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15 setembro, 2026

Um palavrão inglês de grande penetração

A lenda etimológica de hoje envolve a origem de uma palavra da língua inglesa. E o que temos nós a ver com isso? Muita coisa.
Estamos falando (tirem as crianças da sala) de "fuck", também chamada de "palavra com F", um palavrão de grande penetração dentro e fora do cinema – pronunciado, como informa quem se deu ao trabalho de contar, 246 vezes em "Os bons companheiros", de Martin Scorsese, e 257 em "Pulp fiction", de Quentin Tarantino, para citar apenas dois campeões.
Sem fundamento, circula – e como circula – sobre "fuck" que esta palavra teria nascido de uma sigla, F.U.C.K., inciais da expressão "Fornication Under Consent of the King", isto é, "Fornicação com a permissão do rei". Estas iniciais, diz a lenda, eram pintadas na porta dos súditos recém-casados em vaga época medieval.


A verdade, como costuma ocorrer, é bem menos excitante: "fuck" é uma palavra que possui raízes fundas no inglês antigo. Embora tenha história meio nebulosa, por haver passado séculos relegada ao território sombrio dos tabuísmos (só estreou num dicionário, o "Penguin Dictionary", em 1966!), é certamente de origem germânica, parente do norueguês dialetal "fokken", "copular".
Sérgio Rodrigues 2 out 2013, rev. "Veja"
Leia mais em: https://veja.abril.com.br/coluna/sobre-palavras/a-palavra-com-f-uma-lenda-estrangeira/

05 abril, 2024

Ratanabá, a "capital do mundo"

Considerada uma teoria sem fundamento por arqueologistas, trata de uma civilização que teria habitado uma região da floresta amazônica, há mais de 450 milhões de anos. A cidade hoje estaria enterrada entre três pirâmides, na região entre o Amazonas, o Pará e Mato Grosso.
Este jogo da velha gigante é uma "prova inequívoca" de que povos extraterrestres já habitaram a região:
 

Como candidato a "fato científico", a "lenda" de Ratanabá (*) representa algo que, para roubar uma das frases favoritas do físico e diretor do Instituto Questão de Ciência, Marcelo Yamashita, "não chega nem a estar errado".
(*) com a palavra "lenda" entre aspas porque se trata de criação individual deliberada, e não de peça do folclore.
Carlos Orsi, revista Questão de Ciência

⁷ Hoje, se vocês ouvirem a sua voz,
⁸ não endureçam o coração, como em Meribá, como aquele dia em Massá, no deserto, e como em Ratanabá, na floresta
⁹ onde os seus antepassados me tentaram, pondo-me à prova, apesar de terem visto o que eu fiz.
Salmos 95:7-9, modificado

07 dezembro, 2022

Doces metáforas

"Por causa de seus hábitos laboriosos", lemos no clássico "Signs and Symbols in Christian Art", de George Ferguson, "a abelha tornou-se o símbolo de atividade, diligência, trabalho e organização". Além disso, algumas lendas antigas afirmam que as abelhas nunca dormem e, portanto, sua imagem era frequentemente usada "para representar a vigilância e o zelo cristãos na aquisição da virtude", explica Ferguson.
No entanto, nem todas as abelhas que encontramos na arte cristã representam necessariamente essas virtudes. É o caso dos Barberini, por exemplo, uma nobre família italiana que ganhou destaque no século XVII e à qual pertencia o Papa Urbano VIII. Seu brasão papal inclui o de sua família, mostrando três abelhas encimadas pela tiara papal e as chaves cruzadas de São Pedro. Alguns dos grandes monumentos de Roma, incluindo o Baldacchino na Basílica de São Pedro, apresentam este emblema.


Mas as abelhas são uma coisa, e as colmeias, outra bem diferente. Por que encontramos colmeias na arte cristã?
Parece que Santo Ambrósio é o culpado.
Uma lenda afirma que, quando ele era apenas uma criança pequena, um enxame de abelhas se instalou no rosto de Ambrósio enquanto ele descansava em seu berço, deixando para trás uma gota de mel. Seu pai, continua a lenda, entendeu isso como um sinal de sua futura eloquência e língua melíflua. De fato, Ambrósio cresceu e se tornou um escritor prolífico e um pregador eloquente.
Mas há um pouco mais nisso: foi Ambrósio quem comparou a própria igreja a uma colmeia : "a colmeia", lemos no livro de Ferguson, "é similarmente o símbolo de uma comunidade piedosa e unificada". O cristão, então, é comparado a uma abelha, trabalhando para o bem comum da colmeia à qual dedica seu trabalho e sua vida.
http://aleteia.org/2019/10/09/the-meaning-of-bees-and-beehives-in-christian-art/ (Aleteia, Daniel Esparza)

Festejado em 7 de dezembro, Ambrósio é o santo padroeiro das abelhas (e dos apicultores).

28 abril, 2022

A sereia abandona o lar

Os marinheiros de outrora inventavam muitas histórias de sereias.
Uma de suas histórias conta sobre uma sereia que se apaixonou por um homem e foi morar com ele. Um dia, ele a insultou. Ela se ofendeu e saiu de casa com os filhos. E tudo que havia na casa a seguiu (observe os objetos caminhando pelas próprias pernas para o mar). 
Nunca mais foram vistos.

10 maio, 2021

De Rômulo a Rômulo

Abandonados quando crianças, os irmãos Rômulo e Remo foram amamentados por uma loba.

Loba capitolina

Diz a lenda (*) que a cidade de Roma foi fundada por eles. Rômulo queria chamá-la Roma e edificá-la no Palatino, enquanto Remo desejava nomeá-la Remora e fundá-la sobre o Aventino. Como forma de decidir foi estabelecido que se deveria indicar, através dos auspícios, quem seria escolhido para dar o nome à nova cidade e reinar depois da fundação. Tendo surgido uma discordância sobre quem se tornaria o governante da cidade que eles fundaram, Rômulo acabou matando seu irmão Remo e se tornou o primeiro rei de Roma. Coincidentemente, o último imperador do Império Romano também se chamava Rômulo, formalmente Rômulo Augusto. Ele era conhecido pelo apelido de Pequeno Augusto (Augustulo) e governou por apenas 10 meses. No ano 476, Rômulo cedeu seu trono a um soldado bárbaro chamado Odoacro, que se tornou o primeiro rei da Itália e, com esse evento, a história deu uma volta completa.
Sua deposição por Odoacro tradicionalmente marca o fim do Império Romano no Ocidente, o fim da Roma Antiga, e o começo da Idade Média na Europa Ocidental.

(*) A maioria das histórias foram cridas sem exame, e essa crença é um preconceito. Fábio Pictor relata que, muitos séculos antes dele, uma vestal da cidade de Alba, indo buscar água com o seu cântaro, foi violada e deu à luz a Rômulo e Remo, que eles foram nutridos por uma loba etc. O povo romano acreditou nessa fábula; não perdeu tempo em examinar se naqueles tempos existiam vestais no Lácio, se era possível que a filha de um rei saísse de seu convento com seu cântaro, se era provável que uma loba amamentasse dois meninos em vez de os comer como fazem todos os lobos. Estabelece-se assim o preconceito.
Voltaire, Preconceitos históricos. "Dicionário Filosófico"

26 janeiro, 2019

O diabo em Segóvia, reza a lenda

Ao colaborador Fernando Gurgel Filho, que se deixou fotografar com o Diabo de Lübeck.

A designação Ponte do Diabo refere-se a várias dezenas de antigas pontes, que, segundo a tradição popular, teriam sido construídas pelo diabo, com a sua ajuda, ou mesmo contra a sua vontade. A maioria são pontes medievais em arco, encontradas na Europa e caracterizadas quase sempre pela superação de obstáculos técnicos durante a construção.
A Wikipédia traz uma lista (incompleta) dessas pontes. Não consta da relação o "Aqueduto do Diabo" de Segóvia.
Em Segóvia, na Espanha, há um aqueduto construído no século I (e que ficou em uso até o Século XIX). São 167 arcos de blocos de granito, tudo encaixado e equilibrado sem nenhum cimento ou liga. Obra dos antigos romanos.
Mas reza a lenda segoviana que o aqueduto foi construído por um rapaz bonito (ainda que manco), de gibão de couro e pena de galo no chapéu. Ele fez esta obra, de um dia para o outro, para atender uma criada que tinha de buscar água em local de difícil acesso para a casa em que trabalhava. Na verdade, o rapaz era o próprio diabo. E a moça só não perdeu a alma para ele porque o galo cantou antes que ele colocasse a última pedra no aqueduto.
Como tributo a essa lenda local, e para atrair mais turistas para a cidade, autoridades segovianas decidiram fazer uma estátua do diabo da lenda para colocar no aqueduto.
Ela foi esculpida por José Antonio Abella, que fez um diabinho já tirando selfie.


No entanto, a estátua vem sendo hostilizada por católicos conservadores. Alegam que é ofensiva à religião por ser uma glorificação do mal. Além disso, o diabo do diabo parece "jovial" demais, porque está sorrindo, ao invés de ser representado de forma repulsiva e monstruosa como na arte sacra clássica.

Fonte: Thread de @KarlFelippe no Twitter



03 dezembro, 2018

A padeira de Aljubarrota

A vitória já não escapava às hostes portuguesas. E os castelhanos sobreviventes, apercebendo-se disso, desataram a fugir. Alguns fugiam a pé e iam-se desarmando para correr mais leves. Outros apanhavam os cavalos que podiam e punham-se a salvo, seguindo o exemplo do seu próprio rei. Por sua vez, finda a batalha, o povo da região organizou uma verdadeira caça ao homem, abatendo sem contemplações qualquer inimigo que encontrasse.
Ora, conta a lenda que sete desses castelhanos, exaustos e esfomeados, foram ter a uma padaria em busca de refúgio. Lá dentro, no entanto, estava uma valente mulher, de nome Brites, que, sem dó nem piedade, os abateu com a sua pá de cozer o pão. E assim nasceu a lenda da padeira de Aljubarrota.
Gravura:
O exército castelhano está representado à esquerda e o português à direita.

Image result for padeíra de Aljubarrota
Bibliografia:
CARDOSO, F.; TOROK, M. H.; CARDOSO, O. M. (1996).História e Geografia de Portugal. Lisboa: Areal Editores.
Webgrafia:
http://www.ribatejo.com/hp/base/cgi-bin/ficha_lenda.asp?cod_lenda=12

11 março, 2018

A versão coreana da separação das águas

Todos os anos, milhares de pessoas se reúnem na Ilha Jindo, na ponta sul da península coreana, para o Jindo Sea-Parting Festival. É quando se verifica um recuo acentuado no nível do mar, revelando uma passagem de 2,8 quilômetros de comprimento que lhes permite caminhar até a ilha vizinha de Modo, onde cavam por moluscos.

Moisés esteve aqui. PGCS
A lenda diz que Yongwang, o deus do oceano, separou o mar para permitir que uma velha voltasse para a família. Mas a National Geographic explica que tudo não passa de um fenômeno natural devido às harmônicas de maré.

Vídeo

11 maio, 2017

Para estrangeiro ver

Às vésperas do lançamento nos cinemas do filme Rei Arthur - A Lenda da Espada, distribuído pela Warner Bros. Pictures, começamos a nos perguntar: quem foi esse homem misterioso? A figura elusiva do Rei Arthur é mencionada em histórias medievais e sagas poéticas, travando batalhas contra invasores saxões, acompanhado da figura mística de Merlin.
Embora seja difícil dizer com certeza o que é verdade e o que é lenda, a Grã-Bretanha está repleta de locais que ocupam lugar de destaque na história do Rei Artur.
Segundo a lenda arturiana, o Rei Artur foi concebido no castelo de Tintagel, no alto de um penhasco na região da Cornualha, como resultado de um truque de mágica. Uther Pendragon, pai de Artur, se apaixonou por Igraine, esposa de Gorlois, Duque da Cornualha (aquele que se perdeu pelo título nobiliárquico). Para chegar até Igraine, Uther pediu ao mago Merlin para usar sua magia para criar um disfarce que o fizesse parecer com o Duque. Em seu disfarce, Uther conseguiu passar pelos guardas e entrar nos aposentos de Igraine.
Tintagel hoje é uma série de ruínas espetaculares exploradas por visitantes que procuram de indícios de magia. Além de ter uma magnífica caverna do mar, entre as rochas abaixo do castelo, que também é conhecida como Caverna do Merlin. Embora não haja qualquer evidência da existência de Merlin – além de menções em certos manuscritos medievais – a caverna com certeza tem algo de mágico e encantador!

Extraído de: www.visitbritain.com/br

19 fevereiro, 2017

A Calçada do Gigante

É a designação dada a um conjunto de aproximadamente 40 000 colunas de basalto, encaixadas como se formassem uma enorme calçada de pedras gigantescas, formadas pela disjunção de uma grande massa de lava basáltica,proveniente de uma erupção vulcânica, ocorrida há cerca de 60 milhões de anos.
Os topos das colunas parecem com um piso de pedras, estendendo-se do sopé das falésias até o mar, onde desaparecem. Embora a maioria das colunas seja hexagonal, algumas têm 4, 5, 7 ou 8 lados. As colunas mais altas medem cerca de 12 metros de altura.
A formação está localizada na costa da Irlanda do Norte, acerca de 3 quilômetros ao norte da vila de Bushmills, no condado de Antrim. Foi declarada como Patrimônio da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura - UNESCO, em 1986, sob o nome de "Calçada do Gigante e sua Costa", e como Reserva Natural, em 1987.


A Lenda
Segundo uma lenda irlandesa um gigante chamado Finn MacCool queria enfrentar numa luta um gigante escocês chamado Benandonner, mas havia um problema: não existia uma embarcação com tamanho suficiente para atravessar o mar e levar um ao encontro do outro. A lenda diz que MacCool resolveu o problema construindo uma calçada que ligava os dois lados, usando enormes colunas de pedra. O gigante escocês aceitou o desafio e viajou pela calçada ate à Irlanda. Ele era mais forte e maior do que MacCool. Percebendo isso, a esposa de Finn MacCool, de forma muito perspicaz decidiu vestir seu marido gigante como um bebé. Quando Benandonner chegou à casa dos dois e viu o bebé, pensou: "Se o bebê é deste tamanho, imagine-se o pai!”, e fugiu correndo de volta para a Escócia. Para ter certeza de que não seria perseguido por Finn MacCool, ele destruiu a estrada enquanto corria, restando apenas as pedras que agora formam a Calçada do Gigante.



Ver também:
Formações rochosas

18 outubro, 2015

A Fuga do Gato

A Fuga em Sol Menor é uma sonata de um movimento para cravo, de Domenico Scarlatti, que é também popularmente conhecida como a Fuga do Gato (La Fuga del Gatto).
O apelido, que nunca foi usado pelo próprio compositor, foi introduzido nessa composição no início do século 19, Surgiu de uma história sobre como Scarlatti teve um motivo incomum para compor a fuga.
Diz a lenda que Scarlatti tinha um gato de estimação chamado Pulcinella, que foi descrito pelo compositor como propenso a caminhar sobre o teclado, sempre curioso a respeito de sons.



Este é o primeiro de uma série de dez artigos (top ten) na Wikipédia que contêm a frase "diz a lenda" e pelo menos um gato.

11 abril, 2015

Quem conta um conto...

Lady Godiva
A história desta nobre inglesa do século XI já foi aqui contada, de forma resumida, em Contra os impostos cavalares.
Vindo a pelo:
O seu marido Leofric aumentara os impostos de Coventry, e Lady Godiva achou que eles ficaram exagerados. Não só ela.Todos os contribuintes da cidade acharam, pois ninguém gosta mesmo de pagar impostos. Diante de tal reação, o marido prometeu que reduziria os impostos. Se... Godiva andasse nua pelas ruas da cidade. Acreditando que ela não faria tal coisa, porém ela o fez.
Embora Lady Godiva tenha existido e Coventry seja uma cidade real, a autenticidade dessa cavalgada despida (de interesses subalternos) permanece até hoje contestada. Não foi por acaso que, na abordagem anterior, deixei uma brecha para explicar a nudez de Lady Godiva.
Teria sido uma nudez apenas de adereços.
Quanto à elucidação da causa da cegueira de Peeping Tom, não vejo que importância tenha para deixá-la em consulta pública na internet.

Um haicai

03 fevereiro, 2015

Einstein e seu motorista

Uma história divertida e jamais comprovada envolvendo Einstein
Dado que ele não gostava de conduzir, ele contratou os serviços de um motorista. Depois de inúmeras viagens, Einstein comentou ao motorista que já estava farto de dizer sempre a mesma coisa em cada Universidade que visitava. "Se quiser", disse o motorista, "posso substituí-lo na próxima oportunidade. Já ouvi tanta vez o seu discurso que já o decorei, palavra por palavra." Einstein aceitou e, antes de chegarem ao local, trocaram as roupas e Einstein colocou-se ao volante. Chegaram a um auditório cheio de pessoas, e como nenhum dos ouvintes conhecia pessoalmente Einstein, ninguém descobriu o logro. O motorista fez o discurso que já tinha ouvido Einstein fazer tantas vezes. No final, um professor fez-lhe uma pergunta. O motorista não sabia a resposta mas teve um golpe de inspiração fantástico, e disse:
"A pergunta que me fez é tão simples que até vou deixar que o meu motorista lhe responda."

A falta de comprovação não inclui o que você vê nesta ilustração. Einstein era meio chegado a umas pantufas extravagantes.

22 setembro, 2013

A cadeira voadora



De acordo com uma antiga lenda, um funcionário chinês chamado Wan-Hoo tentou um voo para a Lua, por volta do ano de 1500, usando uma grande cadeira de vime na qual foram presos 47 foguetes. Um igual número de assistentes - com tochas - ficou encarregado de disparar simultaneamente os foguetes.
Aconteceu um estrondo enorme, acompanhado por nuvens espessas de fumaça.
Quando a fumaça se dissipou, a cadeira voadora e Wan-Hu haviam desaparecido.

24 janeiro, 2013

Vazamentos na Holanda

Uma lenda conta que um menino holandês salvou o seu país da inundação, colocando um dedo em um dique que estava vazando. Apesar do frio, ele ficou lá toda uma noite, com o dedo fechando o buraco do dique. Até que, no dia seguinte, os adultos da aldeia apareceram para fazer os reparos necessários.
Uma versão contemporânea para a lenda, desta vez real e confirmada, acaba de acontecer na Holanda.
Nesta versão, o herói não é uma criança, é um bombeiro. E um navio cargueiro, o Salamanca, toma o lugar do dique. Atracado ao cais, e com um buraco de 2x5 cm, o navio estava sendo invadido pela água.
Só não perdeu a carga porque apareceu um bombeiro que fechou a tempo o rombo com o pé.
Isso foi importante?
Muito. O Salamanca trazia 65 containers de café, e os holandeses estão entre os grandes consumidores do produto no mundo (8,4 kg/pessoa/ano).


Imagem
Estátua em Madurodam, Holanda, em homenagem ao "menino sem nome que fechou o dique com o dedo".

18 maio, 2012

Malthus Além

Lendário personagem, filho de Enoque e avô de Noé. Não só viu o Dilúvio como pisou na lama que se formou depois.
Uma das diásporas judaicas levou esse patriarca para a Polônia. A bem dizer, Malthus, ao levar com ele a família, é que foi a maior das diásporas.
Com a desculpa de estar "apenas de passagem", ele viveu vários séculos na Polônia.
No século 18, transferiu-se para o Reino Unido onde escreveu um famoso ensaio demográfico. No qual divulgava a ideia de que a população humana cresce em progressão exponencial, enquanto os meios de subsistência crescem como rabo de cavalo. O que refletia, de certa forma, o arrependimento do patriarca por haver gerado uma descendência tão numerosa.
A autoria desse ensaio foi depois erroneamente atribuída a Thomas Malthus. Mas Thomas não era um pensador, era um homem totalmente pragmático. Erradicou as plantações de batata na Irlanda como meio de acabar com a população do país. Não chegou a tanto, porém, como deixou o nome associado a uma questão de controle populacional, foi esse detalhe que acabou gerando a confusão.
Os ensinamentos de Malthus Além podem ser resumidos neste conceito lapidar:
Evite nascer, mas se fizer essa besteira, então tente não morrer.
Ele morreu, tentando até o fim... não morrer. O Guinness Book não reconhece sua longevidade porque ele nunca apresentou uma certidão de nascimento. Só uma versão autografada do Velho Testamento.
Mas Malthus Além deixou uma legião de seguidores no Brasil, dentre eles: Oscar Niemeyer, Dona Canô, João Havelange, Hebe Camargo, Suzana Vieira, Caçulinha, Plínio Arruda, Bibi Ferreira e a repórter Glória Maria.

13 julho, 2010

Peeping Tom Cat


Este gato - a espiar através da janela - é uma versão felina de Peeping Tom, um dos personagens da lenda de Lady Godiva.
Peeping Tom atreveu-se a espiar Lady Godiva despida, em sua cavalgada pelas ruas de Coventry. Fez isso enquanto todas as pessoas da cidade se trancavam em suas casas para não violar a nudez de Godiva. E ficou cego.
Espero que o mesmo desfecho não aconteça ao gato.

Postagens relacionadas:
Contra os impostos cavalares e Um haicai.

21 outubro, 2009

Contra os impostos cavalares

Diz a lenda que a bela Lady Godiva teve pena do povo de Coventry, Inglaterra, que sofria com os altos impostos cobrados pelo marido Leofric, o Duque de Mercia. E tanto apelou a Leofric, que ele aceitou reduzir os impostos. Sob uma condição: Lady Godiva deveria cavalgar nua pelas ruas de Coventry.
Ela aceitou o desafio e deu ordem a que todos os moradores da cidade se fechassem em suas casas ("não quero voyeurismo por aqui") enquanto ela passasse despida.
A lenda também diz que somente uma pessoa se atreveu a olhá-la durante a cavalgada. Um tal "Peeping Tom" que, como consequência do tresloucado ato, ficou cego.
Gostando ou não do que a mulher fez, Leofric manteve a palavra e baixou os impostos de Coventry, até então bem cavalares.


É possível que a nudez de Godiva tenha se restringido a uma falta de adereços e de jóias preciosas, marcas da nobreza a qual ela pertencia. Ah, bom!

Ainda sobre a Lady Godiva no blog: Um haicai.