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29 setembro, 2021

A conversão de Clóvis


Um monge escreveu que Clovis, estando num grande perigo na batalha de Tolbiac, fez voto de se tornar cristão se conseguisse escapar; é porém natural que uma pessoa se dirija a um deus estrangeiro em tal ocasião? Não é precisamente num momento desses que a religião na qual se nasceu age mais fortemente? Qual é o cristão que, numa batalha contra os turcos, não se dirigirá antes à Santa Virgem que a Mafoma? Acrescenta-se que um pássaro levou a santa ampola em seu bico a fim de ungir Clovis e que um anjo trouxe a auriflâmula para o conduzir. O preconceito crê em todas as historietas desse gênero. Os que conhecem a natureza humana sabem que o usurpador Clóvis e o usurpador Rolão ou Rol se tornaram cristãos para governar mais seguramente a cristãos, como os usurpadores turcos se tornaram muçulmanos para governar mais seguramente os muçulmanos.

Voltaire, Preconceitos históricos. "Dicionário Filosófico"

Clóvis I é importante na historiografia da França como "o primeiro rei do que se tornaria a França". Ele uniu todas as tribos francas sob um único governante, assegurando-se de que o reinado seria passado a seus herdeiros, e foi o primeiro bárbaro a se tornar rei católico após a queda do Império Romano do Ocidente. Sua conversão ao catolicismo, sob o estímulo de sua esposa Clotilde, foi um ato de imensa importância na história subsequente da Europa.

06 janeiro, 2019

O discurso contra o politicamente correto

Moira Weigel: "O discurso contra o politicamente correto é uma retórica que inviabiliza o debate democrático"
Há expressões que aparecem de forma tão frequente no nosso dia a dia que as tratamos como se fossem verdades autoevidentes, sem nunca nos perguntarmos por que elas assumiram determinados significados nem desde quando são utilizadas. Moira Weigel (Nova York, 1984), pesquisadora associada da Universidade de Harvard, debruçou-se sobre duas palavras que, embora recorrentes há anos no léxico norte-americano, ganharam especial relevância desde a meteórica ascensão de Donald Trump à Casa Branca: politicamente correto. Afinal, como é possível que uma figura pública se refira a mexicanos como "estupradores" e, diante da indignação coletiva, se esquive argumentando que os seus adversários são politicamente corretos demais? Ou, num contexto mais próximo ao brasileiro, um parlamentar que, depois de afirmar que não estupraria uma deputada "porque ela não merece", se defenda da reação acusando seus opositores de o perseguirem numa cruzada em nome do politicamente correto?
Em Um álibi para o autoritarismo, artigo publicado na última edição da "Serrote", a revista de ensaios do Instituto Moreira Salles (IMS), a pesquisadora de Harvard detalha como a linguagem é parte fundamental da conexão que Trump estabeleceu com seus seguidores. O mandatário americano, diz Weigel, recebe apoios justamente por dizer coisas "ultrajantes", consideradas inapropriadas pelas convenções que estabelecem os limites do debate público. Cria empatia com parte expressiva da população porque "diz o que pensa" e por denunciar uma suposta conspiração de liberais com a imprensa, que teria o escuso objetivo de controlar inclusive as palavras que as pessoas comuns usam.
👉Não escapa a um brasileiro que leia o texto de Weigel a memória das explosivas declarações de Jair Bolsonaro, candidato à presidência da República, que, mesmo após sofrer um ataque a faca, não se furta de seguir beligerante e sair em fotos simulando ter uma arma nas mãos. Na verdade, mesmo sem encontrar uma única citação ao capitão reformado do Exército no ensaio, cuja versão original foi publicada em 2016 no jornal britânico "The Guardian", a associação é quase automática.

Siga lendo em EL PAÍS, onde o artigo completo com a entrevista da pesquisadora foi publicado por Ricardo Della Coleta em 08/09/18.

Relacionado: Harvard cancela a admissão de futuros alunos por compartilharem memes ofensivos no Facebook, por Mari Luz Peinado

06 abril, 2018

Inauguramos a ABSURDOLOGIA

Fernando Gurgel Filho
Hoje, com muito pesar, sem nenhuma pompa, mas com enorme circo e palhaçadas, inauguramos a ABSURDOLOGIA, uma ciência genuinamente brasileira que não explica nada, não tem experimentos que comprove p**** nenhuma, mas que será a única que justifique o comportamento do POVO (ecaaaa, diriam os objetos de estudos dessa nova Ciência) BRAZUCA.
O fato mais estarrecedor é: neste País NINGUÉM pode sequer sonhar em dar um futuro promissor para toda a sociedade. E, quando falamos em todas a sociedade, incluímos o que chamam pejorativamente de POVO, porque, a partir do pobre que tenha conta em banco e possua algum parco patrimônio até o servidor de classe média e o pequeno empresário que ganha menos que um pedreiro, é difícil encontrar alguém que se considere POVO. E este contingente, se brincar, engloba a imensa maioria da população brasileira. Noves fora os miseráveis.
Então, se alguém sonhar um futuro para este País e tiver um projeto consistente de crescimento com inclusão social, não tenham dúvidas, este será perseguido cruelmente. Mas o fato mais importante é: o ex-Presidente Lula já entrou para a história como o Maior Estadista do País. Foi, e continua sendo, o maior protagonista vivo da história recente deste País.
Quanto aos outros, que têm ódio de suas bem sucedidas gestões, são meros coadjuvantes medíocres que a história nem sequer mencionará por vergonha e remorso.
Mas a coisa tá tão difícil de entender que, tenho amigos e, dentre eles, não são poucos os mulatos/pretos/pobres, que, além disso, ainda se dizem muito religiosos e dizem, também, pertencer a alguma instituição que defende a liberdade das nações, a harmonia e fraternidade entre os seres humanos, além de combater a intolerância e os preconceitos.
Pois bem, muitos desses amigos são fanáticos defensores de pessoas do tipo que, abertamente, defende ditaduras, torturas, espalha o ódio por onde passa, mostrando-se preconceituoso e intolerante contra outros seres humanos, principalmente contra mulheres, pretos, pobres etc. etc. etc.
Ou seja, não sei se é por falta de informação ou se é por deformação provocada pela mídia, mas estão sempre apoiando alguém ou algum lado totalmente contra os próprios princípios que dizem defender. Pior ainda, sempre defendem alguém ou algum lado que, quando estão no poder, não têm o menor pudor em prejudicá-los.
Alguém explica??? Ou justifica sem explicar??? Porque isto deve ter alguma explicação absurdológica qualquer, seja no campo da psiquiatria, da sociologia, do humor negro, da tragédia grega... Sei lá o quê mais.
08/04/2018 - Atualizando ...
A Universidad Nacional de Rosario, na Argentina, concederá ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva o título de Doutor Honoris Causa. O evento se dará no dia 9 de abril, às 9hs. Como forma de protesto, o título será concedido com ou sem Lula.
https://jornalggn.com.br/noticia/lula-recebe-mais-um-titulo-de-doutor-honoris-causa

21 outubro, 2015

Como nasce um preconceito

Fernando Gurgel Filho, de Brasília
Aos poucos vi que um preconceito nascia das discussões acaloradas, principalmente sobre preferências partidárias e condução de políticas públicas. Muito mais, creio, pelo modo de construção dos diálogos e pelo comportamento pessoal das pessoas com as quais tento dialogar. E que vai se transformando em monólogo. Muito mais, creio também, pelo modo desonesto como as pessoas constroem seus argumentos e pelo próprio discurso vazio de verdades que apregoam.
E o preconceito, novíssimo em mim, vai brotando devagar e, de repente, sufoca-me a razão. Vejam como: atualmente, dependendo de onde venha a informação/opinião, a luz da rejeição acende em grau máximo contra a opinião emitida. Imediatamente, sem dar tempo nem de avaliar se a informação/opinião tem algum fundo de verdade. Apenas como exemplo, se alguém, conhecido por emitir argumentos falsos, critica o comportamento de algum político, passo imediatamente a simpatizar com o político atacado, pois fico imaginando que o tal político deve ter feito algo benéfico para a sociedade e deve ter sempre se comportado corretamente. Se ataca a política econômica, a queda da moeda brasileira, o aumento de tributos ou coisa parecida, passo imediatamente a acreditar que a condução da política econômica está corretíssima e que o interlocutor deve ter motivos escusos para atacá-la. E por aí vai murchando qualquer discussão franca e civilizada.
Obviamente, isto é péssimo para qualquer cidadão que gosta de dialogar e que tem verdadeiro pavor ao cerceamento da liberdade de discussão, pois, na mesma linha do "cumpadre" Voltaire, creio ser muito proveitosa uma boa e honesta discussão, mesmo não concordando com nada do que o outro diga. É melhor do que ficar calado ou constrangido, pisando em ovos, numa discussão entre amigos ou numa simples roda de bate papo entre conhecidos.
Como todo preconceito é burro, estúpido, a burrice vai se alastrando mesmo quando queremos cultivar algo mais sólido, mais solidário e mais fraternal. E os vínculos humanos vão se fragmentando, se desfazendo. Ao invés de uma inteligência coletiva que pudesse construir uma sociedade cada vez melhor, o emburrecimento coletivo tem sido a alternativa que somente pode nos levar ao isolamento, mesmo achando que estamos conectados em uma rede global.
E leio, aliviado, que não estou sozinho em repetir, repetir, repetir e continuar repetindo argumentos honestos. Mas que são desconstruídos com mentiras, meias verdades e burrices que alguns amigos e conhecidos teimam em repetir, repetir, repetir e continuar repetindo. Aí, acontece o que menos queria que acontecesse, "... perco a cabeça: ”Que merda de má-fé é essa? Que porra de ignorância é essa?” E me vejo reproduzindo tudo o que mais condeno, a histeria de uma ira inócua. Digo barbaridades. Perco a razão. Acho que era Kant quem dizia que ninguém pensa sozinho. E o que acontece quando a burrice passa a imperar? Alguém dirá que a burrice sempre imperou. Prefiro achar que nem sempre. Até muito recentemente, muito da nossa burrice coletiva se mantinha circunscrita ao isolamento da esfera privada. Ou pelo menos ainda não tinha encontrado os canais públicos para alardear sua hegemonia." (Bernardo Carvalho, in "Encontro com um editor de direita").
Se ainda não tiverem sido abduzidos por este preconceito, recomendo muitíssimo a leitura do artigo completo do jornalista Bernardo Carvalho.

N. do E.


25/10/2015 - Atualizando ...
Numa mesa de debates sobre humor e literatura organizada no Festival Internacional Literário de Óbidos, em Portugal, e dividida com o humorista, apresentador de TV e espécie de pop­star em Portugal Ricardo Araújo Pereira, o escritor e colunista do GLOBO Luis Fernando Verissimo defendeu o mandato da presidente da República, Dilma Rousseff, declarando-­se contra qualquer tentativa de impeachment.
Dos poucos momentos sérios do debate, no qual Verissimo e Ricardo falaram sobre temas como os limites do humor, o caso do Charlie Hebdo, técnicas de escrita humorística e até gastronomia, a pergunta desconcertante foi endereçada a Verissimo da plateia: “Dá para fazer piada com a situação política do Brasil atual?”.
— Não sou dilmista, mas sou legalista. Para tirar o PT do poder, é preciso esperar as próximas eleições, fazer valer a democracia. O clima no Brasil é de extrema radicalização, e principalmente para a direita, num grau de raiva que eu nunca vi. E olha que tivemos coisas como a UDN… Mas desse jeito é inédito na história do Brasil — opinou Verissimo, arrancando aplausos da plateia.

14 novembro, 2014

A "Classe Idade Média", segundo Kiko

O compositor Kiko Dinucci tem divulgado seu lado desenhista: em seu facebook, Kiko vem postando uma série de caricaturas intitulada "Classe Idade Média" . As imagens são caricaturas das manifestações preconceituosas vistas nas redes sociais, nas ruas e na imprensa, desde o último processo eleitoral.
Na série, não faltam os brasileiros que sonham em viver em Miami ou no Brasil (sob intervenção militar, certamente), nem aqueles que demonstram sua indignação ESCREVENDO POSTS EM CAIXA ALTA.


Paulista de Guarulhos, Kiko não poupa os conterrâneos separatistas, registrando que, diferentemente dos nordestinos, eles terão agora que "comprar água no Dutty Free" (área destinada à venda de produtos com isenção de impostos em aeroportos).
A visão de Kiko (sobre a "Classe Média") foi também descrita pelo próprio, em texto publicado no site Altnewspaper.

16 agosto, 2014

As máscaras do preconceito

Durante as filmagens de "Planet of the Apes" (O Planeta dos Macacos), em 1967, Charlton Heston notou "uma segregação instintiva no set. Os macacos não comiam todos juntos, mas os chimpanzés comiam com os chimpanzés, os gorilas comiam com os gorilas, os orangotangos comiam com os orangotangos, e os humanos comiam fora. Foi muito assustador."
James Franciscus notou a mesma coisa nas filmagens de "Beneath the Planet of the Apes" (de Volta ao Planeta dos Macacos), em 1969. "Durante o almoço, eu olhei em torno e percebi: 'Meu Deus, aqui é o universo'. Porque em uma mesa estavam os orangotangos a comer, em outra mesa, outros macacos, e os seres humanos tinham sua própria mesa. Os personagens de uma espécie não se misturavam com os de outra espécie para comer juntos".
"Lembro-me de ter dito: 'Olhe ao redor - você nota o que está acontecendo aqui? Isto é um microcosmo isolado do que, provavelmente, incomoda o mundo todo. Chame de preconceito ou do que você quiser chamar. O que é diferente é para ser evitado, é assustador e assim por diante'. Ninguém ali estava se misturando e, por trás das máscaras, eram todos seres humanos. As máscaras foram suficientes para que aflorassem as nossas próprias pequenas naturezas genéticas de medo e preconceito. Foi surpreendente."

Joe Russo e Larry Landsman, Planet of the Apes Revisited, de 2001

28 dezembro, 2013

Preconceito mútuo

Um avião sob o controle de um capitão judeu decola de um aeroporto estadunidense. Seu copiloto é chinês. É a primeira vez que voam juntos e um silêncio constrangedor entre os dois parece indicar uma mútua desconfiança.
Quando atingem a altitude de cruzeiro, o capitão ativa o piloto automático, se inclina para trás em seu assento, e resmunga:
"Eu não gosto de chinês."
"Não gosta de chinês?" pergunta o copiloto. "Por quê?"
"Vocês bombardearam Pearl Harbor, é por isso!"
"Não, não", protesta o copiloto. "Os chineses não bombardearam Pearl Harbor! Foram os japoneses..."
"Japonês, chinês, tailandês.... não importa, é tudo igual!"
Há alguns minutos de silêncio.
De repente, o copiloto exclama:
"Eu não gosto de judeus."
"Ah, sim, e por que não?", pergunta o capitão.
"Vocês afundaram o Titanic!", responde o co-piloto.
"O quê? Você é louco! Os judeus não afundaram o Titanic!", diz o capitão. "Foi um iceberg!"
"Iceberg, Goldberg, Rosemberg... dá tudo na mesma."

16 janeiro, 2012

Triste época!

É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito.
Albert Einstein

Olavo de Carvalho é um desses rascunhos de gente que tentam ocupar o vácuo que Paulo Francis e José Guilherme Merquior deixaram na Nova Direita tupiniquim. Amiúde, a pedante criatura  descarrega, a partir da Metrópole (Richmond, EUA), uns verrinosos "artigos" que, com ares de coisa sapiente, ficam a circular pelos esgotos da mídia conservadora e golpista (adjetivos sinônimos).
"Olavetes" gozam, deliram.
Mas há intelectuais a céu aberto que dão o devido tratamento a seus dejetos mentais:
"Astrólogo por ofício, já que escreveu três ou quatro livros de astrologia, que curiosamente prefere nem mais citar em sua bibliografia. Aliás, o 'filósofo' parece ter desistido de definir-se como astrólogo, pois em seus créditos já não acrescenta o antigo ofício. Quando a profissão é infamante, melhor declarar-se bailarina. [...] Aliás, esse gambito do astrólogo é muito safado. Professa um cristianismo abstrato, manifesta sua fé no tal de Altíssimo, sem jamais dizer à qual confissão de fé pertence. Aparentemente, é a fé católica. Mas o astrólogo não pode afirmá-la, sob pena de incoerência. Ninguém pode ser católico tendo tido três mulheres. Muito menos ser astrólogo e católico ao mesmo tempo. Então, fica professando aquele cristianismo indefinido, que só convence quem adora ser convencido – para não ter de comprometer-se. Em suma, um arremedo de Nostradamus que vive de mascambilhas. Nós, ateus, podemos ter uma, dez ou vinte mulheres. Católico só pode ter uma só."
- Janer Cristaldo, jornalista, Quem financia o astrólogo?, 28/01/2008.
"O filósofo Olavo de Carvalho, conhecido pelo excesso de agressões pessoais nos 'debates' de que participa, disse que não existe debate entre o conhecimento e a ignorância, ou seja, entre ele e eu, segundo o próprio. Não obstante a extrema arrogância, escreveu um enorme artigo em seu site, onde muito ataca e pouco argumenta, e agora divulgou um outro artigo no JB Online, chamado 'Barbárie Mental', onde a desonestidade fica evidente. Para quem disse que sou insignificante, até que Olavo tem dado bastante atenção à minha pessoa. [...] Escrevo um longo texto não para debater com Olavo, pois isso parece impossível, mas sim para expor o que está por trás de sua postura arrogante e desequilibrada: a desonestidade intelectual. Não dá para esperar muito de quem afirma que Sir Newton espalhou o vírus da burrice pelo Ocidente."
- Rodrigo Constantino, jornalista e economista, A desonestidade de Olavo, 15/02/2007.
"Olavo foi alçado ao patamar de 'líder iluminado' por seus seguidores, e isso o cegou. Sua vaidade é tanta que perdeu o costume de ser criticado por pessoas que concordam com muitas de suas ideias. E quando é alvo de um 'fogo amigo', que não é proferido por comunistas, fica perdido, desnorteado, partindo para o ataque pessoal. [...] Creio que a vaidade de Olavo é ainda maior que seu fanatismo religioso."
- Rodrigo Constantino, jornalista e economista, A vaidade de Olavo, 08/02/2007.
"O senhor Carvalho, que se intitula filósofo, vale lembrar, foi desqualificado academicamente pelos professores de filosofia da USP (notoriamente de esquerda), em função de sua inconsistência de argumentos no debate filosófico naquela universidade. Chateado, ele decidiu ir à forra e utilizou este fracasso para reconstruir junto a um setor empresarial paulista a figura do intelectual pró-capitalista perseguido pelos comunistas. Na realidade, desde o governo Collor ele tenta se tornar o teórico da nova extrema direita brasileira. É um direito que lhe assiste, desde que não agisse de forma irresponsável, caluniando e difamando".
- Mário Augusto Jakobskind, jornalista, Olavo de Carvalho no banco dos réus, 28/10/2005.
"O homem não é coerente sequer na ofensa. Abro mão do direito adquirido de responder da mesma forma. O leitor não merece isso. Melhor reconhecer logo a superioridade de Olavo de Carvalho na área dos ataques pessoais. Nisso ele é imbatível. Quem duvidar que digite no Google as palavras-chaves: "Olavo de Carvalho, criatura vermicular, anal" . [...] Devemos passar por cima das grosserias de Olavo de Carvalho e, cuidando para que elas não nos sujem a sola dos sapatos, levar a discussão para o terreno onde as suas deficiências são patentes: o das ideias. [...] Quando apanhado em erro, finge que não é com ele e muda de assunto. Imagino que suas grosserias agradem alguns, mas rudeza é o truque que o fraco usa para imitar os fortes."
- José Colucci Jr., jornalista e engenheiro, O fantasma de Darwin (2), 05/10/2004.
"Antes de exibir seu congênito e hidrófobo racismo, Olavo de Carvalho devia primeiro explicar três coisas bem simples, bem pé-rapadas, que seus alunos na "UniverCidade" vivem tentando saber e jamais conseguiram:
1. Com base em que diploma Olavo se assina 'filósofo'?
2. Em que Universidade Olavo estudou Filosofia, para ensinar filosofia em Universidade?
3. O Ministério da Educação permite ser professor sem diploma?
Isso tem nome: falsidade ideológica. E está no Código Penal."
- Sebastião Nery, jornalista, "Filósofo Pé-rapado", 09/ 06/ 2003.

15 maio, 2011

Odeio prepotência

Paloma Jorge Amado

Texto de Paloma Amado

Era 1998, estávamos em Paris, papai já bem doente participara da Feira do Livro de Paris e recebera o doutoramento na Sorbonne, o que o deixou muito feliz. De repente, uma imensa crise de saúde se abateu sobre ele, foram muitas noites sem dormir, só mamãe e eu com ele. Uma pequena melhora e fomos tomar o avião da Varig (que saudades) para Salvador.
Mamãe juntou tudo que mais gostavam no apartamento onde não mais voltaria e colocou em malas. Empurrando a cadeira de rodas de papai, ela o levou para uma sala reservada. E eu, com dois carrinhos, somando mais de 10 malas, entrava na fila da primeira classe. Em seguida, chegou um casal que eu logo reconheci, era um político do Sul (não lembro se na época era senador ou governador, já foi tantas vezes os dois, que fica difícil lembrar). A mulher parecia uma árvore de Natal, cheia de saltos, cordões de ouros e berloques (Calá, com sua graça, diria: o jegue da festa do Bonfim). É claro que eu estava de jeans e tênis, absolutamente exausta. De repente, a senhora bate no meu ombro e diz: “Moça, esta fila é da primeira classe, a de turistas é aquela ao fundo”. Me armei de paciência e respondi: “Sim, senhora, eu sei”. Queria ter dito que eu pagara minha passagem enquanto a dela o povo pagara, mas não disse. Ficou por isso. De repente, o senhor disse à mulher, bem alto para que eu escutasse: até parece que vai de mudança, como os retirantes nordestinos. Eu só sorri. Terminei o check in e fui encontrar meus pais.
Pouco depois bateram à porta, era o casal querendo cumprimentar o escritor. Não mandei à putaquepariu, apesar de desejar fazê-lo, e educadamente disse não. Hoje, quando vi na TV o Senador dizendo que foi agredido por um repórter, por isso tomou seu gravador, apagou seu chip, eteceteraetal, fiquei muito retada, me deu uma crise de mariasampaismo e resolvi contar este triste episódio pelo qual passei. Só eu e o gerente da Varig fomos testemunhas deste episódio, meus pais nunca souberam de nada…