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24 março, 2025

O caso mais famoso de Robert Liston

Embora o livro "Great Medical Disasters", de Richard Gordon (1983), preste homenagem a aspectos do caráter e ao legado de Liston, conforme observado em outras partes deste artigo, é a descrição de alguns dos seus casos mais famosos que abriu caminho principalmente para o que é conhecido sobre Liston na cultura popular.

Gordon descreve o que ele chama de o caso mais famoso de Liston em seu livro, conforme citado abaixo.
Estava Liston tão concentrado com a velocidade daquela amputação (dois e meio minutos) que ele, acidentalmente, cortou os dedos de seu assistente junto com a perna do paciente. E, quando ele voltou a empunhar a faca, acidentalmente cortou a aba do casaco de um espectador, que desmaiou no local.
Mais do que um simples desmaio, o espectador morreu a seguir de choque. Quanto ao paciente e ao assistente, como geralmente acontecia naqueles tempos pré-Listerianos, ambos faleceram de gangrena infecciosa nas enfermarias do hospital.
As três mortes tornaram a operação de Liston "a única com uma taxa de mortalidade de 300%". 
Mas, como nenhuma fonte primária a confirma, é possível que essa cirurgia não tenha acontecido.
Fontes
http://en.wikipedia.org/wiki/Robert_Liston
http://pt.quora.com/Qual-cirurgia-por-se-s%C3%B3-teve-a-maior-taxa-de-mortalidade (imagem)
http://www.theatlantic.com/health/archive/2012/10/time-me-gentlemen-the-fastest-surgeon-of-the-19th-century/264065/

21 outubro, 2022

Espelhos mágicos - 2

2 de 3
Pesquisadores descobriram que um "espelho espiritual" usado por John Dee, famoso conselheiro político da rainha Elizabeth I, foi fabricado no México asteca há cerca de 500 anos. A descoberta publicada no periódico "Antiquity" reforça a hipótese de que o espelho tenha sido usado pelo ocultista elizabetano em suas tentativas de comunicação com os anjos.
Além de conselheiro na corte da rainha do século 16, Dee foi um talentoso alquimista, astrólogo, cartógrafo e matemático. Alguns acreditam que ele pode ter servido de inspiração para o personagem Próspero, um mágico da peça "A Tempestade", de Shakespeare.
Pesquisadores usaram um scanner portátil de fluorescência de raios-X para examinar o espelho de John Dee, bem como três outros objetos de obsidiana — dois espelhos circulares quase idênticos e uma placa retangular polida — adquiridos pelo Museu Britânico de colecionadores no México nos anos 1800.
Os astecas tinham uma tradição de fazer espelhos de obsidiana para fins mágicos, afirma Stuart Campbell, arqueólogo da Universidade de Manchester e principal autor do estudo mais recente. Espelhos circulares de obsidiana são retratados em códices astecas produzidos logo após o período da conquista espanhola no início do século 16 e em representações da divindade Tezcatlipoca ("Espelho Fumegante"), que possuía poderes de adivinhação. Os astecas acreditavam que os espelhos podiam exibir uma fumaça, que então se dissiparia para revelar uma época ou lugar distante.
Registros mostram que vários espelhos astecas foram enviados do México para a Europa logo após Hernán Cortés e suas tropas tomarem a capital asteca de Tenochtitlan, em 1521. E, como os astecas, os europeus da época também acreditavam nos poderes mágicos dos espelhos. Foi possivelmente essa crença que levou John Dee a tentar se comunicar com os anjos através do espelho espiritual.
A reputação de Dee como um protocientista elisabetano continua inabalada no Reino Unido (ele é o tema de uma ópera composta pelo vocalista da banda Blur, Damon Albarn, por exemplo). A figura de John Dee está relacionada a vários relatos históricos da época.
"Você pode estar lendo algo onde não espera encontrá-lo, então o nome de John Dee aparece de repente”, diz Campbell. “Dee teve envolvimento em diversas áreas e em fases iniciais de muitas experiências diferentes também no mundo natural."
Ilustração. Os códices astecas, como o Codex Tepetlaoztoc do século 16 mostrado aqui, são representações de espelhos de obsidiana. Os antigos mesoamericanos acreditavam que tais espelhos poderiam servir como portais para mundos espirituais.

Extraído de: Espelho ‘mágico’ da corte elizabetana tem origem mística asteca, por Tom Metcalfe, National Geographic

31 agosto, 2021

Falhas na segurança do Palácio de Buckingham (1)

Desde que o Palácio de Buckingham se tornou a principal residência da monarquia britânica, existem relatos de brechas em sua segurança.
O inacreditável aconteceu logo em 1837, o ano em que a rainha Vitória foi viver no palácio, quando um rapaz de 12 anos conseguiu viver mais de um ano no edifício sem o conhecimento dos lacaios.  Escondia-se nas chaminés, ficando pretos os panos onde dormia, e só foi apanhado em dezembro de 1838, o que originou muitas criticas no parlamento a propósito da segurança real.
"The Mudlark", uma novela de 1949 escrita pelo americano Theodore Bonnet, baseia-se vagamente nesta história de meninos de rua que sobreviviam vasculhando o lixo nas margens do Tâmisa.. Em 1950, fez-se um filme baseado no livro. 
Sinopse
Um jovem moleque de rua, meio faminto e sem-teto, encontra um camafeu contendo a imagem da Rainha Vitória. Não a reconhecendo, é informado que ela é a "mãe de toda a Inglaterra". Tomando a observação literalmente, ele viaja para o Castelo de Windsor para vê-la. Quando o menino é pego pelos guardas do palácio, ele é erroneamente considerado parte de uma conspiração de assassinato contra a rainha. O primeiro-ministro Benjamin Disraeli percebe que o menino é inocente e implora por ele no Parlamento, fazendo um discurso que critica indiretamente a rainha por haver se retirado da vida pública. A rainha fica furiosa com o discurso, mas se comove genuinamente ao conhecer o menino e decide retornar para a vida pública.
Trailer: http://youtu.be/fyLtiuIHsGc

07 outubro, 2020

Memória pictórica dos elefantes na Europa


Os romanos trouxeram elefantes para a Inglaterra durante suas invasões no primeiro século da era cristã, mas depois disso, mais de mil anos se passaram antes que outro elefante fosse realmente visto por pessoas na Grã-Bretanha - - ou na maior parte da Europa. Mas os viajantes trouxeram histórias que os artistas tentaram ilustrar. Para sua tese de mestrado na Universidade de Artes de Berlim, Uli Westphal criou uma árvore taxonômica dessas ilustrações chamada Elephas anthropogenus. Foi publicado mais tarde no Zoologischer Anzeiger - A Journal of Comparative Zoology.
"Como não havia um conhecimento real de como esses animais realmente pareciam, os ilustradores tiveram de confiar em descrições orais e escritas para reconstruir morfologicamente um elefante, reinventando a imagem de uma criatura com existência remota. Isso levou, na maioria dos casos, a ilustrações nas quais as principais características dos elefantes - como tromba e presas - ainda são visíveis, mas que no geral se desviam da aparência real desses animais. Nesse processo, o conhecimento zoológico sobre os elefantes foi substituído por seu significado cultural. Com base em uma coleção dessas imagens, reconstruí a evolução do 'Elephas anthropogenus', o homem feito elefante." ~ Uli Westphal
O gráfico interativo de Westphal está publicado aqui. Clique em um elefante para ver seu desenho ampliado.


09 maio, 2020

Uma nova heroína

Uma nova obra de arte de Banksy apareceu no Hospital Geral de Southampton.
A pintura em grande parte monocromática, de um metro quadrado, foi pendurada em um vestíbulo perto do departamento de emergência.
Ela mostra um garoto ajoelhado perto de uma cesta de lixo, vestindo macacão e camiseta.
O garoto descartou seus brinquedos de Homem-Aranha e Batman em favor de uma nova heroína de ação  - uma enfermeira do NHS.
O braço da enfermeira está estendido e apontando para a frente, à moda de um super-herói em uma missão.
Ela está usando uma máscara, uma capa e um avental de enfermeira com o emblema da Cruz Vermelha (o único elemento de cor na foto).
Bansky deixou um bilhete para os funcionários do hospital, que diz:
"Obrigado por tudo que vocês estão fazendo. Espero que isso ilumine um pouco o local, mesmo que seja apenas em preto e branco".
A pintura permanecerá no Hospital Geral de Southampton até o outono, quando será leiloada para arrecadar dinheiro para o NHS.

NHS: National Health Service, o Serviço de Saúde Nacional do Reino Unido

+ Banksy: Steve Jobs grafitado e Arte picotada

20 fevereiro, 2020

Circular-assinado

Em 1627, um grupo de marinheiros ingleses resolveu se queixar do comandante do navio às autoridades superiores. Mas, tecnicamente, isso equivalia a tomar parte de um motim, o que era punível com pena de morte.
A solução foi criar um documento redondo (sinônimo: pisco de peito vermelho; em inglês: round-robin). Com este formato, foi possível que todos os reclamantes (76) assinassem a petição, já que o documento ocultava  a identificação de quem o havia assinado primeiro.
O documento original faz parte da coleção Arquivos Nacionais do Reino Unido.

21 janeiro, 2020

Escaladas

Em 2005, a Baldwin Street, em Dunedin, Nova Zelândia, foi considerada a rua mais íngreme do mundo.
Em julho de 2019, essa rua perdeu a supremacia. O Guinness World Records certificou que a Ffordd Pen Llech, na cidade costeira de Harlech, no País de Gales, tem uma inclinação de 37,45%, – mais de 2 pontos percentuais do que a Baldwin.
O empresário e historiador de arquitetura Gwyn Headley disse à Associated Press que ficou em estado de júbilo. O britânico sente pena também da Nova Zelândia, porém "mais íngreme é mais íngreme".


06 novembro, 2019

Britânicos invadiram nove em cada dez países

A análise das histórias de 192 países do mundo encontrou apenas 22 que nunca sofreram uma invasão dos ingleses. Esta análise está contida em um livro, "All the countries we've ever invaded: and the few we never got round to" ("Todos os países que nós já invadimos: e os poucos que nós nunca conseguimos").
Stuart Laycock, o autor, trabalhou ao redor do mundo, pesquisando a história dos países para estabelecer se, a qualquer momento, eles experimentaram uma incursão da Grã-Bretanha. Apenas uma proporção comparativamente pequena do total da lista de Estados invadidos de Laycock constituía uma parte oficial do império britânico.
O restante foi incluído porque se descobriu que os britânicos exerceram algum tipo de presença militar no território - ainda que transitório - seja por força, ameaça de força, negociação ou pagamento.
Incursões de piratas britânicos, corsários ou exploradores armados também foram incluídas, desde que operadas com a aprovação de seu governo.
"Outros países poderiam escrever livros semelhantes - mas eles seriam muito mais curtos. Não acho que nenhum poderia igualar a isso, embora os americanos tenham começado mais tarde e estivessem trabalhando duro no século XX", diz Laycock. "A única outra nação que alcançou algo que se aproxima do total britânico foi a França - que também detém o infeliz registro de ter sido a que mais sofreu invasões britânicas."


Os países nunca invadidos pelos ingleses:
Andorra, Belarus, Bolívia, Burundi, República Centro-Africana, Chade, República do Congo, Guatemala, Costa do Marfim, Quirguistão, Liechtenstein, Luxemburgo, Mali, Ilhas Marshall, Mônaco, Mongólia, Paraguai, São Tomé e Príncipe, Suécia, Tajiquistão, Uzbequistão e Cidade do Vaticano.

09 outubro, 2019

A figura excepcional de Halley

No decorrer de uma carreira longa e produtiva, o inglês Edmond Halley (1656, Haggerston - 1742, Greenwich) foi capitão de navio, cartógrafo, professor de geometria na Universidade de Oxford, vice-tesoureiro da Casa da Moeda Real, astrônomo real, editor de Isaac Newton e inventor do sino de imersão. Ele escreveu com autoridade sobre magnetismo, marés e os movimentos dos planetas e, afetuosamente, sobre os efeitos do ópio. Inventou o mapa do tempo e a tabela atuarial, propôs métodos para calcular a idade da Terra e sua distância do Sol, chegou a conceber um método prático para manter frescos os peixes fora da estação. 
Breve história de quase tudo, Bill Bryson

O interessante é que a única coisa que ele não fez foi descobrir o cometa que viu em 1682Esse cometa, que só recebeu o nome de Halley em 1758 (dezesseis anos após sua morte), era o mesmo que outros haviam visto em 1066, 1145, 1222, 1301, 1378, 1456, 1531 e 1607.
Contudo, no aparecimento de 1682, ele previu o retorno do cometa em 1758.

Slideshow ENCONTRO MARCADO

06 maio, 2019

Relógios de 24 horas

A imagem ao lado é do curioso relógio que se encontra na contra-fachada da Catedral Santa Maria del Fiore, conhecida mundialmente como o Duomo de Florença. Trata-se de um relógio feito por Lorenzo di Benvenuto della Volpaia , com quatro bustos de profetas (ou, segundo alguns historiadores, dos 4 evangelistas), afrescados por Paolo Uccello, no ano de 1443.
Alguém já viu um relógio funcionar em sentido anti-horário? Pois é, o relógio de Florença, sim! O mais curioso é que ele funciona com a hora itálica, ou seja, a hora que era utilizada em Florença até meados do ano de 1700 e que foi alterado pelo atual sistema que conhecemos hoje, somente com a chegada de Napoleão na Península Itálica.
Extraído de O curioso relógio Duomo de Florença, de Cris de Oliveira. In: Notícias da Bota

N. do E.
O relógio do Duomo de Florença não só gira em sentido anti-horário como também é um relógio de 24 horas. Este pode ser o relógio mecânico mais antigo do mundo que atende as ambas condições. Além disso, é um relógio de um só ponteiro (que mostra apenas a hora).
Há outro relógio de 24 horas muito mais moderno, no Portão Shepherd do Observatório Real de Greenwich. Construído e instalado por Charles Shepherd, em 1852, este relógio move os ponteiros no sentido padrão, isto é, no sentido horário. [PGCS]

Ver também: O relógio reverso.

09 outubro, 2018

O Penny Black

O Penny Black foi o primeiro selo do mundo usado em um sistema postal público. Foi publicado pela primeira vez na Grã-Bretanha, em 1º de maio de 1840, mas não entrando em circulação até 6 de maio. Possui um perfil da Rainha Vitória.
Em 1837, as taxas postais britânicas eram altas, complexas e anômalas. Para simplificá-las, Sir Rowland Hill propôs um selo adesivo como forma de indicar o pré-pagamento da postagem. Na época, era normal que o destinatário pagasse pela correspondência na entrega, de acordo com a distância percorrida.
O retrato de Vitória permaneceu nos selos britânicos até a sua morte em 1901, aos 81 anos. Todos os selos britânicos ainda têm um retrato ou silhueta do monarca em algum lugar da estampa. Eles são os únicos selos postais no mundo que não indicam um país de origem: a imagem do monarca simboliza o Reino Unido.
(extraído de: https://en.wikipedia.org/wiki/Penny_Black)

No Preblog: DR. CARTA PÁCIO E O SISTEMA DE TARIFAÇÃO DAS CARTAS

26 julho, 2018

Onze dias "perdidos"

"Dê-nos nossos onze dias!". Os tumultos do calendário inglês de 1752
Os onze dias aqui referidos são os 11 dias "perdidos" de setembro de 1752, quando a Grã-Bretanha mudou do calendário juliano para o calendário gregoriano, aproximando o país da maior parte da Europa.
O calendário gregoriano é o calendário internacional de hoje, com o nome do homem que primeiro o apresentou em fevereiro de 1582, o papa Gregório XIII. (*)
Antes de 1752, a Grã-Bretanha e seu Império seguiram o calendário juliano, implantado por Júlio César em 46 a.C. No entanto, este calendário tinha um erro de 1 dia incorporado a cada 128 anos, devido a um erro de cálculo do ano solar em 11 minutos. Isso afetava a data da Páscoa, tradicionalmente observada em 21 de março, com a data a se afastar do equinócio da primavera a cada ano que passava.
Para superar esse problema, o calendário gregoriano foi apresentado. Este é um calendário solar, com base em um ano de 365 dias dividido em 12 meses. Cada mês consiste em 30 ou 31 dias com um mês, fevereiro, que consiste de 28 dias. Um ano bissexto adiciona a cada 4 anos um dia extra a fevereiro, que fica com 29 dias.
Os primeiro a adotarem o novo calendário (em 1582) foram a França, Itália, Polônia, Portugal e Espanha. A Turquia foi o último país a mudar oficialmente para o novo sistema, em 1º de janeiro de 1927.
A Lei do Calendário de 1750 introduziu o calendário gregoriano no Império britânico, aproximando a Grã-Bretanha da maior parte da Europa Ocidental.
A sua introdução não foi imediata. Isso significou que o ano de 1751 foi um ano curto, que durou apenas 282 dias a partir de 25 de março (ano novo no calendário juliano) até 31 de dezembro. O ano de 1752 começou em 1º de janeiro.
Permaneceu o problema de alinhar o calendário em uso na Inglaterra com o que estava em uso na Europa. Era necessário corrigi-lo em 11 dias: os "dias perdidos". Foi decidido que a quarta-feira, 2 de setembro de 1752, seria seguido pela quinta-feira, 14 de setembro de 1752.
As reivindicações de uma agitação civil que exigiam "Dê-nos nossos onze dias" podem ter surgido de uma interpretação errada de uma pintura contemporânea de William Hogarth. Sua pintura de 1755, intitulada "Um entretenimento eleitoral", referia-se às eleições de 1754 e retrata um jantar de taberna organizado por candidatos Whig. Um banner roubado da campanha Tory, com o slogan "Dê-nos nossos onze dias", pode ser visto na pintura.
A mudança do calendário foi, de fato, uma das questões debatidas na campanha eleitoral de 1754 entre os Whigs e os Tories.
Também é verdade que quando o governo britânico decidiu alterar o calendário e ignorar esses 11 dias, muitas pessoas acreditaram erroneamente que suas vidas seriam reduzidas em 11 dias. As pessoas também se mostraram desconfiadas com a movimentação dos dias de santos e dos dias sagrados, incluindo a data da Páscoa.
No entanto, a maioria dos historiadores atualmente acredita que esses protestos nunca aconteceram. Você poderia dizer que os manifestantes do calendário foram o equivalente georgiano de um mito urbano.
Nem todos ficaram descontentes com o novo calendário. De acordo com WM Jamieson, em seu livro "Murders Myths and Monuments of North Staffordshire", há um conto sobre um William Willett de Endon. Sempre interessado em fazer piada, ele apostou que poderia dançar sem parar por 12 dias e 12 noites. No início da noite de 2 de setembro de 1752, ele começou a saracotear em sua aldeia e assim continuou durante toda a noite. Na manhã seguinte, 14 de setembro, pelo novo calendário, ele parou de dançar e reivindicou o recebimento de suas apostas!

Ben Johnson, HISTORIC UK

N. do E.
(*) Curiosidade - O calendário gregoriano foi, na verdade, proposto por Aloysius Lilius, um médico de Nápoles.
Ver também: Uma longa noite de morte, mas não necessariamente de agonia.

07 junho, 2018

A morte de Alan Turing

Alan Turing (23 de junho de 1912 — 7 de junho de 1954) foi um matemático e cientista da computação britânico. Foi influente na formalização do conceito de algoritmo e no desenvolvimento da ciência da computação, desempenhando um papel importante na criação do computador moderno. Ele também foi pioneiro na inteligência artificial e ficou conhecido como o Pai da Computação.
Durante a Segunda Guerra Mundial, Turing trabalhou para a inteligência britânica em Bletchley Park, num centro especializado em quebra de códigos. Por um tempo ele foi chefe do Hut 8, a seção responsável pela criptoanálise da frota naval alemã. Planejou uma série de técnicas para quebrar os códigos alemães, incluindo o método da bomba eletromecânica para encontrar definições para a máquina Enigma.
Como homossexual declarado, no início dos anos 1950 foi humilhado em público, impedido de acompanhar estudos sobre computadores e, julgado por "vícios impróprios", foi condenado a terapias que equivaliam à castração química. [1]
Em 8 de junho de 1954, um criado de Turing encontrou-o morto, o que tinha ocorrido no dia anterior em sua residência. Um exame post-mortem estabeleceu que a causa da morte foi envenenamento por cianeto. Quando seu corpo foi descoberto, uma maçã estava meio comida ao lado de sua cama, e embora a maçã não tenha sido testada quanto ao cianeto, especula-se que este foi o meio pelo qual uma dose fatal foi ingerida. Um inquérito determinou que ele tinha cometido suicídio, havendo o seu corpo sido então cremado.
A mãe de Turing argumentou com veemência que a ingestão fora acidental, causada pelo armazenamento descuidado de seu filho de produtos químicos de laboratório. O biógrafo Andrew Hodges sugere que Turing pode ter se matado deliberadamente de forma bastante ambígua para dar à sua mãe alguma negação plausível. Outros sugerem que Turing estaria encenando uma cena do filme Branca de Neve, de 1937, seu conto de fadas favorito, salientando que ele tinha "um prazer especialmente mordaz na cena em que a bruxa malvada mergulha a maçã na poção venenosa".
Jack Copeland defende que a morte pode ter sido acidental como resultado de inalação de vapores de cianeto durante uma experiência química conduzida no improvisado laboratório que tinha em casa e onde já anteriormente sofrera acidentes por descuido. O mesmo autor afirma que - contrariamente ao que se tem afirmado - profissionalmente o trabalho lhe corria bem, que andava alegre e que interagia socialmente com normalidade e boa disposição. Constata que a maçã encontrada à cabeceira não foi testada laboratorialmente para determinar a presença de cianeto, que os níveis do veneno no organismo eram uniformes, portanto mais compatíveis com a inalação lenta do que com a ingestão. Conclui, deste modo, que a investigação foi mal conduzida e precipitada e que os elementos disponíveis não indiciam necessariamente que a causa da morte seja suicídio. WIKI
N. do E.
[1] Em 2009, após uma campanha de internet, o primeiro-ministro britânico Gordon Brown fez um pedido oficial de desculpas público, em nome do governo britânico, devido à maneira pela qual Turing foi tratado após a guerra. Em 2013, Alan Turing recebeu o perdão real da rainha Elizabeth II de sua condenação por homossexualidade.
[2] Anos depois, para honrar Turing, os desenvolvedores da Apple Computers usaram o símbolo de uma maçã com uma mordida no logotipo. A última parte, sobre o logotipo da Apple, parece não ser verdade, mas é uma ótima história e uma boa desculpa para contar aos alunos sobre o trabalho de Turing ... então eu conto. Pat Ballew, Pat´s Blog

19 maio, 2018

O CASAMENTO PRINCIPAL. Traje dos convidados

Com a hora do casamento do príncipe Harry com Meghan Markle  se aproximando, é oportuno lembrar que há um detalhe, muito peculiar às tradições da família real britânica, a ser  literalmente seguido como manda o figurino: o traje específico indicado para a cerimônia.
O traje que os convidados deverão usar no casamento real foi explicitado no convite da cerimônia, contempla as tradições britânicas e se adapta ao horário da cerimônia. O casamento está marcado para o meio-dia do sábado, 19 de maio, seguido de um almoço de recepção.
Traje para os homens
Para os homens, há três opções: uniforme (caso o convidado tenha algum cargo militar), fraque (o chamado "morning coat") ou terno (o chamado "lounge suit"), que pode ser usado tanto nas cerimônias diurnas quanto nas noturnas.
Traje para as mulheres
Já para as mulheres, a moda dos vestidos combinando com os chapéus extravagantes foi preservada, pois o convite apenas indica que as convidadas estejam com "vestido para o dia e chapéu". Tradução: elas vão repetir a fórmula usada no CASAMENTO PRINCIPAL do príncipe William com Kate Middleton, em 2011.


21/05/2018 - Atualizando ...
Parabéns do blog EM a Kate Middleton. Ela foi a esta cerimônia com o vestido que já usou em três oportunidades anteriores. Lembrando a todos que existe algo conhecido pelo nome de máquina de lavar. Lavou, tá limpo.

02 agosto, 2017

Churchill e a Bomba

Winston Churchill era muito interessado em ciência e, muitas vezes, escrevia para leigos sobre assuntos científicos. Em 1933, ele presidiu uma conferência sobre as descobertas atômicas no Laboratório Cavendish, em Cambridge. Nesta ocasião, seu amigo e cientista Frederick Lindemann, disse a seu respeito:
"Todas as qualidades ... do cientista se manifestam nele. A prontidão para enfrentar as realidades, embora contradigam uma hipótese favorita, o reconhecimento de que as teorias são feitas para os fatos (não os fatos para atender às teorias), o interesse pelos fenômenos e o desejo de explorá-los, e acima de tudo a convicção subjacente de que o mundo não é apenas um mistério de acontecimentos, mas que deve haver alguma unidade maior."
Graham Farmelo, "Churchill's Bomb"

Talvez nenhum desenvolvimento científico tenha moldado o curso da história moderna tanto quanto o aproveitamento da energia nuclear. No entanto, o século XX poderia ter-se revelado de forma diferente se a maior influência sobre esta tecnologia tivesse sido exercida pela Grã-Bretanha, cujos cientistas estavam na vanguarda da investigação sobre armas nucleares no início da Segunda Guerra Mundial. Como o biógrafo premiado e escritor de ciência Graham Farmelo descreve em Churchill's Bomb que os britânicos se propuseram a investigar a possibilidade de construir armas nucleares antes de seus colegas americanos. Mas, quando os cientistas britânicos descobriram pela primeira vez uma maneira de construir uma bomba atômica, o primeiro-ministro Winston Churchill não tirou o partido da liderança do seu país e demorou a perceber as implicações estratégicas da bomba. Isso era estranho - ele se orgulhava de reconhecer o potencial militar da nova ciência e, nas décadas de 1920 e 1930, havia repetidamente aventado que as armas nucleares provavelmente seriam desenvolvidas em breve. No desenvolvimento da bomba, entretanto, marginalizou alguns dos cientistas mais brilhantes de seu país, escolhendo confiar principalmente no conselho de seu amigo Frederick Lindemann, um físico de Oxford com o discernimento por vezes incorrigível. Churchill também não conseguiu aproveitar a oferta de Franklin Roosevelt para trabalhar em conjunto no projeto da bomba atômica e, em última instância, cedeu a iniciativa da Grã-Bretanha aos americanos, cujo desenvolvimento bem-sucedido desse projeto colocou os Estados Unidos em uma posição de vantagem no alvorecer da era nuclear. Depois da guerra, o presidente Truman e seu governo recusaram-se a reconhecer um acordo secreto de cooperação forjado por Churchill e Roosevelt e deixaram a Grã-Bretanha fazer seu próprio caminho de desenvolvimento nuclear. Aterrorizado com a possibilidade de uma guerra termonuclear, Churchill emergiu como pioneiro da distensão nos primeiros estágios da Guerra Fria.

A BOMBA
Só músculos, a bomba é capaz de não deixar uma xicrinha sobre pires nesta loja de louças chamada Terra. (Paulo Gurgel)

14 julho, 2017

Nelson e sua habilidade de ignorar ordens

 "Insubordinação só pode ser evidência de uma mente forte." - Napoleão Bonaparte (1817)

Horatio Nelson tem sido frequentemente chamado de melhor marinheiro da Grã-Bretanha. Além de sua capacidade inigualável para motivar aqueles que estavam sob seu comando, ele era um bruxo no campo da tática. Nelson não deixava que pequenos detalhes, como "ordens de seus superiores", o constrangessem. E, por não obedecer ordens, ele foi capaz de vencer batalhas críticas. A batalha de Copenhague é um exemplo disso.
Em 1801, os britânicos estavam lutando uma batalha crucial contra a Dinamarca. O Almirante Sir Hyde Parker era o comandante das forças britânicas. Vendo-se impossibilitado de tirar os navios de maior porte do alcance do inimigo – por causa das águas rasas, Parker enviou Nelson, seu segundo em comando, à frente com os navios mais leves. E, quando Parker achou que as coisas estavam indo mal, ele enviou o sinal de retirar-se.
Uma das formas preferidas de Nelson para não seguir ordens, e assim, ganhar batalhas críticas, era sua habilidade incomparável de não ver as mensagens indesejadas.
De acordo com testemunhas, quando Nelson viu o sinal voltou-se para Thomas Foley, seu substituto imediato, e disse: "Você sabe, Foley, eu tenho apenas um olho. Eu tenho o direito de ser cego, às vezes". Ele então transferiu sua luneta para o olho cego e concluiu: "Eu realmente não vejo o sinal". Você, provavelmente, já ouviu a expressão "fechar os olhos" (com o fim de não tomar conhecimento de algo óbvio). Se você já se perguntou de onde veio, ela veio de Horatio Nelson e sua habilidade de ignorar ordens.

10 Military Victories Achieved by Not Following Orders, TOPTENZ

11 maio, 2017

Para estrangeiro ver

Às vésperas do lançamento nos cinemas do filme Rei Arthur - A Lenda da Espada, distribuído pela Warner Bros. Pictures, começamos a nos perguntar: quem foi esse homem misterioso? A figura elusiva do Rei Arthur é mencionada em histórias medievais e sagas poéticas, travando batalhas contra invasores saxões, acompanhado da figura mística de Merlin.
Embora seja difícil dizer com certeza o que é verdade e o que é lenda, a Grã-Bretanha está repleta de locais que ocupam lugar de destaque na história do Rei Artur.
Segundo a lenda arturiana, o Rei Artur foi concebido no castelo de Tintagel, no alto de um penhasco na região da Cornualha, como resultado de um truque de mágica. Uther Pendragon, pai de Artur, se apaixonou por Igraine, esposa de Gorlois, Duque da Cornualha (aquele que se perdeu pelo título nobiliárquico). Para chegar até Igraine, Uther pediu ao mago Merlin para usar sua magia para criar um disfarce que o fizesse parecer com o Duque. Em seu disfarce, Uther conseguiu passar pelos guardas e entrar nos aposentos de Igraine.
Tintagel hoje é uma série de ruínas espetaculares exploradas por visitantes que procuram de indícios de magia. Além de ter uma magnífica caverna do mar, entre as rochas abaixo do castelo, que também é conhecida como Caverna do Merlin. Embora não haja qualquer evidência da existência de Merlin – além de menções em certos manuscritos medievais – a caverna com certeza tem algo de mágico e encantador!

Extraído de: www.visitbritain.com/br

27 março, 2017

A ponte como metáfora para a rainha

Os planos incrivelmente detalhados a serem postos em prática assim que for declarada morta a rainha Elizabeth II. A ideia é que nada fique fora do previsto.

"LONDON BRIDGE IS DOWN"
imagem: Alex Scrivner
tl;dr
= muito longo, não li.

03 março, 2017

Um lugar de honra para Michael

1
Em 1813, Michael Faraday foi nomeado para a Royal Institution como assistente químico de Humphry Davy, a quem sucedeu como Professor de Química em 1820. Desde a idade de 14 anos, em 1805, quando era um aprendiz de encadernador, que Faraday se interessava por ciência. Em 1810, ingressou na City Philosophical Society para participar de palestras e discutir assuntos científicos. O ponto de viragem em sua vida aconteceu em 1812. Um cliente da loja de encadernação deu-lhe quatro bilhetes para ouvir umas palestras de Humphry Davy na Instituição Real. Fascinado pelos tópicos científicos abordados, Faraday tomou notas, que ele levou consigo mais tarde para mostrar a Davy, quando pedia a ele uma posição. Davy o entrevistou, mas não houve abertura naquela momento. Quando uma vaga finalmente ocorreu, em 1813, Davy recordou-se de Faraday e este foi contratado.
http://pballew.blogspot.com.br/2017/03/on-this-day-in-math-march-1.html#links
2
Em 1844, Michael Faraday foi enviado como comissários do governo para realizar um inquérito sobre uma explosão com mortes em uma mina de carvão em Haswell.
Faraday interrogou as testemunhas. Entre muitas indagações, ele perguntou como a taxa de fluxo das correntes de ar era medida.
Em resposta, um inspetor tomou uma pitada de pólvora de uma caixa, como se fosse rapé, e deixou-a cair através da chama de uma vela. Um companheiro, com um relógio, observou o tempo que a fumaça levava para percorrer uma determinada distância e anunciou o resultado.
O cientista deu-se por satisfeito. Mas, comentou sobre o manuseio descuidado da pólvora, e perguntou onde ela ficava guardada.
"Em um saco, firmemente amarrado", foi a resposta.
"Sim, mas onde vocês mantêm o saco?"
"Você está sentado nele", responderam.
Não havia cadeiras no local. E pessoas bem intencionadas tinham oferecido a Michael Faraday o melhor substituto que dispunham para uma almofada.
A agilidade do comissário do governo para desocupar aquele "lugar de honra" dá para imaginar.
http://anengineersaspect.blogspot.com.br/2010/05/fun-anecdotes-about-scientists-found-in.html
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Preblog – Há outros momentos burlescos na história das grandes invenções. Michael Faraday, o genial físico, certa feita mostrava à rainha Vitória I um artefato magnético que ele havia criado, quando Sua Majestade, a Rainha da Grã-Bretanha e da Irlanda, a Imperatriz das Índias, não sabendo ficar calada, perguntou: "Para que serve a gerigonça?" Ora, Faraday tinha a consciência da importância de seu "rebento" no mundo do porvir e devolveu a inquirição: "Senhora, para que servem os bebês?" A rainha saiu tão agastada do episódio, conta-se, que só conseguiu gerir a loura Albion por 64 anos. Ficou conhecida como Vitória I, a Breve.
http://preblog-pg.blogspot.com.br/2008/06/nova-literatura-brasileira-1984.html

05 agosto, 2016

Sidney Paget, o ilustrador de Sherlock Holmes

Sidney Edward Paget (1860 — 1908) foi um ilustrador britânico da era vitoriana que fez muitos trabalhos para a revista The Strand Magazine.
É conhecido como o criador das mais populares ilustrações de Sherlock Holmes. Ele foi inadvertidamente contratado para ilustrar "As Aventuras de Sherlock Holmes", uma série de doze contos publicados entre 1891 e 1892, quando os editores acidentalmente mandaram-lhe um contrato de trabalho, ao invés de mandar a seu irmão Walter que também era ilustrador.
Em tons predominantemente escuros para refletir o espírito lúgubre dos textos, as ilustrações de Paget influenciaram os filmes estadunidenses de detetives, o cinema noir e, com certeza, todo e cada filme com Sherlock Holmes.
Ele publicou cerca de 356 ilustrações das séries e, depois de sua morte, outros ilustradores descobriram que tinham que copiar o estilo de Paget quando desenhavam Sherlock Holmes.
Sidney Paget fez de Sherlock Holmes o que John Tenniel fez de Alice de Lewis Carroll: definiu a aparência de um personagem realmente bom e original.
Um conjunto das revistas The Strand com as histórias ilustradas de Sherlock Holmes é um dos itens mais raros e caros na história das publicações para seus colecionadores. Um original de Paget, de Holmes e Moriarty em "Mortal Combat at the Edge of the Reichenbach Falls", por exemplo, foi vendido em 2004 por 220.800 dólares.

Uma das ilustrações criadas por Sidney Paget para The Adventure of the Speckled Band, um conto policial de Sir Arthur Conan Doyle protagonizado por Sherlock Holmes e Dr. Watson, publicado pela primeira vez na Strand Magazine, em fevereiro de 1892, com 9 ilustrações de Sidney Paget.