Thomas Edison fizeram esta curta, The Puzzling Billboard, que brinca com idéias semelhantes.



Word Ladders, Futility Closet

03 dezembro, 2013

A história lacônica do mundo

Uma palavra por país
Martin Elmer é cartógrafo e teve a seguinte ideia.
Pegou a seção de história de 176 países na Wikipédia (em inglês), passou-a por um software que cria "nuvens de palavras" e se fixou naquela que mais se repetia para cada país. Em seguida, adaptou essas 176 palavras às formas dos respectivos países.
O resultado foi esta história lacônica do mundo, da qual há uma versão ampliada em Hugepic.


Houve coisas curiosas no mapa:
  • 16% dos países foram representados pela palavra WAR (guerra), 
  • um quarto deles, pelo nome do país de que foi colônia 
  • e alguns dos países (PAKISTAN, por exemplo), pelo nome de um país vizinho (INDIA).
Realmente curioso.

27 setembro, 2013

Kaput e caput

"Kaput" é uma gíria que significa "quebrado", "arruinado", "destruído". É uma palavra derivada da alemã "kaputt" que significa "quebrado", "estragado". Indica que algo está "detonado", "arruinado". Por exemplo, quando o computador não funciona, diz-se que o computador está "kaput"! Ou seja, o computador "pifou", "deu pau".

Às vezes surge uma grande confusão entre a palavra "kaput" e a palavra latina "caput" (cabeça). Uma possível explicação para o relacionamento dos dois termos, seria o período da Idade Média quando a peste bubônica matou muitas pessoas. Os mortos eram contados por cabeça. A relação com a palavra alemã "kaputt" seria a referência de cada morto (cada cabeça) como perdido, aniquilado, sem utilidade.
A palavra latina "caput", cujo significado é "cabeça", se usa para indicar a parte mais alta de algo que foi referido, a parte principal. É amplamente usada em textos jurídicos, em artigos de lei que constam de códigos, constituições etc.
Significados.com.br



Título de um livro: "Pega pra Kaputt!"
Com Josué Guimarães, Luis Fernando Veríssimo, Moacir Scliar e Edgar Vasques
LePM Editores
Das ruínas da Segunda Guerra Mundial emerge esta história de mistério, de crime, de ódio, de amor e sobretudo de humor – um desafio a que três ficcionistas e um cartunista se lançaram mutuamente, cada um aprontando uma pior para o companheiro.
35 anos de um romance a oito mãos.

11 julho, 2013

O efeito QWERTY

Você passa muitas horas por dia na frente de um teclado QWERTY de um computador?
Pois saiba que descobriram que o teclado tem influência sobre a maneira como reagimos às palavras.
Assim, tenderíamos a reagir mais positivamente às palavras formadas por letras do lado direito do teclado. Palavras com letras do lado esquerdo nos fariam sentir emoções negativas.
Eis uma amostragem não científica (em inglês) desse tal "efeito QWERTY":

MailOnline
E os cientistas, esses eternos cognitivos, já suspeitam da causa. É mais fácil a gente digitar com a mão direita, já que há menos letras no lado direito do teclado.
Entendeu agora por que há tanto LOL por aí?!

Poderá também gostar de ler
Germes, Teclado de chocolate, O teclado e as senhas e 40 anos de internet

30 novembro, 2012

O médico e vernaculista Castro Lopes

Médico por profissão e vernaculista de nomeada, Castro Lopes quis purificar a língua falada no Brasil de anglicismos e galicismos. Foi ele que, no fim do século 19, produziu neologismos como "ludopédio" para substituir o "futebol".
As palavras a que Castro Lopes tentou dar vida e aquelas que ele pretendia suprimir estão arroladas em "Neologismos Indispensáveis e Barbarismos Dispensáveis", livro que, segundo Paulo Nogueira, serviu de tema para conversas, e piadas, trocadas entre o ex-imperador Pedro II e o Visconde de Taunay.
Observe-se sua investida contra a palavra "peignoir". Não cria, no caso, um neologismo. Vai buscar o vocábulo português que julga correspondente: "roupão". Dirigindo-se ao “belo sexo”, Castro Lopes pergunta: “Por que empregareis o termo francês 'peignoir' quando esse traje não serve para o fim que o nome indica?” Logo depois, lança, às damas nacionais, um apelo que revela seu talento humorístico: “Despi, portanto, eu vos suplico, o 'peignoir' francês, e vesti o vosso roupão”.
Ele tinha um surpreendente bom humor. Para Paulo Nogueira, Castro Lopes daria um excelente cômico se quisesse.
Pérolas do vernaculista
Referência:
A saga de Castro Lopes, por Paulo Nogueira
Diário do Centro do Mundo
Abajur - Lucivelo
Avalanche - Runimol
Bijuteria - Joalheira
Boulevard - Calçada
Cachecol - Focale
Chalé - Castelete
Champignons - Cogumelos
Claque - Venaplauso
Debut - Estréia
Engrenagem - Entrosagem
Feérico - Fatídico
Massagem - Premagem
Mise-en-scène - Encenação
Nuance - Ancenúbio
Pince-nez - Nasóculos
Piquenique - Convescote
Reclame - Preconício
Repórter - Alvissareiro
Turista - Ludâmbulo
Mas Castro Lopes não se saiu tão mal assim. Da relação acima, por exemplo, ele emplacou quatro.  Cinco, se incluirmos "roupão", que era uma palavra já existente em sua época. Mas fico a pensar no prejuízo que a supressão de "peignoir" traria para a MPB. Veja esta canção:
"Você fica deitada / de olhos arregalados / ou andando no escuro / de peignoir. / Não adiantou nada / cortar os cabelos / e jogar no mar."
Bodas de Prata, de João Bosco e Aldir Blanc

O plural do plural e A origem de algumas expressões populares