30 janeiro, 2008

O dínamo literário Marcelo Gurgel

Não bastasse o seu imenso trabalho na organização do livro “Dos Canaviais...”, que foi lançado com grande sucesso na noite de 28/01, no auditório da OAB – Ceará (em solenidade presidida pelo Dr. Hélio Leitão, presidente da entidade e a quem a nossa família agradece os préstimos), Marcelo Gurgel (foto) vai estar hoje no Centro Cultural Oboé para uma nova noite de autógrafos.
Trata-se do lançamento do livro “Medicina da UFC 1977 – 2007: 30 Anos de Formatura da Turma Prof. José Carlos Ribeiro”, do qual ele foi também o organizador. Contando com cerca de 40 textos, produzidos por 24 colegas, nos moldes de um memorial da saudade, esta obra representa uma alentada contribuição ao resgate da História da Medicina no Ceará nas últimas décadas.

Serviço
Dia: 31 de janeiro de 2008 (quinta-feira)
Hora: 19h30min
Local: Rua Maria Tomásia, 531. Fone: 3264 7038

O urso cor de rosa

No mês de dezembro, esteve em exposição na Galleria L’Immagine, em Milão - Itália, este simpático urso.


Uma obra que o artista plástico Maurizio Savini esculpiu (mais provavelmente, “escuspiu") com um material bem atípico: goma de mascar.
No sabor morango, presume-se.

A fantasia onipotente

De Rubem Alves, em "O Médico":
Houve um tempo em que nosso poder perante a Morte era muito pequeno. E, por isso, os homens e as mulheres dedicavam-se a ouvir a sua voz e podiam tornar-se sábios na arte de viver. Hoje, nosso poder aumentou, a Morte foi definida como inimiga a ser derrotada, fomos possuídos pela fantasia onipotente de nos livrarmos de seu toque. Com isso, nós nos tornamos surdos às lições que ela pode nos ensinar. E nos encontramos diante do perigo de que, quanto mais poderosos formos perante ela (inutilmente, porque só podemos adiar...), mais tolos nos tornaremos na arte de viver.

Ilustração: “Ciência y Caridad”, de Pablo Picasso (1897), obtida na galeria “Arte e Medicina” do e-emergencia.com, um site em que podem ser vistas reproduções de quadros de outros pintores célebres sobre o tema.

Na blogosfera - 21

Foi republicado em Antena Paranóica, de Nonato Albuquerque, o meu texto “A Mulher do Próximo”. Profissional da mídia, Nonato edita urbi et orbi um dos melhores blogs de que tenho conhecimento.
Dentre os últimos comentários, agradeço o que me enviou o médico Augusto, após haver lido a postagem “Adios Nonino”. Augusto publica na Argentina um blog em que a poesia é destaque: Un lugar, mi lugar, ao qual recomendo visita.

29 janeiro, 2008

Pé chato

De cara, digo, de pé, o conscrito que apresenta o problema é dispensado do serviço militar. Por ser considerado que tem um impedimento para fazer as marchas de longa distância.
Ortopedistas e podólogos discutem a respeito das variações do arco plantar e de suas conseqüências em reuniões científicas.
Mas é de um popular, entrevistado num programa de televisão, a melhor definição do que é um pé chato:

“É o que pisa no pé dos outros e não pede desculpa.”

28 janeiro, 2008

Um livro para Luiz Carlos da Silva

É hoje (às 19h30min) a solenidade de lançamento do livro “Dos canaviais aos tribunais – a vida de Luiz Carlos da Silva”. Uma obra comemorativa dos 90 anos de idade (se vivo estivesse) do professor e advogado Luiz Carlos, meu pai.
Faz a sua apresentação o médico Marcelo Gurgel Carlos da Silva, um dos organizadores da obra e filho do homenageado.

Local: OAB – Seção Ceará, na Avenida Pontes Vieira, 2.666 – Dionísio Torres, em Fortaleza.

27 janeiro, 2008

“Adios Nonino”

Lindíssima música de Astor Piazzola (1921 – 1992) aqui tocada por seu Quinteto, com Piazzola ao bandoneón. Pelas circunstâncias em que foi composta (morte recente do pai, a quem Piazzola dedicou esta música), “Adios Nonino” transmite ao ouvinte uma densa carga emotiva. E, ao lado de “Libertango” e “Balada para um loco”, está entre as composições mais conhecidas e interpretadas do maestro argentino.
Todavia, as suas músicas nem sempre foram bem recebidas nos redutos dos tangueros tradicionais. A estes críticos, Astor Piazzola dizia que compunha “música contemporânea de Buenos Aires”. Com a qual, porém, obteve o reconhecimento público de haver sido, na segunda metade do século XX, o grande inovador do tango argentino.
Dentre os amigos que teve no Brasil, podemos citar o poeta Vinicius de Morais e o maestro Tom Jobim (com quem Piazzola chegou a tocar).

25 janeiro, 2008

A Mulher do Próximo

A mulher do lojista é de fechar o comércio.
A do estelionatário é uma falsa.
A do escritor não está prosa.
A do motorista é uma cheia de curvas.
A do teatrólogo vive a fazer cena.
A do jardineiro tem minhocas na cabeça.
A do lenhador é de lascar!
A do militar é uma parada.
E a do estuprador, coitada!

A mulher do cabeleireiro é uma cabeça feita.
A do maître é uma para quinhentos talheres.
A do surfista vai na onda dos outros.
A do metalúrgico é um mulheraço.
A do tipógrafo não dorme no ponto.
A do andarilho é um pedaço de mau caminho.
A do guarda-florestal vive na moita.
A do estivador tá com tudo em cima.
E a do gay nem vem que não tem.

Publicado em 1989 na antologia "Letra de Médico", com a precaução de não incluir a mulher (adivinhe como ela é) do pneumologista. Texto postado também no Preblog.

O Homem do Contra

Começa pelo signo, que é aquele dos peixinhos, um no sentido contrário do outro. Sua cor é a amarela. Em contrapartida, sua pedra é qualquer uma que incomode no sapato.
Seu prato favorito, o contrafilé, e sua bebidinha, o licor "Cointreau". No círculo de amizade, apenas estão os contraparentes.
O medo que sente do mar. Para contrabalançar tentou a carreira na Marinha. Desistiu, porém, ao perceber que levaria tempo demais para chegar a contra-almirante.
Numa contradança, conheceu a mulher de sua vida. Era contramestra. Depois de avaliar todos os contras, topou o himeneu. Mas ainda não têm filhos por causa dos contraceptivos.
Nas horas de ócio, toca contrabaixo pelo prazer de estar nas contra-oitavas. Ou, então, lê livros e mais livros embora não passe das contracapas.
Rigoroso no ato de comprar, não admite ser logrado no contrapeso. No entanto, quando a mercadoria é de contrabando fecha negócio na contraluz, isto é, no escuro.
Não receia andar na contramão. Se flagrado, sorri contrafeito e enfrenta a multa com uma contraproposta. Quando necessário vai fundo na contravenção.
Periodicamente, sofre de uma contratura muscular que contraverte a lógica. Porque só experimenta alívio quando toma um medicamento contra-indicado.
E acha que os tempos mudaram para melhor, mercê dos contratempos. Está firme no contrapé. E, contra tudo e contra todos, crê na vitória definitiva do contra-senso.
Eis aí a resenha comportamental de um homem do contra. Um homem do contra em meio às contradições de sua época.

Publicada em 1989 na antologia "Letra de Médico". Também postada no Preblog.

24 janeiro, 2008

Coisa com coisa

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Geração de ouro

Registro os vinte anos de falecimento do jornalista Morais Né (Antonio Alves de Morais) que fez parte da chamada “geração de ouro” do jornalismo cearense. Graças à amizade que tive (ainda tenho) com o seu filho, o médico cardiologista Vladimir Morais, eu passei também a privar da amizade ao pai jornalista.
De quem recordo a lhaneza, a conduta ética, o amor à família, a competência profissional, a cultura, o compromisso social, a devoção à causa ecológica, dentre os muitos atributos deste cearense de Campos Sales, que é ainda hoje um dos referenciais da nossa imprensa.
No transe mais difícil de sua vida, acometido de grave enfermidade, honrou-me ao confiar em meus saberes profissionais para que eu cuidasse de sua saúde. Dou o testemunho da bravura com que enfrentou todos os sofrimentos infligidos pela doença.
Neste dia de saudades, integro-me aos que estão a lembrar o grande homem que foi Morais Né.

22 janeiro, 2008

Uma regra aérea


"Quando em dúvida mantenha a sua altitude. Ninguém colidiu jamais com o céu."

No original: "When in doubt, hold on to your altitude. No one has ever collided with the sky."
In: When in Doubt, Kiss the Fish, por John Kremer com ilustrações de Phil Frank.

Paradoxo

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O relógio é do sol...

mas é a sombra que marca as horas.

Indecisão

Ainda não decidi qual "japa" fez o melhor cartaz.

Longevidade feminina - 2



Outra das razões encontradas para explicá-la é que os homens desconhecem que, pela ação da gravidade, as balas apresentam uma trajetória em parábola.

21 janeiro, 2008

"Dos canaviais aos tribunais"

“Em janeiro de 2007, em uma das costumeiras reuniões domingueiras de nosso ‘clã’ familiar, apresentei aos meus irmãos uma proposta de organizar um livro sobre o nosso pai, Luiz Carlos da Silva, a ser lançado em janeiro de 2008, por ocasião do seu nonagésimo natalício, se vivo ele fosse.”

Com estas palavras, o médico Marcelo Gurgel, meu irmão, inicia a apresentação do livro “Dos canaviais aos tribunais”, do qual foi o principal organizador, sobre a vida do professor e advogado Luiz Carlos da Silva, nosso pai. Na organização do livro, Marcelo contou também com a incansável colaboração da jornalista Márcia Gurgel, uma de nossas irmãs. E, na obtenção de muitos dos textos que compõem a obra, com os pendores memorialistas que iam se revelando em todos nós, filhos do biografado.
Alguns textos de autoria paterna, localizados após muita busca e pesquisa por Marcelo, foram oportunamente incorporados ao livro. Como também os depoimentos que foram feitos por colegas, amigos, clientes e alunos de Luiz Carlos a respeito de nosso genitor.
E a obra “Dos canaviais aos tribunais” ainda incluiu muitos registros fotográficos e ilustrações. Sendo a fonte para estas últimas as peças de tapeçaria criadas por Elda Gurgel e Silva, a mãe tecelã da qual admiramos a arte (e outros dons).
Completam as homenagens ao biografado a data e o local que estão escolhidos para o lançamento do livro: o dia 28 de janeiro (às 19h30), por ser a data em que ele nasceu, e a sede da OAB – Ceará (na avenida Pontes Vieira, nº. 2.666, em Fortaleza), uma entidade à qual Luiz Carlos tinha muito orgulho em ser filiado.

20 janeiro, 2008

Bororó

Nascido no bairro do Botafogo, no Rio de Janeiro, o violonista e compositor Bororó (1898 – 1986), cujo nome completo era Alberto de Castro Simões da Silva, não deixou uma obra musical vasta. Registra o Dicionário de Cravo Albin de Música Popular Brasileira apenas seis composições de Bororó. Duas delas, porém, são páginas musicais antológicas: “Da cor do pecado” e “Curare”, que já foram gravadas por muitos grandes cantores da MPB.
Bororó era também conhecido pelo mau humor. Como mostra esta passagem de sua vida, relatada por Chico Buarque numa entrevista (*) a Luiz Roberto de Oliveira, em 16/11/96.
Chico Buarque: Um dia eu encontrei o Bororó num escritório de direitos autorais, e eu não o conhecia. Falei: “Bororó, que coincidência, muito prazer, Chico Buarque, e tal! Você sabe que ontem (e era verdade), ontem à noite eu estive na casa do Tom, e ele ficou tocando músicas suas?” E, então, Bororó respondeu: “Ele toca, mas não grava.”
Tom Jobim anularia esta crítica, algum tempo depois. Ao entrar em estúdio para gravar com Miúcha a canção “Sublime tortura” de Bororó.

Abaixo, interpretações para duas composições de Bororó:
1) "Curare" com João Gilberto, em vídeo


2) "Da cor do pecado" com Fagner, em áudio
www.paixaoeromance.com

(*) a entrevista completa está disponível aqui.

19 janeiro, 2008

A conferir

Deu na Folha Online...

Que a Microsoft solicitou patente para um novo software capaz de acompanhar o desempenho de um indivíduo na frente do computador ao monitorar suas expressões faciais, ritmo cardíaco, pressão sanguínea, temperatura corporal etc. - tudo por meio de sensores sem fio.

Isto talvez controle algumas cenas deploráveis que vêm acontecendo em certas empresas, ultimamente.

Tradução: PGCS

Cordeiros

Vendo a reportagem na televisão eu tomei conhecimento de que o carnaval baiano passa por uma dificuldade: recrutar cordeiros. Os cordeiros são aquelas pessoas contratadas pela organização dos blocos para garantir a segurança dos foliões pagantes. Fazendo o trabalho por meio de cordas que criam um espaço exclusivo para os foliões dos blocos, isolando estes dos chamados “pipocas”. Como lidam com cordas são conhecidos por cordeiros. Agora, porque não estão se apresentando para o trabalho desta temporada a explicação parece óbvia. O anúncio de diárias de apenas 20 reais para os cordeiros que estiverem dispostos a encarar o empurra-empurra da avenida.
Mas será que existe mesmo a ocupação de cordeiro?
Uma consulta on line na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) do Ministério do Trabalho e Emprego me mostra que a ocupação existe oficialmente.


Só que os cordeiros da CBO são de outro "rebanho". Pois pertencem ao grupo dos mantenedores de edificações, têm o código 9914-10 e são descritos como conservadores de fachadas. O que significa dizer que dependem de cordas para o trabalho, também.
Aliás, dependem das cordas para a vida.

18 janeiro, 2008

Branca das Neves

Era uma vez uma moça de coração bom (frise-se isto) que se chamava Branca das Neves. Órfã de pai, mãe e ama-seca, ela vivia na companhia de uma senhora de estranhos poderes. Má Drástica, a que tinha os cabelos pretos como a asa do corvo. E que planejava, sem que Branca soubesse, arrancar-lhe o coração para substituí-lo por um "Jarvik-7". Para tanto, a senhora Má contava com um grande trunfo: a faca de ponta do terrível Gargamel.
Mas Gargamel era um boquirroto. Num porre de hidromel, ali por volta da "ônzima" caneca, ele foi, bateu com a língua nos dentes (embora não tivesse estes). A inconfidência de Gargamel, feito ondulação de trigal, propagou-se por todo o reino e todos tomaram conhecimento do plano da senhora Má. Branca das Neves também soube, mas ficou sem acreditar. Foi preciso que pessoas chegadas lhe mostrassem a guia de importação do "Jarvik-7", logo após surrupiá-la de Má Drástica.
A moça Branca ficou apavorada. Se a idéia de vir a ter um coração novo, de plástico mais alumínio, já a inquietava, imagine a de viver atrelada a um trepidante compressor... Era de tremer nas bases. Defendendo o recôndito, passou a usar um califom reforçado em seus passeios na floresta. Com isso, o dia "D" que chegasse.
Numa tarde sépia de outono, Gargamel levou Branca das Neves a um passeio na floresta. Tinha a ordem da senhora Má para arrancar o coração de Branca, mesmo sem anestesia local. Era o dia "D". Então, mata adentro, os dois caminharam durante muito tempo. Chegando a uma clareira, Gargamel consultou o seu relógio "Seiko-No-Iê" a ver se já era a hora "H". Era. Mas nisso, Branca das Neves levou Gargamel a um passeio no talão de cheques. E por 3$800 teve a vida poupada. A bem dizer, o "Jarvik-7" era só uma encenação de Má Drástica. Depois de sacado o coração, Branca não teria direito a reposição nenhuma.

Continue a ler este conto no Preblog.

17 janeiro, 2008

Decifrando a dengue

O Ministério da Saúde (MS) está a enviar para a classe médica um material técnico (CD-ROM, revista e fôlder) de orientação sobre a dengue. Contando, nesta sua ação educativa, com o apoio do Conselho Federal de Medicina (CFM).
Inicial, mitos e erros, aspectos clínicos, epidemiologia, casos clínicos, manejo, organização dos serviços e bibliografia compõem o material distribuído.
Dele extraí um pequeno trecho para a divulgação no Blog:

A ocorrência de mortes durante uma epidemia de dengue pode estar relacionada com a cepa do vírus circulante ou com a situação de imunidade da população. Entretanto, independentemente dessas características, a letalidade pode ser reduzida se o doente for abordado de maneira correta e o serviço de saúde estiver preparado adequadamente.
Isso significa que o paciente com dengue deve receber tratamento individualizado dentro de um sistema de saúde com profissionais capacitados.
Tão importante quanto evitar a transmissão da doença é a capacitação dos médicos e a organização dos serviços de saúde, desde os centros de atenção primária até os hospitais de maior complexidade.
É sabido que não há vacinas ou droga específica contra a dengue, entretanto, isso não significa que a doença não tem tratamento. Medidas simples tais como identificar os sinais de alerta/alarme e iniciar hidratação podem ser salvadoras ao impedirem a evolução para as formas graves da dengue.

Não esqueça: a dengue se combate todos os dias!

Penso, logo cito - 5

Woody Allen, cineasta e escritor norte-americano:


O leão e a ovelha poderão se deitar juntos, mas a ovelha não conseguirá dormir.

16 janeiro, 2008

Caminhando e aprendendo – 12

O UMARIZEIRO
Faz algum tempo que eu não atualizo esta seção. Mas, há alguns dias, em minha caminhada pelo Parque do Cocó encontrei o assunto que faltava. Ao me deparar com um solitário umarizeiro em pleno estado de floração. E a exibir, com seus cachos de flores amarelas, uma beleza que simplesmente me surpreendeu.
Situado na trilha principal do parque, num trecho em que há poucas árvores, costuma ser o umarizeiro um “oásis” pelos momentos de sombra que oferece aos caminhantes. Em decorrência de haver crescido no meio de uma trilha muito percorrida, justamente em sua parte mais ensolarada. Apesar de não passar de uma árvore de pequeno porte (pelo menos o exemplar que ora descrevo).
Em sua nova beleza, o umarizeiro estava a sediar uma convenção de besouros-do-cão. Aqueles besouros grandes, escuros, zunidores e que nos assustam pela mania de voar em nossa direção. E que são também chamados de mangangás (ou mangagás, os quais significam grandes, enormes) pela nossa gente.
Havia-os ali em grande número, voejando e zumbindo em torno da copa do umarizeiro. E eles pairavam, de instante a instante, sobre aqueles cachos de flores amarelas. Detive-me alguns minutos para apreciar o espetáculo, e também para fotografar árvore e besouros. Estes eram muitos, muitíssimos, alguns simplesmente enormes, porém eu não sentia medo algum.

14 janeiro, 2008

Pescando no seco

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Peixe sim, palhaço não

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PPD e tuberculose

Tenho publicado no Scribd o material de apresentação de algumas de minhas palestras. Foi, no referido website, que uma leitora me formulou a seguinte pergunta:
“Meu primo de oito anos fez um exame de PPD que deu o resultado de 15 mm. Ele está com tuberculose?”

PPD são as iniciais de uma expressão inglesa que significa “derivado protéico purificado”. Referente a um material antigênico, obtido a partir de bacilos da tuberculose, o qual tem utilização em medicina para identificar os indivíduos que já foram ou estão sendo infectados por esta espécie de bacilo. Trata-se, portanto, de um teste.
Através de uma seringa, esse material é injetado na pele do indivíduo a ser testado, em nível intradérmico. Três dias após, é feita a medida do maior diâmetro alcançado na área de endurecimento que se forma na pele.
São estes os resultados possíveis para o teste:
0 a 4 milímetros = não reator
5 a 9 milímetros = reator fraco
10 ou mais milímetros = reator forte
E são estas as respectivas interpretações:
Não reator: o indivíduo é não infectado (ou é portador de um estado imunológico que impede de reagir ao teste como acontece em doentes de AIDS, por exemplo).
Reator fraco: o indivíduo foi infectado por outras micobactérias (que não causam a tuberculose) ou foi vacinado pelo BCG, não recentemente.
Reator forte: o indivíduo já foi infectado, podendo ou não estar doente de tuberculose, ou foi vacinado pelo BCG, recentemente.
Na situação de reator forte, ressalvando-se a influência do BCG tomado recentemente, interpreta-se que o indivíduo testado passou pela experiência da infecção tuberculosa. Como já tem acontecido a mais de 50 milhões de brasileiros da atual população do país, sem que isto signifique a ocorrência da doença. Em 95 por cento dos casos, a previsão é de que estes indivíduos já infectados não evoluam para a enfermidade (em crianças, este aspecto evolutivo “benigno” é menor).
No entanto, cerca de 100 mil brasileiros adoecem a cada ano de tuberculose. São aqueles que passam a apresentar os sintomas relacionados com esta doença: tosse, expectoração, febre, anorexia, emagrecimento etc. Nos quais, para a tuberculose ser confirmada, haverá a necessidade da realização de exames complementares, como baciloscopia e cultura de amostras de escarro e de lavado brônquico, histopatologia de tecidos biopsiados e outros exames. Em crianças, pela dificuldade na obtenção de material para tais exames, muitas vezes o diagnóstico será feito por história de contato com adulto tuberculoso, situação de reator forte (em não vacinado pelo BCG), quadro clínico compatível e imagens radiológicas sugestivas para tuberculose.
É recomendação do Ministério da Saúde do Brasil que se proceda a quimioprofilaxia pela isoniazida, durante 6 meses, na criança com idade inferior a 15 anos e que também se encontre em todas as seguintes condições:
- reatora forte ao PPD;
- não vacinada pelo BCG;
- contatante de paciente tuberculoso eliminador de bacilos;
- não doente.
Esta última exigência é muito importante que seja atendida, pois se a criança estiver doente a conduta correta será o tratamento pelo esquema padronizado.

PS >
As informações prestadas nesta nota não dispensam ser a criança consultada pelo médico.

13 janeiro, 2008

"Autumn Leaves"

O guitarrista norte-americano Stanley Jordan, que já esteve no Ceará, foi assunto do Blog em 21 de dezembro de 2006. A postagem em seu respeito pode ser lida aqui, sem ouvir (problema atual de link) o áudio em ele que toca "Eleanor Rigby", dos Beatles.
Em vídeo, apreciem-no agora dando a sua versão instrumental para "Autumn Leaves" (Folhas de Outono). Mais incrível do que nunca, Stanley Jordan nesta música executa simultaneamente duas guitarras. Num show em que ele sola, acompanha e, principalmente, improvisa.
O baixista e o baterista que o acompanham são também duas "feras".


Curiosidade - Em torno desta canção reúnem-se os seguintes "J":
Joseph Kosma e Jacques Prévert que a compuseram, com o título de "Les Feuilles Mortes" para o filme "Les Portes de la Nuit" (de 1946).
Johnny Mercer que fez a sua versão para o inglês.
Juvenal Fernandes que fez a sua versão para o português.
E ainda Stanley Jordan, é claro.

Na blogosfera – 20

Agradeço os comentários feitos por Cherry Blossom, de São Paulo, a respeito deste blog. Retribuindo a cortesia, visitei o seu Volatil cuja leitura é bem agradável. É o site em que CB asperge as “notas aromáticas” de sua alma de poeta.
Também agradeço ao blogueiro Airton Soares haver republicado, em seu Li por Aí (neste blogroll), a minha recente “Fototrova”. E aqui aproveito para fazer um desafio ao Professor Soares. O de escrever uma nota sobre a origem e o significado de algumas “interjeições” que existem apenas na internet:
- rsrsrsrsrs
- lol!
- ...

12 janeiro, 2008

Neste Verão

Verão:

1 - Calor
2 - Mosquitos
3 - Águas-vivas
4 - Festas em excesso
5 - Gripes (em meu caso)
6 - Big Brother Brasil

Rápido, o Outono.

A radiografia da Terra

Muito criativo o artista que desenhou o nosso planeta como se fosse radiografado.


Reforça a idéia de que a Terra é um ser vivo. Aliás, vários.

11 janeiro, 2008

Fósforos

Um fato intrigante, e que não livra a cara de sociedade alguma, é a enorme quantidade de maridos que somem de casa para sempre. Outro, é que os sumiços quase todos apresentam um ponto em comum. Os maridos saíram de casa pretextando comprar fósforos. Em minhas lucubrações, não afasto a possibilidade de que uns poucos estejam a zanzar por aí, cumprindo um percurso de algum Plano Cruzado roteirizado por Kafka.
A maioria, contudo, encontra-se em algum local bem distante do ponto de desaparecimento. Numa região, geralmente soalheira, onde ninguém os conhece. Digo mais: onde ninguém os julga, já que no presente estão a viver com novas caras-metades. Os especialistas atribuem essas peripécias à andropausa (nesta síndrome, mulher nova, bonita e carinhosa é elixir da juventude). E os franceses, ao dêmon de midi, o diabo que se insinua na alma do homem cinqüentão, com o fito de promover as chamadas uniões entre o Outono e a Primavera.
Existindo ou não o diabretes, o desertor conjugal só veio a surgir, a meu ver, depopis que apareceu a caixa de fósforos. Antes, havia a poligamia, o sadomasoquismo, a inversão, o fetichismo, o bestialismo e mais um monte de práticas sexuais com nomes em latim. Mas marido fujão, não. Surgiu, como eu já disse, com o advento da caixa de fósforos. A seguir, inflamando um coração entediado aqui, outro acolá, a utilitária caixinha deu no que deu: transformou-se num dos clichês da época atual. Um fado que não vislumbro para o isqueiro descartável, por exemplo.

O texto completo está no Preblog, clique aqui.

10 janeiro, 2008

O Homem Palito

Jack Hall é conhecido como o Homem Palito.
Por fabricar instrumentos musicais diversos, nos quais utiliza como matéria-prima os palitos de fósforos. Assim é que, desde 1936, com este inusitado material, JH tem feito violões, banjos, bandolins, violinos (com os respectivos arcos) e outros instrumentos.
Em 2003, entrou para o Guiness Book por haver construído: “10 playable musical instruments made entirely from (106,000) used wooden matchsticks”.

JH com seus instrumentos de palito

E estes instrumentos são realmente “tocáveis”, conforme já atestaram alguns instrumentistas famosos.

Tende piedade...

- de NOZ.

09 janeiro, 2008

Carros modificados

Fusca, no Brasil; Carocha, em Portugal. O simpático carro da Volkswagen recebeu, em terra lusitana, o apelido de Carocha porque lembra o aspecto do besouro carocha (do qual existem 24 mil espécies).
Dentre seus usuários e colecionadores, alguns resolveram promover radicais e interessantes modificações na anatomia do Fusca. Apesar disto, por vezes, acarretar conseqüências para a funcionalidade do veículo.
Pois bem, vários destes carros modificados estão sendo mostrados no Obvious, numa recente postagem com o título:
“O que se pode fazer com um VW Carocha?”

Antes de responder, veja as fotografias que o referido site apresenta. Aqui.

"Classificargos"




Contorcionistas - com experiência no alfabeto ocidental. Necessitamos da letra B em diante.

08 janeiro, 2008

O colchão do amor

Casais que dormem abraçados vão gostar desta solução engenhosa. Um colchão especialmente planejado para evitar as compressões de braços que podem ocorrer nos abraços prolongados. Sim, porque músculos, vasos e nervos, quando comprimidos, podem ser territórios de incômodos diversos. Como a neurite radial (*), que já tem sido descrita em pessoas adeptas deste modo de dormir.
A figura abaixo dá uma idéia de como é o tal colchão do amor.


Para ver mais detalhes do assunto, indico o red-dot.

(*) a fraqueza para flexionar o punho e estender os dedos são os principais sintomas desta neurite (PG).

07 janeiro, 2008

Que é o Tangram?

Melhor iniciar a resposta contando uma lenda:

“Um jovem chinês despedia-se de seu mestre, pois iniciaria uma grande viagem pelo mundo. Nessa ocasião, o mestre entregou-lhe um espelho de forma quadrada e disse:
- Com esse espelho você registrará tudo o que vir durante a viagem, para mostrar-me na volta.
O discípulo surpreso indagou:
- Mas, mestre, como poderei eu, com um simples espelho, lhe mostrar tudo o que encontrar na viagem?
No momento em que fazia esta pergunta, o espelho caiu-lhe das mãos, quebrando-se em sete peças.
Então, o mestre disse:
- Agora você poderá, com essas sete peças, construir figuras para ilustrar o que viu durante a viagem.”

(extraída do site Centro de Referência Educacional)

É um jogo chinês antigo o Tangram, sendo que este nome significa “sete tábuas da sabedoria”. É um quebra-cabeça composto de sete peças (tans) – cinco triângulos de vários tamanhos, um quadrado e um paralelogramo – que podem ser reagrupadas de modo a formarem um quadrado.
O praticante deste jogo tem o objetivo de criar o maior número possível de figuras (silhuetas de seres reais e imaginários e de objetos). Observando sempre estas duas regras:
- Todas as peças deverão ser usadas.
- Não é permitido sobrepor as peças.
A filosofia do Tangram é de que um todo é divisível em partes, as quais podem ser reorganizadas num outro todo.

Neste site, o RachaCuca, o leitor poderá se familiarizar com o jogo do Tangram. E no Preblog , onde acabo de postar a minha participação em “Criações”, poderá ver de que me vali (do Tangram, é claro) para conseguir ilustrar o livro.

06 janeiro, 2008

Do chão ao céu: Beatriz

Uma música de Edu Lobo que vai do chão ao céu.
Pessoas atentas já observaram isto: a nota mais grave da melodia corresponde à palavra "chão", e a sua a nota mais aguda, à palavra "céu". Na letra desta canção que traz a assinatura do genial Chico Buarque.
Trata-se de "Beatriz", da trilha sonora de "O Grande Circo Místico", aqui interpretado por Ana Carolina. Que assim inscreve seu nome na galeria dos grandes intérpretes desta canção (na qual também se encontram Milton Nascimento, Mônica Salmaso e o próprio Edu).

05 janeiro, 2008

Fototrova # 1



Por causa de um maridão
Chegando ao lar mais cedo
Foi assim que o Ricardão
Da altura perdeu o medo.



PGCS

Horóscopos funcionam?

Bem, há posicionamentos difíceis para quem não é um astro. E sucede que eu não leio horóscopos: primeiro, por superstição, e segundo, porque não quero bisar os erros do futuro. Mesmo assim respeito a "proficção" de astrólogo e considero que tudo é previsível - a posteriori. E que, por isso, horóscopos não são um engodo.

A realidade subseqüente é que ardilosamente subverte os fatos, inclusive os catastróficos. Daí a confusão.

04 janeiro, 2008

Na letra E

Percorro o dicionário de Ceca a Meca para encontrar a mais feminina das palavras:

espera, s. f.

Gente é para aquecer - 2

Uma notícia distribuída pela Agence France-Presse descreve como será aproveitado o calor gerado pelas pessoas que transitam pela estação central do metrô de Estocolmo (250 mil por dia) para aquecer um prédio vizinho. Ainda em fase de projeto, a idéia consiste em transportar o calor gerado pelos usuários do metrô, através de um sistema com água, tubos e bombas, até o prédio a receber o aquecimento. Leia aqui.
Portanto, vão usar a tecnologia para um aproveitamento racional do calor humano. Um fenômeno que, por sinal, já foi aqui comentado, em 27/02/07, na nota “Gente é para aquecer”.

03 janeiro, 2008

02 janeiro, 2008

O relógio telepático

Um homem metido a conquistador entra num bar e senta-se perto de uma mulher atraente. Após observá-la com interesse, passa a consultar o relógio.
Quando é notado pela mulher, que pergunta:
- Está com hora marcada para algum compromisso?
- Não – responde o homem. – Eu estou testando este meu relógio, que é especial.
Intrigada com a resposta, a mulher insiste:
- O que esse relógio tem de especial?
- Comunica-se comigo por telepatia. E ele já me disse algo a seu respeito.
- O que foi?
- Que você está sem calcinha.
A mulher dá uma risada, retrucando:
- Está com algum problema o seu relógio, pois estou com.
Nisso, o homem dá uma pancadinha no relógio e parece concordar:
- Não é que você tem razão?! O diabo do relógio está adiantado uma hora.

01 janeiro, 2008

Réveillon

Passei entre familiares e amigos na Praia de Morro Branco, em Beberibe.
Foram os anfitriões da festa o empresário Francisco Moacir Filho (meu cunhado) e sua esposa Maristane, que possuem uma bela casa naquela praia.

Natália e Elba, clicadas em Morro Branco
(eu apareço ao fundo)

O que é que há, velhinho?

O Ano Velho passou por mim, desolado. Numa das mãos, levava a ampulheta do Tempo em que escorriam os seus últimos minutos. Na outra, uma ceifadeira. Conclui que iria, com esta, cumprir o propósito de pôr fim à sua existência.
E que a Morte, infalível em seu ofício, emprestara-lhe o temível instrumento.

Requiescat in pace.