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14 março, 2026

Stølum e os rios

"Nenhum homem pode banhar-se duas vezes no mesmo rio… pois, na segunda vez, o rio já não é o mesmo, tampouco o homem." Heráclito de Éfeso.

"Os rios atravessam nossas civilizações como fios em um colar de pérolas”, escreveu Olivia Laing. "Há um mistério nos rios que nos atrai, pois eles nascem de lugares escondidos e percorrem as rotas que nem sempre serão as mesmas."

"O tempo é um rio que me arrasta, mas eu sou o rio." JL Borges

"Os rios que atravessam uma cidade também atravessam a infância de quem cresce nela." Renata Rossi

"Conheci rios tão antigos quanto o mundo e mais antigos que o fluxo do sangue nas veias humanas. Minha alma se aprofundou como os rios." Langston Hughes

"Rio, caminho que anda e vai resmungando talvez uma dor." Luís Antônio, em "Eu e o rio"

Em 1996, o geólogo da Universidade de Cambridge, Hans-Henrik Stølum, publicou um artigo anunciando sua descoberta surpreendente de que pi também impulsiona, sempre impulsiona, os caminhos sinuosos dos rios do mundo a continuarem seus meandros aparentemente caóticos — em um padrão matematicamente previsível. Sua simulação, usando dados empíricos e modelagem de dinâmica de fluidos, descobriu que os caminhos oscilantes dos rios — sua sinuosidade, calculada dividindo-se o comprimento real dos meandros do rio pelo comprimento da linha reta traçada da nascente ao mar — têm uma média de 3,14.

30 dezembro, 2023

O que acha de quatro Amazonas?

A Amazônia é uma vasta região geográfica que abrange partes de vários países da América do Sul. Compartilham esta região: o Brasil, que é o país que detém a maior parte da floresta amazônica, o Peru, a Colômbia, a Venezuela, o Equador, a Bolívia, a Guiana, o Suriname e a Guiana Francesa, que é um território ultramarino da França.

O Amazonas é um estado do norte do Brasil. Sua capital Manaus, que possui uma população de cerca de 2,7 milhões de habitantes, é um importante centro econômico, cultural e industrial da região amazônica. É conhecida por seu patrimônio histórico, sua Zona Franca, que atrai investimentos e indústrias, e por ser um ponto de partida para expedições e turismo na região.


Um passeio até o Encontro das Águas do Rio Negro com as do Rio Solimões, a onze quilômetros de Manaus. Depois que as águas se misturam (seis quilômetros adiante), passam a receber o nome de Rio Amazonas. Ao fundo: Natália, Rodrigo e Elba

E o Amazonas é também:
um departamento (capital: Letícia) do sul da Colômbia;
um estado (capital: Puerto Ayacucho) do sul da Venezuela;
e uma região administrativa (capital: Chachapoyas) do norte do Peru.

23 dezembro, 2020

Os rios voadores da Amazônia

A maior floresta tropical do mundo apresenta dimensões e encantos superlativos, mas seus 5,5 milhões de km² estão cada vez mais ameaçados de destruição pela ação humana – em 2020, o desmatamento atingiu o nível mais alto dos últimos 12 anos. Nas imagens deste especial da Folha de SP, o principal fotógrafo da atualidade, Sebastião Salgado, revela as belezas do relevo e dos rios voadores do bioma que ocupa metade do território brasileiro.

Vista da Serra Curicuriari, chamada de "Serra da Bela Adormecida" pelos habitantes de São Gabriel da Cachoeira (AM), em foto de Sebastião Salgado.

"A Amazônia tem tanta água nos céus quanto nos rios que cruzam o território. São um furo jornalístico as imagens que Sebastião Salgado produziu mostrando com nitidez os chamados 'rios voadores', fenômeno que a ciência brasileira vem estudando nas últimas décadas. Esses “rios” transportam uma enorme quantidade de água do Atlântico para o continente em um corredor de ventos que atravessa as Guianas e a região norte do Brasil. Quando sobre terra firme, eles banham a floresta ao mesmo tempo em que se alimentam da 'evapotranspiração' gerada pelas quase 600 bilhões de árvores da Amazônia. Árvores com copas de 10 a 20 metros de diâmetro 'suam' entre 300 e 1.000 litros de água por dia que são levados pelos ventos a uma altura entre 2 e 4 mil metros. O curso desses ventos alísios segue desde o norte até chocar-se com a Cordilheira dos Andes. Ali, em um movimento circular, vão em direção ao norte da Argentina, ao Uruguai e ao sul e sudeste brasileiros. A quantidade de água em movimento é avaliada em cerca de 20 bilhões de litros." ~ Leão Serva

Grato a Jaime Nogueira por me trazer à lembrança esta reportagem especial.

28 maio, 2020

Rios de lixo

Apenas 10 rios transportam 95% de todo o plástico despejado pelos rios nos oceanos
Barato, durável e multifuncional, o plástico é uma das invenções mais bem-sucedidas da humanidade. Mas não é biodegradável, e isso está devastando o meio ambiente. Apenas 9% de todos os resíduos de plástico são reciclados e outros 12% incinerados. Significando dizer que quase 80%  se transforma em lixo sem meia-vida: condenado a uma eternidade como aterro sanitário, lixo ou lixo entupindo os oceanos.
A cada ano, o plástico mata cerca de 1 milhão de aves marinhas, 100.000 mamíferos marinhos e um número inestimável de peixes. Atualmente, o volume de lixo plástico nos oceanos do mundo é da ordem de 150 milhões de toneladas. Nada menos que oito milhões de toneladas são adicionadas a esse montante todos os anos - isso é um caminhão a cada minuto.
Os grandes rios são transportadores particularmente eficientes de resíduos de plástico para os oceanos, especialmente em países que não possuem uma infraestrutura de gerenciamento de resíduos adequada. Analisando detritos microplásticos nos oceanos, cientistas do Centro Helmholtz de Pesquisa Ambiental em Leipzig, na Alemanha, descobriram que 95% do plástico proveniente de rios tinham sido transportados por dez rios.
Quatro destes rios são exclusivamente na China: o Yangtze (foto), o Hai He, o Rio Amarelo e o Rio das Pérolas. Dois outros envolvem estreitamente a China: o Amur, que nasce na Rússia e deságua no mar de Okhotsk, com grande parte de seu curso na fronteira com a China (onde é chamado Heilong Jang), e o Mekong, que nasce na China e passa pelo Mianmar, Laos, Tailândia, Camboja e Vietnã a caminho do Mar do Sul da China.
Dois rios fluem pelo subcontinente indiano: o Indo, que nasce na China e atravessa a Índia, principalmente o Paquistão, terminando no Mar Arábico, e o Ganges, que flui através da Índia e Bangladesh, para a Baía de Bengala.
Os dois rios não asiáticos estão na África: o Nilo, com duas fontes na Etiópia (Nilo Azul) e Ruanda (Nilo Branco), passando por Uganda, Sudão do Sul, Sudão e Egito em direção ao Mediterrâneo, e o
Níger, que flui através do Mali, Níger, Benin e Nigéria para o Golfo da Guiné.
Nem todos esses rios são igualmente culpados. Como mostra o gráfico abaixo, o Yangtze é o principal culpado, ejetando cerca de 1,5 milhão de toneladas de plástico no mar da China Oriental. Isso é mais do que os outros nove rios juntos.
Se as tendências atuais continuarem, a quantidade de plástico despejado no oceano aumentará de um caminhão a cada minuto de hoje para um a cada 15 segundos em 2050, altura em que o descarte de plástico literalmente superará todos os peixes no oceano.


No entanto, como destacam os cientistas de Leipzig, são possíveis soluções rápidas. Concentrar os esforços de gerenciamento de resíduos apenas nesses 10 rios pode reduzir suignificamente a tendência da poluição do oceano por plásticos. Reduzir pela metade a descarga de resíduos de plástico pelos rios listados acima reduziria o fluxo global de plástico transportado pelos rios para os oceanos em nada menos que 45%.
Silver lining (forro de prata): limpá-los teria um enorme impacto positivo.

Jacobs, F. Just 10 streams carry 95% of all river-borne plastic into the ocean, Big Think. Tradução: PGCS
forro de prata, expressão usada para dizer a alguém que existe um lado positivo no problema que o mesmo está enfrentando. Segundo o Urban Dictionary, vem do fato de que todas as nuvens negras têm uma borda prateada.

09 setembro, 2018

Rios: o embate entre a ordem e o caos

"Os rios atravessam nossas civilizações como fios através de contas", escreveu Olivia Laing. "Há um mistério sobre os rios que nos atrai para eles, pois eles se originam de lugares escondidos e viajam por rotas que nem sempre serão amanhã onde podem ser hoje."
Mas esse mistério caótico e repleto de civilizações pode ser sustentado por um das verdades matemáticas mais elementares da natureza.
Em 1996, o cientista da Universidade de Cambridge Hans-Henrik Stølum publicou um artigo anunciando sua descoberta surpreendente de que o pi (π) estaria atuando sobre os caminhos flexíveis dos rios do mundo para torná-los, de seus meandros aparentemente caóticos, com um padrão matematicamente previsível. Em sua simulação, usando dados empíricos e modelagem de dinâmica de fluidos, ele descobriu que os caminhos oscilantes dos rios - a sua sinuosidade, calculada dividindo o comprimento sinuoso real do rio pelo comprimento da linha direta traçada entre a fonte e a foz, era em média 3,14.
Os dados de um crowdsourcing não conseguiram replicar a média obtida por Stølum, embora a amostra do crowdsourcing fosse muito pequena para provar ou refutar um modelo teórico que abordasse a média total de todos os rios do mundo. Contudo, o que é mais interessante do que a descoberta em si é a própria noção de que o pi - ou qualquer número - poderia sustentar padrões aparentemente caóticos na natureza.
Citando a descoberta de Stølum, Simon Singh escreveu:
O número π foi originalmente derivado da geometria de círculos, e assim reaparece repetidas vezes em várias circunstâncias científicas. No caso de sua relação com o rio, o aparecimento de π é o resultado de um embate entre a ordem e o caos. Einstein (filho) foi o primeiro a sugerir que os rios têm uma tendência para um caminho cada vez mais contorcido porque a curva menos acentuada levará a correntes mais rápidas no lado externo, o que resultará em maior erosão e uma curvatura mais acentuada. Quanto mais fechada a curva for, mais rápidas serão as correntes na borda externa, maior a erosão, mais o rio se contorcerá, e assim por diante. No entanto, existe um processo natural que reduzirá o caos: o aumento da aglomeração resultará em rios que se dobram sobre si mesmos e efetivamente causam curto-circuito. O rio ficará mais reto e a alça será deixada de lado, formando um lago em "U" (oxbow lake). O equilíbrio entre esses dois fatores opostos leva a uma razão média de π entre o comprimento real e a distância direta entre a fonte e a foz.
Webgrafia
http://blogdopg.blogspot.com/2018/03/o-serpentear-dos-rios.html
http://blogdopg.blogspot.com/2018/03/segunda-geracao.html
https://www.brainpickings.org/2018/06/21/pi-rivers/
https://en.wikipedia.org/wiki/Sinuosity
https://www.theguardian.com/science/alexs-adventures-in-numberland/2015/mar/14/pi-day-2015-pi-rivers-truth-grime

06 abril, 2018

Modelos reduzidos em escalas

Jaime Nogueira:
Para uma pálida ideia da complexidade do assunto (sedimentologia fluvial), tais modelos de simulação física, que se tornam necessários para suprir a deficiência dos recursos matemáticos, são explorados com duas escalas de tempo: a morfológica (estabelecida por comparação de dados históricos de levantamentos topográficos e reproduzida no modelo físico) e a analítica, além de duas escalas geométricas, normalmente a vertical, distorcida. Essencialmente, uma reprodução em miniatura - um fantástico trabalho artesanal... Veja:
"Modelos físicos ou modelos reduzidos em escalas são ferramentas usadas em diversos ramos das engenharias e em outros ramos para se projetar um protótipo, como por exemplo, um avião, um navio, uma plataforma de petróleo, um automóvel, bombas e turbinas hidráulicas ou uma usina hidrelétrica. Normalmente este tipo de modelagem física é utilizado para complementar os cálculos dos modelos matemáticos durante um projeto grande e complexo. Assim no modelo físico pode-se estudar, em escala, reduzida ou aumentada, diversos fenômenos físicos.

Mini-vertedouro do modelo reduzido da Usina Hidrelétrica de Itaipu

A miniatura da Usina Hidrelétrica de Itaipu (imagem acima) estava desativada há quase 20 anos. A restauração começou em março deste ano (2011) e foi finalizada no mês maio, junto com as comemorações dos 200 anos de independência do Paraguai. A construção será mais um entre os tantos atrativos oferecidos aos turistas que procuram o Complexo Turístico de Itaipu-PY. A miniatura fica dentro do prédio do laboratório hidráulico (ocupa uma área de 5 mil metros quadrados), no Paraguai, e é considerado um dos maiores modelos reduzidos físicos do planeta, com 250 metros de comprimento."
(postado em 11 de novembro de 2011; acessado em 31 de março de 2018)

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Segunda geração

19 março, 2017

O Projeto de Integração do Rio São Francisco

O Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF) é a maior obra de infraestrutura hídrica do País, dentro da Política Nacional de Recursos Hídricos. Com 477 quilômetros de extensão em dois eixos (Leste e Norte), o empreendimento vai garantir a segurança hídrica de 12 milhões de pessoas em 390 municípios nos estados de Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba, onde a estiagem é frequente.
O empreendimento engloba a construção de 13 aquedutos, nove estações de bombeamento, 27 reservatórios, nove subestações de 230 quilowats, 270 quilômetros de linhas de transmissão em alta tensão e quatro túneis. Com 15 quilômetros de extensão, o túnel Cuncas I é o maior da América Latina para transporte de água.
As obras do Projeto de Integração do Rio São Francisco passam pelos seguintes municípios no Eixo Norte: Cabrobó, Salgueiro, Terranova e Verdejante (PE); Penaforte, Jati, Brejo Santo, Mauriti e Barro (CE); em São José de Piranhas, Monte Horebe e Cajazeiras (PB). Já no Eixo Leste, o empreendimento atravessa os municípios pernambucanos de Floresta, Custódia, Betânia e Sertânia; e em Monteiro, na Paraíba.
No Nordeste estão 28% da população brasileira e apenas 3% da disponibilidade de água do País. O Rio São Francisco detém 70% de toda a oferta de água da região, historicamente submetida a ciclos de seca rigorosa, como a que vivemos atualmente.
Conforme Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), o Projeto de Integração do Rio São Francisco foi a mais consistente alternativa estrutural para o fornecimento adequado de água à região. Estudos e avaliações técnicas foram realizados (estudos de impacto ambiental, de inserção regional, de viabilidade técnica, econômica e hidrológica) conforme diretrizes do Plano Decenal da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, concluído pela Agência Nacional e Águas (ANA).
A integração das bacias do São Francisco representa uma extraordinária contribuição para amenizar o sofrimento das populações mais castigadas e auxilia no desenvolvimento das regiões do Semiárido.
Em tempo:
1) O empreendimento que tem transformado a paisagem do sertão brasileiro e levará água a mais de 12 milhões de pessoas em quatro estados - Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte - está cada vez mais próximo de ser concluído. Em abril de 2016, o Projeto de Integração do Rio São Francisco alcançou o índice de 86,3% de avanço físico nos dois eixos de obras. Dos 325 quilômetros de canais, 265 já estavam concluídos - 139 quilômetros no Eixo Leste e outros 126 no Eixo Norte.
2) Sobre a circunstância de o Nordeste viver a maior seca da sua história e ninguém morrer de sede nem haver saques na região, cabe lembrar que foram construídas de 2013 a agosto de 2015 mais de um milhão de cisternas no Nordeste.
3) Acontece hoje (19) a inauguração popular da transposição das águas do Rio São Francisco, por Lula e Dilma, em Monteiro - PB. Contando com a presença do governador da Paraíba, lideranças políticas e de movimentos sociais e de um público estimado em 50 mil pessoas. O evento é um contraponto à inauguração oficial realizada na semana passada por Michel Temer. Transmissão ao vivo, a partir de 15 horas, pela TVT em suas páginas no Face e no YouTube. Já está nos TT do Twitter a hashtag #ComLulaOSertaoVirouMar.

14 junho, 2014

Mobilidade rural no Vietnã

Nadadores vietnamitas transportam passageiros em sacos plásticos através de rios
Quando áreas remotas do Vietnã estão inundadas, nadadores locais enfrentam a correnteza dos rios transportando passageiros dentro de sacos plásticos resistentes.



Keep it Simple, Stupid (KISS)
"A simplicidade é o último grau da sofisticação." – Leonardo da Vinci
"Menos é mais." – Mies Van Der Rohe
"A perfeição é alcançada não quando não há mais nada para adicionar, mas quando não há mais nada que se possa retirar." – Saint-Exupéry
"Tudo deve ser feito da forma mais simples possível, mas não mais simples." – Albert Einstein

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28 janeiro, 2010

O Riacho e o Coronel

Em minhas viagens de trabalho à cidade de Itapiúna, pela rodovia CE-060, eu passo de carro por algumas pequenas pontes. Elas cruzam rios, aliás, filetes de rios (às vezes, nem isso), reduzidos como se apresentam pela inclemência do sol, que castiga o sertão cearense, associado à irregularidade das chuvas.
Placas bem conservadas, ainda não danificadas pelos pichadores, me informam à entrada das pontes os nomes que os rios têm. Na maioria das vezes, são nomes bem pitorescos como Baú, Água Verde, Gavião, Oitizeiro e Pesqueiro.
Um desses rios, que cruza a estrada no trecho entre Guaiuba e Acarape, tem o simpático nome de Rio Riacho. E parece não fazer caso de ter sido rebaixado a riacho, como se estivesse a matutar que não há mal que sempre dure. No seu caso, uma circunstância que deve acabar ao receber as águas da próxima quadra invernosa. E assim, revitalizado e a correr fartamente no leito, poder esse rio surpreender aqueles que o menosprezam.

(fotografia por câmera de telefone móvel)

Então, é quando uma associação de pensamentos me transporta a março de 1972. Eu, aluno de um curso de formação de oficial médico, na Escola de Saúde do Exército, no Rio de Janeiro. A integrar uma turma de cem jovens médicos, oriundos de diversos estados do país, e ansiando todos em receber no fim do curso as patentes.
Fomos avisados de que devíamos escolher os nomes de guerra. Colocados nos fardamentos, eles fariam com que logo nos conhecêssemos, uns aos outros, por esses nomes.
Sucede que um dos colegas, que pertencia à família Coronel, adotou como nome de guerra o tal sobrenome "militar". E, assim, passou a ser chamado de Tenente Coronel, ora por brincadeira, ora por respeito.
Ostentando duas estrelas em cada ombro, via-se de longe que esse Coronel era apenas um tenente. Pois, para ser um Tenente-Coronel - de verdade - o estimado colega tinha que possuir três estrelas, duas das quais "gemadas". Ah, isso ainda ia levar muito tempo!

19 março, 2009

As cores dos rios amazônicos

Segundo o pesquisador Bruce Forsberg, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), há três tipos básicos de rios na Amazônia: os rios de águas brancas, de águas negras e de águas claras.
Os rios de água branca, como o Solimões, o Juruá e o Purus, são os que nascem em lugares muito montanhosos. A coloração barrenta da água vem da terra que esses rios arrancam das montanhas quando descem.
Já nos rios de água negra verifica-se outra situação. Eles nascem em locais baixos, passam por áreas alagáveis, cujo solo é encharcado, e levam poucos sedimentos.  São comuns na bacia do Rio Negro.
Em menor número são os rios de águas claras, como o Tapajós e o Xingu. Eles nascem em locais de pouco relevo e passam por poucos locais alagáveis. Isso faz com que a água seja límpida. 
Na Amazônia, é possível observar vários encontros entre rios com águas de coloração diferente. A mais importante dessas confluências é a que acontece, a alguns quilômetros da cidade de Manaus, entre as águas barrentas do Rio Solimões e as águas escuras do Rio Negro (mostrada na imagem ao lado).
Ressalte-se que, por fatores diversos, a tonalidade da água de um rio amazônico tem grande influência sobre os tipos de plantas e animais aquáticos que vivem na respectiva região.