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03 julho, 2022

Parallele, por Gigliola Cinquetti

Paralelas, de Belchior.
Em 6 de junho de 1969, botei umas cervejas para gelar e encomendei umas bandejas de salgadinhos. Reuni em casa Francisco Dário, Osternes Brandão, o violonista Claudio Costa e o compositor Belchior, entre outros. Por volta da meia-noite, encerramos a parte doméstica da noitada e fomos ao "Pombo Cheio", onde nos encontraríamos com o Miguel da Flauta em seu retorno de um compromisso profissional. Naquela data, eu estava completando 21 anos. Uma fita-cassete registrou todas aquelas maravilhosas canções que foram tocadas e cantadas durante o encontro. Uma delas, por exemplo, era sua canção "Paralelas", que inicialmente Belchior cantava assim: "No Karmann-Ghia, sobre o trevo a cem por horas, meu amor". Mas que depois foi modificada para: "Dentro do carro...".



Dentro do carro, sobre o trevo a cem por hora,
Oh! Meu amor
Só tens agora os carinhos do motor
E no escritório em que eu trabalho e fico rico
Quanto mais eu multiplico diminui o meu amor
Em cada luz de mercúrio vejo a luz do teu olhar
Passas praças, viadutos, nem te lembras de voltar
De voltar, de voltar
No Corcovado, quem abre os braços sou eu!
Copacabana, esta semana o mar sou eu!
Como é perversa a juventude do meu coração
Que só entende o que é cruel e o que é paixão.
E as paralelas dos pneus n'água das ruas
São duas estradas nuas em que foges do que é teu
No apartamento, oitavo andar, abro a vidraça e grito
Grito quando o carro passa:
"Teu infinito sou eu, sou eu, sou eu, sou eu".
No Corcovado, quem abre os braços sou eu
Copacabana esta semana o mar sou eu
Como é perversa a juventude do meu coração
Que só entende o que é cruel e o que é paixão.

Tu dentro l'auto sul raccordo a centoventi
Amore mio,
Hai solamente le carezze del motore
E nello studio in cui lavori e fai i soldi
Quanto più fai bene i conti tanto meno arrivi a me
Ogni fanale di mercurio prende luce agli occhi tuoi
Questo è uno strano viadotto vuoi tornare ma non puoi
Ma non puoi, ma non puoi
Sui manifesti ogni ragazza son io
La ballerina sesso e neon ma si, son io
Com'è perversa questa giovinezza che io porto in me
Che esiste solo quando brucia e quando è in croce
Le parallele delle gomme sul bagnato
Son due rotaie nude su cui fuggi anche da te
Io da lassù, dal sesto piano, a vetri aperti grido
Grido all'auto che si perde:
"Il tuo infinito son io, son io, son io".
Sui manifesti ogni ragazza son io

La ballerina sesso e neon ma si, son io
Com'è perversa questa giovinezza che io porto in me
Che esiste solo quando brucia e quando è in croce.

19 dezembro, 2021

Xingando em catalão

Comentário feito em 22/10/2021 por "andromio" (Manel, no YouTube) em Xingando em nagô:

Ah, que maravilhosa canção!
Vocè explicou muito bem o significado da letra, o qual eu desconhecia.
Agradeço. Parabéns pelo blog.
PS.
Link para acessar onde eu canto este tema numa versão em catalão:
http://www.youtube.com/watch?v=LjIlbI8J858




No YouTube há também um videoclipe com a dupla Milli Vanilli cantando (força de expressão) em espanhol: Ni tongos ni milongues que jo votaré.

Milli Vanilli foi uma dupla de reggae e dance music formada em 1988, cujos integrantes eram o francês Fabrice "Fab" Morvan e o germano-americano Robert "Rob" Pilatus. O álbum de estreia da dupla alcançou altas vendas internacionalmente e os premiou com um Grammy de Melhor Artista Estreante em 1990. Entretanto, a carreira deles revelou-se uma fraude, tendo sido o prêmio revogado depois da revelação de que os supostos cantores não cantavam no disco. Wikipedia




A partir da década de 1970, restaurantes com o nome (parcial ou completo) do título desta canção de Toquinho e Vinicius foram abertos no Brasil. Como o "Kabuletê", na Praia do Futuro, em Fortaleza, a "Pizzaria Tonga da Mironga do Kabulete", em Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, e o "Tonga da Mironga do Kabuletê", em Boa Vista, Roraima.
No "Recanto das Letras", lê-se também um cordel inspirado no tema.
Ao lado: "Vininha"

10 outubro, 2021

Bohemian Rhapsody. A versão da Agência Espacial Europeia

Usando o tempo livre, um grupo de pessoas que trabalha no Centro de Operações Espaciais da Agência Espacial Européia fez uma versão curiosa da "Bohemian Rhapsody" do Queen.
Há participações estelares de Andrea Accomazzo e Matt Taylor ; as missões Éolo, BepiColombo, ExoMars Trace Gas Orbiter, Gaia, Galileo, MarsExpress e Meteron são mencionadas... Ah, sim, também há um certo Brian May por aí. Ele é doutor em astrofísica.



Localizadores de outras versões
- com Fred Mercury e a banda Queen (link externo)
- com o músico brasileiro Joe Penna
- com o físico Timothy Blais
- com uma impressora
- ilustrada com memes
- com boomwackers
- com Piano Phantom

07 dezembro, 2007

O Hino Nacional

Apresenta uma letra pouco assimilada pela maioria dos brasileiros. Em parte, por conter palavras de difícil uso, muitas das quais proparoxítonas (lábaro, impávido, fúlgidos, flâmula etc). Noutra, porque a letra de Duque Estrada, em sua estrutura sintática, emprega muito a ordem indireta.
Colocados na ordem direta, eis como os seus primeiros versos ficariam:


Bem mais compreensíveis do que são eles em sua versão oficial. Só que este “Novo Hino Nacional” não seria, digamos, tão cantável.

02 julho, 2007

O Homem de Vitrúvio

“O homem é a medida de todas as coisas”. Protágoras


Marcus Vitruvius (Vitrúvio) Polio foi um arquiteto e engenheiro romano que viveu no século I a.C. Deixou uma obra escrita que, por seus padrões de proporcionalidade e por seus princípios arquiteturais, serviu de fonte de inspiração a obras de muitos arquitetos medievais. Para ele, era missão da arquitetura refletir a exemplar regularidade do corpo humano
No Renascimento, com os seus escritos traduzidos para a língua italiana, ressurgiu o interesse pelos ensinamentos de Vitrúvio. E os dados antropométricos, por ele apresentados, foram desenhados por Leonardo da Vinci em seu célebre trabalho “L’Uomo di Vitruvio” (O Homem de Vitrúvio). Nessa ilustração (acima), as partes do corpo humano formam um conjunto de proporções que cabem num círculo, bem como num quadrado.

Fiz um slideshow com algumas das muitas versões que os artistas contemporâneos dão ao Homem de Vitrúvio. Abaixo.


23 junho, 2007

Descrição de um churrasco

Por uma mulher
O churrasco é a única coisa que um homem sabe cozinhar.
Quando um homem se propõe a realizar um, a cadeia de acontecimentos é a seguinte:
- A mulher vai ao supermercado comprar o que é necessário.
- A mulher prepara salada, arroz, farofa, vinagrete e sobremesa.
- A mulher tempera a carne e a coloca numa bandeja com os talheres, enquanto o homem está deitado próximo à churrasqueira, bebendo uma cerveja.
- O homem coloca a carne no fogo.
- A mulher vai para dentro de casa para preparar a mesa e verificar o cozimento dos legumes.
- A mulher diz ao marido que a carne está queimando.
- O homem tira a carne do fogo.
- A mulher arruma os pratos na mesa.
- Após a refeição, a mulher traz a sobremesa e lava a louça.
- O homem pergunta à mulher se ela apreciou não ter que cozinhar e, diante do ar aborrecido da mulher, conclui que elas nunca estão satisfeitas.
Por um homem (usando o direito de resposta)
- Nenhum "churrasqueiro", em sã consciência, iria pedir à mulher para fazer as compras para um churrasco, pois ela iria trazer cerveja Kaiser, um monte de bifes, asas de frango e uma peça de picanha de 4,8kg que o açougueiro disse ser "ótima", pois não conseguiu empurrar para nenhum homem.
- Salada, arroz, farofa, vinagrete e a sobremesa, ela prepara só para as mulheres comerem. Homem só come carne e toma cerveja.
- Bandeja com talheres? Só se for para elas. Homem que é homem come com as mãos.
- Colocar a carne no fogo? Tá louca? A carne tem que ir para a grelha ou para um espeto que, a propósito, tem que ser virado a toda hora.
- Legumes? Como eu já disse, só as mulheres comem isso num churrasco.
- Carne queimando? O homem só deixa a carne queimar quando a mulherada reclama: "não gosto de carne sangrando"; "isto está muito cru!”; "tá viva". Após a décima vez que você oferece o mesmo pedaço, que estava ao ponto uma hora antes, elas acabam comendo a carne tão macia quanto o espeto e tão suculenta quanto um pedaço de carvão.
- Pratos? Só se for para elas mesmas!
- Sobremesa? Só se for mais uma Skol!
- Lavar louça? Só usei meus dedos! (E limpei na bermuda), bermuda essa, que a mulher é que vai lavar!
Realmente, as mulheres nunca vão entender o que é um churrasco.
Fonte: Web

16 janeiro, 2007

Media in via


Media in via erat lapis
erat lapis media in via
erat lapis
media in via erat lapis.

Non ero unquam immemor illius eventus
pervivi tam mihi in retinis defatigatis.
Non ero unquam immemor quod media in via

erat lapis
erat lapis media in via
media in via erat lapis.

É a tradução para o latim, feita por Silva Bélkior, de um poema célebre cujo autor é brasileiro.
Abra os comentários desta postagem para conferir se identificou corretamente o texto poético que deu origem à tradução. E também para ver como ficou o mesmo poema, traduzido por Elizabeth Bishop, para o latim do futuro (o inglês).