Em 1734, uma carta e um desenho de Martha Gerrish, uma mulher da Nova Inglaterra, descreviam um parélio, este raro fenômeno astronômico. Gerrish comentou: "Se isso viesse de uma mão masculina, acredito que seria um presente aceitável para a Royal Society". Esta é a primeira carta à Royal Society conhecida por ter sido enviada por uma mulher em seu próprio nome e demonstra que as mulheres contribuíram para a ciência mesmo quando seu trabalho não era divulgado publicamente.(Pat's Blog)
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05 março, 2026
Parélio
Parélio, ou "falso sol", é um fenômeno óptico atmosférico que cria pontos luminosos coloridos ao lado do Sol, como se fossem outros sóis, causado pela refração da luz solar em pequenos cristais de gelo em nuvens altas. Ocorre quando o Sol está perto do horizonte, com os cristais hexagonais alinhados.
17 outubro, 2024
Penumbra
Da junção do latim "paene", que significa quase, com "umbra,ae", sombra.
O que significa?
1. Ponto de transição da luz para a sombra. 2. [Física] Estado de uma superfície incompletamente iluminada por um corpo luminoso cujos raios são em parte interceptados por um corpo opaco.
Sinônimos: meia-luz; lusco-fusco; crepúsculo.
Quando a fonte a que o objeto estiver exposto for extensa, haverá a formação da sombra e o surgimento de um contorno mais claro ao redor da sombra denominado de penumbra. Na sombra, não existem pontos com luz, é uma região completamente escura. Enquanto a penumbra surge apenas quando a fonte luminosa é extensa, sendo uma região onde alguns pontos possuem luz.
O que significa?
1. Ponto de transição da luz para a sombra. 2. [Física] Estado de uma superfície incompletamente iluminada por um corpo luminoso cujos raios são em parte interceptados por um corpo opaco.
Sinônimos: meia-luz; lusco-fusco; crepúsculo.
Quando a fonte a que o objeto estiver exposto for extensa, haverá a formação da sombra e o surgimento de um contorno mais claro ao redor da sombra denominado de penumbra. Na sombra, não existem pontos com luz, é uma região completamente escura. Enquanto a penumbra surge apenas quando a fonte luminosa é extensa, sendo uma região onde alguns pontos possuem luz.
P.S. Antumbra
[Astronomia] Região de sombra de um corpo celeste para além do fim da zona cônica da umbra, onde a fonte de luz é parcialmente ocultada. Para um observador localizado na antumbra, o eclipse solar é anular.
[Astronomia] Região de sombra de um corpo celeste para além do fim da zona cônica da umbra, onde a fonte de luz é parcialmente ocultada. Para um observador localizado na antumbra, o eclipse solar é anular.
20 maio, 2024
Ora (direis) não ver estrelas
Desde o início da humanidade, as pessoas olham para o céu noturno para ver as estrelas. Observá-los nos permitiu aprender como funciona o universo, como marcar o tempo com calendários e como navegar pelo mundo. Mas, no nosso mundo moderno, a poluição luminosa significa que os habitantes das cidades nunca veem as estrelas, muito menos os confins da Via Láctea, e mesmo nas cidades pequenas é difícil discernir o que se passa lá em cima. Se você quiser ver uma chuva de meteoros, por exemplo, terá que dirigir longas distâncias em direção à natureza selvagem. Mas mesmo nos lugares mais remotos do planeta, os céus estão mais claros do que costumavam ser. As luzes LED economizam energia, mas isso significa apenas que as usamos mais e que deixamos as luzes acesas a noite toda. E mesmo que você encontre uma área remota e escura, o próprio céu está cheio de satélites que atrapalham os fenômenos naturais.
Os astrônomos cunharam uma nova palavra que descreve a tristeza que sentimos pela perda de oportunidades de observar as estrelas: "noctalgia".
(https://www.neatorama.com/2023/09/20/The-Pain-Stargazers-Feel-Over-the-Loss-of-Dark-Skies/)
2020 O país do céu escuro
2010 A poluição luminosa
10 agosto, 2023
Pontos de Lagrange
Pontos de Lagrange são posições no espaço onde as forças gravitacionais de um sistema de dois corpos como o Sol e a Terra produzem regiões aprimoradas de atração e repulsão. Estes podem ser usados por naves (e telescópios) espaciais para reduzir o consumo de combustível necessário para permanecer na posição.
Os pontos de Lagrange são nomeados em homenagem ao matemático ítalo-francês Josephy-Louis Lagrange. Existem cinco pontos especiais onde uma pequena massa pode orbitar em um padrão constante com duas massas maiores. Os Pontos de Lagrange são posições onde a atração gravitacional de duas grandes massas é precisamente igual à força centrípeta necessária para um pequeno objeto se mover com elas.
Este problema matemático, conhecido como o "Problema Geral dos Três Corpos" foi considerado por Lagrange em seu artigo premiado (Essai sur le Problème des Trois Corps, 1772).
Dos cinco pontos de Lagrange, três são instáveis e dois são estáveis. Os pontos instáveis de Lagrange - rotulados L1, L2 e L3 - estão ao longo da linha que liga as duas grandes massas. Os pontos de Lagrange estáveis - rotulados L4 e L5 - formam o ápice de dois triângulos equiláteros que têm as grandes massas em seus vértices.
O ponto L2 do sistema Terra-Sol era o lar da espaçonave WMAP, atual lar do Planck, do Telescópio Espacial James Webb (e do observatório russo-alemão de raios-X Spektr-RG). L2 é ideal para astronomia porque uma espaçonave está próxima o suficiente para se comunicar prontamente com a Terra, pode manter o Sol, a Terra e a Lua atrás da espaçonave para energia solar e fornece uma visão clara do espaço profundo para nossos telescópios. Os pontos L1 e L2 são instáveis em uma escala de tempo de aproximadamente 23 dias, o que requer que os satélites que orbitam essas posições passem por correções regulares de curso e atitude.
É improvável que a NASA encontre qualquer uso para o ponto L3, uma vez que permanece escondido atrás do Sol o tempo todo. A ideia de um planeta oculto tem sido um tema popular na literatura de ficção científica.
What is a Lagrange Point?
Os grifos são nossos.
Os pontos de Lagrange são nomeados em homenagem ao matemático ítalo-francês Josephy-Louis Lagrange. Existem cinco pontos especiais onde uma pequena massa pode orbitar em um padrão constante com duas massas maiores. Os Pontos de Lagrange são posições onde a atração gravitacional de duas grandes massas é precisamente igual à força centrípeta necessária para um pequeno objeto se mover com elas.
Este problema matemático, conhecido como o "Problema Geral dos Três Corpos" foi considerado por Lagrange em seu artigo premiado (Essai sur le Problème des Trois Corps, 1772).
Dos cinco pontos de Lagrange, três são instáveis e dois são estáveis. Os pontos instáveis de Lagrange - rotulados L1, L2 e L3 - estão ao longo da linha que liga as duas grandes massas. Os pontos de Lagrange estáveis - rotulados L4 e L5 - formam o ápice de dois triângulos equiláteros que têm as grandes massas em seus vértices.
O ponto L2 do sistema Terra-Sol era o lar da espaçonave WMAP, atual lar do Planck, do Telescópio Espacial James Webb (e do observatório russo-alemão de raios-X Spektr-RG). L2 é ideal para astronomia porque uma espaçonave está próxima o suficiente para se comunicar prontamente com a Terra, pode manter o Sol, a Terra e a Lua atrás da espaçonave para energia solar e fornece uma visão clara do espaço profundo para nossos telescópios. Os pontos L1 e L2 são instáveis em uma escala de tempo de aproximadamente 23 dias, o que requer que os satélites que orbitam essas posições passem por correções regulares de curso e atitude.
É improvável que a NASA encontre qualquer uso para o ponto L3, uma vez que permanece escondido atrás do Sol o tempo todo. A ideia de um planeta oculto tem sido um tema popular na literatura de ficção científica.
What is a Lagrange Point?
Os grifos são nossos.
Microsiervos, 05/08/23 - Após um mês de seu lançamento, o telescópio espacial Euclides da Agência Espacial Europeia (ESA) chegou a seu destino no ponto L2 Lagrange do sistema Sol-Terra, onde já está enviando imagens de teste. L2 é um ponto localizado a 1,5 milhão de quilômetros do nosso planeta em direção ao exterior do sistema solar e é muito procurado para observatórios espaciais porque a partir daí o Sol, a Terra e a Lua estão sempre voltados um para o outro e não atrapalham as observações. Além do fato de que a Terra também pode atuar como um guarda-sol.
15 julho, 2022
Meme do namorado infiel (upgrade)
O TecMundo explicou, em 2017, a origem do meme e da história por trás da clássica imagem. O registro foi feito pelo fotógrafo espanhol Antonio Guillem, que resolveu em 2015 diversificar seu portfólio e fazer fotos que indicassem infidelidade e traição.
Ele reuniu os três modelos da imagem e viajou para Girona, na Catalunha, para fazer os registros.
"Foi um tanto desafiador alcançar as expressões faciais críveis", disse Guillem numa entrevista à Wired. "Principalmente, porque nós tínhamos uma ótima atmosfera de trabalho, e quase o tempo todo um dos modelos estava rindo enquanto nós tentávamos tirar a foto", acrescentou.
De acordo com o Tumblr Meme Documentation, site que analisa a origem dos memes, a primeira vez que alguém utilizou a imagem para brincar com alguma situação foi em janeiro de 2017. A postagem em questão foi publicada no Facebook, por um grupo turco voltado aos fãs do rock progressivo.
Os telescópios espaciais levaram o meme do namorado infiel a um nível que ultrapassa o poder da imaginação.
Ele reuniu os três modelos da imagem e viajou para Girona, na Catalunha, para fazer os registros.
"Foi um tanto desafiador alcançar as expressões faciais críveis", disse Guillem numa entrevista à Wired. "Principalmente, porque nós tínhamos uma ótima atmosfera de trabalho, e quase o tempo todo um dos modelos estava rindo enquanto nós tentávamos tirar a foto", acrescentou.
De acordo com o Tumblr Meme Documentation, site que analisa a origem dos memes, a primeira vez que alguém utilizou a imagem para brincar com alguma situação foi em janeiro de 2017. A postagem em questão foi publicada no Facebook, por um grupo turco voltado aos fãs do rock progressivo.
http://twitter.com/Hole_Sgr_A
26 dezembro, 2021
Os telescópios espaciais Hubble e Webb
Foi lançado ontem, 25, às 9h20 (hora de Brasília), dentro do compartimento de carga de um foguete Ariane 5, que decolou de base espacial na Guiana Francesa em direção ao espaço, o supertelescópio James Webb. Aguardam-se, para os próximos anos, grandes avanços na astronomia e no conhecimento da origem do universo. Conseguindo ver o cosmos no espectro vermelho, isso permitirá que o James Webb enxergue através das imensas nuvens de gás e poeira, nas quais as estrelas estão nascendo.
Neste vídeo, são comparados os poderes dos telescópios Hubble e James Webb, que trabalharão juntos pela ciência apesar de distantes.
Hubble enxerga as crianças; Webb enxerga os bebês.
05 maio, 2021
Os planetas segundo a astronomia clássica
"A história da astronomia é uma história de horizontes em retrocesso." - Edwin Powell Hubble
Etimologicamente, os planetas são viajantes do espaço, pois o termo deriva do grego planetes, que significa "que viaja, que vagueia". É o adjetivo que aparece na expressão aster planetes ("astros errantes"), usada para designar os astros que se movem, por oposição aos que são "fixos". Para os astrônomos da Antiguidade, que observavam o céu a olho nu, as estrelas mantinham a mesma distância entre si, enquanto os planetas davam a impressão de de que se movimentavam erraticamente no espaço.
A astronomia clássica reconhecia sete planetas: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno, além do Sol e da Lua, incluídos na lista porque não eram estáticos. Urano e Netuno só foram descobertos com o desenvolvimento dos instrumentos ópticos.
Ilustração - Parte de uma tabuleta babilônica de Sippar, construída em 870 A.C., atualmente no British Museum.
O calendário lunar da Babilônia foi o primeiro a ser dividido em quatro períodos correspondentes às quatro fases da Lua. Esta divisão em períodos de sete dias deu origem às semanas como as conhecemos hoje. De fato, como se pode ver na relação abaixo, o nome de cada dia da semana (em inglês, francês e espanhol) advém do nome do objeto celeste adorado em cada dia na Babilônia (Mesopotâmia).
Mesopotâmia: Ingl. / Fr. / Esp.
Dia da Lua: Monday / Lundi / Lunes
Dia de Marte: Tuesday / Mardi / Martes
Dia de Mercúrio: Wednesday / Mercredi / Miercoles
]Dia de Júpiter: Thursday / Jeudi / Jueves
Dia de Vénus: Friday / Vendredi / Viernes
Dia de Saturno: Saturday / Samedi / Sabado
Dia do Sol: Sunday / Dimanche / Domingo
11 novembro, 2019
Nem sombra das sombras
Este fenômeno acontece quando o Sol fica em seu ponto de maior verticalidade sobre a Terra, o que faz que as sombras laterais dos habitantes desapareçam.
Nesses dias, o Sol estará bem acima das nossas cabeças e, por isso, as pessoas não projetarão sombras durante alguns minutos. O mesmo acontecerá com os edifícios.
A passagem do Sol pelo topo ocorre duas vezes por ano, quando a nossa estrela se dirige para o norte na primavera e, em seu regresso, após o solstício de verão.
O fenômeno acontece diariamente nos lugares entre o Trópico de Câncer e o de Capricórnio. As datas são estas:
21/3 Equador
21/6 Trópico de Câncer
21/9 Equador
21/12 Trópico de Capricórnio.
Na verdade, só exatamente ao meio dia solar LOCAL (atenção para esta última palavra!) é que não há sombra NO LOCAL. À medida que o Sol vai descrevendo o seu movimento "aparente" (na realidade, é a Terra que vai rodando) o LOCAL em que não há sombra vai mudando (porque o meio dia solar vai mudando, claro).
Nesses dias, o Sol estará bem acima das nossas cabeças e, por isso, as pessoas não projetarão sombras durante alguns minutos. O mesmo acontecerá com os edifícios.
24/05/1919 - A passagem do "sol no topo" em Yucatán, México
(https://zap.aeiou.pt/fenomeno-astronomico-deixou-mexico-sem-sombras-3-dias-258892)
(https://zap.aeiou.pt/fenomeno-astronomico-deixou-mexico-sem-sombras-3-dias-258892)
A passagem do Sol pelo topo ocorre duas vezes por ano, quando a nossa estrela se dirige para o norte na primavera e, em seu regresso, após o solstício de verão.
O fenômeno acontece diariamente nos lugares entre o Trópico de Câncer e o de Capricórnio. As datas são estas:
21/3 Equador
21/6 Trópico de Câncer
21/9 Equador
21/12 Trópico de Capricórnio.
Na verdade, só exatamente ao meio dia solar LOCAL (atenção para esta última palavra!) é que não há sombra NO LOCAL. À medida que o Sol vai descrevendo o seu movimento "aparente" (na realidade, é a Terra que vai rodando) o LOCAL em que não há sombra vai mudando (porque o meio dia solar vai mudando, claro).
24 agosto, 2019
Mercúrio, o planeta mais próximo da Terra
Ryan F. Mandelbaum
Uma equipe de cientistas acaba de demonstrar algo que pode surpreendê-lo: Mercúrio, e não Vênus, é o planeta mais próximo da Terra (em média).Os pesquisadores apresentaram seus resultados esta semana em um artigo recente na revista Physics Today (12 mar 2019). Eles explicam que nossos métodos para calcular qual planeta é "o mais próximo" simplificam demais o assunto. Mas isso não é tudo. "Mercúrio é o vizinho mais próximo, em média, de cada um dos outros sete planetas do sistema solar", escrevem eles.
Nossas concepções errôneas sobre o quão próximos os planetas são um do outro vêm da maneira como geralmente estimamos distâncias para outros planetas. Normalmente, calculamos a distância média do planeta ao Sol. A distância média da Terra é de 1 unidade astronômica (UA), enquanto a de Vênus é de cerca de 0,72 UA. Se você fizer subtração, você verá que a distância média da Terra até Vênus é de 0,28 UA, a menor distância para qualquer par de planetas.
Mas um trio de pesquisadores percebeu que essa não é uma maneira precisa de calcular as distâncias dos planetas. Afinal, a Terra passa o mesmo tempo no lado oposto de sua órbita de Vênus, a 1.72 UA de distância. É preciso calcular a média da distância entre cada ponto ao longo da órbita de um planeta e cada ponto ao longo da órbita de outro planeta. Os pesquisadores realizaram uma simulação baseada em duas suposições: que as órbitas dos planetas eram aproximadamente circulares e que suas órbitas não estavam em um ângulo relativo entre si.
De fato, os pesquisadores descobriram que Mercúrio era o planeta mais próximo da Terra na maior parte do tempo, em média, assim como para todos os outros planetas do sistema solar. A órbita inclinada e excêntrica de Plutão não se encaixa nessas suposições, mas não é um planeta de qualquer maneira, de acordo com a União Astronômica Internacional.
(Por favor, não me envie um email sobre isso.)
Eu acho que é hora de dizer adeus a Vênus e boas vindas ao nosso vizinho mais próximo: o melhor planeta, Mercúrio.
El planeta más cercano a la Tierra es Mercurio y no Venus, GIZMODO
08 julho, 2019
O trabalho dos astrônomos da ilha voadora de Laputa
| Ilustração: J.J. Grandville |
Na parte III de sua longa sátira, Swift coloca seu herói, Gulliver, na ilha flutuante de Laputa onde astrônomos estão trabalhando duro para mapear o firmamento. Sobre os astrônomos e sobre seu trabalho, Gulliver afirma:
Eles catalogaram dez mil estrelas fixas (...) Da mesma forma, eles descobriram duas estrelas menores, ou "satélites", que giram ao redor de Marte, das quais a mais interna está distante do centro do planeta exatamente três vezes seu diâmetro, e a mais externa, cinco. A primeira completa uma volta em dez horas, enquanto a segunda, em vinte e uma horas e meia.A maior parte dos teóricos acredita que Swift "tomou emprestadas" as informações sobre os satélites de Marte dos cálculos realizados por Johannes Kepler, o descobridor das leis do movimento dos planetas, no século XVI, que também recebe os créditos, com frequência, por ter descoberto as luas de Marte. De qualquer forma, Kepler meramente especulou que o Planeta Vermelho teria duas luas, tendo como base para isso a crença de que Vênus não teria nenhum satélite natural e a Terra tinha uma, então, Marte deveria ter duas. Havia uma ideia de que cada planeta consecutivo possuiria uma lua adicional. Essa crença ganhou força quando as quatro maiores luas de Júpiter foram descobertas. Mercúrio ainda era desconhecido e o (hipoteticamente) quinto planeta em ruínas, no qual o cinturão de asteroides está localizado, teria três luas, segundo este sistema de raciocínio. Hoje sabemos que essa "lei" planetária não faz sentido, mas Kepler poderia não ter esse conhecimento.
Isso, no entanto, cria um paradoxo: se Kepler não tinha informações específicas relacionadas às duas luas de Marte, como então Swift chegou aos cálculos apresentados em "Viagens de Gulliver"? Para reafirmar, ele comentou sobre a lua interna viajar ao redor do planeta em dez horas e a lua externa em 21 horas e meia. O tempo de órbita verdadeiro para cada lua é: Fobos, sete horas e quarenta e nove minutos; Deimos, trinta horas e dezoito minutos.
Em um artigo na Persuit, a publicação da Sociedade de Investigação do Inexplicado, o ex-diretor Robert J. Durant escrever: "No quesito exatidão, Swift deixa algo a desejar, mas seus números são, de qualquer forma, bastante aproximados. Qualquer um da mesma época na história [daquela era da astronomia] dificilmente conseguiria apontar falhas em Swift".
É possível que exista um registro antigo, em algum lugar, documentando a órbita e a posição de cada lua de Marte. Sobre tudo o que está fora de nossos tempos, nosso conhecimento em história é terrivelmente incompleto; o que sabemos de nosso próprio passado distante são hipóteses criadas a partir de uma estrutura de crenças cuidadosamente cultivada. Podemos ter subido e caído, repetidamente, com cada civilização redescobrindo o conhecimento do passado. O sistema solar pode ter sido mapeado e explorado, e até mesmo colonizado, em eras anteriores. Evidências disso, se existiram, provavelmente seriam encontradas em Marte, ou mesmo em um de seus pequenos satélites.
UFOs: o último grande segredo / Curt Sutherly. São Paulo, Universo dos Livros, 2009. p.85-87
07 junho, 2019
Maré de sizígia
"E como a gente está em Lua Nova, a força gravitacional dessa Lua mais a do Sol pode deixar a maré alta mais alta ainda, Bonner. Aquela maré que tem o nome chato de a gente falar: si-zí-gia."
A amplitude da maré (ou seja, a diferença entre a maré alta e a maré baixa) será diferente dependendo da fase da Lua. Quando estamos em Lua Cheia ou Lua Nova, a força gravitacional da Lua combinada com a do Sol, cria amplitudes maiores da maré (ou seja, marés altas maiores que a média e marés baixas menores do que a média – o mar avança/recua mais em relação à faixa de areia). Neste caso, ocorre a maré de sizígia.
Sizígia (astronomia) - configuração em linha reta de três corpos celestes.
Maju, Jornal Nacional, 06/06/2019
A amplitude da maré (ou seja, a diferença entre a maré alta e a maré baixa) será diferente dependendo da fase da Lua. Quando estamos em Lua Cheia ou Lua Nova, a força gravitacional da Lua combinada com a do Sol, cria amplitudes maiores da maré (ou seja, marés altas maiores que a média e marés baixas menores do que a média – o mar avança/recua mais em relação à faixa de areia). Neste caso, ocorre a maré de sizígia.
![]() |
| CLIMATEMPO O ceu fala. A gente entende. |
Sizígia (astronomia) - configuração em linha reta de três corpos celestes.
02 junho, 2019
Catálogos de estrelas
A astronomia observacional produziu apenas três catálogos de estrelas significativos nos dois mil anos que antecederam o século 18. O primeiro, o catálogo grego de Hiparco e Ptolomeu, publicado por Ptolomeu no século II A.C., que continha pouco mais de 1000 estrelas mapeadas com precisão O segundo, contendo pouco mais de 700 estrelas com 300 outras emprestadas do catálogo Ptolemeu, foi produzido pelo astrônomo dinamarquês Tycho Brahe no último quartel do século XVI, com uma exatidão muito melhor do que a de seus predecessores gregos. Esses catálogos foram produzidos com observações a olho nu.O primeiro catálogo a ser produzido usando miras telescópicas nos instrumentos de medição foi o de John Flamsteed (1646-1719), publicado postumamente em 1725,que contém mais de 3000 estrelas medidas com um grau de precisão muito maior do que o de Tycho.
https://pballew.blogspot.com/2018/12/on-this-day-in-math-december-31.html#links
O site The Renaissance Mathematicus corrige aqui alguns equívocos comu(mente)2 repetidos sobre a vida de Flamsteed.
O contador de estrelas: 1 e 2
https://pballew.blogspot.com/2018/12/on-this-day-in-math-december-31.html#links
O site The Renaissance Mathematicus corrige aqui alguns equívocos comu(mente)2 repetidos sobre a vida de Flamsteed.
O contador de estrelas: 1 e 2
11 abril, 2019
A primeira imagem de um buraco negro
O Event Horizon 'Scope (Telescópio do Horizonte de Eventos) é uma colaboração internacional criada com o objetivo de capturar a primeira imagem de um buraco negro por meio de um telescópio do tamanho da Terra. A equipe de @ehtelescope construiu este telescópio virtual ligando pratos de rádio ao redor do mundo. Em abril de 2017, todos eles giraram para olhar para o buraco negro supermassivo no centro de Messier 87, uma galáxia na constelação de Virgem.Esta é a primeira imagem direta de um buraco negro através do Telescópio do Horizonte de Eventos.
Criar esta imagem requer mais dados do que qualquer outro experimento científico na história da humanidade.
Como eles fizeram isso?
Até hoje a maioria das medições de buracos negros tem sido de forma indireta.
No meio de galáxias, estrelas parecem girar em torno de algo - algo que exerce um tremendo poder de atração.
Os cientistas previram que essa coisa seria um buraco negro.
Os astrônomos também viram enormes jatos de matéria provenientes dos centros de galáxias.
Às vezes, eles são muito maiores do que as próprias galáxias.
Os cientistas também previram que a única coisa que tem força suficiente para gerar este efeito são os buracos negros.
Ondas gravitacionais descobertas pelo Observatório Ligo, em 2015, forneceram a evidência mais direta dos buracos negros.
Mas a descoberta das ondas gravitacionais era uma espécie de segredo do buraco negro.
Os cientistas queriam ver isso.
Mas como você tira uma foto de um objeto preto em um fundo preto?
A resposta é: luz de fundo.
O material deve emitir radiação à medida que as temperaturas sobem ao girar na borda do buraco negro no horizonte de eventos.
Com um telescópio suficientemente grande, os cientistas seriam capazes de usar essa radiação como pano de fundo para ver uma silhueta do próprio buraco negro.
Mas era difícil.
Embora o buraco negro seja enorme e produza efeitos ao nível da galáxia.
No entanto, era muito difícil obter uma imagem com precisão suficiente.
Eles precisavam de um telescópio do tamanho da Terra, o que é obviamente impossível.
Eles começaram a trabalhar com o Telescópio do Horizonte de Eventos.
O que, na verdade, não é um único telescópio, mas uma rede de oito observatórios.
Espalhados ao redor do mundo - do Havaí à Antártida.
Cada observatório fornece um pequeno pedaço do quebra-cabeça.
Fazendo leituras frequentes com a Terra em rotação, eles podem capturar mais ângulos em cada telescópio.
Depois de ter peças suficientes do quebra-cabeça, algoritmos (*) podem preencher as lacunas e construir a imagem inteira.
Esse processo é chamado de interferometria.
Todas as noites cada observatório coletou a mesma quantidade de dados que o Grande Colisor Hadron dentro de um ano.
Levou dois anos para reuni-los.
Nesta foto podemos ver pela primeira vez um buraco negro. Mas é mais do que uma foto.
Ela fornece uma réplica para testes precisos com a relatividade geral.
E o que mais?
O que há por trás do horizonte de eventos, onde as leis da física desaparecem e não funcionam como as conhecemos.
É a primeira imagem direta de um buraco negro.
Na codificação de seus pixels pode haver respostas para perguntas sobre o universo inteiro.
(*) Três anos atrás, Katie Bouman, uma estudante de pós-graduação do MIT criou o algoritmo que possibilitou obter a primeira imagem (direta) de um buraco negro.
Ontem, essa imagem foi liberada.
10 abril, 2019
"Cuidado com os matemáticos"
Em 354, Agostinho de Hipona, escreveu:
Matemática ≠Astrologia
Castidade, mas não ainda
"O bom cristão deve ter cuidado com os matemáticos e todos aqueles que fazem profecias vazias. Existe o perigo de que os matemáticos tenham feito uma aliança com o diabo para obscurecer o espírito e confinar os homens nos laços do Inferno."Da antiguidade até o século XVII, os termos astrólogo, astrônomo e matemático foram usados como sinônimos. Nesta famosa passagem de Santo Agostinho, em que ele parece estar condenando a matemática, ao advertir o cristão para tomar cuidado com os matemáticos, ele, na verdade, estava condenando a astrologia, que ele achava funcionar alimentada pelo mal.
Matemática ≠Astrologia
Castidade, mas não ainda
11 março, 2019
Nascido sob um signo ruim
Uma das consequências dos modelos cosmológicos de Copérnico, em 1543 (heliocentrismo), e Tycho, em 1588 (geoheliocentrismo), foi que os planetas internos, Mercúrio e Vênus, cruzariam ou transitariam, como dizem os astrônomos, na frente do Sol. Mas isso não ocorre em cada órbita, uma vez que as órbitas dos planetas são inclinadas em relação ao caminho aparente do Sol ao redor da Terra e que, por isso, tais trânsitos apenas são visíveis da Terra quando o planeta, a Terra e o Sol estão em posições propícias (alinhados). Para Vênus, isso ocorre em um padrão que se repete a cada 243 anos, com passagens aos pares separadas por oito anos.
Aqui entra o astrônomo francês Guilherme-Joseph-Hyacinthe-Jean-Baptiste Le Gentil de la Galazière (1725-1792). Ele foi escolhido pela Academia Francesa de Ciências para observar o trânsito de Vênus, em Pondicherry, na Índia. Ele navegou da França em 1760 e fez uma estada nas Maurícias, então conhecida como Ilha de França. Enquanto ele estava se preparando para navegar para Pondicherry, ele soube que esta tinha sido atacado e capturado pelos britânicos, então ele mudou seus planos e foi enviado em uma fragata francesa para Coromandel, apenas três meses antes do trânsito. No entanto, o capitão do navio ouvindo os desenvolvimentos da guerra com os britânicos voltou para as Maurícias, obrigando Le Gentil a observar o trânsito de Vênus a partir de um navio no mar e tornando suas observações cientificamente inúteis.
De volta às Maurícias, Le Gentil decidiu permanecer na Ásia por oito anos e observar o trânsito de 1769. Ele ocupou o tempo fazendo uma expedição para sua coleção de história natural do Oceano Índico. Em 1766, ele decidiu fazer suas observações em Manila, nas Filipinas, e partiu de navio para seu novo destino. Nas Filipinas, ele mudou de ideia novamente e decidiu voltar para Pondicherry. Sua decisão baseou-se em dois fatores: uma atitude hostil do governador espanhol das Filipinas e um pedido da Academia de Ciência em França para fazer suas observações na Índia.
Depois de várias aventuras pelo mar, chegou a tempo para o trânsito em Pondicherry. Ele foi tratado com respeito pelas autoridades britânicas que até lhe forneceram um novo telescópio de alta qualidade e ele montou seu equipamento para o excelente dia. Os dias que antecederam o trânsito foram perfeitos para observar, no entanto, no dia do trânsito, os céus foram cobertos por nuvens, fazendo todas as tentativas de observação impossíveis. O desapontamento de Le Gentil só se aprofundou ao descobrir que o tempo em Manila tinha sido perfeito para observar o trânsito.
Cansado, doente e desmoralizado, Le Gentil decidiu voltar para a França, chegando às Maurícias em 1770, muito doente para prosseguir a viagem. O infortúnio o levou à beira da insanidade mas, no final do ano, ele se recuperou para navegar para a França. Um furacão no Cabo da Boa Esperança obrigou seu navio a retornar para as Maurícias, onde ele aportou em 1771.
Le Gentil teve dificuldades em encontrar outro navio preparado para levá-lo de volta à Europa. Finalmente, um capitão espanhol concordou em levá-lo e, depois de mais aventuras marítimas, ele chegou a Cádiz, de onde passou por terra para a França, atravessando os Pirineus e chegando a Paris no dia 8 de outubro de 1771.
Durante sua ausência, Le Gentil foi presumido morto e seus herdeiros e credores já haviam dividido suas propriedades, e a Academia de Ciências havia atribuído sua posição a outra pessoa. Com a ajuda do rei, Le Gentil conseguiu recuperá-la. e, mais adiante, casou-se e teve uma filha para confortá-lo na velhice. O seu último desapontamento foi a perda de seus espécimes de história natural que haviam desaparecido no navio que o havia levado de volta às Maurícias por causa da tempestade, em sua primeira tentativa de voltar para casa. Se alguma vez um astrônomo nasceu sob um signo ruim, ele foi Guillaume Joseph Hyacinthe Jean-Baptiste Le Gentil de la Galaisière.
Extraído de: Born under a bad sign, The Renaissance Mathemticus
http://www.astronomy.ohio-state.edu/~pogge/Ast161/Unit4/venussun.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Guillaume_Le_Gentil
https://pt.wikipedia.org/wiki/Tr%C3%A2nsito_de_V%C3%AAnus
Aqui entra o astrônomo francês Guilherme-Joseph-Hyacinthe-Jean-Baptiste Le Gentil de la Galazière (1725-1792). Ele foi escolhido pela Academia Francesa de Ciências para observar o trânsito de Vênus, em Pondicherry, na Índia. Ele navegou da França em 1760 e fez uma estada nas Maurícias, então conhecida como Ilha de França. Enquanto ele estava se preparando para navegar para Pondicherry, ele soube que esta tinha sido atacado e capturado pelos britânicos, então ele mudou seus planos e foi enviado em uma fragata francesa para Coromandel, apenas três meses antes do trânsito. No entanto, o capitão do navio ouvindo os desenvolvimentos da guerra com os britânicos voltou para as Maurícias, obrigando Le Gentil a observar o trânsito de Vênus a partir de um navio no mar e tornando suas observações cientificamente inúteis.
De volta às Maurícias, Le Gentil decidiu permanecer na Ásia por oito anos e observar o trânsito de 1769. Ele ocupou o tempo fazendo uma expedição para sua coleção de história natural do Oceano Índico. Em 1766, ele decidiu fazer suas observações em Manila, nas Filipinas, e partiu de navio para seu novo destino. Nas Filipinas, ele mudou de ideia novamente e decidiu voltar para Pondicherry. Sua decisão baseou-se em dois fatores: uma atitude hostil do governador espanhol das Filipinas e um pedido da Academia de Ciência em França para fazer suas observações na Índia.
Depois de várias aventuras pelo mar, chegou a tempo para o trânsito em Pondicherry. Ele foi tratado com respeito pelas autoridades britânicas que até lhe forneceram um novo telescópio de alta qualidade e ele montou seu equipamento para o excelente dia. Os dias que antecederam o trânsito foram perfeitos para observar, no entanto, no dia do trânsito, os céus foram cobertos por nuvens, fazendo todas as tentativas de observação impossíveis. O desapontamento de Le Gentil só se aprofundou ao descobrir que o tempo em Manila tinha sido perfeito para observar o trânsito.
Cansado, doente e desmoralizado, Le Gentil decidiu voltar para a França, chegando às Maurícias em 1770, muito doente para prosseguir a viagem. O infortúnio o levou à beira da insanidade mas, no final do ano, ele se recuperou para navegar para a França. Um furacão no Cabo da Boa Esperança obrigou seu navio a retornar para as Maurícias, onde ele aportou em 1771.
Le Gentil teve dificuldades em encontrar outro navio preparado para levá-lo de volta à Europa. Finalmente, um capitão espanhol concordou em levá-lo e, depois de mais aventuras marítimas, ele chegou a Cádiz, de onde passou por terra para a França, atravessando os Pirineus e chegando a Paris no dia 8 de outubro de 1771.
Durante sua ausência, Le Gentil foi presumido morto e seus herdeiros e credores já haviam dividido suas propriedades, e a Academia de Ciências havia atribuído sua posição a outra pessoa. Com a ajuda do rei, Le Gentil conseguiu recuperá-la. e, mais adiante, casou-se e teve uma filha para confortá-lo na velhice. O seu último desapontamento foi a perda de seus espécimes de história natural que haviam desaparecido no navio que o havia levado de volta às Maurícias por causa da tempestade, em sua primeira tentativa de voltar para casa. Se alguma vez um astrônomo nasceu sob um signo ruim, ele foi Guillaume Joseph Hyacinthe Jean-Baptiste Le Gentil de la Galaisière.
Extraído de: Born under a bad sign, The Renaissance Mathemticus
http://www.astronomy.ohio-state.edu/~pogge/Ast161/Unit4/venussun.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Guillaume_Le_Gentil
https://pt.wikipedia.org/wiki/Tr%C3%A2nsito_de_V%C3%AAnus
28 novembro, 2018
Quando astrônomos acompanham um eclipse a bordo de um Concorde
Na década de 1970, um pequeno grupo de astrônomos usou o primeiro protótipo do Concorde para acompanhar um eclipse total através do Saara.
Um eclipse solar, em 1973, deu às pessoas em uma faixa da Indonésia e do Pacífico Sul a chance de ver um generoso eclipse total de 4 minutos e 9 segundos: a visão imponente da lua cobrindo completamente o sol, transformando o dia em noite e oferecendo um raro vislumbre da coroa solar.
Mas, naquele ano, um pequeno grupo de astrônomos tinha uma arma secreta para ver o eclipse por um tempo ainda mais longo: um protótipo do Concorde capaz de seguir o eclipse com o dobro da velocidade do som.
O futuro avião de passageiros - desenvolvido em parceria entre os governos francês e britânico - voou pela primeira vez em 1969 e estava chegando ao fim de seu bem-sucedido programa de testes. Ele havia mostrado que o transporte supersônico de passageiros era possível e também provado ser mais fácil de manusear no ar e no solo do que havia sido teorizado.
Enquanto os engenheiros de aviação franceses e britânicos preparavam o Concorde para voos de passageiros, o mundo da astronomia se preparava para seu próprio marco: assistir ao mais longo eclipse solar total de sua vida, em 30 de junho de 1973. O eclipse prometia uma visão luxuosa em certo lugar do planeta, durando um máximo de 7 minutos e 4 segundos, quando a lua passasse sobre o deserto do Saara. Seria apenas 28 segundos a menos do maior eclipse possível na Terra. Nos séculos anteriores, houve apenas um eclipse maior que este, e não haveria mais um eclipse solar total até junho de 2150.
O plano parecia enganosamente simples. Em sua velocidade máxima, o Concorde desceria do norte e interceptaria a sombra da lua sobre o noroeste da África. Viajando quase na mesma velocidade, o Concorde essencialmente competiria com o eclipse solar através da superfície do planeta, dando aos astrônomos uma oportunidade sem precedentes para estudar os vários fenômenos possibilitados por um eclipse.
Ao todo, os pesquisadores observaram a totalidade do eclipse pelo tempo recorde de 74 minutos.
Em um único voo, o Concorde deu aos astrônomos mais tempo de observação do que todas as expedições anteriores do século passado - gerando três artigos na Nature e uma riqueza de novos dados.
"Todos os cinco experimentos foram bem-sucedidos, mas nenhum deles revolucionou nossa compreensão da coroa solar", diz de uma maneira honesta Pierre Léna, o idealizador da missão, sobre o impacto imediato do voo. "Todos eles desempenharam seu papel na progressão normal do conhecimento científico, mas não houve resultados extraordinários, tem que ser dito."
https://motherboard.vice.com/en_us/article/8q8qwk/the-concorde-and-the-longest-solar-eclipse
O Concorde azul
Um eclipse solar, em 1973, deu às pessoas em uma faixa da Indonésia e do Pacífico Sul a chance de ver um generoso eclipse total de 4 minutos e 9 segundos: a visão imponente da lua cobrindo completamente o sol, transformando o dia em noite e oferecendo um raro vislumbre da coroa solar.
Mas, naquele ano, um pequeno grupo de astrônomos tinha uma arma secreta para ver o eclipse por um tempo ainda mais longo: um protótipo do Concorde capaz de seguir o eclipse com o dobro da velocidade do som.
O futuro avião de passageiros - desenvolvido em parceria entre os governos francês e britânico - voou pela primeira vez em 1969 e estava chegando ao fim de seu bem-sucedido programa de testes. Ele havia mostrado que o transporte supersônico de passageiros era possível e também provado ser mais fácil de manusear no ar e no solo do que havia sido teorizado.
Enquanto os engenheiros de aviação franceses e britânicos preparavam o Concorde para voos de passageiros, o mundo da astronomia se preparava para seu próprio marco: assistir ao mais longo eclipse solar total de sua vida, em 30 de junho de 1973. O eclipse prometia uma visão luxuosa em certo lugar do planeta, durando um máximo de 7 minutos e 4 segundos, quando a lua passasse sobre o deserto do Saara. Seria apenas 28 segundos a menos do maior eclipse possível na Terra. Nos séculos anteriores, houve apenas um eclipse maior que este, e não haveria mais um eclipse solar total até junho de 2150.
O plano parecia enganosamente simples. Em sua velocidade máxima, o Concorde desceria do norte e interceptaria a sombra da lua sobre o noroeste da África. Viajando quase na mesma velocidade, o Concorde essencialmente competiria com o eclipse solar através da superfície do planeta, dando aos astrônomos uma oportunidade sem precedentes para estudar os vários fenômenos possibilitados por um eclipse.
Ao todo, os pesquisadores observaram a totalidade do eclipse pelo tempo recorde de 74 minutos.
Em um único voo, o Concorde deu aos astrônomos mais tempo de observação do que todas as expedições anteriores do século passado - gerando três artigos na Nature e uma riqueza de novos dados.
"Todos os cinco experimentos foram bem-sucedidos, mas nenhum deles revolucionou nossa compreensão da coroa solar", diz de uma maneira honesta Pierre Léna, o idealizador da missão, sobre o impacto imediato do voo. "Todos eles desempenharam seu papel na progressão normal do conhecimento científico, mas não houve resultados extraordinários, tem que ser dito."
https://motherboard.vice.com/en_us/article/8q8qwk/the-concorde-and-the-longest-solar-eclipse
O Concorde azul
21 agosto, 2018
Galileu em Murano
1609 - Galileo lidera uma procissão de senadores venezianos pela Piazza San Marco e sobe o Campanile para seu primeiro olhar através de um telescópio.
Em suas palavras:
Thony Christie, em Renaissance Mathematicus, sugere que o fato aconteceu no dia 21 de agosto de 1609 (duas semanas depois de Thomas Harriot ter desenhado esboços da Lua de acordo com suas observações ao telescópio). E o mesmo autor dá o dia 25 de agosto do mesmo ano como tendo sido a data em que Galileu recebeu o contrato da sua vida para ser professor da Universidade de Pádua com um salário de 1000 florins, mas com a cláusula subsidiária de que ele nunca receberia um aumento no salário.
O vidro para o telescópio de Galileu foi feito em Murano. A qualidade do vidro transparente veneziano foi fundamental para o desenvolvimento da ciência contemporânea.
Murano, embora descrita como uma ilha da lagoa de Veneza, é de fato um arquipélago de sete ilhas (das quais duas são artificiais), unidas por pontes entre si. Foi fundada pelos antigos romanos e prosperou inicialmente como um centro pesqueiro.
Em 1291, todos os cristaleiros de Veneza foram obrigados a mudar-se para Murano devido ao risco de incêndio, porque a maioria dos edifícios de Veneza era construída em madeira.
Tem aproximadamente 5500 habitantes e fica a somente 1 quilômetro do centro de Veneza.
SEGVSO e outras fontes
Em suas palavras:
"Para detectar velas e embarcações no mar, tão longe que navegando em direção ao porto, duas horas ou mais se passaram antes que pudessem ser vistas sem meus óculos."Abaixo, a reprodução de um afresco do pintor Giuseppe Bertini que retrata Galileu Galilei mostrando ao Doge de Veneza como usar o telescópio.
Thony Christie, em Renaissance Mathematicus, sugere que o fato aconteceu no dia 21 de agosto de 1609 (duas semanas depois de Thomas Harriot ter desenhado esboços da Lua de acordo com suas observações ao telescópio). E o mesmo autor dá o dia 25 de agosto do mesmo ano como tendo sido a data em que Galileu recebeu o contrato da sua vida para ser professor da Universidade de Pádua com um salário de 1000 florins, mas com a cláusula subsidiária de que ele nunca receberia um aumento no salário.
O vidro para o telescópio de Galileu foi feito em Murano. A qualidade do vidro transparente veneziano foi fundamental para o desenvolvimento da ciência contemporânea.
Murano, embora descrita como uma ilha da lagoa de Veneza, é de fato um arquipélago de sete ilhas (das quais duas são artificiais), unidas por pontes entre si. Foi fundada pelos antigos romanos e prosperou inicialmente como um centro pesqueiro.
Em 1291, todos os cristaleiros de Veneza foram obrigados a mudar-se para Murano devido ao risco de incêndio, porque a maioria dos edifícios de Veneza era construída em madeira.
Tem aproximadamente 5500 habitantes e fica a somente 1 quilômetro do centro de Veneza.
SEGVSO e outras fontes
29 maio, 2018
Hubble: antes e depois da correção
O Hubble, de uma forma geral, deu à civilização humana uma nova visão do universo e proporcionou um salto equivalente ao dado pela luneta de Galileu Galilei no século XVII.
Desde a concepção original, em 1946, a iniciativa de construir um telescópio espacial sofreu inúmeros atrasos e problemas orçamentais. Logo após o lançamento para o espaço, o Hubble apresentou uma aberração esférica no espelho principal que parecia comprometer todas as potencialidades do telescópio. Porém, a situação foi corrigida por astronautas de uma missão da Discovery especialmente concebida para a reparação do equipamento.
Em 1993, voltando o telescópio à operacionalidade (quando passou a enviar imagens do espaço com uma clareza nunca antes possível nos observatórios terrestres), o Hubble tornou-se uma ferramenta importantíssima para a astronomia.
Imaginado nos anos 40, projetado e construído nos anos 70 e 80 e em funcionamento desde 1990, o Telescópio Espacial Hubble foi batizado em homenagem a Edwin Powell Hubble, que revolucionou a astronomia ao constatar que o Universo estava se expandindo.
Hubble e o recuo dos horizontes
Desde a concepção original, em 1946, a iniciativa de construir um telescópio espacial sofreu inúmeros atrasos e problemas orçamentais. Logo após o lançamento para o espaço, o Hubble apresentou uma aberração esférica no espelho principal que parecia comprometer todas as potencialidades do telescópio. Porém, a situação foi corrigida por astronautas de uma missão da Discovery especialmente concebida para a reparação do equipamento.
Em 1993, voltando o telescópio à operacionalidade (quando passou a enviar imagens do espaço com uma clareza nunca antes possível nos observatórios terrestres), o Hubble tornou-se uma ferramenta importantíssima para a astronomia.
Comparação das imagens: antes e depois da correção
Imaginado nos anos 40, projetado e construído nos anos 70 e 80 e em funcionamento desde 1990, o Telescópio Espacial Hubble foi batizado em homenagem a Edwin Powell Hubble, que revolucionou a astronomia ao constatar que o Universo estava se expandindo.
Hubble e o recuo dos horizontes
01 abril, 2018
Uma redução transitória na gravidade da Terra
Em 01/04/1976, foi divulgado pela BBC que aconteceria uma redução transitória na gravidade da Terra.
Esse fenômeno, que foi chamado de efeito gravitacional jupiteriano-plutoniano, tratava-se de uma pegadinha (hoax) criada pelo astrônomo inglês Patrick Moore para o dia 1º de Abril.
Moore informou seus ouvintes de rádio que o evento astronômico aconteceria às 9:47 daquele dia, devido a uma conjunção de Júpiter e Plutão, e que se esperava tivesse um efeito observável em toda parte.
Quando Plutão passasse por trás de Júpiter, causaria uma poderosa combinação da gravitação dos dois planetas, o que diminuirá a gravidade na Terra. Se os ouvintes saltassem para o ar naquele exato momento sentiriam uma sensação de flutuação.
Logo após as 9:47 daquela manhã, a BBC começou a receber centenas de telefonemas de pessoas que relataram ter observado a diminuição da gravidade. Uma mulher que telefonou até mesmo afirmou que ela e onze amigos estavam sentados e "saíram de suas cadeiras e orbitaram suavemente pela sala".
Curiosamente, em 1980, Moore colaborou com Clyde Tombaugh, o homem que tinha descoberto Plutão em 1930, para publicar um novo livro sobre o planeta anão.
http://pballew.blogspot.com.br/2017/04/onthis-day-in-math-april-1.html#links
Uma aula de matemática sobre números complexos: VÍDEO
- Eu queria ter tido um professor de matemática assim!
Esse fenômeno, que foi chamado de efeito gravitacional jupiteriano-plutoniano, tratava-se de uma pegadinha (hoax) criada pelo astrônomo inglês Patrick Moore para o dia 1º de Abril.
Moore informou seus ouvintes de rádio que o evento astronômico aconteceria às 9:47 daquele dia, devido a uma conjunção de Júpiter e Plutão, e que se esperava tivesse um efeito observável em toda parte.
Quando Plutão passasse por trás de Júpiter, causaria uma poderosa combinação da gravitação dos dois planetas, o que diminuirá a gravidade na Terra. Se os ouvintes saltassem para o ar naquele exato momento sentiriam uma sensação de flutuação.
Logo após as 9:47 daquela manhã, a BBC começou a receber centenas de telefonemas de pessoas que relataram ter observado a diminuição da gravidade. Uma mulher que telefonou até mesmo afirmou que ela e onze amigos estavam sentados e "saíram de suas cadeiras e orbitaram suavemente pela sala".
Curiosamente, em 1980, Moore colaborou com Clyde Tombaugh, o homem que tinha descoberto Plutão em 1930, para publicar um novo livro sobre o planeta anão.
http://pballew.blogspot.com.br/2017/04/onthis-day-in-math-april-1.html#links
Uma aula de matemática sobre números complexos: VÍDEO
- Eu queria ter tido um professor de matemática assim!
08 janeiro, 2018
O astrônomo mais estranho da história
Tycho Brahe (14 de dezembro de 1546 - 24 de outubro 1601)
Em 1901, no tricentésimo aniversário da sua morte, os corpos de Tycho Brahe e sua esposa Kirstine foram exumados em Praga. Eles haviam sido embalsamados e estavam em boas condições, mas o nariz artificial do astrônomo estava faltando, aparentemente surrupiado por um ladrão de túmulos. O nariz tinha sido feito para ele depois que o nariz original foi cortado em um duelo. Em sua juventude, Tycho Brahe lutou com um nobre dinamarquês, na Universidade de Rostock, após um desacordo sobre uma ponto matemático obscuro. Ele sempre carregava uma pequena caixa de cola no bolso para usá-la, quando o nariz artificial tornava-se instável. Tycho Brahe era famoso por suas observações dos corpos celestes - mais precisas do que por qualquer astrônomo antes da invenção do telescópio. Nascido em uma família aristocrática na Dinamarca em 1546, ainda criança Tycho foi roubado de seus pais por um tio rico, sem filhos, que pagou por sua educação e enviou-o para a Universidade de Leipzig para estudar direito. Um eclipse solar em 1560 inspirou Brahe a se tornar um astrônomo, e ele logo percebeu que a astronomia só poderia progredir se as observações fossem sistemáticas, precisas e, acima de tudo, realizadas todas as noites . Para esse fim, ele refinou instrumentos antigos e construiu novos, e passou o resto de sua vida na montagem de um dos maiores corpos de dados astronômicos na história da humanidade. Kepler, que herdou sua vasta coleção de dados astronômicos, utilizou-se dela para criar suas leis do movimento planetário.
A Invenção da Ciência, blog EM
The crazy life and crazier death of Tycho Brahe, history's strangest astronomer, io9.gizmodo
Em 1901, no tricentésimo aniversário da sua morte, os corpos de Tycho Brahe e sua esposa Kirstine foram exumados em Praga. Eles haviam sido embalsamados e estavam em boas condições, mas o nariz artificial do astrônomo estava faltando, aparentemente surrupiado por um ladrão de túmulos. O nariz tinha sido feito para ele depois que o nariz original foi cortado em um duelo. Em sua juventude, Tycho Brahe lutou com um nobre dinamarquês, na Universidade de Rostock, após um desacordo sobre uma ponto matemático obscuro. Ele sempre carregava uma pequena caixa de cola no bolso para usá-la, quando o nariz artificial tornava-se instável. Tycho Brahe era famoso por suas observações dos corpos celestes - mais precisas do que por qualquer astrônomo antes da invenção do telescópio. Nascido em uma família aristocrática na Dinamarca em 1546, ainda criança Tycho foi roubado de seus pais por um tio rico, sem filhos, que pagou por sua educação e enviou-o para a Universidade de Leipzig para estudar direito. Um eclipse solar em 1560 inspirou Brahe a se tornar um astrônomo, e ele logo percebeu que a astronomia só poderia progredir se as observações fossem sistemáticas, precisas e, acima de tudo, realizadas todas as noites . Para esse fim, ele refinou instrumentos antigos e construiu novos, e passou o resto de sua vida na montagem de um dos maiores corpos de dados astronômicos na história da humanidade. Kepler, que herdou sua vasta coleção de dados astronômicos, utilizou-se dela para criar suas leis do movimento planetário.
A Invenção da Ciência, blog EM
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