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17 março, 2025

Como um soldado lidou com suas doenças na guerra

Roland Bartetzko
ex-membro do Exército de Libertação de Kosovo
Quando cruzei as montanhas entre Kosovo e Albânia, tive uma gripe forte. Não conseguia dormir, estava totalmente congestionado e até tive um pouco de febre.
Não havia médico nem paramédico, mas não importava. Nunca teria passado pela minha cabeça pedir ajuda médica a alguém.
Estávamos em uma pequena trilha na montanha onde pessoas que já haviam passado por ali haviam sido emboscadas ou pisado em minas antipessoais.
Eu estava preocupado em levar um tiro, e não com a febre,  a dor de cabeça ou com o ranho no nariz.
Uma vez em Kosovo, tive um caso muito ruim de diarreia. Eu não estava acostumado com a comida de lá e meu estômago se revoltou. Por quase dois meses, não consegui defecar normalmente; tudo o que saía do meu traseiro era um fluxo aquoso.
Foi tão ruim que senti inveja quando via que alguém havia deixado um dejeto "de verdade" no vaso sanitário. Fiquei pensando: "Será que algum dia conseguirei produzir algo firme e saudável como esse 'torpedo' marrom?"
Ficar com ciúmes das fezes dos outros, era assim que eu me sentia!
Eu fui ao médico? Claro que não. Eu me sentia mal, mas estava vivo. Eu não estava morrendo. Tentei me manter hidratado e, eventualmente, melhorei.
Outros soldados tiveram problemas semelhantes, alguns deles estavam até piores do que eu. Éramos todos jovens e geralmente em boa forma física, e pensávamos que a diarreia não nos mataria.
Estávamos certos. Todos nós sobrevivemos às nossas pequenas doenças, mas alguns de nós não sobreviveram à luta.
Afinal, havia uma guerra acontecendo! Enquanto não houver nada quebrado ou você estiver sangrando muito, você se cala e continua.
O Blog EM não se responsabiliza pelos autocuidados de um correspondente de guerra.

04 junho, 2018

A origem da palavra Abracadabra

Hoje esta palavra costuma ser usada como encantamento por mágicos de palco e, principalmente, por ilusionistas. Antigamente, porém, acreditava-se no poder de Abracadabra para a cura de febres e inflamações.
A primeira menção conhecida a Abracadabra foi feita no século II d.C. pelo médico e polímata Quintus Serenus, num poema chamado "De Medicina Praecepta" (em um tratado médico escrito em versos). Ao imperador romano Caracala, o médico prescreveu que o imperador usasse-a num amuleto para curar sua doença.
Ele usou como talismã um pedaço de papel, com a palavra ABRACADABRA escrita sobre ele, a qual se repetia com uma letra a menos na linha seguinte, até restar apenas o A.
Assim:

ABRACADABRA
ABRACADABR
ABRACADAB
ABRACADA
ABRACAD
ABRACA
ABRAC
ABRA
ABR
AB
A

A palavra em si já era considerada mágica, e no formato triangular, o amuleto teria muito mais poder. O triângulo era considerado a forma geométrica mais perfeita.
Na Roma antiga, era um método para combater a malária que, à época, não estava associada à picada de mosquitos, mas a demônios ou espíritos malignos. E a malária, que tem registros já no ano 450, teve sua própria deusa protetora: a deusa Febris .
A coisa não terminava aí: o médico recomendava enrolar o papel, envolvê-lo em um pano e pendurá-lo no pescoço por nove dias, após o que o enfermo teria que jogar o talismã sobre o ombro em um rio cuja corrente se movia para o leste.
A proteção era contra a malária e as febres pantanosas em geral. Mas se não funcionasse, o médico também tinha outra recomendação: ungir todo o corpo com gordura de leão. Embora não explicasse se o próprio enfermo tinha que matar o leão.
O que é certo é que, já no século XVII, não só protegia da malária, mas também de outras doenças . Daniel Defoe, autor de "Robinson Crusoé", conta em seu livro "The Year of the Plague" como os londrinos tentavam evitar a peste escrevendo a palavra Abracadabra nos linteis de suas portas a fim de que ela permanecesse fora de suas casas.
Há outras teorias sobre a origem desta palavra que um dia entrou no universo dos mágicos.
Abracadabra ganhou o sentido mais comum, ordinário, a partir do início do século 19 com os primeiros shows de ilusionismo que se tornaram bastante populares na França e na Inglaterra. Foi desta forma que ela ganhou a conotação que atualmente conhecemos.

https://www.grandesmedios.com/origen-abracadabra/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Abracadabra

14 julho, 2017

Cálculo / calcular

1
A origem dessas duas palavras está na palavra grega kalyx para seixos ou pedras pequenas. As manipulações de pedras pequenas em tábuas de contagem para fazer operações aritméticas conduziram aos significados matemáticos atuais de cálculo e calcular.
A raiz de cascalho ainda está presente no uso médico da palavra cálculo, o termo utilizado para designar formações pétreas de composições diversas (cálcio, colesterol, urato etc.) no organismo humano, em especial nas vias urinárias e biliares, e também nos animais, podendo causar enfermidades.
O nome para o elemento cálcio vem da mesma raiz. O prefixo "calci" geralmente está relacionado ao cálcio ou de alguma forma ao calcário.
VÍDEO
PEDRA NOS RINS c/ o Dr. Drauzio Varella
Ao contrário do que se pensa, não faz bem beber água quando se tem uma crise de cólica renal.
Fonte: Acta
2
Estudantes que penaram em um curso de cálculo podem apreciar o seguinte conto da Mathematical Apocrypha, de Steven Krantz:
Um matemático famoso estava voltando de uma viagem ao exterior e teve que passar pela alfândega. O funcionário da alfândega perguntou o que ele estava fazendo durante sua estada de uma semana. A resposta foi que ele havia participado de uma simpósio de matemática. O funcionário chamou então este homem para um canto e o deteve por um longo tempo com muitas e tediosas perguntas sobre exatamente onde ele estava e o que ele fazia em cada momento da viagem. O matemático continuava olhando nervosamente para o relógio, preocupado em que poderia perder uma conexão. E o funcionário da alfândega chegou ao ponto de perguntar a nosso amigo o que ele tinha jantado todos os dias. Nisso, o matemático ergueu as mãos e exclamou: "Por que você está fazendo isso comigo?" O funcionário sorriu e disse: "Ah, agora você já sabe como eu me sentia quando aprendia cálculos".
Fonte: Math Words
3

18 outubro, 2012

A toalha de mesa de Carlos Magno

Talvez o mais famoso usuário de amianto tenha sido o imperador Carlos Magno. Ele possuía uma toalha de mesa feita com essa substância e gostava de usá-la quando recebia convidados para comes e bebes. Então, ao final da noite, quando a toalha precisava ser limpa, ele a atirava ao fogo. O que acontecia com a toalha deixava os seus convidados impressionados.
Diz-se que Carlos Magno usava do truque para convencê-los de que tinha poderes sobrenaturais.
Outras culturas chegaram a fazer roupas a partir do amianto. Eram consideradas práticas pois podiam ser limpas através do fogo. Colocando-as nas chamas, as pessoas conseguiam retirar suas manchas. O viajante Marco Polo foi mostrado a essas roupas à prova de fogo, vindo com elas a informação de que eram feitas a partir da lã de uma salamandra.
Mas ele era menos crédulo do que os convidados de Carlos Magno.
Nota
Amianto é literalmente tão velho quanto as montanhas. Plínio, o Velho, descrevia-o como sendo um material inextinguível. Daí ter como sinônimo a palavra asbesto (de asbestinon, o que nunca se apaga). Devido a esta e a  outras propriedades físicas tornou-se um mineral muito utilizado em todo o mundo. No entanto, está na gênese de muitas doenças graves como a asbestose, o câncer de pulmão e o mesotelioma maligno. PGCS

03 março, 2011

Koro

Queixam-se alguns homens que seus pênis, quando flácidos, se apresentam retraídos para seus corpos. Isto pode ser uma consequência da obesidade. Devido à gordura púbica que, na referida situação, se for muito exuberante poderá ocultar o pênis flácido.

Koro
É o transtorno psicológico causado pelo receio dessa retração do pênis para o corpo. Enraizado na cultura de alguns países asiáticos, está associado com a crença de que determinados atos sexuais (tais como sexo com prostitutas, masturbação ou mesmo poluções noturnas) possam afetar o suposto equilíbrio yin/yang. O transtorno provoca pânico e medo de morrer em seus portadores.

28 outubro, 2010

Doenças respiratórias no Brasil. Pesquisa por entrevistas

Com o objetivo de levantar junto à população brasileira mais informações sobre o seu conhecimento acerca da saúde respiratória e dos males que a atingem, a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) encomendou uma pesquisa ao Instituto Datafolha. Na pesquisa realizada, foram entrevistados 2.242 brasileiros com 16 anos ou mais, em 143 municípios, sendo obedecidas as proporções de classes sociais, sexo, local de residência e escolaridade existentes hoje no país.
Logo no início, surgiram alguns dados alarmantes. Indagados sobre as doenças pulmonares que conheciam, 15 por cento não souberam citar uma única. E a média, entre os entrevistados, foi de 2,1 doenças conhecidas.
Depois, foi-lhes apresentada uma lista com os principais males que atingem o sistema respiratório: gripe e resfriado, asma, pneumonia, tuberculose, embolia pulmonar, câncer de pulmão, enfisema pulmonar, bronquite, rinite alérgica, hipertensão pulmonar, distúrbios do sono, DPOC e fibrose cística.
Eis, pelas frequências com que foram apontadas, as doenças mais conhecidas da população brasileira:
gripe e resfriado: 99%
asma: 96%
pneumonia: 96%
bronquite: 95%
tuberculose: 94%
câncer de pulmão: 90%
rinite alérgica: 72%
enfisema pulmonar: 58%
distúrbios do sono: 53%
Extraído do editorial do Boletim da SBPT (3º trimestre de 2010).

05 abril, 2010

Doenças respiratórias em números

As doenças respiratórias representam um grave problema de saúde pública no Brasil. Para enfatizar a importância delas, a Sociedade Brasileira de Pneumologia (SBPT), em seu último boletim (janeiro / março de 2010), divulga os seguintes números:
  • O Brasil é o 8º país no mundo em prevalência de asma. Aproximadamente 20 por cento dos brasileiros têm ou já tiveram algum sintoma da doença. Registram-se, a cada ano, quase 400 mil internações hospitalares por asma.
  • As doenças respiratórias são a 2ª maior causa de internações hospitalares, atrás apenas das gestações e partos. Pneumonia, asma e DPOC somadas representam 12 por cento das autorizações de internações hospitalares (AIHs) do Sistema Único de Saúde (SUS).
  • A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), que atinge cerca de 6 milhões de pessoas no Brasil, é a 5ª doença mais letal. Produz cerca de 30 mil mortes, anualmente.
  • Os distúrbios respiratórios são a maior causa de óbitos nas crianças menores de 1 ano e nos adultos com idade superior a 60 anos.
  • A cada ano, ainda surgem 80 mil casos novos de tuberculose no país. Esta doença é a 4ª causa de morte por doenças infecciosas em adultos e a 1ª em pacientes com AIDS.

03 setembro, 2008

Doenças raras

Para a National Organization for Rare Disorders, a NORD, doença rara é a que afeta menos de 200 mil pessoas nos Estados Unidos da América. Como existem, segundo este critério da NORD, mais de 6 mil enfermidades raras nos Estados Unidos, elas afetam em conjunto aproximadamente 25 milhões de norte-americanos.
Visitando o site da NORD, o interessado pode encontrar informações a respeito de 1.150 dessas doenças consideradas incomuns. Como também clicar em links que o conduzirão a sites referenciados de organizações governamentais e não governamentais, sociedades médicas, centros de pesquisas, fundações, bancas de advocacia, associações de pacientes e/ou de seus familiares.

Referência: www.rarediseases.org

13 junho, 2007

Poluição atmosférica urbana

A degradação do ar pela poluição influi, de forma negativa, na qualidade de vida dos habitantes das cidades. Em ocasiões, quando principalmente se associa a condições climáticas críticas, pode inclusive assumir aspectos dramáticos. Por aumentar o adoecimento e a mortalidade relacionadas com enfermidades cardiorrespiratórias, naqueles que estão expostos à poluição atmosférica urbana.
Eis os exemplos mais conhecidos:
Em dezembro de 1930, no Vale do Meuse, uma região da Bélgica, onde havia uma grande concentração de indústrias que utilizavam fornos de carvão e gasogênio, em um período de cinco dias sob condições climáticas desfavoráveis para a dispersão dos poluentes atmosféricos, aconteceu um grande aumento de doenças e mortes por patologias respiratórias. Estas últimas se situaram num patamar dez vezes maior em relação ao dos anos anteriores.
Em janeiro de 1931, em Manchester, Inglaterra, durante nove dias de condições climáticas desfavoráveis, morreram 592 pessoas. Um número também muito superior ao da média histórica da cidade.
Em 1948, em Donora, EUA, uma pequena cidade com grande número de siderúrgicas e fábricas de produtos químicos, uma inversão térmica que produziu uma alta concentração de poluentes sobre a cidade, ocasionou sintomas de doenças cardiorrespiratórias na metade da população local. Registraram-se também 20 mortes, durante os seis dias em que aconteceu esse fenômeno de inversão térmica.
Em dezembro de 1952, em Londres, Inglaterra, ocorreu o mais grave episódio de efeitos nocivos da poluição aérea. A queima de grande quantidade de carvão nos lares londrinos, para enfrentar uma onda de frio de cinco dias, associada a uma inversão térmica, produziu localmente uma densa névoa de material particulado e enxofre. E isso ocasionou um aumento de quatro mil mortes, com relação à média de óbitos em períodos semelhantes, sendo a maioria delas em portadores de bronquite crônica, enfisema pulmonar e doença cardíaca.