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14 agosto, 2026

Por que Sócrates achou que devia um galo a Asclépio?


A frase "Críton, devemos um galo a Asclépio. Por favor, não esqueça de pagar essa dívida." foi a última frase de Sócrates, segundo o diálogo "Fédon" de Platão. Mais do que uma dívida mundana, a frase é interpretada como uma metáfora para a sua própria morte, que ele encarava como uma cura.
Asclépio (Esculápio para os romanos) era o deus grego da medicina e da cura. Na cultura grega, era comum que pessoas curadas de uma doença fizessem uma oferenda a ele em agradecimento, sendo o sacrifício de um galo uma prática comum. Ao fazer esse pedido ao amigo e discípulo Críton, Sócrates estava usando uma linguagem ritualística para comunicar uma ideia filosófica profunda.
Para Sócrates, a vida corporal era uma espécie de "doença" ou prisão para a alma. A filosofia, para ele, era um exercício de purificação e preparação para a morte, que libertaria a alma para o verdadeiro conhecimento.
Assim, ao pedir o sacrifício a Asclépio, Sócrates estava dando a entender que a morte era a cura final para a alma.
Portanto, longe de ser um pedido trivial, a frase sintetiza a coragem e a serenidade com que ele enfrentou a morte, vendo-a não como um fim trágico, mas como a conclusão de um processo de cura da alma.

15 dezembro, 2023

O ópio do povo

"A ciência e a religião são baseadas em diferentes aspectos da experiência humana. Na ciência, as explicações devem ser baseadas em evidências extraídas do exame do mundo natural. Observações ou experimentos com base científica que conflitam com uma explicação eventualmente devem levar à modificação ou mesmo ao abandono dessa explicação . A fé religiosa, em contraste, não depende apenas de evidências empíricas, não é necessariamente modificada em face de evidências conflitantes e tipicamente envolve forças ou entidades sobrenaturais." - Academia Nacional de Medicina [1]
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"A religião é o ópio do povo."
De Marx, que pegou de vários autores do século XVIII (Heine, Hess, Bauer, Feuerbach, Herder) até Kant.
E aí vem a história de que o "filósofo alemão que definia a religião como o ópio do povo". Não só ele, muita gente antes se referiu às influências da religião no comportamento social e na razão humana, desde Immanuel Kant até Moses Hess, sionista de esquerda a quem é atribuída a criação da frase. Mas não apenas eles.
Falta (a quem fez a exploração barata) o contexto em que foi escrita há mais de 170 anos, na obra "Crítica da Filosofia do Direito de Hegel", não como uma ofensa à religião, mas como um ataque às dores humanas que ela tornaria suportáveis:
"A miséria religiosa constitui ao mesmo tempo a expressão da miséria real e o protesto contra a miséria real. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o ânimo de um mundo sem coração e a alma de situações sem alma. A religião é o ópio do povo."
É evidente, claro, que Marx não era um crente, mas a crítica que faz não é à religião em si, mas a sua influência para que os homens não se libertem de seu sofrimento real. [2]
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"A religião é o ópio do povo" (em alemão "Die Religion ... Sie ist das Opium des Volkes") é uma famosa frase presente na Introdução à "Crítica da Filosofia do Direito de Hegel" (em alemão, Zur Kritik der Hegelschen Rechtsphilosophie - Einleitung), de Marx. A Introdução escrita em 1843, foi publicada em 1844 nos Deutsch-Französischen Jahrbücher.
Marx não foi, todavia, o primeiro a utilizar tal analogia, embora a autoria lhe seja frequentemente atribuída. Ele, de fato, sintetizou uma ideia que estava presente em autores do século XVIII.
A comparação da religião com o ópio já aparece, por exemplo, em escritos de Immanuel Kant, Johann Herder, Ludwig Feuerbach, Bruno Bauer, Moses Hess e Heinrich Heine. Este último, em 1840, no seu ensaio sobre Ludwig Börne escreveu:
"Bendita seja a religião, que derrama no amargo cálice da humanidade sofredora algumas doces e soporíferas gotas de ópio espiritual, algumas gotas de amor, fé e esperança."
Moses Hess, num ensaio publicado na Suíça em 1843, também utilizou a mesma ideia: "A religião pode fazer suportável [...] a infeliz consciência de servidão... de igual forma o ópio é de boa ajuda em angustiantes doenças."
Além de Heine e Hess, uma ideia similar aparece em "L'Histoire de Juliette, ou les Prospérités du vice", obra do marquês de Sade, de 1797 :
"É ópio que você faz seu povo tomar, para que, anestesiado por esse sonífero, ele não sinta as feridas que você lhe rasga."
Novalis, outro poeta alemão, também teria usado uma comparação semelhante em "Blüthenstaub" (Grãos de pólen), seu primeiro trabalho publicado na revista Athenäum, em 1798:
"Sua suposta religião age simplesmente como um ópio: excitante, estonteante, acalmando os sofrimentos dos fracos."
A frase está na Introdução feita à "Crítica da filosofia do direito de Hegel", escrita em 1843 e publicada em 1844 nos "Deutsch-Französischen Jahrbücher" (Anais franco-alemães), que Marx editava com Arnold Roge. Seu contexto imediato é o seguinte:
(...) A miséria religiosa constitui ao mesmo tempo a expressão da miséria real e o protesto contra a miséria real. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o ânimo de um mundo sem coração e a alma de situações sem alma. A religião é o ópio do povo. [3]

[1] http://www.nationalacademies.org/evolution/science-and-religion
[2] http://www.tijolaco.com.br/blog/jornalismo-ou-fundamentalismo-veja-o-penultimo-programa-de-haddad/
[3] http://pt.wikipedia.org/wiki/ópio_do_povo

16 agosto, 2023

Três navalhas

1. de Ockham: A explicação mais simples geralmente é a correta. (*)
2. de Hanlon: Não atribua à malícia o que é mais facilmente explicado pela estupidez.
3. de Hitchens: O que pode ser afirmado sem provas pode ser rejeitado sem provas.

(*) Existem outras grafias para o nome do franciscano Ockham: Occam, Auquam, Hotham e Olram. Prefira Ocam.

31 julho, 2022

Quem sou eu?

Qual você é "quem"? A pessoa que você é hoje? Cinco anos atrás? Quem você será em cinquenta anos? E quando é "sou"? Esta semana? Hoje? Esta hora? Este segundo? E qual aspecto de você é "eu"? Você é seu corpo físico? Seus pensamentos e sentimentos? Suas ações? A questão filosófica sobre o que faz você você.

O psicólogo de Harvard, Daniel Gilbert, captou esse paradoxo perfeitamente: "Os seres humanos são obras em andamento que pensam erroneamente que estão concluídas".

Dois milênios antes de os psicólogos modernos lutarem contra essa perplexidade, o historiador grego Plutarco a examinou com mais lucidez do que qualquer pessoa antes ou depois. Em um experimento de pensamento brilhante conhecido como O Navio de Teseu, ou Paradoxo de Teseu, descrito (embora não pela primeira ou última vez) em sua obra-prima biográfica "Vidas", ele pergunta: "Se o navio em que Teseu navegou foi tão fortemente reparado e quase todas as peças substituídas, ainda é o mesmo navio - e, se não, em que ponto deixou de ser o mesmo navio?"

Ele escreve: O navio em que Teseu e os jovens de Atenas voltaram tinha trinta remos e foi preservado pelos atenienses até a época de Demétrio Falereu, pois eles retiraram as tábuas velhas à medida que se deterioravam, colocando madeira nova e mais forte em seu lugar, de modo que este navio se tornou um exemplo permanente entre os filósofos, para a questão lógica das coisas que crescem; um lado sustentava que o navio continuava o mesmo e o outro sustentava que não era o mesmo.

Nesta animação, os educadores visuais do TED-Ed examinam seu famoso experimento de pensamento e de como ele ilumina a perene questão de quem somos nós:

Mudança e identidade: [1] [2]

04 abril, 2022

Matias Aires

"O maior filósofo de língua portuguesa do século 18, o século de Kant, era Matias Aires. Quem já ouviu falar dele, aqui na universidade? Somente um estudante levantou a mão. Eu disse: vocês estão vendo... O maior pensador de língua portuguesa do século 18 era brasileiro e paulista e vocês todos já ouviram falar em Kant; em Matias Aires... só aquele companheiro ali. Eu virei pra ele e disse: me diga uma coisa, você leu algum livro de Matias Aires ou ouviu falar dele numa aula? Ele disse: 'Não senhor, é que eu moro numa rua que tem o nome dele!' A gente ri, mas o que tá por trás disso é uma coisa ruim demais. Além de pensador, Matias Aires era um escritor extraordinário."
~ Ariano Suassuna

30 agosto, 2021

Navalha de Occam

O princípio da Navalha de Occam é uma ferramenta da filosofia que aconselha parcimônia e simplicidade, principalmente no que diz respeito às teorias científicas.
Designado pela expressão latina Lex Parsimoniae (Lei da Parcimônia), o princípio é enunciado como entia non sunt multiplicanda praeter necessitatem (as entidades não devem ser multiplicadas exceto por necessidade). Mas a Navalha de Occam não é uma lei da ciência – não afirma o que é certo e errado sob qualquer hipótese e não defende que a resposta mais complexa deve ser sempre refutada.
Na verdade, a navalha corta hipóteses que costumam ser criadas para complicar ainda mais as teorias, reforçando nossas crenças ou negando nossas contradições. Ela defende que o melhor é partir da hipótese mais simples – ela, quase sempre, será a verdadeira. O termo surgiu do pressuposto de cortar toda hipótese excedente, que não contribui em nada para uma teoria simples e eficaz.
A denominação da Navalha de Occam surgiu por volta de 1850, em alusão a William de Ockham (Guilherme de Occam), filósofo inglês e frade franciscano nascido no vilarejo de Ockham. O pensador desenvolveu o princípio no século 13, mas a ideia não era inédita: ela aparece em escritos de Aristóteles, por volta de 350 a.C. 

Frustra fit per plura, quod fieri potest per pauciora. É inútil fazer com mais o que pode ser feito com menos.
É por isso que eu só uso aparelhos de barbear descartáveis com uma lâmina.

27 agosto, 2020

O realismo científico de Bunge

O filósofo da ciência Mario Bunge morreu em Montreal (24/02/2020). Ele é um dos autores de língua espanhola mais citados da história e, em setembro passado, completou 100 anos.
Bunge recebeu o "Prêmio Príncipe das Astúrias de Comunicação e Humanidades" em 1982. Embora tenha nascido em Buenos Aires em 1919, ele estava em Montreal desde 1966, onde foi professor de lógica e metafísica na Universidade McGill. Ele também ensinou física e filosofia teórica, primeiro na Universidade de La Plata e depois na Universidade de Buenos Aires.
Bunge deu entrevistas e escreveu livros até o fim para combater as pseudociências. Foi sua luta particular. Em artigo publicado no El País, em 2017, disse:
Eu já falei sobre o fato de que são apresentadas como se fossem ciências autênticas, porque exibem alguns dos atributos da ciência, em particular o uso conspícuo de símbolos matemáticos, embora carecem de propriedades essenciais, especialmente compatibilidade com conhecimentos anteriores e contraste empírico.
Bunge foi um intelectual muito prolífico, tendo escrito mais de 400 artigos e 80 livros, notadamente: "A Ciência, seu Método e sua Filosofia" (1960), no qual explica as bases do método científico, e seu monumental "Tratado em Filosofia Básica", em 8 volumes (1974-1989).

Via Hipertextual

23 junho, 2020

O Conto da Aia

Em uma sociedade patriarcal, machista, como ainda são as nossas, ainda mais quando se organiza em uma ditadura religiosa ou em uma tirania filosófica, como defendia Platão, onde será que as mulheres iriam parar?
Margaret Atwood responde com muita sabedoria: Na República de Gilead, claro.
Em "O Conto da Aia", Margaret Atwood descreve uma ditadura religiosa, uma teocracia, chamada República de Gilead, onde foram adotados quase todos os princípios defendidos por Sócrates e descritos por Platão no seu livro "A República". Princípios que, em maior ou menor escala, já foram adotados em nossa filosofia ocidental judaico-cristã e que continuam a fazer enorme sucesso entre aqueles que teimam em defender repressão como única forma de controle e crescimento do ser ser humano.
Na República de Gilead, como na de Platão, estão presentes:
- as mulheres são seres inferiores e suas únicas "utilidades", são cuidar da casa, da cozinha e procriar;
- Platão/Sócrates defendiam o infanticídio como forma de depurar a raça. Em Gilead eram as mulheres estéreis e rebeldes que iam parar em colônias penais, onde morriam. Ou, então, em eventos chamados de "Salvamentos" onde eram executadas em praça pública;
- na República de Gilead, uma teocracia, o absolutismo era a forma de governo;
- a sociedade estava estratificada em castas: os Comandantes, as Esposas, as Martas, os Olhos, os Guardiães, as Tias e as Aias;
- foi imposta severa censura sobre as artes e artistas: poetas, músicos, atores, compositores, etc;
Margaret Atwood descreve para que serviam uma das Aias: "...fazia parte da primeira leva de mulheres recrutadas para propósitos reprodutivos e fora destinada àqueles que não só requeriam esses serviços bem como podiam reivindicá-los por meio de sua posição na elite. O regime criou uma reserva imediata dessas mulheres ao declarar adúlteros todos os segundos casamentos e ligações extraconjugais, prendendo as parceiras do sexo feminino, e, com fundamento de que elas moralmente inaptas, confiscando os filhos e filhas que já tivessem, que foram adotados por casais sem filhos dos escalões superiores que era ávidos por progênie, quaisquer que fossem os meios empregados."
Nesta descrição parece ecoar todas as palavras de Sócrates, transcritas por Platão em "A República":
"Sócrates — De acordo com os nossos princípios, é necessário tornar as relações muito frequentes entre os homens e as mulheres de elite, e, ao contrário, bastante raras entre os indivíduos inferiores de um e outro sexo; além do mais, é necessário educar os filhos dos primeiros, e não os dos segundos, se quisermos que o rebanho atinja a mais elevada perfeição: e todas estas medidas deverão manter-se secretas, salvo para os magistrados, a fim de que, tanto quanto possível, a discórdia não se insinue entre os guerreiros."
"Sócrates — Assim, se um cidadão, mais velho ou mais novo, se imiscuir na obra comum de procriação, nós o declararemos culpado de impiedade e injustiça, pois fornece ao Estado um filho cujo nascimento secreto não foi colocado sob a proteção das preces e sacrifícios que as sacerdotisas, os sacerdotes e toda a cidade oferecerão para cada casamento, a fim de que de homens bons nasçam filhos melhores, e de homens úteis, filhos ainda mais úteis; um tal nascimento, ao contrário, será considerado fruto das trevas e da libertinagem."
A única diferença era que em "A República", de Platão, Sócrates defendia: "Todas as mulheres dos nossos guerreiros pertencerão a todos: nenhuma delas habitará em particular com nenhum deles. Da mesma maneira, os filhos serão comuns e os pais não conhecerão os seus filhos nem estes os seus pais."
A sociedade ocidental que se crê religiosa, culta e civilizada ainda tem muita recaída para o lado da simples repressão como forma de catalizar o medo que está sempre latente no seio de todas as comunidade humanas. Esta a parte mais horripilante do universo descrito em "O Conto da Aia", porque é um universo que está bem perto de todos nós. Ou, no mínimo, como um universo potencial onde os religiosos têm sede de assumir o poder em qualquer país do mundo e transformá-lo em uma tirania.

Fernando Gurgel Filho

27 maio, 2020

O tempo voa - mas com que rapidez?

Muitos ficaram intrigados com a velocidade com que o tempo passa - e, em busca de uma definição concreta, alguns filósofos chegaram à conclusão de que ele flui a uma taxa de "um segundo por segundo" .
Nem todo mundo está totalmente feliz com essa explicação aparentemente simples. Tomemos, por exemplo, Bradford Skow (professor associado sem mandato no Instituto de Tecnologia de Massachusetts). O professor Skow nos lembra da afirmação de que "... nada pode acontecer a uma taxa de um segundo por segundo.” E explica: “O argumento para esta conclusão não faz suposições sobre em que consiste o fluxo de tempo. Aqui está o argumento: um segundo por segundo é um segundo dividido por um segundo e um segundo dividido por um segundo é o número um. Mas o número um não é uma taxa, então certamente não é a taxa com que qualquer coisa (o fluxo de tempo incluído) acontece."
O professor examina assim quatro premissas básicas:
(Premissa 1) Se o tempo passa, ele passa a uma taxa de 1 segundo por segundo.
(Premissa 2) 1 segundo por segundo é 1 segundo dividido por 1 segundo.
(Premissa 3) 1 segundo dividido por 1 segundo é 1.
(Premissa 4) O número 1 não é uma taxa.
Devido às complexidades inerentes ao assunto, talvez seja aconselhável que os interessados ​​na passagem do tempo leiam todo o artigo do professor sobre o assunto, a fim de tentar uma compreensão completa de suas sutilezas - uma frase simples, no entanto, se destaca.
"... um segundo por segundo não é um segundo dividido por um segundo."
Fonte: Improbable Research, postado por Martin Gardiner

O artigo estava programado para publicação (mas com que rapidez?) na revista "Philosophy and Phenomenological Research".

07 maio, 2019

Filosofia Nordestina, por Mírian Monte

Perdoem-me a intromissão,
Mas tem razão o Ministério da Educação.
Se o nordestino continuar filosofando,
Será um disparate, será desumano!
Imagine se surgisse outro Graciliano,
Uma nova Raquel de Queiroz...
O que seria de nós?!
O Brasil perderia as estribeiras!
Já pensou se resgatarem a Nise da Silveira?
Ah, meu pai amado, meu Jorge Amado!
Nem cravo e canela resolvem a querela!
“Parem o mundo que quero descer”,
Quero consignar essa queixa,
Parafraseando Raul Seixas.
E se os estudantes falarem versos
Contarem prosas,
Ou citarem Rui Barbosa?
Ariano Suassuna que assuma essa ciranda,
Porque nem Pontes de Miranda
Conseguiria solucionar!
E nem se fale em José de Alencar:
Imagine se “O Guarani” fosse uma trilogia!
Teríamos versos em tupi, na poesia!
Vou encerrar com Tobias Barreto,
Eu prometo!
Ou melhor seria com Castro Alves?
Que os anjos nos salvem!
Esse povo do Nordeste
É povo de muita sabedoria...
Imagina se nas escolas
Ensinarem filosofia?
(repassado por Jaime Nogueira)





Memória
Revista "O Caboré", edição de março de 1968. Brochura, 77 páginas. Editado pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Federal do Ceará.
(pesquisado por blog EM)

09 abril, 2018

Bacon, o pai da filosofia experimental

Francis Bacon (22/01/1561 - 09/04/1626, aos 65 anos)
Filósofo inglês lembrado por sua influência sobre o método científico. Ele sustentou que o objetivo da investigação científica é a aplicação prática da compreensão da natureza para melhorar a condição do homem. Ele escreveu que os cientistas deveriam se concentrar em certos tipos importantes de situações reproduzíveis experimentalmente, (que ele chamou de "instâncias prerrogativas"). Depois de tabular tais fenômenos, o investigador também deve ter como objetivo fazer uma ascensão gradual a leis cada vez mais abrangentes e, com isso, adquirir maior certeza das descobertas à medida que ele se move para cima na pirâmide de leis. Ao mesmo tempo, cada lei que é alcançada deve levá-lo a novos tipos de experiência, isto é, a tipos de experimentos para além dos que levaram à descoberta da lei.
Um dos seus biógrafos, o historiador William Dixon, afirmou: "A influência de Bacon no mundo moderno é tão grande que todo homem que anda num trem, envia um telegrama, dirige um arado a vapor, senta em uma poltrona, atravessa o canal (da Mancha) ou o Atlântico, come um bom jantar, goza de um belo jardim, ou sofre uma operação cirúrgica indolor, lhe deve alguma coisa".
Como um frango matou Bacon
Francis Bacon morreu em 9 de abril de 1626, um mês depois de sua primeira experiência científica. Ele encheu um frango com neve para ver se isso faria com que a carcaça do frango estragasse menos rapidamente. O frio que ele pegou durante este experimento levou-o à morte.
A neve era, de fato, tão gelada que ele imediatamente ficou doente e não pôde voltar para a sua residência. Foi para a casa do Conde de Arundel, em Highgate, perto de Londres onde o colocaram numa cama úmida. Nela, o resfriado de Bacon se transformou em pneumonia e, poucos dias após, ele morria "de sufocação", como descreveu seu amigo Hobbes.
Após o seu funeral, 32 mentes brilhantes publicaram seus elogios a Francis Bacon em um livro em latim.

08 agosto, 2017

Filosofando sem ser...

por Fernando Gurgel Filho
Slavoj Zizek, no livro "Menos que Nada", cita Lacan na sua tese de que "o louco não é apenas o mendigo que pensa que é rei, mas também o rei que pensa que é rei".
O mendigo, ao imaginar-se como rei, está apenas realizando uma fantasia, fugindo da sua realidade. O rei, ao imaginar-se como rei, está apenas desempenhando uma função, exercendo um papel simbólico na sociedade. Ou seja, é uma convenção criada pela própria sociedade para facilitar a vida nas comunidades humanas. Ao confundir esta função com o seu próprio ser, está fugindo da realidade e entrando no espaço do imaginário ou simbólico, ou seja, está deslizando a catraca.
Ora, no Universo cada ser é único, insubstituível, apesar de isto não querer dizer muita coisa ou absolutamente nada, no final das contas. A função - qualquer uma que seja, até a de rei, presidente, sultão, califa, xeique... - pode ser exercida por qualquer outra pessoa, desde que tenha os requisitos exigidos e as circunstâncias legais o permitam. Mesmo que isto contrarie Platão e os fascistas de plantão.
Para evitar que os outros mortais pudessem cobiçar o trono e desempenhar as mesmas funções, era comum os reis se auto proclamarem como portadores de um "direito divino" para governar. Isto tornava a função equivalente ao sujeito, diferenciando-a das funções exercidas pelos outros mortais. Assim mesmo, como acontece com os que se declaram ou se consideram "salvadores da pátria", "redentores da humanidade", "deuses" etc.
Isto porque todos esses confundem o que são verdadeiramente, como seres humanos, com a função que exercem ou que acreditam lhes caber por "direito divino", hereditariedade ou seja lá qual for a justificativa dada.
O ser, este amontoado maravilhoso de células que parecem saber exatamente a sua finalidade nos corpos que dão forma, incontestavelmente é parte do Universo. Se é parte harmônica, não temos como saber, mas sabemos que não sabemos - nem ao menos supomos - se temos alguma finalidade ou se damos forma a alguma outra parte, ou corpo, deste Universo. Dentro deste raciocínio, o ser não é nada ou, quando muito, alguma parte insignificante de algo como o Universo. Praticamente a mesma coisa que será no não-ser.
O que se perpetua não é o ser, são as consequências dos seus atos, obras, erros e acertos ou as imagens que os outros formaram do ser. Uma palavra, um sorriso, um gesto, mesmo durando alguns segundos, geram consequências para todo o sempre, até a eternidade. Mas isto não é o ser.
Ainda que sejam atos grandiosos, como criações artísticas ou intelectuais, como descobertas maravilhosas ou invenções inacreditáveis. Um nome, uma placa ou uma estátua vistosa em homenagem ao ser que as concebeu perpetua-lhe uma imagem saudosa ou agradecida. Mas isto também não é o ser.

21 dezembro, 2015

Bovinos e suínos. O abate em debate

1
O professor Ben Bradley, chefe do Departamento de Filosofia da Syracuse University, Syracuse, NY, formula esta pergunta:
A morte é ruim para a vaca?
Ele toca especificamente em um trabalho do professor David Velleman, da New York University, que diz que as vacas não reconhecem a sua existência ao longo do tempo, que elas apenas cuidam do que acontece no momento presente e que, por isso, a morte não pode ser ruim para elas.
Um trabalho com o qual o bom professor Bradley não concorda:
"As conclusões de Velleman não se justificam. E, penso eu, são falsas também."
Adicionando:
"Pode-se perguntar onde Velleman foi buscar suas informações sobre as vacas."
A ilusão da livre escolha

2
Para o lado dos porcos a situação não está muito melhor. Um estudo recente poderá motivar que o rótulo da carne embalada traga a informação da temperatura retal do porco antes do abate.
O estudo em si mesmo não preconiza a adoção dessa norma como indicador de qualidade da carne, mas nunca se sabe...
Pre-slaughter rectal temperature as an indicator of pork meat quality, L. Vermeulen, V. Van de Perre, L. Permentier, S. De Bie, and R. Geers, Meat Science, vol. 105, July 2015, pp. 53–56.
Suínos. O odor dos machos

09 março, 2015

Filosofando sobre roscas

por Hendel D'bu – Ruminations from the Temple
Heráclito - Você não pode comer a mesma rosca duas vezes.
Platão - Todas as roscas participam do ideal de serem roscas.
Agostinho - As roscas precisam da graça para serem totalmente roscas.
Descartes - Um buraco de rosca comprova a existência da rosca.
Hume - As roscas existem porque eu as imagino roscas.
Kant - Um donut = minha experiência total de donuts.
Wollstonecraft - As mulheres merecem rosquinhas, também.
Mill - Donuts são bons, se eles fazem as pessoas felizes.
Kierkegaard - Eu tenho fé que roscas são deliciosas.
Marx - Todo mundo merece roscas.
Nietzsche - Não pare por nada até obter seu donut.
Wittgenstein - Massa frita, zero, estacionamento rotativo, pneu sobressalente.
Beauvoir - O patriarcado é responsável pela forma da rosca.
Malcolm X - Todos nós devemos ter a oportunidade de obter rosquinhas pelos meios que forem necessários.
Ayn Rand - Um donut é um donut.
Schrödinger - Até que olhe na caixa, alguém tanto pode comer quanto não comer o donut.
Homer Simpson - Mmmmm... Donuts!


Para não ficar um buraco em sua mente leia A evolução das rosquinhas e, principalmente, o ensaio Roscas.

16 janeiro, 2013

A vida é muito curta...

... para aprender alemão.
... para remover o pendrive com segurança.
... para conversar com pessoas sem graça.
... para não usar os atalhos. ►
... para ler as instruções antes de clicar de acordo.
... para fazer as escolhas erradas.
... para manter um relacionamento de fachada.
... para acabar tudo que co

... então, curta a vida.

11 dezembro, 2012

Teorias filosóficas. Pôsteres


Complexas teorias filosóficas sendo apresentadas através de formas básicas. Como o determinismo, a teoria de que todo acontecimento é explicado pela determinação, por exemplo.
(Fui claro?)
É um dos trabalhos de Genis Carreras.
Para ver os demais cartazes da série, clique aqui.

Assuntos relacionados
Transtornos mentais. Pôsteres

20 abril, 2012

Acerca da galinha na filosofia

Outra anedota famosa sobre a galinha na filosofia é relacionada a Diógenes, o Cínico, de quem muitas lendas derivaram. Diz-se que quando os filósofos notórios da Academia de Platão afirmaram que a melhor definição de um ser humano é “um bípede sem penas”, Diógenes correu para o meio deles, atirando uma galinha depenada. 
“Aqui está o homem de Platão”, declarou. 
Muitas vezes chamado de “o Sócrates que enlouqueceu”, Diógenes, por tal comportamento serelepe, tentou demonstrar que a filosofia sem ideais abstratos ou certezas metafísicas pode ser bem divertida.
A propósito: os membros da Academia não se deixaram abalar pela galinha depenada de Diógenes. Meramente adicionaram à definição de “homem” que ele é... um bípede sem penas... com unhas achatadas! Os idealistas não são notáveis por seu senso de humor?!

Mosaico de Pompeia: uma recriação da Academia de Platão

Passagem extraída de O frango do Sr. Russell: um novo símbolo para a filosofia, artigo publicado em "Bertrand Russell Society Bulletin", traduzido por Åsa Heuser e Eli Vieira. In: Bule Voador.


Acerca da galinha...
O duplo sentido no título desta postagem é proposital.

Bônus - HENRIQUETA E A AUTOSSUFICIÊNCIA

01 abril, 2011

O ovo ou a galinha?

É um dilema que provém da expressão "o que veio primeiro: o ovo ou a galinha?", já que as galinhas põem ovos que, por sua vez, originam galinhas. Esta expressão, apesar de ser um exemplo de ambiguidade, tem deixado filósofos a se questionarem como o universo e a vida começaram.
No meio popular, referir-se a esta questão beira a inutilidade, pois a sentença é considerada uma falácia do tipo "círculo vicioso".
O dilema, então, cresce ao entrar no campo metafísico com uma proposta metafórica. Para entender melhor sua representação metafórica, a pergunta pode ser reformulada para os seguintes termos: "Que veio primeiro: X que não pode vir sem Y, ou Y que não pode vir sem X?".
Diversos filósofos já refletiram sobre o dilema:
  • Aristóteles concluiu que ambos existiram sempre.
  • Plutarco fez uma comparação do dilema com a criação do mundo.
  • Macróbio destacou a transcendência da questão.
  • Stephen Hawking e Christopher Langan concluíram que foi primeiro o ovo.
Criacionistas e evolucionistas apresentam posições opostas nesta questão. Os criacionistas, baseados em que a Bíblia diz que Deus criou as aves (sem nada mencionar sobre os ovos), respondem que foi a galinha (junto com o galo). E os evolucionistas contrapõem (epa!) dizendo que foi o ovo.
Nós argumentamos que, como a mutação que criou a primeira galinha só pode ter ocorrido antes que ela nascesse, o ovo teria que necessariamente vir primeiro. E o que havia antes dele ainda não era uma galinha; era uma pré-galinha, talvez. Fácil, não é? PGCS


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03/07/2025 - Atualizando...
Por séculos, essa pergunta gerou debates filosóficos e científicos… Mas em 2010, pesquisadores das universidades de Sheffield e Warwick, no Reino Unido, chegaram a uma resposta surpreendente: a galinha veio primeiro!
O motivo? Eles descobriram que uma proteína chamada ovocleidina-17 (OC-17), essencial para a formação da casca do ovo, só existe nos ovários da galinha. Ou seja: sem a galinha, não haveria casca de ovo!
A OC-17 age como um catalisador, acelerando o processo de cristalização do carbonato de cálcio que forma a casca. Isso significa que, biologicamente, o primeiro ovo de galinha só poderia ter sido formado dentro de uma galinha!

26 julho, 2010

Albert Camus

Albert Camus (Mondovi, 7 de novembro de 1913 — Le Petit-Villeblevin, 4 de janeiro de 1960) foi um escritor e filósofo francês nascido na Argélia. Em sua terra natal viveu sob o signo da guerra, fome e miséria, elementos que, aliados ao sol, formam alguns dos pilares que orientaram o desenvolvimento do pensamento do escritor.
O absurdo da existência humana se manifestou por diversas vezes na vida do escritor franco-argelino. Numa destas, quando concluiu seu doutoramento, Camus se viu impedido de ser professor por haver adoecido de tuberculose. Esta doença inclusive lhe deu a real dimensão da possibilidade cotidiana de morrer, o que foi fundamental no desenvolvimento de sua obra filosófica /literária.
A tuberculose também o impediu de continuar a praticar um esporte que tanto amava: o futebol. Camus era o goleiro da seleção universitária (conta-se que um bom goleiro). E o seu amor ao futebol seguiu-o durante toda a vida. Muito o impressionava a paixão do brasileiro pelo futebol. Por isso, ao visitar o Brasil em 1949, logo pediu que o levassem para assistir a uma partida de futebol.
Em 1957, Albert Camus recebeu o Prêmio Nobel de Literatura "pelo conjunto de sua obra que punha em evidência os problemas que surgem na consciência do homem moderno".


Algumas de suas frases mais conhecidas:

"Não caminhes diante de mim, pode ser que eu não te siga. Não caminhes atrás de mim, pode ser que eu não te guie. Caminha junto a mim e sê meu amigo."

"Para a maioria dos homens a guerra é o fim da solidão. Para mim é a solidão infinita."

"O êxito é fácil de obter. O difícil é merecê-lo."

"Uma imprensa livre pode ser boa ou má; sem liberdade a imprensa será apenas má."

"Diziam-me que eram necessários alguns mortos para existir o mundo onde não se mataria."

"O homem tem duas faces: não pode amar sem amar-se."

"A estupidez insiste sempre."

"Dois homens traídos pela mesma mulher se tornam parentes."

"Compreendi que há duas verdades, uma das quais jamais deve ser dita."

"A amizade pode se converter em amor, o amor em amizade, nunca."

"O dever é o que tu esperas dos demais."

"Algumas vezes, eu penso no que os historiadores do futuro dirão de nós. Uma só frase será suficiente para definir o homem moderno: fornicava e lia jornais."

"Quem necessita de piedade, senão aqueles que não têm compaixão com ninguém!"

"O homem é a única criatura que recusa ser o que é."

"A liberdade nada mais é do que uma oportunidade para se tornar melhor."

"Não esperes pelo Juízo Final. Acontece a cada dia."

"Raramente confiamos em alguém que seja melhor que nós."

"O segredo de meu universo é imaginar Deus sem a imortalidade do homem."

"Se o mundo fosse compreensível a arte não existiria."

"Amo demais meu país para ser nacionalista."

"A verdadeira generosidade, com relação ao futuro, consiste em se doar todo ao presente."

"Envelhecer é passar da paixão à compaixão."

"Só há um problema filosófico verdadeiramente sério: o suicídio."

"Não ser amado é uma simples desventura. A verdadeira desgraça é não saber amar."

"Os artistas pensam segundo as palavras e os filósofos, segundo as ideias."

Traduzido de Albert Camus. "Sus mejores frases". In: Trianarts