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16 maio, 2024

Inventores, mestres e diluidores

O escritor Ezra Pound, em "ABC of Reading" (ABC da Literatura, Ed. Cultrix), propôs a existência de três classes de criadores:
  1. Inventores: os que descobrem um novo processo ou cuja obra nos dá o primeiro exemplo conhecido de um processo;
  2. Mestres: os que fazem várias combinações do processo inicial e se saem tão bem ou melhor do que os inventores;
  3. Diluidores: aqueles que vieram depois e não foram capazes de realizar tão bem o trabalho.
Ezra Pound falava de literatura. Mas a gente pode usar seus argumentos para falar de música.

07 abril, 2024

Arquivo Z

Z de Ziraldo, cartunista,  jornalista, escritor e artista gráfico brasileiro.
Ziraldo Alves Pinto nasceu em Caratinga, Minas Gerais, no dia 24 de outubro de 1932. Seu nome de batismo vem da combinação dos nomes de sua mãe, Zizinha, e de seu pai, Geraldo. Desde criança já mostrava talento para o desenho. Com seis anos, ele teve um de seus desenhos publicado no jornal "Folha de Minas".
Criador de A Turma do Pererê, que foi publicada primeiramente em cartuns em 1959, nas páginas da revista "O Cruzeiro". Depois, sob o nome de "Pererê", passou a ser publicada mensalmente a partir de outubro de 1960 até abril de 1964. "Pererê", que foi a primeira revista brasileira de histórias em quadrinhos totalmente colorida, conquistou rápido sucesso no Brasil. O que permitiu que fossem publicadas 43 edições em sua primeira série, com tiragens de 120 mil exemplares em média.
Em 1969, Ziraldo aceitou a proposta de fazer um livro infantil ilustrado em três dias. E criou Flicts - em apenas dois dias, a história de uma cor "diferente" (bege), que não conseguia se encaixar no arco-íris, nas bandeiras e em lugar nenhum. Até ser revelado que a Lua é flicts, pois bege é a cor da superfície lunar.
Em 1975, as histórias em quadrinhos com os personagens da Mata do Fundão voltaram a ser publicados, com o título de "A Turma do Pererê", pela Editora Abril. No entanto, esta segunda série foi cancelada em 1976, com apenas 10 edições. Desde então os quadrinhos do Pererê passaram a ser apenas republicados em almanaques nos anos seguintes, com poucas histórias ainda inéditas. Até que, em 1980, Ziraldo passou a dedicar-se às histórias do Menino Maluquinho.
Ziraldo Pinto foi também um dos fundadores do hebdomadário O Pasquim, (1969), um porta-voz da contracultura e da indignação intelectual com o regime militar, e do semanário Bundas (1999), uma sátira ao mundo das celebridades exposto em "Caras" ("Quem mostrou a bunda em Caras, não mostrará a cara em Bundas", segundo ele).


06/04/2024 - Dia triste para todos os meninos maluquinhos de Caratinga-MG e do Brasil. Aos 91 anos, foi-se Ziraldo, o Bom.

07 janeiro, 2022

Do outro lado das paredes

Em uma belíssima entrevista á Julliany Mucury, no programa "Tirando de Letra" (https://www.youtube.com/watch?v=0pzLHDYOcC0), Mia Couto falou poeticamente sobre vários assuntos.
Quase ao final, perguntado como é possível a poesia nascer da dor, Mia Couto ilustrou a resposta com uma frase de Ho Chi Minh. Este político, também poeta, ao ser questionado como teria sido possível escrever seus belos versos numa prisão tão opressiva e desumana, respondeu: "Eu desvalorizei as paredes.".
E Mia Couto completou: "É preciso não morar na tristeza."
Ou seja, as paredes somos nós que construímos, ou são os outros que constroem em nossa volta. Por isso, podemos e devemos "desvalorizar as paredes" e ver além das que nos cercam, sejam elas reais ou emocionais.
Ho Chi Minh parece ter sempre "desvalorizado as paredes", pois saiu de seu posto de garçom no Rio de Janeiro para derrotar "apenas" o exército mais poderoso do mundo e se tornar Presidente e Poeta de uma grande Nação.
Mia Couto também. Saiu de uma desconhecida província de Moçambique para se tornar "apenas" um dos maiores escritores contemporâneos.
Então, neste momento de pandemia, de imensa dor e isolamento social vamos "desvalorizar as paredes" e vamos "morar na alegria" de vislumbrar um mundo sadio, fraterno e feliz. Muito além das paredes.
Fernando Gurgel Filho


14 agosto, 2020

O leitor escritor e vice-versa

"Aprender a ser um bom leitor é o que faz de você um escritor." ~  Zadie Smith

No quarto dos treze ensaios do livro intitulado "Flight", Rebecca Solnit escreveu:
"Como muitos outros que se transformaram em escritores, eu desapareci nos livros quando eu era muito jovem, desapareci neles como alguém correndo pela floresta. O que me surpreendeu e ainda me surpreende é que havia um outro lado na floresta de histórias e solidão, que eu saí daquele outro lado e conheci pessoas lá. Escritores são solitários por vocação e necessidade. Às vezes, acho que a prova não é tanto talento, o que não é tão raro quanto as pessoas pensam, mas objetivo ou vocação, que se manifestam em parte como a capacidade de suportar muita solidão e continuar trabalhando. Antes de os escritores serem escritores, eles são leitores, vivendo em livros, através de livros, na vida de outras pessoas que também são as cabeças de outras pessoas, naquele ato que é tão íntimo e, no entanto, tão solitário."

24 setembro, 2019

Bloqueio do escritor - 5

O ILUMINADO (1980). Jack Torrance se torna caseiro de inverno do isolado Hotel Overlook, nas montanhas do Colorado, na esperança de curar seu bloqueio de escritor. Ele se instala com a esposa Wendy e o filho Danny, que é atormentando por premonições.

"Por que estão comemorando o bloqueio do John Green? Gente, ele é um ótimo escritor, parem com isso."

Donald Lau é diretor financeiro da Wonton Foods, uma das maiores indústrias de comida chinesa dos Estados Unidos. Mas também tinha outra função. Por 30 anos, ele foi o responsável por criar as frases que vinham dentro dos biscoitos da sorte que eles fabricam. Foi? Foi. O senhor Lau teve um bloqueio criativo, nenhuma ideia nova vinha na cabeça, informa a Time. "Costumava escrever 100 frases por ano, mas escrevi apenas duas ou três por mês no último ano", disse à revista.

BLOQUEIO DO ESCRITOR. O "branco" é uma combinação de indecisão intelectual e pavor emocional. Tem suas raízes no mesmo desvão psicológico onde se situa a "brochada". Alguns escritores tiveram “brancos” que duraram anos ou décadas. Dashiell Hammett não escreveu mais nada entre 1934 (ano de seu último livro, "The Thin Man") e sua morte em 1961. ~ Braulio Tavares
http://mundofantasmo.blogspot.com/2013/10/3305-bloqueio-de-escritor-1102013.html

És um escritor com bloqueio?
Dedica teu recente tempo não criativo a uma causa nobre. Por exemplo, ajudares a criar o Dia do Escritor com Bloqueio. ~ PGCS

Bloqueios anteriores: 1, 2, 3 e 4

18 janeiro, 2019

Ser escritor

Estava aqui pensando sobre ser escritor e como, às vezes, a gente espera que os resultados caiam no nosso colo. Ou como a gente olha para a trajetória do coleguinha e pensa que tudo para ele veio mais fácil do que para a gente. LÁ VOU EU EM MAIS UMA THREAD.
Iris Figueiredo

Publiquei meu primeiro livro em 2011, daí um cara veio me perguntar durante a Bienal como eu tinha feito para chegar até a seguinte e "fazer sucesso" (entre aspas porque estou MUITO longe disso, só citando o que ele me disse mesmo).

Daí eu fui lá e contei mais ou menos o que fiz nesses anos todos: escrevi muito, li mais ainda, tentei aprender mais sobre escrita, conheci o trabalho de outros escritores, frequentei feiras, aumentei minha presença on-line, tentei conhecer editores e autores.




Não conheço um escritor que tenha estourado "do nada". Até mesmo booktubers, por exemplo, que as pessoas costumam dizer que foi mais "fácil": essas pessoas cultivaram por anos o público delas no YouTube, por anos, criaram uma base, contatos etc. Isso é trabalho.

Todos os autores que conheço e que vendem relativamente bem fizeram uma longa jornada até ali. Seja conquistando leitores em feiras de livros (tipo eu curto fazer), publicando de forma independente na Amazon ou Wattpad, falando de livros na internet etc.

Vou dar exemplos de pessoas que conquistaram seus leitores de diferentes formas:
- @apamgoncalves, @belrodrigues e @pah_aleksandra: elas construíram uma base de seguidores através de anos de trabalho no booktube;
- @lucasdlrocha e @robertaspindler: eles entraram para o ranking dos mais vendidos das respectivas editoras porque foram à Bienal todos os dias e apresentaram seus livros;
- @Rayctjay: passou anos escrevendo em plataformas on-line antes de conseguir publicar um livro.

O caminho de cada um deles é diferente. E tudo bem, porque são PESSOAS DIFERENTES, com formas diferentes de trabalho. Mas no final, está todo mundo levando suas histórias por aí da melhor forma que conseguiu encontrar.

Nada caiu no colo para nenhum deles. Eles aproveitaram as oportunidades que tiveram e trabalharam em cima delas. É um momento ótimo para ser autor no Brasil. As editoras estão de olho na gente! Não precisa ser "famoso" antes. Mas o que você precisa é TRABALHAR.

Porque você pode ser publicado pela melhor editora de todas, mas muitas vezes isso não quer dizer nada. Porque se você abandonar seu livro lá e esperar que as pessoas comprem porque é seu, e você merece isso, provavelmente não vai funcionar.

Por isso, escreva! Escreva MUITO! Mas também apoie outros autores, converse com seus leitores, use as redes sociais para divulgar seu trabalho… e não desanime! Pode ser que as coisas só comecem a funcionar na milésima tentativa.

Mas você aprendeu muito com as outras, tudo que você descobre com seus “erros” como escritor também é de grande ajuda pro futuro. Continuem a escrever, mas saibam que há bastante a se fazer depois de publicar.

04 fevereiro, 2018

Autobiografia burlesca de Mark Twain

Em tempos de supremacistas brancos que procuram saber o sangue puro de onde vieram, penso que é hora de trazer o gênio de Mark Twain (1835 - 1910). Ele já resolveu a questão há muitos anos, quando pesquisou a origem histórica dos seus antepassados muito além do DNA. Em dúvida, acompanhem o resultado da pesquisa de Mark Twain sobre uma das melhores famílias dos Estados Unidos.

"Venho de uma ascendência ilustre. A minha família tem uma trajetória de antiguidade incalculável. O primeiro Twain que a História registra não era um Twain, mas um amigo da família, de sobrenome Higgins. Isso aconteceu no século XI, e nossos antepassados moravam em Aberdeen, County Cork, na Inglaterra.
Até hoje não conseguimos verificar a misteriosa razão da nossa família ter o nome maternal Twain, em lugar do paterno Higgins. Devemos ter motivos domésticos poderosos para não continuar a investigação desse enigma histórico. Em alguns casos, o Twain adotou alguns apelidos, e sempre o fez para evitar transtornos irritantes com a polícia. Mas voltando ao caso Higgins, se meus leitores tiverem uma curiosidade inconveniente, que se contentem em saber que o mistério se reduz a um incidente vago e romântico. Que família antiga e linhagem não mantêm o perfume dessas sombras poéticas em sua paternidade e filiação?
Ao primeiro Twain sucedeu Artur Twain, cujo nome se tornou famoso nas crônicas da encruzilhada inglesa.
Artur teria trinta anos quando se dirigiu a uma das praias mais aristocráticas da Inglaterra, vulgarmente chamada de prisão Newgate, e muitas pessoas testemunharam sua morte súbita naquele lugar de recreio.
Seu descendente, Augusto Twain, esteve na moda lá pelo ano 1160.
Esse Twain era um humorista extraordinário. Ele era dono de uma velha espada do melhor aço naquele tempo. Augusto Twain afiava muito bem a folha brilhante de sua espada e se escondia em um lugar do bosque para saudar os caminhantes. À medida que passavam, Augusto os espetava só pelo prazer de vê-los saltarem, porque, como já falei antes, ele era muito original em suas diversões.
Parece que, para a perfeição artística do seu trabalho, ele chamou a atenção pública muito além do que seria conveniente. Algumas autoridades que cuidavam do assunto, e tinham conhecimento do humor de Augusto, espionavam-no à noite e terminaram por se apropriar da sua pessoa no momento em que ele estava aplicando mais uma de suas piadas. Os representantes dessas autoridades receberam a ordem de separar a extremidade superior de Augusto e levar essa parte a um lugar alto em Temple Bar.
Toda a vizinhança se reunia diariamente para ver aquela parte superior de Augusto Twain, que jamais havia ocupado um lugar tão destacado.
Durante os duzentos anos seguintes, quero dizer, até o século XIV, minha família foi enaltecida pelas façanhas de muitos heróis. Os que tiveram sorte – senão teriam morrido na obscuridade – seguiram o caminho vitorioso de exércitos, sempre cobrindo a retirada e sempre à frente dos primeiros na ordem de volta aos quarteis depois da batalha. Um estudioso se enganou quando escreveu que a árvore genealógica de nossa família tinha apenas dois ramos em ângulo reto ao tronco, e que se distinguia de outras árvores pela exceção dos bons frutos. Isso é uma calúnia e uma idiotice.
Chegamos ao século XV. Nessa época floresceu Twain o Formoso, também conhecido como O Letrado ou o Pena de Ouro. Ele possuía uma habilidade insuperável de imitar a letra e a assinatura de todos os comerciantes da época. As pessoas riam muito quando tinham notícia de como ele tirava lucro desse talento em que alcançou a perfeição.
Infelizmente, parece que, por causa de uma dessas assinaturas, meu ilustre antepassado se comprometeu a cortar pedras em estradas por muitos anos, uma aspereza que estragou a sua mão para o delicado trabalho da arte."

Traduzido por Urariano Mota para o Jornal GGN com o título de Mark Twain e a supremacia branca.
Original: http://albalearning.com/audiolibros/twain/autobiografia-sp.html

O epítome da vida | Do pó ao pó | Genealogia e política

19 janeiro, 2018

O bloqueio do escritor - 3

Se você tem algo para terminar: um ensaio, uma carta, esta novela - e você não consegue terminá-lo no devido tempo, você pode acabar no Writers' Block.
Em uma prisão para escritores criminosos pobres, este curta-metragem de animação da Wonky Films mostra os infortúnios de uma gangue interna que, controlando o roteiro de suas próprias vidas, tenta reescrevê-lo para fugir.

O bloqueio do escritor - 1
O bloqueio do escritor - 2

21 junho, 2017

Google faz homenagem a Machado de Assis

Joaquim Maria Machado de Assis (RJ, 21 de junho de 1839 — RJ, 29 de setembro de 1908) foi um escritor brasileiro, considerado por muitos críticos, estudiosos, escritores e leitores como um dos maiores senão o maior nome da literatura do Brasil. Escreveu em praticamente todos os gêneros literários, sendo poeta, romancista, cronista, dramaturgo, contista, folhetinista, jornalista, e crítico literário. Testemunhou a mudança política no país quando a República substituiu o Império e foi grande comentador e relator dos eventos político-sociais de sua época.
Para homenageá-lo (178º aniversário), o Google está exibindo um novo doodle na pagina inicial.


"É grande, é imenso o Machado. É o pico solitário das nossas letras. Os demais nem lhe dão pela cintura." ~ Monteiro Lobato

20 fevereiro, 2016

Umberto Eco (1932–2016)

Morreu na noite de ontem (19) o escritor, semiólogo e filólogo italiano Umberto Eco, de 84 anos.
Segundo sua família, o falecimento ocorreu às 22h30 (horário local), em Milão, na própria residência do intelectual.
Eco nasceu em Alessandria, no Piemonte, em 5 de janeiro de 1932, e entre os seus maiores sucessos literários estão "O nome da rosa", de 1980, e "O pêndulo de Foucault", de 1988. Sua última obra, "Número zero", foi publicada no ano passado e fala sobre a redação imaginária de um jornal, com fortes referências à história política, jornalística e judiciária da Itália.
Além de romances de destaque internacional, o escritor também é autor de numerosos ensaios de semiótica, estética medieval, linguística e filosofia. Em 1988, fundou o Departamento de Comunicação da Universidade de San Marino. Desde 2008, era professor emérito e presidente da Escola Superior de Estudos Humanísticos da Universidade de Bolonha.

24/02/2016 - Atualizando ...
Umberto Eco, O Fascismo Eterno, in: Cinco Escritos Morais,
Tradução: Eliana Aguiar, Editora Record, Rio de Janeiro, 2002.
[...] O termo "fascismo" adapta-se a tudo porque é possível eliminar de um regime fascista um ou mais aspectos, e ele continuará sempre a ser reconhecido como fascista. Tirem do fascismo o imperialismo e teremos Franco ou Salazar; tirem o colonialismo e teremos o fascismo balcânico. Acrescentem ao fascismo italiano um anticapitalismo radical (que nunca fascinou Mussolini) e teremos Ezra Pound. Acrescentem o culto da mitologia céltica e o misticismo do Graal (completamente estranho ao fascismo oficial) e teremos um dos mais respeitados gurus fascistas, Julios Evola.
A despeito dessa confusão, considero possível indicar uma lista de características típicas daquilo que eu gostaria de chamar de "Ur-Fascismo", ou "fascismo eterno". Tais características não podem ser reunidas em um sistema; muitas se contradizem entre si e são típicas de outras formas de despotismo ou fanatismo. Mas é suficiente que uma delas se apresente para fazer com que se forme uma nebulosa fascista. [...]
Extraído de: Ur-Fascismo, o texto histórico de Umberto Eco traduzido para o português, in: Pragmatismo Político. Enviado por Fernando Gurgel Filho.

26 abril, 2015

Falecimento de Audifax Rios

Audifax Rios nasceu em Santana do Acaraú, Ceará, onde iniciou os estudos, e depois se transferiu, em 1962, para a capital cearense, prosseguindo os estudos no Liceu do Ceará, radicando-se em Fortaleza, desde então.
Trabalhou na extinta TV Ceará, em jornais e agências de propaganda. Artista plástico, fez duas dezenas de individuais (Brasília, Recife, Vaticano, Nova Canudos, Fortaleza etc.) e participou de inúmeras coletivas e salões onde foi premiado (Novos, Abril, Unifor etc.).
Fez capas e ilustrações para mais de uma centena de obras, a maioria de autores cearenses. Foi ainda cordelista e publicitário.
Autor dos livros "Bar Peixe Frito" (1978), "Já fez a sua fezinha hoje?" (1987), "Gentes da Licânia" (1989), "Porto dos Viventes de Aroeiras" (1993) e "Iracemar" (1996), além de participar de diversas antologias. Há anos vinha assinando uma coluna semanal, às sextas-feiras, no jornal O Povo, na qual dava vazão à sua verve de notável memorialista.
Atualmente, era editor da revista "De Um Tudo" e secretariava as famosas reuniões do Clube do Bode, função que exerceu por longos anos.
Audifax Rios faleceu, ontem à tarde, dia 25/04/2015, de modo súbito, em Santana do Acaraú, e seu corpo foi trasladado para Fortaleza e está sendo velado no Jardim Metropolitano, onde ocorrerá o sepultamento às 15h de hoje.
Transcrito do Blog do Marcelo Gurgel

Veja a última crônica do escritor e artista plástico Audifax Rios, publicada nesta sexta-feira, 24, no jornal O POVO.

Ilustração: do "face" da Luizianne Lins

14 abril, 2015

Eduardo Galeano (1940-2015)

Eduardo Galeano morreu aos 74 anos, nesta segunda-feira (13), em Montevidéu, Ele estava internado em um hospital na capital uruguaia devido a complicações de um câncer de pulmão, que já havia sido tratado em 2007. Ensaísta, historiador e ficcionista, Galeano publicou mais de 30 livros, quase todos traduzidos no Brasil.
O seu livro mais conhecido, "As veias abertas da América Latina", foi escrito quando ele tinha 18 anos. O livro traça a história da colonização e da exploração do continente pelos europeus.
Ao instalar o júri do 53º prêmio Casa das Américas, em Havana, Eduardo Galeano afirmou que a "obediência" aos poderosos pode ser "a penitência" da América Latina, mas não o seu "destino".
O seu corpo será velado hoje (14) no Salão dos Passos Perdidos, no parlamento do Uruguai.
Citações de Galeano transcritas no Blog EM
"A Utopia está no horizonte. Eu sei muito bem que não a alcançarei. E que, se eu caminho dez passos, ela se distanciará dez passos. Quanto mais eu a busco, menos a encontrarei. Porque ela irá se distanciando à medida que eu tente me aproximar dela. Boa pergunta, não? Então, para que ela serve? A Utopia serve para isso: PARA CAMINHAR." (O Direito ao Delírio)
"Eu não acredito em caridade. Eu acredito em solidariedade. Caridade é vertical: vai de cima para baixo. Solidariedade é horizontal: respeita a outra pessoa e aprende com o outro. A maioria de nós tem muito o que aprender com as outras pessoas." (Solidariedade)

01 janeiro, 2015

O bloqueio do escritor - 2

"Se eu esperasse a perfeição, eu nunca escreveria uma palavra." ~ Margareth Atwood

Um diálogo
Vou me matar.
Por que isso, companheiro?
Nenhuma ideia nova... Não consigo escrever nada...
Ora, tente mais um pouco.
Não vai adiantar. É bloqueio do escritor.
Então, está esperando o quê?
Eu não sei o que colocar em minha carta de suicídio.

A solução é protestar

Bloqueio 1

08 agosto, 2014

O bloqueio do escritor

É o fenômeno psicológico pelo qual um escritor profissional perde a inspiração, o fluxo criativo e, como consequência, a capacidade de escrever. Este bloqueio pode levar horas, dias, semanas ou meses e, em casos extremos, anos ou até o resto da vida, o que tem levado alguns escritores ao afastamento de suas atividades.
As razões para isso não são totalmente claras, mas acredita-se que responde a diferentes fatores psicológicos, tais como a tensão e a depressão, ou ligados a problemas pessoais. Alguns acreditam que o bloqueio ocorre quando o escritor sofre distrações frequentes e precisa isolar-se por um tempo. Outros argumentam que, quando um escritor publica livros bem sucedidos e premiados, passa a ter dificuldades para continuar a escrever com medo de não manter o nível de sua obra. WIKIPÉDIA
Neste link que remete o leitor ao Journal of Applied Behavior Analysis (JABA) há um interessante artigo de Dennis Upper, intitulado The Unsuccessful Self-Treatment of a Case of “Writer’s Block” (O Fracassado Auto-Tratamento de um Caso de “Bloqueio do Escritor”). Pode ser lido de uma assentada, visto que o artigo completo (43K) apresenta conteúdo vazio (alguém já disse mais com menos palavras?). Resume-se ao título, mas já foi citado 60 vezes.
O artigo foi publicado – sem revisão – com este entusiasmado comentário do Revisor A:
Eu estudei cuidadosamente este manuscrito, com suco de limão e raios-X, não detectando um só defeito no projeto ou no estilo da apresentação. Sugiro ser publicado sem revisão.
Não é uma réplica ao artigo, é só um comunicado: Esses bloqueios eu resolvo sempre com o Google e a Wikipédia.

25 julho, 2014

Dia do Escritor


Em 25 de julho é comemorado o Dia do Escritor. Nada como se inspirar nas belas palavras de Lima Barreto, o mulato brasileiro que, juntamente com outro mulato, Machado de Assis, forma a maior dupla de escritores do País.
"Mais do que qualquer outra atividade espiritual da nossa espécie, a Arte, especialmente a Literatura, ..., em virtude mesmo do seu poder de contágio, tem e terá um grande destino em nossa triste humanidade.
O homem, por intermédio da Arte, não fica adstrito aos preconceitos e preceitos de seu tempo, de seu nascimento, de sua pátria, de sua raça; ele vai além disso, mais longe que pode, para alcançar a visão total do Universo e incorporar a sua vida na do Mundo.
… a Literatura reforça o nosso natural sentimento de solidariedade com os nossos semelhantes, explicando-lhes os defeitos, realçando-lhes as qualidades e zombando dos fúteis motivos que nos separam uns dos outros.”
E continua: "a Literatura tende a obrigar a todos nós a nos tolerarmos e a nos compreendermos; e, por aí, nós nos chegaremos a amar mais perfeitamente na superfície do planeta que rola pelos espaços sem fim.
Atualmente, nesta hora de tristes apreensões para o mundo inteiro, não devemos deixar de pregar, seja como for, o ideal de fraternidade, e de justiça entre os homens e um sincero entendimento entre eles."
Lima Barreto, “O Destino da Literatura”, 1921, cidade de Mirassol-SP
No texto, Lima Barreto afirma ainda que a literatura não é a beleza plástica da forma e da técnica. Ela serve para unir os homens, estabelecendo uma “harmonia entre eles, orientada para um ideal imenso em que se soldem as almas, aparentemente as mais diferentes, mas semelhantes no sofrimento da imensa dor de serem humanos”
A Arte, tendo o poder de transmitir sentimentos e ideias, sob a forma de sentimentos, trabalha pela união da espécie; assim trabalhando, concorre, portanto, para o seu acréscimo de inteligência e de felicidade.
Fernando Gurgel Filho

18 julho, 2014

João Ubaldo (1941–2014)

Morreu o escritor João Ubaldo Ribeiro.
Em "Aventuras Naturais", do livro "O Rei da Noite" (sinopse), João Ubaldo Ribeiro descreve um restaurante de comida natural.
A descrição é divertidíssima. Apesar de, segundo ele, ter sido uma experiência "acabrunhante".
"Pior do que", continua João Ubaldo, "a que tive num restaurante macrobiótico de Salvador, ao qual concordei que me levassem num momento de insensatez e que me deixou abaladíssimo - aqueles mastigadores obstinados, aquela aura de expiação de pecados através de penitências alimentares, aquela atmosfera pálida e astênica."
Bebedor contumaz, o escritor ficou ainda mais avesso ao lugar quando pediu algo para beber. Tinha suco de espinafre – "que nunca vi, mas considero imoral por definição", dizia ele – "suco de beldroega, chá de tília e água descansada".
– Água descansada? Descansada?
Dai pra frente tem que ler. Imperdível.
Fernando Gurgel

11 setembro, 2012

Airton Monte (1949 - 2012)

Morreu nesta segunda-feira (10), aos 63 anos, o médico e escritor cearense Airton Monte.
Nascido em Fortaleza, em 1949, e formado pela Universidade Federal do Ceará (UFC), Antonio Airton Machado Monte tinha como especialidade a psiquiatria.
Iniciou a carreira literária na revista "O Saco", na qual publicou contos, e foi um dos fundadores do "Grupo Siriará de Literatura".
Escreveu “O Grande pânico” (1979), “Homem não chora” (1981), "Alba Sangüínea" (1983) e “Moça com flor na boca” (2005). Este último livro foi adotado pelo vestibular da UFC.
Participou também de coletâneas, dentre as quais o livro "Verdeversos", editado pelo Centro Médico Cearense (atual AMC), e era membro da "Sociedade Brasileira de Médicos Escritores - Regional Ceará".
Suas crônicas eram publicadas, das segundas às sextas-feiras, no jornal "O Povo". Foi o nosso cronista maior.
O corpo será cremado no Cemitério Jardim Metropolitano, no Eusébio.
Externo o meu imenso pesar à família de Airton e à literatura cearense.
Para homenagear o amigo parceiro
"O Povo", 08/01/2007 (Claudio Ribeiro, Demitri Túlio, Felipe Araújo e Luiz Henrique Campos, da Redação) - Uma conversa franca e bem humorada com Airton Monte, cronista de uma Fortaleza boêmia, solidária e fraterna que propõe o hedonismo e o anarquismo educado como utopia para a humanidade. Via Blog do Lauriberto
"Linha do Tempo", 07/09/2012 (Paulo Gurgel) - O PARCEIRO AIRTON MONTE
"O Povo", 11/09/2012 (Pedro Rocha, de Vida e Arte) - Inventor de delicadezas
"Blog do Marcelo Gurgel", 11/09/2012 - Com sua morte, encerra-se o ciclo dos grandes cronistas cearenses, cuja tríade de escol foi formada por Ciro Colares, Milton Dias e Airton Monte. Morre o médico e escritor Airton Monte
"O Povo", Jornal de Hoje, 23/09/2012 (Marcelo Gurgel), O médico e escritor, onde se lê:
"No início dos anos 1970, como letrista, (Airton Monte) dividiu a autoria de diversas músicas, tendo como parceiros de composição, vários amigos, como: Antônio Luiz Macedo, Paulo Gurgel Carlos da Silva, Antônio José Mendes Forte e Chico Barreto."

02 agosto, 2012

Gore Vidal (1925-2012)

"Gore Vidal vai ser lembrado não pelos livros que escreveu, quase todos irrelevantes – e sim pelas frases cínicas, cruéis e brilhantes que criou em quantidade extraordinária." Paulo Nogueira

1) Um escritor deve sempre dizer a verdade, a não ser que seja jornalista.
2) Metade dos americanos nunca votou para presidente, e metade jamais leu um jornal. Esperamos que seja a mesma metade.
3) Quando alguém me pergunta se posso guardar um segredo, respondo: “Por que eu deveria, se você não pôde?”
4) Estilo é você saber quem é, e dizer o que quiser, sem dar a mínima importância para o resto.
5) Toda pessoa pronta para disputar a presidência dos Estados Unidos deveria, automaticamente, ser impedida de concorrer.
6) Andy Warhol é o único gênio que conheci com 60 de QI.
7) Uma boa ação jamais deixa de ser punida.
8) Temos que parar de nos gabar que somos a maior democracia do mundo. Sequer somos democracia. Somos uma república militarizada.
9) Hoje as pessoas públicas não conseguem escrever seus discursos e nem suas memórias. Não sei se conseguem sequer ler.
10) Por trás desta carcaça fria, se você quebrar o gelo, vai encontrar água gelada (referindo-se a si próprio).
Gore Vidal

A morte deste escritor norte-americano, aos 86 anos, na noite da última terça-feira (31/07), de pneumonia, teria sido descrita por ele mesmo como naturalíssima.