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09 agosto, 2026

"Eu vou pro Crato"

Recentemente, a eritrulose (um tipo de açúcar formado com quatro átomos de carbono) ganhou grande destaque na astrofísica. Em um estudo histórico publicado na revista Nature Astronomy, astrônomos detectaram a molécula pela primeira vez no espaço interestelar, em uma nuvem de gás no centro da Via Láctea. Essa descoberta reforça a hipótese de que os ingredientes fundamentais para a vida podem se formar antes mesmo dos planetas e ter chegado à Terra primitiva através de cometas. Estas observações foram feitas com dois radiotelescópios na Espanha: o Observatório RT40m em Yebes e o Telescópio IRAM de 30m em Granada.
Mas os astrônonomos não precisavam prescrutar as moléculas de açúcar em local tão remoto. Aqui mesmo, no espaço caririense, nós temos o nosso "Cratinho de Açúcar". Termo, que remete à hospitalidade, à doçura do povo e à forte tradição de produtos derivados da cana-de-açúcar na região, e que foi eternizado na voz do Rei do Baião, Luiz Gonzaga, na música "Eu vou pro Crato".


Autores: Luiz Gonzaga e José Jataí
Intérprete: Diassis Martins

21 junho, 2026

Fora da ordem

Esta é a maneira mais eficiente de empacotar 10 quadrados iguais em um quadrado maior circundante.


Parece algo que eu entregaria por falta de tempo.

"Fora da ordem" significa algo desorganizado, fora de sequência ou indevido. Pode indicar uma quebra de padrão, regras ou sequência lógica, sendo usado também para descrever confusão. Além disso, a expressão é o título de uma canção de Caetano Veloso que reflete sobre a injustiça social e a desordem urbana.

31 maio, 2026

Zé do Norte

Alfredo Ricardo do Nascimento, conhecido como Zé do Norte (Cajazeiras (PB), 18 de dezembro de 1908 — Rio de Janeiro, 2 de outubro de 1992), foi um músico brasileiro.
O menino Alfredo Ricardo, órfão de pai e de mãe, teve uma infância muito pobre. Trabalhou na enxada, apanhou algodão, conduziu tropas de burro. Gostava de cantar desde a infância, mas sem imaginar que isso pudesse ser um meio de vida.
Em 1921, foi para Fortaleza e alistou-se no Exército, indo servir no Rio de Janeiro. Convidado, atuou em programa de rádio, obtendo grande sucesso com uma embolada de sua autoria. Acabou sendo levado para a Rádio Tupi onde passou a cantar adotando o pseudônimo de Zé do Norte, em 1940.
Zé do Norte publicou o livro "Brasil Sertanejo" em 1948 e, cinco anos depois, indicado pela escritora cearense Raquel de Queiroz, atuou como consultor de linguajar nordestino e compositor no filme "O Cangaceiro", de Lima Barreto (1953). Sua música "Mulher Rendeira" (sobre motivo atribuído a Virgulino Ferreira, o Lampião) ficou mundialmente conhecida após ser incluída no referido filme.
O sucesso desta fita em Cannes elevou Zé do Norte ao Olimpo do cancioneiro popular nacional. Outras de suas canções de sucesso foram: "Sôdade, Meu Bem Sôdade", gravada por Nana Caymmi e Maria Bethânia, entre outros, e "Lua Bonita", gravada por Raul Seixas e Belchior (vídeo), entre outros.
Contudo, é provável que ele tenha feito modificações em canções que já fossem cantadas pelos sertões nordestinos. Ou, então, que ele tenha adotado como suas (hipótese José Neumanne Pinto) as canções que sua mãe cantava no sertão do Rio do Peixe.


"Lua Bonita" c/ Belchior e Dominguinhos

29 março, 2026

Pandeiro e tamborim

Pandeiro e tamborim são instrumentos de percussão brasileiros, mas com funções e características diferentes. O pandeiro é um aro de madeira ou aço com pele esticada (geralmente de cabra) e platinelas (pequenos pratos), que é tocado com as mãos. É ideal para samba de mesa, pagode, choro e ritmos nordestinos (V. Jackson do Pandeiro). Já o tamborim é um aro de metal, acrílico ou PVC com membrana esticada, sem platinelas, que é tocado com baqueta. É ideal para blocos, escolas de samba e também é usado em orquestras na música erudita.

"Viva Meu Samba"
Compositor: Billy Blanco
Violão, pandeiro 
Tamborim na marcação e reco-reco 
Meu samba, viva meu samba verdadeiro 
Porque tem teleco-teco.


O mestre João da Baiana foi o responsável pela introdução do pandeiro no samba, além de ter sido parceiro de Pixinguinha e Donga - "Pelo Telefone", com os quais formou o Grupo da Guarda Velha.
Nascido no Rio de Janeiro no dia 17 de maio de 1887, João da Baiana protagonizou um dos mais pitorescos episódios de nossa história musical.
Na Festa da Penha de 1908, teve seu pandeiro apreendido pela polícia - o senador Pinheiro Machado, que era seu admirador e que freqüentemente promovia festas em "seu" palácio no Morro da Graça, o convidou para uma dessas festas e como ele não apareceu, quis saber o motivo da falta.
Ao saber que o instrumentista tivera seu pandeiro apreendido pelos policiais, resolveu presenteá-lo com um novo pandeiro, que trazia a seguinte inscrição: "Com a minha admiração, ao João da Baiana - Pinheiro Machado".
Com essa dedicatória ("salvo-conduto") do senador, passou a tocar seu pandeiro, sem que a polícia fosse atormentá-lo!
(extraído de O Som do Animal, no Facebook)

15 fevereiro, 2026

"Cidade Maravilhosa"

No dia 4 de setembro de 1934, André Filho e Aurora Miranda, irmã mais nova de Carmen, entraram no estúdio da Odeon para gravar a música "Cidade Maravilhosa". 

"E se um dia você se perguntou por que Carmen teria deixado "Cidade Maravilhosa" para a irmã — quando ela própria, Carmen, poderia tê-la gravado —, não perca seu tempo", explica o jornalista e escritor Ruy Castro no livro "Carmen – Uma Biografia" (2005). "O compositor André Filho ofereceu a marchinha Cidade Maravilhosa diretamente à Aurora. Ela já gravara outras músicas dele, os dois eram amigos, e Aurora era uma cantora em fulminante ascensão".

Um ano depois de gravá-la, André Filho resolveu inscrevê-la em um concurso promovido pela prefeitura do Rio e realizado no Teatro João Caetano. Para espanto do público, tirou o segundo lugar: perdeu a primeira colocação para "Coração Ingrato", interpretada por Sílvio Caldas. Segundo os jornais da época, o público vaiou a campeã e, por pouco, não depredou o teatro. André Filho, em compensação, foi aplaudido de pé. "A maior manifestação da minha vida", escreveu o compositor no recorte do jornal "A Noite", de 11 de fevereiro de 1935.

O compositor André Filho eternizou a expressão "Cidade Maravilhosa". Até hoje, sua marchinha é tocada e cantada em cerimônias oficiais, bailes de carnaval e desfiles de rua. Mas, quem criou o epíteto?

Em artigo publicado na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, o escritor e tradutor Ivo Korytowski a Jane Catulle. Em 1913, ela publicou um livro de poemas, "A Cidade Maravilhosa" (La Ville Merveilleuse, no original), depois de conhecer o Rio de Janeiro, dois anos antes. No primeiro dos 33 poemas, ao descrever a chegada do seu navio à Baía de Guanabara, ela exaltou: "Jamais tantos esplendores deslumbraram os olhos! Aqui é a terra de todas as luzes!".

De setembro a dezembro de 1911, a poetisa francesa Jane Catulle Mendès, viúva do escritor e poeta Catulle Mendès, visitou o Rio de Janeiro, encontrando uma cidade recém-emergida de um "banho de loja" que foi a reforma urbanística de Pereira Passos. Encantada com a cidade, sobretudo pelas belezas naturais, escreveu uma série de poemas de "amor ao Rio" publicados em Paris no livro de 2013.

Se imaginarmos quão bem ela foi recebida, e a época realmente gloriosa para a cidade em que isso se passou, fica claro o motivo do encantamento que a inspirou a escrever e publicar, em 1913, em Paris, o livro de poemas, "La Ville Merveilleuse, Rio de Janeiro, poèmes". Extasiada com a beleza da cidade, os poemas, muitos deles dedicados a ilustres figuras da época faziam a apologia em regra da cidade e, graças ao título do livro, nascia o seu epíteto plenamente consagrado.

É óbvio que em textos anteriores, especialmente na imprensa, tal expressão já fora usada, como bem pesquisou Ivo Korytowski, o que deve ter acontecido com todas as cidades notáveis do mundo. Parece-nos, portanto, que a hoje totalmente esquecida Jane Catulle Mendes foi, senão a criadora, a oficializadora do epíteto do Rio de Janeiro.

Fontes
http://www.dw.com/pt-br/por-que-o-rio-%C3%A9-chamado-de-cidade-maravilhosa/a-75327797
http://literaturaeriodejaneiro.blogspot.com/2003/03/qual-origem-da-expressao-cidade.html
http://blogdopg.blogspot.com/2012/01/rio-de-janeiro-fevereiro-e-marco.html

01 fevereiro, 2026

A cajuína

A cajuína é uma bebida não alcoólica, feita a partir do suco do caju separado do seu tanino, por meio da adição de um agente precipitador (originalmente, a resina do cajueiro, durante muitas décadas a cola de sapateiro e atualmente, a gelatina em pó), após coado várias vezes em redes ou funis de pano, em um processo que recebe o nome de clarificação. O suco clarificado é então cozido em banho-maria em garrafas de vidro até que seus açúcares sejam caramelizados, tornando a bebida amarelada, e permitindo que possa ser armazenada por longos períodos.
Seu consumo é um ato de degustação, geralmente acompanhado de comentários e comparações sobre as qualidades daquela garrafa da bebida, ressaltando sua cor, doçura, cristalinidade, leveza ou densidade, qualidades que derivam tanto dos cajus escolhidos, quanto das técnicas de cada produtor. Essas referências revelam o sentimento de pertencimento do grupo ou família produtora e reforçam os laços entre os membros das redes familiares por onde a cajuína circula.
Atribui-se a invenção da cajuína (de acordo com Rachel de Queiroz) a Rodolfo Teófilo, um farmacêutico, escritor e pesquisador cearense (nascido na Bahia) que viveu entre 1853 e 1932. Em 2014, esta bebida típica do Piauí e do Ceará foi reconhecida pelo IPHAN como Patrimônio Cultural Brasileiro.
http://portal.iphan.gov.br/noticias/detalhes/286
A canção "Cajuína"
Nasceu de uma experiência pessoal (de luto) de Caetano Veloso, após a morte em 1972 do amigo e poeta Torquato Neto, importante figura da Tropicália. Ao visitar a família de Torquato em Teresina, Caetano foi acolhido pelo pai do poeta, Seu Eli, que lhe serviu cajuína e lhe presenteou com uma rosa. Essa experiência do acolhimento em Teresina, com a cajuína cristalina da cidade, inspiraram a composição desta música, que explora questões sobre a vida e a morte.
http://globoplay.globo.com/v/3119899/ 


Existirmos: a que será que se destina? (Dm) (Gm/6) 
Pois quando tu me deste a rosa pequenina (A7) (Dm) 
Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina (D7)  (Gm) 
Do menino infeliz não se nos ilumina (C7) (F) 
Tampouco turva-se a lágrima nordestina (D7) (Gm)
Apenas a matéria vida era tão fina (A7) (Dm)
E éramos olharmo-nos, intacta retina (D7) (Gm)  
A cajuína cristalina em Teresina. (A7) (Dm)

04 janeiro, 2026

Um poema, uma canção

O poema: "E então, o que quereis?", de Vladimir Maiakovski.

"Fiz ranger as folhas de jornal
abrindo-lhes as pálpebras piscantes.
E logo
de cada fronteira distante
subiu um cheiro de pólvora
perseguindo-me até em casa.

Nestes últimos vinte anos
nada de novo há
no rugir das tempestades.

Não estamos alegres,
é certo,
mas também por que razão
haveríamos de ficar tristes?

O mar da história
é agitado.
As ameaças
e as guerras
havemos de atravessá-las,
rompê-las ao meio,
cortando-as
como uma quilha corta
as ondas".

A canção: "Corsário", de João Bosco e Aldir Blanc.

14 dezembro, 2025

Café para a estrada

Se a sua ideia de “café para a estrada” se limita a beber café quando você dirige um carro na estrada, este estudo de pesquisa pode expandir seu horizonte mental:

Efeitos de reologia e microestrutura de resíduos de borra de café na modificação de ligante asfáltico”, Mingjun Xie, Linglin Xu, Kai Wu, Yutong Wen, Hongmi Jiang e Zhengwu Jiang, Materiais de baixo carbono e construção verde, vol. 1, n.º 1, 2023, artigo 3.

Nesse estudo, os autores relatam que a borra de café resultante de produtos da indústria cafeeira quando incorporada a ligantes asfálticos melhora o desempenho destes.

Bônus: "One more cup of coffe", uma canção de Bob Dylan a respeito do café na estrada.


One more cup of coffee for the road
One more cup of coffee 'fore I go
To the valley below.
Mais uma xícara de café para a estrada
Mais uma xícara de café antes que eu vá
Para o vale abaixo.

16 novembro, 2025

Qual foi a primeira música brasileira gravada?

Este marco é envolto em mistério e disputa entre registros históricos incompletos, limitações técnicas da época e poucas gravações sobreviventes, segundo informa Penélope Nogueira. Ainda asim, entre as canções mais antigas e conhecidas, destaca-se o lundu "Isto é bom", escrita por Xisto Bahia e interpretada pelo baiano Manoel Pedro dos Santos para a casa Edison, a primeira gravadora do Brasil.
(Não confundir com o título de primeiro samba gravado no Brasil, que foi "Pelo Telefone", de Donga e Mauro de Almeida, gravado em 1916 e lançado no ano seguinte.)
Xisto Bahia, nome artístico de Francisco Xavier da Silva, escreveu "Isto é bom" em algum momento antes de seus vinte anos de idade, mas a canção só seria gravada em 1902, quase dez anos após sua morte.
A letra da canção é composta de sete estrofes. Confira uma delas:
"Os padres gostam de moças / E os doutores também / Eu como rapaz solteiro / Gosto mais do que ninguém."
E as estrofes eram intercaladas por este refrão:
"Isto é bom, isto é bom, isto é bom que dói." (bis)

Diferentemente de como são feitos atualmente, os registros eram feitos de forma mecânica, diretamente em cilindros de cera ou discos rudimentares, e o somera captado por grandes bocais sem uso de eletricidade, o que tornava a qualidade sonora bastante limitada.

12 outubro, 2025

Por trás da letra: Bicho de 7 Cabeças

História curiosa cerca uma das canções de Geraldo Azevedo - "Bicho de Sete Cabeças". O compositor paraibano Zé Ramalho, parceiro desta canção, tem verdadeira birra com a versão letrada do Bicho.
Quem revela a história da implicância de Zé Ramalho com os versos de "Bicho de Sete Cabeças" é o próprio Geraldo, que confessa:
"Compusemos a melodia desta música no começo dos anos 70. Trabalhamos suas sonoridades com um quê de barroco, misturando choro, música clássica e música moura. E a batizamos de 'Dezesseis Cordas' (pois foi composta com dois violões, um de 10 e o outro de seis cordas). Caprichamos tanto que Zé Ramalho tomou-se de grande amor por ela."
Algum tempo depois, Geraldo entregou a melodia ao carioca Renato Rocha, para que nela colocasse letra. Os versos - "Não dá pé/ Não tem pé, nem cabeça/ Não tem ninguém que mereça/ Não tem coração que esqueça/ Não tem jeito mesmo/Não tem dó do peito/ Não tem nem talvez/ Ter feito o que você me fez/ Desapareça/ Cresça e desapareça/ Não foi nada/ Eu não fiz nada disso/ E você fez um bicho de sete cabeças" - foram registrados em disco pelo próprio Geraldo e alcançaram enorme sucesso, a ponto de tornar-se um dos hinos da geração bicho-grilo.
Quando Zé Ramalho ouviu a melodia acompanhada da letra de Renato Rocha - relembra Geraldo, bem-humorado - "implicou, não gostou de jeito nenhum". E o paraibano então comentou com o pernambucano: "é, realmente, não tem pé, não tem cabeça!"
Fonte: Face de Geraldo Azevedo


Geraldo Azevedo e Elba Ramalho (ao vivo)

21 setembro, 2025

A Tramontana

O cantor Sérgio Murilo (da Jovem Guarda) aqui canta a versão de uma canção italiana, original de Daniele Pace e Mário Panzeri, com letra em português de Geraldo Figueiredo. Na Itália é «La Tramontana», no Brasil, é quase a mesma coisa: «A Tramontana» – Gravação Continental, de 1968.


Os dicionários consignam o substantivo tramontana, utilizado em sentido figurado na expressão «perder a tramontana», como significando «perder o rumo/direção» e «perder  a cabeça, perder a paciência, ficar perturbado». Este substantivo – tramontana – vem do italiano e pode também significar «estrela polar», (stella tramontana), a estrela que se situa além dos montes.

07 setembro, 2025

Sol de Primavera

Composição de Beto Guedes e Ronaldo Bastos.

"A lição sabemos de cor / Só nos resta aprender."

15 junho, 2025

Na Nova Zelândia tem um monte de Zé?

Resposta 1. Não é preciso ir tão longe para encontrar Zé.
~ Jackson do Pandeiro

O diabo é que Jackson do Pandeiro também se chama Zé (José Gomes Filho).
~ Luiz Gonzaga

21 maio, 2025

Sonho Impossível (A Busca)

"The Impossible Dream (The Quest)" é uma canção popular composta por Mitch Leigh, com letra escrita por Joe Darion. É a melodia mais conhecida do musical da Broadway, de 1965, "Man of La Mancha" (O Homem de La Mancha), e também é apresentada no filme de 1972, de mesmo nome estrelado por Peter O'Toole (vídeo 1).
De acordo com o compositor Mitch Lee, em "Soul Music - The Impossible Dream", o letrista original seria WH Auden. Mas houve desentendimentos com Wasserman, o autor da peça para a televisão, e a canção acabou sendo letrada por Joe Darion (com sua última gota de coragem / para alcançar as estrelas inalcançáveis).


A canção completa é cantada pela primeira vez por Dom Quixote, enquanto ele fica de vigília à sua armadura, em resposta à pergunta de Dulcinéia sobre o que ele quer dizer com "seguir a busca". Ela é reprisada parcialmente mais três vezes - a última por prisioneiros em uma masmorra, enquanto Miguel de Cervantes e seu criado sobem a escada da prisão em forma de ponte levadiça para enfrentar o julgamento pela Inquisição Espanhola.

De Elvis Presley a Frank Sinatra, foram muitos os intérpretes nos EUA que gravaram esta canção. No Brasil, Chico Buarque e Ruy Guerra escreveram a versão em português de "Sonho Impossível" (e o mundo vai ver uma flor / brotar no impossível chão), que foi gravada por Maria Bethânia em 1974, em seu álbum "Cena Muda" (vídeo 2).

11 maio, 2025

Trabalho maternal

Bonus track do álbum "Cochicho no silêncio vira barulho, irmã", da cantora Verônica Ferriani.

escomunal, adjetivo de dois gêneros
(pouco usado)
m.q. descomunal

04 maio, 2025

Por trás da canção: Nature Boy

No final dos anos 1940, houve um boato de que havia um "eremita", desencantado e desiludido com o mundo, supostamente "fora de sincronia" com a sociedade, vivendo na Califórnia, em uma caverna sob um dos L's do letreiro de Hollywood.
Ninguém realmente se importava com esse homem estranho, até uma noite em 1947, quando alguém tentou entrar nos bastidores do Lincoln Theater, em Los Angeles. Nat "King" Cole estava tocando lá, e o homem disse que tinha algo para Cole. Os funcionários, claro, não deixaram o homem estranho ver Cole, então ele deixou o que tinha com o empresário de Cole.
O que ele tinha era uma partitura de música, que Cole daria uma olhada mais tarde. Cole gostou da música e quis gravá-la, mas ele tinha que encontrar o homem estranho. Quando perguntadas, as pessoas que viram o homem disseram que ele era estranho, de fato, com cabelos e barba na altura dos ombros, usando sandálias e um manto branco.
Cole finalmente o localizou na cidade de Nova York. Quando Cole perguntou onde ele estava hospedado, o homem estranho declarou que estava hospedado no melhor hotel de Nova Iorque - do lado de fora, literalmente, no Central Park. Ele disse que seu nome era eden ahbez (escrito em letras minúsculas). A música que ele deu a Cole foi intitulada "Nature Boy". Tornou-se o primeiro grande sucesso de Cole e logo foi regravada por outros artistas ao longo dos anos, de Frank Sinatra e Sarah Vaughan a Tony Bennett e Michael Jackson e, mais recentemente, Lady Gaga.
A mídia enlouqueceu com aquele homem estranho e misterioso que entregou a Nat King Cole um dos maiores sucessos da época. Todos saíram para tentar descobrir mais sobre ele. O pouco que descobriram foi que ele era um órfão, que nunca ficava muito tempo em um lugar, vivendo quase sempre em lares adotivos. (Rusty Bertrand, Mastodon)


George Alexander Aberle (15 de abril de 1908 - 4 de março de 1995), conhecido como eden ahbez, foi um compositor e artista americano das décadas de 1940 a 1960, cujo estilo de vida na Califórnia foi influente no movimento hippie.
Ele acampava abaixo do primeiro L no letreiro de Hollywood, em Los Angeles, e estudava misticismo oriental. Ele dormia ao ar livre com sua família e comia frutas e nozes. Ele alegava viver com três dólares por semana.
Em 1959, ele começou a gravar música instrumental, combinando tons sombrios característicos com arranjos exóticos e (de acordo com a capa do disco) "ritmos primitivos". Ele frequentemente tocava bongô, flauta e poesia em cafés na área de Los Angeles. Em 1960, ele gravou seu único LP solo, Eden's Island, para a Del-Fi Records. Este misturou poesia beatnik com arranjos exóticos. Ahbez promoveu o álbum por meio de uma excursão a pé de costa a costa fazendo apresentações, mas vendeu mal.

21 abril, 2025

Por aqui passava um homem

"Toda vez que um justo grita
Um carrasco o vem calar
Quem não presta fica vivo
Quem é bom, mandam matar."

Tema de "Os Inconfidentes": excertos do "Romanceiro da Inconfidência" (1953), uma narrativa em versos da poetisa Cecília Meireles, com música de Chico Buarque.

Filme "Os Inconfidentes" (1972), de Joaquim Pedro de Andrade

23 março, 2025

Beatriz: uma canção inalcançável?

Imortalizada na voz de Milton Nascimento, a canção "Beatriz", de Edu Lobo e Chico Buarque, foi também gravada por Gal Costa, Mônica Salmaso, Renato Braz, Zizi Possi e Ana Carolina.
Faz parte da trilha sonora de "O Grande Circo Místico", um espetáculo apresentado pelo Balé Guaíra em 1982. O enredo dessa peça foi baseado no poema "Túnica Inconsútil", de Jorge de Lima, desenvolvido por Nahum Alves de Souza e que apresentava o trajeto de uma família circense ao longo dos anos.
Desafiado para interpretar esta canção, o Professor de Canto e Doutor em Música, Marcelo Elme, sentiu-se receoso de não dar conta do recado. Composta ao piano por Edu, a obra-prima "Beatriz" tem melodia e harmonia complexas, além de uma tessitura muito ampla, com graves desafiadores para sua voz médio-aguda. Mas Marcelo Elme superou os obstáculos ao escolher o tom adequado e utilizar-se de determinados recursos vocais.
Entre eles:
1. o trânsito entre os registros
2. a suavização das quebras vocais
3. a equalização dos timbres
4. a precisão da afinação em saltos consecutivos.

Arquivo da Bia
2008 Do chão ao céu
2018 O Grande Circo Místico

25 dezembro, 2024

Cântico dos Sinos

Pokrovsk deu ao mundo "Carol of the Bells" (Cântico dos Sinos). Foi nesta cidade que o compositor ucraniano Mykola Leontovych criou "Shchedryk", em 1914. A letra em inglês foi escrita em 1936 por Peter Wilhousky. A música é baseada em um ostinato (*) de quatro notas em compasso 3/4, com o sino em Si bemol tocado em 6/8. A canção foi adaptada para gêneros musicais que incluem música clássica, heavy metal, jazz, country, rock, e pop.
(*) Frase musical que se repete persistentemente como no "Bolero" de Ravel. Compare-se "ostinato" (it) com "obstinado" (pt).


Nos últimos anos, o assassino em massa Putler tem feito de tudo para destruir Pokrovsk.

16 dezembro, 2024

Cianômetro

Foi inventado em 1789 por Horace-Bénédict de Saussure e Alexander von Humboldt para medir o azul do céu.

Dick vale o céu azul e o sol sempre a brilhar
Se você não vem e eu estou a lhe esperar.

(Das centúrias de Roberto Carlos)