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05 fevereiro, 2024

O duelo das aristocratas seminuas

No verão de 1892, ocorreu a Exposição Anual de Teatro Musical de Viena, um evento importante no calendário social da elite. A princesa Paulina von Metternich supervisionou os preparativos junto com outra aristocrata, a condessa Anastasia von Kielmansegg. Embora o motivo de sua disputa permaneça desconhecido, essas duas mulheres tiveram um confronto amargo sobre questões organizacionais para o evento. Provavelmente, a tentativa da condessa de assumir o controle total do evento pode ter sido vista como uma ameaça pela princesa. Uma revista feminina britânica da época observou que Anastasia era uma rival ambiciosa na corte da princesa Paulina, jovem o suficiente para ser sua filha (na década de 1890, a princesa Paulina já estava na casa dos 50 anos, enquanto a condessa Anastasia era uma figura emergente na cena social vienense ). 
Como a etiqueta e o decoro proibiam as brigas, as mulheres optaram por resolver a disputa com um duelo, considerado mais adequado e respeitável. Era algo extraordinário duas mulheres participando de um duelo, porque quando as aristocratas se ofendiam, pediam a seus parentes ou amigos do sexo masculino que lutassem por elas. Desde o final do século XIX, à medida que os movimentos protofeministas se espalharam pela Europa, essas ideias começaram a mudar, dando às mulheres maior protagonismo nesse tipo de situação.
A princesa Paulina e a condessa Anastasia escolheram se enfrentar fora da cidade de Verduz, capital de Liechtenstein. Este estado gozava de um nível razoável de autonomia, e isso tornava o local ideal para uma atividade legal duvidosa, como o duelo.
A princesa Schwarzenberg atuou como testemunha para Paulina, enquanto a condessa Kinsky fez o mesmo para Anastasia. A baronesa Lubinska, da nobreza polonesa, atuou como médica de ambas as partes. Como armas, os dois combatentes carregavam floretes, projetados para desferir golpes rápidos com a ponta pontiaguda.
Um duelo entre mulheres era singular o suficiente para os jornais da época ecoarem. Na verdade, muito do que sabemos aconteceu naquele fatídico dia de agosto, sabemos por meio de reportagens da imprensa. No duelo de espadas, os oponentes começam em lados opostos de um quadrado de cerca de vinte passos de largura. Sair daquele quadrado a qualquer momento, antes do duelo terminar, era perder. 
A maioria das versões sustenta que o duelo durou três rodadas. Nas duas primeiras nenhuma das mulheres se machucou, o que foi considerado empate. No terceiro assalto, Paulina sofreu um pequeno corte no nariz, enquanto Anastasia sofreu um corte no braço. Não se sabe quem venceu o duelo, mas o que está claro é que nenhum das duas foi acusada de covardia, e ambas preservaram suas honras. 


Um detalhe curioso é que as duas mulheres duelaram sem roupas cobrindo a parte superior do corpo. Ambas concordaram com isso por sugestão da baronesa Lubinska, uma das primeiras defensoras da teoria dos germes e que tinha alguma experiência no tratamento de feridas infectadas. Lubinska sabia que, se uma das duelistas ferisse a outra, era possível que os floretes tivessem rasgado as roupas sujas, fazendo com que o ferimento infeccionasse. Em vez disso, um corte limpo era muito mais fácil e rápido de cicatrizar. 
Embora o duelo tenha revivido nos Estados Unidos por causa da mania dos faroestes, no mundo em geral entrou em declínio devido ao advento de armas mais devastadoras. A isto devemos acrescentar o declínio da aristocracia europeia, pois a classe social tornou-se cada vez mais associada à riqueza, deixando de lado conceitos como legado ou honra. À medida que as pessoas se tornavam cada vez menos preocupadas em defender seu bom nome, havia cada vez menos razão para acabar duelando.

08 janeiro, 2018

O astrônomo mais estranho da história

Tycho Brahe (14 de dezembro de 1546 - 24 de outubro 1601)
Em 1901, no tricentésimo aniversário da sua morte, os corpos de Tycho Brahe e sua esposa Kirstine foram exumados em Praga. Eles haviam sido embalsamados e estavam em boas condições, mas o nariz artificial do astrônomo estava faltando, aparentemente surrupiado por um ladrão de túmulos. O nariz tinha sido feito para ele depois que o nariz original foi cortado em um duelo. Em sua juventude, Tycho Brahe lutou com um nobre dinamarquês, na Universidade de Rostock, após um desacordo sobre uma ponto matemático obscuro. Ele sempre carregava uma pequena caixa de cola no bolso para usá-la, quando o nariz artificial tornava-se instável. Tycho Brahe era famoso por suas observações dos corpos celestes - mais precisas do que por qualquer astrônomo antes da invenção do telescópio. Nascido em uma família aristocrática na Dinamarca em 1546, ainda criança Tycho foi roubado de seus pais por um tio rico, sem filhos, que pagou por sua educação e enviou-o para a Universidade de Leipzig para estudar direito. Um eclipse solar em 1560 inspirou Brahe a se tornar um astrônomo, e ele logo percebeu que a astronomia só poderia progredir se as observações fossem sistemáticas, precisas e, acima de tudo, realizadas todas as noites . Para esse fim, ele refinou instrumentos antigos e construiu novos, e passou o resto de sua vida na montagem de um dos maiores corpos de dados astronômicos na história da humanidade. Kepler, que herdou sua vasta coleção de dados astronômicos, utilizou-se dela para criar suas leis do movimento planetário.

A Invenção da Ciência, blog EM
The crazy life and crazier death of Tycho Brahe, history's strangest astronomer, io9.gizmodo

03 janeiro, 2017

Urbanistas no Velho Oeste




EU ACREDITO
QUE MUITOS CONFLITOS
NO VELHO OESTE
PODIAM TER SIDO EVITADOS
SE OS URBANISTAS DA ÉPOCA
TIVESSEM PROJETADO AS CIDADES
COM O TAMANHO SUFICIENTE
PARA TODO MUNDO.


Ver também:
Químicos Analistas no Velho Oeste

06 fevereiro, 2015

Sem duelos

Caio Mário (157 a.C. – 86 a.C.) foi general e cônsul da República Romana.
Um chefe bárbaro mandou desafiar Mário para um duelo. Sem ligar para o que os outros achariam de sua resposta, e muito menos para o que o próprio bárbaro pensaria, Mário mandou o seguinte recado:
“Se você está entediado com a vida, que se enforque”. (*)
(*) Ou teria Caio dito "nessa eu não caio"?

Em 1842, Abraham Lincoln, então advogado em Illinois, publicou uma carta em um jornal de Springfield criticando o desempenho do auditor do estado, James Shields. Furioso, Shields desafiou Lincoln para um duelo, e os dois se encontraram em uma ilha no Rio Mississipi.
Como parte desafiada, coube a Lincoln escolher o tipo de arma para o duelo, e ele pediu espadas de cavalaria longas. Por ser 18 centímetros mais alto que Shields, isto daria a Lincoln uma enorme vantagem, que ele fez questão de demonstrar cortando um galho de salgueiro acima da cabeça de Shields.
Versões diferem quanto à forma como o auditor reagiu - se ele riu ou se ele fraquejou - mas os dois concordaram em não lutar. (*) Lincoln parece ter ficado constrangido com o assunto, pois se recusou a comentá-lo nos anos seguintes. www.lib.niu.edu
(*) Quanto disso foi por interferência da turma do deixa-disso?

Entre os duelos meio sérios e meio cômicos, não devo deixar de relatar o do famoso crítico Sainte-Beuve contra M. Dubois, do jornal "Globe". Quando os adversários chegaram ao local do duelo estava chovendo muito. Sainte-Beuve trazia um guarda-chuva (*) e pistolas do século XVI. Quando o sinal de fogo estava prestes a ser dado, Sainte-Beuve ainda mantinha seu guarda-chuva aberto. Os segundos protestaram, mas Sainte-Beuve resistiu, dizendo: "Estou pronto para ser morto, mas eu não gostaria de pegar um resfriado".
Theodore Child, "Duelling in Paris", Harper’s New Monthly Magazine, março de 1887
(*) Quer ver a gravura de um duelo de ciclistas com guarda-chuvas? Aqui.

Imagem: Futility Closet

O duelo

09 janeiro, 2015

Um duelo de camaleões

Poucas coisas na natureza parecem mais ridículas e efêmeras do que um duelo de camaleões. Quando dois machos se encontram na folhagem de uma árvore, ambos modificam a forma do corpo, esticam-se e achatam em forma de disco e... subitamente, começam a mudar suas cores. O duelo mais longo dura cerca de dez segundos e tem alguma violência contida: abrem as bocas, agitam as caudas e, às vezes, trocam alguma mordida. Mas o segredo para vencer esse jogo está nas cores.

lainformacion.com
Mais informações em: Duelo de camaleones: no gana el más fuerte, sino el más brillante

Neste blogue: Trate-o camaleão, e Flerte entre espécies

14/01/2015 - Atualizando com a inserção do vídeo Boliche de Camaleões


17 junho, 2013

O duelo

O duelo era um combate entre duas ou mais pessoas motivado, em geral, por desagravo à honra, desavenças individuais, familiares, de facções ou grupais, e outros tipos de confronto de cunho fortemente emocional.
Várias eram as formas do duelo: com a utilização de armas brancas ou de fogo; na forma de luta livre, ou também chamada "Apache", dentro de um círculo (às vezes, de fogo e à noite).
O duelo costumava ter um juiz imparcial, que fazia obedecer as regras previamente tratadas, conforme o ordenamento das leis que toleravam tais práticas, muito antigas, em que, quase sempre, pelo menos um dos duelantes morria, muitas vezes por "falta de socorro (proposital), pois tinha perdido o duelo".
M[c]S
Cada duelante podia ter um ou mais padrinhos para assessorá-lo (ver imagem).
Como exemplos mais comuns, havia os duelos do antigo Oeste norte-americano (do gatilho mais rápido) e os do sertão brasileiro, estes últimos individuais ou entre famílias ou grupos rivais, nos quais dois ou mais valentões se enfrentavam.
Como podemos observar, foi um modelo de disputa muito usado na Europa e nas Américas. O último país do mundo ocidental com o duelo considerado legal foi o Uruguai, que o manteve em legislação própria até a década de 1980.

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