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05 abril, 2024

Ratanabá, a "capital do mundo"

Considerada uma teoria sem fundamento por arqueologistas, trata de uma civilização que teria habitado uma região da floresta amazônica, há mais de 450 milhões de anos. A cidade hoje estaria enterrada entre três pirâmides, na região entre o Amazonas, o Pará e Mato Grosso.
Este jogo da velha gigante é uma "prova inequívoca" de que povos extraterrestres já habitaram a região:
 

Como candidato a "fato científico", a "lenda" de Ratanabá (*) representa algo que, para roubar uma das frases favoritas do físico e diretor do Instituto Questão de Ciência, Marcelo Yamashita, "não chega nem a estar errado".
(*) com a palavra "lenda" entre aspas porque se trata de criação individual deliberada, e não de peça do folclore.
Carlos Orsi, revista Questão de Ciência

⁷ Hoje, se vocês ouvirem a sua voz,
⁸ não endureçam o coração, como em Meribá, como aquele dia em Massá, no deserto, e como em Ratanabá, na floresta
⁹ onde os seus antepassados me tentaram, pondo-me à prova, apesar de terem visto o que eu fiz.
Salmos 95:7-9, modificado

26 agosto, 2022

Informação ao desinformado

Jaime Nogueira, por e-mail (18/08/2022)
Por ser o representante da DOCEGEO em Belém, e no início também o único representante da CVRD, tive que ter contato com o SNI durante cerca de 6 ou 7 anos.
No início era apenas com a Agência Belém, de onde um representante regularmente me visitava, para obter informações sobre as atividades de geologia, mineração e garimpagem na Amazônia.
Talvez por já conhecerem o meu perfil, as informações ficaram limitadas a esses temas, nunca caminhando para o terreno pessoal.
Apenas quando sofri um assalto residencial em Belém, em 1981, já nos tempos de Serra Pelada, houve um desvio de conduta do agente.
Após Serra Pelada, o contato passou a ser também com a Agência Central do SNI, em Brasília.
Concordo com o texto do Lúcio, pois em muitos casos o nível de desinformação do SERVIÇO NACIONAL DE INFORMAÇÕES me surpreendia. Tive vários exemplos.
O mais singelo foi quando fui solicitado para fazer um perfil da cidade de Marabá, para que fosse enviado á Presidência da República, para informação do Figueiredo, antes de uma visita à região (isso foi em 1979, antes de Serra Pelada). Estranhei isso, e comentei como o SNI não tinha essa informação, de uma cidade que fora base do combate à Guerrilha do Araguaia. Ainda sugeri que fosse à SUDAM.
Ante a resposta de que a burocracia impediria o atendimento rápido, tive que preparar um texto sobre a história e aspectos sociais e econômicos de Marabá.
Em muitos casos também adotavam questionamentos primários.

N. do E.
O texto a que se refere Jaime Nogueira é SNI: um monstro na Amazônia, artigo publicado por Lúcio Flávio Pinto em seu blog (2019). De onde eu extraí o que se segue: 
Apesar dessa trajetória de poder ao longo de três décadas, o SNI não era considerado padrão de inteligência. Sarcástico e feroz quando passou à oposição, Carlos Lacerda, um dos líderes civis do golpe de 1964 quando governador da Guanabara (atual Rio de Janeiro), disse certa vez que o SNI não funcionava às segundas-feiras. Era porque, nessa época, os jornais matutinos não circulavam naquele dia da semana.

26 maio, 2021

Pinturas rupestres no coração da Amazônia

SPUTINIKNEWS, 30/11/2020 - Datadas de aproximadamente 12.500 anos, estas rochas com pinturas foram chamadas de "Capela Sistina da Antiguidade", devido à grande quantidade de imagens no local.
De acordo com o Channel 4, os pesquisadores descobriram o local em 2019, mas mantiveram a descoberta em segredo, só revelando as pinturas há poucos dias. Um documentário sobre a descoberta será emitido no dia 5 de dezembro, chamado "Mistério: os Reinos Perdidos da Amazônia".
Nas pinturas é possível encontrar imagens de animais extintos da Era do Gelo. Entre as imagens estão camelos, preguiças grandes e cavalos pré-históricos, retratados com grande precisão.
Além dos animais mencionados, também há imagens rupestres de tartarugas, peixes, pássaros, lagartos e pessoas dançando.


30 abril, 2021

Oitocentas léguas pelo Amazonas

O romance "La Jangada – huit cents lieues sur l'Amazone" (A jangada, oitocentas léguas pelo Amazonas, 1881), é o primeiro de três romances de Júlio Verne consagrados exclusivamente ao curso de rios (os outros dois são: "Le Superbe Orénoque", de 1898 e "Le Pilote du Danube", de 1908). Ao contrário do que ocorreu no "Chancellor", a trajetória da jangada se dá no sentido oposto: a embarcação construída numa pequena aldeia desce o Amazonas.
"La Jangada" é o relato de uma viagem até Belém, realizada pela família de um próspero fazendeiro que habitava Iquitos. O romance tem um duplo objetivo. O primeiro – anunciado para todos os membros da família -, era o casamento de Minha, a filha de João Garral, com um colega de estudos do irmão dela; o segundo era a solução de um problema jurídico de natureza criminal.
Na realidade, João, o pai, tinha as suas razões secretas: mesmo correndo o risco de uma execução, desejava obter a revisão de uma sentença que o condenara injustamente à morte pelo roubo de diamantes, 26 anos antes. Na época em que foi acusado, Garral trabalhava nas minas imperiais do Brasil em Vila Rica (hoje Ouro Preto), sob o nome verdadeiro de João da Costa. Depois de escapar à perseguição das autoridades foi morar em Iquitos, onde fez fortuna. De lá, partiu para recuperar sua inocência, depois de mais de um quarto de século.
Uma vez que o objetivo anunciado era um projeto familiar, Garral imaginou um meio de transporte que permitisse deslocar-se com toda a família. Com esta finalidade decidiu pela construção de uma enorme jangada, na verdade, uma gigantesca aldeia flutuante, capaz de conduzir todos os membros de sua fazenda pelo rio abaixo até Belém.

Extraído de: Julio Verne e sua relação com a Amazônia, por Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, que é astrônomo, fundador e primeiro diretor do Museu de Astronomia e Ciências Afins, e autor de mais de 75 livros, entre estes o "Explicando a Teoria da Relatividade".

N. do E.
"La Jangada" pode ser lido sem custo e quase sem restrições aqui (Projeto Gutenberg).
A ilustração, de Léon Benett, foi obtida aqui. (Wikipedia)
No romance, os amigos de João Garral / João da Costa lutam para salvá-lo resolvendo um criptograma, cujo último parágrafo é fornecido no texto:
"Phyjslyddqfdzxgasgzzqqehxgkfndrxujugiocytdxvksbxhhuypo hdvyrymhuhpuydkjoxphetozsletnpmvffovpdpajxhyynojyggayme qynfuqlnmvlyfgsuzmqiztlbqgyugsqeubvnrcredgruzblrmxyuhqhp zdrrgcrohepqxufivvrplphonthvddqfhqsntzhhhnfepmqkyuuexktog zgkyuumfvijdqdpzjqsykrplxhxqrymvklohhhotozvdksppsuvjhd."
No final, isso funciona assim:
"O verdadeiro autor do furto dos diamantes e do assassinato dos soldados que escoltavam o comboio, cometido na noite de vinte e dois de janeiro de mil oitocentos e vinte e seis, não é portanto João da Costa, injustamente condenado à morte; sou eu, o miserável funcionário da administração do distrito dos diamantes; sim, só eu, que assino meu nome verdadeiro, Ortega."
(Perdão, leitores, pelo spoiler.)

23 dezembro, 2020

Os rios voadores da Amazônia

A maior floresta tropical do mundo apresenta dimensões e encantos superlativos, mas seus 5,5 milhões de km² estão cada vez mais ameaçados de destruição pela ação humana – em 2020, o desmatamento atingiu o nível mais alto dos últimos 12 anos. Nas imagens deste especial da Folha de SP, o principal fotógrafo da atualidade, Sebastião Salgado, revela as belezas do relevo e dos rios voadores do bioma que ocupa metade do território brasileiro.

Vista da Serra Curicuriari, chamada de "Serra da Bela Adormecida" pelos habitantes de São Gabriel da Cachoeira (AM), em foto de Sebastião Salgado.

"A Amazônia tem tanta água nos céus quanto nos rios que cruzam o território. São um furo jornalístico as imagens que Sebastião Salgado produziu mostrando com nitidez os chamados 'rios voadores', fenômeno que a ciência brasileira vem estudando nas últimas décadas. Esses “rios” transportam uma enorme quantidade de água do Atlântico para o continente em um corredor de ventos que atravessa as Guianas e a região norte do Brasil. Quando sobre terra firme, eles banham a floresta ao mesmo tempo em que se alimentam da 'evapotranspiração' gerada pelas quase 600 bilhões de árvores da Amazônia. Árvores com copas de 10 a 20 metros de diâmetro 'suam' entre 300 e 1.000 litros de água por dia que são levados pelos ventos a uma altura entre 2 e 4 mil metros. O curso desses ventos alísios segue desde o norte até chocar-se com a Cordilheira dos Andes. Ali, em um movimento circular, vão em direção ao norte da Argentina, ao Uruguai e ao sul e sudeste brasileiros. A quantidade de água em movimento é avaliada em cerca de 20 bilhões de litros." ~ Leão Serva

Grato a Jaime Nogueira por me trazer à lembrança esta reportagem especial.

22 novembro, 2020

Peixes elétricos da Amazônia

A velha prática de levar canários para minas de carvão subterrâneas já salvou a vida de muitos mineiros. Enquanto o passarinho cantava, tudo estava bem. Se ele silenciasse era sinal de perigo iminente, como um vazamento de gás metano ou monóxido de carbono. Soava, então, um alarme e a mina era evacuada.
O canário de mina é um bioindicador, ou seja, um ser cujo comportamento ou estado de saúde nos informa sobre um possível problema de contaminação ambiental. Infelizmente para os canários, além do silêncio, a morte sempre foi o sinal mais claro de perigo real. Mas hoje já existem muitos outros bioindicadores que não precisam ser sacrificados para nos avisar sobre desastres em curso.
No Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), o grupo liderado pelo cientista Dr. José Alves Gomes tem gerado conhecimento científico e publicações sobre a utilização de peixes elétricos (Gymnotiformes) como biossensores para a qualidade da água.


É que esses peixes (são cerca de 150 espécies distribuídas em 7 famílias), por meio de órgãos especializados, têm a capacidade de gerar initerruptamente pequenas descargas elétricas. Quando acontecem bruscas alterações nas características físico-químicas da  água - pH, turbidez, temperatura ou a presença de poluentes - os peixes modificam o padrão de suas descargas elétricas, e sensores instalados nas proximidades fazem soar um alarme.
"Sistemas assim seriam muito mais baratos e eficientes do que realizar análises periódicas da água em diversos pontos ao redor de um campo de exploração de petróleo ou ao longo de um oleoduto, por exemplo, como é feito atualmente", afirma o pesquisador.
Por estas propriedades, eles são recomendados no monitoramento biológico de vazamentos de derivados de petróleo na água.

02/10/2021 - Aualizando ...
Do electric eels have predators? (As enguias elétricas têm predadores?)

22 fevereiro, 2020

O carro alegórico das queimadas

Neste ano, é uma das estrelas dos festejos carnavalescos de Colônia. Entre as atrações no tradicional desfile da próxima segunda-feira (24/02), ponto alto do Carnaval da cidade do oeste da Alemanha, está um carro alegórico com um boneco do presidente brasileiro, segurando a bandeira do Brasil atada a um palito de fósforo tamanho família e exibindo um largo sorriso, diante de árvores carbonizadas e sambistas seminuas chamuscadas.


Esta alegoria sobre rodas, uma crítica às queimadas na Amazônia, desfilará produzindo fumaça. Literalmente.

DW Brasil

06/03/2020 - Parodiando ...
"Este PIB é o pum produzido com talco, espirrando do traseiro do palhaço e fazendo a risadaria feliz da velhacada." 

25 agosto, 2019

Marcos na vida do macaco-rabo-de-fogo

A cada quatro anos algo marcante acontece na vidinha à toa do macaco-rabo-de-fogo.

2011. Ano em que ele foi descoberto. Vivendo exclusivamente na região entre os rios Aripuanã e Roosevelt, na amazônia brasileira, esse macaco teve a existência finalmente confirmada por uma expedição de cientistas brasileiros.

2015. Descrito como sendo uma nova espécie de primata, recebeu o nome científico de Callicebus miltoni. O macaco tem uma cauda de cor avermelhada que o torna reconhecível entre outras espécies.

2019. Por sua situação de vulnerabilidade, ele já foi catalogado na Lista Bolso-Nero. A espécie habita uma região que é situada em um arco de desmatamento, onde há violenta pressão de grilagem de terras, avanço de áreas agrícolas e atividade madeireira ilegal.

30 setembro, 2017

Por essa eles não esperavam!

Uma "mancha de petróleo", de 24 metros de comprimento e 14 metros de largura, apareceu na manhã desta quinta-feira, 28, na porta da Total, no Rio de Janeiro.


Nós, ativistas do Greenpeace, levamos esta mancha até a frente da empresa que quer extrair petróleo próximo aos Corais da Amazônia. E, assim, colocar o bioma marinho local em risco, em caso de um derramamento.
Thiago Almeida, do Greenpeace

24 julho, 2017

A descoberta de Carajás

por Breno Augusto dos Santos
[...] No dia seguinte, então o Demostino autorizou e nós fomos lá. Acertamos um aluguel pela pista e começamos a mudança do Xingu. O avião do Adão saía da ilha do Xingu, levava a equipe e material, e ia para Altamira abastecer, trazia combustível dentro do avião, saía de novo, fazia esse triângulo. Porque não tínhamos combustível no Xingu, então ele tinha que fazer o triângulo, o aviãozinho fazer esse triângulo com pernas de mais ou menos 300 quilômetros, duzentos e poucos quilômetros, fazendo essa triangulação para fazer a mudança. E chegou o dia de mudar o helicóptero, daí surgiu o primeiro impasse. O voo dava mais ou menos umas duas horas de helicóptero, contra o vento, com autonomia do helicóptero de duas horas. E helicóptero cair na mata é pior do que um avião porque não tem nem asa, então quando cai na mata ele afunda, nunca mais ninguém acha. Nunca mais ninguém acha! E eu, como Chefe da equipe, me julgava na obrigação de fazer o voo com o piloto, não mandar outra pessoa para fazer o voo, então eu tinha a responsabilidade de fazer. Eu estava com a equipe lá, e o Tolbert falou: "Faça a mudança". Autorizou, foi para o Rio e eu comecei a fazer a mudança com a equipe lá, na última semana de julho de 67. Aí dois fatos também que ajudaram. No dia em que eu fui admitido no Rio pelo Tolbert, tinha um mapa antigo do IBGE, aquele mapa que era todo meio torto, e de repente ele falou a região que a gente ia trabalhar e vi que ali tinha pouco rio e eu falei: "Como eu vou me orientar nessa região?" Aí, acidentalmente eu olhei, e tinha o rio Itacaiúnas que cortava leste-oeste, e lá do outro lado tinha o rio Xingu, rio Fresco, e saía um pequeno afluente do rio Fresco chamado Icarapanã, e no lugar da cabeceira dos dois rios, no afluente de Itacaiúnas, e no afluente do rio Fresco, quase se juntavam. O Itacaiúnas era afluente do Tocantins e o rio Fresco do Xingu, então dois rios secundários, e o terceiro rio, os dois terceiros rios, o Cateté e o Carapanã quase juntavam. Então, na visão intuitiva eu falei: "Bom, se eu me perder nessa região..." A ideia simplista de quem está no Rio de Janeiro, imagina? "... esses dois, têm um eixo hidroviário aqui nessa área." Então, quando chegou a hora de deslocar o helicóptero, esse eixo veio na minha cabeça e falei: "Se eu vou voar aqui sem nunca ter voado.." – era o meu primeiro voo de helicóptero, eu nunca tinha voado de helicóptero – "... eu vou voar num lugar que se eu cair alguém pelo menos sabe onde procurar." Só que daí tinha um problema, o voo em linha reta dava duas horas, e desse jeito dava quase quatro horas. Então, o jeito era levar a gasolina do helicóptero no bagageiro, e cada lugar que você encontrasse uma possibilidade de pouso, você descia e abastecia. O que significava isso? Que você tinha mais uma hora pela frente, que se não conseguisse pousar, voltava àquele lugar de novo. Então a cada 15 minutos que você voava, você ganhava mais 15 minutos. Então foi desse jeito. A gente saiu, foi até São Félix do Xingu, abasteceu, depois do rio Fresco pousamos num pedal no meio do rio, abastecia. No Icarapanã encontramos uma pedra no meio do rio, descemos, e no divisor de águas, quando se ficava sem rio nenhum, existia uma serra muito bem marcada, bem alcantilada e com uma pequena clareira que a gente via nas fotografias, semelhante às outras, só que menor. Então essa clareira foi escolhida também como um ponto de reabastecimento. Quando o helicóptero começou a baixar, tem um arbusto chamado canela-de-ema que tem muito em Goiás, em Tocantins e lá também tem. Parece uma pequena palmeirinha, e o piloto Aguiar, já falecido, que voava comigo e já tinha mais de 50 anos, ele me chamava de "chefinho" porque eu tinha 27 anos e eu era chefe dele. E ele falou: "Chefinho, olha o rotor de cauda para ver se não bate no arbusto". E o helicóptero começou a baixar e, quando começou a baixar, aquele mundão de canga de minério de ferro, aquele negócio preto ali no chão, e eu comecei a ficar entusiasmado com aquilo e me distraí, então o rotor de cauda bateu numa pequena árvore, um pequeno arbusto. O Aguiar falou então um sonoro palavrão, me deu uma bronca por não ter olhado, e foi mais para a frente. Então eu olhei direito, pousamos, e daí é imediatamente um raciocínio simples. Se minha neta pousasse lá ia falar: "Será que as outras clareiras também são de minério de ferro?" Um negócio assim primário! E depois, quando muitas pessoas me entrevistaram a respeito da descoberta e falaram: "O que você ganhou com a descoberta de Carajás?" Eu falei: "Ganhei aquele momento". Não tem preço! Você, como profissional da área, de repente você não sabe mas sente, eu não sabia que estava descobrindo, mas sentia que estava descobrindo algo muito grande. Quer dizer, aquele momento, você sozinho com o helicóptero no meio da selva sem nada em volta, e viver aquele momento, não tem preço. Não tem preço nenhum. Daí nós decolamos, e o Aguiar deu outra sugestão bem absurda, bem surrealista, que ele não ia desligar o motor do helicóptero para ver o dano por dois motivos: primeiro que poderia ser que depois o motor não pegasse, que a gente sempre tinha problema de magneto na partida, que nem sempre o motor pegava então de repente aí não conseguiria sair dali. O outro helicóptero não estava funcionando, então não tinha como sair daquele lugar. A pé nem pensar! E segundo, se ele visse que o dano tinha sido muito grande, ele ia ficar sem condição psicológica para decolar, então só havia um jeito: ir na loteria. E vai decidir o quê? Está decidido! Tem só uma solução. Aí nós decolamos daquele lugar, e o trecho mais crítico foi enquanto a gente tinha saído do Carapanã, estava na selva, e tinha que pegar o rio Cateté. Porque chega no Cateté o pior que acontecia era cair no rio. E no rio a gente, bem ou mal, ia seguindo o rio e íamos chegar na aldeia dos índios, onde a equipe estava nos esperando, o avião do Adão estava esperando, combustível etc. e tal. E para afastar o medo, porque a gente estava com medo, os dois estavam morrendo de medo, não vou dizer que não. Não tem herói sem medo! E naquele momento, tanto ele que era experiente, foi um dos pilotos de helicóptero pioneiros do Brasil, estava morrendo de medo, como eu estava morrendo de medo por ser o meu primeiro voo. Então o que nós encontramos para espantar o medo foi cantar, porque cantando o tempo ia passando, então naquele voo que durou uns 20 minutos até chegar na aldeia a gente foi cantando: "Vamos passear na floresta enquanto o lobo não vem". O lobo era o helicóptero cair. Isso a gente foi cantando, cantando, e felizmente conseguimos chegar na aldeia. Na aldeia dos índios, abastecemos, contamos já o que tinha acontecido para a turma, os geólogos não estavam lá, estava só a equipe de piloto, mecânico. Olharam o dano e acharam que o dano não era muito crítico e decolamos. Com dois minutos fora da aldeia houve um pane no motor. O motor começou a ratear, o magneto começou a falhar, o helicóptero começou a ficar bambo e nós conseguimos voltar para a aldeia e pousar de volta e prosseguimos a viagem até o Castanhal (do Cinzento) no avião do Adão. Dois, três dias depois, o geólogo Riter foi com o piloto buscar o helicóptero e para ir fazendo mapeamento do rio Itacaiúnas até chegar no Castanhal, pegando amostra, etc. e tal, e quando chegou de noite, ele não chegou. Aquela batida no rotor de cauda trincou o eixo do rotor de cauda, e o rotor estava virando. No dia 2, quando eles foram fazer o traslado, depois consertar o motor, o eixo rompeu em voo e no dia seguinte eles tinham desaparecido. Eu saí com o piloto Adão e sobrevoamos o local, eles tinham conseguido descer no meio de uma pedra e tinham passado a noite em cima da pedra. Nós jogamos remédio, bilhete para eles e um barco foi buscá-los naquele local. Quer dizer, poderia ter acontecido com a gente quando a gente decolou da área, e caído na selva, e eu não estaria aqui para contar a história, nem o piloto, quer dizer, então as coisas acontecem...
BRENO AUGUSTO DOS SANTOS - Nasceu em Olímpia, SP, em 01/07/1940. Geólogo, foi o responsável pela descoberta da reserva de minério de ferro de Carajás (1967).
Trecho extraído da página de Breno no Museu da Pessoa (www.museudapessoa.net)
Eldorado existe, o descobridor também: Breno, o geólogo. Geração Editorial
Vídeo: 50 ANOS DA DESCOBERTA DO Fe DE CARAJÁS (1967-2017) - Breno A dos Santos (Memórias)

30 março, 2017

Corais da Amazônia, um tesouro natural

Depois de 20 dias de expedição pela costa norte brasileira, o Greenpeace cumpriu a primeira parte de sua missão: mostrar ao mundo os recifes de corais da Amazônia.
Esta barreira fica na foz do Rio Amazonas - a 100 quilômetros da costa do Amapá (imagem) e a uma profundidade média de 180 metros. A estimativa inicial era de que a região dos recifes de corais da Amazônia tivesse 9,5 mil quilômetros quadrados. Nessa expedição, que não chegou a percorrer todo o território conhecido, pôde-se ver que não é só isso. Há indícios de que a área seja duas ou três vezes maior.
A barreira é um mosaico de biodiversidade formado por bancos de esponjas e de rodolitos, corais negros, crustáceos e peixes (inclusive de espécies que não se imaginava que fossem encontrados por lá, como o peixe-borboleta).
Contudo, empresas petrolíferas pretendem fazer perfurações na área da barreira, o que pode ameaçar o bioma. Para defender esta riqueza natural, o Grenpeace disponibiliza, em sua página Green Blog, uma petição em que está colhendo assinaturas.
Ontem (29), cerca de mil pessoas fizeram nas areias da praia de Copacabana uma manifestação em defesa dos corais da Amazônia.

10 janeiro, 2017

Navegar é Preciso

Os versos de Fernando Pessoa foram levados a sério pela Livraria da Vila, que desde 2011 organiza, anualmente, um cruzeiro literário intitulado Navegar é Preciso — Uma Viagem Literária por Rios Cheios de Histórias. Saindo de Manaus, o barco adentra o Rio Negro para explorar a Amazônia. Trilhas pela mata, focagem noturna de jacarés e visitas a comunidades ribeirinhas se intercalam com peças teatrais, shows musicais e encontros com escritores. Já estiveram presentes Ignácio de Loyola Brandão, Xico Sá, Amyr Klink, Fabrício Carpinejar, Zeca Baleiro, Fernando Morais, Marina Colasanti e Mario Prata, entre muitos outros artistas e escritores. Para os leitores que, quando pensam em férias, logo se imaginam rodeados de livros, colocando as leituras em dia, talvez passá-las a bordo de um cruzeiro literário possa ser ainda mais interessante.
Dica de Fernando Gurgel

7ª edição do projeto: de 1 a 5/5/2017. Vagas limitadas. Garanta sua cabine!

07 maio, 2015

Enguias elétricas podem controlar remotamente os músculos de suas presas

Um peixe nada na Amazônia, em meio a uma água turva e com vegetação. Ele está escondido, mas não está seguro. De repente, duas rajadas de eletricidade através da água ativam os neurônios que controlam os músculos do peixe. Ele se contorce, dando a sua posição e condenando a si mesmo. Agora, ele é eletrocutado por uma saraivada contínua de impulsos elétricos. Todo os seus músculos se contraem e seu corpo se enrijece. Ele não pode escapar; ele não pode sequer se mover. E seu atacante, uma enguia elétrica, se move para o devorar.


A enguia elétrica (Electrophorus electricus) ou o poraquê (como ela é conhecida no Brasil) cria sua própria eletricidade. Mais de quatro quintos dos dois metros de comprimento do seu corpo são constituídos por células especiais, à maneira de uma bateria, que podem produzir, em conjunto, um choque de até 600 volts. Mas a forma como a enguia usa essa habilidade é ainda mais chocante. Kenneth Catania, da Universidade Vanderbilt, descobriu que este espantoso predador pode usar sua eletricidade como um controle remoto ao paralisar de longe os músculos de sua presa.

Electric Eels Can Remotely Control Their Prey's Muscles, por Ed Youg, National Geographic
Referência: 
Catania, 2014. The shocking predatory strike of the electric eel. Science http://dx.doi.org/10.1126/science.1260807

28 agosto, 2010

Escalpelamentos na Amazônia

O escalpelamento é o arrancamento brusco e acidental do escalpo humano. Pode acontecer por diversos agentes, dentre eles por motores de barcos. Nesta situação, o acidente ocorre quando a vítima (do sexo feminino, geralmente), ao se aproximar do motor, tem seus cabelos repentinamente puxados pelo eixo. A forte e ininterrupta rotação do motor faz enrolar os cabelos em torno do eixo, arrancando inexoravelmente todo ou parte do escalpo da vítima, inclusive orelhas, sobrancelhas e, por vezes, uma grande parte da pele do rosto e do pescoço, levando a deformações graves e até à morte.
É um problema recorrente na Amazônia brasileira. No período de 1974-75, em que trabalhei em Benjamin Constant - AM, no Alto Solimões, eu ouvia de colegas médicos formados em Manaus os relatos de tais acidentes e de como eram frequentes. Apesar de evitáveis (pela cobertura das partes móveis dos motores de barcos), esses acidentes continuam a acontecer, o que é extremamente lamentável.

O Dia Nacional de Combate e Prevenção ao Escalpelamento é 28 de agosto (hoje), conforme a Lei 12.199, sancionada a 14/01/10.

Postagem 208 do Acta Pulmonale

19 março, 2009

As cores dos rios amazônicos

Segundo o pesquisador Bruce Forsberg, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), há três tipos básicos de rios na Amazônia: os rios de águas brancas, de águas negras e de águas claras.
Os rios de água branca, como o Solimões, o Juruá e o Purus, são os que nascem em lugares muito montanhosos. A coloração barrenta da água vem da terra que esses rios arrancam das montanhas quando descem.
Já nos rios de água negra verifica-se outra situação. Eles nascem em locais baixos, passam por áreas alagáveis, cujo solo é encharcado, e levam poucos sedimentos.  São comuns na bacia do Rio Negro.
Em menor número são os rios de águas claras, como o Tapajós e o Xingu. Eles nascem em locais de pouco relevo e passam por poucos locais alagáveis. Isso faz com que a água seja límpida. 
Na Amazônia, é possível observar vários encontros entre rios com águas de coloração diferente. A mais importante dessas confluências é a que acontece, a alguns quilômetros da cidade de Manaus, entre as águas barrentas do Rio Solimões e as águas escuras do Rio Negro (mostrada na imagem ao lado).
Ressalte-se que, por fatores diversos, a tonalidade da água de um rio amazônico tem grande influência sobre os tipos de plantas e animais aquáticos que vivem na respectiva região.